Fazer Psicanálise é estar numa difícil viagem, mas em boa companhia


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Por que temos tanta dificuldade em terminar relacionamentos insatisfatórios?

A pessoa não se sente bem no relacionamento, briga constantemente com o parceiro, mas simplesmente não consegue tomar a decisão de terminar — apesar de DESEJAR fazer isso com muita frequência.

Por que será que é tão difícil sair de uma relação que definitivamente mais nos entristece do que nos alegra?

É óbvio que existem certos fatores contextuais que contribuem para essa permanência. Por exemplo: a crença religiosa (ou não) de que o casamento é um vínculo indissociável, a existência de filhos pequenos, um eventual patrimônio construído pelo casal etc.

No entanto, esses motivos, quando existem, geralmente não são os que verdadeiramente estão em jogo no caso de pessoas que ANSEIAM pela separação, mas não conseguem tomar a decisão de terminar.

A experiência clínica evidencia que o fator que de fato sustenta a manutenção de um vínculo insatisfatório é a FUNÇÃO INCONSCIENTE que a relação amorosa exerce para o sujeito.

Inconscientemente, nós utilizamos nossos namoros e casamentos como um PALCO para REENCERNARMOS certos problemas da infância que ficaram pendentes de resolução.

Por exemplo: uma mulher pode se apaixonar perdidamente por um cara frio e distante — exatamente as mesmas características que seu pai possuía e que a deixavam tão magoada quando criança.

— Mas, Lucas, por que essa pessoa vai buscar justamente um parceiro que se parece com o pai? O natural não seria buscar alguém que fosse o oposto dele, ou seja, carinhoso e acolhedor?

Não. O anseio que ficou insatisfeito na alma dessa mulher quando criança não foi só o de receber carinho e acolhimento, mas de que SEU PAI LHE DESSE CARINHO E ACOLHIMENTO.

Nesse sentido, para buscar a “resolução” desse problema infantil, ela naturalmente precisará “reencontrar” seu pai frio e distante, personificado no parceiro amoroso, a fim de “convertê-lo” no pai carinhoso e amoroso que ela tanto desejava.

Assim, mesmo se sentindo mal, insatisfeita e magoada (exatamente como se sentia na infância), essa mulher terá muita dificuldade de sair dessa relação por conta da VÃ ESPERANÇA INCONSCIENTE de que o parceiro um dia vai mudar e se tornará o pai que ela sempre quis ter.


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[Vídeo] Nossas inúteis batalhas interiores

Frequentemente o adoecimento emocional é o resultado de guerras que estabelecemos nos confins da alma contra desejos inofensivos, restos de papai e mamãe e outros elementos com os quais não conseguimos conviver pacificamente.


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Uma Psicanálise que não retraumatiza o sujeito

Este é um pequeno fragmento do material de apoio da nossa aula ao vivo de hoje da CONFRARIA ANALÍTICA.

Há dez semanas estamos estudando minuciosamente o texto “Confusão de língua entre os adultos e a criança”, de Sándor Ferenczi.

Um dos feedbacks que mais tenho recebido dos alunos pode ser sintetizado na frase: “Não sabia que se podia fazer Psicanálise dessa forma”.

Essa maneira diferente de trabalhar diz respeito às inovações clínicas propostas por Ferenczi.

Para o autor, o processo terapêutico em Psicanálise não visaria apenas a decifração do Inconsciente e a responsabilização, mas a reconquista da capacidade de confiar, perdida em função de experiências traumáticas.

Para o alcance desse último objetivo, o analista precisa sair de sua posição clássica de espelho e apresentar-se como uma PESSOA sensível e confiável.

Se você quiser conhecer mais sobre os fundamentos dessa proposta clínica diferenciada, é só se juntar às mais de 700 pessoas que já estão na nossa comunidade.

Te espero lá!


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[Vídeo] Falta de motivação não existe

Neste vídeo: entenda por que a ideia de que uma pessoa está desmotivada é uma explicação incompleta para o que de fato está acontecendo com ela.


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A função paterna não depende da presença de um pai

Lacan teve uma sacada genial ao constatar que, para a constituição do sujeito, ou seja, para a transformação do filhotinho de Homo sapiens em um ser humano minimamente estruturado, a PRESENÇA do pai não é necessária.

Na verdade, nem a mãe biológica é absolutamente indispensável. Se houver outra pessoa disposta a realizar a função materna de cuidado físico e afetivo, o bebê pode se desenvolver de forma saudável, mesmo na ausência da genitora.

É o que acontece, a propósito, nos casos em que a mãe falece durante ou logo após o parto.

É claro que, para o bebê, NÃO É A MESMA COISA ser amamentado e cuidado por outra pessoa ao invés da mãe, mas o fato é que isso NÃO INVIABILIZA o crescimento saudável dessa criança.

Já no caso do pai, Lacan nos fez ver que não há sequer a necessidade de que haja uma PESSOA viva para poder desempenhar a função paterna.

Basta que exista o… NOME-DO-PAI, ou seja, um elemento simbólico que REPRESENTE o papel que TRADICIONALMENTE tem sido exercido pela figura do pai nas sociedades ocidentais.

QUE FIQUE BEM CLARO: Lacan não está dizendo que a presença do genitor na vida da criança seja irrelevante. O autor está apenas esclarecendo que, para a ESTRUTURAÇÃO BÁSICA da vida psíquica, é suficiente que haja um SÍMBOLO do pai.

Esse símbolo pode, inclusive, não ter qualquer relação com uma pessoa do sexo masculino.

Vamos pensar, por exemplo, numa família homoparental em que Téo, um menino de 2 anos, tem duas mães.

Imagine que uma delas, Lívia, a que está desempenhando a função propriamente materna, deixa o filho no quarto, explicando para ele que terão que se separar porque “agora é a vez da mamãe Taís”.

Essa fala, que mostra para Téo que ele não é a única bolacha do pacote e que a “a mamãe Taís” tem algo que a mamãe Lívia deseja, é uma forma possível de apresentar o Nome-do-Pai para essa criança.

Com efeito, a “mamãe” Taís, mesmo não sendo homem, está sendo exercendo, GRAÇAS AO DISCURSO da “mamãe Lívia”, a função simbólica de pai para Téo.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá daqui a pouco uma AULA ESPECIAL sobre o conceito de Nome-do-Pai, incluindo referências de leitura para aprofundamento.

Te vejo lá!


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A gente faz Psicanálise para ir além do que a nossa infância nos permite.

Na infância, a alma informe e maleável é talhada profundamente pela vida, assumindo o aspecto que a existência lhe permite. A gente faz Psicanálise para poder discernir os contornos desse aspecto fundamental e inventar formas de existir que sejam capazes de superá-lo.


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Sobre pessoas que não conseguem se perdoar

Experimentamos o sentimento de culpa quando fazemos (ou desejamos fazer) um coisa que nós mesmos consideramos inadequada e que acreditamos poder eventualmente causar dano a pessoas que amamos.

Muitas vezes, a culpa ocorre pontualmente e acaba desaparecendo naturalmente, sobretudo em função de um ato de perdão:

Num belo dia você trata o seu namorado de uma forma rude; alguns minutos depois, sente-se mal, pede desculpas, o mancebo te perdoa e a culpa vai aos poucos se esvaindo.

Por outro lado, há algumas pessoas que padecem de uma culpa crônica, que simplesmente não passa — mesmo com o perdão do outro.

Tais indivíduos costumam dizer que são eles mesmos que não conseguem SE PERDOAR.

E é essa afirmação que pode nos servir de ponto de partida para compreender o que está em jogo nesses casos.

Quando o sujeito diz que não consegue se perdoar, ele está revelando a existência de uma divisão em sua personalidade: de um lado, a parte que cometeu o ato inadequado e, do outro, a parte que olha para a primeira e diz: “Isso é imperdoável”.

Freud chamou essa segunda parte de “superego”. Com efeito, ela olha para o eu (ego), a primeira parte, de cima (super, em latim), julgando-a como um pai severo e intolerante.

Nosso superego está sempre monitorando e avaliando nossos atos e pensamentos, exercendo um papel parecido com o que nossos pais desempenhavam conosco na infância.

Todavia, nem todo o mundo tem um superego tão cruel e inflexível quanto o das pessoas que se sentem o tempo todo culpadas.

Para que isso aconteça, é preciso que o sujeito tenha sido levado a reprimir seus impulsos agressivos.

Não por acaso, pessoas que padecem de culpa crônica costumam ser exageradamente pacíficas — e passivas — , indivíduos que são incapazes “de fazer mal a uma mosca”.

Com efeito, essa agressividade patologicamente tolhida não desaparece. Ela permanece guardada, como uma bomba, no interior do psiquismo e, para ser saciada, acaba tomando o próprio Eu do sujeito como objeto.

Os ataques contínuos e ferozes do superego, que resultam na culpa crônica, servem justamente a esse propósito: satisfazer os impulsos agressivos dos quais o sujeito não foi autorizado a se apropriar.


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[Vídeo] Tratar o abismo; conviver com a rachadura

Temos uma rachadura essencial que resulta da nossa condição de seres sociais.

Somos essencialmente contraditórios, incoerentes, ambíguos e ambivalentes.

A gente faz Psicanálise para impedir que essa inevitável rachadura se transforme num abismo.


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Um analista não pode ser apático

Isso aí é só uma “palhinha” do que veremos na AULA AO VIVO de hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, a partir das 20h.

Centenas de terapeutas estão transformando completamente seu olhar sobre a clínica psicanalítica acompanhando nossas aulas.

Estamos estudando o texto “Confusão de língua entre os adultos e a criança”, do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi e hoje veremos algumas das diferenças gritantes entre certas ideias de Ferenczi e de Freud.

Vai ser uma noite inesquecível para muitos, eu tenho certeza!

Para assistir a essa aula, é só se juntar às mais de 700 pessoas que já estão na nossa comunidade.

Até mais tarde!


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[Vídeo] “Você não tem motivo para estar com depressão”

Neste vídeo: entenda por que a frase que está no título é uma imensa bobagem e decorre da ignorância acerca de como funciona um episódio depressivo.


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Os 3 graus de ciúme segundo Freud

Para entender o que é o ciúme, precisamos saber, pelo menos, contar até 3.

Afinal, trata-se de uma experiência emocional que envolve, no mínimo, 3 elementos:

O sujeito enciumado, o objeto desejado e um terceiro que rivaliza com o sujeito pelo amor do objeto.

Com efeito, sentimos ciúme quando imaginamos ou percebemos que uma pessoa que amamos está ou pode estar interessada por terceiros.

Esta é exatamente a descrição do que acontece com todos nós no complexo de Édipo:

Desejamos nossos pais e, ao mesmo tempo, sofremos com o fato de eles se interessarem um pelo outro e não exclusivamente por nós.

Portanto, a matriz do nosso ciúme normal é a situação edipiana — da qual ninguém escapa.

Mas existem formas patológicas de ciúme, nas quais, por exemplo, o sujeito não consegue ficar em paz por estar sempre imaginando que o parceiro está desejando ou efetivando uma traição.

Em alguns casos, a pessoa desenvolve um verdadeiro delírio que lhe dá a certeza de que o objeto amado anda pulando a cerca.

Freud tratou dessas várias modalidades de ciúme no texto “Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranoia e na homossexualidade”, de 1922.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que comento esse texto, apresentando exemplos e detalhes sobre os três graus de ciúme mencionados por Freud.


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Desejo revoltado


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Como a Psicanálise funciona?

Volta e meia, pessoas interessadas em agendar uma consulta me perguntam como funciona um tratamento psicanalítico.

É uma pergunta totalmente legítima. Afinal, é razoável que uma pessoa queira saber como acontece o processo terapêutico ao qual pretende se submeter.

Este texto será justamente uma resposta a esse questionamento.

Tentarei ser o mais simples e didático possível.

Vamos lá:

Em Psicanálise nós trabalhamos com base no pressuposto que existe uma parte da sua mente da qual você não tem consciência, à qual nós damos o nome de… isso mesmo: Inconsciente.

Os psicanalistas acreditam que é no Inconsciente que se encontram as raízes do adoecimento que levou você a procurar ajuda.

— Como assim?, você pergunta. E eu explico:

No Inconsciente estão uma série de pensamentos, desejos, intenções, medos, raciocínios, conclusões, crenças que foram se desenvolvendo na sua alma ao longo da vida, mas com os quais você não dá conta de lidar.

É justamente por isso que você mantém essas coisas fora do seu campo de consciência: para não ter que sentir a angústia de olhar para elas.

O problema é que, para mantê-las no Inconsciente, você precisa gastar muita energia e acaba forçando esses pensamentos, desejos, crenças etc. a se manifestarem na sua vida disfarçadamente, por meio de problemas emocionais.

Na Psicanálise, o terapeuta vai estimular você a falar sobre as suas questões de uma maneira diferente: sem ficar tentando controlar as palavras e selecionar os assuntos previamente.

Ele dirá para você simplesmente comunicar-lhe o que passa pela sua cabeça.

O objetivo é facilitar a entrada daquelas coisas do Inconsciente no seu campo de consciência.

Afinal, se você, ao invés de continuar reprimindo essas coisas, conseguir olhar para elas de frente, sem medo e encontrar um espacinho para acolhê-las na sua consciência, não precisará mais continuar doente, desperdiçando energia para mantê-las presas no Inconsciente.

Para ajudar você a perder o medo que te faz reprimir, o terapeuta vai ora provocar, ora apoiar, mas fundamentalmente desenvolverá contigo um vínculo confiável.

Pois só a confiança é capaz de vencer o medo.


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[Vídeo] O invejoso é um admirador recalcado

O invejoso deseja que o outro perca o atributo ou objeto que ele tanto deseja porque não suporta olhar para o invejado e perceber que o admira.


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