Você possui um olhar HISTÉRICO em relação à vida?

Originalmente, histeria era o nome dado a um tipo de adoecimento conhecido desde a Antiguidade em que a pessoa pode apresentar sintomas físicos como dores, dormências, paralisias bem como desmaios e crises aparentemente convulsivas. Todavia, num quadro histérico, nenhuma dessas manifestações é causada por fatores orgânicos. A origem delas é totalmente psíquica ou, como se costuma dizer atualmente, emocional.

Atualmente, no meio médico, não se utiliza mais o termo histeria. Um psiquiatra, por exemplo, falaria em “transtornos dissociativos, conversivos e somatoformes” para se referir a um quadro clínico como o descrito acima.

Na psicopatologia psicanalítica, a categoria de histeria permanece válida. Contudo, hoje em dia os analistas entendem que a histeria não se refere apenas a uma entidade clínica, mas é também UM MODO DE SE POSICIONAR DIANTE DA VIDA ou, se você preferir, uma estrutura de personalidade.

A pesquisa psicanalítica evidencia que os sujeitos histéricos não conseguiram encontrar uma saída para uma questão humana fundamental que nos é apresentada já nos primeiros anos de infância: o problema da diferença entre os sexos.

Para todo o mundo é difícil fazer o reconhecimento de que homem e mulher são apenas diferentes, isto é, que não existe um sexo superior ou inferior ao outro. O histérico, contudo, ficou preso a essa dificuldade e não conseguiu sair desse impasse. É isso que está implícito nas noções freudianas de “medo da castração” e “inveja do pênis”. O menino só tem medo de ser castrado porque acredita que há seres que efetivamente o foram: as mulheres. A menina, por sua vez, só tem inveja do pênis porque imagina que esse órgão confere completude aos homens.

O sujeito histérico é aquele que não conseguiu ultrapassar essas ilusões infantis. Ele continua achando que existem pessoas que são completas, plenamente felizes, que possuem tudo, ao passo que outras (entre as quais ele se inclui) são impotentes, faltosas, incompletas. Cronicamente insatisfeito, o histérico está sempre numa postura de queixa e reivindicação, denunciando a suposta completude do outro.

Você possui esse olhar histérico em relação à vida ou conhece pessoas que o possuem?


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3 traços da estrutura histérica

Na matriz clássica da Teoria Psicanalítica distinguimos duas grandes estruturas neuróticas: a obsessiva e a histérica.

Já falei em outro momento sobre alguns traços da estrutura obsessiva e agora é a vez de falarmos sobre os histéricos.

Assinalo que esses são apenas alguns dos principais traços que caracterizam a estrutura histérica. Existem vários outros sobre os quais podemos refletir em outro momento.

1 – RESSENTIMENTO: O sujeito histérico não conseguiu admitir o fato de que ninguém possui o falo, ou seja, o fato de que todo o mundo é faltoso, carente, incompleto, vulnerável. O histérico trabalha com a crença inconsciente de que existem pessoas inteiramente satisfeitas, poderosas, inabaláveis e de que ele faz parte do grupo daqueles que foram injustamente privados dessa plenitude. Na mulher, esse traço se manifesta amiúde no sentimento constante de estar sendo injustiçada e no homem apresenta-se na preocupação excessiva com sua virilidade (“Será que sou um homem de verdade?”).

2 – SUBMISSÃO AO DESEJO DO OUTRO: Como o sujeito histérico se sente injustamente prejudicado e privado de fazer parte do grupo dos poderosos, completos e inabaláveis, ele tende se colocar de maneira infantil diante do outro a quem atribui esse lugar de superioridade. De fato, o histérico encara esse outro como o detentor de todos os segredos e como aquele que sabe o que é melhor para ele (histérico). Por isso a hipnose funcionava tão bem com as histéricas do século XIX e é também por essa razão que os homens histéricos estão constantemente se lamentando por não serem como o fulaninho, a quem atribuem o status de “homem de verdade”.

3 – IDENTIFICAÇÃO FÁLICA: Outra crença inconsciente sempre presente no sujeito histérico é a de não ter sido suficientemente amado quando criança, de não ter ocupado juntos aos pais (especialmente a mãe) o lugar de falo, ou seja, de objeto ideal do desejo deles. Assim, o histérico passa a vida tentando exercer essa função fálica, só que agora para outras pessoas. É por isso que os histéricos tendem a ser sedutores: querem ser o tempo todo desejados, colocados no lugar de objeto privilegiado do outro. Excesso de ciúme e submissão a humilhações na tentativa de recuperar o amor do outro podem ser algumas das formas de manifestação desse traço em ambos os sexos.

Ao observar esses três traços, vem à sua mente a imagem de alguma pessoa específica? De você mesmo? 😅


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Não são as respostas que movem o mundo. São as histéricas.

Originalmente, histeria era um termo utilizado para designar uma variedade de quadros psicopatológicos, mais frequentes em mulheres, que tinham como traço comum a aparência de serem simulações. Com efeito, as histéricas apresentavam diversos sintomas físicos como dores, paralisias de membros e desmaios, mas não possuíam nenhum problema real em seus corpos. Pareciam, portanto, estarem simulando doenças para “chamar a atenção”.

Freud descobriu que, de fato, era isso mesmo. As histéricas inventavam doenças para chamar a atenção. No entanto, esse processo não acontecia de modo consciente. Além disso, Freud não olhou com menosprezo para o desejo histérico de chamar a atenção. Pelo contrário, decidiu investigá-lo para tentar entender o que levaria alguém a simular uma doença real e sofrer por conta disso apenas para conseguir chamar a atenção. Por que a atenção seria tão importante para aquelas mulheres?

A conclusão de Freud foi a de que elas precisavam da doença para chamar a atenção porque viviam em um contexto no qual não podiam se expressar espontaneamente. A fabricação de uma doença era o único meio de que dispunham para manifestar sua revolta contra a a civilização que, para funcionar, precisa necessariamente produzir dejetos, restos, lixo.

Ao adoecerem, as histéricas denunciavam a falsa paz da sociedade de sua época, obtida às custas do silenciamento da espontaneidade feminina. Foi graças a elas que Freud se viu levado a investigar o esgoto que a civilização produz em cada um de nós e batizá-lo de Inconsciente. Foi também pela incitação delas que o médico vienense se aventurou a mapear a sexualidade humana.

As histéricas são aquelas que não admitem a hipocrisia inerente ao laço social. São aquelas que se revoltam diante de situações para as quais a maioria das pessoas diz: “Deixa pra lá, é assim mesmo, sempre foi”. Incapazes de se submeterem passivamente às ordens do outro, são aquelas que questionam a tradição e apontam para aquilo que ela sufoca, reprime, apaga.

Se não fossem os gritos, as reclamações, os escândalos das histéricas, o mundo seria imóvel, previsível e chato.


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[Vídeo] Histeria e Psicanálise: ENTENDA TUDO | Aula 03

Nesta aula: quatro traços típicos da estrutura histérica: insatisfação crônica, sedução/dramatização, repúdio à sexualidade e compulsão a “castrar” o outro.

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