20 comentários sobre “O que um psicanalista faz? (parte 4)

  1. Lucas, bom dia….que texto lindo….estamos curtindo muito esta “novela” O que um psicanalista faz! A cada capitulo fica mais gostoso, mais revelador, mais intrigante….
    Meus colegas estão adorando também….
    Se me permites um chiste, só não faça conosco o que fez a novela O Direito de Nascer, lá nos idos dos anos 60….. Foram 2 anos de Alberto Limonta, Soror Helena da Caridade e Mamãe Dolores….mas o final foi bem feliz, banhado em lagrimas, mas feliz!
    abraço
    Carlos

  2. Olá Carlos! Poxa, se eu conseguir fazer vocês derramarem lágrimas e se sentirem felizes, me sentirei bastante satisfeito! rsrsrs Afinal, isso significará que a novela mais do que informativa e reflexiva mexeu com os afetos de vocês!
    É realmente um prazer ter leitores como vocês que acompanham frequentemente o blog!
    Já não sei mais quando essa “novela” rsrs irá terminar pois a cada post surgem várias idéias de outros, até porque o método psicanalítico é um campo bastante vasto.
    Continue comentando sempre que puder!

    Grande abraço!

  3. Acho que o dia a dia de um psicanalista deve muito dinâmico. Sem tédio. Nenhum dia é igual ao outro. Tenho uma curiosidade Lucas, tem como um psicanalista se auto analisar ou ele quebraria as regras? Até a próxima!

  4. muito bom seu blog, tem me ajudado muitooooooooooooooo, troquei de analista, pois a minha se aposentou, ela me passou para uma outra, mas tbem está de ferias, é aqui que supro a falta da minha ex e sempre eterna analistavc está nos meus favoritos. obrigada por ser tão especial… olha a transferencia aíiiiiiiiiiiiii

  5. Olá Alisson! De fato, nossa rotina de trabalho nem pode ser chamada de “rotina” no sentido que a gente costuma usar esse termo. As particularidades de cada sessão fazem com que cada vez que o paciente entra no consultório a gente seja convidado para visitar um mundo diferente.

    Quanto à sua pergunta: temos dois sentidos para “se auto-analisar”:

    Se estivermos falando no sentido de um tratamento psicanalítico stricto sensu em que uma mesma pessoa ocupa as posições de analista e analisando isso significaria quebrar as regras sim. A pessoa em questão tem todo o direito de tentar fazer isso, mas a tendência é que ela fracasse. Além disso, a auto-análise não é considerado uma análise legítima pelos nossos pares. Algumas pessoas costumam rebater esse posicionamento com o argumento de que Freud teria feito auto-análise já que fora o primeiro psicanalista. Isso não é verdade. Com o conhecimento que a gente tem hoje, sabemos que a análise de Freud não foi uma análise convencional, mas foi uma análise mesmo, não uma auto-análise. Não havia ninguém ocupando consciente e formalmente a posição de analista dele, mas algumas figuras, como Fliess, o colocaram certamente na posição de analisando como é possível obervar em suas cartas a esse médico. Além disso, toda a obra de Freud, assim como os seminários do Lacan, podem ser considerados um processo analítico, estando o leitor virtual na posição do analista.
    Portanto, é sempre preciso um outro para que a análise aconteça e já que hoje temos uma infinidades desses “outros” disponíveis para funcionar como nossos analistas, por que não utilizá-los?

    Agora, se estivermos falando de auto-análise no sentido de adotar uma posição analítica para consigo mesmo, por exemplo: tentando encontrar as motivações de um ato-falho ou praticar a análise dos próprios sonhos, isso sim é totalmente legítimo e altamente recomendável tanto para estudantes quanto para quem já está clinicando.

    Espero ter respondido sua pergunta. Se você tiver qualquer outro questionamento e eu estiver em condições de respondê-lo, mantenho-me à disposição.

    Grande abraço!

  6. Olá Eliana! Comentários como os seus são o que me dão cada vez mais motivação para manter sempre atualizado o blog!
    Imagino que deva ser bastante difícil a troca de analistas, pois a intensidade das sessões faz com que aquela pessoa se torne realmente muito importante.
    Fico feliz pelo blog estar te ajudando nesse processo que ouso chamar de “elaboração do luto”
    Um grande abraço e apareça sempre!

  7. Olá Lucas! Novamente meus parabéns pelo seu post! Achei interessante sua abordagem devido ao fato de que estou lendo “A Interpretação dos Sonhos” e estou justamente no ponto em que Freud aborda esse aspecto da técnica psicanalítica, mesmo que de forma breve. Ele refere-se ao fato de que deixando o pensamento ir ao acaso ele invariavelmente nos levará aos desejos inconscientes. E o mais brilhante de toda teoria freudiana nesse aspecto é a magnífica “sacada” de perceber que essas “bobeiras”, como você mesmo disse, têm maior ligação com os desejos inconscientes do que um pensamento aparentemente mais complexo, pois com a presença de uma instância que censura esses desejos inconscientes é comum que os mesmos sejam distorcidos afim de parecerem coisas supérfluas. As “bobeiras” de fato são a nossa maior relação com a nossa verdadeira essência. Um grande abraço!

  8. Exatamente Renan! As coisas mais fascinantes descobertas pela psicanálise colocam de pernas pro ar o nosso bom senso. Além do fato de que as “bobagens” que a gente diz adquirirem estatuto de “coisa séria” na experiência analítica, há também (só para citar mais um exemplo) a reviravolta que Freud faz na forma de encararmos os nossos lapsos e atos-falhos: A Psicanálise mostra que, na verdade, que quando a gente erra, aí é que a gente acerta…

    Grande abraço e muito obrigado por estar sempre por aqui – e comentando!

  9. Pingback: O que um psicanalista faz? (final) | Lucas Nápoli

  10. Olá, Lucas Napoli, parabéns!
    muito interessante seu blog, eu realmente confesso ter rido e um comentário de uma seguidora sua, talvez uma colega : “A psicoterapia dói! Não estamos aqui para facilitar a vida dos pacientes. Se os pacientes querem que passemos a mão pelas suas cabeças, então que procurem um padre.”
    Isso me deu uma ideia para que você possa discutir, a psicoanálise pode ser ameaçada por indiossincrasias, religiões ou crenças que desacreditem a mesma? isso acontece bastante em lugares onde a religião tem um poder muito forte, onde o “padre” muitas vezes tem uma pseudofunção de psicanalista, psicólogo ou fofoqueiro mesmo…
    Sem falar de culturas diferentes consideradas primitivas ou que têm um dogma que vai contra a psicanálise, como alguns ortodoxos muçulmanos, entre outras. Como a psicanálise poderia se esquivar disso e lograr resolver os problemas dessas pessoas, seria libertador se fosse possível não?

  11. Olá Marcus Vinícius! Fico muito feliz de receber novos leitores que abrilhantam o blog com bons questionamentos.

    Se bem entendi suas observações, seguem algumas idéias que me vieram à mente à medida em que eu lia suas palavras:

    De fato, a psicanálise pode ser entendida como uma prática libertadora na medida em que auxilia o indivíduo a adquirir uma maior liberdade de movimentos outrora cerceada por seus sintomas.
    É certo também que, não raro, a religião contribui para esse cerceamento na medida em que produz condições que facilitam o desenvolvimento da neurose. Aliás, qualquer instituição de controle (incluindo sistemas políticos totalitários) é motor de doença psíquica. Não por acaso, os livros de Freud foram confiscados pelos nazistas. Com efeito, conta-se a lenda de que ao chegar em solo norte-americano para proferir palestras na Universidade Clarck, Freud teria dito que “eles não sabiam que ele estava lhes trazendo a peste”. Essa frase expressa esse caráter subversivo da prática psicanalítica que vai justamente na via contrária de um sistema de controle seja ele religioso ou político.

    Mas há que se considerar também que a psicanálise é um fenômeno do Ocidente e de um Ocidente marcado pela queda do prestígio e da redução da força da religião. É nesse espaço deixado vago que a psicanálise pode se desenvolver. Numa sociedade em que Deus explica tudo como a medieval ou, talvez, a muçulmana hoje, a psicanálise não é possível. Os sintomas encontram uma maquinaria de significação já toda montada, de modo que não se manifestam para o sujeito com aquele ar de estranheza que faz um ocidental contemporâneo buscar a ajuda de um psicanalista.
    Como disse Lacan, a religião conta a seu favor com a produção de sentido, justamente o que a psicanálise não faz. Por conta disso, a perspectiva de Lacan para o futuro da psicanálise não era nada boa. Ele achava que a psicanálise iria desaparecer em função do triunfo da religião. Acho que ele estava errado.

    Bem, essas foram algumas considerações do estilo “pensando em voz alta”. Não sei se consegui responder suas questões. Se não o fiz, continuemos conversando. Agrada-me muito essa interlocução com os leitores.

    Forte abraço!

  12. Olá Maríndia! É um prazer tê-la aqui no blog!

    Para que eu possa te ajudar, você poderia desenvolver um pouco mais sua pergunta?

    Um grande abraço!

  13. Lucas, estou lendo seu blog e achando mto interessante. Sou leiga no assunto ainda, portanto te deixo aqui uma pergunta: o que você pensa a respeito da análise de pessoas com TOC? Pergunto isso pq geralmente quando elas falam sobre suas obsessões e pensamentos intrusivos, não quer dizer que eles façam parte do seu desejo, certo? Como se explicaria então aí essa questão da palavra dita sem pensar como expressão do desejo real que Freud defendeu? Desculpe a pergunta, caso ela seja boba, mas é q bateu a curiosidade, hehe

  14. Olá Brunna! Primeiramente, obrigado pela visita ao blog! Espero que todo o conteúdo que aqui se encontra possa lhe ser útil e aprazível!

    Sua pergunta é muito pertinente!
    O que hoje se chama de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) foi denominado por Freud, na esteira da medicina da época, e é chamado até hoje pelos psicanalistas de “neurose obsessiva”. A diferença é puramente de nomes. Os sintomas do TOC são precisamente os mesmos da neurose obsessiva.
    De fato, nesses casos encontra-se a presença de pensamentos que se impõem à pessoa à revelia da sua vontade consciente. Freud demonstrou que tais pensamentos adquirem tanta força sobre o psiquismo do sujeito em função do fato de eles estarem investidos de uma grande quantidade de energia psíquica que foi deslocada para eles de outros pensamentos. Em outras palavras, na origem, eram outros pensamentos (ligados ao desejo inconsciente do sujeito) que se encontravam investidos de energia psíquica. No entanto, em função do fato de que esses pensamentos seriam incompatíveis com a imagem que o sujeito tem de si próprio (o seu ego), a saída encontrada pelo sujeito para deixar de ter esses pensamentos, digamos, “proibidos” é tirando a força deles, ou seja, a energia psíquica investida neles. No caso das pessoas com TOC ou neurose obsessiva, o sujeito reitira a energia desses pensamentos originários e a investe em outros pensamentos que são, por assim dizer, “inocentes” mas que guardam relação com os pensamentos originários. Assim, esses novos pensamentos “inocentes” passam a funcionar como uma espécie de bode expiatório do desejo do sujeito. A pessoa passa a expressar a energia ligada a seus desejos originários “proibidos” através desses pensamentos que ficam lhe enchendo o saco. A análise serve justamente para mostrar ao sujeito que esses pensamentos que enchem o seu saco possuem essa função.
    Bem, espero ter sido claro, mas se restar alguma dúvida fique à vontade para perguntar, tá?
    Um forte abraço e apareça sempre!

  15. Oi, Lucas. Fiz uma pergunta num comentário anterior, mas não desenvolvi totalmente a pergunta. Faço terapia a muitos anos e sempre desejei que a minha terapia terminasse logo. Por que alguns terminam e outros não terminam a terapia?

  16. Olá Maríndia! Seu desejo de que a terapia termine rápido é bastante comum entre os analisandos. A maior parte dos pacientes querem ver seus problemas resolvidos rapidamente! rs O problema é que isso é estruturalmente impossível em função do fato de que nossas queixas são apenas a pontinha do iceberg de fantasias fortemente arraigadas que demandam anos de tratamento para serem adequadamente trabalhadas.

    Quanto à sua pergunta, penso que ela é difícil de ser respondida, pois é preciso verificar a situação específica de cada caso. As razões para o término de um tratamento são várias, especialmente se o término é precoce. Além disso, o critério para determinar o término da análise é bastante variável em função da orientação teórico-clínica de cada profissional.

    Espero ter podido te ajudar. De qualquer forma, fique à vontade para fazer novas perguntas.

    Um forte abraço!

  17. OI Lucas!Meu nome é Lucinete, gostaria de saber se o psicanalista dá um diagnóstico sobre seu paciente que ele está analisando?

  18. Olá Lucinete! Cada analista trabalha de uma forma singular, mas via de regra a enunciação de um diagnóstico para o paciente não é um procedimento usual. De minha parte, considero-o, inclusive, não só desnecessário como prejudicial ao tratamento, pois um dos objetivos de um tratamento psicanalítico é justamente levar o paciente a se “desidentificar” das imagens e dos significantes de sua história. Dizer para o paciente que ele é um neurótico obsessivo, por exemplo, seria como oferecer mais um significante para que ele se identificasse.

    Espero ter respondido sua pergunta. Fique à vontade para fazer outras.

    Um forte abraço!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s