Somos todos alienados

No senso comum, a gente costuma chamar de alienadas aquelas pessoas que aparentemente ignoram voluntária ou involuntariamente fatores de natureza política, econômica ou social que interferem diretamente em suas vidas.

Do alto de sua ilusória consciência supostamente esclarecida, o sujeito levanta o dedinho indicador na mesa de jantar e dispara:

— O Brasil está assim porque a população é alienada.

Aham… Você não, né, cara-pálida?

Somos TODOS alienados.

Se nós simplesmente levássemos em consideração a descoberta freudiana do Inconsciente, isso já seria o suficiente para chegarmos a tal conclusão.

Por natureza, nenhum de nós está ciente de toda a série de raciocínios e articulações de ideias que ocorrem nos bastidores da nossa alma e que comandam nossa conduta.

É por isso que a gente faz análise: para perceber o quanto somos alienados enquanto acreditamos gozar de autonomia e liberdade.

O psicanalista francês Jacques Lacan foi um dos autores que mais enfatizaram essa descoberta da Psicanálise.

Na tentativa de formalizar teoricamente as razões pelas quais sofremos, por natureza, dessa ignorância em relação a nossas próprias motivações, Lacan propôs, em 1964, que tomássemos a ALIENAÇÃO como uma operação necessária, isto é, inevitável, no processo em que nos tornarmos humanos.

Sim, nós não nascemos efetivamente HUMANOS.

Originalmente, somos apenas filhotinhos de Homo sapiens.

A transformação desse pequeno mamífero primata em um humano dependerá fundamentalmente da inscrição dele naquilo que Lacan chama de “campo do Outro”, isto é, na cultura, no mundo social.

Por exemplo: para nos tornarmos humanos precisamos necessariamente receber um nome que O OUTRO nos dá, somos vestidos com roupas que O OUTRO escolhe, precisamos aprender o idioma DO OUTRO e somos obrigados a nos adaptar à cultura DO OUTRO.

Em outras palavras, se quisermos nos tornar humanos (e não temos alternativa a não ser a morte), precisamos fatalmente nos ALIENARMOS…

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que comento detalhadamente como Lacan trabalha a alienação como primeira operação de constituição do sujeito.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Simbólico, Real e Imaginário em Lacan: explicação com exemplos

Neste vídeo explico os conceitos de real, simbólico e imaginário — os três registros da experiência humana propostos pelo psicanalista Jacques Lacan — por meio de analogias e exemplos bastante simples.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Entenda as diferenças entre o pequeno outro e o grande Outro em Lacan

Neste vídeo proponho uma maneira didática e simples de compreender as diferenças fundamentais entre os conceitos de outro (com “o” minúsculo) e grande Outro na doutrina do psicanalista francês Jacques Lacan.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Bora entender as diferenças entre Real, Simbólico e Imaginário?

Um bom exercício intelectual que ajuda a gente a entender os três registros da experiência humana propostos por Lacan (Real, Simbólico e Imaginário) é o seguinte:

Imagine uma estante que contém 100 livros.

Se eu retiro um livro, a estante fica incompleta?

Sim e não.

Do ponto de vista do Real, a estante não está incompleta.

— Uai, Lucas, como não? Ela agora está com 99 livros. Tá faltando 1, sô!

Veja: o máximo que eu posso dizer, levando em conta apenas o registro do Real, é que a estante está DIFERENTE de como estava antes, que houve uma pequena mudança na sua configuração.

Mas incompletude e completude são IDEIAS e não fatos.

E ideias são sempre RELATIVAS.

Relativas a outras ideias (olha o significante aí, gente!).

Um aluno, por exemplo, pode considerar sua resposta à questão de uma prova como COMPLETA, ao passo que o professor pode avaliá-la como INCOMPLETA.

Percebe?

Vai depender do REFERENCIAL de completude com o qual você está trabalhando.

E esse referencial não está no Real. Está “na sua cabeça”, no… SIMBÓLICO.

A estante não está dizendo: “Estou incompleta. Traga minha parte faltante de volta.”

É a gente que ENXERGA a falta porque, na nossa cabeça, DEVERIAM existir 100 livros e não 99.

Entendeu?

No Real não existe falta nem completude. O Real é o que é.

É só a partir do momento em que eu introduzo SÍMBOLOS na minha relação com o Real (como os números, por exemplo) que eu passo a ver falta e completude.

Tanto é assim que, se eu não souber que alguém tirou um livro da estante e não contar o número de livros, talvez eu ache que a estante está completa.

É aí que a gente chega no registro do Imaginário.

Estamos no Imaginário justamente quando olhamos para a estante e dizemos com convicção: “Tá completa!” ou “Tá faltando!”.

Em ambos os casos estamos sendo iludidos pelas IMAGENS DE COMPLETUDE E INCOMPLETUDE produzidas pela atividade SIMBÓLICA de representação da estante.

Na terapia psicanalítica ajudamos o sujeito a desconstruir suas ilusões imaginárias por meio do discernimento das engrenagens simbólicas nas quais estão fundadas.

Tudo isso em meio à angústia gerada pelo Real que nos habita, o qual, diferentemente do Real da estante, resiste a se deixar representar pelo Simbólico.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Necessidade, demanda e desejo em Psicanálise: explicação com exemplos

Neste vídeo explico de forma extremamente didática as diferenças entre os conceitos de necessidade, demanda e desejo em Psicanálise, tal como propostos pelo psicanalista Jacques Lacan.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Por que Lacan disse que “A mulher não existe”

Será que Lacan era machista? Neste vídeo, explico como devemos ler esse enigmático e polêmico aforismo do psicanalista francês.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

As diferenças entre o pequeno outro e o grande Outro em Lacan

Uma boa forma de entender a diferença entre essas duas categorias é pensando o pequeno outro como uma PESSOA QUALQUER e o grande Outro como uma instância (não necessariamente uma pessoa) que exerce sobre você uma função de DETERMINAÇÃO.

Pense, por exemplo, nas relações diferentes que uma criança normalmente tem com seus pais e seus irmãos.

Com os irmãos, a relação costuma ser DE IGUAL PARA IGUAL. A criança não dá um peso especial ao que eles dizem. São, portanto, pequenos outros para ela.

Já com os pais, a coisa é bem diferente. Eles podem falar exatamente a mesma coisa que os irmãos, mas o efeito da palavra parental sobre a criança é bem mais significativo.

Quando isso de fato acontece, os pais estão funcionando para a criança como grande Outro.

O pequeno outro é aquele cuja palavra não faz muita diferença na minha vida.

E não faz diferença porque, no fim das contas, as pessoas que estão nessa posição funcionam basicamente como extensões ou projeções de nós mesmos.

Se o que elas falam vai ao encontro do que já pensamos, ótimo. Se não, a gente se irrita, briga ou simplesmente deixa para lá.

Quando estamos lidando com pequenos outros todo o nosso esforço vai na direção do apagamento das diferenças, ou seja, a gente quer que a pessoa continue sendo tão-somente um SEMELHANTE e não um outro de verdade.

Com o grande Outro a relação é diferente.

No sentido estrito, o grande Outro designa o conjunto das instâncias que determinam a nossa existência a despeito da nossa vontade.

Pense, por exemplo, na nossa língua materna, nas estruturas sociais, na cultura, enfim… Todas essas coisas que necessariamente MOLDAM a nossa vida.

Mas não são só tais instâncias que exercem sobre nós esse impacto “modelador”.

Quando uma mãe, por exemplo, interpreta o choro de seu bebê dizendo: “Neném tá com fome.” ela está, de certa forma, moldando a criança com seu discurso.

Portanto, ela está exercendo a função de grande Outro para o bebê naquele momento.

Essa é a principal diferença: a palavra do grande Outro marca, determina, condiciona ao passo que o que o pequeno outro diz sempre passa pelo filtro EGOICO.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

As diferenças na forma como Freud e Lacan pensavam a interpretação em Psicanálise

A interpretação é uma das principais ferramentas de trabalho do psicanalista.

Por quê?

Porque a Psicanálise trabalha com o pressuposto de que o paciente expressa simbolicamente, ou seja, de forma codificada, os elementos inconscientes que estão na origem de seus problemas emocionais.

Logo, cabe ao analista interpretar aquilo que o paciente traz a fim de que esses elementos inconscientes sejam trazidos à luz e, assim, possam ser trabalhados.

Freud tinha uma concepção muito tradicional de interpretação.

Para ele, interpretar consistia basicamente em DEDUZIR e COMUNICAR ao paciente os elementos inconscientes a partir de uma observação minuciosa e cuidadosa de sua fala, de seus atos falhos, de seus sonhos e do comportamento dele na transferência.

Em outras palavras, para Freud, ao interpretar, o analista apresenta o comportamento do Inconsciente ao analisante como um detetive que, após a coleta e análise detalhada dos indícios e evidências, explica ao delegado de polícia como se deu um determinado crime.

É por isso que, nos grandes casos clínicos de Freud, vemos interpretações longuíssimas.

O “racional” freudiano é muito simples: o analista, como alguém que escuta de forma neutra e com atenção flutuante, está em condições de decifrar as manifestações do Inconsciente do analisante como um exegeta diante de um texto antigo.

Para Freud, portanto, o analista REVELA o Inconsciente por meio da interpretação.

O psicanalista francês Jacques Lacan pensava o ato analítico de interpretar de forma bem diferente.

Para ele, a interpretação não serve para revelar o Inconsciente, mas para COLOCÁ-LO EM MOVIMENTO.

Para Freud, essa era uma CONSEQUÊNCIA da boa interpretação, mas, para Lacan, trata-se do próprio OBJETIVO do ato de interpretar.

Nesse sentido, do ponto de vista lacaniano, o analista não deve fazer interpretações EXPLICATIVAS, mas PROVOCATIVAS.

Como assim, Lucas?

Quem está na Confraria Analítica vai saber! Ainda hoje, os assinantes vão receber uma aula especial sobre a interpretação na perspectiva de Lacan.

Te vejo lá!


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Quando Freud nos ajuda a entender Lacan

Na primeira fase de sua produção teórica em Psicanálise, Lacan dizia que estava fazendo um “retorno a Freud”.

Para o psicanalista francês, boa parte dos seus colegas vinha praticando e pensando a Psicanálise (estamos falando da década de 1950) de uma forma que contrariava os princípios fundamentais estabelecidos por Freud.

Por isso, era preciso resgatar a essência do que o pai da Psicanálise havia proposto.

Lacan levará a cabo esse projeto fazendo uma RELEITURA dos textos freudianos através dos óculos da Filosofia, da Antropologia e da Linguística.

Um exemplo dos resultados dessa releitura é a fórmula “O Inconsciente é estruturado como uma linguagem”.

Lacan acredita que essa proposição pode ser EXTRAÍDA dos textos de Freud.

Com efeito, para o analista francês, Freud teria mostrado que as formações do Inconsciente (atos falhos, sonhos e sintomas) são construídas de modo análogo à produção de um discurso.

O que significa isso?

Deixa eu te dar um exemplo:

No plano do discurso, eu posso dizer “Ontem tomei um Porto”.

Qualquer pessoa em sã consciência saberá que eu não estou dizendo que bebi um lugar para embarque e desembarque de navios, certo?

Na verdade, eu fiz uso de uma figura de linguagem chamada METONÍMIA, que me permitiu designar a expressão “vinho do Porto” apenas com uma parte dela: “Porto”.

Para Lacan, num sonho, por exemplo, pode acontecer exatamente o mesmo processo:

Eu posso sonhar que estou pedindo “Socorro” e essa palavra ser apenas uma metonímia para o nome da minha mãe (“Maria do SOCORRO”), verdadeiro objeto da minha demanda.

Tá vendo?

O sonho (assim como as outras formações do Inconsciente) pode ser enquadrado como uma FALA, um DISCURSO, ou seja, uma produção de linguagem.

Existem alguns trechos da obra de Freud que nos ajudam a entender com notável clareza essas releituras lacanianas.

Ainda hoje quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá uma aula especial em que eu comento justamente um desses trechos.

Nele, Freud nos mostra de forma cristalina por que Lacan insistiu tanto na importância de prestarmos mais atenção nas PALAVRAS que os pacientes dizem, ou seja, nos SIGNIFICANTES, em vez de ficarmos o tempo todo tentando deduzir significados.

Te vejo lá na Confraria!


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Necessidade, demanda e desejo: entenda a tríade lacaniana

A necessidade é um anseio de natureza biológica por objetos ou experiências que não podem faltar, que são imprescindíveis para a sobrevivência.

Pense, por exemplo, na necessidade que temos de alimento e de sono.

Para entender mais facilmente o que é a demanda, trabalhe com um sinônimo dessa palavra: o termo PEDIDO.

Um pedido é algo que necessariamente depende da linguagem. A necessidade, não. A necessidade é biológica, vem do corpo.

Um pedido, por sua vez, é algo que só pode ser feito se eu conseguir construir um enunciado baseado num certo código. Não qualquer código, mas o código conhecido pela outra pessoa à qual dirijo meu pedido.

Ou seja, para que o outro atenda a minha demanda, eu preciso necessariamente me submeter ao código dele.

Ora, é exatamente isso o que acontece conosco quando somos bebês. A gente nasce e já vem “de fábrica” com necessidades. No entanto, a gente não consegue satisfazer essas necessidades por conta própria. Precisamos necessariamente dos nossos pais.

No início, eles até saciam nossas necessidades sem que a gente tenha que pedir. Todavia, com o passar do tempo, a gente tem que começar a demandar.

E, para demandar, a gente precisa necessariamente aprender a língua dos pais.

Ou seja, a partir de um certo momento, precisamos “traduzir” nossas necessidades em pedidos, em demandas.

Isso introduz uma novidade: ao articularmos nossas necessidades na forma de demandas, passamos a ansiar não só pelo alimento ou pelo sono, mas também pela COMPREENSÃO dos nossos pais.

Em outras palavras, a gente passa a não querer só a comida em si, por exemplo. Quando o bebê pede comida e a mãe traz, esse ato da mãe de ir até ele acaba sendo vivenciado como um signo de amor: “Mamãe me compreende, mamãe me ama”.

Por isso, Lacan dizia que, no fim das contas, toda demanda é demanda de amor. Ou seja, a gente pede coisas, mas o que verdadeiramente queremos não é só a coisa, mas O SIGNIFICADO DE AMOR que supomos estar em jogo quando o outro nos atende.

Só que tem um problema…

No processo de “traduzir” nossas necessidades de acordo com o código do outro, inevitavelmente ALGO QUE PERDE.

É o que acontece em toda tradução: por mais que o tradutor se esforce, a palavra escolhida nunca corresponde exatamente ao termo original que está sendo traduzido.

Da mesma forma, quando o bebê articula sua necessidade de comida, por exemplo, na forma de um pedido à mãe, o enunciado que ele produz não corresponde EXATAMENTE à sua necessidade.

Por isso, na hora que a mãe vem e dá o alimento ao bebê, ele se sacia, se sente amado, mas alguma coisa fica faltando; parece que não é o suficiente.

Essa sensação de que algo está faltando, algo que, como dizem Clarice Lispector e Chico Buarque “ainda não tem nome e nem nunca terá” é o tal do… DESEJO.

Mas sobre ele a gente fala em outro momento.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Entenda a relação do obsessivo e da histérica com o desejo do Outro

Neste vídeo: conheça a estrutura das fantasias com as quais o sujeito responde ao desejo do Outro na histeria e na neurose obsessiva.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Por que é tão difícil fazer associação livre?

Freud estabeleceu que, no tratamento psicanalítico, o paciente deve falar tudo o que lhe vier à cabeça durante as sessões.

No entanto, a verdade, constatável por qualquer analista sincero, é que são raríssimos os pacientes que efetivamente fazem associação livre.

A maioria seleciona mais ou menos cuidadosamente o que fala, mesmo sob protestos reiterados do terapeuta para que isso não aconteça.

Sem falar naqueles que trazem para as sessões uma “pauta” anotada no papel ou no celular.

Não sou desses que proíbe o paciente de trazer essas notas ou que lhe dá uma bronca por não fazer a associação livre.

Por influência do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi, entendo que o analista que age assim converte-se automaticamente na encarnação de uma figura parental excessivamente dura e severa.

Por outro lado, é interessante refletir sobre os motivos pelos quais é tão difícil para a imensa maioria dos pacientes fazer a associação livre.

Qualquer pessoa que já tenha feito a experiência de simplesmente verbalizar o fluxo de ideias que passam por sua cabeça sabe que o resultado não é lá muito agradável.

Inevitavelmente você acaba falando coisas que jamais imaginou que sairiam de sua boca.

Isso evidencia aquilo que o Lacan chamou, em certo momento, de “a realidade do discurso em sua autonomia”.

O exercício da associação livre nos faz perceber que as palavras parecem ter vida própria e que basta retirar temporariamente a censura egoica de cena para que elas manifestem sua autonomia.

Ao verbalizarmos tudo o que vem à nossa cabeça, nos damos conta de que, apesar de falarmos, somos, na verdade, muito mais FALADOS.

Essa constatação provoca ansiedade, pois faz com que o Eu se sinta ameaçado pelo fluxo autônomo das ideias.

Dá medo, né?

Afinal, sabe-se lá o que sairá de nossas bocas…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

“Eu te amo, mas porque inexplicavelmente amo em ti algo que é mais do que tu — o objeto a” (Jacques Lacan)

Por que Lacan disse isso?

Sempre que vocês estiverem diante de um conceito que é aparentemente difícil de entender, tentem abordá-lo fazendo a seguinte pergunta:

— PARA QUE o autor precisou inventá-lo?

Sim, em tese conceitos não são criados aleatoriamente.

Eles são forjados como ferramentas que ajudam a compreender uma determinada realidade.

Pelo menos, deveria ser assim…Assumindo que essa minha premissa epistemológica está correta, vamos pensar:— Para que Lacan precisou inventar o conceito de objeto a?

Obviamente os exegetas da obra lacaniana poderiam citar inúmeros motivos, mas, do meu ponto de vista, um deles me parece facilmente observável.

Ao dizer que o objeto a funciona como causa do desejo, Lacan me parece estar propondo que, no fundo, por trás de todos os nossos desejos está o anseio por um objeto que a gente tem a impressão de que um dia teve, mas acabou perdendo.

E não é mais ou menos assim que acontece mesmo?

Pensa comigo: o que nos faz desejar, por exemplo, uma pessoa?

Ok, você poderá enumerar vários fatores físicos, psicológicos e até morais, mas concorda comigo que sempre está em jogo a expectativa de que essa pessoa lhe deixará satisfeito, feliz?

Então…Se é assim, a gente pode dizer que a causa do seu desejo pela pessoa não é exatamente a pessoa em si, mas um objeto virtual que supostamente lhe proporcionaria felicidade eterna e que acidentalmente você conseguiu enxergar… na pessoa desejada.

Sacou?

Você deseja a pessoa, sim, mas a causa do desejo, isto é, aquilo que te faz desejar não é a pessoa em si, mas esse objeto supostamente satisfatório que não sai da sua cabeça desde que era bebê.

É como se a gente tivesse perdido um brinquedo quando criança e agora passasse a vida inteira tentando reencontrá-lo.

Só que é um brinquedo que a gente nem sabe que cor tem, se é grande ou pequeno, nada.

Tudo o que a gente sabe é que, quando o possuíamos, éramos felizes.

Aí, tem dia que a gente cai na ilusão de achar que ele está na pessoa X ou Y.

Do meu ponto de vista, o conceito de objeto a nos ajuda a pensar no caráter nostálgico que caracteriza o desejo neurótico.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Freud é Freud, Lacan é Lacan

Quando estamos estudando o pensamento de um autor, é muito importante separarmos o que ele efetivamente disse das RELEITURAS propostas por seus comentadores.

Em que pese o fato de ter formulado uma nova e robusta matriz teórica em Psicanálise, Jacques Lacan pode ser considerado um grande comentador da obra freudiana, talvez o maior de todos.

Ao exercer esse papel, Lacan muitas vezes expôs discordâncias em relação a certos pontos da teoria de Freud.

Muitos analistas, no entanto, seduzidos pela brilhante retórica lacaniana, acabam recalcando tais discordâncias e passam a achar que o que Lacan está propondo corresponde exatamente ao que Freud disse.

Isso acontece, por exemplo, na questão do desenvolvimento psicossexual.

Lá no Seminário XI, o analista francês faz questão de dizer: Freud acredita na maturação da pulsão sexual; eu, não.

Sabe esse negócio de fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital?

Então… Tem gente que acha que essa caracterização do desenvolvimento psicossexual em fases é irrelevante na obra de Freud porque Lacan não está de acordo com ela.

Quem pensa assim acredita que Lacan conseguiu extrair uma suposta “verdade verdadeira” que estaria implícita no texto freudiano.

Trata-se, a meu ver, de um baita engano!

Lacan não está para Freud como Paulo de Tarso está para Cristo.

Apesar dos evidentes pontos de confluência, trata-se de concepções teóricas distintas.

Sobre essa questão das fases do desenvolvimento psicossexual, não resta a menor dúvida de que Freud a considerava como um elemento importantíssimo em sua teoria.

Tanto é assim que num de seus últimos textos, o “Esboço de Psicanálise”, ele dedica um capítulo inteiro para falar do desenvolvimento da função sexual, entendendo-o como um processo de maturação biológica com começo, meio e fim.

Freud pensava assim. Lacan, não.

Você não é obrigado a concordar com Freud e pode preferir a leitura lacaniana, mas é preciso ter a honestidade intelectual de admitir que um fala uma coisa e o outro fala outra.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma pequena aula especial sobre essas diferenças entre as visões de Freud e de Lacan sobre o desenvolvimento da sexualidade.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O que Lacan quis dizer ao propor que o Inconsciente é uma cadeia de significantes?

Uma das contribuições mais interessantes de Jacques Lacan para o campo psicanalítico foi sua tese de que o Inconsciente poderia ser pensado como uma cadeia de significantes.

Ao propor essa ideia, Lacan está enfatizando o papel que as “palavras” em si mesmas (e não o significado que se supõe estar atrelado a elas) exercem nas formações do Inconsciente, isto é, nos sonhos, atos falhos e sintomas.

Coloquei o termo PALAVRAS entre aspas porque a noção de significante em Lacan não contempla apenas uma palavra especificamente, mas isso é assunto para outra postagem.

Na análise do segundo sonho de sua paciente Dora, por exemplo, Freud chega à conclusão de que a estação de trem tão buscada pela paciente no sonho representa o órgão genital feminino.

Tal dedução não foi feita por conta de uma possível semelhança entre uma estação e uma vagina, mas devido à presença na PALAVRA “Bahnhof” (estação, em alemão) do mesmo sufixo “hof” presente na PALAVRA “Vorhof” (vestíbulo da vagina, em alemão).

O significante é justamente o elemento material arbitrário que, unido, a uma ideia, compõe um signo linguístico.

Por que arbitrário? Por que não há nenhum motivo natural para que um significante esteja colado a um determinado significado.

Tanto é assim que um mesmo significante pode estar associado a significados completamente diferentes.
O significante “livre”, por exemplo, está geralmente associado, em português, à ideia de um sujeito que goza de liberdade, ao passo que, em francês, ESSE MESMO SIGNIFICANTE pode estar vinculado à ideia de um texto escrito.

Ao formular a tese de que o Inconsciente é uma cadeia de significantes, Lacan está propondo que, no tratamento psicanalítico, trata-se menos de buscar significações profundas na fala do paciente e mais de mapear os significantes que se repetem na vida do sujeito.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje (sexta) uma aula especial em que comento um trecho da obra de Lacan nos qual ele trata dessa concepção do Inconsciente como uma cadeia de significantes.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”