Elogio à turma do fundão

Não raro, obedientes trabalham para desobedientes.

Agora há pouco eu estava fazendo minha caminhada diária e ouvindo o episódio 17 do podcast “Os Sócios” em que os hosts @maluperini e @bruno_perini conversam com empreendedores @marcusmarquesoficial e @tallisgomes sobre gestão de negócios.

Em dado momento, eles comentaram o fato de que muitos empreendedores de sucesso não foram bons alunos na época da escola e geralmente faziam parte da famigerada “turma do fundão”.

Confesso que eu também já havia notado essa possível correlação e talvez consiga explicá-la por meio de alguns aprendizados que a clínica tem me proporcionado.

Quem me acompanha assiduamente sabe que há alguns meses identifiquei um padrão comportamental que ousei batizar de “SÍNDROME DO ALUNO NOTA 10”.

Trata-se de um conjunto de problemas emocionais vivenciados comumente por pessoas que sempre foram percebidas pelo seu entorno como alunos e filhos EXEMPLARES.

Excesso de autocobrança, passividade, submissão a demandas dos outros, dificuldade de dizer não e repressão da agressividade são alguns dos principais sintomas da síndrome do aluno nota 10.

Minha hipótese é a de que tais dificuldades são expressões de uma FIXAÇÃO NA POSIÇÃO DE ALUNO.

Com efeito, como um estudante precisa ser para que a educação tradicional o considere um bom aluno?

Ora, justamente: disciplinado, passivo, obediente, exigente consigo mesmo, bem-comportado e quieto.

Vamos combinar que a maioria dessas características não é lá muito favorável para quem quer empreender, né? Afinal, o empreendedor é justamente aquele que SE ARRISCA e DESAFIA o status quo.

O aluno nota 10 tem muitos ganhos narcísicos por ser o “certinho”: ele é amado por todos os professores e alçado à categoria de EXEMPLO para todos os colegas.

Isso é muito sedutor! Especialmente para aqueles que não se sentem suficientemente queridos em casa…

Já aqueles que fazem parte da “turma do fundão” não estão nem aí para o amor dos professores. Pelo contrário: eles gozam justamente com o menosprezo ao olhar dos docentes.

Por isso, acabam tendo mais coragem para viverem livres das amarras da obediência, da submissão e da passividade.

E você: era da turma dos certinhos ou da galera do fundão?


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A gente goza com corpos, mas também com palavras. E até com o sofrimento.

Seres humanos são movidos por impulsos.

Essa é a conclusão de Sigmund Freud.

E o que é um impulso (em alemão, língua nativa de Freud: Trieb)?

Todo o mundo sabe por experiência própria: é um estado mental de desejo produzido por uma excitação que nasce no corpo.

O impulso nos motiva a fazer alguma coisa para apaziguar essa excitação — temporariamente, afinal, uma característica fundamental dos impulsos é que eles sempre retornam.

fome, por exemplo, é um impulso. Trata-se de um estado psicológico induzido pela excitação desconfortável que o corpo produz quando ficamos algum tempo sem alimentação.

Temos também o impulso sexual, com o qual costumamos ter problemas, visto que a busca pela satisfação dele sofre uma forte regulação social, diferentemente do que acontece com a fome.

Nenhuma sociedade, por exemplo, estimula seus membros a ficarem anos e anos sem se alimentar, mas há diversos grupos que orientam seus adeptos a não fazerem sexo até estarem casados.

Quem está fora desses grupos não se encontra necessariamente numa situação melhor. Não existe sexualidade livre. A própria existência da sociedade exige a contenção do impulso sexual.

Imagine uma civilização na qual incesto e estupro fossem permitidos. Quanto tempo ela duraria?

Conter o impulso sexual não significa deixar de satisfazê-lo. Foi isso o que Freud descobriu — e que muita gente até hoje insiste em negar…Freud provou que o impulso sexual é tão forte que inconscientemente nós conseguimos satisfazê-lo APESAR de todas as regulações sociais.

Um monge, por exemplo, pode satisfazer seu impulso sexual de forma sublimada por meio da devoção e dos rituais presentes na mesma religião que o impede de transar.

Uma jovem pode dar vazão a seu desejo incestuoso pelo pai casando-se com um homem bem mais velho.

O CEO de uma grande empresa pode encontrar alívio para seu tesão sádico torturando a si mesmo com autocobranças e preocupações.

Enfim… O impulso sexual é plástico, flexível, resiliente, implacável…E aí, o que você pensa sobre essa descoberta de Freud?


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Narcisistas são pessoas feridas

“Que objeto lhes resta para amar senão eles mesmos?”

Esta é uma frase emblemática de André Green que se encontra logo nas primeiras páginas do prefácio à coletânea de artigos do autor “Narcisismo de vida, narcisismo de morte” (Escuta, 1988).

Ao enunciar essa pergunta retórica, Green está se referindo ao narcisismo como patologia e não à condição narcísica que está presente em todos nós.

Em Humanês: todo o mundo é meio apaixonado pelo próprio eu, mas há pessoas que só têm olhos para si mesmas…
Trata-se de uma DEFESA.

Defesa frente a uma decepção amorosa que aconteceu num momento muito precoce, em que o sujeito ainda não dava conta de suportar a “sofrência”.

Eis o que diz André Green: “É preciso, aqui, recuperar as evidências: os narcisistas são pessoas feridas […] Frequentemente a decepção, cujas feridas ainda estão em carne viva, não se limitou a um dos pais, mas a ambos.”

Em outras palavras: no centro da alma de um narcisista há um amor não correspondido pelos cuidadores primários, um apelo sem resposta, a dor de começar a jornada da vida sem uma recepção calorosa.

É como se todo narcisista dissesse: “Já que não fui amado, preciso encarregar-me da tarefa de ser o meu próprio amante. Quem precisa dos outros quando se tem a si mesmo?”

Que ideias vêm à sua cabeça após a leitura deste texto?


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Apoio sem invasão: entenda o que é um ambiente suficientemente bom

Ao abordar o papel crucial do ambiente no desenvolvimento emocional, Winnicott introduziu a noção fundamental de “ambiente suficientemente bom”. De acordo com o autor, um contexto dessa natureza seria indispensável para a constituição de um indivíduo emocionalmente saudável. Vale assinalar que, do ponto de vista winnicottiano, todos nós possuímos tendências inatas para a conquista dos atributos que constituem a saúde psíquica. No entanto, tais tendências só podem fazer a passagem do estado de potência para a condição de ato (para utilizar uma terminologia aristotélica) se formos criados num ambiente suficientemente bom. Exemplificando: para Winnicott, todo o mundo nasce com a tendência para desenvolver a capacidade de se importar com os outros, ou seja, de não ser indiferente ao sofrimento alheio, por exemplo. No entanto, essa tendência pode não se concretizar ou se desenvolver de modo distorcido se o ambiente não facilitar a conquista dela.

Facilitar: essa é uma palavra que nos ajuda a entender o conceito de ambiente suficientemente bom. Trata-se de um contexto que facilita a expressão daquilo que já está potencialmente presente no sujeito. E o que significa facilitar? Ora, significa basicamente APOIAR SEM INVADIR. Uma empresa, por exemplo, facilita a vida de seus colaboradores quando lhes fornece os recursos e ferramentas necessários para a execução do trabalho, mas não os sufoca com excesso de regras e demandas. Da mesma forma, ao falar de um ambiente suficientemente bom, Winnicott está se referindo, principalmente, a pais que sustentam, suportam, asseguram seus filhos, mas, ao mesmo tempo, lhes oferecem o espaço necessário para que possam se expressar. Nesse sentido, uma mãe que negligencia a alimentação de seu filho é tão “insuficientemente boa” quanto uma que quer obrigar a criança a se alimentar o tempo todo.

Leia o texto completo clicando aqui.


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A Psicanálise é uma pós-educação

Em diversos momentos de sua obra, Freud disse textualmente que a Psicanálise pode ser considerada como uma PÓS-EDUCAÇÃO.

O que significa isso?

Essa tese de Freud é relativamente simples. Acompanhe o raciocínio:

A Psicanálise é um método de tratamento das neuroses, certo?

E o que é uma neurose? Trata-se de uma forma de adoecimento emocional caracterizada por sintomas que expressam certos impulsos reprimidos.

E por que tais impulsos foram reprimidos? Porque, na infância, o sujeito foi levado, por seus cuidadores primários, a acreditar que essas inclinações seriam impuras, pecaminosas, perigosas…

Assim, para “sobreviver” emocionalmente nesse ambiente repressivo, a pobre criança se viu obrigada a reprimir, ou seja, a tornar inconsciente seu desejo de satisfação daqueles impulsos.

Resultado: protegidos da crítica consciente, tais impulsos ficaram livres para se manifestarem de forma disfarçada por meio dos sintomas neuróticos.

O que acontece numa Psicanálise? O sujeito é estimulado a rever sua própria história, por meio da associação livre, a fim de identificar justamente as censuras que aplicou a si mesmo como forma de proteção frente a um ambiente excessivamente repressor. Além disso, o neurótico também é encorajado a fazer uma revisão dessas censuras a fim de reconhecer e se apropriar daquilo que nele se satisfaz pela via do sofrimento.

Ora, o que é isso senão um processo de pós-educação? De fato, o que se busca numa Psicanálise é justamente a retificação dos resultados mórbidos produzidos no sujeito por uma educação equivocada. Trata-se de ajudar o paciente a reformar o universo de significações que desenvolveu a partir da relação com seus cuidadores primários — universo que o levou a distanciar-se de si mesmo e a padecer dos efeitos dessa fragmentação.

Quem está na Confraria Analítica receberá ainda hoje um ebook exclusivo no qual desenvolvo as ideias apresentadas aqui de forma mais detalhada e com as respectivas referências da obra de Freud.


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Você possui um olhar HISTÉRICO em relação à vida?

Originalmente, histeria era o nome dado a um tipo de adoecimento conhecido desde a Antiguidade em que a pessoa pode apresentar sintomas físicos como dores, dormências, paralisias bem como desmaios e crises aparentemente convulsivas. Todavia, num quadro histérico, nenhuma dessas manifestações é causada por fatores orgânicos. A origem delas é totalmente psíquica ou, como se costuma dizer atualmente, emocional.

Atualmente, no meio médico, não se utiliza mais o termo histeria. Um psiquiatra, por exemplo, falaria em “transtornos dissociativos, conversivos e somatoformes” para se referir a um quadro clínico como o descrito acima.

Na psicopatologia psicanalítica, a categoria de histeria permanece válida. Contudo, hoje em dia os analistas entendem que a histeria não se refere apenas a uma entidade clínica, mas é também UM MODO DE SE POSICIONAR DIANTE DA VIDA ou, se você preferir, uma estrutura de personalidade.

A pesquisa psicanalítica evidencia que os sujeitos histéricos não conseguiram encontrar uma saída para uma questão humana fundamental que nos é apresentada já nos primeiros anos de infância: o problema da diferença entre os sexos.

Para todo o mundo é difícil fazer o reconhecimento de que homem e mulher são apenas diferentes, isto é, que não existe um sexo superior ou inferior ao outro. O histérico, contudo, ficou preso a essa dificuldade e não conseguiu sair desse impasse. É isso que está implícito nas noções freudianas de “medo da castração” e “inveja do pênis”. O menino só tem medo de ser castrado porque acredita que há seres que efetivamente o foram: as mulheres. A menina, por sua vez, só tem inveja do pênis porque imagina que esse órgão confere completude aos homens.

O sujeito histérico é aquele que não conseguiu ultrapassar essas ilusões infantis. Ele continua achando que existem pessoas que são completas, plenamente felizes, que possuem tudo, ao passo que outras (entre as quais ele se inclui) são impotentes, faltosas, incompletas. Cronicamente insatisfeito, o histérico está sempre numa postura de queixa e reivindicação, denunciando a suposta completude do outro.

Você possui esse olhar histérico em relação à vida ou conhece pessoas que o possuem?


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Reproduzimos em nosso interior conflitos relacionais vividos na infância.

Num trabalho de 1930 chamado “O tratamento psicanalítico do caráter”, o analista húngaro Sándor Ferenczi explica da seguinte maneira a origem do núcleo do superego:

“No início, o menininho resiste, quer aniquilar a potência paterna, essencialmente para apropriar-se da ternura e da afeição maternas. Mas quando compreende que numa luta aberta não levará vantagem, projeta em si a figura poderosa do pai; trata-se com o mesmo rigor com que outrora o pai o tratara; já não é mais porque tema o pai, mas porque uma parte de sua personalidade beneficia-se exercendo os privilégios paternos sobre a outra parte” (p. 247 do volume 4 das obras completas de Ferenczi)

Para-além da relação entre superego e complexo de Édipo, o que Ferenczi está nos ensinando aqui?

O autor está mostrando que uma forma que encontramos quando crianças de “resolver” um impasse relacional é reproduzindo o conflito no interior de nós mesmos. Diante da impossibilidade de “vencer” a disputa com o pai pelo amor da mãe, o menino introjeta a figura paterna e passa viver DENTRO DE SI exatamente o mesmo conflito que experimentava na relação com o genitor. Só que agora, o confronto não é mais entre o menininho e o pai, mas entre duas partes do próprio garoto.

Verificamos o tempo todo na clínica essa reprodução intrapsíquica de um conflito relacional infantil. Não raro, vemos, por exemplo, indivíduos que emulam dentro de si as constantes brigas entre seus pais.

Lembro-me de um rapaz que, diante dos embates frequentes entre seus genitores, desejava ardentemente que a mãe se separasse do pai a fim de colocar um ponto final naquela guerra interminável.

Como tal desfecho jamais aconteceu, esse paciente inconscientemente decidiu tentar realizá-lo dentro de si. A maior parte de sua personalidade era habitada pela imagem da mãe, mas regularmente a identificação com o pai aparecia, de tal modo que o rapaz revivia o conflito parental em sua própria identidade. Mãe e pai continuavam brigando, mas, agora, DENTRO DELE.

Você consegue enxergar processos semelhantes em sua vida?


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Até o momento, a psicoterapia ainda é o único tratamento realmente eficaz para problemas emocionais.

Outro dia eu estava assistindo ao vídeo de um youtuber dizendo que o consumo de certa erva recentemente legalizada em seu país havia sido o único “tratamento” realmente eficaz para seus problemas de saúde mental (no caso, depressão e TDAH). Com efeito, ele já fizera uso de vários medicamentos psiquiátricos e nenhum deles o haviam deixado TÃO BEM quanto aquele matinho…

A concepção equivocada de TRATAMENTO que está na cabeça desse youtuber me parece ser compartilhada por muitas pessoas.

De modo geral, os problemas de saúde mental trazem consigo uma série de sentimentos desprazerosos como tristeza, tensão e ansiedade. Por conta disso, muitas pessoas acreditam que o tratamento de transtornos emocionais consistiria na eliminação desses sentimentos ou na redução da intensidade deles, o que as leva a achar que dá para tratar problemas de saúde mental só com medicação.

Isso está MUITO ERRADO.

Pensar dessa forma é tão insensato quanto imaginar que o tratamento para a tuberculose deveria ser feito só com antitérmicos e analgésicos ao invés de antibióticos.

Por que os antibióticos são indispensáveis no tratamento da tuberculose? Ora, porque a CAUSA dessa doença é a ação patogênica de uma bactéria. Logo, para que os EFEITOS desprazerosos da enfermidade, tais como tosse, dores e febre, sejam PERMANENTEMENTE eliminados, é preciso empregar uma substância capaz de combater sua CAUSA, ou seja, o agente infeccioso.

Óbvio, né? Pois é!

Diferentemente de uma tuberculose, as CAUSAS dos transtornos emocionais são, em 99% dos casos, as MARCAS da história de interação da pessoa com o mundo. E, até hoje, não foi criado nenhum medicamento que seja capaz de intervir nessas marcas. A ÚNICA tecnologia inventada até o momento que consegue fazer isso chama-se PSICOTERAPIA. Portanto, pelo menos por ora, o único tratamento efetivo para 99% dos problemas (tratáveis) de saúde mental, ou seja, aquele que consegue combater as CAUSAS desse tipo de patologia, é o processo psicoterápico.

Os medicamentos psiquiátricos são importantes, mas como COADJUVANTES do tratamento. Afinal, assim como os analgésicos e antitérmicos, eles interferem nos EFEITOS da patologia e não em suas CAUSAS.


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Por que o complexo de Édipo continua “válido” ainda hoje? (parte 02)

Fiquei de apresentar nesta segunda parte do texto um esboço dessa estrutura que está na base da caracterização feita por Freud, mas não se confunde com ela. Tomemos, então, o mito freudiano e destaquemos seus elementos estruturais.

Freud começa sua descrição do Édipo com a imagem de um menino que tem cerca de quatro ou cinco anos e está vivenciando o que o pai da Psicanálise chama de “fase fálica” do desenvolvimento sexual. Nesse estágio, a criança do sexo masculino estaria intensamente interessada no prazer proporcionado pelo pênis. Uma menina da mesma faixa etária também passaria por essa fase e seu interesse estaria voltado para o clitóris, parte do corpo feminino equivalente ao pênis. Do ponto de vista estrutural, tais imagens representam o fato universal de que nosso corpo é fonte de gozo, ou seja, de que a experiência de prazer é primariamente autoerótica.

Na sequência da narrativa freudiana, tanto o menino quanto a menina passam a nutrir fantasias sexuais envolvendo a mãe, ou seja, passam a tomar a genitora como objeto sexual, vinculando-a ao prazer que experimentam em seu próprio corpo. Essa imagem da criança conectando seu gozo autoerótico ao outro materno ilustra o processo estrutural que Lacan nomeou como ALIENAÇÃO. Trata-se do fato de que todo ser humano nasce num ambiente social já formatado, com uma cultura própria da qual ele não pode escapar. Assim, no início da vida, todos nós somos obrigados a nos submetermos a esse ambiente (que Lacan chama de Outro com “O” maiúsculo). Dessa forma, o nosso próprio gozo que, originalmente é autoerótico, passa a estar “adaptado” ao Outro, subordinado às regras dele. No mito de Freud, esse fato universal é expresso pela imagem da criança apaixonada pela própria mãe.

Leia o texto completo clicando aqui.


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O que é libido em Psicanálise?

Você já ouviu médicos ou leigos dizerem que antidepressivos e outros medicamentos podem reduzir a libido?

Então… Essas pessoas NÃO estão se referindo ao conceito psicanalítico de libido. Em Psicanálise, libido não é o mesmo que tesão.

Nesse sentido, do ponto de vista psicanalítico, não existem pessoas com libido alta ou libido baixa. Ela varia, de fato, mas em termos de direção, ou seja, ela pode estar mais orientada para X do que para Y, por exemplo, mas SEMPRE estará voltada para algum lugar…

Deixa eu explicar isso direitinho.

Libido é um termo em latim que pode ser traduzido por “desejo”. Ele foi introduzido na literatura científica lá no fim do século XIX pelos primeiros sexólogos para designar justamente o que a gente chama popularmente de tesão. Por isso, a medicina ainda hoje utiliza essa expressão no sentido de desejo sexual.

Freud, por sua vez, vai pegar esse conceito e dar a ele uma conotação muito mais ampla, assim como fez com a noção de sexualidade que, antes de ele, se referia apenas a práticas relacionadas aos órgãos genitais.

Na obra freudiana, a libido será vista como uma ENERGIA que sustenta a ação da pulsão de vida em nós. Considerando que a pulsão de vida refere-se à tendência inata que temos de buscar manter e expandir a vida, podemos pensar na libido como o combustível que permite a expressão dessa tendência.

Todavia, diferentemente da gasolina ou do álcool, a libido é um combustível que nunca acaba e tampouco diminui. Nosso “tanque” está sempre cheio de libido.

Uai, Lucas, mas e essas pessoas que dizem que estão sem desejo sexual? Elas não estão com falta de libido?

Não. Essa libido que supostamente estaria faltando provavelmente está sendo investida em outra coisa. O tesão é apenas uma das formas de manifestação da pulsão de vida. O autocuidado, o desejo de trabalhar, a devoção religiosa, o ímpeto criativo do artista, enfim, todas essas manifestações que denotam em nós a existência de um amor pela vida também são sustentadas pela energia libidinal.

Quem está na Confraria receberá ainda hoje uma aula especial em que explico a evolução do conceito de libido na obra de Freud e dou mais detalhes a respeito dele.


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Hiperidentificação: a raiz da empatia patológica

Para nos relacionarmos uns com os outros, precisamos fazer uso a capacidade de nos imaginarmos na situação de nosso interlocutor. Em Psicologia, damos o nome a essa capacidade de EMPATIA.

Pessoas cujas experiências ambientais precoces não favoreceram a atualização da capacidade empática podem ter muita dificuldade de se colocar no lugar do outro, o que lhes permitiria praticarem atos de crueldade com uma frieza notável. Popularmente, tais pessoas são conhecidas como psicopatas.

Por outro lado, existem indivíduos que se apresentam no extremo oposto da psicopatia. Neles, a empatia se manifesta com tamanha intensidade que se tornam incapazes de não se imaginarem sempre no lugar do outro. Em outros lugares, chamei esse fenômeno de “empatia patológica”. Tais sujeitos estão presos a uma condição subjetiva que ouso nomear de “HIPERIDENTIFICAÇÃO COM O OUTRO”.

O mais notório dentre os efeitos dessa condição é a quase impossibilidade que essas pessoas sentem de discordar do outro. Ainda que possuam uma opinião ou posicionamento radicalmente opostos aos do interlocutor ou conquanto saibam que o ponto de vista do outro é moral ou eticamente deplorável, tais indivíduos simplesmente não conseguem manifestar sua discordância. Imaginam-se na pele do outro e experimentam imaginariamente todos os afetos desprazerosos que ele poderia sentir diante de alguém que apresente uma opinião contrária. Assim, na tentativa de “preservar” o outro do desprazer, tais indivíduos se calam e “concordam” com o posicionamento alheio.

Desse primeiro sintoma decorrem outros como o medo de dizer “não”. Afinal, se o indivíduo não consegue dizer ao outro o que pensa, não conseguirá, do mesmo medo, resistir às suas demandas, sendo incapaz de recusá-las.

Em alguns momentos, contudo, o antagonismo entre as opiniões do indivíduo e as do outro será tão forte, que o sujeito eventualmente acabará por expressar seu posicionamento, ainda que de modo contido ou indireto. O sujeito, todavia, está tão hiperidentificado ao outro que imediatamente já se imagina no lugar dele escutando uma opinião contrária, o que lhe faz sentir-se imensamente culpado.

Marque abaixo alguém que precisa ler este texto.


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Não raro, a falta de autoconfiança é resultado da insegurança dos pais

Autoeficácia é o termo que a Psicologia utiliza para descrever a crença que uma pessoa tem na sua própria capacidade de realizar uma tarefa.

Popularmente, a gente costuma chamar isso de autoconfiança, palavra, aliás, que me parece mais apropriada para descrever essa experiência de acreditar no próprio potencial.

Digo isso porque minha experiência clínica evidencia que essa crença está diretamente relacionada à confiança como um ato de fé que ultrapassa o medo.

Frequentemente pessoas que não experimentam autoconfiança relatam terem sido criadas por pais que estavam o tempo todo com medo de perdê-las e que, por conta disso, as impediam de vivenciarem diversas situações comuns na vida infantil.

Essa superproteção parental impede a criança de descobrir o próprio potencial para lidar com problemas e dificuldades. Privado do contato com o risco, o sujeito internaliza o medo dos pais e passa a acreditar que, de fato, está sempre sob a ameaça de uma grande calamidade.

O grande problema é que os padrões psíquicos que desenvolvemos na relação com nossos pais tornam-se o filtro (no sentido “instagrâmico” do termo) por meio do qual enxergamos a realidade. Assim, mesmo que a realidade comprove para a pessoa que ela é capaz e potente, tal indivíduo pode continuar se sentindo inseguro e achando que não dá conta.

Por isso, não raro encontramos pessoas que são até muito bem-sucedidas, mas que não confiam no próprio taco. Elas conquistam muitas coisas, mas, em função da insegurança, não conseguem usufruir do prazer da conquista .

Ao se entregarem a um tratamento psicanalítico, tais indivíduos podem ter a chance, pela primeira vez na vida, de relativizarem a voz medrosa e superprotetora dos pais que continua ecoando em suas cabeças.

Ao narrarem sua história para o analista, essas pessoas adquirem a oportunidade de enxergar o que aconteceu consigo de outras perspectivas. Ganham também a chance de alterarem o desfecho de um enredo no qual figuravam, até então, como meros personagens.


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O sintoma é uma mensagem que eu envio para mim mesmo.

Estamos acostumados a olhar para nossas formas de adoecimento emocional como problemas a serem solucionados ou obstáculos a serem superados.

A Psicanálise, contudo, nos ensina a enxergar nossos sintomas como mensagens.

Ora, toda mensagem pressupõe um emissor e um receptor. No caso do sintoma, essas duas posições são ocupadas pela mesma pessoa, a saber: nós mesmos.

Em outras palavras, você é, ao mesmo tempo, o emissor e o receptor da mensagem veiculada pelo sintoma.

Mas, Lucas, por que eu mandaria uma mensagem para mim mesmo?

Ora, a gente só manda mensagem para quem está distante. Não faz sentido mesmo enviar um “zap” para quem está ao meu lado. Afinal, eu poderia simplesmente falar diretamente com a pessoa.

Nesse sentido, quando digo que o sintoma é uma mensagem que enviamos para nós mesmos, isso significa que entre eu como emissor e eu como receptor existe uma distância.

Sim! O eu emissor é aquilo que, em Psicanálise, a gente chama de Inconsciente, ao passo que o eu receptor poderia ser chamado de “ego” (só para não confundir com o termo “eu”).

O Inconsciente está o tempo todo expressar os desejos que nele habitam, mas tais desejos geralmente não conseguem chegar até o ego por conta do muro de censura que o próprio ego ergueu entre ele e o Inconsciente. É essa parede a responsável pela distância entre o eu emissor (o Inconsciente) e o eu receptor (ego).

Assim, o Inconsciente é obrigado a codificar os desejos, transformando-o em mensagens, pois somente dessa forma eles conseguem ultrapassar a distância estabelecida pela censura.

O problema é que o ego (eu receptor) não consegue decodificar adequadamente tais mensagens, acreditando que elas significam X, quando, na verdade, expressam Y.

É por isso que a Psicanálise não trabalha com a proposta de eliminar os sintomas do paciente pura e simplesmente. Por considerá-los como mensagens do Inconsciente, o analista ajuda seus analisantes a aprenderem o código do Inconsciente a fim de capacitá-los a compreender as mensagens do eu emissor.


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Por que o complexo de Édipo continua “válido” ainda hoje? (parte 01)

Por outro lado, o problema que a Psicanálise enfrenta para sustentar o conceito de complexo de Édipo atualmente não tem a ver com uma suposta “heteronormatividade” que estaria implícita nele. A maior dificuldade com a qual precisamos lidar diz respeito ao fato de que a descrição que Freud faz do Édipo só tem como referente um formato muito específico de família: aquele no qual a criança nasce e é criada no seio de um casal composto pelos seus dois genitores. O pai da Psicanálise não nos forneceu uma caracterização universal do complexo de Édipo, que pudesse ser aplicada para outros formatos de família, alguns dos quais são tão frequentes no mundo contemporâneo.

Como pensar o Édipo, por exemplo, numa família em que o pai morreu, sumiu ou nunca se fez presente e os filhos são criados apenas por sua mãe? Crianças que já nos primeiros dias de vida foram levadas para instituições de acolhimento e lá viveram durante 10, 15 ou 18 anos não passam pelo complexo de Édipo? E o que dizer daqueles meninos e meninas que são filhos de parcerias homossexuais? O Édipo valeria também para essas crianças? Se sim, como seria possível, já que Freud fala apenas de pai e mãe e nunca de dois pais ou duas mães?

O teórico que nos ajudou a “universalizar” o complexo de Édipo permitindo que ele pudesse ser aplicado às mais diversas configurações familiares foi o psicanalista francês Jacques Lacan. Para ele, o complexo de Édipo, tal como descrito na obra freudiana, seria, na verdade, um mito criado por Freud.

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A gente faz Psicanálise para mudar, mas, na maioria das vezes, não sabemos o que precisa ser mudado.

Muita gente imagina que o principal objetivo da terapia psicanalítica é promover mudanças no comportamento do paciente.

Faz sentido pensar assim. Afinal, via de regra as pessoas procuram ajuda psicoterapêutica quando estão insatisfeitas consigo mesmas e desejam mudar.

No entanto, diferentemente do que acontece em outras modalidades de psicoterapia, na Psicanálise nós não tomamos a demanda consciente e expressa pelo paciente de forma acrítica. Em outras palavras, não é porque o sujeito nos diz que deseja deixar de ser tímido que o analista estabelecerá como objetivo do tratamento reduzir a timidez dessa pessoa.

Na Psicanálise, não vale o velho jargão comercial: “Seu pedido é uma ordem!”.

Uai, Lucas, mas como assim? O paciente não sabe o que precisa ser mudado?

Frequentemente, não. Isso acontece porque naturalmente nós não temos consciência da maior parte dos fatores que influenciam nosso comportamento e, consequentemente, formatam nossas ideias acerca do que precisa ser mudado em nós.

Assim, é bem possível que o rapaz que chegue ao analista dizendo que quer deixar de ser tímido possa estar formulando essa demanda em função do que ele tem ouvido desde criança da boca de seu pai: “Você precisa ser mais pra frente!”, “Desse jeito você nunca vai conseguir transar!”, “Pare de ser tão retraído!”.

Percebe? O desejo de ser extrovertido não é do paciente, mas de seu pai. Portanto, ao questionar a demanda inicial desse sujeito, o analista pode ajudá-lo a se dar conta de que não é ele efetivamente quem almeja deixar de ser tímido.
Ah, Lucas, mas a timidez não é um problema em si mesmo? O certo não seria mesmo esse rapaz deixar de ser tímido?

Sim, seria certo… do ponto de vista do ideal do pai dele!

Como em Psicanálise a gente não fica tentando encaixotar o sujeito em ideais de saúde, sucesso e felicidade, um trabalho verdadeiramente analítico com esse paciente iria na direção de ajudá-lo a compreender as razões pelas quais ele assumiu a timidez como posição diante da vida. Que fantasia estaria na base desse modo de ser?

Dessa forma, o sujeito estaria em melhores condições para decidir se quer manter-se nessa posição ou se deseja dar outro destino à fantasia subjacente a ela.


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