
Tem muita coisa que a gente descobre fazendo análise.
E descobre no sentido mais literal da palavra: são coisas que estavam encobertas e a gente as des-cobre.
Descobrimos desejos, medos, fantasias e também… ideais.
Isso mesmo: fazendo análise a gente descobre imagens idealizadas que queremos encarnar.
A mulher abnegada, sem vaidade, completamente desinteressada, que está sempre se sacrificando pelos outros.
O homem 100% firme, seguro, dominante, pegador.
São apenas dois exemplos comuns. Nossos ideais podem ser os mais variados.
Há quem possua o ideal de ser uma pessoa absolutamente independente, que não precisa da ajuda de ninguém.
Fazendo análise, a gente não só descobre a existência dos ideais, mas também percebe o quanto influenciaram e continuam influenciando nossas vidas.
O ideal da mulher abnegada pode fazer você se sentir culpada por usufruir de benefícios que outros pessoas não têm.
Mais do que isso: pode fazer você se sabotar e evitar esses benefícios para não sentir a dor da culpa.
O ideal do homem pegador pode fazer você destruir um relacionamento de muitos anos por achar que ficar com uma única mulher é ser menos homem.
Mais do que isso: pode fazer com que você sequer consiga permanecer em um relacionamento por mais do que alguns meses.
Como se formam esses ideais?
Eles são respostas.
Respostas que nós construímos para uma pergunta que nossa condição humana nos obriga a fazer desde o início da vida:
Que pessoa eu devo ser?
Questão incômoda para a qual construímos respostas com a ajuda de nossos pais, da sociedade e da cultura, já que a natureza não nos presenteou com respostas inatas.
Por um lado isso é bom porque não somos obrigados a nos conformar a um destino genético que não poderíamos mudar.
Por outro, essa “liberdade” nos torna vulneráveis a construir ideais que podem ser fonte de muito sofrimento — como os exemplos que eu citei.
A boa notícia é que, fazendo análise, a gente não só descobre os ideais e percebe a força deles, mas também adquire a capacidade de criticá-los, contestá-los e, eventualmente… abandoná-los.
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