O neurótico é feliz. Mas não sabe…

Da série “Postagens antigas que merecem ser repostadas”.


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Neurose, psicose e perversão: uma analogia para entender a diferença

Da série “Postagens antigas que merecem ser respostadas”.


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[Vídeo] Não perca tempo com questões insolúveis

Será que você continua inutilmente tentando encontrar respostas para questões que ficaram pendentes desde a sua infância?


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Por que temos tanta dificuldade para abandonar nossos problemas emocionais?

Por que será que a gente não sai de uma depressão apenas com força de vontade?

Por que será que permanecemos em relacionamentos ruins mesmo já estando convictos de que deveríamos sair deles?

Por que será que padrões doentios como procrastinação, crises de ansiedade e compulsões se repetem na nossa vida apesar do nosso desejo de mudar?

Em outras palavras, por que é tão difícil sair de um quadro de adoecimento emocional?

Isso acontece porque nossos problemas emocionais não são eventos que acontecem conosco. Na verdade, nós os CRIAMOS.

Sim, a gente CRIA nossas enfermidades psicológicas, só que inconscientemente.

E a gente faz isso por basicamente por duas razões: para se PROTEGER e para se SATISFAZER.

Explico: você provavelmente não conseguirá perceber isso com clareza sem passar por uma terapia psicanalítica, mas seus problemas emocionais protegem você… de você mesmo.

Por meio de crises de ansiedade, episódios depressivos, relacionamentos doentios etc. você evita entrar em contato com certos impulsos da sua alma que se encontram reprimidos.

Por outro lado, nossos sintomas também proporcionam uma satisfação indireta justamente para esses impulsos reprimidos.

Em outras palavras, você não percebe, mas pode estar satisfazendo impulsos sexuais ou agressivos de forma disfarçada e simbólica por meio dos seus problemas emocionais.

Por isso é tão difícil sair deles.

É como se inconscientemente a gente pensasse assim:

“Não posso largar essa doença. Do contrário, precisarei lidar com os meus impulsos de forma direta, sem disfarces… E eu não quero fazer isso, pois tenho medo do estrago que esses impulsos podem fazer na minha vida”.

A Psicanálise ajuda o sujeito a perder esse medo e, consequentemente, a não precisar mais de seus sintomas.


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Quando a gente alimenta o que nos faz sofrer

Ontem uma supervisionanda narrava para mim o caso de uma paciente que se queixa da atitude invasiva e dominadora que tanto o pai quanto o namorado exercem na relação com ela.

Nas sessões com minha supervisionanda, a moça costuma dizer que o parceiro só aceita as coisas “do jeito dele” e que o pai vive tentando controlar a vida dela.

Por outro lado, essa paciente, que tem por volta de 20 e poucos anos, ou seja, é uma jovem adulta, aceita passivamente as imposições de seu pai como se ainda fosse uma criança.

Não, o pai não é violento. Sem dúvida, trata-se de um sujeito controlador, mas, se a filha quisesse, poderia desafiá-lo e ir gradualmente se afastando de seu domínio.

Quanto ao namorado, ela está sempre solicitando a ajuda e a opinião dele na hora de tomar decisões e pede desculpas quando, porventura, deseja fazer coisas que o cara não aprova.

Não é preciso ser nenhum gênio para constatar que essa moça transfere para o parceiro o mesmo padrão relacional que desenvolveu na interação com o pai.

Contudo, não é para isso que eu quero chamar sua atenção.

O que eu espero que você perceba nesse caso é que essa paciente se queixa justamente daquilo que ela própria mantém.

Como eu disse para minha supervisionanda, ela se comporta como uma pessoa vegana que decide comemorar o aniversário numa churrascaria e reclama que lá só servem… carne!

Ela percebe, mas sua postura passiva, dependente e subserviente diante do namorado e do pai reforça a atitude invasiva e dominadora deles.

Ah, Lucas, entendi! Então, sua supervisionanda tem que falar para essa paciente se colocar de modo mais firme, assertivo e autônomo na relação com eles, né?

Óbvio que não! Você acha que essa moça nunca pensou em fazer isso?

Psicanálise não é coaching.

O que essa paciente precisa é COMPREENDER por que ela age dessa forma.

Ou seja, o que ela GANHA agindo assim, de que perigos imaginários ela se DEFENDE, que FANTASIAS estão sendo realizadas por meio dessa postura de submissão etc.

Mas o primeiro passo é ela perceber que seu padrão de funcionamento alimenta aquilo que a faz sofrer. Como dizia minha mãe, “enquanto tiver cavalo, São Jorge não anda a pé”.

Você já se deu conta desse processo na sua própria vida?


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A Psicanálise é uma pós-educação

Em diversos momentos de sua obra, Freud disse textualmente que a Psicanálise pode ser considerada como uma PÓS-EDUCAÇÃO.

O que significa isso?

Essa tese de Freud é relativamente simples. Acompanhe o raciocínio:

A Psicanálise é um método de tratamento das neuroses, certo?

E o que é uma neurose? Trata-se de uma forma de adoecimento emocional caracterizada por sintomas que expressam certos impulsos reprimidos.

E por que tais impulsos foram reprimidos? Porque, na infância, o sujeito foi levado, por seus cuidadores primários, a acreditar que essas inclinações seriam impuras, pecaminosas, perigosas…

Assim, para “sobreviver” emocionalmente nesse ambiente repressivo, a pobre criança se viu obrigada a reprimir, ou seja, a tornar inconsciente seu desejo de satisfação daqueles impulsos.

Resultado: protegidos da crítica consciente, tais impulsos ficaram livres para se manifestarem de forma disfarçada por meio dos sintomas neuróticos.

O que acontece numa Psicanálise? O sujeito é estimulado a rever sua própria história, por meio da associação livre, a fim de identificar justamente as censuras que aplicou a si mesmo como forma de proteção frente a um ambiente excessivamente repressor. Além disso, o neurótico também é encorajado a fazer uma revisão dessas censuras a fim de reconhecer e se apropriar daquilo que nele se satisfaz pela via do sofrimento.

Ora, o que é isso senão um processo de pós-educação? De fato, o que se busca numa Psicanálise é justamente a retificação dos resultados mórbidos produzidos no sujeito por uma educação equivocada. Trata-se de ajudar o paciente a reformar o universo de significações que desenvolveu a partir da relação com seus cuidadores primários — universo que o levou a distanciar-se de si mesmo e a padecer dos efeitos dessa fragmentação.

Quem está na Confraria Analítica receberá ainda hoje um ebook exclusivo no qual desenvolvo as ideias apresentadas aqui de forma mais detalhada e com as respectivas referências da obra de Freud.


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[Vídeo] Não dá para ser assertivo e ficar bem com todo o mundo

Pessoas que ficam remoendo situações pensando no que gostariam de ter dito e não disseram sofrem da resistência neurótica a abrir mão de um desejo em prol de outro.


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[Vídeo] Por que a neurose é o negativo da perversão?

Neste vídeo: entenda de forma simples, clara e didática por que Freud disse nos “Três Ensaios” que a “neurose é o negativo da perversão”.


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[Vídeo] Quais são os roteiros que você tem encenado?

Na infância, somos confrontados aos enigmas da vida. Para respondê-los, criamos fantasias, histórias, enredos que podem ser mais ou menos potencializadores, mais ou menos destrutivos. Você já se perguntou quais são os roteiros que você vem encenando?


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O que é neurose em Psicanálise?

O termo “neurose” não nasceu no campo psicanalítico.

Ao que parece, ele foi introduzido na medicina em meados do século XVIII por um sujeito chamado William Cullen para designar certas doenças físicas cuja causalidade estaria relacionada a “problemas de nervos”. Daí a raiz etimológica da palavra: a junção entre os termos gregos “neuron” (nervo) e “osis” (estado patológico).

Percebe-se, portanto, que, originalmente, neurose tinha como referentes quadros que atualmente costumamos chamar de “psicossomáticos”. O próprio Freud utilizou o conceito nesse sentido quando propôs a categoria de “neuroses atuais” para caracterizar certas doenças físicas que seriam ocasionadas por uma vida sexual excessivamente insatisfatória.

No entanto, a acepção de neurose que se consolidou no campo psicanalítico foi aquela que Freud empregou para designar o que ele chamou inicialmente de “psiconeuroses”.

Trata-se de enfermidades cuja origem é totalmente psicológica (daí o acréscimo do prefixo “psico”) e cujos sintomas são o resultado de conflitos psíquicos insuportáveis entre certos anseios infantis da pessoa e a imagem que ela pretende ter de si mesma.

Em outras palavras, a neurose acomete aqueles indivíduos que mantêm um apego excessivo a determinados desejos da infância e, ao mesmo tempo, se condenam exageradamente por nutrirem tais desejos. Os efeitos desse “beco sem saída” no qual o neurótico se coloca são os sintomas: disfunções corporais na histeria, pensamentos obsessivos e compulsões na neurose obsessiva e evitações na fobia.

Os sintomas neuróticos são uma forma patológica de resolução do “beco sem saída”: eles satisfazem simbolicamente os anseios infantis ao mesmo tempo em que protegem a pessoa de tomar consciência desses desejos, permitindo, assim, que ela mantenha sua autoimagem intacta. O problema é que esse “jeitinho” acaba sendo fonte de dor, sofrimento e perda de energia.

Logo mais, publicarei um vídeo para os membros da Confraria Analítica contendo mais detalhes e aprofundamentos acerca do conceito psicanalítico de neurose.


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O apego à infância é a raiz de todas as doenças emocionais

O neurótico é essencialmente alguém que ficou preso ao passado.

Freud se deu conta disso muito cedo em sua carreira como terapeuta ao formular a tese de que seus pacientes histéricos sofriam de “reminiscências”.

Na verdade, toda pessoa, independentemente de sua condição de saúde mental, possui uma dimensão do seu ser que permanece apegada aos prazeres e às dores da infância. Com efeito, não aceitamos integralmente as limitações da vida adulta. Há uma parte de cada um de nós que continua sendo criança.

O problema, no caso dos neuróticos, é que essa parte infantil É A MAIOR PARTE do ser  do sujeito. Isso faz com que ele conscientemente tente ser adulto, mas inconscientemente se mantenha na infância.

O resultado é adoecimento. Depressão, ansiedade excessiva, obsessões, compulsões, dificuldades de relacionamento interpessoal… Todas essas formas de enfermidades emocionais são, no fim das contas, resultantes do apego excessivo do sujeito a certas formas infantis de satisfação, a padrões infantis de relacionamento, a conflitos infantis, a queixas infantis dirigidas aos pais etc.

É por isso que Freud costumava dizer que a Psicanálise é uma pós-educação. De fato, numa terapia psicanalítica ajudamos o sujeito a verdadeiramente amadurecer reservando para o grão de infância que inevitavelmente permanecerá em si um destino não patológico.


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3 traços da estrutura obsessiva

Para-além dos sintomas clássicos (pensamentos obsessivos e compulsões), a neurose obsessiva contempla também certos traços típicos de personalidade que revelam a posição subjetiva ocupada por alguém que se encontra nessa estrutura.

Dentre esses diversos traços típicos, escolhi três para exemplificar o funcionamento característico de um sujeito obsessivo.


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Quem apanha da realidade se refugia na fantasia

“Ninguém gosta de mim”, “ninguém me respeita”, “todo homem só se aproxima de mim para se aproveitar”, “toda mulher é interesseira”. Essas são algumas das teorias que construímos e saímos propagando por aí quando estamos emocionalmente doentes.

Uma das características mais marcantes do adoecimento psicológico é o afastamento da realidade. Quanto mais grave é a enfermidade, mais distante o sujeito se coloca da fluxo real da existência.

Isso se deve ao fato de que geralmente o gatilho que desencadeia uma patologia psíquica é uma experiência de frustração ou de opressão vivida na realidade. Assim, para se proteger, o sujeito se afasta do mundo e mergulha na segurança e previsibilidade oferecidas por suas fantasias. Em outras palavras, para se defender de um mundo onde as coisas acontecem de modo imponderável e muitas vezes surpreendente, o sujeito se refugia em seu próprio universo psíquico.

No reino das fantasias, não há espaço para o aleatório, o imprevisível, o eventual. Tudo faz sentido. A fantasia encaixa todos os acontecimentos num enredo fixo e repetitivo. Ao se afastar da realidade, o sujeito passa a enxergá-la exclusivamente com os óculos de sua fantasia.

Por exemplo, após receber um “fora”, o sujeito pode encarar esse acontecimento como uma comprovação de que “ninguém gosta dele”. Da mesma forma, ao ser tratada com indiferença pela atendente do banco, a pessoa imersa em sua fantasia pode interpretar tal situação como a prova cabal de que “ninguém a respeita”.

Embora tais fantasias não sejam nada agradáveis, elas colocam ordem na experiência, dando ao sujeito a convicção de que nada do que acontece consigo é por acaso. Essa sensação de que “tudo faz sentido” proporciona à pessoa conforto e uma impressão ilusória de controle. Assim, para se proteger de uma realidade que não lhe foi favorável no passado, o indivíduo se deixa aprisionar no cárcere de suas fantasias.

Você acredita que está passando ou já tenha passado por isso? Conhece alguém que esteja nessa condição?


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“Os histéricos sofrem de reminiscências”

A frase que dá título a esta postagem foi enunciada por Freud como uma fórmula conclusiva a respeito da origem dos sintomas dos primeiros pacientes histéricos que ele e Breuer atendiam lá no fim do século XIX.

Freud constatou que os sintomas físicos apresentados pelos histéricos eram uma espécie de monumento erguido em homenagem a um trauma emocional vivido há meses ou mesmo há anos. Os sentimentos que outrora não haviam sido expressos encontravam na doença uma forma de serem repetidamente descarregados.

Pensar o adoecimento emocional como resquício de um passado mal digerido é uma das principais contribuições da Psicanálise para a Psicopatologia. Afinal, quando olhamos ingenuamente para alguém em sofrimento, tendemos a pensar que se trata de uma resposta do sujeito a coisas que estão acontecendo atualmente com ele. De fato, as circunstâncias presentes são fatores importantes e devem ser levados em conta, mas o que aprendemos com a Psicanálise é que, na maioria dos casos, o que acontece no presente funciona apenas como um GATILHO para a evocação de traumas do passado.

Uma pessoa pode, por exemplo, desenvolver um episódio depressivo após ter sido demitida do trabalho. Isso não significa, contudo, que foi a demissão o fator que efetivamente causou a depressão. É muito mais provável que o fato de ter sido mandado embora tenha ATUALIZADO para esse sujeito outras “demissões” sofridas por ele na adolescência ou na infância e das quais nunca conseguiu de fato esquecer, como o período em que ficou distante da mãe e fantasiou que ela o havia abandonado.

Um dos objetivos da Psicanálise é alterar o modo como o paciente se relaciona com seu passado. Afinal, quem procura a ajuda de um analista o faz justamente por não suportar mais sofrer as consequências de viver fugindo da própria história. No divã, o paciente é convidado a integrar o passado, único caminho possível para evitar que ele continue se presentificando.

A neurose é o negativo da perversão: entenda

“Assim, os sintomas se formam, em parte, à custa da sexualidade anormal; a neurose é, digamos, o negativo da perversão”. Esta é a frase completa na qual aparece a famosa fórmula freudiana que dá título a essa postagem.

O que Freud quis dizer com isso?

Basicamente que os sintomas neuróticos (obsessões, compulsões, rituais, disfunções físicas, fobias etc.) são meios que uma pessoa que sofre de neurose encontra para satisfazer de forma disfarçada impulsos sexuais perversos reprimidos.

E o que são esses impulsos sexuais perversos? Ora, todas as formas de prazer sexual que não sejam estritamente genitais, ou seja, tudo o que está para-além da penetração do pênis na vagina.

Lucas, mas isso não é uma visão muito redutora da sexualidade? E o prazer oral? E a homossexualidade?

Calma! Freud não utiliza o termo perverso em um sentido pejorativo, mas com um propósito meramente descritivo e, eu diria, até subversivo na medida em que demonstra que a sexualidade “normal” é, em certo sentido, perversa.

De fato, para o pai da Psicanálise, é praticamente impossível ter uma vida sexual sem elementos perversos, isto é, sem a presença de modalidades de prazer que não sejam genitais, como o toque, o olhar, o beijo etc. Portanto, todos nós somos um pouco “perversinhos”…

E o neurótico? Bom, ele também. O problema é que o neurótico se defende de alguns desses prazeres perversos que nele se manifestam desde a infância com muita intensidade. Assustado com a força desses impulsos em si e condenando-se moralmente por possuí-los, o neurótico se reprime e acaba adoecendo. Assim, expressa suas “perversões” de forma negativa: ao invés de sentir prazer, goza com elas por meio do sofrimento dos sintomas.