O Inconsciente é uma carta cujo remetente e o destinatário são a mesma pessoa: você

O Inconsciente não é apenas o quartinho psíquico da bagunça, onde você deposita objetos, vestimentas e trecos que supostamente não têm mais serventia.

O Inconsciente não é apenas a lata de lixo da alma, para onde vão todos os restos e dejetos que você precisa descartar para viver limpinho.

O Inconsciente não é apenas a parte de baixo do tapete mental para a qual você varre aquela insistente poeira que não quer ver e nem quer que os outros vejam.

O Inconsciente é fundamentalmente um discurso, uma manifestação, um texto que você dirige a si mesmo. Fala contida, amordaçada, tolhida, que você insiste em articular e, ao mesmo tempo, resiste a escutar.

Do que se trata esse discurso? De velhos objetos, de roupas que saíram de moda, de restos, de dejetos, dessa poeira incômoda que, por mais que seja varrida, sempre volta…

É sobre essas coisas descartadas, ocultas, guardadas que você está sempre falando para si mesmo, escrevendo na própria carne. No Inconsciente.


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Você sabe quem foi Melanie Klein?

As principais contribuições teóricas de Melanie Klein para a Psicanálise derivam de suas experiências de análise com crianças. Diferentemente do que pensava Freud, para quem a Psicanálise não seria possível com o público infantil, Klein acreditava que as crianças poderiam receber terapia psicanalítica desde que fossem feitas algumas adaptações no método que, até então, vinha sendo utilizado apenas com adultos. Klein defendia, por exemplo, que, em vez da associação livre (falar espontaneamente o que vier à cabeça), a técnica a ser utilizada com crianças deveria ser o brincar. Para a autora, é nas brincadeiras que as crianças expressam as fantasias que estão depositadas em seu Inconsciente e que se encontram na origem do adoecimento.

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3 traços da estrutura obsessiva

Para-além dos sintomas clássicos (pensamentos obsessivos e compulsões), a neurose obsessiva contempla também certos traços típicos de personalidade que revelam a posição subjetiva ocupada por alguém que se encontra nessa estrutura.

Dentre esses diversos traços típicos, escolhi três para exemplificar o funcionamento característico de um sujeito obsessivo.


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Quem apanha da realidade se refugia na fantasia

“Ninguém gosta de mim”, “ninguém me respeita”, “todo homem só se aproxima de mim para se aproveitar”, “toda mulher é interesseira”. Essas são algumas das teorias que construímos e saímos propagando por aí quando estamos emocionalmente doentes.

Uma das características mais marcantes do adoecimento psicológico é o afastamento da realidade. Quanto mais grave é a enfermidade, mais distante o sujeito se coloca da fluxo real da existência.

Isso se deve ao fato de que geralmente o gatilho que desencadeia uma patologia psíquica é uma experiência de frustração ou de opressão vivida na realidade. Assim, para se proteger, o sujeito se afasta do mundo e mergulha na segurança e previsibilidade oferecidas por suas fantasias. Em outras palavras, para se defender de um mundo onde as coisas acontecem de modo imponderável e muitas vezes surpreendente, o sujeito se refugia em seu próprio universo psíquico.

No reino das fantasias, não há espaço para o aleatório, o imprevisível, o eventual. Tudo faz sentido. A fantasia encaixa todos os acontecimentos num enredo fixo e repetitivo. Ao se afastar da realidade, o sujeito passa a enxergá-la exclusivamente com os óculos de sua fantasia.

Por exemplo, após receber um “fora”, o sujeito pode encarar esse acontecimento como uma comprovação de que “ninguém gosta dele”. Da mesma forma, ao ser tratada com indiferença pela atendente do banco, a pessoa imersa em sua fantasia pode interpretar tal situação como a prova cabal de que “ninguém a respeita”.

Embora tais fantasias não sejam nada agradáveis, elas colocam ordem na experiência, dando ao sujeito a convicção de que nada do que acontece consigo é por acaso. Essa sensação de que “tudo faz sentido” proporciona à pessoa conforto e uma impressão ilusória de controle. Assim, para se proteger de uma realidade que não lhe foi favorável no passado, o indivíduo se deixa aprisionar no cárcere de suas fantasias.

Você acredita que está passando ou já tenha passado por isso? Conhece alguém que esteja nessa condição?


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Não somos só o que escolhemos. Somos quem podemos ser

Jean-Paul Sartre, filósofo francês, defendia a tese de que, no caso dos seres humanos, a existência precede a essência, ou seja, aquilo que cada pessoa é não seria uma expressão de uma suposta natureza intrínseca, mas o resultado condensado das escolhas que vem fazendo desde que nasceu.

Uma porta não é assim. Uma porta concreta é meramente a materialização de um projeto de porta que já existia antes dela na mente do fabricante.

No caso dos outros animais, também não vale a afirmação de que a existência precede a essência. Afinal, os bichos não fazem escolhas. Eles apenas reagem de forma mais ou menos padronizada às pressões do próprio corpo e do ambiente. Nesse sentido, um cachorro x é meramente uma expressão particular da espécie canina, cuja essência pode ser inferida por meio da observação de qualquer cão.

Quando consideramos o Homo sapiens, a história é outra. Dada a diversidade imensa de perfis humanos, não é possível extrair da observação de uma pessoa particular uma noção geral de natureza humana. Pense, por exemplo, nas diferenças abissais existentes entre indivíduos como Josef Stálin e São Francisco de Assis.

Portanto, Sartre está corretíssimo ao propor que, no caso do homem, a essência é um projeto que vai sendo permanentemente construído e reconstruído em função dos caminhos que cada pessoa toma ao longo da vida.

O que talvez tenha escapado a esse brilhante expoente do Existencialismo, é que as escolhas que fazemos não são integralmente livres. A descoberta freudiana do Inconsciente evidencia que as marcas que a vida deixa em nós se articulam de modo autônomo, desafiando nossa liberdade e condicionando nossas escolhas. Sim, a gente decide, seleciona, faz opções, somos responsáveis por elas, mas não necessariamente somos livres ao fazer isso.

De fato, não temos uma essência prévia, tal como a porta ou o cachorro, mas isso não significa que tenhamos autonomia absoluta sobre o destino de nossas vidas. O que nos tornaremos não é algo que já esteja pré-determinado desde antes do nascimento, mas também não é produto apenas de nossas escolhas voluntárias.

Como diria o poeta, somos quem podemos ser.


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Terapia é coisa pra gente corajosa

Muitos pacientes chegam ao consultório de um terapeuta se condenando por estarem precisando de ajuda. São pessoas que vivenciam um duplo sofrimento: para-além da dor provocada pelo próprio adoecimento, ainda padecem com o sentimento de culpa simplesmente por estarem reconhecendo sua vulnerabilidade.

No entanto, ao contrário do que esses pacientes pensam a princípio e diferentemente também do que o senso comum sustenta a respeito de quem procura ajuda psicológica, entrar em terapia é uma das atitudes mais corajosas que uma pessoa pode tomar.

A razão é simples: quem se deita no divã ou fica de frente para um terapeuta está se propondo a fazer uma longa viagem pelos confins da própria alma, jornada em cujo trajeto irá se deparar com paisagens desagradáveis e muitas vezes assustadoras.

Quem venceu suas resistências narcísicas e decidiu fazer esse mergulho dentro de si não é nada fraco. Pelo contrário: conta com a força que só conhecemos quando não tememos a vulnerabilidade.


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O desejo de vingança eterniza o trauma

Muitas pessoas procuram atendimento psicológico em função das sequelas emocionais produzidas por experiências de humilhação e abuso vivenciadas sobretudo na infância.

Diferentemente do que se imagina, tais sequelas não são derivadas exclusivamente dessas vivências de sofrimento, mas principalmente do DESTINO que a pessoa deu para elas em seu mundo interno. Em outras palavras, os efeitos traumáticos dessas experiências têm muito mais a ver com a forma com que o sujeito lida com as memórias dos momentos de dor.

Algumas pessoas, por exemplo, insistem em nutrir um desejo de vingança contra aqueles que lhe fizeram mal. Embora essa atitude seja plenamente justificável e compreensível, ela acaba fazendo com que aquilo que fora um episódio de violência se transforme num filme continuamente repetido na alma da pessoa.

O velho ditado “Quem bate esquece, mas quem apanha não é esquece” só se torna verdade para quem não abre mão do desejo de voltar no tempo e acertar as contas com quem o machucou.

Um dos objetivos que buscamos no tratamento psicanalítico de pessoas que foram vítimas de situações de abuso, violência ou humilhação é o de ajudá-las a parar de desperdiçar suas preciosas energias em fantasias de vingança. Nossa expectativa é de que o sujeito vá pouco a pouco parando de reescrever dia após dia suas memórias de dor e passe a tratá-las como páginas viradas.


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Você sempre está onde te convém

Sim, por pior que seja a situação, se você tem como sair dela e mesmo assim permanece, é porque deseja permanecer.

Aí você me diz: “Mas, Lucas, isso que você está falando não faz sentido. Eu não estou no trabalho que gostaria de estar nem o meu relacionamento é como eu gostaria que fosse. Como, então, você pode me dizer que estou onde desejo estar?”.

Vamos lá. Deixa eu te explicar:

Ao contrário do que pensa, você não é uma pessoa só. Na verdade, uma das dimensões do que você chama de EU é uma síntese das diversas pessoas que você amou desde o início da vida. Em outras palavras, há em você pedaços do seu pai, da sua mãe, de irmãos, de professores, de amigos, de tios, enfim… Você é um monte de gente reunida em uma pessoa só.

Ao mesmo tempo, você possui uma série de desejos, inclinações e impulsos que estão no seu Inconsciente e que, portanto, você reprimiu e não é capaz de reconhecer.

Nesse sentido, esse trabalho ou relacionamento que você percebe conscientemente como insatisfatórios e fontes de sofrimento podem muito bem estar agradando os traços paternos ou maternos presentes no seu Eu ou sendo extremamente aprazíveis para certos impulsos que você mantém reprimidos no Inconsciente.

Entendeu? Ainda não? Então, continue lendo.

Em outras palavras, o que estou querendo te mostrar é que a gente sempre faz aquilo que deseja. Se não conseguimos perceber isso é porque nem sempre sabemos quais são os desejos que se fazem presentes em nós. Afinal, como o demônio que escravizava o gadareno, nós “somos muitos”…

Múltiplos e contraditórios desejos nos habitam e direcionam nossa existência enquanto nos iludimos achando que nossas escolhas são sempre fruto de nossas decisões conscientes. É por isso que muitas vezes permanecemos em situações que SABEMOS serem desfavoráveis e dolorosas. Com efeito, essa consciência não impede que certas partes de nós se satisfaçam por meio delas.

Na terapia psicanalítica, ajudamos o paciente a tomar consciência e se apropriar desses diversos desejos inconscientes que agem sobre ele à revelia de sua vontade.


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Pare de ter saudade do que você não viveu

Ontem eu estava escutando uma conversa sobre marketing digital numa das inúmeras salas voltadas ao tema lá no Clubhouse e tive um insight que gostaria de compartilhar com vocês.

Na conversa, os “speakers” (como são conhecidas as pessoas que podem falar numa sala do Clubhouse) discutiam algumas estratégias básicas para crescimento de audiência e conversões de vendas. Nessa hora eu me dei conta de que não vinha utilizando algumas daquelas técnicas.

Tal constatação fez surgir em mim o seguinte pensamento: “Puxa, estou perdendo tempo! Se eu já estivesse utilizando esses métodos, meus negócios estariam muito maiores.”. Foi imediatamente após ter esse raciocínio que me veio à mente o insight de que quero lhes falar.

A percepção de que eu poderia ter feito certas coisas que não fiz desencadeou em mim uma atitude emocional de tristeza e lamentação. Mas isso só aconteceu porque o meu olhar estava voltado para o passado, para o que poderia ter acontecido e não aconteceu. Se meu foco tivesse sido dirigido desde o início para o futuro, a reação teria sido outra, como de fato foi quando eu deliberadamente modifiquei minha forma de encarar o que estava ouvindo.

Ao invés de lamentar ainda não ter utilizado as estratégias que estavam sendo mencionadas, comecei a pensar: “Puxa, que bom que o acaso me levou até esta sala e estou tendo a oportunidade de aprender com essas pessoas. Daqui para a frente tentarei aplicar essas técnicas de que estão falando.”.

Percebeu? Quando eu deixei de encarar as informações que estava recebendo com um olhar de lamentação e passei a enxergá-las com uma visão de progresso, minha atitude emocional mudou e eu me senti motivado a agir.

A moral da história aqui é a seguinte: frequentemente, diante de um erro, ficamos presos ao acerto imaginário que não aconteceu e perdemos de vista as possibilidades de sucesso futuro que o fracasso presente inaugura. Isso acontece porque facilmente embarcamos na ilusão de que falhas são sempre acidentes evitáveis, sendo que, na verdade, os tropeços constituem a própria essência do caminhar humano.


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Ansiedade é falta de fé

Calma! Ao falar de fé, não estou me referindo a uma experiência religiosa.

Todo o mundo precisa de fé para funcionar no dia-a-dia, tanto crentes quanto ateus.

Quando sai de casa, por exemplo, para ir ao trabalho e ACREDITA que o ônibus irá passar no mesmo horário de sempre, você está fazendo uso da fé. Afinal, você não sabe com certeza absoluta se isso acontecerá. Você acredita que sim porque, no passado, geralmente ele passou naquele horário. Contudo, não é possível garantir que isso continuará acontecendo. Pode ter havido um problema mecânico, provocando um atraso. Não tem como você saber. Por isso, é necessário um ato de fé: você acredita que acontecerá mesmo sem ter certeza disso.

Perceba: ao contrário do que diziam alguns religiosos da Antiguidade, fé não é acreditar por acreditar, acreditar sem fundamentos. Ter fé é dar um salto no abismo da INCERTEZA acreditando que não vamos cair porque temos boas razões para pensar assim.

E isso a gente faz o dia inteiro. É impossível viver sem pequenos atos cotidianos de fé. O que lhe garante, por exemplo, que o prédio onde você trabalha permanecerá de pé hoje? Quem estava no World Trade Center em 2001 também foi trabalhar acreditando que isso aconteceria.

E a pessoa ansiosa? O ansioso também pratica a fé cotidianamente em alguma medida. O problema é que, em muitas situações, ele se deixa capturar pela armadilha da incerteza. Por exemplo: nós nunca podemos ter certeza absoluta da fidelidade de nossos parceiros amorosos. Portanto, para estarmos num relacionamento, precisamos necessariamente vencer essa incerteza com a fé. O ansioso, todavia, tem dificuldade para fazer esse movimento. Ele não suporta a incerteza e, por isso, precisa ficar o tempo todo verificando se o parceiro realmente é fiel.

Portanto, a fé é uma virtude essencial que precisa ser desenvolvida por pessoas ansiosas. Sem ela, as inevitáveis incertezas do dia-a-dia se tornam aterrorizantes e o sujeito vive num esforço absolutamente inútil de eliminá-las.

Mais fé, menos Rivotril.


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Narcisismo não é amor-próprio

Acho que deu para você perceber que, quando estamos falando de narcisismo, não se trata do que costumamos chamar no senso comum de amor-próprio. Em nossa dimensão narcísica, não amamos a nós mesmos, mas a imagem idealizada que queremos ter de nós mesmos. Estou chamando sua atenção para isso porque meu propósito com este artigo é demonstrar que muitas vezes é justamente o narcisismo o responsável por destruir o nosso amor-próprio. Com efeito, em nome do amor ao nosso eu ideal, podemos nos envolver em situações, relacionamentos e atitudes que podem ser profundamente autodestrutivos.

Leia o texto completo clicando aqui.


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Se você sofre com a procrastinação, leia o texto abaixo

Procrastinar significa adiar a realização de uma tarefa sem que isso configure uma decisão estratégica.

É importante observar essa definição para não confundirmos procrastinação com planejamento. Muitas vezes precisamos adiar uma atividade em função de um imprevisto ou tendo em vista uma ocasião mais favorável para executá-la. Nesses casos, não estamos procrastinando, mas simplesmente planejando o momento adequado para a realização da tarefa.

Procrastinar é enrolar. É sentar na frente do computador, ter tempo e recursos suficientes para fazer o que precisa ser feito e… não conseguir fazer.

Trata-se de um fenômeno que se diferencia também da preguiça. O preguiçoso não adia suas tarefas porque sente um bloqueio na hora de realizá-las, mas, sim, porque decide voluntariamente ficar ocioso ao invés de trabalhar. A preguiça é o apego excessivo ao descanso e ao lazer.

O procrastinador, por sua vez, até deseja produzir, mas uma resistência interna o impede de se engajar numa tarefa específica. Por isso, podemos dizer que o verdadeiro problema na procrastinação não é exatamente o “deixar para depois”. O adiamento é, na verdade, a saída que o procrastinador encontra para se ver temporariamente livre da tarefa, já que ela o deixa ansioso.

Nesse sentido, o que está na raiz do problema da procrastinação é a ANSIEDADE provocada pelo afazer. Essa ansiedade sinaliza a existência de um conflito interno relacionado à atividade que está sendo procrastinada. Pode ser, por exemplo, que o sujeito conscientemente deseje executá-la, mas inconscientemente não o queira, seja por medo do sucesso, raiva de quem a solicitou ou qualquer outra razão afetiva como essas.

Técnicas práticas para driblar a procrastinação funcionam? Sim. Eu mesmo sou um entusiasta de algumas delas. Todavia, para-além de tentarmos vencer a procrastinação a qualquer custo, deveríamos tomá-la como um indício muito instrutivo de como anda a nossa relação com o nosso trabalho. Eventualmente, por exemplo, procrastinar pode ser a forma que o seu Inconsciente encontrou para dizer que esse emprego ou esse curso universitário não é a sua praia.


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As raízes do sentimento de culpa

Quero iniciar este texto propondo uma definição de culpa. Não pretendo ser exaustivo e contemplar todos os aspectos dessa emoção, mas apenas destacar o que me parece ser o seu traço mais essencial.

Defino culpa como o sentimento que a maioria de nós experimenta quando percebe que causou dano a um objeto que valorizamos. Esse objeto pode ser uma pessoa, um animal, uma instituição ou até… o nosso próprio ego. Quando nos sentimos culpados, por exemplo, por fazer algo incompatível com nossos parâmetros morais, mas que não causou prejuízo a nenhuma pessoa, quem sofre o dano nesse caso é a imagem que desejamos ter de nós mesmos, o nosso ego ideal.

O fato de nos sentirmos culpados mesmo quando ninguém está sendo efetivamente prejudicado evidencia que a culpa não é um afeto que brota espontaneamente da percepção do sofrimento do outro em função do dano causado a ele. Com efeito, uma mulher pode se sentir culpada por trair seu marido mesmo que o companheiro jamais saiba do chifre. Ou seja, a culpa que ela experimenta ocorre independentemente da dor que acometeria o marido caso ele fosse informado do adultério.

Esse exemplo nos permite discernir um aspecto crucial da culpa: na verdade, o verdadeiro motor desse sentimento é a consciência moral e não propriamente a realidade. É por isso que muitas pessoas se sentem culpadas meramente por desejarem certas coisas ou fantasiarem situações. Embora nada tenha acontecido na prática, mesmo assim elas se sentem culpadas.

A culpa, portanto, pode ser vista como a PUNIÇÃO que nossa consciência moral nos aplica por desobedecermos, concreta ou imaginariamente, suas leis. Em outras palavras, quando nos sentimos culpados, é como se estivéssemos sendo colocados “de castigo” por nossa consciência moral. Essa analogia nos permite compreender por que a culpa é tão dolorosa. De fato, é como se estivéssemos recebendo uma surra da consciência por nossas “malcriações”.

Foi justamente pensando nessa analogia que anteriormente fiz uma live no Instagram defendendo a tese de que CULPA É COISA DE CRIANÇA, ideia à qual pretendo voltar em outra postagem.


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O que está por trás dos nossos sonhos?

Sempre que abro a caixinha de perguntas no Instagram, aparecem várias questões sobre os significados dos sonhos e como interpretá-los. De fato, muitas pessoas suspeitam que haja uma lógica, um sentido, um conteúdo mais profundo por trás da sucessão aparentemente aleatória das imagens oníricas.

Em 1900, Sigmund Freud publicou “A Interpretação dos Sonhos”, considerada por muitos como sua principal obra e que registra justamente sua descoberta de que os sonhos são, sim, dotados de significação e podem ser satisfatoriamente interpretados desde que se saiba de antemão que tipo de elementos estão em seus bastidores.

O sonho, tal como nos lembramos dele, é o resultado final de um processo de DEFORMAÇÃO e EDIÇÃO. É por isso que ele se apresenta de modo fragmentário e frequentemente com figuras e situações improváveis ou irracionais. Portanto, o sonho de que nos recordamos é uma versão distorcida e esfacelada de OUTRA COISA.

Que outra coisa? Trata-se do que Freud chamou de “pensamentos latentes”. São receios, medos, desejos, fantasias etc. que passaram pela nossa cabeça no dia anterior ao sonho, mas foram suprimidos. Sabe quando, por exemplo, você fica com raiva de uma pessoa, deseja fazer algo ruim contra ela, mas, imediatamente após pensar nisso, você se censura por não achar legal ter esse tipo de intenção? Então… São pensamentos como esse que, por serem condenados por nossa consciência, se tornam latentes, ou seja, ficam “na reserva” da mente, esperando para “entrarem em campo”, o que acontece, de modo disfarçado, nos sonhos.

Nesse momento, você pode estar se perguntando: “Mas por que esses pensamentos latentes precisam se disfarçar? Por que a gente não pode sonhar com eles do jeito que são?”. Simples: porque se nós suprimimos esses pensamentos durante o dia é justamente por serem desagradáveis e mancharem a imagem que queremos ter de nós mesmos.

Se nós pudéssemos sonhar com eles tal como apareceram originalmente, ficaríamos tão incomodados e angustiados que acabaríamos acordando. O sonho, ao expressar esses pensamentos de modo deformado e editado, permite que eles sejam “descarregados” sem atrapalharem o nosso precioso sono.


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