[Vídeo] Como Freud revolucionou a visão sobre a sexualidade humana

Neste vídeo: entenda como Freud transformou completamente a visão tradicional sobre a sexualidade humana ao demonstrar que somos, por natureza, sexualmente perversos e que, portanto, a sexualidade dita normal é construída e não natural.


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Em matéria de sexualidade, somos eternas crianças.

No terceiro volume de sua “Introdução à Metapsicologia Freudiana”, o escritor e psicanalista carioca Luiz Alfredo Garcia-Roza sustenta uma tese que pode ser surpreendente até para quem já navega há um bom tempo pelos mares da Psicanálise.

Trata-se da ideia de que a SEXUALIDADE INFANTIL não foi exatamente uma DESCOBERTA feita por Freud, mas um CONCEITO inventado pelo médico vienense.

Um dos argumentos apresentados pelo Garcia-Roza é o de que a constatação empírica de comportamentos sexuais em crianças já havia sido feita muito tempo antes de Freud.

Como Foucault mostra, por exemplo, em sua “História da Sexualidade”, a organização arquitetônica dos dormitórios nos colégios internos do século XVIII já supõe um esforço para coibir a expressão da sexualidade infantil.

Ademais, o próprio Freud nos “Três Ensaios…” cita uma série de autores que, antes dele, já haviam abordado os fenômenos sexuais na infância, ainda que de um ponto de vista patologizante.

De acordo com Garcia-Roza, a originalidade de Freud está em pensar a sexualidade infantil não como um mero conjunto de fenômenos sexuais vivenciados pelas crianças, mas como um modo particular de expressão da sexualidade, ou melhor, O MODO ESPECIFICAMENTE HUMANO DE VIVÊNCIA DA SEXUALIDADE.

Sim, do ponto de vista psicanalítico, a sexualidade humana continua sendo eternamente infantil, mesmo quando ocorre na vida adulta.

Em outras palavras, ao longo da vida a gente amadurece fisicamente, cognitivamente, mas sexualmente continuamos “imaturos”…

— Uai, Lucas, como assim?

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma aula especial sobre o conceito de SEXUALIDADE INFANTIL em que explicarei essa ideia detalhadamente.

Te vejo lá!


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A sexualidade humana é perversa por natureza

Antes de Freud, entendia-se que as perversões sexuais eram formas desviantes, anormais, degeneradas de vivência da sexualidade.

Em outras palavras, na cabeça do povo vigorava mais ou menos o seguinte raciocínio:

Se uma pessoa, por exemplo, sente prazer sexual e é capaz de chegar ao orgasmo simplesmente sendo amarrada, chicoteada e humilhada, isso significa que tal indivíduo se desviou, se verteu completamente (per-vertere) para o caminho sexual errado.

Na base desse pensamento está o pressuposto de que existe uma forma correta e NATURAL de viver a sexualidade: a forma genital-heterossexual-monogâmica.

Supostamente, todo o mundo nasceria voltado para esse “bom caminho” e apenas alguns malucos anormais, os perversos, se desviariam dele.

Freud vai produzir uma reviravolta nessa maneira tradicional de entender a sexualidade humana.

Observando que seus pacientes neuróticos viviam cheios de fantasias perversas na cabeça, apesar de viverem na prática uma sexualidade genital-heterossexual-monogâmica, Freud chega à conclusão revolucionária de que, na verdade, A PERVERSÃO É QUE É PRIMÁRIA E NÃO A “NORMALIDADE”.

Ou seja, Freud nos fez ver que a sexualidade genital-heterossexual-monogâmica é CONSTRUÍDA e não NATURAL.

Construída por meio de uma LAPIDAÇÃO, de uma espécie de MODELAGEM que se dá sobre uma condição perversa original.

Afinal de contas, a sexualidade infantil não é genital-heterossexual-monogâmica.

As crianças podem experimentar prazer sexual com as mais diversas ações, os mais diferentes objetos e em várias partes do corpo.

Isso significa que quando uma pessoa sente prazer sexual e é capaz de chegar ao orgasmo simplesmente sendo amarrada, chicoteada e humilhada, ela não está se desviando de uma suposta norma natural, mas simplesmente expressando uma potencialidade que já estava presente na infância.

Nesse sentido, o desenvolvimento (legítimo, diga-se de passagem) de uma sexualidade genital-heterossexual-monogâmica é resultado de um processo que consiste num “descarte” das diversas outras formas de prazer de que somos capazes de usufruir.

— Mas o que acontece com tudo isso que é “descartado”, Lucas?

Outro dia a gente fala a respeito…


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[Vídeo] Por que a Psicanálise dá tanta importância para a infância?

Neste vídeo você vai finalmente entender por que, na Psicanálise, olhamos com atenção especial para aquilo que se passou com o sujeito nos primeiros anos de vida.


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[Vídeo] Por que a Psicanálise dá tanta importância à sexualidade?

Neste vídeo: entenda os motivos pelos quais a sexualidade exerce um impacto mais significativo sobre o adoecimento emocional do que outras dimensões da existência.


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Freud é Freud, Lacan é Lacan

Quando estamos estudando o pensamento de um autor, é muito importante separarmos o que ele efetivamente disse das RELEITURAS propostas por seus comentadores.

Em que pese o fato de ter formulado uma nova e robusta matriz teórica em Psicanálise, Jacques Lacan pode ser considerado um grande comentador da obra freudiana, talvez o maior de todos.

Ao exercer esse papel, Lacan muitas vezes expôs discordâncias em relação a certos pontos da teoria de Freud.

Muitos analistas, no entanto, seduzidos pela brilhante retórica lacaniana, acabam recalcando tais discordâncias e passam a achar que o que Lacan está propondo corresponde exatamente ao que Freud disse.

Isso acontece, por exemplo, na questão do desenvolvimento psicossexual.

Lá no Seminário XI, o analista francês faz questão de dizer: Freud acredita na maturação da pulsão sexual; eu, não.

Sabe esse negócio de fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital?

Então… Tem gente que acha que essa caracterização do desenvolvimento psicossexual em fases é irrelevante na obra de Freud porque Lacan não está de acordo com ela.

Quem pensa assim acredita que Lacan conseguiu extrair uma suposta “verdade verdadeira” que estaria implícita no texto freudiano.

Trata-se, a meu ver, de um baita engano!

Lacan não está para Freud como Paulo de Tarso está para Cristo.

Apesar dos evidentes pontos de confluência, trata-se de concepções teóricas distintas.

Sobre essa questão das fases do desenvolvimento psicossexual, não resta a menor dúvida de que Freud a considerava como um elemento importantíssimo em sua teoria.

Tanto é assim que num de seus últimos textos, o “Esboço de Psicanálise”, ele dedica um capítulo inteiro para falar do desenvolvimento da função sexual, entendendo-o como um processo de maturação biológica com começo, meio e fim.

Freud pensava assim. Lacan, não.

Você não é obrigado a concordar com Freud e pode preferir a leitura lacaniana, mas é preciso ter a honestidade intelectual de admitir que um fala uma coisa e o outro fala outra.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma pequena aula especial sobre essas diferenças entre as visões de Freud e de Lacan sobre o desenvolvimento da sexualidade.


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O exagero subjetivista de Freud

Num trabalho de 1906 chamado “Meus pontos de vista sobre o papel da sexualidade na etiologia das neuroses”, Freud descreve a evolução de suas teorias acerca da sexualidade percebida como fator causal nas neuroses.

Podemos identificar 3 grandes momentos dessa teorização:

1 – Freud acredita que as neuroses são causadas por abusos sexuais sofridos pelo sujeito na infância e praticados por adultos ou crianças mais velhas.

2 – Freud acredita que tais abusos não necessariamente aconteceram e que são manifestações sexuais espontâneas na infância que levam à neurose.

3 – Freud percebe que essa sexualidade infantil espontânea está presente em todas as crianças e que é a reação do sujeito a ela que está na origem da neurose.

A respeito desse terceiro e definitivo momento de sua teorização sobre as causas da neurose, Freud diz o seguinte:

“Não importavam, portanto, as excitações sexuais que um indivíduo tivesse experimentado em sua infância, mas antes, acima de tudo, sua reação a essas vivências — se respondera ou não a essas impressões com o ‘recalcamento’.”

Essa citação mostra que, para Freud, a pergunta que devemos fazer frente à neurose NÃO É “o que aconteceu na infância para que essa pessoa se tornasse assim?”.

A pergunta correta seria: “Como essa pessoa LIDOU na infância com seus próprios impulsos e com o que lhe aconteceu para que se tornasse assim?”.

Em outras palavras, Freud sai de uma primeira teoria que colocava no AMBIENTE  todo o peso da produção da neurose e vai para o polo oposto…

Sim, ao dizer que, na causação da neurose, o mais importante é a forma como o sujeito reagiu às impressões infantis, Freud relativiza o impacto do ambiente e “absolutiza” o papel do sujeito nessa história.

É como se ele estivesse inadvertidamente dando razão àquela frase de pára-choque de caminhão atribuída a Sartre:

“Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.”

Felizmente, autores como Ferenczi e Winnicott iriam “corrigir” esse exagero subjetivista freudiano e resgatar, na teoria psicanalítica, o peso do AMBIENTE  na produção do adoecimento emocional.


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[Vídeo] A sexualidade humana é traumática por natureza

Neste vídeo: entenda por que o modo como a sexualidade se manifesta na espécie humana é necessariamente traumático.


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A gente goza com corpos, mas também com palavras. E até com o sofrimento.

Seres humanos são movidos por impulsos.

Essa é a conclusão de Sigmund Freud.

E o que é um impulso (em alemão, língua nativa de Freud: Trieb)?

Todo o mundo sabe por experiência própria: é um estado mental de desejo produzido por uma excitação que nasce no corpo.

O impulso nos motiva a fazer alguma coisa para apaziguar essa excitação — temporariamente, afinal, uma característica fundamental dos impulsos é que eles sempre retornam.

fome, por exemplo, é um impulso. Trata-se de um estado psicológico induzido pela excitação desconfortável que o corpo produz quando ficamos algum tempo sem alimentação.

Temos também o impulso sexual, com o qual costumamos ter problemas, visto que a busca pela satisfação dele sofre uma forte regulação social, diferentemente do que acontece com a fome.

Nenhuma sociedade, por exemplo, estimula seus membros a ficarem anos e anos sem se alimentar, mas há diversos grupos que orientam seus adeptos a não fazerem sexo até estarem casados.

Quem está fora desses grupos não se encontra necessariamente numa situação melhor. Não existe sexualidade livre. A própria existência da sociedade exige a contenção do impulso sexual.

Imagine uma civilização na qual incesto e estupro fossem permitidos. Quanto tempo ela duraria?

Conter o impulso sexual não significa deixar de satisfazê-lo. Foi isso o que Freud descobriu — e que muita gente até hoje insiste em negar…Freud provou que o impulso sexual é tão forte que inconscientemente nós conseguimos satisfazê-lo APESAR de todas as regulações sociais.

Um monge, por exemplo, pode satisfazer seu impulso sexual de forma sublimada por meio da devoção e dos rituais presentes na mesma religião que o impede de transar.

Uma jovem pode dar vazão a seu desejo incestuoso pelo pai casando-se com um homem bem mais velho.

O CEO de uma grande empresa pode encontrar alívio para seu tesão sádico torturando a si mesmo com autocobranças e preocupações.

Enfim… O impulso sexual é plástico, flexível, resiliente, implacável…E aí, o que você pensa sobre essa descoberta de Freud?


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O que é libido em Psicanálise?

Você já ouviu médicos ou leigos dizerem que antidepressivos e outros medicamentos podem reduzir a libido?

Então… Essas pessoas NÃO estão se referindo ao conceito psicanalítico de libido. Em Psicanálise, libido não é o mesmo que tesão.

Nesse sentido, do ponto de vista psicanalítico, não existem pessoas com libido alta ou libido baixa. Ela varia, de fato, mas em termos de direção, ou seja, ela pode estar mais orientada para X do que para Y, por exemplo, mas SEMPRE estará voltada para algum lugar…

Deixa eu explicar isso direitinho.

Libido é um termo em latim que pode ser traduzido por “desejo”. Ele foi introduzido na literatura científica lá no fim do século XIX pelos primeiros sexólogos para designar justamente o que a gente chama popularmente de tesão. Por isso, a medicina ainda hoje utiliza essa expressão no sentido de desejo sexual.

Freud, por sua vez, vai pegar esse conceito e dar a ele uma conotação muito mais ampla, assim como fez com a noção de sexualidade que, antes de ele, se referia apenas a práticas relacionadas aos órgãos genitais.

Na obra freudiana, a libido será vista como uma ENERGIA que sustenta a ação da pulsão de vida em nós. Considerando que a pulsão de vida refere-se à tendência inata que temos de buscar manter e expandir a vida, podemos pensar na libido como o combustível que permite a expressão dessa tendência.

Todavia, diferentemente da gasolina ou do álcool, a libido é um combustível que nunca acaba e tampouco diminui. Nosso “tanque” está sempre cheio de libido.

Uai, Lucas, mas e essas pessoas que dizem que estão sem desejo sexual? Elas não estão com falta de libido?

Não. Essa libido que supostamente estaria faltando provavelmente está sendo investida em outra coisa. O tesão é apenas uma das formas de manifestação da pulsão de vida. O autocuidado, o desejo de trabalhar, a devoção religiosa, o ímpeto criativo do artista, enfim, todas essas manifestações que denotam em nós a existência de um amor pela vida também são sustentadas pela energia libidinal.

Quem está na Confraria receberá ainda hoje uma aula especial em que explico a evolução do conceito de libido na obra de Freud e dou mais detalhes a respeito dele.


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Por que o complexo de Édipo continua “válido” ainda hoje? (parte 01)

Por outro lado, o problema que a Psicanálise enfrenta para sustentar o conceito de complexo de Édipo atualmente não tem a ver com uma suposta “heteronormatividade” que estaria implícita nele. A maior dificuldade com a qual precisamos lidar diz respeito ao fato de que a descrição que Freud faz do Édipo só tem como referente um formato muito específico de família: aquele no qual a criança nasce e é criada no seio de um casal composto pelos seus dois genitores. O pai da Psicanálise não nos forneceu uma caracterização universal do complexo de Édipo, que pudesse ser aplicada para outros formatos de família, alguns dos quais são tão frequentes no mundo contemporâneo.

Como pensar o Édipo, por exemplo, numa família em que o pai morreu, sumiu ou nunca se fez presente e os filhos são criados apenas por sua mãe? Crianças que já nos primeiros dias de vida foram levadas para instituições de acolhimento e lá viveram durante 10, 15 ou 18 anos não passam pelo complexo de Édipo? E o que dizer daqueles meninos e meninas que são filhos de parcerias homossexuais? O Édipo valeria também para essas crianças? Se sim, como seria possível, já que Freud fala apenas de pai e mãe e nunca de dois pais ou duas mães?

O teórico que nos ajudou a “universalizar” o complexo de Édipo permitindo que ele pudesse ser aplicado às mais diversas configurações familiares foi o psicanalista francês Jacques Lacan. Para ele, o complexo de Édipo, tal como descrito na obra freudiana, seria, na verdade, um mito criado por Freud.

Leia o texto completo clicando aqui.


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Por que a Psicanálise dá tanta importância à sexualidade?

Ao assinalar que a sexualidade humana não é biologicamente determinada, estou fazendo referência ao fato igualmente óbvio de que o modo como expressamos nossos impulsos sexuais está diretamente vinculado às experiências pelas quais passamos – experiências que, por sua vez, ocorrem no interior de contextos socioculturais específicos. Para ser mais claro: o modo como um cavalo, por exemplo, vivencia sua sexualidade não depende (ou depende muito pouco) das suas experiências de vida nem das coisas que ouviu de seus pais quando era filhote – até por que cavalos não falam, né? A forma como o cavalo expressa seus impulsos sexuais depende fundamentalmente da programação biológica própria da espécie Equus ferus caballus.

Com o Homo sapiens é diferente. Toda a discussão que temos assistido nos últimos anos a respeito da famigerada “educação sexual” evidencia justamente o fato de que, nos seres humanos, a sexualidade é naturalmente “desregulada”. Ao contrário do que acontece com o cavalo, não temos um roteiro biológico rígido que nos indique exatamente como devemos ser e o que devemos fazer no terreno sexual. É como se a nossa sexualidade fosse uma massa passível de adquirir diversas formas diferentes a depender dos recipientes nos quais ela é colocada. Tais recipientes são justamente as experiências socioculturalmente enquadradas pelas quais passamos desde o ventre materno.

Leia o texto completo clicando aqui.


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A sexualidade é traumática por natureza

Hoje eu gostaria de conversar com você sobre o caráter traumático que é inerente à nossa relação com a sexualidade.
Deixa eu te explicar isso direitinho.

À medida que ia atendendo seus pacientes neuróticos lá no final do século XIX e início do século XX, o dr. Sigmund Freud foi se dando conta de que a sexualidade se manifesta em dois tempos na nossa vida.

A primeira onda de sexualidade (para usar uma expressão que está na moda) aparece logo após o nascimento e permanece vigente até aproximadamente os cinco ou seis anos de idade.

A segunda onda é aquela mais conhecida e que, até Freud, era tomada pelo senso comum e pela ciência como sendo a única. Trata-se da expressão incontestável dos impulsos sexuais na puberdade.

Essa segunda onda permanece até o fim da vida, embora, à medida que os anos vão passando, ela vá se manifestando de modo cada vez menos intenso.

Bem, o fato de, na espécie humana, os impulsos sexuais darem o ar da graça logo nos primeiros anos de vida é o que confere à sexualidade um caráter traumático.

Com efeito, trauma é uma experiência (ou um conjunto de experiências) que ultrapassa a capacidade compreensiva da nossa mente, provocando nela um estado semelhante ao “travamento” que acontece nos computadores e celulares.

Ora, no início da vida, nós ainda não possuímos recursos simbólicos suficientes e um eu consistente o bastante para vivenciarmos o “pipocar” dos impulsos em nós de modo tranquilo. Para os nerds de Psicanálise: é por isso que Winnicott dizia que “não há id antes do ego”.

Dotada de uma estrutura egoica ainda muito precária, a criança pequena inicialmente sente medo de seus impulsos, vivenciando-os como forças externas incontroláveis que o atacam.

Portanto, a criança muitas vezes não dá conta de se apropriar e compreender seus impulsos sexuais porque sente a força deles como uma ameaça.

Por isso, nossos principais recalques, aqueles que vão direcionar nossas vidas, ocorrem justamente nesses primeiros anos de vida. Sentindo-se assaltada pelos impulsos, a criança se defende deles, dissociando-os de sua experiência consciente.

Você já havia se dado conta desse aspecto traumático da nossa relação com a sexualidade?


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Freud nunca disse que você deveria realizar os seus desejos reprimidos

Agora há pouco eu estava lendo o livro “Evasivas admiráveis: como a Psicologia subverte a moralidade”, de Theodore Dalrymple (pseudônimo do psiquiatra inglês Anthony Daniels).

Apesar de gostar do autor, não posso deixar de registrar aqui um comentário acerca de uma das inúmeras bobagens que ele diz no capítulo 01 dessa obra a respeito das ideias de Freud.

Em determinado momento do seu festival de críticas infundadas, Dalrymple leva o leitor ingênuo a acreditar que, para Freud, “a frustração do desejo é a raiz da patologia”.

Nada mais falso! Essa alegação, aliás, é feita não só pelo autor, mas também por muitas outras pessoas, geralmente religiosas. Ela se baseia num conhecimento superficial do pensamento freudiano.

Freud nunca defendeu a tese de que os indivíduos se tornam neuróticos quando não conseguem realizar seus desejos. Isso é mentira!

Para o fundador da Psicanálise, a neurose resulta de um excesso de REPRESSÃO. E o que é a repressão? Ao contrário do que muita gente carola pensa, reprimir um desejo não significa não realizá-lo na prática. A repressão é um MECANISMO PSÍQUICO, ou seja, algo que se passa exclusivamente “na cabeça” do sujeito. Reprimir um desejo significa basicamente negar para si mesmo a existência dele, impedindo-o de se tornar consciente.

É esse processo mental que pode dar origem a uma neurose. E por que pode dar origem a uma neurose? Ora, porque esse desejo que eu reprimo não desaparece. Ele continua presente em mim de modo inconsciente e fica o tempo todo tentando se fazer reconhecer. Se eu mantiver a repressão, ele acabará tendo que se manifestar por meio de sintomas neuróticos.

Qual a solução proposta por Freud? O RECONHECIMENTO do desejo, ora bolas! Não necessariamente a realização dele! O sujeito não precisa colocar em prática o seu desejo reprimido para se curar! Não seja idiota, dr. Dalrymple!

Se a Psicanálise funciona, é justamente porque ela é uma tecnologia que possibilita ao sujeito o acesso e o RECONHECIMENTO dos desejos reprimidos. Se o paciente, após esse reconhecimento, vai realizar ou não o desejo, essa é uma questão ética que depende da decisão pessoal dele.


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O que é esse tal de gozo em Psicanálise?

Quando a gente pensa na palavra “gozo”, imediatamente somos remetidos à esfera sexual. Afinal, essa palavra é mais frequentemente utilizada no discurso comum como sinônimo de orgasmo.

Numa acepção um pouco mais jurídica, por assim dizer, gozo designa também o uso ou o desfrute de algo, como quando se diz que um trabalhador está “em pleno gozo de suas férias”.

O conceito de gozo em Psicanálise tem relação com esses dois sentidos da palavra, embora não possa ser reduzido a nenhum deles.

Esse termo foi escolhido por Lacan para nomear uma experiência que Freud descreveu, mas não batizou. Refiro-me à experiência da SATISFAÇÃO SEXUAL INCONSCIENTE.

Quem aqui conhece um pouquinho de Psicanálise, sabe que Freud descobriu que muitos dos nossos problemas emocionais são, na verdade, a expressão disfarçada de impulsos sexuais reprimidos. Dito de forma mais simples, a gente se satisfaz sexualmente por meio da doença.

Talvez você esteja se perguntando: “Uai, Lucas, mas como assim? Quando estamos emocionalmente doentes, o que sentimos é dor e sofrimento e não prazer. Como, então, Freud pode dizer que estamos satisfazendo impulsos sexuais por meio da doença?”.

É aí que entra o conceito de gozo. Deixa eu te explicar: como a gente reprime certos impulsos sexuais, não podemos experimentá-los conscientemente. Justamente por isso é que só conseguimos descarregá-los disfarçadamente por meio dos sintomas. Logo, a satisfação desses impulsos é feita de forma inconsciente. Conscientemente sinto dor e sofrimento, mas inconscientemente estou… gozando!

O conceito de gozo serve, portanto, para designar tanto essa experiência de “orgasmo” que a gente experimenta sem saber por meio do sofrimento quanto o próprio uso/desfrute dos problemas emocionais para a obtenção de satisfação sexual. É por isso que os psicanalistas costumam dizer coisas como “Essa pessoa está gozando com esse relacionamento doentio”.

De fato, essa é uma das descobertas mais revolucionárias da Psicanálise: a de que podemos gozar com gemidos tanto de prazer quanto de dor.