A associação livre não é livre

Associação livre é a expressão que a gente tradicionalmente usa em português para traduzir “Freie Einfälle”, o termo alemão empregado por Freud.

A própria tradução de “Einfälle” por “associação” ou “associações” já é problemática.

Com efeito, associar é um verbo que designa a ação de conectar voluntariamente uma coisa com outra, mas não é disso que se trata nas “Freie Einfälle”.

A tradução mais literal para Einfälle seria “ideias” ou “ocorrências mentais”, ou seja, não se trata de algo que EU faço (como associar), mas de algo que ME ACONTECE.

A expressão “associação livre” pode levar as pessoas a pensar que o paciente em análise é convocado a se esforçar para fazer conexões entre suas ideias.

Na verdade, é justamente o oposto: os analistas pedem aos pacientes que abandonem o ímpeto de controlar seus pensamentos e simplesmente descrevam o que lhes OCORRE.

Em outras palavras, a suposta associação que o paciente está fazendo não ocorre voluntariamente. A passagem de uma ideia para outra não é controlada por ele.

É por isso que eu digo que a associação livre não é livre.

De fato, quem goza de liberdade nesse caso é apenas o Inconsciente, que pode se manifestar de forma menos distorcida quando o paciente renuncia a controlar seus pensamentos.

O Eu, no entanto, aquele a quem o analista pede que fale o que vier à cabeça, é chamado justamente a abrir mão de sua liberdade (que é mais ilusória do que real).

Quando Freud estabelece as “Freie Einfälle” como técnica fundamental da Psicanálise, ele faz isso justamente por não acreditar na liberdade…

A tese de que podemos acessar o que o paciente esconde de si ao pedir que ele fale o que lhe vier à cabeça se fundamenta no pressuposto do determinismo psíquico.

De acordo com essa premissa, nosso funcionamento mental não acontece de modo aleatório.

Nesse sentido, se uma ideia, por mais irrelevante que pareça ser, ocorre em minha mente, essa ocorrência não se faz por acaso.

Na prática, fazer associação livre significa abrir mão da liberdade imaginária que nos impede de perceber que nossos pensamentos “já estavam escritos”…

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