
Deixa eu te explicar essa hipótese:
Há pessoas que, na infância, por n razões, não sentiam que seu desejo era suficientemente validado e autorizado.
Uso aqui a palavra “desejo” num sentido amplo: aquelas inclinações, vontades e movimentos espontâneos que brotam da própria pessoa.
Uma menina, por exemplo, pode se inclinar naturalmente, desde muito pequena, para brincadeiras que, tradicionalmente, na nossa cultura, são categorizadas como “brincadeiras de menino”.
Por n razões, os pais dessa menina podem considerar que esse desejo deve ser coibido, passando a estimular ou mesmo forçar a filha a se envolver com “brincadeiras de menina”.
Ao fazerem isso, esses pais podem não só levar a garota a reprimir sua inclinação por brincadeiras de menino.
Eles podem estar contribuindo para algo mais profundo e adoecedor: essa menina pode desenvolver a ideia de que suas inclinações espontâneas de forma geral (e não só a vontade específica de brincar com “coisas de menino”) são inválidas ou ruins.
Isso porque o desejo por brincadeiras de menino não é um elemento isolado da personalidade da garota. Ele está associado a vários outros aspectos e inclinações que podem ser igualmente desaprovados pelos pais.
Resultado: essa menina pode crescer acreditando inconscientemente que não tem autorização para realizar seus desejos espontâneos.
— Tá, mas onde entra a procrastinação nessa história, Lucas?
Veja: o que é procrastinar?
Procrastinar é adiar uma tarefa importante sem que esse adiamento seja realmente estratégico.
Ou seja, você deixa para depois não porque será melhor fazer a tarefa em outro momento, mas simplesmente porque sente uma espécie de bloqueio interno que te impede de botar a mão na massa naquela hora.
Ora, esse bloqueio interno pode ser justamente o medo inconsciente de se engajar em seu próprio desejo.
É como se, na hora em que você está lá, diante do computador, pronta para trabalhar em um projeto, viesse uma voz interna que te dissesse:
“Lembra que você aprendeu que tudo aquilo que vem de você é ruim, errado, inválido? Então… Nem vale a pena investir tempo e energia nesse projeto. Não vai dar certo.”
O problema é que essa “voz” age de modo inconsciente. Conscientemente, o que você experimenta é simplesmente uma vontade estranha de deixar para depois, mesmo sabendo que tem tempo suficiente para trabalhar no projeto naquele momento.
Que fique bem claro: o que eu acabo de dizer não vale para todos os casos de procrastinação.
É apenas uma hipótese.
Mas ela pode se aplicar ao seu caso.
Que tal pensar a respeito?
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