Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
A gente nasce com uma vontade louca de viver, como todos os outros animais.
Porém, diferentemente deles, não trazemos de fábrica nenhuma receita de como usar essa vontade.
Por isso, dependemos fundamentalmente do Outro.
E as primeiras pessoas que ocupam esse lugar nas nossas vidas são os pais.
São eles que nos fornecem as primeiras receitas de como lidar com nossa vontade louca de viver.
A gente pode categorizar essas receitas em dois grandes tipos: as repressoras e as balizadoras.
As repressoras são aquelas cujo princípio básico é:
“Contenha sua vontade de viver! Ela é perigosa, explosiva! Então, busque canalizá-la para objetivos nobres, pois, assim, você irá neutralizar o potencial destrutivo que ela tem.”
Já o princípio que fundamenta as receitas balizadoras é diferente:
“Abrace sua vontade de viver! Ela é potente, estimulante! Você só precisa tomar cuidado para não deixá-la transbordar e acabar, sem querer, fazendo mal para si mesmo ou para os outros.”
Pais que trabalham com receitas repressoras entendem os limites basicamente como barreiras, interdições.
Eles olham para o desejo de um filho de ficar mais tempo brincando na rua como a expressão de um “hedonismo” natural que precisa ser coibido:
— Vem pra casa agora! Amanhã você tem aula. Jogar bola na rua não vai te levar a lugar nenhum. Você tinha que estar preocupado é com os estudos.
Já os pais que oferecem receitas balizadoras encaram os limites como referências, parâmetros.
Com eles, a criança aprenderá que seu desejo de ficar mais tempo na rua não é errado; só não é prudente satisfazê-lo naquele momento:
— Eu entendo que você queira continuar brincando. Quando eu tinha sua idade, também não queria parar. Mas é que amanhã tem aula. E se você não for tomar banho agora, vai acabar dormindo muito tarde, o que não vai te fazer bem.
A diferença é gritante, né?
As receitas repressoras são baseadas no medo.
Pais que as adotam tratam a vontade de viver como se ela fosse naturalmente inclinada para “o mal”.
Os limites, pensados como barreiras, seriam uma forma de neutralizar essa tendência.
Já as receitas balizadoras são baseadas na confiança.
Pais que as adotam não julgam moralmente a vontade de viver. Para eles, ela é o que é: uma vontade-de-viver.
Nesse sentido, a criança não precisa ser encaixada no “caminho certo”; ela só precisa de algumas balizas, para não se machucar e nem machucar os outros, ao longo de seu próprio caminho.
Agora, me diga nos comentários, a receita que você recebeu dos seus pais foi de que tipo: repressora ou balizadora?
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Muita gente hoje em dia costuma dizer que os pais não têm conseguido impor limites sobre seus filhos, fazendo com que as crianças cresçam mimadas e mal-educadas.
Apesar da generalização indevida, é claro que há algo de verdadeiro nessa afirmação.
Porém, a maioria das pessoas equivocadamente entende o termo “limites” apenas no sentido de proibições.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Em 1913, Freud foi convidado pelo Redator-Chefe da revista científica italiana SCIENTIA a escrever um artigo apresentando as contribuições da Psicanálise para outras ciências.
O resultado foi um texto magnífico em que Freud praticamente resume o conjunto das descobertas que ele e seus alunos haviam feito até aquele momento.
A última seção desse artigo se chama “O interesse educacional da Psicanálise”.
Nela, Freud não fala de relação professor-aluno, aprendizagem, cognição… nada disso.
O foco dele não é a educação escolar, mas a educação familiar, aquilo que a gente costuma chamar aqui no Brasil de CRIAÇÃO.
Freud destaca que o grande problema com a forma como os pais tradicionalmente criam seus filhos é que ela não leva em conta as particularidades do psiquismo infantil.
Por força da inevitável amnésia infantil, os pais esquecem como se comportavam quando crianças e, assim, tratam as tendências e manifestações naturais dos filhos como se fossem impulsos anormais que precisam ser severamente reprimidos.
O resultado de uma criação desse tipo será fatalmente a NEUROSE, essa forma de adoecimento emocional em que o sujeito desperdiça a maior parte da sua preciosa energia psíquica se defendendo dos próprios desejos.
— Beleza, Lucas, entendi. Mas qual alternativa Freud apresenta para os pais? Deixar a criança fazer tudo o que quiser? Não dar limites?
Não, caríssimo leitor. Freud não está advogando uma educação do tipo “libera geral”, em que os pais se eximem do seu papel de grande Outro e deixam a criança entregue aos próprios impulsos.
— Uai, Lucas, mas você não acabou de falar que ele era contra uma educação repressiva?
Sim, perfeitamente. Mas é que não existem apenas esses dois pólos, caro leitor. Para-além da criação libertina e da criação repressiva, existe outra forma — saudável — de educar.
Quer saber qual é?
Falarei sobre ela e sobre outros aspectos da visão de Freud sobre a educação numa AULA ESPECIAL que estará disponível ainda hoje apenas para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.
Te vejo lá!
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
É até intuitivo imaginar que crianças que crescem num ambiente superprotetor tornam-se adultos arrogantes e excessivamente autoconfiantes, mas o verdadeiro produto da superproteção é a INSEGURANÇA.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Neste vídeo: o psicanalista Lucas Nápoli explica os efeitos prejudiciais de uma criação sem limites com base no texto “Nosso mundo adulto e suas raízes na infância”, de Melanie Klein.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
No texto “Nosso mundo adulto e suas raízes na infância”, de 1959, Melanie Klein faz um comentário muito interessante sobre o que nós chamamos popularmente de “criação sem limites”, ou seja, a dificuldade que muitos pais experimentam hoje em dia para disciplinarem seus filhos. Diz a autora:
“Embora seja verdade que uma criação excessivamente disciplinadora reforça a tendência da criança para a repressão, devemos nos lembrar de que uma indulgência excessiva pode ser quase tão prejudicial para a criança quanto uma restrição demasiada”.
Todavia, longe de cair no lugar comum de dizer que as crianças que são criadas sem limites se tornam pequenos perversinhos mimados, preguiçosos e hedonistas, Melanie Klein aponta os possíveis prejuízos que uma criação sem limites pode ocasionar na saúde mental das crianças. Ou seja, ao invés de adotar um olhar moralista e pedagógico para a falta de disciplina, a autora analisa o fenômeno de um ponto de vista autenticamente psicanalítico. Veja o que ela diz:
“Há um outro ângulo a partir do qual a indulgência excessiva dos pais deve ser considerada: se bem que a criança possa tirar vantagem dessa atitude dos pais, ela também vive uma sensação de culpa por explorá-los e sente necessidade de alguma restrição que lhe dê segurança. […] Além disso, devemos também considerar que pais que estão sofrendo muito sob a livre expressão sem limites das crianças – por mais que tentem submeter-se a isso – estão certamente fadados a sentir algum ressentimento que entrará em sua atitude em relação à criança.”
Viu só? Filhos criados sem limites, apesar de usufruírem dos benefícios do excesso de liberdade, sentem-se culpados, pois sabem, pelo olhar inseguro e angustiado de seus pais, que estão indo além do que deveriam. Além disso, a falta de limites faz própria criança ficar insegura na medida em que a deixa perdida sem parâmetros claros acerca do que pode e do que não pode fazer.
Do lado dos pais, o resultado, como Klein pontua, é o ressentimento, isto é, eles começam a odiar secretamente os próprios filhos por se sentirem manipulados por eles.
O que você acha dessas importantes descobertas de Melanie Klein?
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.