Você se tornou o sádico de si mesmo?

A experiência psicanalítica evidencia que todos nós possuímos impulsos sádicos.

Isso significa que todo o mundo tem um tesão natural em dominar, vencer, subjugar, exercer poder sobre os outros.

Ah, Lucas, eu acho que eu não tenho isso. Na verdade, eu me sinto até mal quando me encontro numa situação de vantagem sobre outra pessoa.

Isso pode indicar que você reprimiu seus impulsos sádicos. Isso mesmo. Como nossa cultura tende a associar agressividade a violência, muitos pais levam seus filhos a encararem seus impulsos sádicos como tendências horríveis que precisam ser extirpadas. Dessa forma, muitas crianças se veem forçadas a reprimir sua agressividade para não sofrerem punição dos pais.

A repressão também pode acontecer em virtude da expressão violenta dos impulsos sádicos por parte de um dos pais ou de ambos. Assustada pelas agressões parentais, a criança olha para sua própria agressividade como uma tendência perigosa e, por conta disso, reprime a expressão dela.

O problema com a repressão dos impulsos sádicos é que ela não faz apenas a pessoa se tornar frágil e inofensiva. A agressividade reprimida se volta contra o próprio sujeito e ele passa a ser sádico contra si mesmo, punindo-se, sacrificando-se, torturando-se do mesmo jeito que um sádico faz com seu parceiro masoquista.

É por isso que geralmente aquelas pessoas que são vistas e se veem como “incapazes de fazer mal a uma mosca” geralmente são excessivamente autocríticas e se veem sempre como piores do que os outros. Como seus impulsos sádicos foram reprimidos, elas não podem contar com eles como estímulos para a busca da vitória, do crescimento, da força, mas são obrigadas a gozar com eles por meio da derrota, do autodesprezo e da fraqueza.

Para tais indivíduos, domínio é sinônimo de maldade. Então, para não se verem como más, elas se privam de buscar o aumento da própria potência. Mas como a agressividade foi só reprimida e não eliminada, o sujeito acaba se tornando o algoz de si mesmo, a vítima de seus próprios impulsos sádicos.

Você acha que isso acontece com você ou conhece alguém que está nessa condição?


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O que você fez com seu sadismo e seu masoquismo?

Masoquismo designa originalmente um modo de obtenção de prazer sexual por meio da submissão a experiências de dor e humilhação.

Há algumas pessoas, inclusive, que só conseguem chegar ao orgasmo dessa forma. Essas precisam necessariamente encontrar alguém que esteja disposto a encenar o papel complementar ao do masoquista, isto é, o papel do sádico, aquele que obtém prazer sexual por meio da dominação e da aplicação de dor sobre o outro.

Embora a maioria das pessoas não precise necessariamente estar em alguma dessas posições para gozar, sabemos que níveis leves ou moderados de sadismo e masoquismo são encontrados com muita frequência nas relações sexuais.

Atento a essa indiscutível constatação, Freud propôs que impulsos de natureza sádica, ou seja, impulsos de dominação, e impulsos de caráter masoquista, isto é, impulsos de se fazer dominar, fossem considerados componentes naturais e espontâneos do nosso instinto sexual e que, portanto, estariam presentes em todas as pessoas, não só nos sádicos e masoquistas.

Essa proposição é revolucionária. Com efeito, se todos nós somos habitados (desde a infância) por impulsos sádicos e masoquistas, é preciso verificar quais são os destinos que damos a esses impulsos. Uma criação saudável ajuda a criança a integrá-los e utilizá-los a seu favor, sobretudo nas relações interpessoais (ela consegue, com naturalidade, por exemplo, dominar quando preciso e obedecer quando necessário). Por outro lado, uma educação coercitiva pode levar o menino ou a menina a reprimirem tais inclinações para o Inconsciente, fazendo com que a força delas aumente de forma significativa.

O resultado, nesse segundo caso, será a expressão do sadismo e do masoquismo de forma neurótica e sintomática. Não raro, por exemplo, vemos pessoas que, forçadas a reprimirem seus impulsos sádicos e masoquistas na infância, se tornam adultos medrosos, que expressam sua fantasia sadomasoquista reprimida nas relações interpessoais. Tais indivíduos estão sempre “procurando” alguém que, para eles, possa encarnar o papel do sádico dominador (que nunca puderam ser) e eles próprios estão frequentemente se colocando, a contragosto, na posição de masoquistas submissos.

[Vídeo] Relacionamentos abusivos: SAIA DA POSIÇÃO DE VÍTIMA! – Lucas Nápoli

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