[Vídeo] Você já é feliz, mas não sabe.


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[Vídeo] É possível fazer semblante de objeto a?

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Por que Lacan disse que “o sujeito é feliz”?

No início da década de 1970, a televisão francesa decidiu fazer um programa sobre Lacan. Àquela altura, o autor já era conhecido fora da bolha psicanalítica.

O resultado foi o que chamaríamos hoje em dia de um “podcast”, em que Lacan responde perguntas formuladas por seu genro e herdeiro intelectual Jacques-Alain Miller. A gravação original pode ser encontrada facilmente na internet.

O texto da entrevista, que recebeu o título minimalista Televisão, consta atualmente na coletânea Outros Escritos, publicada no Brasil pela editora Jorge Zahar.

Em determinado momento da conversa, Lacan faz uma afirmação muito intrigante sobre a felicidade, que eu quero tomar como ponto de partida para algumas reflexões. Ele diz:

“O sujeito é feliz. Esta é até sua definição, já que ele só pode dever tudo ao acaso, à fortuna, em outras palavras, e que todo acaso lhe é bom para aquilo que o sustenta, ou seja, para que ele se repita.”

Isso está na página 525 dos Outros Escritos.

A primeira reação que muitas pessoas podem ter ao ler esse trecho é a estranheza:

“Como assim o sujeito é feliz? Que sujeito? O que eu mais vejo por aí são pessoas que não se sentem felizes. Elas estão enganadas?”.

Se Lacan fosse responder essa última pergunta em poucas palavras, talvez ele dissesse: “Sim e não”.

Então deixa eu te explicar:

Ao dizer que “o sujeito é feliz”, ele não está se referindo à pessoa tal como ela se percebe. Lacan está falando do sujeito do inconsciente, ou seja, de uma espécie de engrenagem psíquica que opera em você (e, ao mesmo tempo, é você), mas que você não reconhece como “Eu”.

Nesse sentido, ao dizer que “o sujeito é feliz”, Lacan está propondo que, embora você possa se sentir infeliz e se ver como uma pessoa infeliz, existe uma dimensão sua que está sempre feliz, mesmo no sofrimento.

Sabe por quê?

Porque essa engrenagem psíquica autônoma, que Lacan chama de sujeito do inconsciente (que é você — não se esqueça), possui determinados desejos (que você resiste a enxergar) e te leva a fazer de tudo para satisfazê-los.

É isso o que explica o fato de você não conseguir abandonar com facilidade seus sintomas, ou seja, aquelas coisas que você faz, não consegue deixar de fazer, mas te trazem muito sofrimento.

Por exemplo, digamos que um dos seus sintomas é o seu relacionamento. Você acha seu namorado um cara tóxico, vive reclamando dele, mas simplesmente não consegue terminar.

Veja: você não se sente feliz nesse namoro — o seu Eu não é feliz. Porém, se você não consegue terminar, isso é a prova de que uma “parte” sua encontra satisfação no relacionamento. Essa “parte” é justamente o sujeito do inconsciente.

Pode ser, por exemplo, que esse namorado, que você encontrou aparentemente por acaso (releia o trecho que eu citei) apresente características muito semelhantes à sua mãe, com quem você teve graves problemas quando era criança.

Permanecendo com ele, você, sem perceber, repete o cenário infantil e satisfaz o anseio de tentar mudar a sua mãe — desejo que você, também sem perceber, nunca abandonou.

Logo, enquanto Eu, você não se sente feliz, mas, enquanto sujeito — sujeito do inconsciente, lembre-se sempre — você é feliz.


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[Vídeo] Por que o psicanalista não “atende a demanda”?

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“O psicanalista não deve atender a demanda.”

Tá, Lucas. Mas por que não?

O que significa “não atender a demanda”?

Se o paciente me pedir um copo d’água durante a sessão eu devo negar?

Não atender a demanda é ficar em silêncio quando o paciente me pede uma orientação?

Há casos ou situações excepcionais em que o analista deve atender a demanda?

Eu respondo todas essas perguntas na aula “O que significa ‘não atender a demanda’?”, publicada nesta sexta na Confraria Analítica, a minha escola de formação teórica em Psicanálise.

A aula já está disponível no módulo “Aulas Temáticas – Temas Variados”.

Para ter acesso à ela e a todo o nosso acervo de mais de 400 aulas (mais de 600 horas de conteúdo), seja meu aluno na Confraria.

Link: https://confrariaanalitica.com/ .


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Você acorda dos seus sonhos… para continuar sonhando.

Você já deve ter vivido a seguinte situação:

Você está sonhando, e, de repente, ao se deparar com alguma situação, você acorda.

Por que isso acontece?

Por que será que você acordou justamente naquele momento?

A resposta é simples: se continuasse sonhando, você faria contato com uma realidade interna insuportável.

Então, acordar é uma forma de se proteger emocionalmente.

Aí você pode retrucar:

— Mas, Lucas, isso não faz muito sentido. Como o despertar vai me proteger do contato com essa realidade interna tão dolorosa? É mais fácil encontrá-la dormindo do que acordado?

Exatamente.

Quando a gente dorme, as defesas que utilizamos durante o dia para não pensar em certas coisas se enfraquecem.

É por isso que a gente sonha.

A matéria-prima dos sonhos é formada por pensamentos que ficam rodando na nossa cabeça diuturnamente, em segundo plano ou de forma totalmente inconsciente.

E não são quaisquer pensamentos.

Em geral, são ideias e desejos conflituosos, que nos causam muita dor ou angústia. Por isso, tendemos a evitá-los.

— Mas, Lucas, eu não me lembro de sonhar com pensamentos. Nos meus sonhos aparecem imagens, cenas… Muito estranhas, inclusive.

Sim, isso acontece porque, embora suas defesas estejam enfraquecidas durante o sono, elas ainda têm força suficiente para transformar as ideias angustiantes em imagens que você consegue suportar.

É por isso que nossos sonhos costumam ser esquisitos ou aparentemente aleatórios. É que, na tentativa de te proteger dos pensamentos dolorosos, a defesa precisa disfarçá-los.

Vamos supor, por exemplo, que esteja rodando na sua cabeça, em segundo plano, a seguinte ideia:

“Eu queria xingar meu namorado, mas, como tenho medo da minha própria agressividade, fico calada e tolero os xingamentos dele.”

Para te poupar de fazer contato com esse pensamento, suas defesas podem transformá-lo numa cena em que você observa, da janela de casa, animais selvagens entrando em seu quintal.

O problema é que suas defesas, que já são limitadas por natureza, durante o sono estão enfraquecidas, lembra?

Então, pode acontecer o seguinte:

A ideia da qual você está se protegendo pode ter tamanha força que suas defesas não conseguem disfarçá-la muito bem.

Vamos retomar o exemplo:

Pode ser que durante o dia alguém tenha ouvido seu namorado te xingando e chamou sua atenção: “Como você tolera?”.

Por conta disso, o pensamento “Eu queria xingar meu namorado etc.” ficou mais intenso em seu psiquismo.

Mas lembre que você não suporta fazer contato com ele.

Então, pode ser que o sonho que você tem nesse dia comece daquele jeito que eu falei: você, da janela de casa, observando os animais selvagens andando pelo seu quintal.

Porém, como o pensamento foi intensificado, as defesas não conseguem representá-lo de forma disfarçada apenas com essa imagem.

Ele está tão forte que a cena precisa continuar: os animais começam a invadir sua casa. Quando você olha para trás, vê um monte deles vindo em sua direção.

E justamente, nesse momento, você acorda.

Por quê?

Porque a defesa chegou ao limite: a alternativa seria você sonhar que está sendo atacada pelos animais, o que seria tão angustiante quanto tomar consciência da ideia que está sendo representada.

É por isso que o psicanalista francês Jacques Lacan brincava dizendo que a gente acorda dos sonhos… para continuar sonhando.


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[Vídeo] O analista deve fazer o papel do “morto” no bridge

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O que a Psicanálise tem a ver com a guerra?

Para Lacan, em ambas encontramos três dimensões fundamentais:

Política, estratégia e tática.

Para Clausewitz, o teórico militar do qual Lacan toma essa tríade, uma nação não decide guerrear contra outra apenas para vencê-la.

A vitória é apenas um meio para atingir um fim que não é militar, mas político.

“A guerra”, diz Clausewitz, “é uma mera continuação da política por outros meios”.

Nesse sentido, a estratégia adotada em uma guerra não pode ser escolhida livremente.

Ela deve estar subordinada à política que motivou o conflito.

É só no âmbito da tática que os militares gozam de liberdade.

Afinal, uma mesma estratégia pode ser concretizada de diversas formas, com mais ou menos recursos, por meio de diferentes manobras.

Algo muito parecido acontece na análise, diz Lacan.

Em uma sessão, o analista é livre para escolher quando e como vai pontuar, interpretar, cortar, fazer silêncio.

Já no âmbito da estratégia da análise, essa liberdade se reduz bastante.

Afinal, a posição do analista não admite muitas variações, já que deve estar subordinada a uma política muito específica:

Aquilo que Lacan chama de desejo do analista.

Quer entender isso de forma clara, acessível… em Humanês?

Então, assista à aula “LENDO LACAN 12 – A política, a estratégia e a tática do analista”, que acaba de ser publicada na Confraria Analítica.

A Confraria é a minha escola de formação teórica em Psicanálise. Ela já tem mais de 400 aulas, o que equivale a mais de 600 horas de conteúdo.

É um espaço para quem quer estudar Psicanálise de forma simples, leve e sem complicações desnecessárias.

Sim, Lacan é difícil. Muito difícil às vezes.

Mas com o professor certo, você consegue entendê-lo.

Seja meu aluno.


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[Vídeo] A noção de falo no pensamento de Freud


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[Vídeo] A indústria fálica

Esta é uma pequena fatia da aula “CONCEITOS BÁSICOS 24 – Falo” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – CONCEITOS BÁSICOS da CONFRARIA ANALÍTICA.


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[Vídeo] No inconsciente, a gente pensa, reflete, planeja…


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Não se engane: o inconsciente é esperto…

Na segunda aula do seminário XI (“Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise”), Lacan faz uma afirmação muito preciosa.

Ele diz o seguinte:

“A todos esses inconscientes sempre mais ou menos afiliados a uma vontade obscura considerada como primordial, a algo de antes da consciência, o que Freud opõe é a revelação de que, ao nível do inconsciente, há algo homólogo em todos os pontos ao que se passa ao nível do sujeito — isso fala e funciona de modo tão elaborado quanto o do nível consciente, que perde assim o que parecia seu privilégio.”

Você pode encontrar esta citação na página 29 da edição do seminário publicada em 1998 pela Zahar.

Lacan está chamando a atenção para uma característica do inconsciente que, muitas vezes, passa despercebida até mesmo por psicanalistas:

O alto grau de elaboração dos pensamentos que circulam nele.

Não raramente a gente tem a tendência de pensar no inconsciente como sendo uma parte do psiquismo puramente impulsiva, emocional, irracional.

Porém, Freud nos mostra com clareza em seus textos que no inconsciente encontramos RACIOCÍNIOS tão complexos quanto os da consciência.

Vou te dar um exemplo simples de como isso funciona:

Imagine que você terminou um relacionamento há seis meses.

Depois de sofrer muito com a separação, você agora se sente bem e acha que está pronta para seguir a vida.

Por isso, aceita finalmente marcar um encontro com o rapaz com quem flerta há alguns dias em uma rede social.

O problema é que, no inconsciente, você não está a fim de ir a esse encontro, pois ainda está muito apegada a seu ex; não conseguiu (e não quer) esquecê-lo.

E agora? Conscientemente você quer uma coisa, mas inconscientemente quer outra.

Ora, sem se dar conta, você pode acabar marcando o encontro justamente num dia em que precisará ficar até mais tarde no trabalho.

Porém, só se lembrará dessa “coincidência” no dia, o que a levará a desmarcar com o rapaz, satisfazendo, assim, o desejo inconsciente de não ir.

Entendeu?

No inconsciente, a gente pensa, planeja, reflete…

Enquanto a consciência está vindo com o fubá, o angu dele já está pronto…


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Bebês reborn: por que tem adulto brincando de boneca?

Nos últimos dias, muita gente me enviou mensagens compartilhando vídeos sobre bebês reborn e pedindo que eu falasse algo a respeito.

O tom das mensagens era quase sempre de escândalo.

Pudera!

Em sua maioria, os vídeos enviados mostravam “mães” de bebês reborn tratando seus bonecos como se fossem filhos de verdade.

O mais compartilhado foi o de uma jovem que supostamente teria levado seu boneco para um pronto-socorro.

Sério?

Em outro, uma senhora finge que está num supermercado com um reborn, frustrada por não conseguir prioridade na fila do caixa. 🙄

E tem ainda o vídeo daquela moça simulando ter sido contratada como babá de um bebê reborn nos EUA. 🤡

Calma, gente, isso é só fanfic para gerar engajamento.

Por outro lado, sim, existe um pequeno grupo de mulheres (e alguns homens) que efetivamente gostam de brincar com bebês reborn.

E foi com o objetivo de formular algumas hipóteses para compreender psicanaliticamente esse hobbie que eu decidi fazer uma aula especial.

Ela já está publicada no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da Confraria Analítica, a minha escola de formação teórica em Psicanálise.

O título da aula é “Bebês reborn e suas mães: um olhar psicanalítico”.

Nela eu apresento a hipótese de que as pessoas que possuem esse hobbie estão, em sua maioria, brincando de vivenciar, em fantasia, a experiência de maternagem.

Mais especificamente, a parte inicial dessa experiência, nos primeiros meses de vida da criança, em que o bebê ainda ocupa o lugar de falo materno.

👉 Quer entender o que pode levar alguém a brincar de maternar um boneco?

Então, acesse este link e venha estudar comigo na Confraria Analítica, a maior escola online de teoria psicanalítica do Brasil.


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Como a sublimação funciona?

Esta é uma pequena fatia da aula “CONCEITOS BÁSICOS 23 – Sublimação” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – CONCEITOS BÁSICOS da CONFRARIA ANALÍTICA.


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