
Neste momento, lá na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise, nós estamos estudando um dos textos mais importantes do psicanalista inglês Donald Winnicott.
O título dele é “Distorção do ego em termos de self verdadeiro e falso self”.
Uma dúvida que pode surgir na cabeça de algumas pessoas ao verem esse título é a seguinte:
Por que Winnicott não fala de “ego verdadeiro” e “falso ego”? Por que ele usa o termo “self”?
Estudiosos da obra winnicottiana certamente apresentariam uma série de explicações técnicas que poderiam acabar confundindo quem não tem familiaridade com o pensamento do autor.
Vamos ficar no bom e velho Humanês:
Pense no ego como aquilo que você reconhece como sendo você enquanto indivíduo (nome próprio, características particulares, um peso, uma altura etc.).
E pense no self como sendo um modo de existir: uma postura, uma atitude, uma forma de se colocar no mundo.
Assim fica fácil entender por que Winnicott fala de “self verdadeiro” e “falso self” e não de “ego verdadeiro” e “falso ego”.
Com efeito, você, em si, não pode ser verdadeiro ou falso. Você é o que é. Ponto.
Não existe um “Lucas de verdade” em algum mundo das ideias platônico com o qual possa me comparar para saber se eu, o Lucas real, sou de verdade ou de mentira.
Agora, eu posso, na concretude da minha existência, viver de modo verdadeiro ou falso.
Por exemplo, se eu respondo de forma gentil uma mensagem desaforada, posso estar vivendo, naquele momento específico, de modo falso.
Afinal, minha vontade genuína, espontânea, verdadeira, talvez fosse a de dar uma resposta mais direta ou até agressiva.
A vida em sociedade exige de todos nós essa capacidade de agir de modo artificial de vez em quando.
Imagine um mundo em que todas as pessoas agissem de forma 100% espontânea o tempo todo. Seria um caos, né?
O problema é quando o sujeito vive, na maior parte do tempo, no modo falso self.
De fato, há pessoas que foram tão reprimidas, controladas ou simplesmente deixadas de lado na infância que elas não se permitem viver de modo genuíno.
Muitas nem percebem que o falso self é sua forma padrão de existir.
Mas o fato é que elas quase nunca falam o que querem, trabalham com o que querem ou convivem com quem querem.
Na verdade, foram tão acostumadas a desejar o que não querem que nem sabem mais o que verdadeiramente querem.
Uma existência vivida dessa forma inautêntica dá sinais: vazio, falta de sentido, sensação de que nada tem graça…
Essas pessoas precisam ter condições de resgatar seu verdadeiro self do porão onde o ambiente infantil as forçou a trancá-lo.
Mas isso só acontece mediante uma experiência real com um ambiente novo, confiável, potencializador e, definitivamente, não repressor.
Esse ambiente é justamente o que a Psicanálise busca proporcionar.
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