[Vídeo] Não espere que o mundo adivinhe seus desejos

Ao invés de se engajarem ativamente na busca pelo que querem, muitas pessoas ficam passivamente esperando que o mundo as presenteie. Não seja uma delas.


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Quando a gente alimenta o que nos faz sofrer

Ontem uma supervisionanda narrava para mim o caso de uma paciente que se queixa da atitude invasiva e dominadora que tanto o pai quanto o namorado exercem na relação com ela.

Nas sessões com minha supervisionanda, a moça costuma dizer que o parceiro só aceita as coisas “do jeito dele” e que o pai vive tentando controlar a vida dela.

Por outro lado, essa paciente, que tem por volta de 20 e poucos anos, ou seja, é uma jovem adulta, aceita passivamente as imposições de seu pai como se ainda fosse uma criança.

Não, o pai não é violento. Sem dúvida, trata-se de um sujeito controlador, mas, se a filha quisesse, poderia desafiá-lo e ir gradualmente se afastando de seu domínio.

Quanto ao namorado, ela está sempre solicitando a ajuda e a opinião dele na hora de tomar decisões e pede desculpas quando, porventura, deseja fazer coisas que o cara não aprova.

Não é preciso ser nenhum gênio para constatar que essa moça transfere para o parceiro o mesmo padrão relacional que desenvolveu na interação com o pai.

Contudo, não é para isso que eu quero chamar sua atenção.

O que eu espero que você perceba nesse caso é que essa paciente se queixa justamente daquilo que ela própria mantém.

Como eu disse para minha supervisionanda, ela se comporta como uma pessoa vegana que decide comemorar o aniversário numa churrascaria e reclama que lá só servem… carne!

Ela percebe, mas sua postura passiva, dependente e subserviente diante do namorado e do pai reforça a atitude invasiva e dominadora deles.

Ah, Lucas, entendi! Então, sua supervisionanda tem que falar para essa paciente se colocar de modo mais firme, assertivo e autônomo na relação com eles, né?

Óbvio que não! Você acha que essa moça nunca pensou em fazer isso?

Psicanálise não é coaching.

O que essa paciente precisa é COMPREENDER por que ela age dessa forma.

Ou seja, o que ela GANHA agindo assim, de que perigos imaginários ela se DEFENDE, que FANTASIAS estão sendo realizadas por meio dessa postura de submissão etc.

Mas o primeiro passo é ela perceber que seu padrão de funcionamento alimenta aquilo que a faz sofrer. Como dizia minha mãe, “enquanto tiver cavalo, São Jorge não anda a pé”.

Você já se deu conta desse processo na sua própria vida?


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Aperte o botão certo do elevador

Ontem à tarde fui ao consultório atender um paciente e, enquanto aguardava o elevador, tive um insight que quero compartilhar com vocês.

O insight foi motivado pela seguinte situação: à minha frente, no corredor do prédio onde ficam os elevadores, havia uma moça também esperando. Contudo, ela havia apertado o botão com a seta para baixo, que significa, em “linguagem de elevador”, que a pessoa pretende ir a algum andar inferior, o que não era o desejo dela. Tal como eu, a jovem queria subir.

Ao perceber que ela havia se confundido, imediatamente fui até o painel e apertei o botão com a seta para cima. Do contrário, ficaríamos ali aguardando muito mais tempo que o necessário.

Foi nesse momento que me veio à mente a ideia de que muitas vezes agimos igualzinho a essa moça, mas em relação à vida de forma geral.

É fácil compreender por que ela apertou o botão com a seta para baixo. Provavelmente se trata de alguém que não utiliza elevadores com frequência e que deve ter pensado: “Bem, se eu quero que o elevador, que está lá nos andares de cima, desça para vir ao meu encontro, preciso apertar o botão que sinaliza esse movimento de descida.”.

Faz sentido. O que a moça não sabia é que aqueles botões servem para sinalizar ao elevador o que VOCÊ DESEJA e não o que você quer que ELE FAÇA.

Frequentemente me deparo na clínica, na docência e em minhas relações pessoais com pessoas que vivem infelizes e permanentemente frustradas porque ficam, exatamente como essa jovem, à espera de que o mundo perceba o que elas querem e atenda aos seus desejos.

Quantas separações não poderiam ser evitadas se cada um dos cônjuges dissesse clara e abertamente para o outro o que deseja e como deseja ao invés de ficarem simplesmente esperando que o parceiro “adivinhe”?

Quantos profissionais competentes não estariam prosperando se parassem de reclamar que “não são valorizados pelo mercado” e passassem a gerar de forma autônoma, com os meios à sua disposição, valor para suas comunidades?

Muitas vezes ficamos nutrindo a esperança de que o acaso nos presenteie com oportunidades ao invés de buscarmos ativamente tornar o nosso desejo uma realidade.


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