Pare de estudar Psicanálise de forma solta. Na Confraria Analítica, você encontra aulas semanais, seminários teóricos, estudos de casos e um acervo completo para aprofundar sua formação. Seja meu aluno!
Você pode ter aprendido quando criança que a agressividade é essencialmente ruim ou perigosa.
E isso pode ter acontecido por uma série de fatores.
Por exemplo: você pode ter tido um pai ou uma mãe que eram excessivamente agressivos e lhe faziam sentir medo.
Ou pode ter sofrido severas ameaças e punições nas poucas vezes em que expressou agressividade.
Situações como essas podem te levar a olhar para a própria agressividade como algo que não deve fazer parte da sua vida.
O problema é que não dá para viver sem agressividade.
Por isso, já que você tem medo de se apropriar dela, ela acabará vazando em sua vida — de uma forma ou de outra.
Uma forma muito comum de “vazamento” é o que Freud chamou de “reversão”: em vez de usar a agressividade, você, inconscientemente, convoca outra pessoa para usá-la com você.
Essa “convocação” pode acontecer por meio da escolha de uma pessoa excessivamente agressiva para se relacionar ou da indução de agressividade em alguém que nem é naturalmente muito agressivo.
Dessa forma, a agressividade se presentifica na sua vida só de que maneira invertida: não é você que a manifesta; é o outro que a manifesta no seu lugar.
— Nossa, Lucas, isso parece masoquismo, não?
Sim. E não é por acaso. Deixa eu te explicar.
Na cabeça do sujeito que foi levado a ver a agressividade com maus olhos, ela passou a ser sinônimo de sadismo, ou seja, de um impulso que busca intencionalmente a destruição ou o sofrimento do outro.
Por isso, quando a agressividade vaza por meio da reversão, o sujeito não busca alguém que a vive de forma integrada e saudável. Não. Ele busca um… sádico! (Ou induz seu parceiro a agir de forma sádica).
Consequentemente, a posição que o sujeito passa a ocupar é uma posição… masoquista.
Esse é um fenômeno muito comum em relações tóxicas e ajuda a entender porque algumas pessoas não conseguem sair dessas relações.
Às vezes, quem olha de fora até chega a pensar:
“Caramba! Essa mulher parece que gosta de sofrer! Olha como o marido a trata mal…”
Não é que a pessoa gosta de sofrer no sentido de que ela obtém prazer em ser xingada e humilhada por seu marido.
É que, talvez, essa seja a única forma que ela encontrou de permitir a presença da agressividade em sua vida: sendo objeto do sadismo alheio…
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De vez em quando a gente vê pessoas tendo comportamentos que parecem indicar que elas gostam de sofrer.
Aline está sempre se queixando do trabalho, mas não pede demissão mesmo tendo recebido várias propostas melhores de emprego.
Pedro sabe que passa mal sempre que bebe em excesso, mas enche a cara todo fim de semana.
Ana Paula é uma moça linda, que está num relacionamento péssimo, com um cara frio, tóxico, mas não consegue terminar.
De fato, à primeira vista, essas pessoas parecem ter um caso de amor com o sofrimento.
Afinal, nos perguntamos, por que elas continuam fazendo o que lhes causa dor, mesmo sendo capazes de não fazer?
Aline é livre para mudar de emprego. Pedro pode beber com moderação. Não há nenhum fator objetivo que impeça Ana Paula de terminar com o namorado.
Por que, então, essas pessoas simplesmente não mudam?
É a tal da “pulsão de morte”?
Não. Essa seria uma explicação simplista.
Dizer que um indivíduo parece desejar o sofrimento porque teria, em si, um impulso de autodestruição é, convenhamos, uma hipótese meio preguiçosa, né?
Aline, Pedro e Ana Paula também não são masoquistas. Pelo menos, não no sentido popular em que esse termo é usado. Nenhum deles obtém prazer com a dor.
Na verdade, a aparente busca dessas três pessoas pelo sofrimento é perfeitamente compreensível.
Mas você só conseguiria perceber isso depois de conversar um bom tempo com cada uma delas — conversar psicanaliticamente, diga-se de passagem…
Fazendo isso, você perceberia que Aline “precisa” permanecer no emprego que lhe faz sofrer porque encontrou nele um cenário perfeito para encenar inconscientemente dramas internos que ela tenta resolver desde criança.
Conversando psicanaliticamente com Pedro, saltaria aos seus olhos a constatação de que ele enche a cara todo fim de semana porque inconscientemente acha que precisa se punir (passando mal) como penitência por uma série de culpas.
E escutando, com ouvidos de analista, a história de Ana Paula, você veria que, inconscientemente, ela se enxerga como uma criança que não pode ficar sozinha. Por isso, permanece com o namorado, ainda que ele não seja uma boa companhia.
A exploração do que se passa no inconsciente dessas pessoas conferiria racionalidade à conduta aparentemente irracional de cada uma delas.
Para as três, o sofrimento não é o que desejam. Ele é apenas um MEIO para alcançarem o objetivo inconsciente que estão verdadeiramente buscando.
Aline quer solucionar suas questões infantis. Pedro quer expiar suas culpas. Ana Paula não quer se sentir desamparada.
E você, consegue vislumbrar os objetivos inconscientes que pode estar buscando por meio desse sofrimento no qual se mantém?
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Esta é uma pequena fatia da aula “LENDO FREUD 26 – Freud e os três tipos de masoquismo” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – FREUD da CONFRARIA ANALÍTICA.
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São pessoas para as quais a gente olha de fora e pensa:
“Caramba, fulano não precisava estar passando por isso. Por que ele continua nessa situação tão ruim se pode muito bem sair dela?”.
Naturalmente, tendemos a pensar que o sujeito deve estar obtendo algum tipo de ganho que escapa à nossa percepção imediata.
E é isto mesmo!
Se uma pessoa não evita uma determinada dor mesmo tendo a capacidade de fazê-lo, é porque tal dor é necessária para a obtenção de um satisfação muito desejada.
Veja o caso, por exemplo, de gente que, como eu, pratica diariamente exercícios de musculação.
Eles são monótonos, extenuantes, por vezes dolorosos e… perfeitamente evitáveis. Ninguém nos obriga a fazê-los.
No entanto, nos submetemos voluntariamente a tal desprazer porque, só por meio dele, conseguimos o prazer narcísico da saúde e da boa forma física.
A mesma lógica vale para pessoas que praticam jogos εróticos nos quais são amordaçadas, humilhadas, chicoteadas etc.,
A dor, nesses casos, nada mais é que um… afrodisíaco.
Mas e uma pessoa que permanece num namoro tóxico mesmo tendo condição de terminar a relação, Lucas?
Neste caso, o sofrimento também é um meio que ela utiliza para obter algum tipo de satisfação?
Perfeitamente!
Em todas essas situações (musculação, brincadeiras εróticαs, permanência em relacionamentos complicados) vemos a presença multifacetada do MASOQUISMO.
Na aula publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, intitulada “LENDO FREUD 26 – Freud e os três tipos de masoquismo” e já disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – FREUD, eu explico os três tipos de masoquismo identificados por Freud.
Ao entendê-los, você vai enxergar de outra forma por que certas dores se repetem na sua vida e na dos seus pacientes.
A Confraria Analítica é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil, com +500 horas de conteúdo e milhares de alunos.
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Embora esteja num emprego público, estável e ganhe o bastante para viver de forma independente, ele ainda mora com os pais.
— Morando sozinho eu gastaria muito mais. Prefiro economizar enquanto ainda estou solteiro.
É isso o que costuma dizer para seus amigos.
À primeira vista, parece uma decisão até razoável, né?
O problema é que a relação de Everton com o genitor é péssima.
O rapaz se esforça para evitar brigas, mas muitas vezes não consegue se conter diante das constantes agressões verbais proferidas pelo pai.
— Esqueceu de trancar o portão de novo, seu animal?
É daí para baixo…
Paulo, melhor amigo de Everton, não se conforma:
— Cara, o que você está esperando para sair de lá? Até quando vai ficar aguentando seu pai falar essas coisas? Mete o pé logo!
De fato, volta e meia o rapaz pensa em alugar um apartamento e se mudar.
Mas é sempre tomado pela ansiedade ao se imaginar vivendo de forma completamente independente.
Embora contribua bastante com o custeio das despesas de casa, é o pai quem gerencia todas as contas. Everton só faz um Pix para ele todos os meses.
Diferentemente da maioria de seus amigos, o rapaz não cresceu nutrindo o anseio de se tornar logo adulto para gozar da liberdade de fazer suas próprias escolhas.
Por odiar o pai controlador e autoritário, Everton identificou-se com o caráter submisso e passivo da mãe, tornando-se um homem tímido e inseguro.
Inconscientemente, o rapaz tem medo de ser independente, livre, autônomo, pois associa tais características à figura paterna, de quem sempre quis se distanciar.
Para não correr o risco de se tornar minimamente parecido com o pai, Everton, paradoxalmente, aceita continuar se submetendo às ofensas e desmandos dele.
Será que algo parecido está acontecendo com você?
Será que você resiste a fazer certas mudanças em sua vida pelo medo da imagem que terá de si mesmo depois que elas forem colocadas em prática?
***
Se esse texto fez você refletir sobre si mesmo, imagine ter 50 lições assim, diretas e profundas, para transformar a forma como você se enxerga.
No meu livro “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”, eu reuni anos de estudo e clínica para ajudar você a se entender melhor, de um jeito claro, humano e aplicável à vida real.
Até agora, o livro só estava disponível em e-book, mas muitos de vocês pediram a versão física… e aqui está ela!
E só até 18/08, você leva o livro físico pelo preço do e-book: R$67 (depois, volta para R$87).
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Lacan costumava dizer que a angústia é o único afeto que não engana.
Essa máxima pode ser interpretada de diversas formas. Por exemplo:
Podemos dizer que a angústia não engana porque, do ponto de vista lacaniano, ela sempre sinaliza a presença simultânea do desejo.
Outra interpretação possível é a de que a angústia não engana porque nunca aparece como um disfarce para outros sentimentos.
Em outras palavras, para Lacan, angústia seria sempre angústia mesmo.
— Uai, Lucas, mas existem emoções que não são, de fato, elas mesmas?
Sim, caro leitor. O corolário da proposição lacaniana é o de que, com exceção da angústia, todos os afetos podem nos enganar.
Pense, por exemplo, no ódio.
Em princípio, se Pedro odeia Paulo, podemos deduzir que Pedro quer manter Paulo longe de si e, no limite, deseja até que Paulo deixe de existir.
No entanto, conhecendo a vida de Pedro mais profundamente, podemos acabar constatando que ele não consegue deixar de pensar em Paulo.
Ao invés de afastá-los, o ódio os manteve intensamente ligados — efeito que esperaríamos que fosse produzido por outro afeto: o amor.
Como explicar esse paradoxo?
Uma possibilidade é interpretar o ódio que Pedro experimenta como uma máscara para o amor que ele tem por Paulo.
Amor que, por N razões, não pode se manifestar explicitamente.
Portanto, o ódio pode ser enganoso: Pedro acha que não quer ver Paulo nem pintado de outro, mas, na verdade, o ama profundamente.
Se você quiser um exemplo concreto de como o amor pode se disfarçar por meio do ódio, assista à AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.
Trata-se de mais uma aula do módulo ESTUDOS DE CASOS, em que comento casos clínicos reais enviados por alunos da nossa escola.
Você vai conhecer a história de Anderson, um rapaz que atravancou a própria vida por nutrir, com toda a força da paixão amorosa, o ódio por seu pai.
O título da aula é “ESTUDOS DE CASOS #11 – Anderson: do ódio pelo pai ao gozo masoquista” e ela já está disponível no módulo ESTUDOS DE CASOS.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
O médico e psicanalista alemão Karl Abraham, um dos primeiros alunos de Freud, escreveu essas palavras num artigo de 1911 chamado “Notas sobre a investigação e o tratamento psicanalíticos da psicose maníaco-depressiva e estados afins”.
Quatro anos depois, no texto “Luto e Melancolia”, Freud também chegaria à conclusão de que há, de fato, um gozo masoquista na melancolia (depressão grave).
No artigo, o pai da Psicanálise explica o que leva uma pessoa a se refugiar nessa forma tão autodestrutiva de satisfação.
Na semana passada, na CONFRARIA ANALÍTICA, começamos a estudar “Luto e Melancolia” linha a linha, parágrafo por parágrafo, e hoje teremos nossa segunda aula ao vivo sobre esse texto, a partir das 20h.
Esta nova série de aulas ao vivo será, para os alunos, uma verdadeira IMERSÃO no estudo das depressões graves e do comportamento suycid4.
Até mais tarde!
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Freud propôs que impulsos de natureza sádica, ou seja, impulsos de dominação, e impulsos de caráter masoquista, isto é, impulsos de se fazer dominar, fossem considerados componentes naturais e espontâneos da nossa sexualidade e que, portanto, estariam presentes em todas as pessoas, não só nos sádicos e masoquistas.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Num relacionamento amoroso, pessoas que apresentam uma personalidade DOMINADORA se sentem muito à vontade para praticarem atos de desrespeito, como invadir o espaço do parceiro ou proferir palavras grosseiras e agressivas.
Como são mais independentes, elas não se preocupam com o possível sofrimento que vão provocar no outro porque não têm medo de serem deixadas.
Pelo contrário: se o parceiro se queixa de estar sendo desrespeitado, o sujeito dominador é o primeiro a dizer “OK, não está satisfeito? Então, vamos terminar.”.
Além disso, o dominador tem uma resistência patológica a reconhecer os próprios erros.
Por isso, jamais se percebe como desrespeitoso. Na cabeça dele, todos os seus atos, por mais agressivos e violentos que sejam, são apenas reações compreensíveis a erros cometidos pelo parceiro.
Ele nunca tem culpa de nada.
Geralmente tais pessoas só conseguem manter relacionamentos de longo prazo com parceiros que são o oposto delas, ou seja, que, ao invés de dominadores, são submissos, dependentes e se culpam com muita facilidade.
Tais parceiros aceitam os desmandos, invasões e abusos do dominador por basicamente duas razões que se complementam:
(1) Não conseguem se perceber como pessoas autônomas e capazes de tocar a própria vida sozinhas. Por isso, se iludem acreditando que não conseguirão viver sem o parceiro.
(2) Nutrem uma admiração, um encantamento, um tesão mesmo pela assertividade, força e independência que o sujeito dominador demonstra.
— Lucas, você acabou de me descrever. O que eu devo fazer?
Já sabe minha resposta, né?
Você precisa fazer terapia, ora bolas!
É preciso tratar essa imaturidade que não lhe permite se perceber como uma pessoa independente e elaborar esse tesão masoquista pelo comportamento dominador.
— Se eu me tratar, Lucas, será que meu parceiro vai mudar? Será que ele vai passar a me respeitar?
Pode ser que sim, pode ser que não, mas o fato é que VOCÊ vai mudar.
Vai mudar tanto que se ele não conseguir suportar a mudança e quiser terminar, você terá a segurança e a tranquilidade de poder dizer:
Já vai tarde.
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Neste vídeo: entenda a dinâmica psíquica inconsciente que está na raiz do sentimento de inferioridade.
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Pessoas desorganizadas, que não conseguem seguir uma rotina e vivem procrastinando tarefas costumam admirar indivíduos disciplinados.
Ao mesmo tempo, têm dificuldade para entendê-los:
— Como você consegue acordar no mesmo horário todos os dias?
— Como consegue não assaltar a geladeira numa noite de insônia?
— Como consegue deixar de comer um docinho depois do almoço?
— Como consegue fazer atividade física todos os dias?
Essas são algumas das perguntas que os disciplinados costumam ouvir dos indisciplinados.
Quem não consegue ter disciplina imagina que a vida dos disciplinados é constituída puramente de sofrimento, sacrifícios e privações.
É essa falsa crença que deixa os indisciplinados atônitos.
Na cabeça deles, disciplina é sinônimo apenas de frustração e falta de prazer. Assim, não conseguem entender como uma pessoa se submete voluntariamente a isso.
O que não percebem é que a obediência a uma rotina e a privação de determinadas delícias como bebidas, comidas e horas a mais de sono podem ser fonte de MUITA SATISFAÇÃO.
Trata-se de um tipo de gozo que não vem exatamente na forma de prazer sensorial, mas que é vivido como alegria por quem é disciplinado.
É a satisfação que brota do CONTROLE sobre o próprio corpo, sobre os próprios impulsos e sobre o cotidiano.
É óbvio que há uma boa dose de masoquismo e defesas obsessivas em jogo, mas qual é o problema? Todo o mundo tem seus tesõezinhos perversos e suas defesas…
O fato é que, ao contrário do que pensam os indisciplinados, quem consegue ter disciplina GOZA com essa quase “tortura” autoinfligida, como os mártires antigos que cantavam louvores a Deus enquanto eram queimados.
Portanto, o segredo dos disciplinados não é nenhuma dessas bobagens de “força de vontade”, “mindset” etc.
O que diferencia uma pessoa que consegue ter disciplina de outra que não consegue é que a primeira tem um tesão danado em se conter, se privar, se controlar.
Ninguém daria conta de manter uma rotina e evitar cotidianamente prazeres se não GOZASSE com isso…
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Em minha experiência clínica com estudantes universitários frequentemente me deparo com jovens que sofrem com o sentimento de inferioridade.
Tal sentimento costuma aparecer em função da COMPARAÇÃO feita pelo sujeito entre o seu desempenho acadêmico e a performance mais alta de certos colegas.
Em outras palavras, é como se o aluno ficasse o tempo todo dizendo para si: “Olha como eles são melhores do que eu. Sou um burro mesmo!”
Pode não parecer, mas há uma satisfação mórbida nesse tipo de pensamento…
Com efeito, quando me insulto e me menosprezo, estou fazendo uso do mesmo impulso agressivo que utilizo para insultar e agredir verbalmente outras pessoas.
Assim, a autodepreciação sempre vem carregada de um gozo masoquista que costuma ser o resultado da transformação de um impulso que originalmente era sádico.
Explico:
A tendência primária que temos ao NOS COMPARARMOS com pessoas que são melhores do que nós é a de ODIÁ-LAS.
Sim, odiá-las por terem competências que não temos, mas gostaríamos de ter. Qualquer pessoa honesta consigo mesma é capaz de admitir isso.
No fundo, gostaríamos que o colega melhor não existisse ou, pelo menos, não fosse tão bom.
Se isso acontecesse, não nos sentiríamos inferiores.
Como tal desejo não pode se realizar, os impulsos agressivos que dirigimos à pessoa invejada permanecem insatisfeitos no interior da alma.
E é aí que entra o gozo masoquista: incapazes de tirar do caminho aqueles que são melhores do que nós, passamos a depreciar A NÓS MESMOS para descarregar o ódio que, na origem, era dirigido a eles.
Em outras palavras, é como se a gente pensasse: “Já que não posso destruir esse outro que me provoca inveja, destruirei o meu próprio eu”.
É dessa transformação do sadismo em masoquismo que brotam pensamentos autodestrutivos do tipo:
“Eu não presto para nada”.
“Eu sou um m3rda”.
“Eu serei um péssimo profissional”.
Por outro lado, é preciso salientar que toda essa dinâmica emocional só aparece em função da COMPARAÇÃO.
Quando nos colocamos voluntariamente numa relação de rivalidade imaginária com o outro, o resultado é sempre esse: sadismo ou masoquismo.
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