[Vídeo] A falácia da "força de vontade"

Não caia na armadilha de tentar tratar o seu adoecimento emocional apenas com força de vontade. Você não conseguirá, sentir-se-á aflito e, de quebra, arruinará ainda mais sua autoimagem. Não subestime a complexidade da sua alma.

Quer melhorar sua autoestima? Então, repense seus valores

Autoestima é uma dessas palavras que surgiu no campo da Psicologia como um conceito e foi pouco a pouco adentrando o senso comum. Não é raro hoje em dia ouvirmos pessoas dizendo que precisam “melhorar” a sua autoestima ou que estão com a autoestima baixa devido a alguma circunstância. Há até aqueles que confundem o prefixo “auto” com seu homônimo “alto” e acabam soltando uma “baixa estima” por aí… Faz parte!

Para a maioria das pessoas, ter autoestima elevada significa basicamente gostar de si mesmo. Nesse sentido, uma pessoa que tem uma boa autoestima seria aquela que possui uma visão positiva de si. Essas impressões não estão longe da verdade. De fato, do ponto de vista da Psicologia, autoestima é um conceito que se refere a um processo de valoração que, como tal, pode ter como resultado um parecer positivo ou negativo. Trata-se, portanto, da avaliação interna que faço de mim mesmo. Ora, todo processo avaliativo é baseado em critérios, parâmetros, indicadores. E é justamente nesses padrões de referência que encontraremos as razões pelas quais algumas pessoas possuem autoestima elevada e outras sofrem com a autoestima baixa.

Nós, seres humanos, somos os únicos animais que possuem autoestima. Isso porque somente membros da nossa espécie são capazes de tomar a si mesmos como objeto de avaliação. O seu cachorrinho de estimação é capaz, por exemplo, de avaliar os alimentos que você oferece a ele e decidir se irá comê-los ou não. Contudo, seu pet não tem a capacidade de olhar para si mesmo e analisar se tem sido um bom cachorrinho nas últimas semanas. Só nós humanos podemos tomar o próprio eu como um objeto a ser examinado. E a gente faz isso o tempo todo, como se estivéssemos ininterruptamente diante de um espelho interior verificando se estamos indo bem ou mal. O resultado dessa análise constante que fazemos de nós mesmos é o que chamamos de autoestima.

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Travessia da fantasia: tornar-se o que se era

A experiência psicanalítica evidencia que nós não vivemos na realidade objetiva, ou seja, aquela que independe do que pensamos, desejamos e imaginamos. Somos capazes de supor a existência de uma realidade objetiva (pois não sabemos se de fato ela existe) porque percebemos a insuficiência da realidade em que vivemos. Algo nela sempre falta ou sobra. Há sempre alguma coisa que não fecha, uma inconsistência, um defeito, que nos faz suspeitar de sua fidedignidade: “Será que posso mesmo confiar que a realidade seja assim como eu acho que é?”.

Quando essa pergunta começa a se tornar mais frequente e a gerar angústia, as pessoas costumam procurar terapia. Alguns métodos de tratamento ajudam o paciente a “remendar” o tecido de sua realidade que começou a se romper e a revelar os buracos que o constituem. São métodos que trabalham com exercícios, reorganização do pensamento, autocontrole etc. e que têm um valor inegável, embora se baseiem numa concepção um tanto ingênua da realidade.

Por saber que nós não vivemos na realidade objetiva, mas numa realidade que Freud chamou de “psíquica”, a Psicanálise trabalha de outra forma. O fato de nossa realidade ser fundamentalmente psíquica significa que ela é estruturada por fantasias e, mais especificamente, por uma “fantasia fundamental” (conceito inventado pelo psicanalista francês Jacques Lacan). O objetivo da Psicanálise não é o de eliminar essa fantasia com a suposta justificativa de fazer o sujeito “encarar a realidade”. Não! Se a fantasia fosse destruída, o paciente cairia justamente naquilo que está para-além da nossa realidade, o Real, dimensão com a qual não podemos lidar diretamente.

Aliás, a fantasia fundamental é justamente a tela que nós construímos para nos protegermos do Real. O problema é que, enquanto não tomamos consciência da fantasia, enquanto fingimos que ela não existe, somos dominados por ela, tal como uma marionete nas mãos do titereiro. Em outras palavras, sofremos, não conseguimos sair do lugar, mas não sabemos o motivo. Por isso, a Psicanálise não busca fazer remendos na realidade psíquica do paciente, pois isso implicaria em mantê-lo assujeitado à fantasia. Entendemos que todas as fantasias são furadas mesmo — e é bom que seja assim… 😉

A proposta da Psicanálise é a de ajudar o paciente a “atravessar” sua fantasia. O que significa isso? Significa ajudá-lo a responsabilizar-se pelo próprio desejo, ou seja, sair do lugar de objeto e tornar-se sujeito de sua realidade, o que implica em conseguir lidar criativamente com sua fantasia e não submeter-se passivamente a ela . Como disse Freud em sua célebre máxima no final da conferência “A Dissecção da Personalidade Psíquica”, o objetivo da Psicanálise é que “Wo Es war, soll Ich werden”, ou seja, que nos tornemos o que já éramos.

Tem certeza de que você quer ser curado?

Opnamedatum: 2010-08-05

Mais do que uma coletânea de livros religiosos, a Bíblia é fundamentalmente uma obra que fala sobre a natureza do homem e expõe as vísceras da experiência humana. Por isso, tenho muita dificuldade de respeitar intelectualmente um profissional de Ciências Humanas que não detenha um conhecimento razoável dos textos bíblicos. É lastimável o cara que sabe o que Lacan falou na lição 03 do Seminário 10, mas desconhece o fato de que Paulo de Tarso escreveu mais de uma epístola.

Essa é apenas uma introdução que me veio à cabeça quando pensei no tema acerca do qual gostaria de tratar hoje e que me foi sugerido justamente por alguns fragmentos da Bíblia.

Sempre me chamou a atenção uma peculiaridade do comportamento de Jesus de Nazaré ao lidar com os doentes que apareciam em seu caminho. Das duas uma: ou ele perguntava para a pessoa: “O que você quer que eu faça por você?” ou indagava: “Você quer ser curado?”, como fez com o paralítico que há anos vivia às margens do Tanque de Betesda.

Tais indagações podem soar um tanto irônicas se você parar para pensar que aquelas pessoas estavam visivelmente doentes. Não era óbvio que elas gostariam de ser curadas?

Não, não era. Creio que as perguntas de Jesus, as quais, na verdade, todo analista, também faz àqueles que o procuram, revela justamente que NEM SEMPRE QUEREMOS SER CURADOS DE NOSSAS DOENÇAS. Eu falei um pouco sobre isso no domingo passado.

Na verdade, muitas vezes a gente procura um terapeuta apenas com o objetivo de sermos aliviados de nossas dores, mas não necessariamente curados. Afinal, a verdadeira cura exige de nós a tomada de certas decisões que não queremos, seja porque temos medo do que acontecerá se as tomarmos, seja porque não queremos abrir mão do ilusório conforto que a doença nos proporciona.

A gente se acostuma com tudo, meus caros, inclusive com nossas paralisias. A gente dá um jeito: viramos mendigos, acreditamos que um milagre acontecerá e tudo vai mudar sem que precisemos fazer um mínimo esforço, botamos a culpa de nosso sofrimento nos pais, na sociedade, no capitalismo, em Deus…

É muito difícil levantar-se, tomar o próprio leito e caminhar. Por isso, as perguntas “O que você quer que eu faça por você?” e “Você quer ser curado?” não são perguntas irônicas. Numa terapia psicanalítica, elas estão constantemente sendo refeitas. Essa é uma das razões pelas quais alguns pacientes abandonam o tratamento. Eles imaginam que a cura virá meio que por inércia, sem que precisem se enxergar e abandonar os confortos da doença.

Mudar dá trabalho, exige coragem e capacidade de suportar certas mutilações emocionais. A terapia ajuda você a ter forças para avançar nesse processo. Mas SÓ VOCÊ pode se levantar, tomar o seu leito e caminhar.

[Vídeo] Psicólogo não cura ninguém

A função do psicólogo não é a de prescrever comportamentos e escolhas, mas facilitar a emergência dos processos de cura que toda pessoa possui.

[Vídeo] A Psicanálise é um tipo de pós-educação

Muitos psicanalistas, influenciados pela tradição francesa, se esquecem de que Freud entendia que a Psicanálise tinha uma função não só terapêutica, mas também educativa. O velho acreditava que o método inventado por ele servia para desfazer os praticamente inevitáveis equívocos que são cometidos na educação das crianças. Afinal, para Freud, tais equívocos são justamente fatores que contribuem para a formação das fixações que, na idade adulta, darão origem aos sintomas neuróticos. Por isso, o médico vienense costumava dizer que a Psicanálise era uma espécie de “pós-educação”. Ficou curioso para entender melhor essa história? Então, assista ao vídeo abaixo:

[Vídeo] Associação livre: entenda o que é

“Fale. Fale tudo o que lhe vier à cabeça. Não se preocupe se fará sentido, se eu irei gostar, se terá coerência. Apenas, fale.” É mais ou menos assim que os analistas convidam seus pacientes a fazerem aquilo que Freud entendia ser o elemento crucial para o desenvolvimento da terapia analítica: a técnica da associação livre. Você já deve ter ouvido falar a respeito disso. Todavia, assista ao vídeo abaixo para conhecer algumas das principais implicações desse procedimento e os motivos pelos quais ele é utilizado na Psicanálise.

[Vídeo] O neurótico vive numa eterna retrospectiva

Freud dizia que “as histéricas sofrem de reminiscências”. Isso está lá nos “Estudos sobre Histeria”. Contudo, tal asserção vale não só para a histeria, mas para todas as formas de neurose. Adoecer emocionalmente depende estruturalmente de uma dificuldade de superação do passado. O neurótico, portanto, é aquele que vive inconscientemente apegado ao passado: a objetos de amor passados, a padrões defensivos passados, a traumas passados etc. Confira meus comentários a respeito disso no vídeo abaixo:

[Vídeo] Diga-me quem amas que eu te direi quem és

Freud descobriu (e todo analista tem acesso à mesma descoberta) que o nosso eu é, na verdade, uma amálgama de traços de outras pessoas. Mas não se trata de quaisquer pessoas. As pessoas cujas traços incorporamos ao ego são aquelas nas quais investimos quantidades significativas de libido, ou seja, as pessoas que amamos. Portanto, se queremos saber quem somos, devemos investigar a história de nossos amores. Explico isso no vídeo abaixo. Confira:

[Vídeo] O analista não deve encarnar o sujeito suposto saber

O psicanalista francês Jacques Lacan forjou o conceito de “sujeito suposto saber” para dar conta da experiência da transferência. Para o autor, tal conceito seria a chave para entender o que se passa no vínculo transferencial. Segundo Lacan, no tratamento analítico, o paciente supõe que o analista seja alguém que detém um saber a respeito dele (paciente). Todavia, é preciso deixar claro que o analista não deve ocupar essa posição suposta pelo analisando. Explico isso no vídeo abaixo. Confira:

[Vídeo] Falso-self: o perfil fake da vida real

Algumas pessoas chegam aos consultórios de Psicanálise e Psicologia queixando-se de não se sentirem realmente vivas. Tais indivíduos alegam que não sentem a vida valer a pena e experimentam uma sensação de que para tudo vale um indiferente “tanto faz”. Tais características, dentre outras, levaram o psicanalista inglês Donald Winnicott a forjar o conceito de “falso-self”. Entenda do que se trata e como uma pessoa desenvolve um falso-self enrijecido:

[Vídeo] O complexo de Édipo nas meninas

O complexo de Édipo masculino é bastante conhecido: sabe-se que o menino rivaliza o lugar de objeto de desejo materno ocupado pelo pai e normalmente se identifica com o genitor após desistir da empreitada de tomar o lugar dele junto à mãe. Mas o que acontece com as meninas? Trata-se apenas de uma modalidade invertida do complexo de Édipo masculino? Confira minha explicação no vídeo abaixo:

[Vídeo] Por qual livro devo começar a estudar Psicanálise?

Muitas pessoas que desejam iniciar o estudo sério das teorias psicanalíticas se perguntam por onde devem começar. No vídeo, indico o que considero ser a obra que melhor serve como introdução ao universo da Psicanálise. Confira:

[Áudio] Lucas Nápoli – A perspectiva winnicottiana sobre o adoecimento somático e sua incompatibilidade com a Escola de Psicossomática de Paris

De acordo com a Escola de Psicossomática de Paris, a insuficiência do funcionamento mental é o fator subjetivo que torna o indivíduo vulnerável a um adoecimento somático. No trabalho cujo áudio compartilho abaixo, busco demonstrar a incompatibilidade entre esse quadro teórico e a perspectiva de Winnicott na abordagem do adoecimento físico. Para o analista inglês, o adoecimento somático é uma tentativa precária de promover a conexão entre a psique e o corpo. Winnicott, não concebe a psique como uma máquina destinada a conter o que vem do corpo, mas como uma dimensão do indivíduo que acompanha e enriquece a experiência corporal, desenvolvendo-se concomitantemente a ela.

[Vídeo] Recado Rápido #15 – QUANDO O TRONCO É JACARÉ

Quando nos sentimos desamparados e inseguros tendemos a nos apegar a certas pessoas como uma espécie de tábua de salvação. O problema é quando essa tábua acaba nos levando a águas nada tranquilas.