Errar é humano. Persistir no erro… é mais humano ainda.

É importante começar esta reflexão esclarecendo que, ao usar a palavra “erro”, não estou adotando uma perspectiva moral. Ou seja, erro aqui não significa um comportamento que desvia de uma determinada norma de conduta.

Estou chamando de erro qualquer ação que é de responsabilidade nossa, mas que nos faz sofrer e que gostaríamos de não mais praticar.

Por exemplo: continuar mantendo contato com uma pessoa de quem você não gosta, comer em excesso, ter um “flashback” com o ex-namorado, perder a cabeça numa discussão etc.

Quem faz essas coisas sabe que elas provocam sofrimento, se arrepende, mas não consegue deixar de fazê-las. Após algum tempo, está lá a pessoa de novo repetindo o que ela mesma considera um erro.

Isso acontece com muita gente — para não dizer com todo o mundo.

Mas por que acontece?

Por que persistir no erro é tão humano?

As razões podem ser as mais variadas:

Você pode ter um medo infantil de ser retaliado se não mantiver contato com a pessoa de quem não gosta.

Pode comer em excesso porque a comida se tornou uma das poucas fontes de prazer na sua vida que, de modo geral, é um tanto insossa.

Você pode ter flashbacks com o ex porque deslocou para ele a esperança infantil de ser amada pelo seu pai.

Pode perder a cabeça com frequência porque tem uma autoimagem frágil demais para suportar qualquer manifestação de desrespeito.

Tudo isso parece muito clichê, eu sei, mas a vida é assim mesmo, meus amigos. A clínica o comprova todo santo dia.

Mas vamos voltar ao assunto.

Todas essas razões hipotéticas que eu formulei mostram que a repetição dos mesmos erros não acontece por acaso nem em função de uma suposto impulso autodestrutivo.

Ela acontece porque, a despeito do sofrimento, os erros proporcionam GANHOS para o sujeito: evitar o medo imaginário de ser retaliado, sentir prazer, renovar uma expectativa infantil, proteger uma autoimagem frágil.

Isso mostra que o erro é, ao mesmo tempo, um acerto.

É um erro do ponto de vista do seu bem-estar consciente. Mas é um acerto do ponto de vista de outra dimensão sua que não busca o bem-estar. Busca segurança, prazer, amor, respeito — ainda que essas coisas venham acompanhadas de sofrimento.

Na Psicanálise, nós ajudamos o paciente a reconhecer justamente isso: os ganhos que ele obtém ao persistir nos erros que o fazem sofrer.

Mas esse é só um primeiro passo.

Para parar de persistir no erro, o sujeito precisa se tornar capaz de não precisar mais dos ganhos.

O sujeito que mantém contato com a pessoa de quem não gosta precisa elaborar sua fantasia de retaliação a fim de dissolvê-la.

A pessoa que come em excesso precisa entender o que a levou a um modo de vida tão insosso a fim de se libertar para novas fontes de prazer.

A moça que volta e meia tem um flashback com o ex precisa elaborar sua relação com o pai a fim de poder finalmente renunciar ao amor dele.

O cara que perde a cabeça com frequência precisa fortalecer sua autoimagem para não se sentir tão facilmente ameaçado.

Enfim, é preciso tornar os erros desnecessários. Só assim é possível parar de persistir neles.


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Seus problemas emocionais não são infecções.

Tem muita gente que, sem perceber, encara seus problemas emocionais como infecções — e isso atrapalha muito o tratamento.

— Como assim “infecções”, Lucas?

Eu quero dizer que a pessoa olha para o seu excesso de ansiedade, por exemplo, como algo que simplesmente apareceu em seu vida e que não tem nada a ver com sua história, suas relações, seus conflitos internos etc.

Não é dessa forma que a gente costuma encarar uma gripe ou uma pneumonia?

E por que nós pensamos que essas doenças não têm nada a ver com nossa subjetividade?

Porque sabemos que, no fim das contas, elas decorrem de uma… infecção, ou seja, da ação de determinados microrganismos em nosso corpo.

É claro que fatores emocionais podem afetar a imunidade, mas o fato é que tais doenças não se desenvolvem sem a ação desses patógenos.

Problemas emocionais são fenômenos essencialmente diferentes.

Embora muitos deles uma forte base neurobiológica, eles não são causados por agentes que invadem nosso psiquismo.

Eles se desenvolvem em nós. E se desenvolvem articulados a uma história, a um conjunto de relações e muitos acabam exercendo uma função muito importante na nossa vida.

De fato, frequentemente nossos sintomas funcionam como soluções que nós inconscientemente encontramos para lidar com angústias insuportáveis.

Quando você olha para sua depressão, seu transtorno de ansiedade ou sua compulsão como uma infecção, você tende a pensar que a mudança é um processo que vai acontecer exclusivamente de fora para dentro (como tomar um antibiótico).

É óbvio que, eventualmente, a medicação pode ser um componente fundamental no tratamento de problemas emocionais.

Porém, se o sintoma estiver funcionando como uma solução psíquica, o tratamento exigirá uma abordagem mais complexa do que somente a prescrição de remédios.

O paciente precisa descobrir quais são suas angústias insuportáveis e ampliar sua capacidade de reconhecer, suportar e elaborar essas angústias para conseguir enfrentá-las sem precisar recorrer ao sintoma.

E é exatamente isso o que acontece numa boa psicoterapia, especialmente na Psicanálise.

Em alguns casos, são justamente os medicamentos que permitem que o paciente possa suportar esse processo. Mas atravessá-lo é indispensável.

E a gente só consegue entender isso se não olhamos para nossos problemas emocionais como infecções…


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Você se oferece como objeto para a agressividade do outro?

Você pode ter aprendido quando criança que a agressividade é essencialmente ruim ou perigosa.

E isso pode ter acontecido por uma série de fatores.

Por exemplo: você pode ter tido um pai ou uma mãe que eram excessivamente agressivos e lhe faziam sentir medo.

Ou pode ter sofrido severas ameaças e punições nas poucas vezes em que expressou agressividade.

Situações como essas podem te levar a olhar para a própria agressividade como algo que não deve fazer parte da sua vida.

O problema é que não dá para viver sem agressividade.

Por isso, já que você tem medo de se apropriar dela, ela acabará vazando em sua vida — de uma forma ou de outra.

Uma forma muito comum de “vazamento” é o que Freud chamou de “reversão”: em vez de usar a agressividade, você, inconscientemente, convoca outra pessoa para usá-la com você.

Essa “convocação” pode acontecer por meio da escolha de uma pessoa excessivamente agressiva para se relacionar ou da indução de agressividade em alguém que nem é naturalmente muito agressivo.

Dessa forma, a agressividade se presentifica na sua vida só de que maneira invertida: não é você que a manifesta; é o outro que a manifesta no seu lugar.

— Nossa, Lucas, isso parece masoquismo, não?

Sim. E não é por acaso. Deixa eu te explicar.

Na cabeça do sujeito que foi levado a ver a agressividade com maus olhos, ela passou a ser sinônimo de sadismo, ou seja, de um impulso que busca intencionalmente a destruição ou o sofrimento do outro.

Por isso, quando a agressividade vaza por meio da reversão, o sujeito não busca alguém que a vive de forma integrada e saudável. Não. Ele busca um… sádico! (Ou induz seu parceiro a agir de forma sádica).

Consequentemente, a posição que o sujeito passa a ocupar é uma posição… masoquista.

Esse é um fenômeno muito comum em relações tóxicas e ajuda a entender porque algumas pessoas não conseguem sair dessas relações.

Às vezes, quem olha de fora até chega a pensar:

“Caramba! Essa mulher parece que gosta de sofrer! Olha como o marido a trata mal…”

Não é que a pessoa gosta de sofrer no sentido de que ela obtém prazer em ser xingada e humilhada por seu marido.

É que, talvez, essa seja a única forma que ela encontrou de permitir a presença da agressividade em sua vida: sendo objeto do sadismo alheio…


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A homofobia como formação reativa

Se tem uma coisa que a gente ama na vida é nossa autoimagem.

Não, não estou falando da imagem que você vê no espelho. Dessa, você até pode não gostar muito. Estou me referindo à ideia que você faz de si mesmo, ou seja, da resposta que você daria para a pergunta “Como eu sou?”.

A gente tem um apego danado a essa ideia.

E não é por acaso: sem uma noção suficientemente coesa de como nós somos, ficaríamos perdidos, desorientados, angustiados.

Essa, inclusive, é justamente a experiência emocional vivenciada por pessoas que sofrem de problemas na estabilização da autoimagem.

No entanto, todos nós temos diversos aspectos que ficam de fora da composição da nossa autoimagem: desejos, pensamentos, crenças, sentimentos.

E por que ficam de fora?

Porque são elementos que nós consideramos incompatíveis com a autoimagem. Elementos que, se fossem incorporados a ela, comprometeriam sua estabilidade e demandariam uma reorganização.

Então, por amor à autoimagem, a gente finge que não vê esses aspectos incompatíveis e emprega defesas para evitar que eles fiquem nos perturbando e chamando a nossa atenção.

Uma dessas defesas é a formação reativa. Ela consiste em desenvolver uma atitude alinhada à autoimagem e oposta a um determinado elemento incompatível.

Exemplo clássico: um sujeito que se vê como heterossexual, mas possui desejos por pessoas do mesmo sexo.

A admissão desses desejos implicaria numa reorganização significativa da autoimagem dessa pessoa. Ela precisaria passar a se ver não mais como hetero, mas como bissexual.

Para muita gente, essa transformação não seria um problema, mas, para o sujeito do exemplo, sim. Por razões ligadas à história de vida dele, a ideia de ser hetero ocupa um lugar central em sua autoimagem.

Por isso, ele precisa se defender dos desejos homossexuais que possui e que insistem em chamar sua atenção.

Se ele utilizar a formação reativa, o resultado pode ser uma atitude homofóbica, ou seja, uma postura de aversão e repúdio à homossexualidade.

É como se, inconscientemente, o sujeito pensasse: “A prova de que sou 100% heterossexual e que, portanto, nenhum desejo por pessoas do mesmo sexo existe em mim, é que eu tenho aversão à homossexualidade e repudio o comportamento homossexual.”

Isso não significa que a formação reativa seja o único fator responsável pela homofobia ou que todo homofóbico se defenda de desejos homossexuais que não consegue reconhecer em si mesmo.

A moral da história é que o amor que a gente tem pela autoimagem nos leva a odiar os elementos que, apesar de estarem em nós, não cabem nela. E aí, no esforço para defender a autoimagem da invasão desses elementos incompatíveis, a gente pode acabar odiando o que está fora de nós, mas nos lembra que eles existem.

— Tem como mudar isso, Lucas?

Sim, existe um método que nos ajuda a reduzir esse apego excessivo que temos pela autoimagem e a perder o medo de reorganizá-la: chama-se… Psicanálise.


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Você tem jogado suas pérolas a porcos?

Um mestre judeu do primeiro século costumava orientar seus alunos a não atirarem pérolas a porcos porque estes, em vez de admirá-las, as pisariam.

Evidentemente, o sábio estava falando em sentido figurado — até porque a maioria dos seus alunos não tinha dinheiro para comprar uma pérola sequer.

Portanto, naquele contexto, a joia estava sendo utilizada como metáfora de algo muito valioso.

O conselho do mestre tinha por objetivo mostrar que algo que os alunos consideravam muito valioso poderia ser completamente desprezado por gente incapaz de reconhecer seu valor (os porcos).

Por isso, eles deveriam escolher com muito cuidado as pessoas com as quais compartilhariam suas “pérolas”.

Esta é, de fato, uma sábia advertência.

De vez em quando eu ouço pacientes dizendo que tentam conversar com familiares ou cônjuges em momentos de angústia e acabam saindo da conversa num estado emocional pior ainda.

Isso acontece porque, na maioria das vezes, o interlocutor em questão fica querendo enfiar conselhos simplórios goela abaixo do paciente ou diz que a pessoa não tem motivos para se sentir daquela forma, que é só ela pensar de outro jeito.

Ou seja, o interlocutor, em vez de acolher a expressão de angústia do paciente e tentar ajudá-lo de forma empática e sensível, faz com que o sujeito se sinta errado.

Nesses casos, o familiar ou cônjuge faz isso por ser uma pessoa má e insensível?

Provavelmente, não. Eles geralmente adotam essa postura invalidadora porque não estão preparados para lidar com aquela angústia.

Muitos, inclusive, se sentem, eles mesmos, angustiados nessa situação e acabam soltando conselhos simplórios justamente para se aliviarem.

Em outras palavras, para as pérolas de angústia que o paciente está compartilhando, eles são… porcos.

Eu sei que o ideal seria a gente ter familiares e cônjuges que soubessem acolher nossas angústias, mas, infelizmente, isso nem sempre acontece.

Você pode estar até satisfeita com seu casamento, por exemplo, mas ter um marido com quem não pode contar para desabafar e falar sobre suas questões emocionais. Com efeito, se fizer isso, ele logo começará a te dar sermão, em vez de simplesmente te ouvir.

Neste sentido, talvez seja melhor obedecer ao conselho do mestre judeu e deixar para compartilhar suas pérolas de angústia apenas com quem saberá dar a elas o devido valor.

Pode ser uma amiga, outro familiar ou, quem sabe, um bom analista.


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Você teve alguma necessidade emocional não atendida?

Todos nós temos necessidades emocionais que precisam ser atendidas na infância para que conquistemos funções psíquicas fundamentais.

Sim, estou falando de necessidades mesmo, não de desejos ou impulsos. Necessidades.

Trata-se de coisas que são tão indispensáveis para a saúde psíquica básica quanto a alimentação é indispensável para a sobrevivência.

Você me verá utilizar o termo “suficientemente” diversas vezes, inspirado em Winnicott, para deixar claro que essas necessidades não precisam (e nem podem) ser satisfeitas de modo perfeito. Elas só devem ser suficientemente bem atendidas.

É possível identificar as necessidades emocionais atendendo pacientes que não tiveram algumas delas suficientementebem atendidas.

Com efeito, parte do sofrimento dessas pessoas se deve justamente ao fato de não terem desenvolvido suficientemente bem as funções psíquicas que dependem das necessidades emocionais.

— Lucas, tá muito abstrato. Me dá um exemplo!

Claro! Vamos lá:

Todos nós temos a necessidade delimite. Essa talvez não seja a melhor forma de nomear essa necessidade e talvez um dia eu escreva um texto mais acadêmico e invente um nome pomposo para ela.

Mas a ideia é muito simples: nós não nascemos com a capacidade inata de frear nossos impulsos e regular nosso próprio comportamento. A gente aprende a fazer isso internalizando um movimento de limitação e restrição que, inicialmente, é feito pelos adultos que cuidam de nós.

Ou seja, para que eu desenvolva suficientementebem essa capacidade de autocontrole ou autorregulação (como a gente diz hoje em dia), eu preciso que minha necessidade emocional de limite tenha sido suficientementebem atendida. Só assim o processo de internalização será suficientementebem sucedido.

Outro exemplo: a necessidade de reconhecimento.

Tem gente que passa a vida inteira ansiando por aplausos e pelo olhar de admiração de outras pessoas porque não desenvolveu suficientemente bem a capacidade de se admirar e reconhecer o próprio valor.

Ora, você concorda comigo que essa é uma função indispensável para a saúde psíquica?

Mas por que essas pessoas não conseguiram desenvolvê-la suficientemente bem?

Justamente por que sua necessidade de reconhecimento não foi suficientemente bem atendida na infância.

Para usar uma expressão que Freud consagra no texto sobre o narcisismo, são pessoas que, infelizmente, não foram tratadas como “sua majestade o bebê”.

Elas podem até ter sido bem alimentadas, bem cuidadas, mas não foram suficientemente reconhecidas e admiradas — como toda criança precisa ser.

A insuficiência de certas funções psíquicas fundamentais leva o sujeito a buscar compensações para tentar suprir aquilo de que foi privado na infância.

Como eu disse, a dificuldade de se aplaudir internamente e se valorizar pode levar a pessoa a buscar com uma avidez doentia o reconhecimento do outro e a se sentir extremamente angustiada quando não consegue isso.

Eu acredito que muitos influenciadores e famosos em geral provavelmente sofrem desse problema.

Da mesma forma, a dificuldade de se regular ocasionada pelo não atendimento da necessidade de limite na infância pode levar o sujeito a se tornar excessivamente contido, retraído, reprimido, pois ele suspeita (com razão) que terá dificuldades para se controlar se porventura relaxar.

Agora me diga você. Depois de ler este texto e pensar sobre sua história, você acha que alguma necessidade emocional não foi suficientemente bem atendida? Conta aqui nos comentários.


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Quais ideais te governam sem que você perceba?

Tem muita coisa que a gente descobre fazendo análise.

E descobre no sentido mais literal da palavra: são coisas que estavam encobertas e a gente as des-cobre.

Descobrimos desejos, medos, fantasias e também… ideais.

Isso mesmo: fazendo análise a gente descobre imagens idealizadas que queremos encarnar.

A mulher abnegada, sem vaidade, completamente desinteressada, que está sempre se sacrificando pelos outros.

O homem 100% firme, seguro, dominante, pegador.

São apenas dois exemplos comuns. Nossos ideais podem ser os mais variados.

Há quem possua o ideal de ser uma pessoa absolutamente independente, que não precisa da ajuda de ninguém.

Fazendo análise, a gente não só descobre a existência dos ideais, mas também percebe o quanto influenciaram e continuam influenciando nossas vidas.

O ideal da mulher abnegada pode fazer você se sentir culpada por usufruir de benefícios que outros pessoas não têm.

Mais do que isso: pode fazer você se sabotar e evitar esses benefícios para não sentir a dor da culpa.

O ideal do homem pegador pode fazer você destruir um relacionamento de muitos anos por achar que ficar com uma única mulher é ser menos homem.

Mais do que isso: pode fazer com que você sequer consiga permanecer em um relacionamento por mais do que alguns meses.

Como se formam esses ideais?

Eles são respostas.

Respostas que nós construímos para uma pergunta que nossa condição humana nos obriga a fazer desde o início da vida:

Que pessoa eu devo ser?

Questão incômoda para a qual construímos respostas com a ajuda de nossos pais, da sociedade e da cultura, já que a natureza não nos presenteou com respostas inatas.

Por um lado isso é bom porque não somos obrigados a nos conformar a um destino genético que não poderíamos mudar.

Por outro, essa “liberdade” nos torna vulneráveis a construir ideais que podem ser fonte de muito sofrimento — como os exemplos que eu citei.

A boa notícia é que, fazendo análise, a gente não só descobre os ideais e percebe a força deles, mas também adquire a capacidade de criticá-los, contestá-los e, eventualmente… abandoná-los.


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Sua vida tem mais “gostinho de quero mais” ou mais coisas que “deixam a desejar”?

Eu começo a reflexão de hoje sem saber exatamente onde ela vai desembocar. Só sei o seu ponto de partida: a expressão popular “deixar a desejar”.

Provavelmente você já a utilizou diversas vezes. Talvez, após a estreia do Brasil na Copa, muitas pessoas tenham pensado:

“É, hoje a Seleção deixou a desejar.”

Não sei se você já parou para pensar nisso, mas essa é uma expressão meio paradoxal. Ela é utilizada para expressar uma lamentação, mas, ao mesmo tempo, contém um elemento que nós geralmente consideramos positivo: o desejo.

Afinal, a gente gosta de desejar — e de ser desejado, claro.

Então, por que não vemos com bons olhos alguém ou algo que “deixa a desejar”?

A resposta talvez esteja no reconhecimento de duas modalidades de desejo: um que se dá em face da limitação e outro que é efeito da frustração.

No primeiro caso, a gente deseja porque o contato com o objeto é tão prazeroso que nos faz querer continuar em contato com ele. Porém, em função de alguma limitação física ou temporal, esse contato precisa ser interrompido.

É o que acontece quando você passa horas com uma pessoa e lamenta ter que se despedir dela ou quando come um prato delicioso e sofre ao dar a última garfada.

Nessas situações, não dizemos que a pessoa ou a comida “deixaram a desejar”. Em vez disso, é mais provável dizermos que elas deixaram um “gostinho de quero mais”.

Esse “gostinho” é um sentimento paradoxal, uma mistura de prazer e dor. Estamos sofrendo pela perda do contato com o objeto, mas, ao mesmo tempo, felizes pelo tempo que passamos com ele e desejando revê-lo.

Por outro lado, no “deixar a desejar”, parece haver só sofrimento. E isso decorre do que vem antes: a expectativa que acompanha o contato com o objeto.

Se achamos que a Seleção deixou a desejar na estreia da Copa é porque não queríamos apenas ver o Brasil jogar. Queríamos a vitória.

Nesse caso, o desejo resultante não está voltado para o futuro, não é o de rever a Seleção. É o desejo pelo que não aconteceu, pelo que não existiu.

A distinção entre essas duas modalidades de desejo me leva a pensar que, talvez, dois dos ingredientes de uma vida boa (no sentido filosófico do termo) sejam:

A busca consciente por experiências que proporcionem “gostinho de quero mais” e um esforço também deliberado de evitar a sensação de que algo ou alguém nos “deixou a desejar”.

O primeiro depende de um refinamento da capacidade de reconhecer do que verdadeiramente gostamos. Já o segundo passa por evitarmos nutrir expectativas em excesso.

Agora me diga: como tem sido sua vida?

Ela tem mais momentos que deixam gostinho de quero mais ou mais coisas que deixam a desejar?


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Você espera que o outro mude para não questionar o seu próprio desejo

Quando a gente está lidando com uma pessoa difícil, cujo modo de ser frequentemente nos perturba, é fundamental desenvolver a capacidade de aceitar que não iremos mudá-la e que, talvez, ela nunca mude.

Essa aceitação não significa “passar a mão na cabeça da pessoa” ou “passar pano” para o modo como ela se comporta.

Não significa dizer: “Tadinha, ela é assim por causa de X, Y, Z. A gente precisa tolerar. Ela não faz por mal.”

Também não significa bancar a Pollyana e apelar para o jogo do contente: “Vamos ver pelo lado bom. Pelo menos, ela tem tais e tais qualidades.”

Aceitar significa não tapar o sol com a peneira.

Significa ser capaz de dizer: “Essa pessoa é difícil mesmo, é complicado conviver com ela e provavelmente nunca vai mudar. Logo, se desejo continuar me relacionando com ela, precisarei me adaptar encontrando estratégias para tornar a convivência menos sofrida para mim mesmo.”

Por que é tão difícil viver esse pensamento?

Justamente por conta da segunda parte dele:

“Logo, se desejo continuar me relacionando com ela, precisarei me adaptar encontrando estratégias para tornar a convivência menos sofrida para mim mesmo.”

Ou seja, na hora em que eu decido aceitar que a pessoa é do jeito que é e não vai mudar, a “batata quente” da situação passa a estar nas minhas mãos.

Agora, sou eu que preciso decidir se quero ou não quero continuar me relacionando com ela e assumir as consequências.

Nesse sentido, a crença ilusória de que eu posso mudar a pessoa ou de que, em algum momento, ela vai espontaneamente mudar, me mantém na posição confortável de não precisar fazer nada.

“Eu não preciso me adaptar para sofrer menos porque um dia a pessoa vai mudar.”

“Eu não preciso romper relações com a pessoa porque uma hora ela vai mudar.”

Em outras palavras, a não aceitação da pessoa difícil é um álibi que a gente usa para não questionar o nosso próprio desejo de continuar vivendo com ela.

Na Psicanálise, quando estamos trabalhando com um paciente que se queixa de um pai, de uma mãe, de um cônjuge difícil, é muito importante ajudá-lo a perceber esse álibi e enfrentá-lo.

Nas entrelinhas, é como se a gente dissesse ao sujeito:

“Ok, seu pai, sua mãe ou seu cônjuge é assim. Você não tem controle sobre o jeito de ser dessa pessoa. Então, a batata quente está nas suas mãos: o que você deseja?”


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A gente superestima a força de vontade e subestima a força do processo

Muitos acidentes de carro acontecem porque alguns motoristas usam o celular enquanto dirigem, certo?

Mais ou menos.

Esses acidentes ocorrem fundamentalmente porque alguns motoristas acreditam que são capazes de fazer as duas coisas ao mesmo tempo: dirigir e mexer no telefone.

Ou seja, os acidentes acontecem por conta de um processo psíquico muito comum: a superestimação da própria capacidade.

O cara se ilude pensando: “Ah, tá tranquilo: não preciso estacionar o carro para responder essa mensagem. É rapidinho.”

Mas não são só motoristas imprudentes que caem nessa armadilha de superestimar a própria capacidade.

Talvez você, que jamais mexe no celular enquanto está dirigindo, esteja neste exato momento envolta na mesma ilusão.

De repente você tem se sentido frequentemente triste, desanimada, abatida. Vem comendo em excesso, tendo crises de choro do nada. Desperdiça horas e horas do seu dia vendo vídeos curtos em redes sociais…

Porém, todo fim de semana pensa:

“Se eu quiser, posso mudar esse jogo. Basta ter força de vontade. Segunda-feira vou voltar à academia e tudo vai mudar.”

Não, minha cara. Não vai.

Você está tão iludida quanto o cara que bateu no carro da frente por achar que conseguiria dirigir e mandar mensagem ao mesmo tempo.

E sabe por que você embarca facilmente nessa ilusão?

Por razões narcísicas: é doloroso reconhecer que a gente não tem tanto controle sobre nosso comportamento.

Pensar que você vai sair de um quadro depressivo simplesmente tomando a decisão de voltar para a academia na segunda-feira preserva a imagem idealizada que você tem de si mesma.

O problema é que sua saúde (física e psíquica) não está nem aí para sua autoimagem idealizada.

— Ah, Lucas, mas, então, o que eu deveria fazer?

Como se diz no futebol, você precisa confiar no processo…

Você e o cara que dirige mexendo no celular.

A orientação dos especialistas em trânsito é inequívoca: em hipótese alguma utilize o telefone enquanto está dirigindo. O Código de Trânsito Brasileiro considera infração gravíssima fazer isso.

Da mesma forma, a orientação dos especialistas em saúde mental (como eu, por exemplo) também é clara: se você está vivenciando sofrimento psíquico significativo, inicie um tratamento com um profissional.

Sim, um tra-ta-men-to. Não é ficar assistindo videozinho de influencer nem fazendo cursinho de coach.

Eu tô falando de fazer terapia e, eventualmente, com a devida avaliação médica, tomar remédio.

— Ah, Lucas, mas, fazendo isso, a mudança que eu estou buscando pode levar muito tempo!

Sim, não necessariamente será rápido.

Mas confie no processo.

Ele é muito mais confiável do que sua força de vontade — que aparece na segunda-feira e na terça já foi embora.


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Eles estão fazendo milhões explorando sua vulnerabilidade e sua ingenuidade

Eles prometem que você será capaz de transformar radicalmente sua vida.

Que essa vida será “épica”.

Que você ganhará muito dinheiro.

Que terá o relacionamento dos sonhos.

Tudo o que você precisa fazer é pagar alguns milhares de reais para eles e… mudar sua “mentalidade”.

Por “mentalidade” leia-se: sua forma consciente de pensar.

As fórmulas são simples:

Você, mulher, até hoje não teve um bom relacionamento porque tem uma mentalidade (ou “energia”) masculina. Então, se mudar sua mentalidade para feminina, atrairá homens com “mentalidade masculina”, selecionará um deles e serão felizes para sempre.

Se você até hoje não ficou rico, é simplesmente porque tem “mentalidade de escassez”. Se mudar sua forma de pensar para uma “mentalidade de abundância”, voilà, o dinheiro virá magicamente até você.

Você ainda não tem uma vida épica porque tem uma mentalidade de “não permissão”. Mudando essa mentalidade, naturalmente encontrará o caminho para uma vida plena — e instagramável…

Sim, meus caros, o trem é tosco assim mesmo.

Mas atrai um monte de gente ingênua e vulnerável.

A ingenuidade está em achar que as decisões que tomamos na vida resultam simplesmente de uma suposta mentalidade.

O velho Freud já dizia: “O Eu não é o senhor em sua própria casa”.

Não adianta achar que, pensando conscientemente de forma diferente, você será capaz de mudar radicalmente sua vida.

Não vai.

Existem múltiplos fatores em você e fora de você que controlam seu comportamento sem que você perceba.

Marcas de sua história de vida, medos, defesas, fantasias, circunstâncias sociais, econômicas, culturais etc.

Tudo isso te afeta, te condiciona, eventualmente te determina, enquanto você fica aí, todo pimpão, achando que manda e desmanda na própria vida.

Esses coaches sabem disso?

Claro que sabem — embora alguns talvez não saibam que sabem…

Falei da ingenuidade. Agora, quero fechar falando da vulnerabilidade.

As pessoas que compram os cursos, “formações” (sic) e mentorias dessa galera via de regra são indivíduos em situação de vulnerabilidade emocional.

Pessoas cansadas de relacionamentos insatisfatórios.

Pessoas passando por dificuldades financeiras.

Pessoas com baixa autoestima.

Pessoas ansiosas.

Pessoas atravessando lutos complicados.

Frequentemente, portanto, pessoas que precisariam de cuidado sério em saúde mental.

Infelizmente, por estarem vulneráveis psicologicamente, elas são mais facilmente atraídas pelas promessas ilusórias desses coaches.

Para quem está se afogando, jacaré é tronco…

O que fazer?

Sinceramente, eu não sei.

Sonho com um futuro em que tais oportunistas e suas respectivas práticas serão relegados ao ostracismo público.

Mas, talvez, nesse caso, o ingênuo seja eu.


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Talvez você procrastine tanto porque não se sente autorizado a desejar.

Deixa eu te explicar essa hipótese:

Há pessoas que, na infância, por n razões, não sentiam que seu desejo era suficientemente validado e autorizado.

Uso aqui a palavra “desejo” num sentido amplo: aquelas inclinações, vontades e movimentos espontâneos que brotam da própria pessoa.

Uma menina, por exemplo, pode se inclinar naturalmente, desde muito pequena, para brincadeiras que, tradicionalmente, na nossa cultura, são categorizadas como “brincadeiras de menino”.

Por n razões, os pais dessa menina podem considerar que esse desejo deve ser coibido, passando a estimular ou mesmo forçar a filha a se envolver com “brincadeiras de menina”.

Ao fazerem isso, esses pais podem não só levar a garota a reprimir sua inclinação por brincadeiras de menino.

Eles podem estar contribuindo para algo mais profundo e adoecedor: essa menina pode desenvolver a ideia de que suas inclinações espontâneas de forma geral (e não só a vontade específica de brincar com “coisas de menino”) são inválidas ou ruins.

Isso porque o desejo por brincadeiras de menino não é um elemento isolado da personalidade da garota. Ele está associado a vários outros aspectos e inclinações que podem ser igualmente desaprovados pelos pais.

Resultado: essa menina pode crescer acreditando inconscientemente que não tem autorização para realizar seus desejos espontâneos.

— Tá, mas onde entra a procrastinação nessa história, Lucas?

Veja: o que é procrastinar?

Procrastinar é adiar uma tarefa importante sem que esse adiamento seja realmente estratégico.

Ou seja, você deixa para depois não porque será melhor fazer a tarefa em outro momento, mas simplesmente porque sente uma espécie de bloqueio interno que te impede de botar a mão na massa naquela hora.

Ora, esse bloqueio interno pode ser justamente o medo inconsciente de se engajar em seu próprio desejo.

É como se, na hora em que você está lá, diante do computador, pronta para trabalhar em um projeto, viesse uma voz interna que te dissesse:

“Lembra que você aprendeu que tudo aquilo que vem de você é ruim, errado, inválido? Então… Nem vale a pena investir tempo e energia nesse projeto. Não vai dar certo.”

O problema é que essa “voz” age de modo inconsciente. Conscientemente, o que você experimenta é simplesmente uma vontade estranha de deixar para depois, mesmo sabendo que tem tempo suficiente para trabalhar no projeto naquele momento.

Que fique bem claro: o que eu acabo de dizer não vale para todos os casos de procrastinação.

É apenas uma hipótese.

Mas ela pode se aplicar ao seu caso.

Que tal pensar a respeito?


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Você conhece Robert Stolorow?

Para Freud, o analista deve se colocar diante do paciente na posição de espelho.

Para Lacan, na posição de semblante de objeto a.

Mas será que isso é mesmo possível?

Será que o analista consegue realmente não ocupar o lugar de sujeito na relação com o paciente?

Ou será que toda situação analítica envolve inevitavelmente a subjetividade de ambos?

Nós podemos fazer esse questionamento a partir das contribuições de Robert Stolorow, um psicanalista pouquíssimo conhecido aqui no Brasil, mas bastante influente nos EUA.

Stolorow desenvolveu uma perspectiva chamada “teoria dos sistemas intersubjetivos”, segundo a qual a experiência psíquica nunca existe isoladamente dentro de um indivíduo, mas sempre em contextos relacionais.

Eu acabei de publicar uma aula na Confraria Analítica fazendo uma introdução às principais ideias dele.

A aula já está disponível no módulo “Aulas Temáticas – Temas Variados”. Para assistir, é só se tornar membro da Confraria, a maior escola de teoria psicanalítica do Brasil.


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Por que Lacan disse que “o sujeito é feliz”?

No início da década de 1970, a televisão francesa decidiu fazer um programa sobre Lacan. Àquela altura, o autor já era conhecido fora da bolha psicanalítica.

O resultado foi o que chamaríamos hoje em dia de um “podcast”, em que Lacan responde perguntas formuladas por seu genro e herdeiro intelectual Jacques-Alain Miller. A gravação original pode ser encontrada facilmente na internet.

O texto da entrevista, que recebeu o título minimalista Televisão, consta atualmente na coletânea Outros Escritos, publicada no Brasil pela editora Jorge Zahar.

Em determinado momento da conversa, Lacan faz uma afirmação muito intrigante sobre a felicidade, que eu quero tomar como ponto de partida para algumas reflexões. Ele diz:

“O sujeito é feliz. Esta é até sua definição, já que ele só pode dever tudo ao acaso, à fortuna, em outras palavras, e que todo acaso lhe é bom para aquilo que o sustenta, ou seja, para que ele se repita.”

Isso está na página 525 dos Outros Escritos.

A primeira reação que muitas pessoas podem ter ao ler esse trecho é a estranheza:

“Como assim o sujeito é feliz? Que sujeito? O que eu mais vejo por aí são pessoas que não se sentem felizes. Elas estão enganadas?”.

Se Lacan fosse responder essa última pergunta em poucas palavras, talvez ele dissesse: “Sim e não”.

Então deixa eu te explicar:

Ao dizer que “o sujeito é feliz”, ele não está se referindo à pessoa tal como ela se percebe. Lacan está falando do sujeito do inconsciente, ou seja, de uma espécie de engrenagem psíquica que opera em você (e, ao mesmo tempo, é você), mas que você não reconhece como “Eu”.

Nesse sentido, ao dizer que “o sujeito é feliz”, Lacan está propondo que, embora você possa se sentir infeliz e se ver como uma pessoa infeliz, existe uma dimensão sua que está sempre feliz, mesmo no sofrimento.

Sabe por quê?

Porque essa engrenagem psíquica autônoma, que Lacan chama de sujeito do inconsciente (que é você — não se esqueça), possui determinados desejos (que você resiste a enxergar) e te leva a fazer de tudo para satisfazê-los.

É isso o que explica o fato de você não conseguir abandonar com facilidade seus sintomas, ou seja, aquelas coisas que você faz, não consegue deixar de fazer, mas te trazem muito sofrimento.

Por exemplo, digamos que um dos seus sintomas é o seu relacionamento. Você acha seu namorado um cara tóxico, vive reclamando dele, mas simplesmente não consegue terminar.

Veja: você não se sente feliz nesse namoro — o seu Eu não é feliz. Porém, se você não consegue terminar, isso é a prova de que uma “parte” sua encontra satisfação no relacionamento. Essa “parte” é justamente o sujeito do inconsciente.

Pode ser, por exemplo, que esse namorado, que você encontrou aparentemente por acaso (releia o trecho que eu citei) apresente características muito semelhantes à sua mãe, com quem você teve graves problemas quando era criança.

Permanecendo com ele, você, sem perceber, repete o cenário infantil e satisfaz o anseio de tentar mudar a sua mãe — desejo que você, também sem perceber, nunca abandonou.

Logo, enquanto Eu, você não se sente feliz, mas, enquanto sujeito — sujeito do inconsciente, lembre-se sempre — você é feliz.


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Como a teoria de Fonagy pode transformar sua escuta clínica

Paula fez cortes em seu braço após uma briga com o namorado.

Rafael tomou meia garrafa de vodca ao saber que foi demitido da empresa onde trabalhava.

Beatriz deu socos em si mesma após uma discussão com a mãe no WhatsApp.

O que essas pessoas têm em comum?

As três não conseguiram suportar o impacto emocional das situações que vivenciaram.

Elas precisaram fazer alguma coisa para se estabilizarem.

Faltou a elas, naquele momento, um recurso psíquico fundamental para a saúde mental — a mentalização.

Este conceito foi proposto por Peter Fonagy, um dos autores mais influentes da Psicanálise na atualidade.

Apesar de ser um dos pesquisadores em saúde mental mais respeitados do mundo, talvez você nunca tenha ouvido falar sobre ele.

É por isso que eu decidi fazer uma aula na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise, apresentando algumas das principais ideias do autor.

A aula já está disponível no módulo Aulas Temáticas – Temas Variados.

Para ter acesso a ela e a todo o nosso acervo de mais de 400 aulas (mais de 600 horas de conteúdo), seja meu aluno na Confraria.

Link: https://confrariaanalitica.com/


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