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Ao longo de mais de cinco anos de existência da Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise, várias pessoas me pediram para falar sobre Reich.
E hoje eu finalmente decidi atender essa demanda.
Wilhelm Reich (1897-1957) fez parte do movimento psicanalítico durante aproximadamente 13 anos, de 1920 a 1933.
Há relatos de que Freud o via como um de seus alunos mais promissores.
Mas será que Reich merece, de fato, ocupar um lugar entre os grandes nomes da Psicanálise?
Ou será que ele se tornou notável justamente pelas ideias controversas (para dizer o mínimo) que propagou fora do universo psicanalítico?
Para quem não sabe, Reich faleceu de ataque cardíaco numa prisão norte-americana por desobedecer a proibição de distribuir suas “máquinas de acumulação de orgônio“.
Orgônio foi o nome que o autor deu para a suposta energia vital universal que estaria presente tanto no corpo humano quanto na natureza.
Reich acreditava que o aumento dessa energia no corpo poderia curar doenças. Por isso, criou uma caixa para gerar um acúmulo de orgônio que seria absorvido pelo paciente no interior dela.
Lendo essa descrição, não é difícil entender por que o FDA (Food and Drug Administration) proibiu o médico de distribuir essas “máquinas”.
Mas muitos anos antes dessas ideias e práticas controversas, ainda na Psicanálise, Reich fez alguns apontamentos muito interessantes.
Por exemplo: sobre a função defensiva do caráter (entendido como jeito de ser da pessoa) e a importância de analisá-lo desde o início do tratamento.
Mas será que essas contribuições são verdadeiramente originais ou apenas reformulações e aprofundamentos das ideias que outros autores já vinham propondo naquela época (anos 1910-1920)?
E como lidar com a relação de continuidade que o próprio autor afirma existir entre o que ele escreveu na “fase psicanalítica” e o que propôs na “fase orgônica”?
Eu enfrento esses problemas e faço um passeio pelas principais ideias de Reich na aula publicada hoje na Confraria.
O título dela é “Introdução às ideias de Wilhelm Reich” e já está disponível no módulo “Aulas Temáticas – Temas Variados”.
A Confraria é a maior e mais acessível escola de formação teórica em Psicanálise, com um acervo de mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.
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No processo de construção de qualquer produto, seja ele um carro, um prédio, um celular, a engenharia exerce um papel preliminar.
É no âmbito dela que se definem a função do artefato, o design, as etapas de produção, os recursos que serão necessários etc.
Mesmo não tendo acompanhado esse planejamento, nós podemos deduzi-lo analisando o produto já construído.
O nome desse procedimento é engenharia reversa.
Mas por que um psicanalista está falando disso?
Porque, na Psicanálise, nós fazemos algo parecido.
Assim como uma casa não é construída de maneira aleatória, o adoecimento psíquico também se organiza segundo uma certa lógica.
Obviamente não criamos nossos problemas emocionais da mesma forma consciente e racional que engenheiros projetam um prédio.
Mas eles não surgem do nada. Eles se formam e passam a cumprir funções muito específicas.
Sua depressão, por exemplo, não se explica apenas por uma desordem química no cérebro.
Seus pensamentos intrusivos não te assombram simplesmente porque você é muito ansioso.
Nossos sintomas e inibições são construídos, em grande medida, como formas de nos proteger de nós mesmos.
Ao longo desse movimento de construção, vários processos entram em jogo: defesas, fantasias, identificações etc.
E é só discernindo esses elementos que conseguimos deduzir como o adoecimento foi arquitetado.
Essa engenharia reversa é o que acontece ao longo de uma análise.
Enquanto associa livremente, o paciente vai como que “desmontando” os problemas emocionais, de modo que podemos enxergar suas peças.
E aí vai ficando claro tanto para o analista quanto para o analisando que houve ali uma forma de organização que não foi aleatória.
Um dos desafios da análise é ajudar o sujeito a se apropriar dessa engenharia que ele fez sem saber que fez.
Não se trata, evidentemente, de levar o paciente a pensar: “Eu estou assim por minha própria culpa. Fui eu quem fiz este sintoma”.
Não!
Na verdade, o que buscamos é ajudar a pessoa a se enxergar a fim de que, se enxergando, ela possa, finalmente, ter a chance de mudar.
Afinal, se o produto que se formou em mim funciona mal e vive dando defeito, eu preciso olhar para ele com cuidado e profundidade.
Só assim poderei, quem sabe, reconfigurá-lo ou encontrar uma forma de fazê-lo funcionar melhor.
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O que, de fato, leva um paciente, em análise, a mudar, a melhorar, a sair de sua condição de sofrimento?
Em 1934, o psicanalista britânico James Strachey tentou responder essa pergunta em um artigo que se tornaria um clássico:
“A natureza da ação terapêutica da Psicanálise”
O resultado dessa investigação foram três noções inovadoras:
Círculo vicioso neurótico
Superego auxiliar
Interpretação mutativa
Para Strachey, o neurótico não consegue sair sozinho de seu sofrimento porque retroalimenta suas defesas ao projetar suas fantasias na realidade, ou seja, ele fica preso a um “círculo vicioso”.
A análise conseguiria interromper esse processo porque o analista resiste às projeções do paciente, apresentando-se como um “objeto bom” que vai sendo internalizado pelo sujeito (“superego auxiliar”).
A ferramenta clínica que fomentaria essa internalização seria a “interpretação mutativa”, na qual o analista mostra ao paciente seu movimento projetivo acontecendo ao vivo e a cores na transferência.
Como eu disse, Strachey escreveu essas coisas em 1934.
Como aplicá-las hoje, em 2026, numa clínica contemporânea muito mais variada do que aquela que os analistas encontravam em meados do século XX?
No artigo, Strachey se limita a falar de pacientes que projetam seu superego cruel — vem daí a ideia de que o analista poderia funcionar como um “superego auxiliar”.
Mas como pensar os casos em que o paciente projeta outros elementos, tais como um objeto interno abandonador ou sedutor?
E como fazer, na prática, uma interpretação mutativa?
Eu trabalho todas essas questões na aula “Por que a Psicanálise é terapêutica?”, que acaba de ser publicada na Confraria Analítica.
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Ao longo da história, muitos pensadores meditaram sobre os atributos que diferenciariam radicalmente os seres humanos de outros animais.
Uma opinião conhecida é a de que a razão seria essa característica distintiva: apenas o homem seria capaz de pensar racionalmente.
Outra visão clássica é a de que a linguagem (no sentido forte do termo) seria a propriedade que, de fato, nos separa das demais espécies.
Aventurando-me a entrar nessa polêmica e sem a pretensão de estar propondo nada novo, eu diria que:
Nós, humanos, somos seres que, diferentemente dos outros animais, temos a capacidade de imaginar.
Enquanto o doguinho que adormece ao seu lado no sofá só tem acesso à realidade que a vida lhe impôs, você pode ir muito além dela.
Você pode estar aí na sua casa, afagando seu pet e, ao mesmo tempo, estar beijando seu namorado na casa dele — no plano da imaginação.
A capacidade de imaginar nos liberta dos limites da realidade factual.
Ela nos permite criar cenários virtuais que eventualmente podem até se converter em reais.
Foi o que aconteceu com muitas invenções tecnológicas.
O problema é que a imaginação também pode ser fonte de muito sofrimento.
Pense, por exemplo, numa pessoa ansiosa que não consegue dormir justamente por ficar imaginando catástrofes que podem lhe acontecer.
Mas quero me deter em outra situação muito comum na qual a imaginação mais atrapalha do que ajuda:
É quando ela se coloca a serviço da idealização.
Veja esse exemplo:
Frustrada com certos comportamentos de Alberto, Bianca fica imaginando quão melhor seria sua vida se o marido fosse diferente.
Influenciada por conteúdos de Instagram, ela vai pouco a pouco construindo em sua imaginação o homem que Alberto deveria ser.
Sim, porque os influenciadores que Bianca segue a fazem acreditar que o marido ideal não deve ficar só no plano da imaginação.
Ele precisa existir.
Então, Bianca começa a achar que está vivendo errado e entra em desespero.
Afinal, dia após dia, ela percebe que o Alberto real jamais se transformará no Alberto ideal que imaginou.
Moral da história:
Quando você usa a imaginação para criar uma versão “corrigida” da realidade, na esperança de acabar definitivamente com suas frustrações…
… o resultado costuma ser o oposto: você fica ainda mais frustrado.
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A projeção é um dos mecanismos de defesa que nós mais utilizamos no cotidiano.
Ela acontece quando você atribui a outra pessoa intenções, sentimentos, atitudes que, na verdade, estão presentes em você mesmo.
Por que isso ocorre?
Porque você tem medo de reconhecer que possui as mesmas intenções, sentimentos e atitudes que está projetando no outro.
E por que você tem medo?
Porque aquelas intenções, sentimentos, atitudes entram em choque com a imagem que você quer ter de si mesmo.
Exemplo típico de projeção:
Recentemente, Débora e Adriana, duas amigas, participaram de um concurso público. Porém, somente Débora foi aprovada.
Por conta disso, se formou no psiquismo de Adriana um sentimento de inveja em relação à amiga.
“Deveria ter acontecido o inverso: eu aprovada e Débora a ver navios. Eu estudei muito mais do que ela”, pensou Adriana — inconscientemente.
— Por que “inconscientemente”, Lucas?
Porque o superego de Adriana não permitiu que tal pensamento chegasse a sua consciência. Tampouco, o sentimento de inveja.
Ela sentiu apenas uma ansiedade, uma irritação, um mal-estar.
É compreensível: quando criança, a moça ouvia a mãe dizer que “inveja é o sentimento mais nojento do mundo, coisa de gente baixa, mesquinha”.
Assim, Adriana cresceu achando que, para ser uma pessoa boa, adequada, ajustada, ela não poderia jamais sentir inveja.
Ao impedir o acesso do pensamento e do sentimento de inveja à consciência, o superego da jovem a ajuda a se manter nesse autoengano.
O problema é que a inveja não fica lá quietinha, no inconsciente. Ela quer se manifestar, ainda que de maneira distorcida e indireta.
É aí que entra a projeção.
Depois que o resultado do concurso saiu, Adriana começou a achar que Débora estava se afastando dela.
Qualquer recusa a um convite era interpretada por Adriana como evidência de que Débora não queria mais sua amizade.
“Só pode ser por inveja!”: foi o pensamento que veio à mente de Adriana.
“A Débora deve estar morrendo de inveja pelo fato de eu estar noiva e ela não ter sequer um ficante. É por isso que ela quer ficar longe de mim!”
Na realidade, Débora não havia mudado em absolutamente nada seu comportamento em relação à amiga.
Mas Adriana precisou distorcer sua percepção da realidade para poder atribuir a Débora a inveja que ela própria não podia reconhecer em si.
É assim que acontece quando usamos a projeção:
Só conseguimos enxergar a capivara que negamos em nós se ela aparecer do lado de fora, em outra pessoa.
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