Quais são as SUAS pedras de crack?

Se você reside em uma cidade de médio ou grande porte, certamente a cena abaixo lhe é familiar:

O sinal está vermelho no semáforo. Você para o seu carro e logo vem uma pessoa franzina, maltrapilha e se oferece para limpar o para-brisa do veículo em busca de alguns trocados. Embora diga que precisa do dinheiro para se alimentar, você sabe que muito provavelmente ela está juntando aquela grana para comprar algumas pedras de crack na boca de fumo mais próxima.

É muito tentador imaginar que aquele ser humano é completamente diferente de nós porque supostamente não sofremos de uma dependência tão visceral quanto a dele.

Será mesmo?

Se você ainda não se tornou insensível à presença dessas pessoas, é provável que às vezes se faça perguntas do tipo: “Como é que alguém consegue passar o dia inteiro ao sol, se oferecendo para limpar para-brisas de carros, sendo frequentemente humilhado por alguns motoristas, tudo isso para ter um gozo extremamente efêmero com uma pedra de crack?”

De fato, para muitos dependentes, comprar crack e fazer uso da droga passaram a ser as metas principais de seu cotidiano, aquilo pelo que enfrentam as dificuldades do dia a dia. O consumo da droga passa a ser o eixo em torno do qual gira sua rotina. Mais uma vez: nossa tendência é imaginar que, por não estarmos nessa condição, somos radicalmente diferentes dessas pessoas.

Mas não somos. Todos nós temos as nossas pedras de crack, isto é, aquilo pelo que não medimos esforços, suportamos qualquer perrengue, fazemos qualquer negócio… Cada um de nós tem os seus respectivos ídolos, os seus absolutos. Aristóteles usava uma expressão muito interessante para caracterizar essa Coisa em torno da qual fazemos nossa vida girar: ele a chamava de “Sumo Bem”. Por ele, podemos ser capazes de dar nossa própria alma.

Portanto, será que há tanta diferença assim entre você e aquele pobre dependente químico que lhe pede dinheiro no semáforo? Você e eu também não passamos a vida inteira em busca de fugazes experiências de satisfação? Ele as procura em pedras de crack. Nós as buscamos no reconhecimento do outro, na política, no novo iPhone, no sexo, numa promoção no trabalho, em curtidas no Instagram, enfim…


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