A Psicanálise explica a paixão?

Não é por acaso que esta sexta-feira é chamada “Sexta-feira da Paixão”.

Com efeito, uma das traduções de PATHOS, a palavrinha grega da qual se origina o termo paixão, é SOFRIMENTO e a cristandade rememora hoje justamente a dor implicada no sacrifício redentor do Messias.

Paixão, portanto, pode ser sinônimo de padecimento, martírio, aflição…

Qualquer pessoa que já se apaixonou na vida — e não teve seu amor correspondido — sabe muito bem disso.

Por outro lado, quem teve a sorte de contar com o desejo recíproco do objeto amado pode atestar a alegria indizível que emerge, feito torrente, de um coração apaixonado — incontrolável, avassaladora, deliciosamente angustiante.

Será que podemos traduzir essa avalanche emocional que está em jogo na paixão em termos metapsicológicos?

Em outras palavras, será que a Psicanálise pode explicar a paixão?

Essa pergunta é pertinente porque, quando estamos apaixonados, nosso psiquismo sofre alterações profundas que beiram os limites da loucura.

Por exemplo: a gente passa a enxergar a pessoa que amamos como perfeita, sem mácula, indefectível (com ou sem o vestidinho preto de Chico Amaral e Samuel Rosa).

A coisa é tão maluca que, em certos casos, a gente é capaz até de cometer crimes se isso for do agrado do objeto que agora manda e desmanda em nosso coração.

Só quem nunca se apaixonou pode colocar isso em dúvida.

De fato, no início dos anos 2000, um rapaz foi capaz de, juntamente com seu irmão, esp4nc4r os pais de sua namorada até a m0rt3 atendendo a um pedido dela…

Quem soube muito bem capturar esse estado de semiloucura gerado pela paixão foi a escritora portuguesa Florbela Espanca, no poema “Fanatismo”, brilhantemente musicado por Fagner.

Nos últimos versos ela diz, dirigindo-se ao objeto amado:

“Ah! podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Mas, e então, será que a Psicanálise explica esse desvario do apaixonamento?

A resposta é… Sim! E quem está na Confraria Analítica receberá ainda hoje uma aula especial justamente sobre esse tema.

Te vejo lá!


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Você é um mascarado?

Nos anos 1990 a gente costumava chamar certos jogadores de futebol de “mascarados”.

Romário, por exemplo, foi um dos que receberam esse epíteto.

Mascarado era o sujeito que exibia certa postura de arrogância e superioridade, meio que exigindo ser tratado de modo especial em função de seus atributos peculiares.

O termo provavelmente tem origem na ideia de que o indivíduo mascarado se deixa engolir pelo personagem que criou para si mesmo.

Na clínica psicanalítica também nos deparamos frequentemente com mascarados, mas não nesse sentido dos anos 1990.

Os mascarados que procuram ajuda terapêutica nem sempre são arrogantes e convencidos.

Pelo contrário: muitas vezes se autodepreciam e não conseguem se ver com bons olhos.

E isso acontece justamente porque, quando se olham no espelho da alma, não enxergam a si mesmos, mas a máscara, o personagem que criaram ainda na infância.

Os jogadores mascarados dos anos 1990 (que hoje em dia a gente chamaria de “marrentos”) talvez fossem levados a forjar uma máscara de superioridade para se protegerem um pouco do caráter invasivo do assédio do público e da imprensa.

É também como defesa que os “mascarados” que se deitam em nossos divãs criaram os personagens com os quais se confundem.

Vítimas de uma infância marcada por rejeição, negligência ou violência, são pessoas que tiveram que ocultar o próprio ser para se converterem naquilo que PRECISAVAM SER para sobreviverem psicologicamente (e, às vezes, fisicamente) num ambiente caótico e abusivo.

O problema é que, com o passar do tempo, o sujeito perde a noção de que ele não é o personagem que se viu obrigado a criar e se confunde com a máscara.

É por isso que a análise, para tais pessoas, é um processo extremamente doloroso.

Afinal, durante a terapia, elas precisarão fazer uma espécie de cirurgia de remoção da personagem.

Mas como a máscara está fortemente afixada, o sujeito tem a sensação de que está perdendo o rosto.

De fato, ele não sabe como é SER sem FINGIR SER.


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Você tem trocado sua liberdade pelo conforto?

Outro dia eu estava atendendo uma pessoa que me dizia, dentre outras coisas, que “não conseguia dizer ‘não’”.

Segundo ela, recusar-se a atender um pedido lhe fazia se sentir mal por imaginar que isso traria duas consequências indesejáveis: o demandante ficaria chateado e ela seria vista negativamente por ele.

Assim, para evitar esses possíveis efeitos incômodos, ela preferia aceitar tudo o que lhe solicitassem.

Em outras palavras, ela troca a LIBERDADE de poder dizer “não” pelo CONFORTO de saber que não está chateando o outro nem sendo vista por ele como egoísta ou algo do tipo.

Liberdade e conforto são duas experiências que frequentemente são incompatíveis: muitas vezes ou você tem uma ou tem a outra.

É maravilhoso quando temos a sorte de podermos ser livres sem precisar passar pelo desconforto de bater de frente com o mundo, mas amiúde isso não é possível.

Não raro, a liberdade precisa ser conquistada mediante confronto, conflito, luta e, portanto, o sacrifício do conforto.

Pense, por exemplo, numa população que vive sob um governo ditatorial.

Se esse povo quiser gozar de liberdade, ele precisará inevitavelmente se indispor com as autoridades, renunciando ao (pseudo)conforto que só existe enquanto as pessoas se mantêm obedientes à tirania.

Da mesma forma, um jovem adulto que deseja gozar da liberdade de poder trazer para sua casa quem desejar terá obviamente que abrir mão do conforto de viver na casa dos pais.

Geralmente, quem tem dificuldade para fazer essa renúncia, seja por medo ou pela inércia do gozo, fica esperando que o mundo mude para que não precise abrir mão do conforto.

Tais pessoas comportam-se exatamente como uma população que bovinamente aceita os desmandos de um governo autoritário esperando que algum “salvador da pátria” a liberte.

Você é assim?

Valoriza tanto o conforto e a paz (sem voz) que topa jogar sua liberdade no lixo para não precisar entrar em conflito com ninguém?


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Quanto mais baixa for sua autoestima, mais facilmente você se sentirá ofendido.

Nem sempre nos sentimos afetados quando pessoas dizem coisas negativas a nosso respeito.

Às vezes um insulto ou feedback depreciativo entram por um ouvido e saem pelo outro.

Por outro lado, há momentos em que uma fala ofensiva ou aviltante não sai da nossa cabeça.

Não conseguimos esquecê-la ainda que tenhamos reagido de alguma forma ao outro ou consideremos injusta a ofensa recebida.

Por que isso acontece?

Por que não damos bola para certos insultos e não conseguimos parar de pensar em outros?

Minha hipótese, corroborada pela experiência clínica, é a de que só ficamos “mexidos”, impactados, afetados por uma ofensa quando “a carapuça serve”.

Com isso não estou dizendo que o feedback negativo só nos incomoda quando é verdadeiro.

Por exemplo: você pode ser objetivamente uma excelente profissional e ter ouvido de um cliente irritado que seu trabalho é horrível.

Muito provavelmente essa reação lhe trará apenas um leve incômodo (afinal, ninguém é de ferro, né?) se você estiver CONVENCIDA de sua competência.

Por outro lado, se você, apesar de executar o trabalho com maestria, nutrir interiormente dúvidas acerca de sua capacidade, é bem provável que passe dias e dias repassando mentalmente o feedback negativo do cliente.

Percebeu o que acontece?

Quando aquilo que uma pessoa diz a nosso respeito vai ao encontro de coisas que a gente já pensa sobre si mesmo, a fala do outro nos afeta muito mais.

É por isso que pessoas que possuem baixa autoestima, ou seja, que já costumam avaliar a si mesmas de modo extremamente pejorativo, tendem a se sentir ofendidas com mais facilidade.

Do ponto de vista metapsicológico, podemos dizer que a fala depreciativa do outro está alinhada com aquilo que o superego do indivíduo já diz para ele o dia inteiro.

Assim, mesmo sabendo racionalmente que não é incompetente, a pessoa se sente excessivamente incomodada com o insulto do cliente.

Com efeito, tal feedback se encaixa perfeitamente na visão distorcida que ela tem de si mesma.

Por outro lado, quem tem a sorte de não sofrer com um superego tão tirânico e sádico ouve a ofensa e a experimenta tão-somente como um leve tiro de raspão em seu narcisismo.


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[Vídeo] Onde está o seu tesouro, aí também está o seu medo

O que mais valorizamos e apreciamos é também, naturalmente, aquilo que mais tememos perder. Assim quem morre de medo de passar vergonha é porque valoriza excessivamente a própria imagem.


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Diferenças entre eu ideal e ideal do eu em Psicanálise

Eu ideal e ideal do eu são conceitos que costumam causar certa desorientação em quem está começando a estudar a teoria psicanalítica.

São nomes diferentes para a mesma coisa ou se trata de fenômenos distintos?

Ao que parece, para Freud, Idealich (eu ideal) e Ichideal (ideal do eu) eram mais ou menos intercambiáveis.

Foram autores pós-freudianos, como Lacan, por exemplo, que perceberam corretamente que são processos psíquicos diferentes.

De modo geral, passou-se a considerar como o eu ideal a IMAGEM idealizada de nós mesmos que forjamos como compensação pela saída do narcisismo primário.

Deixa eu explicar isso direitinho:

Normalmente, na fase inicial do desenvolvimento que Freud denomina de “narcisismo primário” não existe nenhuma diferença entre aquilo que somos e aquilo que o Outro (os pais) deseja que sejamos.

Até porque, no início da vida, o Outro não tem muitas expectativas sobre nós. Ele nos ama de graça; acha bonitinho e engraçadinho tudo o que fazemos.

Essa situação faz com que o bebê se sinta o ser mais poderoso, lindo e desejado do universo!

Na verdade, não é bem assim: em “condições normais de temperatura e pressão”, quando o Outro faz o seu papel de cuidador direitinho, a gente nem percebe, enquanto bebês, que os pais existem.

Temos a ilusão de que somos nós mesmos quem criamos o seio que nos alimenta simplesmente com a força do nosso desejo de mamar!

Pois bem, essa ilusão de onipotência vivida nesse estado maravilhoso de plenitude em que nos sentimos a única bolacha do pacote… acaba.

Acaba porque, depois de alguns meses, o Outro volta a ter outros interesses para-além de nós e acaba também porque esse Outro, que até então achava tudo o que a gente fazia a coisa mais linda do mundo, começa a…exigir coisas.

Ele passa a pedir, por exemplo, que a gente se conforme a certas regras sociais.

Resultado: a gente começa a ter saudade daquela época em que éramos superpoderosos e plenamente amados sem precisar fazer nada para conseguir isso.

É aí que nasce o eu ideal…

Vamos continuar essa conversa na Confraria Analítica? Quem está na comunidade, receberá ainda hoje uma aula especial sobre a distinção entre eu ideal e ideal do eu.

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Amar ao próximo como a si mesmo: um olhar psicanalítico

De acordo com a resposta dada por Jesus de Nazaré aos fariseus, esse seria o segundo principal mandamento da Lei dos judeus.

O primeiro aspecto que me chama a atenção nesse imperativo é justamente o fato de ele existir.

Explico:

Eu não preciso mandar Fulano fazer a coisa X se Fulano já faz a coisa X de forma espontânea.

Não faz sentido, por exemplo, mandar uma pessoa que adora pizza comer esse alimento visto que ela já faz isso naturalmente.

Assim, Deus não precisaria instituir o mandamento do amor se acreditasse que os seres humanos espontaneamente amam uns aos outros.

A ordem de amar ao próximo só existe porque, “na cabeça de Deus”, o homem não possuiria uma inclinação natural para a solidariedade e a generosidade.

Essa conclusão fica ainda mais clara quando nos atentamos para o fato de que o mandamento curiosamente vem acompanhado de um parâmetro:

Nós devemos amar ao próximo na mesma proporção em que AMAMOS A NÓS MESMOS.

Isso mostra que o autor do mandamento (supostamente Deus) trabalha com o pressuposto de que os seres humanos NATURALMENTE se amam.

Com efeito, não existe a ordem “Amem a si mesmos”. Ela não é necessária. Afinal, a gente já faria isso de modo automático.

É como se Deus estivesse dizendo mais ou menos o seguinte: “Eu sei que vocês já são naturalmente  apaixonados por si mesmos. Porém, eu preciso que façam um esforço para amarem uns aos outros também”.

Curiosamente, todo esse raciocínio sobre o que é natural no homem e o que precisa ser instituído por meio de um mandamento exterior vai ao encontro das ideias de Freud.

Com efeito, do ponto de vista freudiano, o narcisismo, essa tendência de amar, cuidar e proteger o nosso próprio eu, não precisaria ser ensinado à criança. Ele seria espontâneo.

Assim como está pressuposto no mandamento, para Freud todo o mundo desenvolve naturalmente esse amor pela imagem de si desde bebê.

Já o amor ao próximo precisaria ser apresentado à criança pelos pais como uma ordem para depois ser internalizado na dimensão do superego.

O problema é que Freud se equivocou ao pensar que todo o mundo desenvolve naturalmente e suficientemente bem o narcisismo.

Mais isso é assunto para outro momento…


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O bonzinho pode ser apenas um endividado

Eu já falei em diversos textos e vídeos sobre o caráter narcísico do padrão de comportamento que comumente chamamos de “bonzinho”.

De fato, muitas pessoas que se encaixam nessa categoria estão inconscientemente buscando seduzir o outro para serem amadas.

A suposta bondade do bonzinho, portanto, não seria genuína. Tratar-se-ia apenas de uma estratégia para “ficar bem na fita” ou, se você quiser, “ganhar likes”.

No entanto, a experiência clínica mostra que há um grupo de pessoas que também desenvolve o  modo “bonzinho” de ser,  mas por outra razão.

Refiro-me a indivíduos que se colocam neuroticamente a serviço do outro não com o objetivo de seduzi-lo, mas de “pagar” uma dívida infantil.

Explico:

Tais pessoas foram levadas a acreditar, na infância, que todo o cuidado que recebiam da parte de seus pais não era gratuito.

Observando certas atitudes e falas parentais, esses indivíduos foram chegando à conclusão de que precisariam “ressarcir” os pais de alguma forma.

A clínica mostra que, sob o domínio dessa ideia absurda, tais pessoas já na infância se comportavam de modo excessivamente submisso, obediente e solícito.

Com efeito, desde crianças já renunciavam aos próprios desejos para submeterem-se às vontades do outro. Dessa forma, estariam “pagando” sua suposta dívida.

Como a gente inevitavelmente transfere nossos padrões de relação com os pais para outras pessoas, esse padrão de submissão acaba se mantendo na vida adulta.

Assim, o sujeito continua preso à fantasia de que precisa pagar aos pais pelo cuidado recebido, só que agora quem recebe o “pagamento” são namorados, esposas, amigos…

Temos, então, um indivíduo adulto que está sempre “pedindo licença” para existir, que não consegue dizer não e se submete passivamente ao desejo do outro.

Ele quer seduzir as pessoas para ser amado? Não. O que inconscientemente ele busca é “ressarcir” simbolicamente seus pais através da submissão ao outro.

Que tal mandar esse texto para todos os bonzinhos que você conhece? Você é um deles?


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Elogio à turma do fundão

Não raro, obedientes trabalham para desobedientes.

Agora há pouco eu estava fazendo minha caminhada diária e ouvindo o episódio 17 do podcast “Os Sócios” em que os hosts @maluperini e @bruno_perini conversam com empreendedores @marcusmarquesoficial e @tallisgomes sobre gestão de negócios.

Em dado momento, eles comentaram o fato de que muitos empreendedores de sucesso não foram bons alunos na época da escola e geralmente faziam parte da famigerada “turma do fundão”.

Confesso que eu também já havia notado essa possível correlação e talvez consiga explicá-la por meio de alguns aprendizados que a clínica tem me proporcionado.

Quem me acompanha assiduamente sabe que há alguns meses identifiquei um padrão comportamental que ousei batizar de “SÍNDROME DO ALUNO NOTA 10”.

Trata-se de um conjunto de problemas emocionais vivenciados comumente por pessoas que sempre foram percebidas pelo seu entorno como alunos e filhos EXEMPLARES.

Excesso de autocobrança, passividade, submissão a demandas dos outros, dificuldade de dizer não e repressão da agressividade são alguns dos principais sintomas da síndrome do aluno nota 10.

Minha hipótese é a de que tais dificuldades são expressões de uma FIXAÇÃO NA POSIÇÃO DE ALUNO.

Com efeito, como um estudante precisa ser para que a educação tradicional o considere um bom aluno?

Ora, justamente: disciplinado, passivo, obediente, exigente consigo mesmo, bem-comportado e quieto.

Vamos combinar que a maioria dessas características não é lá muito favorável para quem quer empreender, né? Afinal, o empreendedor é justamente aquele que SE ARRISCA e DESAFIA o status quo.

O aluno nota 10 tem muitos ganhos narcísicos por ser o “certinho”: ele é amado por todos os professores e alçado à categoria de EXEMPLO para todos os colegas.

Isso é muito sedutor! Especialmente para aqueles que não se sentem suficientemente queridos em casa…

Já aqueles que fazem parte da “turma do fundão” não estão nem aí para o amor dos professores. Pelo contrário: eles gozam justamente com o menosprezo ao olhar dos docentes.

Por isso, acabam tendo mais coragem para viverem livres das amarras da obediência, da submissão e da passividade.

E você: era da turma dos certinhos ou da galera do fundão?


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Narcisistas são pessoas feridas

“Que objeto lhes resta para amar senão eles mesmos?”

Esta é uma frase emblemática de André Green que se encontra logo nas primeiras páginas do prefácio à coletânea de artigos do autor “Narcisismo de vida, narcisismo de morte” (Escuta, 1988).

Ao enunciar essa pergunta retórica, Green está se referindo ao narcisismo como patologia e não à condição narcísica que está presente em todos nós.

Em Humanês: todo o mundo é meio apaixonado pelo próprio eu, mas há pessoas que só têm olhos para si mesmas…
Trata-se de uma DEFESA.

Defesa frente a uma decepção amorosa que aconteceu num momento muito precoce, em que o sujeito ainda não dava conta de suportar a “sofrência”.

Eis o que diz André Green: “É preciso, aqui, recuperar as evidências: os narcisistas são pessoas feridas […] Frequentemente a decepção, cujas feridas ainda estão em carne viva, não se limitou a um dos pais, mas a ambos.”

Em outras palavras: no centro da alma de um narcisista há um amor não correspondido pelos cuidadores primários, um apelo sem resposta, a dor de começar a jornada da vida sem uma recepção calorosa.

É como se todo narcisista dissesse: “Já que não fui amado, preciso encarregar-me da tarefa de ser o meu próprio amante. Quem precisa dos outros quando se tem a si mesmo?”

Que ideias vêm à sua cabeça após a leitura deste texto?


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O narcisista é um desesperado que não consegue sair da frente do espelho

Como tem muita gente por aí que provavelmente nunca leu uma página de Freud falando de pessoas narcisistas, julgo oportuno ensinar a vocês o que de fato é o narcisismo patológico.

Originalmente o termo narcisismo foi empregado para descrever um tipo de perversão sexual em que o sujeito toma o seu próprio corpo como objeto sexual.

Em 1914, Freud publica um artigo chamado “Sobre o narcisismo: uma introdução” no qual apresenta sua descoberta de que, na verdade, todas as pessoas tomam não apenas o próprio corpo, mas o seu eu como um todo como objeto sexual.

Vale dizer que, do ponto de vista psicanalítico, sexualidade é um campo muito mais amplo do que o mero “tchaca tchaca na butchaca”, englobando todos os fenômenos amorosos. Portanto, ao dizer que todo o mundo toma o seu eu como objeto sexual, Freud está dizendo que todas as pessoas amam a imagem que têm de si.

No entanto, há aqueles que colocam o narcisismo no centro de suas vidas e há outros que não fazem isso. Costumamos chamar de narcisistas apenas os primeiros. Não há problema nisso desde que conservemos em mente que todos nós somos narcisistas em alguma medida.

Nesse sentido, podemos caracterizar o narcisista como aquela pessoa que vive tomando sempre o próprio eu como ponto central de referência. Ele tem dificuldade para pensar nas necessidades e interesses dos outros, pois está sempre nadando em perguntas que denunciam o quão autocentrado ele é: “Por que ME sinto assim?”, “O que será que essa pessoa vai pensar de MIM?”, “Por que isso acontece COMIGO?”.

Ao contrário do que andam dizendo por aí, o sintoma patognomônico do narcisismo excessivo não é a vaidade, a arrogância ou o orgulho. A maioria dos narcisistas é insegura pra caramba e frequentemente se acha “o cocô do cavalo do bandido”.

Sabe por quê? Porque é isso o que acontece quando você olha demais para a própria imagem. Você começa a perceber que, no fim das contas, não é nada demais, é só mais um na fila do pão. Aí você surta e pode começar a se defender dessa constatação desesperadora com vaidade, arrogância e orgulho…

Entendeu? Essa é a marca central do narcisismo patológico: o desespero que brota do olhar fixo e constante na própria imagem.


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“Eu sou a ÚNICA bolacha do pacote”: entenda o narcisismo primário

Em 1914, Freud publicou um artigo chamado “Sobre o narcisismo: uma introdução”.

Foi nesse texto que o autor apresentou ao campo psicanalítico sua tese de que o narcisismo não seria apenas um tipo de perversão sexual como se acreditava na época.

De fato, a medicina do início do século XX nomeava como narcisistas apenas aqueles insólitos indivíduos que, ao invés de desejarem outras pessoas, tratavam a si mesmos como objetos sexuais.

A novidade trazida por Freud no artigo de 1914 foi a tese de que essa suposta perversão estaria, em alguma medida, presente em todas as pessoas.

Em outras palavras, o que Freud estava querendo dizer é que todos nós, tal como o personagem grego Narciso, somos APAIXONADOS por nós mesmos.

Com base em sua experiência clínica, o autor chega à conclusão de que esse estado de “autoenamoramento” é a própria condição em que nos encontramos no início da existência.

Com efeito, a energia psíquica de um bebê está totalmente voltada para ele mesmo nos primeiros meses de vida. A situação é tão narcísica que o pequeno filhotinho de Homo sapiens sequer reconhece a existência da mãe que o amamenta. “Na cabeça” do bebê, só existe ele. O delicioso seio que lhe aparece quando tem fome nada mais é que uma criação do seu próprio desejo. Freud nomeou esse estado inicial da vida como “narcisismo primário”.

É só no momento em que a mãe começa a demorar um pouco mais para atender às necessidades da criança que o bebê é levado a reconhecer a existência dela e, consequentemente, do mundo real. E é só em função dessas primeiras frustrações que o pequeno começa a investir parte de sua energia psíquica em outras pessoas.

Se o bebê continuasse acreditando que não existe nada para-além dele, permaneceria refém do lugar de objeto do outro. Afinal, como enfatiza o psicanalista inglês Donald Winnicott, a experiência de onipotência que a criança vivencia ao achar que é ela mesma quem cria o seio só acontece porque está sendo cuidada pela mãe.

Já havia se dado conta de que no início da vida vivemos essa ilusão de achar que somos “a única bolacha do pacote”? Você já se deparou com pessoas que parecem ter regredido a essa fase?


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No mundo contemporâneo, trocamos o valor da experiência pelo gozo com a imagem da experiência no olhar do outro.

No último fim de semana eu estava assistindo à série “Quem matou Sarah?” que gira em torno da morte de uma adolescente ocorrida há 18 anos durante uma tarde de diversão com seus amigos.

Ao longo dos episódios, frequentemente aparecem cenas do dia em que a garota teria morrido nas quais seus amigos filmam com uma câmera de vídeo os momentos de alegria do passeio.

Em certo momento, diante de uma dessas cenas, comentei com minha esposa: “Se esse passeio tivesse acontecido nos dias de hoje, eles não estariam filmando, mas fazendo stories e postando no Instagram.”.

Com efeito, na época em que Sarah supostamente morreu, ainda não haviam redes sociais. Todavia, as pessoas também fotografavam e filmavam momentos importantes de suas vidas.

Por que o faziam?

A resposta é simples: para “guardar de recordação”. A gente registrava situações e ocasiões que considerávamos relevantes para, no futuro, podermos recorrer a esses arquivos e relembrarmos aqueles momentos especiais.

Percebe? Nós gravávamos eventos para nós mesmos e para pessoas significativas com quem gostaríamos de compartilhar aquelas memórias. Não nos preocupávamos com o fato de ninguém mais ficar sabendo, além de nós mesmos, nossa família ou amigos.

O valor estava na experiência em si mesma e não no olhar dos outros sobre essa experiência.

É impressionante e, ao mesmo tempo, interessante observar como isso mudou com o sucesso das redes sociais, em especial o Instagram. Pouco a pouco fomos nos acostumando a substituir o desejo de “guardar para recordação” pela vontade de “postar para repercussão”.

Ao contrário do que imaginavam os criadores desta plataforma, as pessoas não postam fotos e vídeos apenas com o objetivo de compartilharem momentos com seus amigos, mas, fundamentalmente, para SEREM VISTOS por eles. É diferente…

O valor da experiência dá lugar ao gozo com a IMAGEM que essa experiência terá aos olhos do outro.

Tanto é que há pessoas que se sentem frustradas quando, por alguma razão, não conseguem postar stories em uma festa ainda que a experiência tenha sido extremamente satisfatória.

Você já havia se dado conta dessa mudança radical na maneira como lidamos com os registros de nossas experiências?


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[Vídeo] Narcisismo não é amar a si mesmo. Pode ser o contrário…

Neste vídeo: entenda por que narcisismo é diferente de amor-próprio e como o excesso de narcisismo pode ser autodestrutivo.


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Narcisismo não é amor-próprio

Acho que deu para você perceber que, quando estamos falando de narcisismo, não se trata do que costumamos chamar no senso comum de amor-próprio. Em nossa dimensão narcísica, não amamos a nós mesmos, mas a imagem idealizada que queremos ter de nós mesmos. Estou chamando sua atenção para isso porque meu propósito com este artigo é demonstrar que muitas vezes é justamente o narcisismo o responsável por destruir o nosso amor-próprio. Com efeito, em nome do amor ao nosso eu ideal, podemos nos envolver em situações, relacionamentos e atitudes que podem ser profundamente autodestrutivos.

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