Só consegue ficar bem sozinho quem teve a sorte de estar muito bem acompanhado no início da vida.

Algumas pessoas não possuem a CAPACIDADE de ficarem sós.

Elas até podem ficar eventualmente sozinhas em função de circunstâncias contrárias à sua vontade, mas a experiência de não terem ninguém por perto lhes causa grande aflição.

Tem gente, por exemplo, que mora sozinha, mas precisa estar sempre com a TV ligada para escutar vozes de outras pessoas e ter a sensação de estar acompanhada.

Com efeito, são indivíduos que não suportam a vivência silenciosa de estarem na companhia apenas de si mesmos.

Esse é o seu caso?

Há também pessoas que são incapazes de ficarem sozinhas NA PRESENÇA do outro.

— Uai, Lucas, como assim? Tem como estar só acompanhado de outra pessoa?

Claro que tem!

Sabe aquele momento de êxtase e relaxamento que a gente vivencia logo depois de fazer amor?

Tem gente que não consegue simplesmente curtir essa experiência e começa imediatamente a entabular uma conversa com o parceiro.

Essa pressa para restabelecer a interação verbal com o outro pode ser reveladora de uma incapacidade do sujeito de FICAR A SÓS com a própria vivência pessoal de prazer…

Outra situação em que podemos ter a experiência de estarmos sós na presença de alguém é a terapia.

Pessoas que tiveram a sorte de conquistar a capacidade de ficarem sozinhas conseguem fazer terapia com mais facilidade, pois dão conta de colocar o analista “entre parênteses” e se dedicarem individualmente ao processo de autodescoberta.

Por outro lado, indivíduos que não lidam bem com a experiência de estarem sós acabam demandando o tempo todo a interação com o terapeuta, o que inviabiliza a necessária livre associação de ideias.

Para essas pessoas, o silêncio do analista é extremamente angustiante justamente porque as faz terem a impressão de que estão sozinhas.

Num artigo de 1958 chamado “A capacidade de ficar só”, o psicanalista inglês Donald Winnicott propõe uma teoria que explica essa dificuldade que algumas pessoas têm de ficarem sozinhas.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá, ainda hoje, uma AULA ESPECIAL em que comento esse texto.

Te vejo lá!


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Você sofre da Síndrome do Penetra Existencial?

Muitos de vocês me pediram para falar um pouco mais sobre pessoas que parecem se sentir o tempo todo como se fossem penetras numa festa.

Em consideração a esse anseio, deixarei o tema que abordaria hoje para semana que vem e comentarei em mais detalhes como se constitui o que eu chamaria de “Síndrome do Penetra Existencial”.

Quero começar com uma citação do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi, que se encontra no artigo “A criança mal acolhida e sua pulsão de morte”.

Comentando os casos de dois pacientes nos quais detectara tendências inconscientes de autoextermínio, Ferenczi diz o seguinte:

“Quando vieram ao mundo, os dois pacientes foram hóspedes não bem-vindos na família. […] Todos os indícios confirmam que essas crianças registraram bem os sinais conscientes e inconscientes de aversão ou de impaciência da mãe, e que sua vontade de viver viu-se desde então quebrada” (p. 57 do vol. 4 das Obras Completas).

Como é possível deduzir dessa passagem, toda criança nasce com o desejo de viver assim como Laura anseia participar da festa de aniversário de sua amiga, Bárbara.

No entanto, se Laura não for convidada, seu anseio se transformará em decepção, amargura e até culpa (“O que será que eu fiz para que Bárbara não me quisesse na festa?”).

Laura pode acabar arrumando um jeito de entrar na festa como penetra, mas, evidentemente, não se sentirá à vontade no lugar, pois SABE que não é bem-vinda.

Da mesma forma, uma criança que, por inúmeras razões, não é bem recebida no ambiente em que nasce, tenderá a não se sentir à vontade — só que NA VIDA.

Se, nos primeiros anos de vida, eu percebo que os anfitriões da “festa” na qual me colocaram (papai e mamãe) não têm muito tempo para mim, me tratam de forma indiferente ou com impaciência e hostilidade, qual será a conclusão que se produzirá em minha cabecinha infantil?

Óbvio: a de que eu NÃO DEVERIA ESTAR AQUI, ou seja, a de que, nessa festa, eu sou um PENETRA.

Quer saber mais sobre os sintomas da “Síndrome do Penetra Existencial” e os princípios que orientam o tratamento dessa condição?

Então venha conferir a AULA ESPECIAL que será disponibilizada ainda hoje para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.


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[Vídeo] A dor de quem vive mascarado

Na infância, a vida pode exigir que algumas pessoas criem um personagem para si mesmas a fim de conseguirem sobreviver a fatores como violência, abuso e negligência.

O problema é que, com o passar do tempo, o indivíduo pode acabar acreditando que seu ser se resume à máscara que criou.


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3 funções que o terapeuta exerce na Psicanálise

A diversidade das situações clínicas e a complexidade dos quadros de adoecimento com os quais se depara exigem que o psicanalista alterne diferentes posições ao longo do tratamento.

As funções apresentadas nos cards não esgotam a totalidade dos papéis que o terapeuta pode desempenhar na clínica psicanalítica.

Todavia, entendo que essas três posições apresentadas são essenciais para que os objetivos do tratamento possam ser alcançados.

Eventualmente, duas ou mais funções podem ser exercidas simultaneamente, mas normalmente uma delas prevalece, até porque cada uma está articulada a visões específicas do próprio paciente.

Quando está desempenhando o papel de investigador, por exemplo, o analista encara o paciente como um “suspeito”, alguém que esconde uma verdade e involuntariamente se esforça para mantê-la oculta.

Por outro lado, quando o terapeuta adota a posição de testemunha, o paciente passa a ser visto como uma pessoa que apresenta um sofrimento até então silenciado e que precisa ser ouvido e validado.

Sacou? Funções diferentes pedem visões diferentes do mesmo paciente.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que explico detalhadamente cada uma dessas 3 funções.

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[Vídeo] Os perigos de reprimir a agressividade

O psicanalista inglês Donald Winnicott nos ensina que, na origem, a agressividade nada mais é do que uma das expressões do nosso impulso natural de viver e buscar manter-se vivo. No entanto, muitas pessoas encaram negativamente esse movimento emocional espontâneo e acabam reprimindo sua agressividade como se ela fosse necessariamente violenta. Neste vídeo, explico os graves prejuízos que tal atitude ocasiona para a saúde mental e as relações interpessoais.


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Quais são os remédios que você inventou para tentar curar suas feridas de infância?

Ontem, atendendo uma paciente, eu utilizei uma analogia que gostaria de compartilhar com vocês, pois acredito que poderá servir para muitos como estímulo para alguns insights.

Eu dizia para essa paciente que nós geralmente criamos “remédios psíquicos” para “tratar” certos problemas emocionais que nos acometeram na infância.

Esses “remédios” são traços de personalidade e padrões de comportamento, ou seja, são formas de ser e de agir que se manifestam em nós de forma quase automática.

Há pessoas, por exemplo, que, sem perceberem, estão sempre se sentindo atacadas e, por isso, se mostram o tempo todo desconfiadas e “na defensiva”.

Quando a gente analisa a história de vida de indivíduos assim frequentemente encontramos em sua infância a passagem por experiências de negligência, injustiça e falta de amor.

Nesse sentido, é possível compreender as atitudes de desconfiança e reatividade como “remédios” que tais pessoas inconscientemente foram criando para se protegerem de um ambiente hostil e pouco acolhedor.

E esses remédios de fato funcionam!

Sem eles, a pessoa seria absorvida pela angústia desesperadora que invade a alma de uma criança que não recebeu por parte do ambiente AQUILO QUE LHE ERA DEVIDO.

Sim, meus amigos: existe a falta estrutural, inevitável, a impossibilidade de satisfação plena, mas existem faltas que não deveriam existir, pois não são da ordem do desejo, mas da NECESSIDADE.

Então, quando o sujeito não tem suas necessidades básicas atendidas na infância, ele vai precisar inventar esses remédios para não cair no abismo da angústia desesperadora.

O problema, como eu dizia para minha paciente, é que todo remédio tem efeitos colaterais…

E é por isso que a gente faz Psicanálise:

Para encontrar remédios melhores.

Para tratar as feridas anímicas e não precisar mais de nenhum deles.

Ou, no mínimo, para acertar a dose…


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O dia em que um paciente arrombou o carro do seu terapeuta

Certa vez, o psicanalista inglês Donald Winnicott passou por uma situação insólita.

Ele estava atendendo um menino bastante problemático, na faixa dos 10 a 11 anos.

O garoto costumava roubar, tinha surtos agressivos e chegou a subir no telhado da clínica onde Winnicott atendia para jogar água no recinto, alagando todo o espaço.

Para completar, certa vez o rapazinho arrombou o carro do analista para dar um rolê com o automóvel.

— Ah, Lucas, aí é demais! Depois desse episódio Winnicott parou de atender esse capetinha, né?

Nada disso. Apesar de todos esses ataques, o terapeuta permanecia firme, atendendo-o diariamente.

O tratamento só foi suspenso porque, depois de algum tempo sem praticar assaltos, o menino voltou a roubar e se tornar agressivo fora da terapia, o que levou a Justiça a interná-lo numa instituição que hoje chamaríamos de “socioeducativa”.

No artigo em que narra esse caso (“Psicoterapia dos distúrbios de caráter”), Winnicott diz que, se “tivesse sido muito mais forte” do que o garoto, talvez o guri tivesse conseguido se segurar e não teria sido apreendido.

— Uai, Lucas, como assim “mais forte”? Por acaso é papel do analista conter pacientes baderneiros? E outra: Winnicott fez certo em continuar atendendo um paciente que chegou a arrombar o carro dele?

Responderei essas e várias outras perguntas na aula especial que estará disponível ainda hoje (sexta) para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.

Falarei nessa aula sobre como o analista deve se comportar, do ponto de vista winnicottiano, em casos como o desse menino (que revelam uma “tendência antissocial”) e em outras situações clínicas nas quais o paciente regride ao padrão de funcionamento de um bebê de colo.

Ah, para finalizar, sabe o que aconteceu com o garoto na vida adulta?

Ele se casou, teve três filhos e se tornou… MOTORISTA DE CAMINHÃO. 😉

Te vejo lá na Confraria!


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[Vídeo] Cuidado com as crianças “que não dão trabalho”

Neste vídeo eu explico, à luz das contribuições do psicanalista Donald Winnicott, por que as crianças super boazinhas e obedientes podem estar gravemente doentes do ponto de vista emocional.


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[Vídeo] Falso self: quando a gente vive por viver

Neste vídeo: entenda como o conceito de falso self proposto pelo psicanalista Donald Winnicott nos ajuda a entender o que acontece com pessoas que se queixam de que suas vidas não fazem sentido e que estão vivendo por viver.


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Miniadultos: crianças que tiveram que lidar precocemente com problemas de gente grande

No texto “Desenvolvimento Emocional Primitivo”, que acabamos de estudar lá na Confraria, o psicanalista inglês Donald Winnicott diz o seguinte:

“É especialmente no início que as mães são vitalmente importantes, e de fato é tarefa da mãe proteger o seu bebê de complicações que ele ainda não pode entender, dando-lhe continuamente aquele pedacinho simplificado do mundo que ele, através dela, passa a conhecer”.

Neste parágrafo, Winnicott está se referindo especificamente ao bebê, mas o princípio que está presente em sua formulação vale para a criança de qualquer idade.

O que o autor está dizendo é que os pais precisam ir introduzindo seus filhos na realidade AOS POUCOS, respeitando o grau de amadurecimento deles.

Como consta explicitamente no texto, os pequenos precisam ser protegidos de situações que ainda não dão conta de entender.

É por isso que os pais devem evitar a todo custo, por exemplo, ter discussões de relacionamento na frente de seus filhos ou, pior ainda, ficar comentando com as crianças sobre os problemas conjugais que vivenciam.

Os pequenos ainda não estão preparados para lidar com PROBLEMAS DE ADULTOS.

É preciso blindá-los.

Afinal, eles terão muuuuuito tempo no futuro para enfrentarem os desafios da vida adulta.

Quando a criança é forçado pelo ambiente a lidar com problemas de gente grande, ela é obrigada a criar uma falsa personalidade artificialmente amadurecida.

Com efeito, para dar conta de situações que ainda não tem maturidade suficiente para entender, ela precisa abandonar o curso natural do desenvolvimento infantil, tornando-se um “miniadulto”.

Crianças que tiveram o azar de passar por isso tornam-se extremamente compreensivas, passivas e obedientes.
São as famosas crianças “que não dão trabalho”.

É claro! Elas precisaram trocar a espontaneidade disruptiva da infância para se adaptarem precocemente às complicações do mundo adulto.

Na terapia isso fica evidente: o paciente que passou por esse processo quando criança está sempre procurando “não dar trabalho” para o analista.

É como se estivesse o tempo todo dizendo para o terapeuta: “Não precisa cuidar de mim. Eu já sei tudo o que está acontecendo e o que preciso mudar. Deixa comigo!”.


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Agressividade não é violência. É vida!

Freud descobriu que todos nós temos impulsos sádicos, isto é, aquele tesãozinho natural pelo controle e pelo domínio.

Tem gente que tem mais, tem gente que tem menos.

Ele pode estar reprimido, sublimado ou visivelmente manifesto, mas o fato é que está presente em todo o mundo.

Sadismo, no entanto, não é o mesmo que agressividade.

E o autor que nos ajuda a entender melhor essa diferença é o psicanalista inglês Donald Winnicott.

Do ponto de vista winnicottiano, a agressividade diz respeito simplesmente à força espontânea, intensa e impetuosa da nossa pulsão… de vida!

Nesse sentido, um bebê que suga com avidez e voracidade o seio materno está expressando sua agressividade.

Mas isso não tem nada a ver com domínio, controle e muito menos com o desejo de machucar.

Da mesma forma, existe agressividade no choro estridente de uma criança que acorda os pais no meio da noite, ansiando por ser amamentada.

Agressividade é vida!

A gente tende a associá-la a violência porque nossa cultura tradicionalmente lida muito mal com esse aspecto agressivo do nosso ser.

Desde muito precocemente somos estimulados a obedecer, a ficarmos quietos, a nos adaptarmos, a engolirmos o choro.

Em outras palavras, nossa cultura sádica instiga seus membros a sufocarem sua agressividade a fim de se encaixarem passivamente em padrões externos, para viverem um estado de paz sem voz, como dizia O Rappa.

O resultado é óbvio: a agressividade reprimida retorna na forma de violência.

Falamos bastante sobre isso ontem na aula da Confraria Analítica.

Quem não conhece aquela pessoa exageradamente pacífica, que aparentemente seria incapaz de fazer mal a uma mosca, que está sempre fugindo de conflitos, mas que, num estado de crise, explode e se torna extremamente violenta?

É isso o que acontece com um indivíduo que se viu obrigado a esconder de si mesmo a própria agressividade para poder existir bovinamente nos pastos do grande Outro.

A agressividade que não é vivida de forma integrada na existência, pode ressurgir abruptamente de forma dissociada.

Nas palavras do próprio Winnicott:

“Sem a possibilidade de brincar sem compaixão, a criança terá que esconder o seu eu impiedoso e dar-lhe vida apenas em estados dissociados.”


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Como é bom saber que querer não é poder!

Ontem à noite, no finalzinho da nossa aula na Confraria Analítica, eu estava conversando com os alunos sobre o papel ALIVIADOR da realidade.

Sim, ALIVIADOR.

Quem chama nossa atenção para isso é o psicanalista inglês Donald Winnicott.

Olha só:

Geralmente nós pensamos a realidade como o lugar da frustração, né?

É isso o que está em jogo, por exemplo, na expressão “cair na real”.

Teoricamente, quem “cai na real” se dá conta de que as coisas não acontecem necessariamente da forma como deseja e se sente frustrado por isso.

Winnicott, no entanto, salienta que nem sempre a gente quer que os nossos desejos, nutridos em fantasia, sejam satisfeitos na realidade.

Na verdade, há coisas que a gente só consegue desejar justamente porque sabemos que elas não podem se concretizar…

Nesse sentido, o fato de a realidade não se curvar sempre aos nossos desejos acaba nos proporcionando, em muitos momentos, um ALÍVIO ao invés de frustração.

Afinal, no âmbito da fantasia, TUDO pode acontecer: a gente pode fazer amor com quem quiser, matar quem quiser…

Por isso, é muito tranquilizador saber que, na realidade, a maioria dessas coisas que fantasiamos jamais acontecerá.

É essa constatação que justamente nos dá LIBERDADE para fantasiar.

No complexo de Édipo esse papel reconfortante da realidade é fundamental.

Para que a criança possa vivenciar sem medo suas fantasias legítimas de fazer amor com um dos pais e desejar a morte do outro, ela precisa contar com uma realidade que, ao frustrar seus desejos, paradoxalmente a tranquiliza.

Saber que a mãe não vai morrer só porque ela quer e que os pais permanecem juntos como um casal que se ama é o que permite a uma menininha de 4, 5 anos atravessar o Édipo como quem acorda de um sonho.

Tá vendo?

O encontro com a realidade é terapêutico não só porque nos ajuda a crescer pondo fim ao desejo infantil de onipotência.

A realidade também funciona para nós como um “porto seguro” que nos dá liberdade para fantasiar sem medo de que nossos desejos se concretizem.

Você já tinha pensado sobre isso?


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Solidão essencial: a experiência paradisíaca que inaugura a vida

O psicanalista inglês Donald Winnicott tem uma expressão curiosa para caracterizar a experiência psicológica que vivenciamos tanto no útero materno quanto nos primeiros meses após o nascimento.

Trata-se do termo SOLIDÃO ESSENCIAL.

De cara essa expressão tende a provocar algum grau de estranheza e perplexidade porque evidentemente SABEMOS que o bebê não está sozinho no início da vida.

Então, por que Winnicott fala de solidão?

Para entender a experiência a que o autor está se referindo precisamos pensar na solidão não como a condição em que se encontra aquele que não tem companhia ou que a perdeu.

Essa “solidão negativa”, por assim dizer, só se torna possível para nós DEPOIS que DESCOBRIMOS a existência de outras pessoas no mundo.

Como assim, Lucas?

É isso mesmo: no início da vida a gente não sabe que o outro existe.

Em “condições normais de temperatura e pressão”, a mãe se adapta de forma tão harmônica às nossas necessidades que a gente nem se dá conta de que ela está lá nos sustentando e cuidando de tudo…

É justamente por isso que Winnicott fala de uma solidão essencial.

O outro tá lá, mas estamos sendo tão bem cuidados que temos a sensação de estarmos sozinhos.

Na verdade, a gente não tem sequer a consciência de que nós mesmos existimos enquanto indivíduos.

Por isso, embora Winnicott denomine esse momento inicial de solidão essencial, a experiência real que temos não é a de estarmos isolados, mas de puramente EXISTIRMOS fora do tempo-espaço, num estado de inabalável tranquilidade.

É dessa experiência original de PURO SER que caminhamos na direção do reconhecimento de outras pessoas.

Todavia, diz Winnicott, por mais que, com o passar do tempo, nossa vida passe a ser cada vez mais constituída de relações, há uma dimensão do nosso ser que permanece vinculada à solidão essencial.

Isso significa que, por mais que façamos contato com o outro, haverá sempre uma parte de nós que se manterá alheia às relações, conservando a memória de um tempo em que nada mais existia a não ser um puro sentimento de viver.

É a manutenção de uma trilha aberta para esse núcleo de solidão essencial que nos impede, na saúde, de não experimentarmos a vida como uma mera adaptação ao social.


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Nem repressão nem frouxidão: sobre o papel dos pais na vida das crianças

Quando a gente se propõe a refletir sobre as funções que os pais exercem na vida de seus filhos (ou deveriam exercer), existem muitos pontos de partida.

Podemos pensar, por exemplo, no papel crucial que eles desempenham no processo de socialização da criança.

Sempre costumo dizer em minhas aulas que, no início da vida, somos apenas filhotinhos de Homo sapiens e que só depois nos tornamos de fato SÓCIOS da grande sociedade humana.

A passagem para a condição de sócio não é automática. Ela demanda de nós a internalização de certos parâmetros, regras e padrões que não vêm conosco “de fábrica”.

Uma das principais tarefas dos pais é a de introduzir a criança gradualmente na dimensão dessas normas sociais. Com efeito, os pais são os primeiros “sócios” com os quais a criança se depara.

E é por meio da convivência com eles que os pequenos vão incorporando os requisitos básicos que os tornarão capazes de viver socialmente.

Por outro lado, os pais também exercem um papel determinante no DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL de seus filhos.

Um elemento fundamental da saúde mental é a experiência de se sentir SENDO, isto é, a sensação de que a gente está efetivamente VIVENDO de forma autêntica e não apenas reagindo passivamente ao que acontece.

A conquista dessa experiência está diretamente relacionada ao que acontece na relação entre pais e filhos na infância.

De fato, a criança só poderá vivenciar essa sensação de liberdade e autenticidade se puder contar com pais que não a reprimem, mas, ao mesmo tempo, não a deixam perdida e insegura.

Uma criação repressiva tolhe o movimento espontâneo da criança e a leva a trocar sua criatividade natural pela adaptação passiva e submissa aos ditames do outro.

Por outro lado, o viver autêntico só é possível num contexto de confiabilidade. Ninguém consegue VIVER tranquilamente se precisa estar o tempo todo preocupado em SOBREVIVER.

Por isso, os pais não devem ser invasivos e repressivos, mas também não podem ser frouxos e negligentes.

Cabe a eles oferecer à criança um ambiente confiável e seguro para que ela vá pouco a pouco internalizando esses atributos e se torne capaz de confiar em si mesma e se sentir naturalmente segura.


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Independência absoluta não existe

Como hoje se comemora a independência da nação brasileira, creio ser oportuno falar sobre como a Psicanálise aborda a questão da independência individual.

Para Winnicott, podemos categorizar as fases do desenvolvimento humano em três grandes estágios: (1) a dependência absoluta, (2) a dependência relativa e (3) rumo à independência (toward independence).

No estágio de dependência absoluta, o bebê depende tão integralmente da mãe que sequer percebe que está sob os cuidados dela.

Nessa fase, as necessidades da criança são satisfeitas de forma tão oportuna que ela nem se dá conta de que há alguém lhe sustentando.

Já no estágio de dependência relativa a criança percebe que está sob os cuidados da mãe. E isso é possível porque, agora, a mãe não satisfaz as necessidades do bebê de modo sempre oportuno.

Assim, a criança “descobre” que a satisfação de suas necessidades sempre dependeu de outra pessoa.

Por outro lado, o bebê começa a desenvolver a sua capacidade de compreensão intelectual da realidade, o que lhe permite não só viver o que acontece consigo, mas SUBJETIVAR essas vivências.

A terceira e última fase é aquela na qual entramos ainda na infância por volta dos 3 ou 4 anos e permanecemos até o fim da vida.

De fato, a partir daquela idade vamos nos tornando cada vez menos dependentes dos cuidados do outro. Pense, por exemplo, na conquista de independência que a criança obtém quando consegue ir ao banheiro sozinha.

No entanto, essa independência permanecerá sendo sempre RELATIVA.É por isso que Winnicott não chama esse terceiro e definitivo estágio apenas de “Independência”, mas de “RUMO À INDEPENDÊNCIA”, indicando, assim, que se trata de um processo sempre inacabado.

Em outras palavras, sempre dependeremos dos outros em alguma medida. Pense, por exemplo, na dependência que temos, para nos alimentarmos, do trabalho de agricultores e caminhoneiros.

A vida adulta em comunidade é necessariamente um misto de dependência e independência.

Nas palavras do próprio Winnicott:

“A independência nunca é absoluta. O indivíduo normal não se torna isolado, mas se torna relacionado ao ambiente de um modo que se pode dizer serem o indivíduo e o ambiente interdependentes.”


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