Precisamos tomar cuidado com a banalização da discussão sobre o suicídio. Na contramão das piegas mensagens motivacionais, a Psicanálise trata o problema com a seriedade que ele merece.

No Brasil, desde 2015 temos utilizado o mês de setembro para intensificar a divulgação de informações sobre suicídio.

Trata-se da campanha “Setembro Amarelo”, que busca combater falsas crenças relacionadas ao problema e estimular a adoção de medidas que possam contribuir para evitar a ocorrência do autoextermínio.

A Psicanálise pode nos ajudar a compreender os determinantes psíquicos do ESPECTRO SUICIDA, isto é, o conjunto de manifestações que vão desde um desejo ocasional de morrer até a consumação do ato.

Uma das descobertas fundamentais feitas pelos psicanalistas que estudam rigorosamente o tema é a de que um ato suicida geralmente tem PROPÓSITOS conscientes e inconscientes que estão para-além da simples vontade de se matar.

Em outras palavras, a tentativa de acabar com a própria vida quase sempre tem um SIGNIFICADO SIMBÓLICO, que deve ser buscado em certas FANTASIAS conscientes e inconscientes nutridas pelo sujeito.

Outra descoberta fundamental é a de que o desejo consciente de morrer frequentemente está atrelado a um desejo inconsciente de sobreviver à tentativa de auto-extermínio:

O psiquiatra e psicanalista inglês Robert Hale conta que um de seus pacientes tentou se matar ingerindo exatos 199 comprimidos de aspirina.

Quando perguntado por que não havia tomado a 200ª. pílula, o sujeito (que, não por acaso, trabalhava com estatística…) disse que o comprimido havia caído no chão e, portanto, poderia haver germes nele.

Na aula especial que os membros da CONFRARIA ANALÍTICA receberão ainda hoje (sexta-feira) falarei, dentre outras coisas, sobre:

– A compreensão psicanalítica do suicídio como um acting-out.

– Os 3 tipos de personalidade que costumam ser mais propensos ao comportamento suicida.


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No Inconsciente estão as páginas da nossa história que, com medo de ler, resolvemos pular.

Quando a gente fala que no Inconsciente encontram-se memórias, desejos e fantasias que nós reprimimos, corremos o risco de imaginar que o processo acontece mais ou menos assim:

A gente experimenta conscientemente o desejo, entende que ele é incompatível com o ego e decide retirá-lo da consciência.

Todavia, não é dessa forma que as coisas se passam.

Na segunda fase da sua produção teórica (que começa no início dos anos 1920), Freud chega à conclusão de que os mecanismos de defesa (como o recalque) são acionados pela experiência da ansiedade.

Como sabemos, ansiedade, angústia e medo são afetos que se caracterizam por sensações muito semelhantes.

Nesse sentido, creio que não seria incorreto dizer que a gente se defende quando está com medo, ou seja, quando nos sentimos AMEAÇADOS.

Com efeito,  certas memórias, desejos e fantasias parecem tão contrários à imagem que temos de nós mesmos e de outros que SEM PENSAR a gente reprime esses conteúdos.

SEM PENSAR: esse é o ponto. A defesa não ocorre após um esforço reflexivo por parte da pessoa.

A gente reprime simplesmente porque tem a IMPRESSÃO de que não vai dar conta de suportar conscientemente determinados conteúdos.

É o medo que produz a defesa e não uma avaliação racional das memórias, desejos e fantasias que parecem ameaçadores.

Nesse sentido, o que a gente encontra no Inconsciente são justamente conteúdos não compreendidos, não avaliados.

Como aquelas comidas que a gente, por medo, evita comer antes mesmo de provar.


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Interpretar, em Psicanálise, é trazer ao paciente notícias de um mundo em que ele está prestes a adentrar.

A interpretação é um dos diversos tipos de intervenção que o psicanalista pode fazer durante de uma sessão de análise.

Interpretar consiste em expressar aquilo que, com base em vários indícios, o analista deduz que esteja se passando inconscientemente com o paciente.

Uma interpretação adequada deve ser uma formulação mais próxima possível daquilo que efetivamente acontece no interior do analisando.

Podemos diferenciar dois objetivos que precisam ser alcançados por uma boa interpretação:

1 – Ela deve ajudar o paciente a integrar fantasias, desejos, impulsos etc. que vinham “rodando” em seu Inconsciente e se manifestando de forma distorcida pela via dos sintomas, sonhos e atos falhos.

2 – Ela deve servir como um sinal para o paciente de que o analista está “sintonizado” com ele, contribuindo para que o analisando se sinta acolhido pela escuta do terapeuta.

Portanto, a interpretação não serve só para trazer à luz aquilo que estava no Inconsciente, mas também (e fundamentalmente) para proporcionar ao paciente a experiência de se sentir cuidado e amparado pelo analista.

Quando é utilizada pelo terapeuta tão-somente como um meio de “jogar na cara” do paciente as verdades que supostamente estariam em seu inconsciente (e isso, infelizmente, acontece), a interpretação se torna traumática.

Por isso, como Freud recomenda, o analista só deve comunicar uma interpretação quando percebe que o paciente já está suficientemente próximo de alcançar por conta própria o conteúdo dela.

Quando o terapeuta tem essa sensibilidade, suas interpretações não são sentidas como “tapas na cara”, mas como expressões de atenção e cuidado.


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A gente faz Psicanálise para perder o medo de si mesmo

Somos estimulados desde a mais tenra idade a nos dividirmos.

Na infância, nossos pais instintivamente nos encorajam (ou nos obrigam) a abandonar certos comportamentos  — por mais satisfatórios que sejam.

Mais do que isso: somos incentivados e coagidos a renunciar não só a certas ações, mas também à vontade de realizá-las.

Com isso, se forma em nós desde muito cedo uma divisão radical entre quem a gente espontaneamente é e quem o mundo quer que a gente seja.

Quem tem a sorte de passar por essa separação de forma gradual e orgânica consegue adaptar sua espontaneidade aos limites impostos pelo mundo.

Nessas pessoas, a divisão se apresenta como uma mera DIFERENÇA entre uma parte 100% espontânea e outra adaptada.

Por outro lado, há aqueles que foram obrigados a abandonar seus impulsos espontâneos em prol das exigências do mundo de forma brusca e violenta.

Esses traumatizados passam a temer a própria espontaneidade, encarando-a como perigosa e destrutiva.

Diferentemente dos primeiros, eles não se esforçam para expressar seus impulsos adaptando-os às regras do jogo do mundo.

Para os traumatizados, a espontaneidade não deve ser sequer visitada. Eles tentam a todo custo mantê-la reprimida, tornando-se exclusivamente aquilo que o mundo quer que sejam.

A Psicanálise é um método psicoterapêutico voltado justamente para essas pessoas.

Quem não suporta mais viver uma existência vazia, mecânica, sem espontaneidade, será convidado, pela Psicanálise, a perder o medo de si mesmo.


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[Vídeo] Transferência e suposto saber: entenda

Neste vídeo: entenda por que o êxito da terapia psicanalítica depende de um tipo específico de transferência em que o paciente coloca o analista na posição de sujeito suposto saber.


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A gente faz Psicanálise para se dar conta de que a nossa verdade se revela justamente onde não estamos acostumados a procurá-la.

Quem deseja se tornar analista precisa acostumar-se a olhar para aquilo que normalmente ignoramos.

É por isso que a experiência de ser paciente de outro analista é fundamental.

É principalmente ali, no divã, que percebemos o quão significativos são os atos falhos, os sonhos e os termos que saem de nossas bocas.

Para quem não está habituado a conversar com o Inconsciente, uma troca involuntária de palavras é apenas um errinho a ser desconsiderado.

O analista, contudo, dá valor a essa “pedra que os construtores rejeitaram”. Ele a considera como “pedra angular”.

Com efeito, o Inconsciente se revela justamente nas brechas inevitáveis do nosso discurso consciente e dos nossos comportamentos voluntários.

Assim, um simples lapso de fala ou de escrita é capaz de expressar, de forma truncada e condensada, intenções que não ousamos confessar nem para nós mesmos.

Mas para ser capaz de vislumbrar a verdade reprimida que se manifesta sorrateiramente em um mero errinho de digitação é preciso ter olhos para ver e ouvidos para ouvidos.


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5 estudos experimentais que comprovam descobertas psicanalíticas

Volta e meia reaparece no meio “psi” brasileiro a discussão acerca da cientificidade da Psicanálise.

Do lado dos psicanalistas parece haver um desconhecimento lamentável a respeito do que se concebe atualmente no campo psicológico como boa ciência.

Os detratores da Psicanálise, por sua vez, também evidenciam uma indesculpável ignorância em relação à literatura científica que tanto defendem.

É essa ignorância que os faz baterem o martelo e decretarem que elementos da teoria psicanalítica nunca foram “provados” por estudos independentes da clínica.

Então, para mostrar que essas pesquisas existem, apresento a vocês apenas cinco exemplos de estudos que comprovaram EXPERIMENTALMENTE hipóteses psicanalíticas.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje um vídeo especial em que comento detalhes dessas cinco pesquisas.

As referências dos estudos seguem abaixo:

Adams, H. E., Wright Jr, L. W., & Lohr, B. A. (1996). Is homophobia associated with homosexual arousal?. Journal of abnormal psychology105(3), 440.

Chivers, M. L., & Bailey, J. M. (2005). A sex difference in features that elicit genital response. Biological psychology70(2), 115-120.

Hunyady, O., Josephs, L., & Jost, J. T. (2008). Priming the primal scene: Betrayal trauma, narcissism, and attitudes toward sexual infidelity. Self and Identity7(3), 278-294.

Josephs, L., Katzander, N., & Goncharova, A. (2018). Imagining parental sexuality: The experimental study of Freud’s primal scene. Psychoanalytic Psychology35(1), 106.

Lambert, A. J., Good, K. S., & Kirk, I. J. (2010). Testing the repression hypothesis: Effects of emotional valence on memory suppression in the think–no think task. Consciousness and cognition19(1), 281-293.

“A boca fala do que está cheio o coração.”

Esta é uma das diversas teses psicológicas de Jesus de Nazaré que se encontram registradas nos Evangelhos.

Ela aparece naquele que talvez tenha sido o discurso mais contundente de Jesus contra os fariseus, em que Ele os chama de “raça de víboras”.

Curiosamente, quando nos lembramos dessa frase “A boca fala…” nos esquecemos de que ela é a resposta da pergunta retórica que Jesus dirige aos fariseus nesses termos:

“Raça de víboras, como podem vocês que são maus, dizer coisas boas?”

Estou chamando sua atenção para essa questão porque ela evidencia um interessante alinhamento entre as concepções de Jesus e as da Psicanálise.

Com efeito, ao insinuar que os fariseus, sendo maus, não poderiam dizer coisas boas, Jesus está implicitamente afirmando que nós não controlamos nossa fala.

A conclusão “A boca fala do que está cheio o coração” é justamente um reforço dessa ideia.

Para Jesus, o Eu parece não ter autonomia completa sobre a fala. Por mais que tente controlar o que sairá de sua boca, no fundo é o Coração quem estará realmente no comando.

Ora, quem disse exatamente a mesma coisa, mas utilizando outros termos, foi o velho Freud.

A invenção da técnica da associação livre e, juntamente com ela, a ênfase na análise dos sonhos e atos falhos mostram justamente que, também para Freud, a verdade sempre escapa do controle do Eu.

Quando seguimos a recomendação freudiana e pedimos aos nossos pacientes que falem tudo o que lhes vier à cabeça, estamos atestando nossa confiança de que da boca deles sairá NECESSARIAMENTE a verdade.

Quando não tratamos um lapso do paciente apenas como um errinho irrelevante, mas o convidamos a interpretá-lo, estamos demonstrando nossa convicção de que… “A boca fala do que está cheio o coração”.

Ao perguntar retoricamente aos fariseus “como podem vocês que são maus, dizer coisas boas?”, Jesus estava sugerindo que existe uma correspondência entre o SER e o DIZER.

Em outras palavras, o que efetivamente DIGO atesta quem verdadeiramente SOU, ainda que “pelo meu muito falar” eu queira farisaicamente convencer os outros e a mim mesmo de que sou o que GOSTARIA DE SER.

Freud certamente daria like nessa “postagem” de Jesus.


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Independência absoluta não existe

Como hoje se comemora a independência da nação brasileira, creio ser oportuno falar sobre como a Psicanálise aborda a questão da independência individual.

Para Winnicott, podemos categorizar as fases do desenvolvimento humano em três grandes estágios: (1) a dependência absoluta, (2) a dependência relativa e (3) rumo à independência (toward independence).

No estágio de dependência absoluta, o bebê depende tão integralmente da mãe que sequer percebe que está sob os cuidados dela.

Nessa fase, as necessidades da criança são satisfeitas de forma tão oportuna que ela nem se dá conta de que há alguém lhe sustentando.

Já no estágio de dependência relativa a criança percebe que está sob os cuidados da mãe. E isso é possível porque, agora, a mãe não satisfaz as necessidades do bebê de modo sempre oportuno.

Assim, a criança “descobre” que a satisfação de suas necessidades sempre dependeu de outra pessoa.

Por outro lado, o bebê começa a desenvolver a sua capacidade de compreensão intelectual da realidade, o que lhe permite não só viver o que acontece consigo, mas SUBJETIVAR essas vivências.

A terceira e última fase é aquela na qual entramos ainda na infância por volta dos 3 ou 4 anos e permanecemos até o fim da vida.

De fato, a partir daquela idade vamos nos tornando cada vez menos dependentes dos cuidados do outro. Pense, por exemplo, na conquista de independência que a criança obtém quando consegue ir ao banheiro sozinha.

No entanto, essa independência permanecerá sendo sempre RELATIVA.É por isso que Winnicott não chama esse terceiro e definitivo estágio apenas de “Independência”, mas de “RUMO À INDEPENDÊNCIA”, indicando, assim, que se trata de um processo sempre inacabado.

Em outras palavras, sempre dependeremos dos outros em alguma medida. Pense, por exemplo, na dependência que temos, para nos alimentarmos, do trabalho de agricultores e caminhoneiros.

A vida adulta em comunidade é necessariamente um misto de dependência e independência.

Nas palavras do próprio Winnicott:

“A independência nunca é absoluta. O indivíduo normal não se torna isolado, mas se torna relacionado ao ambiente de um modo que se pode dizer serem o indivíduo e o ambiente interdependentes.”


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[Vídeo] As 3 condições básicas da vida psíquica em Winnicott

Neste vídeo: entenda o que são INTEGRAÇÃO, PERSONALIZAÇÃO e REALIZAÇÃO, as três condições básicas da vida psíquica descobertas pelo psicanalista inglês Donald Winnicott.


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A gente faz Psicanálise para recuperar, com o apoio do analista, a segurança que precisamos para enxergar o avesso de nós mesmos.

Quem faz Psicanálise sabe que passar por esse processo muitas vezes não é fácil.

Somos convidados pelo analista a olhar para dimensões do nosso ser que não gostaríamos que existissem.

Aliás, a gente adoece justamente por passar a vida inteira querendo fugir dessas regiões incômodas do nosso mundo interior.

Na análise, somos levados a visitá-las e reconhecê-las como legitimamente nossas.

Essa viagem, como eu disse, não é fácil. E é por isso que precisamos fazê-la muito bem acompanhados.

O analista não é só quem nos incita a olhar para aquilo que não queremos enxergar.

Ele é também quem oferece a atmosfera de segurança e confiabilidade necessária para que a gente dê conta de lidar com nossos fantasmas.

Muita gente se esquece disso.

Percebo que há no “senso comum psi” uma imagem estereotipada do psicanalista como uma pessoa fria, irônica e que fica jogando supostas verdades na cara do paciente.

Embora alguns colegas talvez se encaixem nesse padrão, é preciso enfatizar que ele não tem nada a ver com o que de fato deve ser a postura de um analista.

Se o paciente resiste a enxergar certos aspectos de si, isso acontece justamente porque ele não se sente suficientemente seguro e relaxado para tal.

O apego narcísico ao eu ideal é justamente a tábua de salvação que utilizamos quando nos sentimos inseguros e vulneráveis diante do ambiente e dos nossos próprios desejos e fantasias.

O analista que compreende isso sabe que, portanto, sua tarefa não é só a de ajudar o paciente a encarar o recalcado.

Cabe ao analista ter sensibilidade suficiente para criar as condições emocionais que auxiliem o sujeito a adquirir a segurança necessária para encarar o recalcado.


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A associação livre não é livre

Associação livre é a expressão que a gente tradicionalmente usa em português para traduzir “Freie Einfälle”, o termo alemão empregado por Freud.

A própria tradução de “Einfälle” por “associação” ou “associações” já é problemática.

Com efeito, associar é um verbo que designa a ação de conectar voluntariamente uma coisa com outra, mas não é disso que se trata nas “Freie Einfälle”.

A tradução mais literal para Einfälle seria “ideias” ou “ocorrências mentais”, ou seja, não se trata de algo que EU faço (como associar), mas de algo que ME ACONTECE.

A expressão “associação livre” pode levar as pessoas a pensar que o paciente em análise é convocado a se esforçar para fazer conexões entre suas ideias.

Na verdade, é justamente o oposto: os analistas pedem aos pacientes que abandonem o ímpeto de controlar seus pensamentos e simplesmente descrevam o que lhes OCORRE.

Em outras palavras, a suposta associação que o paciente está fazendo não ocorre voluntariamente. A passagem de uma ideia para outra não é controlada por ele.

É por isso que eu digo que a associação livre não é livre.

De fato, quem goza de liberdade nesse caso é apenas o Inconsciente, que pode se manifestar de forma menos distorcida quando o paciente renuncia a controlar seus pensamentos.

O Eu, no entanto, aquele a quem o analista pede que fale o que vier à cabeça, é chamado justamente a abrir mão de sua liberdade (que é mais ilusória do que real).

Quando Freud estabelece as “Freie Einfälle” como técnica fundamental da Psicanálise, ele faz isso justamente por não acreditar na liberdade…

A tese de que podemos acessar o que o paciente esconde de si ao pedir que ele fale o que lhe vier à cabeça se fundamenta no pressuposto do determinismo psíquico.

De acordo com essa premissa, nosso funcionamento mental não acontece de modo aleatório.

Nesse sentido, se uma ideia, por mais irrelevante que pareça ser, ocorre em minha mente, essa ocorrência não se faz por acaso.

Na prática, fazer associação livre significa abrir mão da liberdade imaginária que nos impede de perceber que nossos pensamentos “já estavam escritos”…

Quem está na Confraria Analítica receberá ainda hoje (sexta) uma AULA ESPECIAL sobre o conceito de associação livre.


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O gozo masoquista do sentimento de inferioridade

Em minha experiência clínica com estudantes universitários frequentemente me deparo com jovens que sofrem com o sentimento de inferioridade.

Tal sentimento costuma aparecer em função da COMPARAÇÃO feita pelo sujeito entre o seu desempenho acadêmico e a performance mais alta de certos colegas.

Em outras palavras, é como se o aluno ficasse o tempo todo dizendo para si: “Olha como eles são melhores do que eu. Sou um burro mesmo!”

Pode não parecer, mas há uma satisfação mórbida nesse tipo de pensamento…

Com efeito, quando me insulto e me menosprezo, estou fazendo uso do mesmo impulso agressivo que utilizo para insultar e agredir verbalmente outras pessoas.

Assim, a autodepreciação sempre vem carregada de um gozo masoquista que costuma ser o resultado da transformação de um impulso que originalmente era sádico.

Explico:

A tendência primária que temos ao NOS COMPARARMOS com pessoas que são melhores do que nós é a de ODIÁ-LAS.

Sim, odiá-las por terem competências que não temos, mas gostaríamos de ter. Qualquer pessoa honesta consigo mesma é capaz de admitir isso.

No fundo, gostaríamos que o colega melhor não existisse ou, pelo menos, não fosse tão bom.

Se isso acontecesse, não nos sentiríamos inferiores.

Como tal desejo não pode se realizar, os impulsos agressivos que dirigimos à pessoa invejada permanecem insatisfeitos no interior da alma.

E é aí que entra o gozo masoquista: incapazes de tirar do caminho aqueles que são melhores do que nós, passamos a depreciar A NÓS MESMOS para descarregar o ódio que, na origem, era dirigido a eles.

Em outras palavras, é como se a gente pensasse: “Já que não posso destruir esse outro que me provoca inveja, destruirei o meu próprio eu”.

É dessa transformação do sadismo em masoquismo que brotam pensamentos autodestrutivos do tipo:

“Eu não presto para nada”.

“Eu sou um m3rda”.

“Eu serei um péssimo profissional”.

Por outro lado, é preciso salientar que toda essa dinâmica emocional só aparece em função da COMPARAÇÃO.

Quando nos colocamos voluntariamente numa relação de rivalidade imaginária com o outro, o resultado é sempre esse: sadismo ou masoquismo.


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Como escutar o Inconsciente?

Os psicanalistas entendem que uma pessoa adoece emocionalmente quando se recusa obstinadamente a reconhecer certos aspectos de sua personalidade e de sua história.

Tal recusa obriga esses aspectos a se manifestarem à força na vida da pessoa, por meio de problemas emocionais.

Um sujeito, por exemplo, que desde a infância se recusa a tomar posse de seus impulsos agressivos pode acabar expressando essa agressividade reprimida por meio de uma culpa neurótica.

Nesse sentido, o principal objetivo de um tratamento psicanalítico é ajudar o paciente a se apropriar conscientemente daquilo que ele não quer reconhecer em si mesmo.

Para alcançar esse propósito, o analista precisa justamente ser capaz de captar na fala do analisando indícios daquilo que ele não quer admitir.

O terapeuta, portanto, deve ter uma escuta que seja sensível ao Inconsciente e estar apto a ajudar o paciente a também desenvolver essa sensibilidade.

Mas como escutar aquilo que não se manifesta às claras, de forma evidente?

De fato, em função da resistência que o analisando impõe aos conteúdos do seu Inconsciente, eles não se apresentam de forma explícita.

Assim, para ser capaz de escutá-los, o analista precisa seguir e ajudar o paciente a seguir as PISTAS do Inconsciente.

Que pistas são essas?

Várias. Por exemplo, as aparentes “coincidências” que ocorrem na vida do sujeito:

O sujeito que reprime a própria agressividade pode ter desenvolvido uma dor estranha nos braços justamente no dia em que lhe fizeram uma brincadeira de mal gosto no trabalho.

Outra pista bastante esclarecedora são comportamentos involuntários que a pessoa repete sem perceber:

Esse mesmo sujeito que não consegue se apropriar de seus impulsos agressivos pode dizer ao seu analista que não sabe a razão pela qual vive cantarolando uma música popular que fala de violência e ódio…

Esquecimentos, trocas de palavras, excessos… Todas essas coisas também são pistas para o Inconsciente.

Cabe ao analista ter desenvolvido, em sua própria análise e por meio do estudo teórico, a capacidade de enxergar esses indícios que geralmente “passam batido”…


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A gente faz Psicanálise para validar o que não queremos enxergar em nós mesmos

Somos seres divididos.

Existe uma grande e espessa parede dentro de nossa alma separando-a em duas grandes partes: o Consciente e o Inconsciente.

Do lado do Consciente estão todos os pensamentos e sentimentos que voluntariamente queremos enxergar em nós mesmos — e damos conta de enxergar.

Do lado do Inconsciente estão todos os conteúdos que também, obviamente, fazem parte de nós, mas que a gente não quer reconhecer que possui.

Na parede que separa uma parte da outra existe uma porta que paradoxalmente está sempre aberta.

É por essa porta que certos elementos que fazem parte do Consciente podem ser levados para o Inconsciente.

Isso acontece quando determinadas ideias que nasceram no Consciente acabam não se adaptando às “normas da casa” e se tornam incômodas e perturbadoras.

Assim, tais ideias são “convidadas a se retirar” dali e irem morar no Inconsciente, onde poderão agir como bem desejarem…

Mas a porta que eu mencionei acima também permite que elementos do Inconsciente atravessem a parede e penetrem no Consciente.

No entanto, como tudo o que faz parte do Inconsciente é tratado pelo Consciente como indigno, ameaçador e perigoso, os elementos inconscientes são obrigados a se disfarçarem.

Com efeito, só conseguem acessar o Consciente vestindo roupas inofensivas e se comportando de uma forma não barulhenta.

Dessa forma, podem viver no Consciente e mexer com ele sem levantar suspeitas.

Os principais disfarces empregados pelos conteúdos do Inconsciente são os sonhos, os atos falhos, os comportamentos involuntários e os sintomas neuróticos.

Mas por que esse pessoal do Inconsciente quer morar no Consciente? Por que eles não ficam lá onde estavam?

Ora, porque o Consciente é sua terra natal. As ideias que estão no Inconsciente um dia estiveram do outro lado, mas foram expulsas de lá.

Na verdade, o que elas verdadeiramente querem não é apenas viver sob disfarce no Consciente.

Seu maior sonho é serem reconhecidas e aceitas do jeito que são.

Elas gostariam de recuperar a “cidadania” consciente a fim de poderem viver ali sem precisar recorrer a complicados disfarces.

É um pouco esse processo de acolhida e legitimação das ideias que vêm do Inconsciente que nós ajudamos os pacientes a fazerem em Psicanálise.


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