[Vídeo] Associação livre: a regra fundamental da Psicanálise

Neste vídeo: entenda o que é a associação livre, no que ela se diferencia da fala cotidiana e por que Freud escolheu essa técnica.


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Você se tornou o sádico de si mesmo?

A experiência psicanalítica evidencia que todos nós possuímos impulsos sádicos.

Isso significa que todo o mundo tem um tesão natural em dominar, vencer, subjugar, exercer poder sobre os outros.

Ah, Lucas, eu acho que eu não tenho isso. Na verdade, eu me sinto até mal quando me encontro numa situação de vantagem sobre outra pessoa.

Isso pode indicar que você reprimiu seus impulsos sádicos. Isso mesmo. Como nossa cultura tende a associar agressividade a violência, muitos pais levam seus filhos a encararem seus impulsos sádicos como tendências horríveis que precisam ser extirpadas. Dessa forma, muitas crianças se veem forçadas a reprimir sua agressividade para não sofrerem punição dos pais.

A repressão também pode acontecer em virtude da expressão violenta dos impulsos sádicos por parte de um dos pais ou de ambos. Assustada pelas agressões parentais, a criança olha para sua própria agressividade como uma tendência perigosa e, por conta disso, reprime a expressão dela.

O problema com a repressão dos impulsos sádicos é que ela não faz apenas a pessoa se tornar frágil e inofensiva. A agressividade reprimida se volta contra o próprio sujeito e ele passa a ser sádico contra si mesmo, punindo-se, sacrificando-se, torturando-se do mesmo jeito que um sádico faz com seu parceiro masoquista.

É por isso que geralmente aquelas pessoas que são vistas e se veem como “incapazes de fazer mal a uma mosca” geralmente são excessivamente autocríticas e se veem sempre como piores do que os outros. Como seus impulsos sádicos foram reprimidos, elas não podem contar com eles como estímulos para a busca da vitória, do crescimento, da força, mas são obrigadas a gozar com eles por meio da derrota, do autodesprezo e da fraqueza.

Para tais indivíduos, domínio é sinônimo de maldade. Então, para não se verem como más, elas se privam de buscar o aumento da própria potência. Mas como a agressividade foi só reprimida e não eliminada, o sujeito acaba se tornando o algoz de si mesmo, a vítima de seus próprios impulsos sádicos.

Você acha que isso acontece com você ou conhece alguém que está nessa condição?


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A gente faz Psicanálise quando nos cansamos de ser apenas personagens de nossa própria história.

Outro dia eu postei um vídeo lá na Confraria Analítica comentando um trecho do Seminário 11 em que Lacan assinala que o Inconsciente, tal como pensado por Freud, é uma forma de pensamento tão elaborada quanto o pensamento consciente.

Quem se deixa levar pela imagem do Inconsciente no senso comum acaba tendo a impressão de que se trata de algo caótico, desorganizado, irracional.  No entanto, quando lemos a “Interpretação dos Sonhos” ou “A Psicopatologia da Vida Cotidiana” nos damos conta de que no Inconsciente existe lógica, estratégia, raciocínio.

O que Freud nos mostra é que, por trás de um simples ato falho como o esquecimento da data de aniversário do filho podemos vislumbrar todo um discurso que não tem nada de irracional. Pelo contrário, à luz da dinâmica afetiva da pessoa, trata-se de um discurso que possui uma lógica absolutamente compreensível.

Portanto, não imagine o Inconsciente como um lugar obscuro onde entulhamos pensamentos reprimidos. Pense nele como uma modalidade de pensamento, de raciocínio, que se articula em cada um de nós de modo imperceptível, assim como as milhares de operações computacionais que estão acontecendo neste exato momento no seu celular enquanto você lê este texto.

Assim como você não percebe essas operações, mas apenas usufrui do resultado delas na tela do smartphone, assim também só colhemos as conclusões dos raciocínios inconscientes em nós.

Fazer Psicanálise é justamente uma tentativa de inferir e mapear o discurso do Inconsciente a partir dos seus efeitos em nossas vidas.


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[Vídeo] Afinal, o que é a Psicanálise?

Neste vídeo: entenda o que é a Psicanálise, como funciona a terapia psicanalítica e quais os seus principais objetivos.


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Associação livre: falar sem censura

Freud notou, portanto, que a raiz das neuroses era a censura que o paciente impunha sobre si mesmo. Ora, trata-se da mesma censura que utilizamos para modular nosso discurso no dia a dia. Os parâmetros que nos servem de baliza na hora de escolher o que e como falaremos são os mesmos que adotamos para separar que aspectos do nosso ser queremos enxergar e quais queremos reprimir.

Se o que promove a cura é exatamente o resgate daquilo que foi barrado pela censura, então é preciso que, no tratamento, o paciente se esforce para evitar a aplicação da censura à sua própria fala. Dessa forma, o resgate dos aspectos reprimidos se torna mais facilitado.Leia o texto completo em: bit.ly/drdlivre


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Freud nunca disse que você deveria realizar os seus desejos reprimidos

Agora há pouco eu estava lendo o livro “Evasivas admiráveis: como a Psicologia subverte a moralidade”, de Theodore Dalrymple (pseudônimo do psiquiatra inglês Anthony Daniels).

Apesar de gostar do autor, não posso deixar de registrar aqui um comentário acerca de uma das inúmeras bobagens que ele diz no capítulo 01 dessa obra a respeito das ideias de Freud.

Em determinado momento do seu festival de críticas infundadas, Dalrymple leva o leitor ingênuo a acreditar que, para Freud, “a frustração do desejo é a raiz da patologia”.

Nada mais falso! Essa alegação, aliás, é feita não só pelo autor, mas também por muitas outras pessoas, geralmente religiosas. Ela se baseia num conhecimento superficial do pensamento freudiano.

Freud nunca defendeu a tese de que os indivíduos se tornam neuróticos quando não conseguem realizar seus desejos. Isso é mentira!

Para o fundador da Psicanálise, a neurose resulta de um excesso de REPRESSÃO. E o que é a repressão? Ao contrário do que muita gente carola pensa, reprimir um desejo não significa não realizá-lo na prática. A repressão é um MECANISMO PSÍQUICO, ou seja, algo que se passa exclusivamente “na cabeça” do sujeito. Reprimir um desejo significa basicamente negar para si mesmo a existência dele, impedindo-o de se tornar consciente.

É esse processo mental que pode dar origem a uma neurose. E por que pode dar origem a uma neurose? Ora, porque esse desejo que eu reprimo não desaparece. Ele continua presente em mim de modo inconsciente e fica o tempo todo tentando se fazer reconhecer. Se eu mantiver a repressão, ele acabará tendo que se manifestar por meio de sintomas neuróticos.

Qual a solução proposta por Freud? O RECONHECIMENTO do desejo, ora bolas! Não necessariamente a realização dele! O sujeito não precisa colocar em prática o seu desejo reprimido para se curar! Não seja idiota, dr. Dalrymple!

Se a Psicanálise funciona, é justamente porque ela é uma tecnologia que possibilita ao sujeito o acesso e o RECONHECIMENTO dos desejos reprimidos. Se o paciente, após esse reconhecimento, vai realizar ou não o desejo, essa é uma questão ética que depende da decisão pessoal dele.


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Psicanálise não é para todo o mundo

O objetivo maior do trabalho de um terapeuta deve ser o de oferecer ao paciente todos os recursos de que dispõe a fim de ajudá-lo a remover os obstáculos que comprometem sua saúde emocional.

A Psicanálise é apenas um desses recursos. Nem todos os pacientes precisam dela e nem todos possuem as condições necessárias para usufruir de seus benefícios.

Psicanálise não é para todo o mundo.

Há pacientes que não precisam de análise, mas de uma simples conversa onde poderão esclarecer algumas ideias e encontrar algumas saídas. Nada de interpretação, nada de análise de resistências, só clarificação de ideias. É o suficiente para alguns.

Há outros que demandarão do analista uma participação ativa, reasseguradora e eventualmente até sugestiva. Faz parte.

O mais importante é proporcionar ao paciente o cuidado que ele precisa no momento.

Eu não deixo de ser psicanalista quando ofereço ao paciente outros recursos não-analíticos. Como dizia Winnicott, nesses casos serei um psicanalista fazendo outra coisa.


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Não são as respostas que movem o mundo. São as histéricas.

Originalmente, histeria era um termo utilizado para designar uma variedade de quadros psicopatológicos, mais frequentes em mulheres, que tinham como traço comum a aparência de serem simulações. Com efeito, as histéricas apresentavam diversos sintomas físicos como dores, paralisias de membros e desmaios, mas não possuíam nenhum problema real em seus corpos. Pareciam, portanto, estarem simulando doenças para “chamar a atenção”.

Freud descobriu que, de fato, era isso mesmo. As histéricas inventavam doenças para chamar a atenção. No entanto, esse processo não acontecia de modo consciente. Além disso, Freud não olhou com menosprezo para o desejo histérico de chamar a atenção. Pelo contrário, decidiu investigá-lo para tentar entender o que levaria alguém a simular uma doença real e sofrer por conta disso apenas para conseguir chamar a atenção. Por que a atenção seria tão importante para aquelas mulheres?

A conclusão de Freud foi a de que elas precisavam da doença para chamar a atenção porque viviam em um contexto no qual não podiam se expressar espontaneamente. A fabricação de uma doença era o único meio de que dispunham para manifestar sua revolta contra a a civilização que, para funcionar, precisa necessariamente produzir dejetos, restos, lixo.

Ao adoecerem, as histéricas denunciavam a falsa paz da sociedade de sua época, obtida às custas do silenciamento da espontaneidade feminina. Foi graças a elas que Freud se viu levado a investigar o esgoto que a civilização produz em cada um de nós e batizá-lo de Inconsciente. Foi também pela incitação delas que o médico vienense se aventurou a mapear a sexualidade humana.

As histéricas são aquelas que não admitem a hipocrisia inerente ao laço social. São aquelas que se revoltam diante de situações para as quais a maioria das pessoas diz: “Deixa pra lá, é assim mesmo, sempre foi”. Incapazes de se submeterem passivamente às ordens do outro, são aquelas que questionam a tradição e apontam para aquilo que ela sufoca, reprime, apaga.

Se não fossem os gritos, as reclamações, os escândalos das histéricas, o mundo seria imóvel, previsível e chato.


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O Id não é um capetinha

Você certamente já deve ter visto na internet ou mesmo em livros supostamente técnicos uma imagem representando o id como um diabinho e o superego como um anjinho.

Muito provavelmente os autores dessas imagens jamais leram “O ego e o id”, texto de 1923 no qual Freud introduz aqueles conceitos na teoria psicanalítica. Afinal, se o tivessem lido, não fariam uma representação tão infiel das noções de id e superego.

Em outros momentos, eu já expliquei porque é incorreto associar o superego à figura de um anjo. Agora, quero me concentrar em desfazer o equívoco de se pensar o id como um “capetinha interior”.

Essa comparação só faz sentido se adotarmos um olhar moralista sobre nossos impulsos sexuais e agressivos – ponto de vista que não é o da Psicanálise.

Id foi o termo em latim escolhido pela tradução inglesa das obras de Freud para o vocábulo “Es” que, em alemão, designa um pronome impessoal, como o nosso “Isso”.

Freud não escolheu essa palavra aleatoriamente. De fato, ele precisava de um termo que fizesse referência àquilo que está presente em nós, mas, ao mesmo tempo, não faz parte do nosso Eu. Por isso, lhe pareceu oportuno utilizar a palavra “Es” que, inclusive, já vinha sendo empregada num sentido semelhante por Georg Groddeck, um médico psicanalista de que Freud gostava muito.

O que está presente em nós, mas não faz parte do nosso Eu? Ora, tudo aquilo que já vem conosco “de fábrica”. Com efeito, antes de termos um Eu, nós já SOMOS. Mas somos o quê? Basicamente um corpo animado por impulsos. Impulsos que nos levam a buscar sobrevivência, a buscar prazer e a buscar destruição. É isso o que nós somos antes de termos um Eu. E é esse estado primário do ser que Freud denomina de Id.

Depois que desenvolvemos um Eu, o Id não desaparece. Afinal, apesar de termos vestido uma imagem (o Eu), continuamos sendo um corpo animado por impulsos. Impulsos que não raro perturbam o Eu, mas que, ao mesmo tempo, revelam que somos muito mais do que a imagem que construímos de nós mesmos.

O Id, portanto, não é um capetinha. É apenas o que de você está para-além do espelho.


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O que é fixação em Psicanálise?

Imagine que você esteja fazendo uma viagem de trem com um grupo de amigos.

Antes de chegarem ao destino, vocês precisarão passar por diversas estações. Apesar do desejo de chegar logo ao local em que irão passar as férias, você suporta pacientemente o longo trajeto.

Agora imagine que um dos seus amigos resolve ficar em uma das estações pelas quais o trem está passando. Questionado, ele diz: “Ah, eu não sei se o lugar para o qual estamos indo vai ser bom de verdade. Nesta estação eu tenho certeza de que vou me sentir bem, pois já estive aqui outras vezes e gostei muito. Então, para não correr o risco de me decepcionar lá na frente, prefiro ficar por aqui mesmo.”

A atitude desse amigo é exatamente análoga ao que acontece com uma parte de nós no curso de nosso desenvolvimento emocional.

De fato, a conquista da maturidade psíquica depende do abandono das formas de satisfação que utilizávamos na infância e dos vínculos infantis com nossos pais. Contudo, existe sempre uma parte de nós (sim, somos constituídos de diversas partes) que não quer renunciar, por exemplo, a certa fantasia sexual infantil ou à ligação incestuosa com um dos pais.

É essa resistência de uma parte de nós a sair da infância que nós chamamos, em Psicanálise, de fixação.

O adoecimento emocional ocorre justamente quando essa parte que permaneceu fixada na infância ganha força na vida do sujeito em função de alguma frustração ou decepção enfrentadas pelas partes amadurecidas.


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[Vídeo] Entenda o conceito de SUBLIMAÇÃO em Psicanálise

Neste vídeo você vai aprender de forma simples e clara o significado do conceito de sublimação na teoria psicanalítica.


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O homem é para a mulher uma devastação

No Seminário 23 (“O Sinthoma”), o psicanalista Jacques Lacan diz o seguinte: “Pode-se dizer que o homem é para uma mulher tudo o que quiserem, a saber, uma aflição pior que um sinthoma. […]. Trata-se mesmo de uma devastação.”

Qual é a leitura que faço dessa formulação?

1 – A mulher é um sintoma para o homem: o sintoma é um processo patológico que serve para representar simbolicamente um desejo reprimido e, ao mesmo tempo, possibilitar a satisfação indireta desse desejo. Em função do complexo de Édipo, o homem coloca a mulher no lugar deixado vago pela mãe. Portanto, a mulher representa simbolicamente o objeto materno. Ao mesmo tempo, o desejo que o homem vai buscar satisfazer com ela é exatamente o de ficar com a mãe, o qual foi reprimido na saída do complexo de Édipo. Portanto, a mulher é um sintoma para o homem porque representa simbolicamente a mãe e torna-se o meio através do qual ele satisfaz indiretamente seu desejo incestuoso.

2 – Por que o homem não é um sintoma para uma mulher, mas algo mais aflitivo, uma devastação? Porque a mulher não busca no homem apenas um representante simbólico de seu pai. Lembre-se que, no complexo de Édipo, antes da menina se vincular ao pai, ela estava ligada à mãe. É desse vínculo primitivo com o objeto materno que vem a devastação. Freud destacava o fato facilmente verificável na clínica que um número significativo de mulheres possui uma relação difícil com suas mães. Para Freud, isso era decorrente do fato de que a menina atribuiria à mãe a culpa por ter nascido sem pênis. Lacan, por sua vez, entenderá que a queixa da menina junto à mãe não é por conta do pênis, mas em função do fato de que a mãe não pode lhe transmitir o que é uma “mulher de verdade”, pois essa Mulher, com “m” maiúsculo não existe. Não existe uma identidade feminina universal, diferentemente do que acontece com os homens que estão sempre às voltas com o fantasma do “homem de verdade”, do “homão da porra”, do “homem com H maiúsculo”.

O homem é uma devastação para uma mulher porque ela o coloca não só no lugar do pai, mas, sobretudo, no lugar da mãe, dessa mãe insuficiente, que não lhe satisfez, deixando-a aflita e, ao mesmo tempo, livre para desejar.


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O apego à infância é a raiz de todas as doenças emocionais

O neurótico é essencialmente alguém que ficou preso ao passado.

Freud se deu conta disso muito cedo em sua carreira como terapeuta ao formular a tese de que seus pacientes histéricos sofriam de “reminiscências”.

Na verdade, toda pessoa, independentemente de sua condição de saúde mental, possui uma dimensão do seu ser que permanece apegada aos prazeres e às dores da infância. Com efeito, não aceitamos integralmente as limitações da vida adulta. Há uma parte de cada um de nós que continua sendo criança.

O problema, no caso dos neuróticos, é que essa parte infantil É A MAIOR PARTE do ser  do sujeito. Isso faz com que ele conscientemente tente ser adulto, mas inconscientemente se mantenha na infância.

O resultado é adoecimento. Depressão, ansiedade excessiva, obsessões, compulsões, dificuldades de relacionamento interpessoal… Todas essas formas de enfermidades emocionais são, no fim das contas, resultantes do apego excessivo do sujeito a certas formas infantis de satisfação, a padrões infantis de relacionamento, a conflitos infantis, a queixas infantis dirigidas aos pais etc.

É por isso que Freud costumava dizer que a Psicanálise é uma pós-educação. De fato, numa terapia psicanalítica ajudamos o sujeito a verdadeiramente amadurecer reservando para o grão de infância que inevitavelmente permanecerá em si um destino não patológico.


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Psicanálise não é uma conversa. É muito melhor do que isso.

Muita gente acredita que a Psicanálise é um tipo de conversa. Isso é um equívoco.

A conversa é basicamente uma troca de ideias. Quando conversamos, estamos interessados em verbalizar o que pensamos e também em ouvir o que o outro pensa. O interlocutor, por sua vez, faz a mesma coisa.

Ora, não é isso o que acontece numa Psicanálise.

De fato, numa sessão analítica, o paciente fala e deseja ouvir o que o seu analista tem a dizer. Aliás, esse interesse pela palavra do terapeuta é um dos sinais do que nós chamamos de transferência, ingrediente fundamental para o sucesso do tratamento.

No entanto, ao contrário do que acontece numa conversa, o analista frustra a demanda do paciente de saber quais são suas ideias. Com efeito, numa Psicanálise, o terapeuta não fala o que pensa, mas tenta colocar em palavras aquilo que está nas entrelinhas do discurso do paciente. Em outras palavras, o psicanalista entrega ao analisante aquilo que está implícito em sua própria fala.

É por isso que fazer análise é uma experiência simultaneamente incômoda e aliviadora.

É desconfortável porque frustra o nosso desejo infantil de termos um guru a nos guiar pela vida dizendo o que devemos fazer e como devemos ser.

Todavia, é uma experiência também reconfortante porque nos oferece a possibilidade de sermos verdadeiramente escutados em nossa singularidade, o que raramente ocorre numa conversa, na qual que o interlocutor, amiúde, ao invés de nos escutar atentamente, está mais preocupado com o que irá dizer quando nos calarmos.


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Reprimir é conservar

Primeiramente, deixa eu definir o que é repressão para você que está chegando agora por aqui.

Repressão (ou recalque) é um mecanismo psicológico descoberto por Sigmund Freud, fundador da Psicanálise. Trata-se de um procedimento mental que utilizamos inconscientemente quando surgem na nossa alma certas ideias que são incompatíveis com a imagem que queremos ter de nós mesmos.

Exemplo: tomemos o caso de uma jovem de 22 anos que percebe a si mesma (e quer continuar se percebendo) como sexualmente pura do ponto de vista religioso. Eventualmente, essa moça desenvolve uma intensa amizade com uma colega de trabalho e essa situação acaba servindo como gatilho para que desejos de natureza homossexual aflorem na alma dela. Ora, essa jovem não pode admitir para si esses desejos, pois eles não são compatíveis com a autoimagem de pessoa sexualmente pura que ela possui. É aí que entra a repressão. Para se defender das ideias homossexuais, essa moça inconscientemente impedirá que elas ganhem acesso à sua consciência.

E é exatamente isso que significa reprimir (recalcar): impedir que determinadas ideias se tornem conscientes.

Qual é o problema na utilização desse mecanismo? O problema é que, ao bloquear o acesso de certas ideias na consciência, a gente perde a possibilidade de analisá-las, tratá-las e, eventualmente, descartá-las.

É muito simples. Veja: eu só consigo jogar fora um objeto que não desejo mais utilizar se eu SOUBER que essa coisa está na minha casa e, portanto, puder avaliar se vale a pena ficar com ela ou não. Se esse objeto estiver escondido, não tem como eu descartá-lo. Óbvio.

Da mesma forma, a jovem do exemplo acima não terá a oportunidade de renunciar aos desejos homossexuais (como provavelmente gostaria tendo em vista seus ideais), pois não se permite reconhecê-los.

Vejam que curioso: ela, que percebe a homossexualidade como incompatível com a imagem de si, está paradoxalmente CONSERVANDO em sua alma os pensamentos homossexuais na medida em que decidiu não olhar para eles à luz da consciência.


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