
Muita gente acha que a transferência é um fenômeno que acontece exclusivamente na Psicanálise, mas isso não é verdade.
Em certo sentido, nós estamos fazendo transferência quase o tempo todo.
Afinal, toda pessoa transfere para as relações do presente um certo modo típico de se relacionar que se formou lá atrás — mais especificamente, na infância.
A maioria das pessoas não tem consciência desses padrões, mas basta uma observação cuidadosa para que possam ser identificados.
Vou listar aqui alguns que são bem comuns:
Pessoas que tendem a se sentir ameaçadas pelo outro e, por isso, adotam uma atitude de submissão, buscando sempre agradar.
Pessoas que quase sempre se sentem atacadas, rejeitadas, exploradas e, por isso, costumam ficar o tempo todo na defensiva.
Pessoas que possuem uma ânsia por se sentirem desejadas e especiais e, por isso, estão quase sempre tentando seduzir o outro.
Pessoas que não suportam não estar no controle e, por isso, ficam sempre numa posição de dominância.
— Entendi, Lucas. Mas se a transferência está rolando o tempo todo, o que há de diferente quando ela acontece na Psicanálise?
A diferença está no modo como o psicanalista lida com a transferência.
Um paciente que quer se sentir desejado e especial fará isso tanto com sua namorada quanto na relação com sua analista.
A namorada, porém, tenderá a responder a essa demanda, seja tentando atendê-la ou reagindo defensivamente a ela.
A analista, não.
Em vez de se defender ou fazer o que o paciente espera, a analista procurará ajudá-lo a enxergar seu padrão e entendê-lo.
Outro exemplo:
Se você tem uma amiga que está sempre na defensiva, talvez se afaste dela ou tente inutilmente fazer com que ela não se sinta atacada.
O analista dessa pessoa não faria uma coisa nem outra. Ele transformaria a atitude defensiva dela em objeto de investigação.
— Uai, Lucas, mas e se eu tiver um bom conhecimento de Psicanálise? Não conseguiria, eu mesma, fazer isso com minha amiga?
Provavelmente, não. Sabe por quê?
Porque esse procedimento técnico, que a gente chama de “manejo da transferência” só seria possível se sua amiga te colocasse na posição de sujeito suposto saber, que é a posição na qual um paciente tende a colocar a pessoa que ele escolhe para ser sua analista.
E esse é outro aspecto que diferencia a expressão da transferência na análise em relação a sua ocorrência no dia a dia.
O sujeito sedutor, que quer se sentir desejado e especial, simplesmente reproduz esse padrão na relação com a namorada — e com todos os outros com quem convive…
Mas, numa análise, ele não só repete seu modo padrão. Ele o endereça a seu analista, ao se colocar na posição de paciente.
E isso faz toda a diferença…
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
➤ Adquira o meu ebook “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira a versão física do livro “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”
➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”
➤ Adquira o pacote com os 3 e-books




