Pare de estudar Psicanálise de forma solta. Na Confraria Analítica, você encontra aulas semanais, seminários teóricos, estudos de casos e um acervo completo para aprofundar sua formação. Seja meu aluno!
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Este é um trecho da aula “Peter Fonagy: a relação entre apego e mentalização”, que já está disponível na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.
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Você pode ter aprendido quando criança que a agressividade é essencialmente ruim ou perigosa.
E isso pode ter acontecido por uma série de fatores.
Por exemplo: você pode ter tido um pai ou uma mãe que eram excessivamente agressivos e lhe faziam sentir medo.
Ou pode ter sofrido severas ameaças e punições nas poucas vezes em que expressou agressividade.
Situações como essas podem te levar a olhar para a própria agressividade como algo que não deve fazer parte da sua vida.
O problema é que não dá para viver sem agressividade.
Por isso, já que você tem medo de se apropriar dela, ela acabará vazando em sua vida — de uma forma ou de outra.
Uma forma muito comum de “vazamento” é o que Freud chamou de “reversão”: em vez de usar a agressividade, você, inconscientemente, convoca outra pessoa para usá-la com você.
Essa “convocação” pode acontecer por meio da escolha de uma pessoa excessivamente agressiva para se relacionar ou da indução de agressividade em alguém que nem é naturalmente muito agressivo.
Dessa forma, a agressividade se presentifica na sua vida só de que maneira invertida: não é você que a manifesta; é o outro que a manifesta no seu lugar.
— Nossa, Lucas, isso parece masoquismo, não?
Sim. E não é por acaso. Deixa eu te explicar.
Na cabeça do sujeito que foi levado a ver a agressividade com maus olhos, ela passou a ser sinônimo de sadismo, ou seja, de um impulso que busca intencionalmente a destruição ou o sofrimento do outro.
Por isso, quando a agressividade vaza por meio da reversão, o sujeito não busca alguém que a vive de forma integrada e saudável. Não. Ele busca um… sádico! (Ou induz seu parceiro a agir de forma sádica).
Consequentemente, a posição que o sujeito passa a ocupar é uma posição… masoquista.
Esse é um fenômeno muito comum em relações tóxicas e ajuda a entender porque algumas pessoas não conseguem sair dessas relações.
Às vezes, quem olha de fora até chega a pensar:
“Caramba! Essa mulher parece que gosta de sofrer! Olha como o marido a trata mal…”
Não é que a pessoa gosta de sofrer no sentido de que ela obtém prazer em ser xingada e humilhada por seu marido.
É que, talvez, essa seja a única forma que ela encontrou de permitir a presença da agressividade em sua vida: sendo objeto do sadismo alheio…
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Este é um trecho da aula “LENDO KLEIN 12 – Duas formas doentias de lidar com a culpa”, que já está disponível na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.
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Se tem uma coisa que a gente ama na vida é nossa autoimagem.
Não, não estou falando da imagem que você vê no espelho. Dessa, você até pode não gostar muito. Estou me referindo à ideia que você faz de si mesmo, ou seja, da resposta que você daria para a pergunta “Como eu sou?”.
A gente tem um apego danado a essa ideia.
E não é por acaso: sem uma noção suficientemente coesa de como nós somos, ficaríamos perdidos, desorientados, angustiados.
Essa, inclusive, é justamente a experiência emocional vivenciada por pessoas que sofrem de problemas na estabilização da autoimagem.
No entanto, todos nós temos diversos aspectos que ficam de fora da composição da nossa autoimagem: desejos, pensamentos, crenças, sentimentos.
E por que ficam de fora?
Porque são elementos que nós consideramos incompatíveis com a autoimagem. Elementos que, se fossem incorporados a ela, comprometeriam sua estabilidade e demandariam uma reorganização.
Então, por amor à autoimagem, a gente finge que não vê esses aspectos incompatíveis e emprega defesas para evitar que eles fiquem nos perturbando e chamando a nossa atenção.
Uma dessas defesas é a formação reativa. Ela consiste em desenvolver uma atitude alinhada à autoimagem e oposta a um determinado elemento incompatível.
Exemplo clássico: um sujeito que se vê como heterossexual, mas possui desejos por pessoas do mesmo sexo.
A admissão desses desejos implicaria numa reorganização significativa da autoimagem dessa pessoa. Ela precisaria passar a se ver não mais como hetero, mas como bissexual.
Para muita gente, essa transformação não seria um problema, mas, para o sujeito do exemplo, sim. Por razões ligadas à história de vida dele, a ideia de ser hetero ocupa um lugar central em sua autoimagem.
Por isso, ele precisa se defender dos desejos homossexuais que possui e que insistem em chamar sua atenção.
Se ele utilizar a formação reativa, o resultado pode ser uma atitude homofóbica, ou seja, uma postura de aversão e repúdio à homossexualidade.
É como se, inconscientemente, o sujeito pensasse: “A prova de que sou 100% heterossexual e que, portanto, nenhum desejo por pessoas do mesmo sexo existe em mim, é que eu tenho aversão à homossexualidade e repudio o comportamento homossexual.”
Isso não significa que a formação reativa seja o único fator responsável pela homofobia ou que todo homofóbico se defenda de desejos homossexuais que não consegue reconhecer em si mesmo.
A moral da história é que o amor que a gente tem pela autoimagem nos leva a odiar os elementos que, apesar de estarem em nós, não cabem nela. E aí, no esforço para defender a autoimagem da invasão desses elementos incompatíveis, a gente pode acabar odiando o que está fora de nós, mas nos lembra que eles existem.
— Tem como mudar isso, Lucas?
Sim, existe um método que nos ajuda a reduzir esse apego excessivo que temos pela autoimagem e a perder o medo de reorganizá-la: chama-se… Psicanálise.
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Um mestre judeu do primeiro século costumava orientar seus alunos a não atirarem pérolas a porcos porque estes, em vez de admirá-las, as pisariam.
Evidentemente, o sábio estava falando em sentido figurado — até porque a maioria dos seus alunos não tinha dinheiro para comprar uma pérola sequer.
Portanto, naquele contexto, a joia estava sendo utilizada como metáfora de algo muito valioso.
O conselho do mestre tinha por objetivo mostrar que algo que os alunos consideravam muito valioso poderia ser completamente desprezado por gente incapaz de reconhecer seu valor (os porcos).
Por isso, eles deveriam escolher com muito cuidado as pessoas com as quais compartilhariam suas “pérolas”.
Esta é, de fato, uma sábia advertência.
De vez em quando eu ouço pacientes dizendo que tentam conversar com familiares ou cônjuges em momentos de angústia e acabam saindo da conversa num estado emocional pior ainda.
Isso acontece porque, na maioria das vezes, o interlocutor em questão fica querendo enfiar conselhos simplórios goela abaixo do paciente ou diz que a pessoa não tem motivos para se sentir daquela forma, que é só ela pensar de outro jeito.
Ou seja, o interlocutor, em vez de acolher a expressão de angústia do paciente e tentar ajudá-lo de forma empática e sensível, faz com que o sujeito se sinta errado.
Nesses casos, o familiar ou cônjuge faz isso por ser uma pessoa má e insensível?
Provavelmente, não. Eles geralmente adotam essa postura invalidadora porque não estão preparados para lidar com aquela angústia.
Muitos, inclusive, se sentem, eles mesmos, angustiados nessa situação e acabam soltando conselhos simplórios justamente para se aliviarem.
Em outras palavras, para as pérolas de angústia que o paciente está compartilhando, eles são… porcos.
Eu sei que o ideal seria a gente ter familiares e cônjuges que soubessem acolher nossas angústias, mas, infelizmente, isso nem sempre acontece.
Você pode estar até satisfeita com seu casamento, por exemplo, mas ter um marido com quem não pode contar para desabafar e falar sobre suas questões emocionais. Com efeito, se fizer isso, ele logo começará a te dar sermão, em vez de simplesmente te ouvir.
Neste sentido, talvez seja melhor obedecer ao conselho do mestre judeu e deixar para compartilhar suas pérolas de angústia apenas com quem saberá dar a elas o devido valor.
Pode ser uma amiga, outro familiar ou, quem sabe, um bom analista.
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