Por que temos tanta dificuldade de assumir os nossos B.O.s?

Imagine a seguinte situação:

Uma pessoa lhe pede um favor. Você a ajuda, mas, ao mesmo tempo, diz para si mesmo que não deveria estar fazendo isso, seja porque a pessoa não merece, porque você está sacrificando seu tempo livre ou por qualquer outro motivo.

Já passou por isso?

Essa é uma circunstância que revela o fato de sermos seres divididos: podemos escolher fazer uma coisa e simultaneamente não desejar fazê-la.

Por outro lado, há um efeito colateral bastante pernicioso no ato de realizarmos uma ação que nós mesmos achamos que não deveria ser levada a cabo.

Quando isso acontece, a gente experimenta a FALSA sensação de não estarmos escolhendo, de não sermos livres para decidir.

Por que se trata de uma sensação falsa?

Porque estamos sempre escolhendo, ainda que nós mesmos não concordemos com determinadas decisões.

Quando uma jovem se queixa de que “precisa” ajudar sua mãe, apesar de toda a mágoa que sente por ela, está escondendo de si mesma a consciência de que socorrer a genitora é uma escolha e que, se quisesse, poderia decidir não ajudar.

Mas por que essa jovem simplesmente não reconhece que amparar a genitora é uma decisão sua e não algo que supostamente ela “precisa” fazer?

Porque TODOS NÓS temos uma dificuldade enorme de assumir a responsabilidade por nossas escolhas.

É muito mais fácil, por exemplo, para um homem imaginar que ele TEVE que fazer um curso superior não porque de fato ESCOLHEU se graduar, mas porque isso seria uma exigência social.

Pode ser que ele realmente tenha decidido entrar na universidade por achar que a sociedade lhe demanda tal atitude, mas, de todo modo, estava fazendo uma escolha: a escolha de querer se adequar aos supostos imperativos sociais.

Todavia, admitir isso seria difícil para esse homem. Afinal, implicaria em reconhecer que, para ele, a aprovação social é um valor prioritário.

E isso não “pegaria bem” aos seus próprios olhos…

Assim, vale mais a pena, do ponto de vista narcísico, se autoenganar e pensar que só está fazendo faculdade porque a sociedade exige.

Assumir a autoria de nossas decisões nem sempre é confortável, mas pode ser muito LIBERTADOR.

Outro dia falo mais sobre isso…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A gente faz Psicanálise para descobrir o que estamos ganhando quando perdemos.

Outro dia eu estava assistindo a um vídeo do Rica Perrone em que ele explicava a abordagem que utiliza para lidar com fatos públicos que aparentemente são ilógicos e contraditórios.

Trata-se de uma forma de pensar que me parece muito semelhante à psicanalítica.

Ele dizia que quando se depara com uma situação que não parece fazer sentido, sempre tenta identificar quem estaria obtendo vantagens com ela.

Por exemplo: no Brasil, há um consenso de que os árbitros de futebol cometem muitos erros e, com isso, acabam prejudicando várias equipes.

Por que, então, os dirigentes dos clubes não se esforçam para exigir que haja a profissionalização da atividade de árbitro de futebol, já que o amadorismo causa tantos danos?

Por que eles “lucram” com isso, argumenta acertadamente o Rica Perrone.

Sim, as falhas dos juízes sempre poderão ser utilizadas pelos presidentes e diretores dos clubes como justificativas para o mau desempenho dos seus times.

É isso o que explicaria o fato de continuarem permitindo que o trabalho como árbitro de futebol seja apenas um “bico” e não uma profissão regulamentada.

Essa abordagem que tenta enxergar quais são as vantagens ocultas que podem estar por trás de situações de aparente prejuízo é a mesma que nós, psicanalistas, utilizamos na clínica com nossos pacientes.

Com efeito, ajudamos o analisante a identificar os ganhos primários e secundários que ele obtém com seus sintomas, inibições e ansiedades.

Assim como quem olha de fora não consegue perceber por que os clubes não lutam pela profissionalização dos árbitros, o paciente também não entende, de início, por que permanece preso a seus padrões doentios.

Um dos grandes diferenciais da Psicanálise é a sua capacidade de mostrar ao analisante que, se ele não consegue evitar seus problemas emocionais, é justamente porque PRECISA deles, assim como os dirigentes dos clubes PRECISAM de árbitros ruins para justificarem suas derrotas.

Por trás do aparente sofrimento, há sempre algum tipo de satisfação que precisa ser trazida à luz.

É preciso reconhecer de que forma ganhamos quando estamos perdendo.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Por que a Psicanálise dá tanto peso à infância?

Há terapeutas que dizem expressamente para seus pacientes que trabalharão exclusivamente com o presente, com o “aqui e agora”.

Eles entendem que o passado não tem muito peso na vida do sujeito e que o mais importante são as escolhas que a pessoa faz no presente.

Assim, quando o paciente começa a falar muito do que aconteceu em sua história, o terapeuta trata de censurá-lo e dizer que ele deve se focar no presente.

Não, não é meme.

Eu já ouvi mais de uma pessoa me relatando ter passado por tal experiência em psicoterapia.

Um psicanalista jamais adotaria essa atitude de desprezo ao passado e supervalorização do presente.

Todo o mundo sabe que a Psicanálise dá um peso enorme àquilo que aconteceu com o sujeito na infância.

E isso não acontece por acaso.

Se os psicanalistas dão tanta ênfase à infância é por saberem que é muito mais difícil lidar com os desafios da vida nessa época.

Explico:

Na infância, estamos muito vulneráveis ao que acontece no ambiente por ainda sermos muito dependentes dele.

É o que eu costumo dizer em algumas aulas:

Um adulto que se sente oprimido em seu relacionamento pode simplesmente decidir sair dele.

Por outro lado, uma criança que esteja sendo agredida ou abusada pelos pais, não tem escolha. Ela terá que permanecer na relação com eles independentemente da sua vontade.

Entenderam, colegas existencialistas? A gente pode até conceder que os adultos escolhem o rumo de suas vidas. Não acho que seja bem assim, mas tudo bem…

Já as crianças, na maioria das vezes, não têm essa possibilidade de escolha.

A essa condição de vulnerabilidade e dependência, soma-se ainda o fato de que a criança possui um Eu ainda muito frágil e inconsistente.

Isso faz com que os pequenos tenham dificuldade para lidar com conflitos, sobretudo aqueles relacionados aos impulsos sexuais, sem utilizarem mecanismos de defesa patológicos.

Aquilo que um adulto encararia com naturalidade ou, no máximo, um leve desconforto, a criança pode enxergar como algo aterrorizante.

O problema é que as marcas desse modo infantil de encarar a vida não desaparecem apenas com o passar do tempo.

Podem permanecer em nós por décadas e décadas, provocando sintomas, inibições e ansiedades…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Você ainda usa agasalhos emocionais?

Na infância, para nos protegermos de ameaças e hostilidades vindas do ambiente, criamos agasalhos emocionais. O problema é que nos acostumamos a utilizá-los e permanecemos com eles mesmo quando não são mais necessários. É o seu caso?


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] O que ninguém te conta sobre o vício em pornografia

Neste vídeo: o psicanalista Lucas Nápoli explica o que de fato está por trás do vício em pornografia, problema enfrentado por muitas pessoas no mundo contemporâneo.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Como funciona a mente do invejoso

Inveja não significa apenas cobiçar o que o outro tem, mas desejar que o outro perca aquilo que tem e que você deseja possuir.

O invejoso geralmente sofre de ressentimento.

Por trás de sua inveja existe a dor de saber que lhe falta o que existe em abundância na pessoa invejada.

Para se defender dessa ferida narcísica, ele ataca o outro (mesmo que apenas em pensamento) na esperança de que o invejado perca o objeto ou atributo que tanto deseja.

A lógica do pensamento do invejoso é mesquinha:

“Se eu não tenho, ninguém não pode ter”.

Afinal, se o outro não tiver, ele não estará em falta sozinho.

O invejoso anseia pela democratização da impotência!

Ele não quer se esforçar e trabalhar para eventualmente conquistar aquilo que tanto inveja no outro.

Não! Se assim o fizesse, precisaria admitir para si mesmo que ADMIRA o invejado, mas ele não dá conta de fazer isso.

Como bom ressentido, o invejoso desdenha das uvas que não consegue alcançar.

Ele mente para si mesmo dizendo que elas estão verdes para não ter que reconhecer que morre de vontade de possuí-las.

É por isso que dificilmente um invejoso se confessa como tal.

Ele sempre tentará esconder sua dor de cotovelo por trás da imagem de um crítico isento:

“Não tenho inveja, não, Deus me livre! Só estou analisando a situação…” 🙄

A cura para os invejosos seria admitir sua condição de admiradores e procurar discernir as razões que os levam a desejar tanto aquilo que o outro possui.

É uma pena que a maioria deles não esteja disposta a fazer esse sacrifício narcísico.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Sobre a hipocrisia profissional dos psicanalistas

Sándor Ferenczi (1873-1933), médico e psicanalista húngaro, foi um dos discípulos mais próximos de Freud.

Ferenczi chegou, inclusive, a ser analisado pelo pai da Psicanálise.

Essa circunstância, aliás, foi fundamental para que Ferenczi começasse a propor inovações radicais tanto no plano da teoria quanto na técnica da Psicanálise.

Inovações que batiam de frente com algumas das ideias de Freud… 😬

Ferenczi passou a questionar a postura tradicional do analista no tratamento, considerando-a excessivamente fria, distante e, portanto, prejudicial ao paciente.

Por que prejudicial?

Porque, do ponto de vista de Ferenczi, o adoecimento emocional se desenvolveria justamente como resposta do sujeito a uma infância marcada pela falta de acolhimento e ausência de confiabilidade.

Para o autor, ao se colocar diante do paciente de maneira excessivamente formal, impassível e protocolar, o analista estaria agindo com HIPOCRISIA.

Sim, hipocrisia profissional.

Ferenczi soltou essa “bomba” pela primeira vez na conferência “Confusão de língua entre os adultos e a criança”, proferida no XII Congresso Internacional de Psicanálise e que se encontra disponível no volume IV das Obras Completas do autor.

Vocês podem imaginar a polêmica que isso causou no meio psicanalítico da época, né? 😅

Ferenczi estava simplesmente dizendo: “Galera, desculpem a sinceridade, mas a gente é tudo hipócrita…” 🤷🏻‍♂️

Freud, por exemplo, ficou chocado 😱 quando o colega levou para ele o artigo antes de apresentá-lo no Congresso e pediu para que Ferenczi reconsiderasse suas posições.

Mas ele não voltou atrás.

Ainda bem.

Quer saber mais sobre essa história de hipocrisia profissional?

Ainda hoje quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá uma aula especial em que comento o trecho do artigo “Confusão de língua…” no qual Ferenczi fala do assunto.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Inventamos teorias conspiratórias quando não conseguimos suportar as surpresas eacasos da vida.

Na última terça-feira, Grêmio e Flamengo jogaram pelo Campeonato Brasileiro.

O time gaúcho chegou a estar perdendo por 2 a 0 já no segundo tempo, mas conseguiu o empate e, por pouco, não virou o jogo.

Detalhes importantes que você, que porventura não acompanha futebol, precisa saber:

(1) O Flamengo está em segundo lugar no Brasileirão e, se vencesse a partida, poderia continuar sonhando com o título, pois diminuiria sua distância para o primeiro colocado, o Atlético-MG, que empatou com o Palmeiras naquela mesma terça-feira.

(2) O Grêmio está na zona de rebaixamento e, caso perdesse, dificilmente teria chance de escapar de mais uma ida para a Série B. Com o empate, o risco continua muito grande, mas ainda resta alguma esperança para os gaúchos.

(3) Renato Gaúcho, técnico do Flamengo, antes de chegar ao Rio de Janeiro em julho, foi treinador do Grêmio durante alguns anos. Além disso, como jogador, Renato foi um dos maiores ídolos da torcida gremista e nunca negou seu amor pelo tricolor gaúcho.

Pois bem!

Após o jogo, começaram a circular nas redes sociais uma série de imagens de Renato conversando à beira do campo com jogadores do Grêmio e comemorando muito timidamente os gols do Flamengo.

O objetivo da divulgação desses vídeos era o de sustentar uma teoria completamente insana:

A de que o técnico do Flamengo, um profissional cujo time tem chances de ser campeão brasileiro pela terceira vez seguida, não queria que sua equipe vencesse e pediu para os jogadores recuarem, pois não gostaria de contribuir para o rebaixamento do seu time do coração.

O surgimento dessa teoria da conspiração me fez pensar na dificuldade enorme que nós temos de reconhecer que a realidade, diferentemente das narrativas literárias e cinematográficas, é frequentemente aleatória, confusa e… chata.

É muito mais fácil suportar o fato de seu time ter deixado escapar uma vitória de 2 a 0 imaginando um cenário fantasioso, digno de Hollywood, em que o seu treinador prejudica a própria equipe em nome do amor por outro clube.

Será que você também tem criado teorias conspiratórias fantásticas para lidar com as questões incompreensíveis de sua história?


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Você tem trocado sua liberdade pelo conforto?

Outro dia eu estava atendendo uma pessoa que me dizia, dentre outras coisas, que “não conseguia dizer ‘não’”.

Segundo ela, recusar-se a atender um pedido lhe fazia se sentir mal por imaginar que isso traria duas consequências indesejáveis: o demandante ficaria chateado e ela seria vista negativamente por ele.

Assim, para evitar esses possíveis efeitos incômodos, ela preferia aceitar tudo o que lhe solicitassem.

Em outras palavras, ela troca a LIBERDADE de poder dizer “não” pelo CONFORTO de saber que não está chateando o outro nem sendo vista por ele como egoísta ou algo do tipo.

Liberdade e conforto são duas experiências que frequentemente são incompatíveis: muitas vezes ou você tem uma ou tem a outra.

É maravilhoso quando temos a sorte de podermos ser livres sem precisar passar pelo desconforto de bater de frente com o mundo, mas amiúde isso não é possível.

Não raro, a liberdade precisa ser conquistada mediante confronto, conflito, luta e, portanto, o sacrifício do conforto.

Pense, por exemplo, numa população que vive sob um governo ditatorial.

Se esse povo quiser gozar de liberdade, ele precisará inevitavelmente se indispor com as autoridades, renunciando ao (pseudo)conforto que só existe enquanto as pessoas se mantêm obedientes à tirania.

Da mesma forma, um jovem adulto que deseja gozar da liberdade de poder trazer para sua casa quem desejar terá obviamente que abrir mão do conforto de viver na casa dos pais.

Geralmente, quem tem dificuldade para fazer essa renúncia, seja por medo ou pela inércia do gozo, fica esperando que o mundo mude para que não precise abrir mão do conforto.

Tais pessoas comportam-se exatamente como uma população que bovinamente aceita os desmandos de um governo autoritário esperando que algum “salvador da pátria” a liberte.

Você é assim?

Valoriza tanto o conforto e a paz (sem voz) que topa jogar sua liberdade no lixo para não precisar entrar em conflito com ninguém?


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Quanto mais baixa for sua autoestima, mais facilmente você se sentirá ofendido.

Nem sempre nos sentimos afetados quando pessoas dizem coisas negativas a nosso respeito.

Às vezes um insulto ou feedback depreciativo entram por um ouvido e saem pelo outro.

Por outro lado, há momentos em que uma fala ofensiva ou aviltante não sai da nossa cabeça.

Não conseguimos esquecê-la ainda que tenhamos reagido de alguma forma ao outro ou consideremos injusta a ofensa recebida.

Por que isso acontece?

Por que não damos bola para certos insultos e não conseguimos parar de pensar em outros?

Minha hipótese, corroborada pela experiência clínica, é a de que só ficamos “mexidos”, impactados, afetados por uma ofensa quando “a carapuça serve”.

Com isso não estou dizendo que o feedback negativo só nos incomoda quando é verdadeiro.

Por exemplo: você pode ser objetivamente uma excelente profissional e ter ouvido de um cliente irritado que seu trabalho é horrível.

Muito provavelmente essa reação lhe trará apenas um leve incômodo (afinal, ninguém é de ferro, né?) se você estiver CONVENCIDA de sua competência.

Por outro lado, se você, apesar de executar o trabalho com maestria, nutrir interiormente dúvidas acerca de sua capacidade, é bem provável que passe dias e dias repassando mentalmente o feedback negativo do cliente.

Percebeu o que acontece?

Quando aquilo que uma pessoa diz a nosso respeito vai ao encontro de coisas que a gente já pensa sobre si mesmo, a fala do outro nos afeta muito mais.

É por isso que pessoas que possuem baixa autoestima, ou seja, que já costumam avaliar a si mesmas de modo extremamente pejorativo, tendem a se sentir ofendidas com mais facilidade.

Do ponto de vista metapsicológico, podemos dizer que a fala depreciativa do outro está alinhada com aquilo que o superego do indivíduo já diz para ele o dia inteiro.

Assim, mesmo sabendo racionalmente que não é incompetente, a pessoa se sente excessivamente incomodada com o insulto do cliente.

Com efeito, tal feedback se encaixa perfeitamente na visão distorcida que ela tem de si mesma.

Por outro lado, quem tem a sorte de não sofrer com um superego tão tirânico e sádico ouve a ofensa e a experimenta tão-somente como um leve tiro de raspão em seu narcisismo.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Onde está o seu tesouro, aí também está o seu medo

O que mais valorizamos e apreciamos é também, naturalmente, aquilo que mais tememos perder. Assim quem morre de medo de passar vergonha é porque valoriza excessivamente a própria imagem.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Entenda a relação do obsessivo e da histérica com o desejo do Outro

Neste vídeo: conheça a estrutura das fantasias com as quais o sujeito responde ao desejo do Outro na histeria e na neurose obsessiva.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Por que é tão difícil fazer associação livre?

Freud estabeleceu que, no tratamento psicanalítico, o paciente deve falar tudo o que lhe vier à cabeça durante as sessões.

No entanto, a verdade, constatável por qualquer analista sincero, é que são raríssimos os pacientes que efetivamente fazem associação livre.

A maioria seleciona mais ou menos cuidadosamente o que fala, mesmo sob protestos reiterados do terapeuta para que isso não aconteça.

Sem falar naqueles que trazem para as sessões uma “pauta” anotada no papel ou no celular.

Não sou desses que proíbe o paciente de trazer essas notas ou que lhe dá uma bronca por não fazer a associação livre.

Por influência do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi, entendo que o analista que age assim converte-se automaticamente na encarnação de uma figura parental excessivamente dura e severa.

Por outro lado, é interessante refletir sobre os motivos pelos quais é tão difícil para a imensa maioria dos pacientes fazer a associação livre.

Qualquer pessoa que já tenha feito a experiência de simplesmente verbalizar o fluxo de ideias que passam por sua cabeça sabe que o resultado não é lá muito agradável.

Inevitavelmente você acaba falando coisas que jamais imaginou que sairiam de sua boca.

Isso evidencia aquilo que o Lacan chamou, em certo momento, de “a realidade do discurso em sua autonomia”.

O exercício da associação livre nos faz perceber que as palavras parecem ter vida própria e que basta retirar temporariamente a censura egoica de cena para que elas manifestem sua autonomia.

Ao verbalizarmos tudo o que vem à nossa cabeça, nos damos conta de que, apesar de falarmos, somos, na verdade, muito mais FALADOS.

Essa constatação provoca ansiedade, pois faz com que o Eu se sinta ameaçado pelo fluxo autônomo das ideias.

Dá medo, né?

Afinal, sabe-se lá o que sairá de nossas bocas…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O psicanalista é abstinente, mas não insensível.

Na Psicanálise normalmente não dizemos para o paciente o que ele deveria fazer para resolver seus problemas emocionais.

Esse é um dos aspectos que diferenciam radicalmente a terapia psicanalítica de outras formas de tratamento nas quais o terapeuta orienta o paciente numa certa direção.

Na Psicanálise não tem dica, não tem exercício, não tem lição de casa.

A única coisa que um analista pede ao paciente e que fale da forma mais sincera, franca e espontânea que puder durante as sessões.

Essa postura passiva, que se abstém de usar a força do vínculo terapêutico para interferir na vida do paciente, é muitas vezes confundida com INSENSIBILIDADE.

Eventualmente, por exemplo, um analista pode receber no consultório uma paciente cujo sofrimento está diretamente vinculado aos abusos psicológicos que ela sofre por parte do marido.

Os pais e as amigas dessa paciente podem já ter dito a ela diversas vezes que deveria se separar, mas essa mulher jamais ouvirá da boca de seu analista um conselho semelhante.

Não porque o analista seja insensível e não esteja nem aí para o sofrimento da paciente.

De forma alguma!

O bom analista acolherá esse sofrimento, escutando com genuína atenção e interesse cada pequeno detalhe do discurso dela.

Mais do que isso: ele se esforçará para deixar claro, por meio de sua postura e tom de voz, que é verdadeiramente sensível à dor dela.

Todavia, em nenhum momento essa pobre mulher ouvirá dele a recomendação de se separar nem qualquer outra sugestão sobre como supostamente deveria conduzir sua vida.

Por quê?

Vamos continuar essa conversa lá na Confraria Analítica?

Quem está na comunidade receberá ainda hoje uma aula especial sobre esse assunto.

Te encontro lá!


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Miniadultos: crianças que tiveram que lidar precocemente com problemas de gente grande

No texto “Desenvolvimento Emocional Primitivo”, que acabamos de estudar lá na Confraria, o psicanalista inglês Donald Winnicott diz o seguinte:

“É especialmente no início que as mães são vitalmente importantes, e de fato é tarefa da mãe proteger o seu bebê de complicações que ele ainda não pode entender, dando-lhe continuamente aquele pedacinho simplificado do mundo que ele, através dela, passa a conhecer”.

Neste parágrafo, Winnicott está se referindo especificamente ao bebê, mas o princípio que está presente em sua formulação vale para a criança de qualquer idade.

O que o autor está dizendo é que os pais precisam ir introduzindo seus filhos na realidade AOS POUCOS, respeitando o grau de amadurecimento deles.

Como consta explicitamente no texto, os pequenos precisam ser protegidos de situações que ainda não dão conta de entender.

É por isso que os pais devem evitar a todo custo, por exemplo, ter discussões de relacionamento na frente de seus filhos ou, pior ainda, ficar comentando com as crianças sobre os problemas conjugais que vivenciam.

Os pequenos ainda não estão preparados para lidar com PROBLEMAS DE ADULTOS.

É preciso blindá-los.

Afinal, eles terão muuuuuito tempo no futuro para enfrentarem os desafios da vida adulta.

Quando a criança é forçado pelo ambiente a lidar com problemas de gente grande, ela é obrigada a criar uma falsa personalidade artificialmente amadurecida.

Com efeito, para dar conta de situações que ainda não tem maturidade suficiente para entender, ela precisa abandonar o curso natural do desenvolvimento infantil, tornando-se um “miniadulto”.

Crianças que tiveram o azar de passar por isso tornam-se extremamente compreensivas, passivas e obedientes.
São as famosas crianças “que não dão trabalho”.

É claro! Elas precisaram trocar a espontaneidade disruptiva da infância para se adaptarem precocemente às complicações do mundo adulto.

Na terapia isso fica evidente: o paciente que passou por esse processo quando criança está sempre procurando “não dar trabalho” para o analista.

É como se estivesse o tempo todo dizendo para o terapeuta: “Não precisa cuidar de mim. Eu já sei tudo o que está acontecendo e o que preciso mudar. Deixa comigo!”.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”