[Slides] A doença psicossomática não existe

No dia 25 de junho, a convite dos alunos do 7º período do curso de Psicologia da Universidade Vale do Rio Doce (Univale), proferi a conferência “A doença psicossomática não existe” no I Colóquio de Psicologia. Foi uma noite bastante frutífera e produtiva. No debate, pude esclarecer alguns pontos de minha exposição que ficaram obscuros ou geraram mal-entendidos, o que promoveu um considerável enriquecimento do conteúdo transmitido.

Conquanto seja provável que eu escreva um texto dedicado exclusivamente ao assunto, compartilho abaixo a apresentação de slides que utilizei na palestra que conta com esquemas úteis e didáticos, fortemente relevantes para a compreensão adequada dos meus pontos de vista.


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I Estudos Clínicos: “Corpo ou (e) mente(s) doente(s)?”

Caríssimos,

Convido a todos para participarem do primeiro encontro da série “ESTUDOS CLÍNICOS”, um projeto inovador elaborado pelos psicólogos Lucas Nápoli e Bruna Rocha de Almeida, cujo principal objetivo é proporcionar o acesso dos estudantes e profissionais dos cursos de Ciências Humanas, especialmente de Psicologia, a temáticas não exploradas ou tratadas de maneira não tão aprofundada na graduação.

Logo no primeiro encontro, trataremos de um assunto extremamente relevante para a atuação clínica não só do psicólogo, mas de todos os profissionais de saúde e que, todavia, ainda não recebe a devida consideração nos cursos de Psicologia: trata-se das relações entre corpo, mente e doença. Justamente por se tratar de relações multifacetadas e que demandam diferentes possibilidades de posicionamentos teóricos e clínicos, escolhemos como título para o encontro: “Corpo ou (e) mente(s) doente(s)?”.

Nesse primeiro encontro teremos dois minicursos de 3 horas de duração cada:

No primeiro, “Quando a alma ganha corpo: introdução à Psicossomática” o psicólogo, psicanalista e mestrando em Saúde Coletiva (UFRJ) Lucas Nápoli trará uma apresentação do campo ainda enigmático que abrange doenças orgânicas em que o componente psíquico e emocional se mostra diretamente associado. O que dizem os teóricos acerca do fenômeno psicossomático? Quem são os principais autores desse campo de estudo? A doença pode ser vista como uma maneira de falar com o corpo? Como é o tratamento de doenças psicossomáticas? Essas e várias outras questões estarão em pauta neste minicurso.

No segundo, “Doenças graves na infância: a constituição psíquica daquele que contraria o ideal dos pais”, a psicóloga e pós-graduanda em Docência do Ensino Superior (PUC-MG) Bruna Rocha de Almeida aborda, a partir de sua experiência clínica, o outro pólo da relação entre corpo e mente: o impacto do somático sobre o psíquico. Quais são as conseqüências de uma doença congênita grave no psiquismo de uma criança? E no comportamento dos pais? O que faz o terapeuta ao receber um caso dessa natureza? Todas essas indagações serão trabalhadas a partir de um intrigante caso clínico.

Durante os minicursos haverá espaço para perguntas e discussões visando o enriquecimento das temáticas abordadas.

Horários, local, valor do investimento e informações para fazer sua inscrição encontram-se no banner abaixo.

Conto com sua presença!

P. S.: Em função de algumas contingências, nessa semana não haverá texto novo aqui no blog. Nossa rotina costumeira continua na semana que vem. 😉


Lucas Nápoli participa do V Seminário de Pesquisas do IMS-UERJ

Entre os dias 21 e 23 de setembro aconteceu nas dependências do Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) o V Seminário de Pesquisas do IMS, evento organizado pelos próprios discentes do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva do instituto.

Nessa quinta edição, o seminário teve como tema “Partes de um todo: SUSjeitos específicos de uma saúde integral” com vistas a aprofundar o debate sobre os desafios da concretização do princípio de integralidade do SUS. A mesa de abertura contou com a presença de docentes do instituto que discutiram em especial as armadilhas em que podem cair determinadas ações que pretendem à promoção da integralidade. Uma dessas armadilhas é a elaboração de políticas públicas voltadas para setores específicos da população que, ao mesmo tempo em que promovem o atendimento às necessidades singulares de determinados grupos, acabam operando uma segregação contrária a um outro princípio do SUS: o da universalidade.

Além de oportunizar o debate sobre essa temática, o seminário também serve de espaço para a apresentação das pesquisas na área de Saúde Coletiva desenvolvidas no próprio IMS e em outras instituições.

No dia 22, quarta-feira, tive a honra de participar da mesa “Racionalidades médicas e paradigmas da doença”, com a excelente mediação do prof. Ruben Mattos, docente do IMS, que efetivamente exerceu a função de mediador, fato raro em eventos científicos. A mesa contou ainda com a participação do graduando em Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF) Felipe Renan Abdias Siqueira, apresentando o trabalho “A compreensão da psicossomática partindo das histórias de vidas dos usuários de serviços de saúde.”, que acabou se constituindo como um ótimo relato empírico complementar às minhas considerações, eminentemente teóricas.

Na ocasião apresentei dois trabalhos. No primeiro, “As funções gerais da doença em Georg Groddeck”, fiz a análise da conferência “A Doença” proferida por Groddeck na Universidade de Lessing em 1926, buscando extrair dela os usos genéricos da doença para-além das formas singulares que a utilização da enfermidade adquire na história subjetiva de cada indivíduo.

O segundo trabalho, intitulado “Os usos do corpo: cidadania biológica e a doença como plataforma de expressão” foi o texto que apresentei como trabalho de conclusão do curso aos professores da disciplina de “Diagnósticos psiquiátricos e identidades culturais II” que cursei no próprio IMS no semestre passado. Nesse texto, estabeleço uma analogia entre a formação de cidadanias biológicas (associada ao enfraquecimento da cidadania política) e o uso da doença tal como o entende Groddeck (associado à impossibilidade de expressão subjetiva por outras vias).

Para ouvir minhas duas apresentações e o produtivo debate subsequente, clique nos players abaixo. Você também pode salvar os arquivos de áudio em MP3.

Minhas apresentações:

Debate:

Partes de um Todo:

SUSjeitos específicos de uma saúde integral

XIV SEMINÁRIO: Confirmada a conferência de abertura

cartazNos dias 13 e 14 de agosto, a Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE) sediará o XIV Seminário de Psicologia do Leste Mineiro. Além dos conferencistas já confirmados, os quais você pode conferir clicando aqui, o evento contará com a participação especialíssima do prof. Marcelo Martins Barreira.

Marcelo é doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e líder do Grupo de Pesquisa em Filosofia da Religião na mesma universidade. Suas pesquisas se concentram em Filosofia da Religião; em específico, quanto à relação entre filosofia e cristianismo na modernidade tardia, tendo como referencial teórico-conceitual a tradição hermenêutica.

No Seminário, Marcelo Barreira proferirá a conferência magna de abertura, com o título: “O CRISTIANISMO NUMA LEITURA PÓS-MODERNA”.

Garanta já a sua vaga enviando um email para seminariopsicolestemg@gmail.com contendo seu nome, endereço, telefones, email e dizendo se você é estudante ou profissional.

Eles estão chegando… ATUALIZADO

54134Veja abaixo os conferencistas que já confirmaram presença no XIV Seminário de Psicologia do Leste Mineiro: Psicologia, Religião e Pós-Modernidade:

Marisa Decat de Moura – Psicóloga e Psicanalista, Mestre em Psychologie Psychopathologie Subjectivité Langage pela Université Louis Pasteur, Doutoranda em Ciências/Reprodução Assistida pela UFRJ, Coordenadora da Clínica de Psicologia e Psicanálise do Hospital Mater Dei – Belo Horizonte/MG. NO SEMINÁRIO MINISTRARÁ O MINI-CURSO: “PSICANÁLISE E HOSPITAL: SOBRE A MORTE E O MORRER”

Roosevelt Starling – Analista do comportamento, mestre em Psicologia pela UFMG, Doutorando em Psicologia Clínica pela USP, Professor da Universidade Federal de São João Del-Rei. NO SEMINÁRIO PROFERIRÁ A CONFERÊNCIA: “RELIGIÃO E COMPORTAMENTO HUMANO” E O MINI-CURSO: “COMPORTAMENTO RELIGIOSO E CONTEXTO TERAPÊUTICO”

Ana Maria Feijoo – Psicóloga de abordagem fenomenológico-existencial, Doutora em Psicoterapias Atuais pela UFRJ, Responsável técnica pelo Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial (IFEN). NO SEMINÁRIO PROFERIRÁ A CONFERÊNCIA: “FILOSOFIA E PSICOTERAPIA” E MINISTRARÁ EM PARCERIA COM MYRIAM MOREIRA PROTÁSIO O MINI-CURSO: “O ESTÉTICO, O ÉTICO E O RELIGIOSO EM KIERKEGAARD E A CLÍNICA PSICOLÓGICA”

Myriam Moreira Protásio – Psicóloga de abordagem fenomenológico-existencial, Professora do Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial (IFEN). NO SEMINÁRIO MINISTRARÁ EM PARCERIA COM ANA MARIA FEIJOO O MINI-CURSO: “O ESTÉTICO E O ÉTICO EM KIERKEGAARD”

Wellington Zangari – Doutor em Psicologia Social pela USP, Pesquisador do Laboratório de Psicologia Social da Religião da USP, Trabalha com Psicologia Anomalística (estudo científico dos fenômenos paranormais). NO SEMINÁRIO PROFERIRÁ A CONFERÊNCIA: “PSICOLOGIA ANOMALÍSTICA: UMA INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE EXPERIÊNCIAS PARANORMAIS”

André Martins – Doutor em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, Doutor em Filosofia pela pela Université de Nice (França), Participa como curador e conferencista do Café Filosófico da TV Cultura, Professor dos Programas de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Saúde Coletiva e Filosofia da UFRJ, Coordena o Grupo de Pesquisa Spinoza e Nietzsche (SpiN). NO SEMINÁRIO PROFERIRÁ A CONFERÊNCIA: “A VIDA COMO FLUXO E A VIDA COMO DESCONTINUIDADE: DO SUJEITO TRANSITÓRIO ÀS IDENTIDADES CONGELADAS”

Para saber mais sobre o Seminário, acesse: https://lucasnapoli.wordpress.com/xiv-seminario/

Em breve as inscrições estarão abertas no site www.univale.br

Caso você queira garantir sua presença, visto que as vagas são limitadas, envie um email para seminariopsicolestemg@gmail.com contendo seu nome, endereço, telefones, email e dizendo se você é estudante ou profissional.

Parapsicologia sem picaretagem

O vídeo abaixo é a apresentação do dr. Wellington Zangari, psicólogo e professor da USP sobre a abordagem científica dos fenômenos paranormais.

Em agosto, Zangari estará no XIV Seminário de Psicologia do Leste Mineiro, proferindo a conferência “Psicologia Anomalística: uma introdução ao estudo de experiências paranormais”. Aguarde novas informações sobre o seminário aqui no blog.

Vem aí… ATUALIZADO

seminarioXIV SEMINÁRIO DE PSICOLOGIA DO LESTE MINEIRO

“PSICOLOGIA, RELIGIÃO E PÓS-MODERNIDADE”

A pós-modernidade decretou a falência do sonho dourado iluminista segundo o qual as luzes da razão salvariam o mundo. Com isso, os parâmetros para guiar nossas vidas se pulverizaram. As soluções passaram a ser “self-services”, singulares. No entanto, os sonhos dourados não se acabaram: o discurso científico recobra o fôlego e promete resolver os dilemas humanos através dos estudos genéticos e neurocientíficos. Por outro lado, nota-se a ressureição implacável do sentido religioso, outrora amortecido.

Diante de todos esses fenômenos, esse ser que se auto-denomina estudioso da alma (psico-logo). O que ele tem a dizer? O que ele precisa aprender? Como intervir junto a esse novo homem que perdeu a bússola da vida?

É como objetivo de discutir essas e outras questões que o 10º. período de Psicologia da Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE) apresenta o XIV Seminário de Psicologia do Leste Mineiro.

Data: 13 e 14 de agosto de 2009

Local: Auditórios A, B e C (Ed. 2), Campus II, Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), Governador Valadares, MG.

Inscrições: em breve as inscrições estarão abertas no site www.univale.br e as informações estarão aqui no blog. Aguardem.

Investimento:

EstudanteATÉ 30/06: R$45,00; ATÉ 27/07: R$50,00; ATÉ 13/08: R$55,00

ProfissionalATÉ 30/06: R$65,00; ATÉ 27/07: R$70,00; ATÉ 13/08: R$75,00

Presenças confirmadas:

Marisa Decat de Moura – Psicóloga e Psicanalista, Mestre em Psychologie Psychopathologie Subjectivité Langage pela Université Louis Pasteur, Doutoranda em Ciências/Reprodução Assistida pela UFRJ, Coordenadora da Clínica de Psicologia e Psicanálise do Hospital Mater Dei – Belo Horizonte/MG

Roosevelt Starling – Analista do comportamento, mestre em Psicologia pela UFMG, Doutorando em Psicologia Clínica pela USP, Professor da Universidade Federal de São João Del-Rei.

Ana Maria Feijoo – Psicóloga de abordagem fenomenológico-existencial, Doutora em Psicoterapias Atuais pela UFRJ, Responsável técnica pelo Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial (IFEN).

Myriam Moreira Protásio – Psicóloga de abordagem fenomenológico-existencial, Professora do Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial (IFEN).

Wellington Zangari – Doutor em Psicologia Social pela USP, Pesquisador do Laboratório de Psicologia Social da Religião da USP, Trabalha com Psicologia Anomalística (estudo científico dos fenômenos paranormais).

André Martins – Doutor em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, Doutor em Filosofia pela pela Université de Nice (França), Participa como curador e conferencista do Café Filosófico da TV Cultura, Professor dos Programas de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Saúde Coletiva e Filosofia da UFRJ, Coordena o Grupo de Pesquisa Spinoza e Nietzsche (SpiN).

Em negociação:

Jorge Forbes – Psicanalista, introdutor do pensamento lacaniano no Brasil e ex-aluno de Jacques Lacan.

Aguarde, em breve mais informações, entrevistas, etc.

Amanhã (01/04) no Seminário de Introdução à Teoria Lacaniana

lacan

Lucas Nápoli fala sobre a simplificação da teoria analítica feita porJacques Lacan e o esquema L e Clarisse Boechat fala sobre a metáfora paterna e o registro do Real.

As aulas do Seminário acontecem todas as quartas-feiras, na sala 305 do edifício 2 da Univale, em dois horários: das 17h às 18h30 e das 19h30 às 20h40.

Amanhã (25/03) no Seminário de Introdução à Teoria Lacaniana

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Lucas Nápoli fala sobre a Psicologia do Ego, leitura da Psicanálise contra a qual Lacan se insurgiu e Clarisse Boechat inicia a discussão em torno do registro Simbólico.

As aulas do Seminário acontecem todas as quartas-feiras, na sala 305 do edifício 2 da Univale, em dois horários: das 17h às 18h30 e das 19h30 às 20h40.

Sucesso de público e crítica

imagemQuero aproveitar esse espaço para dar meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que participaram do I Colóquio Interfaces da Psicanálise e em especial aos dois conferencistas, Rodrigo Zanatta e Robson Campos. Infelizmente, em virtude do tempo apenas uma pergunta pôde ser feita aos dois. Por isso, sugiro que aqueles que não tiveram seus questionamentos respondidos deixem suas perguntas na seção de comentários deste post que eu encaminharei a eles.

Atendendo a alguns pedidos feitos a mim após o evento, publico a seguir o texto que li na abertura.

 

“Quantas vezes subi os íngremes degraus que levam do desgracioso Corso Cavour à solitária piazza em que se ergue a igreja abandonada e tentei suportar o irado desprezo do olhar do herói! Às vezes saí tímida e cuidadosamente da semi-obscuridade do interior como se eu próprio pertencesse à turba sobre a qual seus olhos estão voltados — a turba que não pode prender-se a nenhuma convicção, que não tem nem fé nem paciência e que se rejubila ao reconquistar seus ilusórios ídolos.” (FREUD, 1914/1974, p. 255)

 

Essa curiosa passagem encontra-se na introdução do artigo escrito por Freud no outono de 1913 sob o título “O Moisés de Michelangelo”. Em 1914, Freud publica o texto na revista Imago anonimamente, sendo descoberto que era de sua autoria somente em 1924. As razões que levaram Freud a abdicar da autoria do artigo nunca saberemos. Fato é que Moisés e o judaísmo sempre estiveram no caminho de Freud. No mesmo volume em que se encontra o texto sobre a escultura de Michelangelo está uma das obras mais conhecidas do pai da Psicanálise, o mítico “Totem e Tabu” – texto em que Freud tenta explicar as origens da cultura e da religião a partir de um crime ocorrido nos primórdios da humanidade. Vinte e sete anos depois, vemos Freud se dedicar sobre a vida do homem Moisés, em “Moisés e o Monoteísmo”.

 

Essas incursões de Freud por campos aparentemente distantes de seu cotidiano, isto é, de sua clínica particular, nos dá um vislumbre sobre o desejo desse homem que ousou inventar um novo laço social: a Psicanálise. Apesar da modéstia exacerbada, que hoje poderíamos atribuir à sua neurose, não podemos acusar Freud de cautela. Ele não hesitava em aplicar as lições que aprendia com seus pacientes a campos como a antropologia, a psicologia social e a religião. É assim que ele vê na fobia do pequeno Hans o homem primitivo frente a seu totem. Da mesma forma, vê nas práticas religiosas o equivalente social dos rituais obsessivos.

 

Aqueles que o acusam de reducionista não estão errados. Dizer que a religião é uma neurose coletiva é tirar conclusões rápidas demais. Certamente, Jung concordaria conosco nesse ponto. No entanto, meus amigos, é preciso que sejamos benevolentes com Freud. Ele estava tateando, descobrindo uma prática que iria revolucionar o modo como pensamos sobre nós mesmos. Ele estava estupefato com a quantidade de coisas que poderia aprender sobre a subjetividade apenas solicitando a um neurótico que dissesse tudo o que lhe viesse à cabeça. E sua esperança era de que esse método simples pudesse lançar luz sobre uma série de enigmas que a humanidade não solucionara até então.

 

Freud, como ninguém, soube fazer uma coisa que hoje em dia está muito na moda, a tal interdisciplinaridade. Mas não só ele! Jacques Lacan, ganhou fama na Psicanálise por inventar uma fórmula absolutamente interdisciplinar: “O Inconsciente é estruturado como uma linguagem”. Como disse o psicanalista André Green, quando você diz isso, você faz com que não só os psicanalistas se interessem pelo inconsciente, mas também os lingüistas. Também a Filosofia adquiriu uma importância capital na Psicanálise a partir de Lacan. Sem uma boa leitura de Hegel, Heidegger, Kant, Aristóteles, Platão, Spinoza, os textos lacanianos, que já são difíceis naturalmente, tornam-se verdadeiros hieróglifos.

 

A Psicanálise, meus amigos, é, por natureza, o campo das interfaces. A invenção do inconsciente por Freud tem consequências sobre todas as ciências humanas e sociais. A hipótese do inconsciente significa grosso modo que nós não sabemos o que fazemos e por que fazemos. É o que expressa a famosa frase de Freud: “O eu não é senhor na própria casa”.

 

Com isso, o sujeito cartesiano transparente a si mesmo, que podia dizer: “Penso, logo sou” cai por terra. As leis que Freud descobre governarem a formação dos sonhos colocam em xeque a lógica tradicional aristotélica. E o que dizer da medicina? Se antes, o paciente era só quem sofre a doença, depois da Psicanálise, ele é o próprio agente do mal de que se queixa.

 

Portanto, longe de ser apenas mais uma forma de psicoterapia, a Psicanálise é, antes de tudo uma ética. Uma ética que nos propõe algo insólito, que é se responsabilizar pelo acaso, pelo que não dá pra prever. Por um ato falho, um esquecimento, um sonho…

 

Que esse colóquio possa provocar em todos vocês o mesmo fascínio que a estátua de Moisés causou em Freud.

 

Lucas Nápoli,

17 de fevereiro de 2009.

I Colóquio Interfaces da Psicanálise

coloquiopsicanalise

Programação:

 

18h – Entrega de credenciais

 

19h – Cerimônia de abertura

 

19h20 – Conferência 1: “Os Paradoxos da Lei: Psicanálise Aplicada ao Direito”

Robson Campos – Psicólogo judicial, Psicanalista, Membro da Seção Minas Gerais da Escola Brasileira de Psicanálise, Professor do curso de Psicologia das Faculdades Unificadas Doctum e de Pós-Graduação em “Psicanálise: Teoria, Interfaces e Aplicações” da UNIVALE

 

20h – Coffee Break

 

20h20 – Conferência 2: “O que a Psicanálise tem a dizer sobre Deus e Religião?”

Rodrigo Zanatta – Psicólogo, Psicanalista, Mestre em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

 

21h00– Debate e sorteio de brindes

 

Data: 17/02/2009 – terça-feira

Local: Auditórios do Centro Cultural, Campus II da Univale

Investimento: R$ 10,00