
Ao longo da história, muitos pensadores meditaram sobre os atributos que diferenciariam radicalmente os seres humanos de outros animais.
Uma opinião conhecida é a de que a razão seria essa característica distintiva: apenas o homem seria capaz de pensar racionalmente.
Outra visão clássica é a de que a linguagem (no sentido forte do termo) seria a propriedade que, de fato, nos separa das demais espécies.
Aventurando-me a entrar nessa polêmica e sem a pretensão de estar propondo nada novo, eu diria que:
Nós, humanos, somos seres que, diferentemente dos outros animais, temos a capacidade de imaginar.
Enquanto o doguinho que adormece ao seu lado no sofá só tem acesso à realidade que a vida lhe impôs, você pode ir muito além dela.
Você pode estar aí na sua casa, afagando seu pet e, ao mesmo tempo, estar beijando seu namorado na casa dele — no plano da imaginação.
A capacidade de imaginar nos liberta dos limites da realidade factual.
Ela nos permite criar cenários virtuais que eventualmente podem até se converter em reais.
Foi o que aconteceu com muitas invenções tecnológicas.
O problema é que a imaginação também pode ser fonte de muito sofrimento.
Pense, por exemplo, numa pessoa ansiosa que não consegue dormir justamente por ficar imaginando catástrofes que podem lhe acontecer.
Mas quero me deter em outra situação muito comum na qual a imaginação mais atrapalha do que ajuda:
É quando ela se coloca a serviço da idealização.
Veja esse exemplo:
Frustrada com certos comportamentos de Alberto, Bianca fica imaginando quão melhor seria sua vida se o marido fosse diferente.
Influenciada por conteúdos de Instagram, ela vai pouco a pouco construindo em sua imaginação o homem que Alberto deveria ser.
Sim, porque os influenciadores que Bianca segue a fazem acreditar que o marido ideal não deve ficar só no plano da imaginação.
Ele precisa existir.
Então, Bianca começa a achar que está vivendo errado e entra em desespero.
Afinal, dia após dia, ela percebe que o Alberto real jamais se transformará no Alberto ideal que imaginou.
Moral da história:
Quando você usa a imaginação para criar uma versão “corrigida” da realidade, na esperança de acabar definitivamente com suas frustrações…
… o resultado costuma ser o oposto: você fica ainda mais frustrado.
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