O que é falo? (parte 1)

4elemen3Desde o final do século XIX quando Freud inventou essa coisa chamada Psicanálise – que em termos de conhecimento sobre o que é o humano só é superada pela religião - os termos psicanalíticos vêm gradativamente se incorporando ao senso comum, ao falatório cotidiano, a esse blábláblá característico de um ônibus lotado.

Isso só trouxe efeitos deletérios tanto para a prática quanto para a difusão da teoria freudiana. Em primeiro lugar porque se acaba com o efeito-surpresa da intervenção do psicanalista: hoje qualquer pessoa com um mínimo de cultura geral sabe como funciona a versão tradicional do complexo de Édipo, o que faz com que ele traga pra análise sua vida interpretada edipianamente de antemão, fazendo o analista ficar com cara de tacho.

Por outro lado, um monte de conceitos psicanalíticos passam a ser utilizados no dia-a-dia (como o próprio conceito de Édipo) sem que as pessoas compreendam uma vírgula a seu respeito. Esse é o caso do conceito de falo. Poucos conceitos têm tanta frequência na boca, principalmente dos profissionais “psi” quanto o conceito de falo. É só ficar dois minutos num corredor de um curso de Psicologia para ouvir volta-e-meia o termo falo quer boca dos estudantes quer na boca dos professores. Quando você pergunta a eles o que entendem por falo, eles não titubeiam em falar (com orgulho): “Falo significa poder!”

O interessante a notar é que nem Freud, nem Lacan, nem Melanie Klein, nem Andre Green, nem Winnicott nunca disseram isso!

Feita essa ressalva, veremos, então, nos próximos posts, o que significa o termo falo em Psicanálise.  No entanto, desde já podemos fazer algumas considerações que serão destrinchadas no decorrer da explicação:

Primeiro: o falo não existe na realidade, quer dizer, a gente não pode pegar num falo (embora muitos o quisessem), não podemos ter nenhuma experiência sensível com ele. O falo é uma representação, algo que só existe na nossa cabeça.

Segundo: o falo é uma criação humana cuja função é dar conta do grande problema humano que é a inexistência da fórmula do amor.

Terceiro: só foi possível ao homem criar o falo porque os órgãos genitais de homens e mulheres são como são.

Tudo isso será pormenorizadamente explicado nos próximos posts.

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9 thoughts on “O que é falo? (parte 1)

  1. Falou e disse o grande Lucas, a idéia deturpada a respeito do falo só resumo aquilo que nós sempre conversamos nos bastidores da universidade. Pessoas que buscam apenas decorar chavões e não procuram compreender o contexto das coisas. Dá-lhe ” Psicanálise sem compreender Freud “… esse povo rs… !

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  5. A tal da psicologia é complicada, já li diversos livros tentando entender um pouco que seja de Freud e suas idéias, li alguns sobre complexo de édipo, esse assunto que as pessoas demonstram tanto entendimento numa simples conversa de ônibus. Quando a gente (digo a gente enquanto leigos, não estudantes de psicologia, quiçá meros admiradores dessa arte) lemos um livro a respeito de Freud, psicanálise e etc, nós tomamos conta da dimensão, do universo, que certamente é muito maior do que as bobagens (e porque não asneiras) que muitas vezes falamos numa conversa, sem saber que não sabemos de nada a respeito. Às vezes é melhor ficar calado e dar uma de desentendido: “falo? É o que mesmo? Eu nem sei o que é isso…”

  6. Pingback: O que é Nome-do-Pai? | Lucas Nápoli

  7. ola,lucas adorei sua publicação,não faço psicologia mas pedagogia e uma das minhas disciplinas é piscanalise,mas o tempo é corrido e não da pra aprofuntar na tematica.Adorei,achei objetiva e clara sua explicação sobre o falo.Gostaria de saber se vc indica alguma leitura ou filme onde eu pudesse situar melhor a significação simbolica do falo?
    obrigado e meus parabens.

  8. Olá Priscila! Que ótimo que você gostou do texto! Infelizmente não estou me lembrando agora de nenhum filme que ilustre essa temática…

    Recomendo a você a leitura do livro “A Histeria” de Juan-David Nasio, em que o autor faz comentários bastante interessantes e esclarecedores sobre o falo e suas vicissitudes.

    Um forte abraço e apareça sempre!

  9. Pingback: “Ganhar neném” | Lucas Nápoli

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