
A gente nasce com uma vontade louca de viver, como todos os outros animais.
Porém, diferentemente deles, não trazemos de fábrica nenhuma receita de como usar essa vontade.
Por isso, dependemos fundamentalmente do Outro.
E as primeiras pessoas que ocupam esse lugar nas nossas vidas são os pais.
São eles que nos fornecem as primeiras receitas de como lidar com nossa vontade louca de viver.
A gente pode categorizar essas receitas em dois grandes tipos: as repressoras e as balizadoras.
As repressoras são aquelas cujo princípio básico é:
“Contenha sua vontade de viver! Ela é perigosa, explosiva! Então, busque canalizá-la para objetivos nobres, pois, assim, você irá neutralizar o potencial destrutivo que ela tem.”
Já o princípio que fundamenta as receitas balizadoras é diferente:
“Abrace sua vontade de viver! Ela é potente, estimulante! Você só precisa tomar cuidado para não deixá-la transbordar e acabar, sem querer, fazendo mal para si mesmo ou para os outros.”
Pais que trabalham com receitas repressoras entendem os limites basicamente como barreiras, interdições.
Eles olham para o desejo de um filho de ficar mais tempo brincando na rua como a expressão de um “hedonismo” natural que precisa ser coibido:
— Vem pra casa agora! Amanhã você tem aula. Jogar bola na rua não vai te levar a lugar nenhum. Você tinha que estar preocupado é com os estudos.
Já os pais que oferecem receitas balizadoras encaram os limites como referências, parâmetros.
Com eles, a criança aprenderá que seu desejo de ficar mais tempo na rua não é errado; só não é prudente satisfazê-lo naquele momento:
— Eu entendo que você queira continuar brincando. Quando eu tinha sua idade, também não queria parar. Mas é que amanhã tem aula. E se você não for tomar banho agora, vai acabar dormindo muito tarde, o que não vai te fazer bem.
A diferença é gritante, né?
As receitas repressoras são baseadas no medo.
Pais que as adotam tratam a vontade de viver como se ela fosse naturalmente inclinada para “o mal”.
Os limites, pensados como barreiras, seriam uma forma de neutralizar essa tendência.
Já as receitas balizadoras são baseadas na confiança.
Pais que as adotam não julgam moralmente a vontade de viver. Para eles, ela é o que é: uma vontade-de-viver.
Nesse sentido, a criança não precisa ser encaixada no “caminho certo”; ela só precisa de algumas balizas, para não se machucar e nem machucar os outros, ao longo de seu próprio caminho.
Agora, me diga nos comentários, a receita que você recebeu dos seus pais foi de que tipo: repressora ou balizadora?
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
➤ Adquira o meu ebook “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira a versão física do livro “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”
➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”
➤ Adquira o pacote com os 3 e-books




