5 coisas que você precisa saber para começar a estudar Winnicott

1 – Além de psicanalista, Donald Woods Winnicott era também pediatra. A experiência no cuidado de bebês e crianças de colo deu a ele a oportunidade de entrar em contato com fenômenos que ocorrem em etapas muito precoces do desenvolvimento, os quais não puderam ser descritos e analisados por Freud, já que o pai da Psicanálise só trabalhava com adultos.

2 – Embora não rejeite a teoria do desenvolvimento psicossexual freudiana, Winnicott não enfatiza o papel dos impulsos sexuais e do complexo de Édipo na formação da personalidade. O foco do psicanalista inglês está voltado para uma dimensão muito mais básica da subjetividade que tem a ver com as experiências de sermos nós mesmos, de termos um corpo próprio e de estarmos inseridos na realidade.

3 – Winnicott tem dificuldade de admitir a existência de uma pulsão de morte, tal como Freud supunha. Para ele, os fenômenos que indicariam a existência desse instinto autodestrutivo seriam, na verdade, formas reativas que o sujeito encontrou para se defender de perigos imaginários derivados do mau acolhimento proporcionado pelo ambiente.

4 – Ambiente, aliás, é um dos termos mais importantes para se compreender o pensamento de Winnicott. Diferentemente de Freud, que dava mais ênfase aos fenômenos que acontecem dentro do sujeito, o psicanalista inglês volta seu olhar para o papel que o ambiente, especialmente na infância, exerce sobre o desenvolvimento da pessoa. Para ele, o adoecimento emocional está sempre associado à relação com um ambiente pouco acolhedor, invasivo ou negligente.

5 – A dificuldade que Winnicott tem para aceitar o conceito freudiano de pulsão de morte tem a ver também com o fato de ele acreditar, à luz de sua experiência como médico de crianças, que todos nós somos animados por uma tendência inata para a saúde, ou seja, para ele a gente nasceria querendo crescer, se expandir, amadurecer. Só deixaríamos de buscar a saúde em função de um eventual mau acolhimento do ambiente.


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Como explicar a Psicanálise para o paciente que nunca fez terapia?

Uma pessoa me fez essa pergunta na caixinha dos stories do Instagram.

Como muitos seguidores consideraram a resposta relevante, decidi compartilhá-la aqui no feed também a fim de alcançar outras pessoas.

Para explicar o funcionamento da Psicanálise para um paciente que nunca fez terapia, creio ser apropriada a seguinte analogia:

“Imagine [você, analista, está falando com o paciente] que a terapia é uma longa viagem que nós dois faremos juntos de carro.

É uma viagem diferente, pois a gente não sabe exatamente onde vai chegar; o mais importante é a jornada que faremos juntos.

Quem irá dirigir o carro? Você. Sim, pode parecer estranho que seja você, o paciente, a guiar esse processo, mas, confie em mim: é melhor assim.

Bem, isso significa que eu, como terapeuta, estarei no banco do carona, certo? Mas, não se preocupe: eu não vou ficar dormindo (aqui pode entrar uma leve risada). Eu vou funcionar para você como uma espécie de copiloto.

Durante a viagem, a sua tarefa é bem simples: você só tem que guiar o carro para onde quiser e ir descrevendo para mim o que está vendo à frente e ao redor.

Não, não temos um mapa. Esta é a graça desta viagem. Não existe um trajeto planejado. É você quem decide para onde a gente vai.

E eu, o que farei? Como disse, eu serei meio que um copiloto. De vez em quando, eu vou pedir para você fazer a volta para a gente passar de novo por certos lugares e vou chamar sua atenção para certas coisas que passaram batido pelo seu olhar.

Confie em mim: enquanto a gente faz essa viagem, pouco a pouco esse sofrimento todo que te fez vir aqui vai passar.

Talvez, depois de um tempo, você queira estacionar o carro, mas é possível também que goste tanto da viagem que não queira mais parar de dirigir.”.

E aí, o que você achou da analogia? Você, analista, costuma utilizar outras comparações como essa com seus pacientes?


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E se eu te disser que uma pessoa tímida pode ter um desejo enorme de se mostrar?

Formação reativa é um mecanismo de defesa, ou seja, uma operação mental que nós empregamos para nos protegermos de certas coisas que estão dentro de nós.

Que coisas são essas? São desejos, impulsos, fantasias, memórias, pensamentos que entram em choque com a imagem que queremos ter de nós mesmos.

Por exemplo:

Uma moça desenvolveu na infância um prazer enorme em ser vista pelas outras pessoas. Naquela época, ela adorava ser o “centro das atenções” e se perceber como fonte de prazer para o olhar do outro.

Contudo, conforme ia crescendo, essa moça ouvia da parte dos pais e de outras pessoas importantes para ela que é errado gostar de se exibir, que isso é coisa de gente “sem vergonha” e que uma mulher deveria ser sempre contida e recatada.

O que aconteceu, então?

Ora, essa moça passou a olhar para sua tendência exibicionista com maus olhos, como um defeito. Afinal, quer fazer jus à imagem ideal de mulher que o Outro espera dela.

Mas como ela vai conseguir isso já que gosta tanto de se mostrar?

É aí que entram os mecanismos de defesa. Por meio deles, a gente consegue se autoenganar, fingindo para nós mesmos que nunca gostamos daquelas coisas que são incompatíveis com nosso eu ideal.

A formação reativa é um mecanismo de defesa que consiste em evitar o contato com as coisas incompatíveis por meio da apresentação exagerada de uma tendência oposta a elas.

Não entendeu? Deixa eu voltar para o nosso exemplo que vai ficar mais claro. Veja:

Se a moça exibicionista fizesse o uso da formação reativa ela poderia se tornar uma pessoa extremamente pudica, tímida e acanhada, ou seja, adotar uma postura completamente oposta ao seu desejo de se exibir. Dessa forma, tanto os outros quanto ela mesma jamais iriam desconfiar que, na verdade, ela tem um tesão enorme em se mostrar.

Você consegue perceber a presença da formação reativa na sua vida ou no comportamento de outras pessoas?


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Faça do medo seu amigo, aprenda a suportá-lo e nunca mais ele te atrapalhará

Antes de começar a escrever o que PRECISO te dizer hoje, quero pedir do fundo do coração que você envie este texto para alguém que sabe que vai se beneficiar com a leitura dele. Combinado?

Então:

Ninguém gosta de sentir medo. Ninguém gosta de se sentir ameaçado ou prestes a sofrer um dano. Talvez o medo seja a experiência emocional que nós mais tentamos evitar.

Angústia e ansiedade são apenas nomes mais “palatáveis” para o medo. A gente geralmente prefere utilizá-los porque além de ser ruim de sentir, o medo também é ruim de ser admitido. Quando confessamos estar com medo, estamos reconhecendo nossa vulnerabilidade e algumas pessoas resistem a admitir isso, pois gostam de se iludirem achando que são imbatíveis.

Puro jogo de cena… Todo o mundo sente medo. Todavia, nem todo o mundo encara o medo como um obstáculo. E é aqui que entra o pulo do gato: é possível experimentar o medo, sofrer com ele e, mesmo assim, fazer o que precisa ser feito.

Quando saí do interior de Minas Gerais e fui para o Rio fazer mestrado, eu tive medo. Não conhecia a cidade e mal sabia onde iria morar. Mas, mesmo com medo, eu fui. E concluí o mestrado. E depois o doutorado, também no Rio.

Quando, logo ao final da graduação, já decidi começar a atender em consultório, eu também tive medo. Será que estou preparado? Será que terei pacientes? Será que vou saber conduzir o tratamento adequadamente? Mas, mesmo com medo, eu comecei a atender. E lá se vão mais de 10 anos ininterruptos de clínica.

Quando decidi renunciar a algumas atividades para poder criar a Confraria Analítica, o medo bateu também. Será que vai dar certo? Será que as pessoas vão se interessar pelo projeto? Mas, mesmo com medo, eu fui lá e fiz. E já estamos no terceiro mês de comunidade e o número de membros só cresce dia após dia.

A mensagem que eu quero te passar com esses exemplos é simples:

Você não precisa perder o medo para conseguir fazer o que quer e o que PRECISA fazer. Dá para CONVIVER com o medo.

Ele não é seu inimigo. É só aquele amigo chato, que não dá vontade ficar por perto, mas que está sempre do seu lado, algumas vezes te impedindo de fazer bobagem…


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O negacionismo nosso de cada dia

Por que é tão difícil para algumas pessoas admitirem que nós estamos numa situação realmente grave e catastrófica? Por que tantos indivíduos não conseguem reconhecer a realidade? Talvez você esteja se fazendo essa pergunta e imaginando que não pertence a esse grupo. Talvez você olhe para os negacionistas da pandemia e acredite que são pessoas ignorantes, tolas e que você jamais seria uma delas, afinal, você é um indivíduo esclarecido, que não se deixa levar por teorias conspiratórias e aceita a realidade tal como ela é.

Se você pensa assim, sinto lhe informar, mas nem eu e nem você estamos tão distantes assim dos negacionistas. Para dizer logo de cara: todos nós somos negacionistas em alguma medida. Você pode até não negar a realidade do vírus e da pandemia, mas certamente há pontos da sua própria história em relação aos quais você certamente é um negacionista. Foi o que eu tentei mostrar à paciente que me sugeriu esse artigo.

Leia o texto completo em bit.ly/drdnegacionismo


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O que você perde quando se vitimiza

Primeiramente, é importante esclarecer uma coisa: ser vítima é diferente de SE VITIMIZAR.

Quando uma criança é espancada por sua mãe, ela é uma vítima de abuso. Quando uma mulher é ameaçada de morte por seu marido agressivo, ela está sendo uma vítima de violência. Quando uma pessoa preta é tratada com menosprezo em função da cor da sua pele, ela está sendo vítima de discriminação.

Isso é inegável. Muitas vezes na vida podemos sofrer injustamente por conta da ação de outras pessoas sobre nós.

Isso é ser vítima, ou seja, trata-se de uma CONDIÇÃO permanente ou temporária sob a qual somos colocados involuntariamente.

Vitimização é outra coisa. Vitimizar-se é uma decisão, um ato, um comportamento. Quando me vitimizo, estou ESCOLHENDO olhar para a vida da POSIÇÃO de vítima.

E qual é a posição da vítima? Ora, a que eu descrevi acima: quando somos REALMENTE vítimas, estamos numa situação de sofrimento que foge ao nosso controle.

Nesse sentido, quando me vitimizo, estou escolhendo olhar para a vida como se o rumo dos acontecimentos pelos quais eu passo não pudessem ser alterados pelas minhas decisões, como se eu fosse apenas um objeto docilmente manipulável pelos outros.

No fundo, quem se vitimiza tem medo da responsabilidade implicada em estar na posição de sujeito, ou seja, de um ente ativo. Ele não quer ter que lidar com as consequências de suas ações. Por isso, prefere acreditar que a responsabilidade por seu sofrimento é exclusivamente do mundo, do governo, do capitalismo, dos pais, de Deus…

O problema é que, para manter esse gozo com a passividade, o vitimista perde a possibilidade de efetivamente sair da condição de sofrimento. Como ele só se vê como oprimido, imagina que a única chance que tem de sair dessa condição é se o outro ficar bonzinho e deixar de oprimi-lo ou se pudesse voltar no tempo e a sua história se tornasse diferente.

Percebe? Paradoxalmente, o gozo vitimista retira da pessoa o ímpeto para alterar suas circunstâncias e minorar seu sofrimento. Enquanto se mantém apenas na posição de objeto das ações alheias, o vitimista não consegue se perceber como agente e, assim, não sai do lugar.


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Você se tornou o sádico de si mesmo?

A experiência psicanalítica evidencia que todos nós possuímos impulsos sádicos.

Isso significa que todo o mundo tem um tesão natural em dominar, vencer, subjugar, exercer poder sobre os outros.

Ah, Lucas, eu acho que eu não tenho isso. Na verdade, eu me sinto até mal quando me encontro numa situação de vantagem sobre outra pessoa.

Isso pode indicar que você reprimiu seus impulsos sádicos. Isso mesmo. Como nossa cultura tende a associar agressividade a violência, muitos pais levam seus filhos a encararem seus impulsos sádicos como tendências horríveis que precisam ser extirpadas. Dessa forma, muitas crianças se veem forçadas a reprimir sua agressividade para não sofrerem punição dos pais.

A repressão também pode acontecer em virtude da expressão violenta dos impulsos sádicos por parte de um dos pais ou de ambos. Assustada pelas agressões parentais, a criança olha para sua própria agressividade como uma tendência perigosa e, por conta disso, reprime a expressão dela.

O problema com a repressão dos impulsos sádicos é que ela não faz apenas a pessoa se tornar frágil e inofensiva. A agressividade reprimida se volta contra o próprio sujeito e ele passa a ser sádico contra si mesmo, punindo-se, sacrificando-se, torturando-se do mesmo jeito que um sádico faz com seu parceiro masoquista.

É por isso que geralmente aquelas pessoas que são vistas e se veem como “incapazes de fazer mal a uma mosca” geralmente são excessivamente autocríticas e se veem sempre como piores do que os outros. Como seus impulsos sádicos foram reprimidos, elas não podem contar com eles como estímulos para a busca da vitória, do crescimento, da força, mas são obrigadas a gozar com eles por meio da derrota, do autodesprezo e da fraqueza.

Para tais indivíduos, domínio é sinônimo de maldade. Então, para não se verem como más, elas se privam de buscar o aumento da própria potência. Mas como a agressividade foi só reprimida e não eliminada, o sujeito acaba se tornando o algoz de si mesmo, a vítima de seus próprios impulsos sádicos.

Você acha que isso acontece com você ou conhece alguém que está nessa condição?


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Até quando você vai ficar só se criticando e ignorando seus pontos positivos?

Qual foi a última vez que você se elogiou?

Sim, qual foi a última vez que você olhou para si mesmo e reconheceu seus méritos, seu esforço, seus resultados, seus sacrifícios diários?

Ah, Lucas, mas eu não tenho nada para elogiar em mim. Não me considero competente, tenho defeitos morais, não me vejo como uma pessoa legal.

Será que você é essa tragédia mesmo ou será que o seu olhar está “viciado” pela autocrítica, esse movimento autopunitivo que você repete à exaustão desde criança?

Será mesmo que não há nada que você seja ou faz que mereça ser valorizado, reconhecido, elogiado?

Ontem eu atendi uma paciente e fiquei especialmente sensibilizado com o fato de ela não conseguir reconhecer o quanto vinha sendo forte, valente e esforçada no cumprimento de seus deveres profissionais.

Trata-se de uma pessoa extremamente comprometida em trabalhar da melhor forma possível, mas que vinha se sentindo diariamente insatisfeita consigo mesma. Sabem por quê? Porque, ao invés de reconhecer suas qualidades e méritos evidentes e indiscutíveis, ela ficava se comparando o tempo todo com a versão ideal e perfeita de si mesma que só existe na imaginação dela.

Por isso, recomendo a vocês o mesmo que recomendei a ela: parem de olhar para si mesmos buscando enxergar apenas imperfeições, insuficiências e falhas a serem corrigidas. Valorizem suas características positivas. Não espere que outra pessoa faça isso.

SEMPRE haverá alguma. Basta saber olhar. Basta retirar as viseiras diabólicas da autocrítica.

Ah, Lucas, mas mesmo tirando essas viseiras, eu ainda não consigo me ver de forma positiva. Continuo me achando uma péssima pessoa!

Ah, é? Então, pronto: valorize sua sinceridade.


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A gente faz Psicanálise quando nos cansamos de ser apenas personagens de nossa própria história.

Outro dia eu postei um vídeo lá na Confraria Analítica comentando um trecho do Seminário 11 em que Lacan assinala que o Inconsciente, tal como pensado por Freud, é uma forma de pensamento tão elaborada quanto o pensamento consciente.

Quem se deixa levar pela imagem do Inconsciente no senso comum acaba tendo a impressão de que se trata de algo caótico, desorganizado, irracional.  No entanto, quando lemos a “Interpretação dos Sonhos” ou “A Psicopatologia da Vida Cotidiana” nos damos conta de que no Inconsciente existe lógica, estratégia, raciocínio.

O que Freud nos mostra é que, por trás de um simples ato falho como o esquecimento da data de aniversário do filho podemos vislumbrar todo um discurso que não tem nada de irracional. Pelo contrário, à luz da dinâmica afetiva da pessoa, trata-se de um discurso que possui uma lógica absolutamente compreensível.

Portanto, não imagine o Inconsciente como um lugar obscuro onde entulhamos pensamentos reprimidos. Pense nele como uma modalidade de pensamento, de raciocínio, que se articula em cada um de nós de modo imperceptível, assim como as milhares de operações computacionais que estão acontecendo neste exato momento no seu celular enquanto você lê este texto.

Assim como você não percebe essas operações, mas apenas usufrui do resultado delas na tela do smartphone, assim também só colhemos as conclusões dos raciocínios inconscientes em nós.

Fazer Psicanálise é justamente uma tentativa de inferir e mapear o discurso do Inconsciente a partir dos seus efeitos em nossas vidas.


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Associação livre: falar sem censura

Freud notou, portanto, que a raiz das neuroses era a censura que o paciente impunha sobre si mesmo. Ora, trata-se da mesma censura que utilizamos para modular nosso discurso no dia a dia. Os parâmetros que nos servem de baliza na hora de escolher o que e como falaremos são os mesmos que adotamos para separar que aspectos do nosso ser queremos enxergar e quais queremos reprimir.

Se o que promove a cura é exatamente o resgate daquilo que foi barrado pela censura, então é preciso que, no tratamento, o paciente se esforce para evitar a aplicação da censura à sua própria fala. Dessa forma, o resgate dos aspectos reprimidos se torna mais facilitado.Leia o texto completo em: bit.ly/drdlivre


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Divã do Nápoli #03

Um seguidor pergunta: quais as diferenças entre psicopata, sociopata, comportamentopata e louco?

Minha resposta: O sufixo “pata” remete à ideia de patologia, ou seja, de adoecimento. Nesse sentido, “psicopata”, “sociopata” e “comportamentopata” designariam formas de enfermidade psíquica. Nenhum desses termos é de natureza técnica. Podem até ser utilizados por psicólogos e psiquiatras em entrevistas para a mídia ou em publicações populares, mas não se referem a categorias diagnósticas previstas pela ciência da Psicopatologia. A meu ver, são expressões que deveriam ser evitadas, pois costumam ser aplicadas em situações que envolvem questões de caráter ético, contribuindo para o processo de medicalização de comportamentos que deveriam ser avaliados na esfera da moral e não da saúde. Por exemplo, outro dia vi um psiquiatra famoso dizendo que determinado político era um “comportamentopata”. O que temos a ganhar com a introdução desse termo? Por que não mantermos a crítica das atitudes do político no âmbito da moral e dizermos simplesmente que ele está agindo de modo contrário aos parâmetros éticos mais básicos de nossa civilização? Por que “patologizar” o sujeito ao invés de julgá-lo do ponto de vista moral? Não basta dizer que ele é mau e merece punição? Por outro lado, é importante deixar claro que muitas vezes esses termos servem para designar de modo inapropriado pessoas que de fato apresentam uma forma de adoecimento psíquico chamada “transtorno de personalidade antissocial”. Indivíduos que apresentam esse transtorno (e que só podem ser categorizados dessa forma após um processo de psicodiagnóstico sério e aprofundado) apresentam severas dificuldades para experimentarem empatia e sentimento de culpa, facilitando o envolvimento desses sujeitos com crimes e prejuízos a outras pessoas.

Para conferir o restante dessa resposta e as respostas para outras duas perguntas, acesse bit.ly/divadonapoli03

Divã do Nápoli é uma seção da minha coluna semanal no Diário do Rio Doce na qual respondo perguntas de seguidores aqui do Instagram.


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Freud nunca disse que você deveria realizar os seus desejos reprimidos

Agora há pouco eu estava lendo o livro “Evasivas admiráveis: como a Psicologia subverte a moralidade”, de Theodore Dalrymple (pseudônimo do psiquiatra inglês Anthony Daniels).

Apesar de gostar do autor, não posso deixar de registrar aqui um comentário acerca de uma das inúmeras bobagens que ele diz no capítulo 01 dessa obra a respeito das ideias de Freud.

Em determinado momento do seu festival de críticas infundadas, Dalrymple leva o leitor ingênuo a acreditar que, para Freud, “a frustração do desejo é a raiz da patologia”.

Nada mais falso! Essa alegação, aliás, é feita não só pelo autor, mas também por muitas outras pessoas, geralmente religiosas. Ela se baseia num conhecimento superficial do pensamento freudiano.

Freud nunca defendeu a tese de que os indivíduos se tornam neuróticos quando não conseguem realizar seus desejos. Isso é mentira!

Para o fundador da Psicanálise, a neurose resulta de um excesso de REPRESSÃO. E o que é a repressão? Ao contrário do que muita gente carola pensa, reprimir um desejo não significa não realizá-lo na prática. A repressão é um MECANISMO PSÍQUICO, ou seja, algo que se passa exclusivamente “na cabeça” do sujeito. Reprimir um desejo significa basicamente negar para si mesmo a existência dele, impedindo-o de se tornar consciente.

É esse processo mental que pode dar origem a uma neurose. E por que pode dar origem a uma neurose? Ora, porque esse desejo que eu reprimo não desaparece. Ele continua presente em mim de modo inconsciente e fica o tempo todo tentando se fazer reconhecer. Se eu mantiver a repressão, ele acabará tendo que se manifestar por meio de sintomas neuróticos.

Qual a solução proposta por Freud? O RECONHECIMENTO do desejo, ora bolas! Não necessariamente a realização dele! O sujeito não precisa colocar em prática o seu desejo reprimido para se curar! Não seja idiota, dr. Dalrymple!

Se a Psicanálise funciona, é justamente porque ela é uma tecnologia que possibilita ao sujeito o acesso e o RECONHECIMENTO dos desejos reprimidos. Se o paciente, após esse reconhecimento, vai realizar ou não o desejo, essa é uma questão ética que depende da decisão pessoal dele.


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Psicanálise não é para todo o mundo

O objetivo maior do trabalho de um terapeuta deve ser o de oferecer ao paciente todos os recursos de que dispõe a fim de ajudá-lo a remover os obstáculos que comprometem sua saúde emocional.

A Psicanálise é apenas um desses recursos. Nem todos os pacientes precisam dela e nem todos possuem as condições necessárias para usufruir de seus benefícios.

Psicanálise não é para todo o mundo.

Há pacientes que não precisam de análise, mas de uma simples conversa onde poderão esclarecer algumas ideias e encontrar algumas saídas. Nada de interpretação, nada de análise de resistências, só clarificação de ideias. É o suficiente para alguns.

Há outros que demandarão do analista uma participação ativa, reasseguradora e eventualmente até sugestiva. Faz parte.

O mais importante é proporcionar ao paciente o cuidado que ele precisa no momento.

Eu não deixo de ser psicanalista quando ofereço ao paciente outros recursos não-analíticos. Como dizia Winnicott, nesses casos serei um psicanalista fazendo outra coisa.


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Não são as respostas que movem o mundo. São as histéricas.

Originalmente, histeria era um termo utilizado para designar uma variedade de quadros psicopatológicos, mais frequentes em mulheres, que tinham como traço comum a aparência de serem simulações. Com efeito, as histéricas apresentavam diversos sintomas físicos como dores, paralisias de membros e desmaios, mas não possuíam nenhum problema real em seus corpos. Pareciam, portanto, estarem simulando doenças para “chamar a atenção”.

Freud descobriu que, de fato, era isso mesmo. As histéricas inventavam doenças para chamar a atenção. No entanto, esse processo não acontecia de modo consciente. Além disso, Freud não olhou com menosprezo para o desejo histérico de chamar a atenção. Pelo contrário, decidiu investigá-lo para tentar entender o que levaria alguém a simular uma doença real e sofrer por conta disso apenas para conseguir chamar a atenção. Por que a atenção seria tão importante para aquelas mulheres?

A conclusão de Freud foi a de que elas precisavam da doença para chamar a atenção porque viviam em um contexto no qual não podiam se expressar espontaneamente. A fabricação de uma doença era o único meio de que dispunham para manifestar sua revolta contra a a civilização que, para funcionar, precisa necessariamente produzir dejetos, restos, lixo.

Ao adoecerem, as histéricas denunciavam a falsa paz da sociedade de sua época, obtida às custas do silenciamento da espontaneidade feminina. Foi graças a elas que Freud se viu levado a investigar o esgoto que a civilização produz em cada um de nós e batizá-lo de Inconsciente. Foi também pela incitação delas que o médico vienense se aventurou a mapear a sexualidade humana.

As histéricas são aquelas que não admitem a hipocrisia inerente ao laço social. São aquelas que se revoltam diante de situações para as quais a maioria das pessoas diz: “Deixa pra lá, é assim mesmo, sempre foi”. Incapazes de se submeterem passivamente às ordens do outro, são aquelas que questionam a tradição e apontam para aquilo que ela sufoca, reprime, apaga.

Se não fossem os gritos, as reclamações, os escândalos das histéricas, o mundo seria imóvel, previsível e chato.


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O Id não é um capetinha

Você certamente já deve ter visto na internet ou mesmo em livros supostamente técnicos uma imagem representando o id como um diabinho e o superego como um anjinho.

Muito provavelmente os autores dessas imagens jamais leram “O ego e o id”, texto de 1923 no qual Freud introduz aqueles conceitos na teoria psicanalítica. Afinal, se o tivessem lido, não fariam uma representação tão infiel das noções de id e superego.

Em outros momentos, eu já expliquei porque é incorreto associar o superego à figura de um anjo. Agora, quero me concentrar em desfazer o equívoco de se pensar o id como um “capetinha interior”.

Essa comparação só faz sentido se adotarmos um olhar moralista sobre nossos impulsos sexuais e agressivos – ponto de vista que não é o da Psicanálise.

Id foi o termo em latim escolhido pela tradução inglesa das obras de Freud para o vocábulo “Es” que, em alemão, designa um pronome impessoal, como o nosso “Isso”.

Freud não escolheu essa palavra aleatoriamente. De fato, ele precisava de um termo que fizesse referência àquilo que está presente em nós, mas, ao mesmo tempo, não faz parte do nosso Eu. Por isso, lhe pareceu oportuno utilizar a palavra “Es” que, inclusive, já vinha sendo empregada num sentido semelhante por Georg Groddeck, um médico psicanalista de que Freud gostava muito.

O que está presente em nós, mas não faz parte do nosso Eu? Ora, tudo aquilo que já vem conosco “de fábrica”. Com efeito, antes de termos um Eu, nós já SOMOS. Mas somos o quê? Basicamente um corpo animado por impulsos. Impulsos que nos levam a buscar sobrevivência, a buscar prazer e a buscar destruição. É isso o que nós somos antes de termos um Eu. E é esse estado primário do ser que Freud denomina de Id.

Depois que desenvolvemos um Eu, o Id não desaparece. Afinal, apesar de termos vestido uma imagem (o Eu), continuamos sendo um corpo animado por impulsos. Impulsos que não raro perturbam o Eu, mas que, ao mesmo tempo, revelam que somos muito mais do que a imagem que construímos de nós mesmos.

O Id, portanto, não é um capetinha. É apenas o que de você está para-além do espelho.


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