[Vídeo] Minha opinião sobre sessões muito curtas

Neste vídeo eu respondo à pergunta “O que você tem a dizer das sessões que duram 20 minutos?”, que me foi feita numa caixinha de perguntas lá no Instagram.


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“Não consigo entender Lacan”


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Como se dá o complexo de Édipo em crianças que estão em estruturas familiares não tradicionais?


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Blogueiras e influenciadores exploram nossa falta estrutural

Certa vez eu participei de uma palestra em que um colega psicanalista disse algo mais ou menos assim:

— Frequentemente a gente tem a impressão de que em algum lugar está rolando uma baita festa, em que todo o mundo se sente absolutamente feliz, e para a qual somente nós não fomos convidados.

Naquela época o Instagram sequer havia sido inventado. Do contrário, meu colega não precisaria ter usado essa analogia. Bastaria descrever o que acontece nesta rede social…

Você está aí vivendo seu cotidiano tranquilamente, relativamente satisfeito com seu trabalho, seu relacionamento, tendo momentos de lazer… Enfim, tendo uma vida mais ou menos normal.

Aí você entra no Instagram para se entreter e começa a acompanhar a vida de blogueiras e influenciadores nos stories.

De repente, você ganha acesso a um mundo de viagens espetaculares, casas luxuosas, corpos esculturais, restaurantes premiados, relacionamentos amorosos impecáveis etc.

Você sabe intelectualmente que todos aqueles vídeos e fotos foram cuidadosamente selecionados, editados e não compõem um retrato fiel da vida daquelas pessoas.

Apesar disso, o contato frequente com esse tipo de conteúdo inevitavelmente o leva a olhar para sua vida (que, até então, você percebia como boa) e passar a considerá-la pobre e limitada.

Veja: essa sensação amarga de FALTA só aparece em função da FANTASIA de uma vida PERFEITA que você foi levado a construir com base no conteúdo compartilhado pelas blogueiras e influenciadores.

Se parasse de assistir aos stories dessa galera, você iria voltar a ficar satisfeito com a sua vida, certo?

ERRADO. Nós nunca estamos plenamente satisfeitos.

Com exceção dos deprimidos, todos nós experimentamos esse comichão eterno que nos faz estar sempre buscando algo a mais, um trem diferente, que muitas vezes a gente nem consegue nomear.

E esse comichão é produzido justamente porque todos nós, com o ou sem Instagram, nutrimos no fundo da alma o sonho de reencontrar um estado de satisfação absoluta que imaginamos ter vivido lá no início da vida.

Falo mais sobre isso na AULA ESPECIAL sobre o conceito lacaniano de “objeto a” que estará disponível ainda hoje para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.


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[Vídeo] A paixão pela ignorância e o desejo do analista

Todos nós queremos melhorar, mas nenhum de nós deseja, a princípio, investigar o que de fato está por trás dos nossos problemas emocionais. O psicanalista francês Jacques Lacan tinha uma expressão muito boa para caracterizar essa atitude básica: “paixão pela ignorância” — um belo eufemismo para MEDO DE SABER A VERDADE.


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João, a cruz e seu desejo impossível

— Na verdade, eu nem sei direito por que estou aqui… — diz João logo no início da sua primeira consulta com a psicanalista Suelen.

A terapeuta faz silêncio esperando que o paciente prossiga em seu discurso.

— Eu só tô me sentindo mal. E não é de agora… Já tem um tempo que viver, para mim, virou uma coisa mecânica, repetitiva, sem graça.

— Hum… Continue. — encoraja Suelen.

— Eu já andei assistindo uns vídeos na internet. Vi que pode ser depressão. Minha mãe já teve isso anos atrás.

— Há quanto tempo mais ou menos?

— Ah, deve ter uns 20 anos. Minha mãe ficou ruim, viu? Não queria nem levantar da cama, fazer comida, nada… Isso durou uns 2 meses.

— Depois ela melhorou?

— Mais ou menos… Ela começou a tomar remédio e conseguiu voltar ao dia-a-dia normal. Mas a minha mãe sempre foi uma pessoa meio triste, para baixo…

— E você consegue imaginar por que ela era assim? — questiona a analista já antevendo uma provável identificação de João com a mãe.

— Eu acho que ela era infeliz no casamento, sabe? Meu pai era um cara muito mulherengo. Volta e meia tinha mulher que ele pegava ligando lá pra casa.

— Hum…

— Teve um dia que eu perguntei na lata: ‘Mãe, por que você não se separa?’.

— E o que ela respondeu?

— ‘Essa é a cruz que Deus me deu para carregar, meu filho’. Eu já imaginava que ela fosse dizer isso. Minha mãe é super católica.

— E você, João, também tem uma cruz? — provoca a terapeuta.

Um tanto surpreso pela pergunta inesperada, o paciente responde depois de alguns segundos:

— Bom… Acho que sim… Acho que o meu trabalho é meio que minha cruz. Eu queria muito sair da empresa, mas não posso, não dá… Acho que é por isso que eu tô assim.

— E não pode por quê?

— Ah, Suelen… Eu tô lá há 8 anos. Entrei como estagiário e hoje já sou coordenador de área. Salário é ótimo, todo mundo gosta de mim… Não tem como sair.

Ao ouvir essa última frase proferida por João (“Não tem como sair.”), Suelen se lembrou da tese proposta por Jacques Lacan de que, no neurótico obsessivo, o desejo se apresenta como impossível.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje (sexta) uma AULA ESPECIAL em que eu comento, com diversos exemplos, essa tese lacaniana.


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[Vídeo] A ansiedade e a falta da falta

Esta é uma pequena fatia da aula especial “LENDO LACAN #09 – A falta da falta é o que provoca a ansiedade”, já disponível para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.


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Bárbara e o Direito: a estudante ansiosa que não podia desejar

Bárbara, uma jovem de 19 anos, ingressou há cerca de 8 meses numa universidade pública para cursar Direito.

Apesar de sempre ter sido uma excelente aluna durante o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, a moça sente muito medo de tirar notas baixas na faculdade.

Curiosamente, até o momento isso não aconteceu.

Bárbara está no início do segundo período do curso e, por enquanto, suas notas foram sempre acima de 80% em todas as provas e trabalhos.

Se essa estudante tem um retrospecto tão positivo, como explicar as constantes crises de ansiedade que ela experimenta, principalmente antes das avaliações?

Será que, de fato, o que deixa a jovem apavorada é a possibilidade de ir mal numa prova, ser reprovada nas disciplinas e não conseguir concluir a graduação?

Bem, é esse o fluxo catastrófico de pensamentos que ela descreve para Leda, a analista que a acompanha desde que fazia cursinho pré-vestibular.

A terapeuta, que não é boba nem nada, sabe que o buraco é mais embaixo e resolve perguntar para Bárbara como se deu a escolha pelo curso de Direito.

— Escolha? Como assim ESCOLHA?, pergunta retoricamente a moça. Foi uma coisa natural… Acho que eu nunca pensei em fazer outra coisa.

Leda pede que a paciente explique isso melhor.

— Ah… Minha avó era advogada, minha mãe é defensora pública… Não tinha como ser diferente… Mas ninguém me pressionou, viu?

— Mas… E se tivesse como ser diferente?, provoca a analista. O que você escolheria se não fosse o Direito?

— Não faço a menor a ideia, diz a estudante depois de alguns segundos em silêncio. Nunca pensei na possibilidade de fazer outra coisa.

— Você nunca se permitiu DESEJAR outra coisa, né Bárbara?, diz Leda encerrando a sessão.

A terapeuta fez essa última intervenção levando em consideração uma tese contratuitiva proposta por Jacques Lacan acerca da ansiedade.

Para o psicanalista francês, a ansiedade nos visita justamente quando perdemos a possibilidade de desejar, ou seja, quando a FALTA (condição do desejo)… falta.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje (sexta) uma AULA ESPECIAL em que comento essa tese lacaniana de forma simples e didática com base num texto do próprio Lacan.

Te vejo lá!


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Retificação subjetiva: uma manobra clínica essencial

Como nossos pacientes chegam à terapia?

Na maioria dos casos, eles iniciam o processo relatando as dificuldades e problemas que os motivaram a procurar ajuda.

Desânimo, excesso de autocobrança, conflitos conjugais, solidão, crises de ansiedade, conflitos familiares etc.

Esses são alguns exemplos de queixas frequentes que costumam levar as pessoas a buscarem terapia.

A fim de se proteger um pouco do sofrimento, a maioria dos pacientes apresenta seus problemas como situações totalmente alheias à sua vontade.

Em outras palavras, é como se a pessoa dissesse:

“Doutor, essas crises de ansiedade estão ACONTECENDO comigo, mas eu não tenho nada a ver com elas. Só preciso que o senhor as tire de mim”.

Sacou?

O sujeito pensa seu sintoma como uma coisa tão estranha a ele quanto uma bactéria que porventura tivesse invadido seu corpo.

Essa atitude inicial do paciente é natural e o terapeuta precisa permitir que o analisando possa se expressar dessa forma num primeiro momento.

Contudo, trata-se de uma posição subjetiva que, se mantida, inviabiliza o progresso do tratamento.

Afinal, a Psicanálise nos fez perceber que nossos problemas emocionais têm TUDO a ver conosco, com nossos desejos, com nossos medos, com nossa história…

Nesse sentido, a terapia só pode avançar se o paciente mudar de posição, passando a considerar SUA PARTICIPAÇÃO na construção e manutenção de seus sintomas.

Essa mudança de atitude dificilmente acontece espontaneamente.

Deixado à própria sorte, o paciente via de regra continuará se percebendo apenas como vítima de seus problemas e não como coautor deles.

Por isso, a alteração de posição depende fundamentalmente de uma MANOBRA CLÍNICA a ser executada pelo terapeuta.

Jacques Lacan chamou esse procedimento de RETIFICAÇÃO SUBJETIVA.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje (sexta) uma aula especial em que explico essa operação e analiso como Freud a utilizou nos casos Dora e Homem dos Ratos.

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Histeria e neurose obsessiva: dois modos de lidar com a vida

Quando Freud fala de histeria e neurose obsessiva, ele está se referindo a duas formas de adoecimento psíquico, isto é, duas CONDIÇÕES patológicas que uma pessoa pode vivenciar TEMPORARIAMENTE.

A ideia de que existem PESSOAS HISTÉRICAS e PESSOAS OBSESSIVAS é especificamente lacaniana.

Foi Jacques Lacan quem propôs a concepção de que histeria e neurose obsessiva são duas ESTRUTURAS subjetivas.

Em Humanês, isso significa que, para Lacan, existem pessoas cuja personalidade está organizada e funciona de acordo com uma LÓGICA histérica e outras conforme uma LÓGICA obsessiva.

Nesse sentido, do ponto de vista do analista francês, histeria e neurose obsessiva não são necessariamente patologias, mas, essencialmente, MODOS DE LIDAR COM A VIDA.

Com a vida HUMANA, diga-se de passagem.

Enfatizo a palavra “humana” porque, para Lacan, existe uma diferença radical entre a nossa vida e a vida dos outros animais.

Do ponto de vista lacaniano, a vida humana possui dois aspectos peculiares e fundamentais: a dimensão do grande Outro (ou, se você quiser, o Simbólico) e a experiência da FALTA.

A segunda é consequência da primeira.

A existência da dimensão do grande Outro faz com que os seres humanos tenham que abrir mão de parte da sua liberdade natural para existirem no interior da sociedade como SUJEITOS.

Pense, por exemplo, no fato de que, para se comunicar com sua mãe, quando criança, você precisou se SUJEITAR ao idioma dela.

O efeito colateral desse processo de alienação ao grande Outro é o surgimento da experiência da FALTA, já que precisamos cortar uma parte do nosso ser espontâneo para entrarmos no jogo social.

Pois bem! A maioria de nós aceita esse processo de “castração”, mas… mas… mas, AO MESMO TEMPO, nos revoltamos em relação a ele, nutrindo certo ressentimento.

É dessa relação ambígua com a castração que nascem os dois MODOS DE LIDAR COM A VIDA que Lacan chamará de histeria e neurose obsessiva.

Ainda hoje, quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá uma AULA ESPECIAL em que comento algumas das principais características dessas duas posições subjetivas, como elas se manifestam na clínica psicanalítica e qual deve ser o manejo do analista com cada uma delas.

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Analistas, não compreendam seus pacientes!

Sim, foi isso mesmo que você leu, caro leitor.

Essa é uma das principais recomendações clínicas feitas por Jacques Lacan para a prática da Psicanálise.

— Mas, como assim, Lucas? Eu sempre ouvi dizer que um terapeuta deve se esforçar para compreender o que está acontecendo com seu paciente.

Pois é… Mas será que a compreensão demanda, de fato, algum esforço?

Lacan nos mostra que não.

Do ponto de vista do autor, compreender, isto é, enxergar sentido naquilo que uma pessoa faz ou fala, é a coisa mais fácil do mundo.

Nós, humanos, somos mestres em estabelecer relações de causa e efeito e identificar padrões — por mais aleatórias que sejam as associações entre os eventos.

Ora, o surgimento da Astrologia, por exemplo, pode ser atribuído exatamente a essa compulsão humana por compreender.

Somente uma ânsia feroz por compreensão poderia ter nos levado à ideia de que o comportamento de uma pessoa é influenciado pela posição dos astros no momento do nascimento dela.

Tá vendo?

Nada mais fácil do que dizer: “isso aconteceu por causa daquilo”, “a pessoa agiu assim porque tal e tal coisa se passou com ela”.

Tem um exemplo que o Lacan dá no Seminário 03 (“As psicoses”) que é bastante ilustrativo de como a compreensão é tão fácil quanto enganosa.

Ele diz que se a gente vê uma criança recebendo um tapa e, logo depois, chorando, nossa tendência (baseada em nossa compulsão por compreender) é pensar que a criança está chorando porque apanhou, né?

Pois bem, olha o que o Lacan diz:

“Quando se recebe um tapa, há certamente muitas outras maneiras de responder a isso do que chorando, pode-se revidá-lo, e também dar a outra face, pode-se também dizer — Bata, mas escute.”

Sacou? A ânsia apressada de compreensão nos leva a pensar que as coisas são óbvias, evidentes, naturais…

Ora, tratar as queixas que o paciente traz como fenômenos super compreensíveis e naturais, sem problematizá-las, sem levar o sujeito a questioná-las, é justamente o que NÃO se deve fazer na Psicanálise.

Se você quiser saber mais sobre essa crítica lacaniana ao uso clínico da compreensão, é só estar presente na nossa AULA ESPECIAL AO VIVO de hoje, na CONFRARIA ANALÍTICA, a partir das 16h30.

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Somos todos alienados

No senso comum, a gente costuma chamar de alienadas aquelas pessoas que aparentemente ignoram voluntária ou involuntariamente fatores de natureza política, econômica ou social que interferem diretamente em suas vidas.

Do alto de sua ilusória consciência supostamente esclarecida, o sujeito levanta o dedinho indicador na mesa de jantar e dispara:

— O Brasil está assim porque a população é alienada.

Aham… Você não, né, cara-pálida?

Somos TODOS alienados.

Se nós simplesmente levássemos em consideração a descoberta freudiana do Inconsciente, isso já seria o suficiente para chegarmos a tal conclusão.

Por natureza, nenhum de nós está ciente de toda a série de raciocínios e articulações de ideias que ocorrem nos bastidores da nossa alma e que comandam nossa conduta.

É por isso que a gente faz análise: para perceber o quanto somos alienados enquanto acreditamos gozar de autonomia e liberdade.

O psicanalista francês Jacques Lacan foi um dos autores que mais enfatizaram essa descoberta da Psicanálise.

Na tentativa de formalizar teoricamente as razões pelas quais sofremos, por natureza, dessa ignorância em relação a nossas próprias motivações, Lacan propôs, em 1964, que tomássemos a ALIENAÇÃO como uma operação necessária, isto é, inevitável, no processo em que nos tornarmos humanos.

Sim, nós não nascemos efetivamente HUMANOS.

Originalmente, somos apenas filhotinhos de Homo sapiens.

A transformação desse pequeno mamífero primata em um humano dependerá fundamentalmente da inscrição dele naquilo que Lacan chama de “campo do Outro”, isto é, na cultura, no mundo social.

Por exemplo: para nos tornarmos humanos precisamos necessariamente receber um nome que O OUTRO nos dá, somos vestidos com roupas que O OUTRO escolhe, precisamos aprender o idioma DO OUTRO e somos obrigados a nos adaptar à cultura DO OUTRO.

Em outras palavras, se quisermos nos tornar humanos (e não temos alternativa a não ser a morte), precisamos fatalmente nos ALIENARMOS…

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que comento detalhadamente como Lacan trabalha a alienação como primeira operação de constituição do sujeito.


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[Vídeo] Simbólico, Real e Imaginário em Lacan: explicação com exemplos

Neste vídeo explico os conceitos de real, simbólico e imaginário — os três registros da experiência humana propostos pelo psicanalista Jacques Lacan — por meio de analogias e exemplos bastante simples.


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[Vídeo] Entenda as diferenças entre o pequeno outro e o grande Outro em Lacan

Neste vídeo proponho uma maneira didática e simples de compreender as diferenças fundamentais entre os conceitos de outro (com “o” minúsculo) e grande Outro na doutrina do psicanalista francês Jacques Lacan.


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Bora entender as diferenças entre Real, Simbólico e Imaginário?

Um bom exercício intelectual que ajuda a gente a entender os três registros da experiência humana propostos por Lacan (Real, Simbólico e Imaginário) é o seguinte:

Imagine uma estante que contém 100 livros.

Se eu retiro um livro, a estante fica incompleta?

Sim e não.

Do ponto de vista do Real, a estante não está incompleta.

— Uai, Lucas, como não? Ela agora está com 99 livros. Tá faltando 1, sô!

Veja: o máximo que eu posso dizer, levando em conta apenas o registro do Real, é que a estante está DIFERENTE de como estava antes, que houve uma pequena mudança na sua configuração.

Mas incompletude e completude são IDEIAS e não fatos.

E ideias são sempre RELATIVAS.

Relativas a outras ideias (olha o significante aí, gente!).

Um aluno, por exemplo, pode considerar sua resposta à questão de uma prova como COMPLETA, ao passo que o professor pode avaliá-la como INCOMPLETA.

Percebe?

Vai depender do REFERENCIAL de completude com o qual você está trabalhando.

E esse referencial não está no Real. Está “na sua cabeça”, no… SIMBÓLICO.

A estante não está dizendo: “Estou incompleta. Traga minha parte faltante de volta.”

É a gente que ENXERGA a falta porque, na nossa cabeça, DEVERIAM existir 100 livros e não 99.

Entendeu?

No Real não existe falta nem completude. O Real é o que é.

É só a partir do momento em que eu introduzo SÍMBOLOS na minha relação com o Real (como os números, por exemplo) que eu passo a ver falta e completude.

Tanto é assim que, se eu não souber que alguém tirou um livro da estante e não contar o número de livros, talvez eu ache que a estante está completa.

É aí que a gente chega no registro do Imaginário.

Estamos no Imaginário justamente quando olhamos para a estante e dizemos com convicção: “Tá completa!” ou “Tá faltando!”.

Em ambos os casos estamos sendo iludidos pelas IMAGENS DE COMPLETUDE E INCOMPLETUDE produzidas pela atividade SIMBÓLICA de representação da estante.

Na terapia psicanalítica ajudamos o sujeito a desconstruir suas ilusões imaginárias por meio do discernimento das engrenagens simbólicas nas quais estão fundadas.

Tudo isso em meio à angústia gerada pelo Real que nos habita, o qual, diferentemente do Real da estante, resiste a se deixar representar pelo Simbólico.


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