Por que Lacan disse que “o sujeito é feliz”?

No início da década de 1970, a televisão francesa decidiu fazer um programa sobre Lacan. Àquela altura, o autor já era conhecido fora da bolha psicanalítica.

O resultado foi o que chamaríamos hoje em dia de um “podcast”, em que Lacan responde perguntas formuladas por seu genro e herdeiro intelectual Jacques-Alain Miller. A gravação original pode ser encontrada facilmente na internet.

O texto da entrevista, que recebeu o título minimalista Televisão, consta atualmente na coletânea Outros Escritos, publicada no Brasil pela editora Jorge Zahar.

Em determinado momento da conversa, Lacan faz uma afirmação muito intrigante sobre a felicidade, que eu quero tomar como ponto de partida para algumas reflexões. Ele diz:

“O sujeito é feliz. Esta é até sua definição, já que ele só pode dever tudo ao acaso, à fortuna, em outras palavras, e que todo acaso lhe é bom para aquilo que o sustenta, ou seja, para que ele se repita.”

Isso está na página 525 dos Outros Escritos.

A primeira reação que muitas pessoas podem ter ao ler esse trecho é a estranheza:

“Como assim o sujeito é feliz? Que sujeito? O que eu mais vejo por aí são pessoas que não se sentem felizes. Elas estão enganadas?”.

Se Lacan fosse responder essa última pergunta em poucas palavras, talvez ele dissesse: “Sim e não”.

Então deixa eu te explicar:

Ao dizer que “o sujeito é feliz”, ele não está se referindo à pessoa tal como ela se percebe. Lacan está falando do sujeito do inconsciente, ou seja, de uma espécie de engrenagem psíquica que opera em você (e, ao mesmo tempo, é você), mas que você não reconhece como “Eu”.

Nesse sentido, ao dizer que “o sujeito é feliz”, Lacan está propondo que, embora você possa se sentir infeliz e se ver como uma pessoa infeliz, existe uma dimensão sua que está sempre feliz, mesmo no sofrimento.

Sabe por quê?

Porque essa engrenagem psíquica autônoma, que Lacan chama de sujeito do inconsciente (que é você — não se esqueça), possui determinados desejos (que você resiste a enxergar) e te leva a fazer de tudo para satisfazê-los.

É isso o que explica o fato de você não conseguir abandonar com facilidade seus sintomas, ou seja, aquelas coisas que você faz, não consegue deixar de fazer, mas te trazem muito sofrimento.

Por exemplo, digamos que um dos seus sintomas é o seu relacionamento. Você acha seu namorado um cara tóxico, vive reclamando dele, mas simplesmente não consegue terminar.

Veja: você não se sente feliz nesse namoro — o seu Eu não é feliz. Porém, se você não consegue terminar, isso é a prova de que uma “parte” sua encontra satisfação no relacionamento. Essa “parte” é justamente o sujeito do inconsciente.

Pode ser, por exemplo, que esse namorado, que você encontrou aparentemente por acaso (releia o trecho que eu citei) apresente características muito semelhantes à sua mãe, com quem você teve graves problemas quando era criança.

Permanecendo com ele, você, sem perceber, repete o cenário infantil e satisfaz o anseio de tentar mudar a sua mãe — desejo que você, também sem perceber, nunca abandonou.

Logo, enquanto Eu, você não se sente feliz, mas, enquanto sujeito — sujeito do inconsciente, lembre-se sempre — você é feliz.


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Como a teoria de Fonagy pode transformar sua escuta clínica

Paula fez cortes em seu braço após uma briga com o namorado.

Rafael tomou meia garrafa de vodca ao saber que foi demitido da empresa onde trabalhava.

Beatriz deu socos em si mesma após uma discussão com a mãe no WhatsApp.

O que essas pessoas têm em comum?

As três não conseguiram suportar o impacto emocional das situações que vivenciaram.

Elas precisaram fazer alguma coisa para se estabilizarem.

Faltou a elas, naquele momento, um recurso psíquico fundamental para a saúde mental — a mentalização.

Este conceito foi proposto por Peter Fonagy, um dos autores mais influentes da Psicanálise na atualidade.

Apesar de ser um dos pesquisadores em saúde mental mais respeitados do mundo, talvez você nunca tenha ouvido falar sobre ele.

É por isso que eu decidi fazer uma aula na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise, apresentando algumas das principais ideias do autor.

A aula já está disponível no módulo Aulas Temáticas – Temas Variados.

Para ter acesso a ela e a todo o nosso acervo de mais de 400 aulas (mais de 600 horas de conteúdo), seja meu aluno na Confraria.

Link: https://confrariaanalitica.com/


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Transferência só acontece na Psicanálise?

Muita gente acha que a transferência é um fenômeno que acontece exclusivamente na Psicanálise, mas isso não é verdade.

Em certo sentido, nós estamos fazendo transferência quase o tempo todo.

Afinal, toda pessoa transfere para as relações do presente um certo modo típico de se relacionar que se formou lá atrás — mais especificamente, na infância.

A maioria das pessoas não tem consciência desses padrões, mas basta uma observação cuidadosa para que possam ser identificados.

Vou listar aqui alguns que são bem comuns:

Pessoas que tendem a se sentir ameaçadas pelo outro e, por isso, adotam uma atitude de submissão, buscando sempre agradar.

Pessoas que quase sempre se sentem atacadas, rejeitadas, exploradas e, por isso, costumam ficar o tempo todo na defensiva.

Pessoas que possuem uma ânsia por se sentirem desejadas e especiais e, por isso, estão quase sempre tentando seduzir o outro.

Pessoas que não suportam não estar no controle e, por isso, ficam sempre numa posição de dominância.

— Entendi, Lucas. Mas se a transferência está rolando o tempo todo, o que há de diferente quando ela acontece na Psicanálise?

A diferença está no modo como o psicanalista lida com a transferência.

Um paciente que quer se sentir desejado e especial fará isso tanto com sua namorada quanto na relação com sua analista.

A namorada, porém, tenderá a responder a essa demanda, seja tentando atendê-la ou reagindo defensivamente a ela.

A analista, não.

Em vez de se defender ou fazer o que o paciente espera, a analista procurará ajudá-lo a enxergar seu padrão e entendê-lo.

Outro exemplo:

Se você tem uma amiga que está sempre na defensiva, talvez se afaste dela ou tente inutilmente fazer com que ela não se sinta atacada.

O analista dessa pessoa não faria uma coisa nem outra. Ele transformaria a atitude defensiva dela em objeto de investigação.

— Uai, Lucas, mas e se eu tiver um bom conhecimento de Psicanálise? Não conseguiria, eu mesma, fazer isso com minha amiga?

Provavelmente, não. Sabe por quê?

Porque esse procedimento técnico, que a gente chama de “manejo da transferência” só seria possível se sua amiga te colocasse na posição de sujeito suposto saber, que é a posição na qual um paciente tende a colocar a pessoa que ele escolhe para ser sua analista.

E esse é outro aspecto que diferencia a expressão da transferência na análise em relação a sua ocorrência no dia a dia.

O sujeito sedutor, que quer se sentir desejado e especial, simplesmente reproduz esse padrão na relação com a namorada — e com todos os outros com quem convive…

Mas, numa análise, ele não só repete seu modo padrão. Ele o endereça a seu analista, ao se colocar na posição de paciente.

E isso faz toda a diferença…


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“O psicanalista não deve atender a demanda.”

Tá, Lucas. Mas por que não?

O que significa “não atender a demanda”?

Se o paciente me pedir um copo d’água durante a sessão eu devo negar?

Não atender a demanda é ficar em silêncio quando o paciente me pede uma orientação?

Há casos ou situações excepcionais em que o analista deve atender a demanda?

Eu respondo todas essas perguntas na aula “O que significa ‘não atender a demanda’?”, publicada nesta sexta na Confraria Analítica, a minha escola de formação teórica em Psicanálise.

A aula já está disponível no módulo “Aulas Temáticas – Temas Variados”.

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Você se acostumou a viver de forma falsa?

Neste momento, lá na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise, nós estamos estudando um dos textos mais importantes do psicanalista inglês Donald Winnicott.

O título dele é “Distorção do ego em termos de self verdadeiro e falso self”.

Uma dúvida que pode surgir na cabeça de algumas pessoas ao verem esse título é a seguinte:

Por que Winnicott não fala de “ego verdadeiro” e “falso ego”? Por que ele usa o termo “self”?

Estudiosos da obra winnicottiana certamente apresentariam uma série de explicações técnicas que poderiam acabar confundindo quem não tem familiaridade com o pensamento do autor.

Vamos ficar no bom e velho Humanês:

Pense no ego como aquilo que você reconhece como sendo você enquanto indivíduo (nome próprio, características particulares, um peso, uma altura etc.).

E pense no self como sendo um modo de existir: uma postura, uma atitude, uma forma de se colocar no mundo.

Assim fica fácil entender por que Winnicott fala de “self verdadeiro” e “falso self” e não de “ego verdadeiro” e “falso ego”.

Com efeito, você, em si, não pode ser verdadeiro ou falso. Você é o que é. Ponto.

Não existe um “Lucas de verdade” em algum mundo das ideias platônico com o qual possa me comparar para saber se eu, o Lucas real, sou de verdade ou de mentira.

Agora, eu posso, na concretude da minha existência, viver de modo verdadeiro ou falso.

Por exemplo, se eu respondo de forma gentil uma mensagem desaforada, posso estar vivendo, naquele momento específico, de modo falso.

Afinal, minha vontade genuína, espontânea, verdadeira, talvez fosse a de dar uma resposta mais direta ou até agressiva.

A vida em sociedade exige de todos nós essa capacidade de agir de modo artificial de vez em quando.

Imagine um mundo em que todas as pessoas agissem de forma 100% espontânea o tempo todo. Seria um caos, né?

O problema é quando o sujeito vive, na maior parte do tempo, no modo falso self.

De fato, há pessoas que foram tão reprimidas, controladas ou simplesmente deixadas de lado na infância que elas não se permitem viver de modo genuíno.

Muitas nem percebem que o falso self é sua forma padrão de existir.

Mas o fato é que elas quase nunca falam o que querem, trabalham com o que querem ou convivem com quem querem.

Na verdade, foram tão acostumadas a desejar o que não querem que nem sabem mais o que verdadeiramente querem.

Uma existência vivida dessa forma inautêntica dá sinais: vazio, falta de sentido, sensação de que nada tem graça…

Essas pessoas precisam ter condições de resgatar seu verdadeiro self do porão onde o ambiente infantil as forçou a trancá-lo.

Mas isso só acontece mediante uma experiência real com um ambiente novo, confiável, potencializador e, definitivamente, não repressor.

Esse ambiente é justamente o que a Psicanálise busca proporcionar.


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“A análise deve ser uma verdadeira reeducação do humano.” (Sándor Ferenczi)

Reeducação??

Nova personalidade??

Mais bem adaptada??

Isso é Psicanálise??

Calma. Não se escandalize.

Assista à aula “LENDO FERENCZI #13 – Objetivo da análise: uma nova personalidade”, que acaba de ser publicada na Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise.

Nela você vai entender direitinho em que sentido Ferenczi usa as expressões “reeducação”, “nova personalidade” e “mais bem adaptada”.

E verá que ele está coberto de razão.

A aula já está disponível no módulo “Aulas Temáticas – Ferenczi”.

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A gente faz Psicanálise para trocar a ânsia de mudar pelo desejo de se entender.

Você pode achar que não consegue fazer determinadas mudanças em sua vida simplesmente porque não sabe como fazê-las.

O problema, portanto, seria apenas falta de conhecimento. E a solução, por sua vez, passaria por obter… informação.

Tem muita gente que procura terapia com essa perspectiva na cabeça.

É o caso de Laura.

Ela decidiu fazer terapia porque se via como uma pessoa muito ansiosa e gostaria de aprender a parar de se preocupar tanto com tudo.

Achava que se alguém lhe orientasse sobre como lidar corretamente com seus problemas, ela deixaria de ficar tão tensa.

Para Laura, a terapia funcionaria como uma espécie de consultoria: ela ficaria na posição de aprendiz e o terapeuta agiria como um professor.

Essa expectativa era equivocada?

Depende…

Existem certas terapias que funcionam exatamente da forma como Laura imaginou:

Nelas, o paciente é visto como alguém que não tem o conhecimento necessário para vencer suas dificuldades.

E o terapeuta, por sua vez, se apresenta como um especialista no comportamento humano que vai ensinar ao paciente o que fazer para melhorar.

E aí a terapia acontece de forma muito parecida com uma consultoria mesmo: avaliações, treinamentos, estratégias, metas…

No entanto, existe outro tipo de tratamento, a Psicanálise, que funciona de modo bem diferente.

E foi justamente uma psicanalista que Laura encontrou quando decidiu fazer terapia.

De início, estranhou: esperava receber orientações, dicas, conselhos, mas a terapeuta falava pouco e praticamente só fazia perguntas.

Mas, aos poucos, a moça passou a gostar daquela sensação de poder falar tudo o que lhe vinha à cabeça, toda semana, para alguém que lhe escutava com extrema atenção.

Laura ficava surpresa quando a analista, de repente, fazia um comentário destacando algo que ela havia dito en passant no início da sessão e do qual nem se lembrava mais.

À medida que o tratamento prosseguia, a frustração por não receber orientações foi dando lugar a um desejo de se entender.

E é esse desejo que a motiva a continuar comparecendo toda quarta-feira às 17h ao consultório de sua analista.

A jovem tem percebido que se tornar menos ansiosa não é uma questão de treinamento, mas de transformação.

Transformação de um modo de existir, de se colocar no mundo, cujas raízes atravessam toda a sua história de vida.

Por isso, agora, Laura não se pergunta mais: “O que preciso aprender para não me preocupar tanto?”, mas sim:

“Por que será que eu me posiciono na vida de forma tão preocupada?”.


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Como Melanie Klein atendia? Lições do caso Richard

O ano era 1941.

Segunda Guerra Mundial bombando — literalmente…

De um lado os países “Aliados”; do outro as potências do “Eixo”, capitaneadas por um monstro de bigode.

No interior do País de Gales, Richard, um menino de dez anos, escuta com atenção e aflição as notícias sobre a guerra no rádio.

Recentemente, soube que uma bomba teria caído próximo à casa onde morava, fazendo desabar a estufa que ficava no jardim.

Por conta do conflito, Richard teve que se mudar com a família para outra cidade.

Além de preocupado, o menino se sente indignado com a crueldade do monstro de bigode:

“Como ele foi capaz de fazer mal a seu próprio povo (os austríacos)?”, pergunta-se.

Mas enquanto o trágico confronto militar se desenrola do lado de fora, Richard vive outra guerra — dentro de si.

Ele ainda não entende exatamente o que está acontecendo, mas os danos que esse conflito interno tem causado são claros:

Há dois anos não consegue ir para a escola, pois sente um medo inexplicável dos outros garotos; tem um medo exagerado de adoecer e de algo ruim acontecer com sua mãe; e há mais de quatro anos vem apresentando outros sintomas depressivos e ansiosos.

Tanto a mãe quanto o pai são compreensivos e não tentam forçar Richard a ir para a escola.

Porém, preocupados com o futuro acadêmico e a saúde mental do filho, decidem levá-lo a uma senhora que vinha se notabilizando na Europa por conseguir tratar crianças com problemas emocionais usando o famoso método criado por Freud, a Psicanálise.

O nome dessa senhora você já sabe: é Melanie Klein.

A família diz que só pode se comprometer com quatro meses de terapia.

Embora ciente de que um tratamento com duração pré-definida não é o ideal, Klein aceita atender Richard. Acredita que conseguirá ajudá-lo.

Como Melanie Klein trabalhou com esse menino?

Ela própria nos conta no livro “Narrativa da análise de uma criança”.

Todas as 93 sessões estão lá descritas e comentadas, detalhadamente. É uma das maiores joias da literatura psicanalítica!

Se você quer entender, na prática, como um analista trabalha de verdade, esse caso é um divisor de águas.

Nesta sexta, eu destrincho a primeira sessão, linha por linha, em uma aula exclusiva para os alunos da Confraria Analítica.

Você vai ver como Klein:

  • escuta
  • intervém
  • e transforma a angústia da criança em material analisável

Sem romantização. Sem teoria vazia. Clínica.

Se você ainda acha que Psicanálise é só “escutar e acolher”, essa aula vai te incomodar.

E talvez seja exatamente disso que você precisa.

O título da aula é “LENDO KLEIN 11 – Interpretação precoce e sensibilidade: lições da primeira sessão do caso Richard” e ela já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – KLEIN.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de formação teórica em Psicanálise, com um acervo de mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.

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Você acorda dos seus sonhos… para continuar sonhando.

Você já deve ter vivido a seguinte situação:

Você está sonhando, e, de repente, ao se deparar com alguma situação, você acorda.

Por que isso acontece?

Por que será que você acordou justamente naquele momento?

A resposta é simples: se continuasse sonhando, você faria contato com uma realidade interna insuportável.

Então, acordar é uma forma de se proteger emocionalmente.

Aí você pode retrucar:

— Mas, Lucas, isso não faz muito sentido. Como o despertar vai me proteger do contato com essa realidade interna tão dolorosa? É mais fácil encontrá-la dormindo do que acordado?

Exatamente.

Quando a gente dorme, as defesas que utilizamos durante o dia para não pensar em certas coisas se enfraquecem.

É por isso que a gente sonha.

A matéria-prima dos sonhos é formada por pensamentos que ficam rodando na nossa cabeça diuturnamente, em segundo plano ou de forma totalmente inconsciente.

E não são quaisquer pensamentos.

Em geral, são ideias e desejos conflituosos, que nos causam muita dor ou angústia. Por isso, tendemos a evitá-los.

— Mas, Lucas, eu não me lembro de sonhar com pensamentos. Nos meus sonhos aparecem imagens, cenas… Muito estranhas, inclusive.

Sim, isso acontece porque, embora suas defesas estejam enfraquecidas durante o sono, elas ainda têm força suficiente para transformar as ideias angustiantes em imagens que você consegue suportar.

É por isso que nossos sonhos costumam ser esquisitos ou aparentemente aleatórios. É que, na tentativa de te proteger dos pensamentos dolorosos, a defesa precisa disfarçá-los.

Vamos supor, por exemplo, que esteja rodando na sua cabeça, em segundo plano, a seguinte ideia:

“Eu queria xingar meu namorado, mas, como tenho medo da minha própria agressividade, fico calada e tolero os xingamentos dele.”

Para te poupar de fazer contato com esse pensamento, suas defesas podem transformá-lo numa cena em que você observa, da janela de casa, animais selvagens entrando em seu quintal.

O problema é que suas defesas, que já são limitadas por natureza, durante o sono estão enfraquecidas, lembra?

Então, pode acontecer o seguinte:

A ideia da qual você está se protegendo pode ter tamanha força que suas defesas não conseguem disfarçá-la muito bem.

Vamos retomar o exemplo:

Pode ser que durante o dia alguém tenha ouvido seu namorado te xingando e chamou sua atenção: “Como você tolera?”.

Por conta disso, o pensamento “Eu queria xingar meu namorado etc.” ficou mais intenso em seu psiquismo.

Mas lembre que você não suporta fazer contato com ele.

Então, pode ser que o sonho que você tem nesse dia comece daquele jeito que eu falei: você, da janela de casa, observando os animais selvagens andando pelo seu quintal.

Porém, como o pensamento foi intensificado, as defesas não conseguem representá-lo de forma disfarçada apenas com essa imagem.

Ele está tão forte que a cena precisa continuar: os animais começam a invadir sua casa. Quando você olha para trás, vê um monte deles vindo em sua direção.

E justamente, nesse momento, você acorda.

Por quê?

Porque a defesa chegou ao limite: a alternativa seria você sonhar que está sendo atacada pelos animais, o que seria tão angustiante quanto tomar consciência da ideia que está sendo representada.

É por isso que o psicanalista francês Jacques Lacan brincava dizendo que a gente acorda dos sonhos… para continuar sonhando.


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Vale a pena estudar Reich na Psicanálise?

Ao longo de mais de cinco anos de existência da Confraria Analítica, minha escola de formação teórica em Psicanálise, várias pessoas me pediram para falar sobre Reich.

E hoje eu finalmente decidi atender essa demanda.

Wilhelm Reich (1897-1957) fez parte do movimento psicanalítico durante aproximadamente 13 anos, de 1920 a 1933.

Há relatos de que Freud o via como um de seus alunos mais promissores.

Mas será que Reich merece, de fato, ocupar um lugar entre os grandes nomes da Psicanálise?

Ou será que ele se tornou notável justamente pelas ideias controversas (para dizer o mínimo) que propagou fora do universo psicanalítico?

Para quem não sabe, Reich faleceu de ataque cardíaco numa prisão norte-americana por desobedecer a proibição de distribuir suas “máquinas de acumulação de orgônio“.

Orgônio foi o nome que o autor deu para a suposta energia vital universal que estaria presente tanto no corpo humano quanto na natureza.

Reich acreditava que o aumento dessa energia no corpo poderia curar doenças. Por isso, criou uma caixa para gerar um acúmulo de orgônio que seria absorvido pelo paciente no interior dela.

Lendo essa descrição, não é difícil entender por que o FDA (Food and Drug Administration) proibiu o médico de distribuir essas “máquinas”.

Mas muitos anos antes dessas ideias e práticas controversas, ainda na Psicanálise, Reich fez alguns apontamentos muito interessantes.

Por exemplo: sobre a função defensiva do caráter (entendido como jeito de ser da pessoa) e a importância de analisá-lo desde o início do tratamento.

Mas será que essas contribuições são verdadeiramente originais ou apenas reformulações e aprofundamentos das ideias que outros autores já vinham propondo naquela época (anos 1910-1920)?

E como lidar com a relação de continuidade que o próprio autor afirma existir entre o que ele escreveu na “fase psicanalítica” e o que propôs na “fase orgônica”?

Eu enfrento esses problemas e faço um passeio pelas principais ideias de Reich na aula publicada hoje na Confraria.

O título dela é “Introdução às ideias de Wilhelm Reich” e já está disponível no módulo “Aulas Temáticas – Temas Variados”.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de formação teórica em Psicanálise, com um acervo de mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.

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Na Psicanálise, a gente faz engenharia reversa da própria vida.

No processo de construção de qualquer produto, seja ele um carro, um prédio, um celular, a engenharia exerce um papel preliminar.

É no âmbito dela que se definem a função do artefato, o design, as etapas de produção, os recursos que serão necessários etc.

Mesmo não tendo acompanhado esse planejamento, nós podemos deduzi-lo analisando o produto já construído.

O nome desse procedimento é engenharia reversa.

Mas por que um psicanalista está falando disso?

Porque, na Psicanálise, nós fazemos algo parecido.

Assim como uma casa não é construída de maneira aleatória, o adoecimento psíquico também se organiza segundo uma certa lógica.

Obviamente não criamos nossos problemas emocionais da mesma forma consciente e racional que engenheiros projetam um prédio.

Mas eles não surgem do nada. Eles se formam e passam a cumprir funções muito específicas.

Sua depressão, por exemplo, não se explica apenas por uma desordem química no cérebro.

Seus pensamentos intrusivos não te assombram simplesmente porque você é muito ansioso.

Nossos sintomas e inibições são construídos, em grande medida, como formas de nos proteger de nós mesmos.

Ao longo desse movimento de construção, vários processos entram em jogo: defesas, fantasias, identificações etc.

E é só discernindo esses elementos que conseguimos deduzir como o adoecimento foi arquitetado.

Essa engenharia reversa é o que acontece ao longo de uma análise.

Enquanto associa livremente, o paciente vai como que “desmontando” os problemas emocionais, de modo que podemos enxergar suas peças.

E aí vai ficando claro tanto para o analista quanto para o analisando que houve ali uma forma de organização que não foi aleatória.

Um dos desafios da análise é ajudar o sujeito a se apropriar dessa engenharia que ele fez sem saber que fez.

Não se trata, evidentemente, de levar o paciente a pensar: “Eu estou assim por minha própria culpa. Fui eu quem fiz este sintoma”.

Não!

Na verdade, o que buscamos é ajudar a pessoa a se enxergar a fim de que, se enxergando, ela possa, finalmente, ter a chance de mudar.

Afinal, se o produto que se formou em mim funciona mal e vive dando defeito, eu preciso olhar para ele com cuidado e profundidade.

Só assim poderei, quem sabe, reconfigurá-lo ou encontrar uma forma de fazê-lo funcionar melhor.


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Por que a Psicanálise é terapêutica?

O que, de fato, leva um paciente, em análise, a mudar, a melhorar, a sair de sua condição de sofrimento?

Em 1934, o psicanalista britânico James Strachey tentou responder essa pergunta em um artigo que se tornaria um clássico:

“A natureza da ação terapêutica da Psicanálise”

O resultado dessa investigação foram três noções inovadoras:

  • Círculo vicioso neurótico
  • Superego auxiliar
  • Interpretação mutativa

Para Strachey, o neurótico não consegue sair sozinho de seu sofrimento porque retroalimenta suas defesas ao projetar suas fantasias na realidade, ou seja, ele fica preso a um “círculo vicioso”.

A análise conseguiria interromper esse processo porque o analista resiste às projeções do paciente, apresentando-se como um “objeto bom” que vai sendo internalizado pelo sujeito (“superego auxiliar”).

A ferramenta clínica que fomentaria essa internalização seria a “interpretação mutativa”, na qual o analista mostra ao paciente seu movimento projetivo acontecendo ao vivo e a cores na transferência.

Como eu disse, Strachey escreveu essas coisas em 1934.

Como aplicá-las hoje, em 2026, numa clínica contemporânea muito mais variada do que aquela que os analistas encontravam em meados do século XX?

No artigo, Strachey se limita a falar de pacientes que projetam seu superego cruel — vem daí a ideia de que o analista poderia funcionar como um “superego auxiliar”.

Mas como pensar os casos em que o paciente projeta outros elementos, tais como um objeto interno abandonador ou sedutor?

E como fazer, na prática, uma interpretação mutativa?

Eu trabalho todas essas questões na aula “Por que a Psicanálise é terapêutica?”, que acaba de ser publicada na Confraria Analítica.

Para assistir, é só se tornar membro da nossa escola.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de formação teórica em Psicanálise, com um acervo de mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.


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A idealização é a mãe do desespero

Ao longo da história, muitos pensadores meditaram sobre os atributos que diferenciariam radicalmente os seres humanos de outros animais.

Uma opinião conhecida é a de que a razão seria essa característica distintiva: apenas o homem seria capaz de pensar racionalmente.

Outra visão clássica é a de que a linguagem (no sentido forte do termo) seria a propriedade que, de fato, nos separa das demais espécies.

Aventurando-me a entrar nessa polêmica e sem a pretensão de estar propondo nada novo, eu diria que:

Nós, humanos, somos seres que, diferentemente dos outros animais, temos a capacidade de imaginar.

Enquanto o doguinho que adormece ao seu lado no sofá só tem acesso à realidade que a vida lhe impôs, você pode ir muito além dela.

Você pode estar aí na sua casa, afagando seu pet e, ao mesmo tempo, estar beijando seu namorado na casa dele — no plano da imaginação.

A capacidade de imaginar nos liberta dos limites da realidade factual.

Ela nos permite criar cenários virtuais que eventualmente podem até se converter em reais.

Foi o que aconteceu com muitas invenções tecnológicas.

O problema é que a imaginação também pode ser fonte de muito sofrimento.

Pense, por exemplo, numa pessoa ansiosa que não consegue dormir justamente por ficar imaginando catástrofes que podem lhe acontecer.

Mas quero me deter em outra situação muito comum na qual a imaginação mais atrapalha do que ajuda:

É quando ela se coloca a serviço da idealização.

Veja esse exemplo:

Frustrada com certos comportamentos de Alberto, Bianca fica imaginando quão melhor seria sua vida se o marido fosse diferente.

Influenciada por conteúdos de Instagram, ela vai pouco a pouco construindo em sua imaginação o homem que Alberto deveria ser.

Sim, porque os influenciadores que Bianca segue a fazem acreditar que o marido ideal não deve ficar só no plano da imaginação.

Ele precisa existir.

Então, Bianca começa a achar que está vivendo errado e entra em desespero.

Afinal, dia após dia, ela percebe que o Alberto real jamais se transformará no Alberto ideal que imaginou.

Moral da história:

Quando você usa a imaginação para criar uma versão “corrigida” da realidade, na esperança de acabar definitivamente com suas frustrações…

… o resultado costuma ser o oposto: você fica ainda mais frustrado.


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Psicanálise: quando a interpretação não funciona

A interpretação é a principal ferramenta de trabalho do psicanalista.

Afinal, o objetivo fundamental de uma análise é, como dizia Freud, “tornar o inconsciente consciente”.

E interpretar nada mais é que apresentar ao paciente uma hipótese sobre o que supomos estar se passando em seu inconsciente.

Mas para que uma interpretação possa produzir efeitos transformadores, é preciso que o paciente tenha condições de assimilá-la.

E nem todo analisando tem.

Há pacientes cuja capacidade de processar experiências emocionais ficou severamente comprometida pelos traumas que vivenciaram.

E a assimilação da interpretação depende do bom funcionamento dessa capacidade.

Por isso, nesses casos, interpretar simplesmente não funciona.

O analista precisa fazer outra coisa.

Quer saber o quê?

Então, assista à aula “Bion: quando interpretar não funciona”, que acaba de ser publicada na Confraria Analítica.

Nessa aula você vai entender:

• por que alguns pacientes não conseguem assimilar interpretações;

• como reconhecê-los na clínica;

• qual manejo técnico usar nesses casos.

A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do país e já conta com um acervo de mais de 400 aulas.

Para participar, é só acessar este link.


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Como funciona a projeção?

A projeção é um dos mecanismos de defesa que nós mais utilizamos no cotidiano.

Ela acontece quando você atribui a outra pessoa intenções, sentimentos, atitudes que, na verdade, estão presentes em você mesmo.

Por que isso ocorre?

Porque você tem medo de reconhecer que possui as mesmas intenções, sentimentos e atitudes que está projetando no outro.

E por que você tem medo?

Porque aquelas intenções, sentimentos, atitudes entram em choque com a imagem que você quer ter de si mesmo.

Exemplo típico de projeção:

Recentemente, Débora e Adriana, duas amigas, participaram de um concurso público. Porém, somente Débora foi aprovada.

Por conta disso, se formou no psiquismo de Adriana um sentimento de inveja em relação à amiga.

“Deveria ter acontecido o inverso: eu aprovada e Débora a ver navios. Eu estudei muito mais do que ela”, pensou Adriana — inconscientemente.

— Por que “inconscientemente”, Lucas?

Porque o superego de Adriana não permitiu que tal pensamento chegasse a sua consciência. Tampouco, o sentimento de inveja.

Ela sentiu apenas uma ansiedade, uma irritação, um mal-estar.

É compreensível: quando criança, a moça ouvia a mãe dizer que “inveja é o sentimento mais nojento do mundo, coisa de gente baixa, mesquinha”.

Assim, Adriana cresceu achando que, para ser uma pessoa boa, adequada, ajustada, ela não poderia jamais sentir inveja.

Ao impedir o acesso do pensamento e do sentimento de inveja à consciência, o superego da jovem a ajuda a se manter nesse autoengano.

O problema é que a inveja não fica lá quietinha, no inconsciente. Ela quer se manifestar, ainda que de maneira distorcida e indireta.

É aí que entra a projeção.

Depois que o resultado do concurso saiu, Adriana começou a achar que Débora estava se afastando dela.

Qualquer recusa a um convite era interpretada por Adriana como evidência de que Débora não queria mais sua amizade.

“Só pode ser por inveja!”: foi o pensamento que veio à mente de Adriana.

“A Débora deve estar morrendo de inveja pelo fato de eu estar noiva e ela não ter sequer um ficante. É por isso que ela quer ficar longe de mim!”

Na realidade, Débora não havia mudado em absolutamente nada seu comportamento em relação à amiga.

Mas Adriana precisou distorcer sua percepção da realidade para poder atribuir a Débora a inveja que ela própria não podia reconhecer em si.

É assim que acontece quando usamos a projeção:

Só conseguimos enxergar a capivara que negamos em nós se ela aparecer do lado de fora, em outra pessoa.


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