[Vídeo] Psicanalista explica os ATOS FALHOS

Neste vídeo: entenda a função dos atos falhos e saiba porque Chaves é o personagem mais freudiano da história da televisão.


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O que é neurose em Psicanálise?

O termo “neurose” não nasceu no campo psicanalítico.

Ao que parece, ele foi introduzido na medicina em meados do século XVIII por um sujeito chamado William Cullen para designar certas doenças físicas cuja causalidade estaria relacionada a “problemas de nervos”. Daí a raiz etimológica da palavra: a junção entre os termos gregos “neuron” (nervo) e “osis” (estado patológico).

Percebe-se, portanto, que, originalmente, neurose tinha como referentes quadros que atualmente costumamos chamar de “psicossomáticos”. O próprio Freud utilizou o conceito nesse sentido quando propôs a categoria de “neuroses atuais” para caracterizar certas doenças físicas que seriam ocasionadas por uma vida sexual excessivamente insatisfatória.

No entanto, a acepção de neurose que se consolidou no campo psicanalítico foi aquela que Freud empregou para designar o que ele chamou inicialmente de “psiconeuroses”.

Trata-se de enfermidades cuja origem é totalmente psicológica (daí o acréscimo do prefixo “psico”) e cujos sintomas são o resultado de conflitos psíquicos insuportáveis entre certos anseios infantis da pessoa e a imagem que ela pretende ter de si mesma.

Em outras palavras, a neurose acomete aqueles indivíduos que mantêm um apego excessivo a determinados desejos da infância e, ao mesmo tempo, se condenam exageradamente por nutrirem tais desejos. Os efeitos desse “beco sem saída” no qual o neurótico se coloca são os sintomas: disfunções corporais na histeria, pensamentos obsessivos e compulsões na neurose obsessiva e evitações na fobia.

Os sintomas neuróticos são uma forma patológica de resolução do “beco sem saída”: eles satisfazem simbolicamente os anseios infantis ao mesmo tempo em que protegem a pessoa de tomar consciência desses desejos, permitindo, assim, que ela mantenha sua autoimagem intacta. O problema é que esse “jeitinho” acaba sendo fonte de dor, sofrimento e perda de energia.

Logo mais, publicarei um vídeo para os membros da Confraria Analítica contendo mais detalhes e aprofundamentos acerca do conceito psicanalítico de neurose.


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Vivemos na correria quando não suportamos conviver com nós mesmos

Um dos indicadores mais certeiros de adoecimento emocional é o EXCESSO.

Excesso de trabalho, excesso de estudo, excesso de experiências sexuais, excesso de alimentação, excesso de repouso… Ainda que a pessoa não apresente explicitamente queixas e não procure ajuda, a simples presença do excesso já é um sinal inequívoco de doença psicológica.

Lembro-me de um paciente que dizia ser “tarado por trabalho” e estar sempre “na correria”. Certa vez lhe perguntei: “E do que você corre tanto? Do que você está fugindo?”.

De fato, o excesso, isto é, a intensificação exagerada de uma dimensão da vida em detrimento das outras, frequentemente representa uma tentativa desesperada de escapar de realidades interiores que o indivíduo não consegue suportar.

O psicanalista inglês Donald Winnicott fala sobre isso num de seus primeiros trabalhos psicanalíticos chamado “A Defesa Maníaca”, de 1935.

Nesse texto, o autor explora o conceito de defesa maníaca, que havia sido criado por Melanie Klein para descrever uma estratégia emocional inconsciente que utilizamos para nos defendermos de ansiedades depressivas, fenômeno claramente perceptível nas formas graves de transtorno bipolar.

Algumas das expressões da defesa maníaca são justamente da ordem do excesso: excesso de animação, de atividade, de alegria, de trabalho…

Winnicott argumenta que os alvos dessa defesa não são apenas as ansiedades depressivas, mas, sobretudo, nossa realidade interna. Em outras palavras, utilizamos a defesa maníaca para fugirmos de nós mesmos, para evitarmos fazer contato com questões duras, que acabam sendo fonte de uma angústia insuportável.

Assim, para nos protegermos da nossa realidade interna, a gente pode acabar se abrigando na realidade EXTERNA seja por meio da “correria” do trabalho, das milhões de notificações pipocando no celular ou das infindáveis conversas no WhatsApp…

Como você percebe, o nosso próprio estilo de vida contemporâneo favorece a defesa maníaca. Como dizem slogans famosos: “Just do it!”, “Keep walking!”.

Não por acaso, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han escreveu o seu “Sociedade do Cansaço”, denunciando o que ele chama justamente de “excesso de positividade” no mundo contemporâneo.


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Dê limites a seus filhos. A saúde mental deles agradece.

No texto “Nosso mundo adulto e suas raízes na infância”, de 1959, Melanie Klein faz um comentário muito interessante sobre o que nós chamamos popularmente de “criação sem limites”, ou seja, a dificuldade que muitos pais experimentam hoje em dia para disciplinarem seus filhos. Diz a autora:

“Embora seja verdade que uma criação excessivamente disciplinadora reforça a tendência da criança para a repressão, devemos nos lembrar de que uma indulgência excessiva pode ser quase tão prejudicial para a criança quanto uma restrição demasiada”.

Todavia, longe de cair no lugar comum de dizer que as crianças que são criadas sem limites se tornam pequenos perversinhos mimados, preguiçosos e hedonistas, Melanie Klein aponta os possíveis prejuízos que uma criação sem limites pode ocasionar na saúde mental das crianças. Ou seja, ao invés de adotar um olhar moralista e pedagógico para a falta de disciplina, a autora analisa o fenômeno de um ponto de vista autenticamente psicanalítico. Veja o que ela diz:

“Há um outro ângulo a partir do qual a indulgência excessiva dos pais deve ser considerada: se bem que a criança possa tirar vantagem dessa atitude dos pais, ela também vive uma sensação de culpa por explorá-los e sente necessidade de alguma restrição que lhe dê segurança. […] Além disso, devemos também considerar que pais que estão sofrendo muito sob a livre expressão sem limites das crianças – por mais que tentem submeter-se a isso – estão certamente fadados a sentir algum ressentimento que entrará em sua atitude em relação à criança.”

Viu só? Filhos criados sem limites, apesar de usufruírem dos benefícios do excesso de liberdade, sentem-se culpados, pois sabem, pelo olhar inseguro e angustiado de seus pais, que estão indo além do que deveriam. Além disso, a falta de limites faz própria criança ficar insegura na medida em que a deixa perdida sem parâmetros claros acerca do que pode e do que não pode fazer.

Do lado dos pais, o resultado, como Klein pontua, é o ressentimento, isto é, eles começam a odiar secretamente os próprios filhos por se sentirem manipulados por eles.

O que você acha dessas importantes descobertas de Melanie Klein?


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Energia masculina? Energia feminina? Isso não existe!

Num texto de 1964 intitulado “Posição do inconsciente”, o psicanalista francês Jacques Lacan diz o seguinte:

“A pulsão, como representante da sexualidade no inconsciente, nunca, é senão pulsão parcial. É nisto que está a carência essencial, isto é, a daquilo que pudesse representar no sujeito o modo, em seu ser, do que ele é macho ou fêmea”.

E, mais adiante:

“Do lado do Outro, do lugar onde a fala se confirma por encontrar a troca dos significantes, os ideais que eles sustentam, as estruturas elementares de parentesco, a metáfora do pai como princípio da separação, a divisão sempre reaberta no sujeito em sua alienação primária, apenas desse lado, e por estas vias que acabamos de citar, devem instaurar-se a ordem e a norma que dizem ao sujeito o que ele deve fazer como homem ou mulher.”

Esses são trechos excepcionalmente claros da obra lacaniana. Neles Lacan elabora, com seus próprios termos, a descoberta freudiana de que os nossos impulsos sexuais não têm sexo e de que, portanto, masculinidade e feminilidade não são padrões comportamentais inatos, mas aprendidos mediante nossas experiências de vida enquadradas pelo contexto familiar e sociocultural (o que Lacan chama de “Outro”).

Por que resolvi falar desse assunto hoje? Porque tem muito picareta no Instagram falando de supostas “energia masculina” e “energia feminina”. Segundo esse pessoal, um homem, por exemplo, só seria feliz em seus relacionamentos se reconhecesse sua tal energia masculina intrínseca e encontrasse uma “mulher feminina” (risos).

O que essa galera está fazendo, na prática, é pegando modelos de masculinidade e feminilidade forjados numa determinada época e numa determinada cultura, ou seja, o que Lacan designa como “a ordem e a norma que dizem ao sujeito o que ele deve fazer como homem ou mulher” e NATURALIZANDO tais modelos como se eles estivessem enraizados no organismo ou… na alma (sei lá qual é a metafísica maluca dessa gente…).

Masculinidade e feminilidade existem? Sim, existem, mas são padrões que emergem do campo do Outro, não da biologia. Nossos impulsos sexuais são assexuados. O que eles visam, no fim das contas, é a satisfação pura e simples.


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[Vídeo] Amor incondicional é coisa de criança

Neste vídeo: conheça o psicanalista Michael Balint e entenda porque a expectativa de amor incondicional é sinal de imaturidade emocional.


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O Eu não é só um outro

Não podemos reduzir o conceito de Eu em Psicanálise apenas a essa dimensão que passou a ser etiquetada (volto a dizer: por influência da própria Psicanálise) como “ego”. De fato, Freud apresenta o Eu, por um lado, como uma instância psíquica constituída mediante a identificação com outras pessoas. Essa é a dimensão imaginária do Eu, resultante de uma mescla das imagens de diferentes pessoas que passaram pelas nossas vidas e que foram objeto de nosso investimento amoroso. Mãe, pai, tios, avós, amigos, professores, parceiros amorosos, enfim, todas essas pessoas podem ser alvos de nossas identificações e acabarem sendo incorporadas em maior ou menor grau naquilo que denominamos de nossa “identidade”. Em parte, o que chamamos de Eu é uma colagem de traços de diferentes pessoas.

Mas o Eu não é só isso. Freud deixa muito claro em seus escritos que o Eu é também a própria pessoa em sua condição de sujeito, ou seja, de agente da própria vida. É o Eu entendido nesse sentido que o pai da Psicanálise entende que precisa ser fortalecido pela terapia psicanalítica. Trata-se do Eu autoconsciente que pode, inclusive, tomar a sua própria identidade (o Eu no primeiro sentido) como objeto de reflexão. Quando dizemos, por exemplo: “Eu sou uma pessoa tímida”, podemos ver claramente essas duas facetas do Eu: por um lado o Eu sujeito que olha para si e é capaz de se descrever e, por outro, o Eu objeto, ou seja, o eu no sentido da imagem de si (“pessoa tímida”).

Leia o texto completo aqui.


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Por que Lacan dizia que “o desejo do homem é o desejo do Outro”?

Tem coisa no Lacan que é difícil demais de entender, quanto mais de explicar.

Esse não é o caso da fórmula “O desejo do homem é o desejo do Outro”. Vou te provar que compreendê-la é mais fácil do que você imagina.

Primeiramente, é importante saber que Lacan trabalha com uma distinção fundamental entre necessidade e desejo.

Necessidade é aquilo que o bebê experimenta no início da vida quando tem fome, por exemplo. Nesse caso, a criança PRECISA de alimento para sobreviver. Qualquer outra coisa não serve.

Já o desejo é aquilo que experimentamos, por exemplo, quando queremos sair para jantar numa churrascaria. A gente não PRECISA dessa experiência para sobreviver. Portanto, não é uma necessidade.

Por que, então, temos esse DESEJO de ir à churrascaria?

Podemos alegar que os motivos são a qualidade da carne e do atendimento ou a variedade de opções. Contudo, não podemos deixar de reconhecer que tais aspectos só se tornaram de fato alvos do nosso desejo porque SOCIALMENTE eles são valorizados. Tanto é assim que, para uma pessoa vegana, por exemplo, a qualidade da carne da churrascaria não seria um fator capaz de motivá-la a sair de casa.

Entendeu? Eu só desejo as coisas que desejo porque faço parte de uma comunidade que me ensinou (direta ou indiretamente) que tais coisas são… desejáveis. Em outras palavras, eu desejo o que desejo porque outras pessoas desejam também. É por isso que um vietnamita, por exemplo, salivaria diante de um bom assado de cachorro e você não.

Isso mostra que, enquanto a necessidade vem de nós mesmos (do nosso organismo), o desejo vem… do Outro, ou seja, de pessoas, grupos, instituições que exercem sobre nós uma função de autoridade, determinação, prescrição, regulação.

Nesse sentido, Lacan conclui de forma bastante perspicaz que, no fim das contas, na raiz de todos os nossos desejos está o desejo de ser reconhecido pelo Outro. O raciocínio é simples: se eu quero a coisa que o Outro quer isso significa que o que me atrai de fato não é a coisa em si, mas o olhar do Outro sobre a coisa. Ou seja: o que eu quero de verdade é o olhar desejante do Outro, ora bolas!

Entendeu, agora, por que Lacan dizia que “o desejo do homem é o desejo do Outro”?


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As 3 condições básicas da vida psíquica para Winnicott

Donald Woods Winnicott (1896-1971) foi um pediatra e psicanalista inglês que fez inúmeras contribuições teóricas indispensáveis para o campo psicanalítico.

Com base em sua experiência clínica com bebês, crianças, adolescentes e adultos, fez descobertas sobre o desenvolvimento emocional que, para alguns autores, serve de complemento para a teoria freudiana e, para outros, se distancia desta, operando com base em outro paradigma.

Mas isso é assunto para quem é nerd de Psicanálise. Voltemos ao tema da postagem.

Em 1945, Winnicott publica aquele que viria a ser reconhecido como um de seus principais artigos no campo psicanalítico, na medida em que o texto apresenta a concepção geral de desenvolvimento com a qual o autor trabalhou até o fim da vida. Trata-se do paper “Desenvolvimento Emocional Primitivo”, disponível na coletânea “Da Pediatria à Psicanálise”.

É nesse artigo que Winnicott expõe sua descoberta de que existem três processos que estão nos alicerces da nossa vida psíquica “normal” e que necessitam de um ambiente facilitador para se estabelecerem. Tais processos precisam acontecer logo nos primeiros meses de vida, pois são eles os responsáveis por levar o indivíduo a se perceber como uma pessoa inteira, dotada de um corpo e instalada na realidade.

O autor percebeu que essa experiência básica que nos parece tão fundamental a ponto da gente sequer pensa nela pode não se estabelecer adequadamente. Vemos isso com muita clareza nos quadros psicóticos, nos quais a pessoa eventualmente se percebe como fragmentada, dissociada do próprio corpo ou imersa numa realidade paralela que só ela conhece.

Você já tinha ouvido falar sobre essas três condições básicas da vida psíquica?


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O narcisista é um desesperado que não consegue sair da frente do espelho

Como tem muita gente por aí que provavelmente nunca leu uma página de Freud falando de pessoas narcisistas, julgo oportuno ensinar a vocês o que de fato é o narcisismo patológico.

Originalmente o termo narcisismo foi empregado para descrever um tipo de perversão sexual em que o sujeito toma o seu próprio corpo como objeto sexual.

Em 1914, Freud publica um artigo chamado “Sobre o narcisismo: uma introdução” no qual apresenta sua descoberta de que, na verdade, todas as pessoas tomam não apenas o próprio corpo, mas o seu eu como um todo como objeto sexual.

Vale dizer que, do ponto de vista psicanalítico, sexualidade é um campo muito mais amplo do que o mero “tchaca tchaca na butchaca”, englobando todos os fenômenos amorosos. Portanto, ao dizer que todo o mundo toma o seu eu como objeto sexual, Freud está dizendo que todas as pessoas amam a imagem que têm de si.

No entanto, há aqueles que colocam o narcisismo no centro de suas vidas e há outros que não fazem isso. Costumamos chamar de narcisistas apenas os primeiros. Não há problema nisso desde que conservemos em mente que todos nós somos narcisistas em alguma medida.

Nesse sentido, podemos caracterizar o narcisista como aquela pessoa que vive tomando sempre o próprio eu como ponto central de referência. Ele tem dificuldade para pensar nas necessidades e interesses dos outros, pois está sempre nadando em perguntas que denunciam o quão autocentrado ele é: “Por que ME sinto assim?”, “O que será que essa pessoa vai pensar de MIM?”, “Por que isso acontece COMIGO?”.

Ao contrário do que andam dizendo por aí, o sintoma patognomônico do narcisismo excessivo não é a vaidade, a arrogância ou o orgulho. A maioria dos narcisistas é insegura pra caramba e frequentemente se acha “o cocô do cavalo do bandido”.

Sabe por quê? Porque é isso o que acontece quando você olha demais para a própria imagem. Você começa a perceber que, no fim das contas, não é nada demais, é só mais um na fila do pão. Aí você surta e pode começar a se defender dessa constatação desesperadora com vaidade, arrogância e orgulho…

Entendeu? Essa é a marca central do narcisismo patológico: o desespero que brota do olhar fixo e constante na própria imagem.


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O analista escuta o paciente como se estivesse sempre ouvindo o relato de um sonho

Ontem à noite na aula ao vivo da Confraria Analítica fiz um comentário sobre a importância que nós, psicanalistas, conferimos ao círculo familiar quando estamos avaliando clinicamente um paciente. Expliquei aos alunos que, embora não desprezemos a influência de fatores sociais e culturais na formação do indivíduo, entendemos que tais elementos podem ser tomados apenas como causas remotas e que os principais determinantes dos modos de ser e adoecer do sujeito devem ser buscados no âmbito das relações familiares.

Em razão desse comentário, uma aluna fez uma pergunta interessante e que eu quero utilizar como ponto de partida para a reflexão de hoje. A questão dela era mais ou menos a seguinte: “Professor, então devemos desconsiderar as falas do paciente que não se referem a questões familiares?”.

Minha resposta foi: absolutamente não. Um dos princípios fundamentais da técnica psicanalítica é não desconsiderar nenhum fragmento do discurso do paciente. O exercício do que Freud chamou de “atenção flutuante” implica precisamente em não direcionar o foco para certos elementos em detrimento de outros.

E por que agir dessa forma? Ora, porque o Inconsciente pode escolher qualquer elemento banal da vida do sujeito para REPRESENTAR suas intenções. Nesse sentido, o simples relato do paciente de ter lavado o carro no fim de semana precisa ser escutado pelo psicanalista com o mesmo grau de atenção que ele dedicaria à narrativa de uma violenta briga que o paciente eventualmente tivesse vivenciado com sua mãe.

Na Psicanálise, não escutamos o discurso do paciente como apenas um relato de experiências. Sabedor de que o Inconsciente nunca silencia e está sempre se manifestando simbolicamente, o psicanalista escuta as narrativas do sujeito, tanto as triviais quanto as extraordinárias, como se estivesse diante de sonhos, ou seja, de textos simbólicos que precisam ser interpretados.

Assim, se o paciente faz, por exemplo, um comentário sobre a política nacional, a pergunta que estará o tempo todo no horizonte do analista será: “O que o Inconsciente desse paciente está tentando dizer simbolicamente por meio desse comentário aparentemente sem vínculo direto com a vida dele?”.


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[Vídeo] A importância do HOLDING no desenvolvimento emocional

Neste vídeo: entenda o conceito de holding proposto pelo psicanalista inglês Donald Winnicott e conheça uma possível consequência da falta de holding na infância.


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A sexualidade é traumática por natureza

Hoje eu gostaria de conversar com você sobre o caráter traumático que é inerente à nossa relação com a sexualidade.
Deixa eu te explicar isso direitinho.

À medida que ia atendendo seus pacientes neuróticos lá no final do século XIX e início do século XX, o dr. Sigmund Freud foi se dando conta de que a sexualidade se manifesta em dois tempos na nossa vida.

A primeira onda de sexualidade (para usar uma expressão que está na moda) aparece logo após o nascimento e permanece vigente até aproximadamente os cinco ou seis anos de idade.

A segunda onda é aquela mais conhecida e que, até Freud, era tomada pelo senso comum e pela ciência como sendo a única. Trata-se da expressão incontestável dos impulsos sexuais na puberdade.

Essa segunda onda permanece até o fim da vida, embora, à medida que os anos vão passando, ela vá se manifestando de modo cada vez menos intenso.

Bem, o fato de, na espécie humana, os impulsos sexuais darem o ar da graça logo nos primeiros anos de vida é o que confere à sexualidade um caráter traumático.

Com efeito, trauma é uma experiência (ou um conjunto de experiências) que ultrapassa a capacidade compreensiva da nossa mente, provocando nela um estado semelhante ao “travamento” que acontece nos computadores e celulares.

Ora, no início da vida, nós ainda não possuímos recursos simbólicos suficientes e um eu consistente o bastante para vivenciarmos o “pipocar” dos impulsos em nós de modo tranquilo. Para os nerds de Psicanálise: é por isso que Winnicott dizia que “não há id antes do ego”.

Dotada de uma estrutura egoica ainda muito precária, a criança pequena inicialmente sente medo de seus impulsos, vivenciando-os como forças externas incontroláveis que o atacam.

Portanto, a criança muitas vezes não dá conta de se apropriar e compreender seus impulsos sexuais porque sente a força deles como uma ameaça.

Por isso, nossos principais recalques, aqueles que vão direcionar nossas vidas, ocorrem justamente nesses primeiros anos de vida. Sentindo-se assaltada pelos impulsos, a criança se defende deles, dissociando-os de sua experiência consciente.

Você já havia se dado conta desse aspecto traumático da nossa relação com a sexualidade?


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Amor incondicional é só o amor materno (nos primeiros meses de vida). E olhe lá…

Você já ouviu falar de um cara chamado Michael Balint?

Balint foi um médico e psicanalista húngaro, discípulo e também paciente do grande Sándor Ferenczi, teórico também húngaro e responsável por diversas contribuições conceituais e técnicas muito significativas para o campo psicanalítico. Outro dia eu falo dele. Hoje quero tratar de algumas das ideias de seu discípulo.

Com base em sua experiência clínica tanto como médico quanto como psicanalista, Balint formulou uma tese muito interessante: a de que no centro da alma de todos nós habita uma sede de sermos amados.

Diferentemente de Freud, Balint acreditava, com base em seu trabalho como terapeuta, que, em última instância, todos os nossos esforços na vida, sobretudo na relação com outras pessoas, não visam a satisfação de nossos impulsos, mas o alcance de um estado em que seríamos amados de forma plena.

De fato, para Balint, no início da vida é isso o que acontece com a maioria das crianças. O anseio espontâneo de serem amadas é satisfeito de modo incondicional pelo cuidado amoroso oferecido pela mãe. No entanto, esse estado de harmonia e felicidade, em que somos amados sem precisar fazer nada, tem prazo de validade. Em pouco tempo, passamos a ser objetos de um amor um pouco mais exigente, que demandará de nós aquilo que Balint chama de “trabalho da conquista”.

Com efeito, o amor do outro deixa ser algo 100% gratuito e incondicional e passa a depender também de um engajamento ativo da nossa parte. Essa é a forma adulta e amadurecida de amar. O amor do outro pode ser espontâneo, mas é também uma resposta ao meu amor por ele e vice-versa.

Em outras palavras: amor gratuito e incondicional é só o amor materno nos primeiros meses de vida. Passado esse primeiro momento, precisamos conquistar o amor do outro. Algumas pessoas, porém, sentem tanta saudade dessa etapa inicial da vida que acabam se colocando em suas relações amorosas como se ainda estivessem naquela época. Assim, esperam que o outro as ame sem que precisem dar nada em troca, sem que precisem fazer qualquer investimento afetivo.

Você já foi uma dessas pessoas ou já se relacionou com alguém que se encaixava nesse perfil?


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“O inconsciente é o capítulo censurado” (Jacques Lacan, 1953)

Ontem à noite na aula ao vivo da Confraria Analítica, eu estava demonstrando para os alunos que uma das principais evidências da existência do Inconsciente são os “furos” que existem na narrativa que fazemos da nossa própria história.

Diferentemente do que acontece em um filme ou uma série bem produzidos, no roteiro que descreve nossa biografia há diversas partes faltantes que fazem o enredo ficar eventualmente incompreensível.

É por isso que, não raro, uma das principais queixas que os pacientes apresentam na clínica psicanalítica pode ser expressa por frases como: “Não sei por que faço isso!” ou “Não consigo entender por que sou assim!”.

As respostas para essas questões estão justamente naquelas partes do roteiro do nosso “filme” biográfico que nós deliberadamente cortamos e tentamos descartar, ou seja, naquelas ideias, pensamentos e lembranças que foram objeto de… recalque.

Os conteúdos recalcados representam as “cenas” que a gente não quer que sejam veiculadas nas telas do nosso “cinema” interior; obsCENIDADES que revelam quem verdadeiramente somos por trás das câmeras.

O recalcado, no entanto, sempre retorna, já dizia Freud. A gente inevitavelmente acaba tropeçando nas partes censuradas do nosso filme biográfico. E quando a queda é grande e causa dores e feridas, é nesse momento que a gente procura análise…

Você já se deu conta desses “furos” no roteiro da sua vida?


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