Nem repressão nem frouxidão: sobre o papel dos pais na vida das crianças

Quando a gente se propõe a refletir sobre as funções que os pais exercem na vida de seus filhos (ou deveriam exercer), existem muitos pontos de partida.

Podemos pensar, por exemplo, no papel crucial que eles desempenham no processo de socialização da criança.

Sempre costumo dizer em minhas aulas que, no início da vida, somos apenas filhotinhos de Homo sapiens e que só depois nos tornamos de fato SÓCIOS da grande sociedade humana.

A passagem para a condição de sócio não é automática. Ela demanda de nós a internalização de certos parâmetros, regras e padrões que não vêm conosco “de fábrica”.

Uma das principais tarefas dos pais é a de introduzir a criança gradualmente na dimensão dessas normas sociais. Com efeito, os pais são os primeiros “sócios” com os quais a criança se depara.

E é por meio da convivência com eles que os pequenos vão incorporando os requisitos básicos que os tornarão capazes de viver socialmente.

Por outro lado, os pais também exercem um papel determinante no DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL de seus filhos.

Um elemento fundamental da saúde mental é a experiência de se sentir SENDO, isto é, a sensação de que a gente está efetivamente VIVENDO de forma autêntica e não apenas reagindo passivamente ao que acontece.

A conquista dessa experiência está diretamente relacionada ao que acontece na relação entre pais e filhos na infância.

De fato, a criança só poderá vivenciar essa sensação de liberdade e autenticidade se puder contar com pais que não a reprimem, mas, ao mesmo tempo, não a deixam perdida e insegura.

Uma criação repressiva tolhe o movimento espontâneo da criança e a leva a trocar sua criatividade natural pela adaptação passiva e submissa aos ditames do outro.

Por outro lado, o viver autêntico só é possível num contexto de confiabilidade. Ninguém consegue VIVER tranquilamente se precisa estar o tempo todo preocupado em SOBREVIVER.

Por isso, os pais não devem ser invasivos e repressivos, mas também não podem ser frouxos e negligentes.

Cabe a eles oferecer à criança um ambiente confiável e seguro para que ela vá pouco a pouco internalizando esses atributos e se torne capaz de confiar em si mesma e se sentir naturalmente segura.


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Independência absoluta não existe

Como hoje se comemora a independência da nação brasileira, creio ser oportuno falar sobre como a Psicanálise aborda a questão da independência individual.

Para Winnicott, podemos categorizar as fases do desenvolvimento humano em três grandes estágios: (1) a dependência absoluta, (2) a dependência relativa e (3) rumo à independência (toward independence).

No estágio de dependência absoluta, o bebê depende tão integralmente da mãe que sequer percebe que está sob os cuidados dela.

Nessa fase, as necessidades da criança são satisfeitas de forma tão oportuna que ela nem se dá conta de que há alguém lhe sustentando.

Já no estágio de dependência relativa a criança percebe que está sob os cuidados da mãe. E isso é possível porque, agora, a mãe não satisfaz as necessidades do bebê de modo sempre oportuno.

Assim, a criança “descobre” que a satisfação de suas necessidades sempre dependeu de outra pessoa.

Por outro lado, o bebê começa a desenvolver a sua capacidade de compreensão intelectual da realidade, o que lhe permite não só viver o que acontece consigo, mas SUBJETIVAR essas vivências.

A terceira e última fase é aquela na qual entramos ainda na infância por volta dos 3 ou 4 anos e permanecemos até o fim da vida.

De fato, a partir daquela idade vamos nos tornando cada vez menos dependentes dos cuidados do outro. Pense, por exemplo, na conquista de independência que a criança obtém quando consegue ir ao banheiro sozinha.

No entanto, essa independência permanecerá sendo sempre RELATIVA.É por isso que Winnicott não chama esse terceiro e definitivo estágio apenas de “Independência”, mas de “RUMO À INDEPENDÊNCIA”, indicando, assim, que se trata de um processo sempre inacabado.

Em outras palavras, sempre dependeremos dos outros em alguma medida. Pense, por exemplo, na dependência que temos, para nos alimentarmos, do trabalho de agricultores e caminhoneiros.

A vida adulta em comunidade é necessariamente um misto de dependência e independência.

Nas palavras do próprio Winnicott:

“A independência nunca é absoluta. O indivíduo normal não se torna isolado, mas se torna relacionado ao ambiente de um modo que se pode dizer serem o indivíduo e o ambiente interdependentes.”


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[Vídeo] As 3 condições básicas da vida psíquica em Winnicott

Neste vídeo: entenda o que são INTEGRAÇÃO, PERSONALIZAÇÃO e REALIZAÇÃO, as três condições básicas da vida psíquica descobertas pelo psicanalista inglês Donald Winnicott.


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Por que a presença de um pai é fundamental na vida das crianças? Winnicott explica.

Em função da forte influência lacaniana no campo psicanalítico, nos acostumamos a pensar que a presença concreta de um pai na vida das crianças seria uma experiência dispensável.

Dispensável, Lucas? Como assim?

É, meu caro leitor…

Não há como negar que termos como “Nome do Pai” e “pai simbólico” fizeram a gente se esquecer, na Psicanálise, de que a presença REAL do pai é tão importante quanto a presença real da mãe.

É claro que Lacan tem boas razões para enfatizar o papel crucial do pai enquanto elemento simbólico. Eu mesmo já expliquei esses motivos em vários lugares.

Todavia, penso que seja importante, sobretudo às vésperas do Dia dos Pais, relembrá-los da importância inegável da presença real de um pai na existência de uma criança.

Para cumprir essa tarefa, trago a vocês um pouquinho do que o psicanalista inglês Donald Winnicott nos ensina no capítulo 17 do livro “A Criança e seu Mundo”, intitulado “E o Pai?”.

Quem está na Confraria Analítica receberá ainda hoje (sexta-feira) uma aula especial sobre a concepção winnicottiana do papel do pai expressa nesse texto.


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Apoio sem invasão: entenda o que é um ambiente suficientemente bom

Ao abordar o papel crucial do ambiente no desenvolvimento emocional, Winnicott introduziu a noção fundamental de “ambiente suficientemente bom”. De acordo com o autor, um contexto dessa natureza seria indispensável para a constituição de um indivíduo emocionalmente saudável. Vale assinalar que, do ponto de vista winnicottiano, todos nós possuímos tendências inatas para a conquista dos atributos que constituem a saúde psíquica. No entanto, tais tendências só podem fazer a passagem do estado de potência para a condição de ato (para utilizar uma terminologia aristotélica) se formos criados num ambiente suficientemente bom. Exemplificando: para Winnicott, todo o mundo nasce com a tendência para desenvolver a capacidade de se importar com os outros, ou seja, de não ser indiferente ao sofrimento alheio, por exemplo. No entanto, essa tendência pode não se concretizar ou se desenvolver de modo distorcido se o ambiente não facilitar a conquista dela.

Facilitar: essa é uma palavra que nos ajuda a entender o conceito de ambiente suficientemente bom. Trata-se de um contexto que facilita a expressão daquilo que já está potencialmente presente no sujeito. E o que significa facilitar? Ora, significa basicamente APOIAR SEM INVADIR. Uma empresa, por exemplo, facilita a vida de seus colaboradores quando lhes fornece os recursos e ferramentas necessários para a execução do trabalho, mas não os sufoca com excesso de regras e demandas. Da mesma forma, ao falar de um ambiente suficientemente bom, Winnicott está se referindo, principalmente, a pais que sustentam, suportam, asseguram seus filhos, mas, ao mesmo tempo, lhes oferecem o espaço necessário para que possam se expressar. Nesse sentido, uma mãe que negligencia a alimentação de seu filho é tão “insuficientemente boa” quanto uma que quer obrigar a criança a se alimentar o tempo todo.

Leia o texto completo clicando aqui.


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[Vídeo] As quatro TENTAÇÕES do psicanalista

Neste vídeo: entenda por que o psicanalista não deve ocupar as posições de salvador, professor, aliado e moralista junto a seus pacientes.


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Por que nos preocupamos com o outro? Winnicott explica.

Por que a gente se importa com outras pessoas?

Você já havia se feito essa pergunta?

Por que será que você se preocupa com seus amigos, familiares e parceiros amorosos?

O psicanalista inglês Donald Winnicott se interessou por investigar essa questão. Diferentemente de Freud que se dedicava majoritariamente ao estudo dos aspectos “negativos” do comportamento humano como a culpa, o mal-estar e a divisão subjetiva, Winnicott gostava de explorar também os elementos “positivos” da subjetividade, aqueles que fazem parte da dimensão saudável da experiência humana.

O sentimento de se importar com os outros é um desses elementos. A palavra em inglês que expressa essa preocupação com o próximo é CONCERN. Nas obras de Winnicott, ela comumente é traduzida em português por PREOCUPAÇÃO ou CAPACIDADE DE SE PREOCUPAR.

No artigo “O desenvolvimento da capacidade de se preocupar”, de 1963, o analista inglês afirma que “A palavra ‘preocupação’ [concern] é empregada para expressar de modo positivo um fenômeno que em seu aspecto negativo é expresso pela palavra ‘culpa'”.

De fato, nos sentimos culpados quando percebemos que causamos dano a um objeto que estimamos, o qual pode ser uma pessoa, um animal, um grupo ou mesmo uma instituição. O concern, por outro lado, diz respeito a uma atitude que justamente evita a experiência da culpa. Se me preocupo com o outro, se me importo com ele, buscarei ativamente não agir de modo a prejudicá-lo.

Para Winnicott, o concern se desenvolve já nos primeiros meses de vida, quando o bebê percebe, por intermédio de fantasias, que a expressão crua de seus impulsos pode causar dano à pessoa que ele mais ama: a mãe. Esse “insight” leva o bebê a imaginar que pode “consertar” o “prejuízo” causado à figura materna por meio de um gesto de reparação. Se o infante percebe que a mãe aceita esse seu “pedido de desculpas”, o resultado é a consolidação do sentimento de preocupação com outro, que a criança levará para todos os seus demais vínculos de amor.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje um vídeo especial em que descrevo em mais detalhes como se desenvolve o concern e por que esse sentimento pode florescer de modo distorcido em algumas pessoas.


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As 4 tentações do analista: salvador, professor, aliado e moralista

No artigo “Contratransferência”, de 1960, o psicanalista inglês Donald Winnicott afirma o seguinte: “O analista é objetivo e consistente na hora da sessão, sem pretender ser um salvador, professor, aliado ou moralista. O efeito importante da análise do próprio analista neste contexto é que fortalece seu próprio ego de modo a poder permanecer PROFISSIONALMENTE envolvido, e sem esforço demasiado.” (grifo do autor).

Winnicott elenca nesse parágrafo quatro funções que são diametralmente opostas ao papel que o analista deve exercer no tratamento: salvador, professor, aliado e moralista. Essas são, talvez, as quatro principais tentações às quais está sujeito aquele que se aventura a escutar pessoas mediante o método psicanalítico.

Quando é que o analista cede à tentação de se tornar SALVADOR? Quando considera equivocadamente que sua tarefa consiste em devolver a saúde mental ao paciente, quando se esquece da dimensão do gozo implicada em todo adoecimento emocional e quando ele próprio, o analista, passa a gozar com a fantasia messiânica de curar a alma do analisante.

Quando é que o analista cede à tentação de se tornar PROFESSOR? Quando troca a atenção flutuante e a escuta sensível e empática por um discurso que visa transmitir um saber pronto, artificial e distante da experiência do paciente ou quando tenta ensinar ao paciente como viver, ainda que a fonte de sua instrução seja o “Santo Magistério Psicanalítico”.

Quando é que o analista cede à tentação de se tornar ALIADO? Quando se coloca a serviço das ilusões egoicas, reforçando identificações ao invés de apontá-las, homologando defesas ao invés de denunciá-las, tamponando o Inconsciente ao invés de conjurá-lo por meio de pontuações, cortes e interpretações.

E, por fim, quando é que o analista cede à tentação de se tornar MORALISTA? Quando se arvora em guia espiritual do paciente, buscando submetê-lo à moral que ele, analista, adota (ou finge fazê-lo) em sua própria vida, seja ela de direita ou de esquerda, progressista ou conservadora, religiosa ou ateísta. Em outras palavras, é quando o analista para de fazer “silêncio em si” (como dizia o Nasio) e passa a “cagar regra”.


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Vivemos na correria quando não suportamos conviver com nós mesmos

Um dos indicadores mais certeiros de adoecimento emocional é o EXCESSO.

Excesso de trabalho, excesso de estudo, excesso de experiências sexuais, excesso de alimentação, excesso de repouso… Ainda que a pessoa não apresente explicitamente queixas e não procure ajuda, a simples presença do excesso já é um sinal inequívoco de doença psicológica.

Lembro-me de um paciente que dizia ser “tarado por trabalho” e estar sempre “na correria”. Certa vez lhe perguntei: “E do que você corre tanto? Do que você está fugindo?”.

De fato, o excesso, isto é, a intensificação exagerada de uma dimensão da vida em detrimento das outras, frequentemente representa uma tentativa desesperada de escapar de realidades interiores que o indivíduo não consegue suportar.

O psicanalista inglês Donald Winnicott fala sobre isso num de seus primeiros trabalhos psicanalíticos chamado “A Defesa Maníaca”, de 1935.

Nesse texto, o autor explora o conceito de defesa maníaca, que havia sido criado por Melanie Klein para descrever uma estratégia emocional inconsciente que utilizamos para nos defendermos de ansiedades depressivas, fenômeno claramente perceptível nas formas graves de transtorno bipolar.

Algumas das expressões da defesa maníaca são justamente da ordem do excesso: excesso de animação, de atividade, de alegria, de trabalho…

Winnicott argumenta que os alvos dessa defesa não são apenas as ansiedades depressivas, mas, sobretudo, nossa realidade interna. Em outras palavras, utilizamos a defesa maníaca para fugirmos de nós mesmos, para evitarmos fazer contato com questões duras, que acabam sendo fonte de uma angústia insuportável.

Assim, para nos protegermos da nossa realidade interna, a gente pode acabar se abrigando na realidade EXTERNA seja por meio da “correria” do trabalho, das milhões de notificações pipocando no celular ou das infindáveis conversas no WhatsApp…

Como você percebe, o nosso próprio estilo de vida contemporâneo favorece a defesa maníaca. Como dizem slogans famosos: “Just do it!”, “Keep walking!”.

Não por acaso, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han escreveu o seu “Sociedade do Cansaço”, denunciando o que ele chama justamente de “excesso de positividade” no mundo contemporâneo.


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[Vídeo] A chama da sua espontaneidade se mantém acesa?

Você vive respondendo às demandas e exigências do ambiente ou consegue existir de modo relativamente espontâneo apesar dos condicionamentos e parâmetros externos?


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As 3 condições básicas da vida psíquica para Winnicott

Donald Woods Winnicott (1896-1971) foi um pediatra e psicanalista inglês que fez inúmeras contribuições teóricas indispensáveis para o campo psicanalítico.

Com base em sua experiência clínica com bebês, crianças, adolescentes e adultos, fez descobertas sobre o desenvolvimento emocional que, para alguns autores, serve de complemento para a teoria freudiana e, para outros, se distancia desta, operando com base em outro paradigma.

Mas isso é assunto para quem é nerd de Psicanálise. Voltemos ao tema da postagem.

Em 1945, Winnicott publica aquele que viria a ser reconhecido como um de seus principais artigos no campo psicanalítico, na medida em que o texto apresenta a concepção geral de desenvolvimento com a qual o autor trabalhou até o fim da vida. Trata-se do paper “Desenvolvimento Emocional Primitivo”, disponível na coletânea “Da Pediatria à Psicanálise”.

É nesse artigo que Winnicott expõe sua descoberta de que existem três processos que estão nos alicerces da nossa vida psíquica “normal” e que necessitam de um ambiente facilitador para se estabelecerem. Tais processos precisam acontecer logo nos primeiros meses de vida, pois são eles os responsáveis por levar o indivíduo a se perceber como uma pessoa inteira, dotada de um corpo e instalada na realidade.

O autor percebeu que essa experiência básica que nos parece tão fundamental a ponto da gente sequer pensa nela pode não se estabelecer adequadamente. Vemos isso com muita clareza nos quadros psicóticos, nos quais a pessoa eventualmente se percebe como fragmentada, dissociada do próprio corpo ou imersa numa realidade paralela que só ela conhece.

Você já tinha ouvido falar sobre essas três condições básicas da vida psíquica?


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[Vídeo] A importância do HOLDING no desenvolvimento emocional

Neste vídeo: entenda o conceito de holding proposto pelo psicanalista inglês Donald Winnicott e conheça uma possível consequência da falta de holding na infância.


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A sexualidade é traumática por natureza

Hoje eu gostaria de conversar com você sobre o caráter traumático que é inerente à nossa relação com a sexualidade.
Deixa eu te explicar isso direitinho.

À medida que ia atendendo seus pacientes neuróticos lá no final do século XIX e início do século XX, o dr. Sigmund Freud foi se dando conta de que a sexualidade se manifesta em dois tempos na nossa vida.

A primeira onda de sexualidade (para usar uma expressão que está na moda) aparece logo após o nascimento e permanece vigente até aproximadamente os cinco ou seis anos de idade.

A segunda onda é aquela mais conhecida e que, até Freud, era tomada pelo senso comum e pela ciência como sendo a única. Trata-se da expressão incontestável dos impulsos sexuais na puberdade.

Essa segunda onda permanece até o fim da vida, embora, à medida que os anos vão passando, ela vá se manifestando de modo cada vez menos intenso.

Bem, o fato de, na espécie humana, os impulsos sexuais darem o ar da graça logo nos primeiros anos de vida é o que confere à sexualidade um caráter traumático.

Com efeito, trauma é uma experiência (ou um conjunto de experiências) que ultrapassa a capacidade compreensiva da nossa mente, provocando nela um estado semelhante ao “travamento” que acontece nos computadores e celulares.

Ora, no início da vida, nós ainda não possuímos recursos simbólicos suficientes e um eu consistente o bastante para vivenciarmos o “pipocar” dos impulsos em nós de modo tranquilo. Para os nerds de Psicanálise: é por isso que Winnicott dizia que “não há id antes do ego”.

Dotada de uma estrutura egoica ainda muito precária, a criança pequena inicialmente sente medo de seus impulsos, vivenciando-os como forças externas incontroláveis que o atacam.

Portanto, a criança muitas vezes não dá conta de se apropriar e compreender seus impulsos sexuais porque sente a força deles como uma ameaça.

Por isso, nossos principais recalques, aqueles que vão direcionar nossas vidas, ocorrem justamente nesses primeiros anos de vida. Sentindo-se assaltada pelos impulsos, a criança se defende deles, dissociando-os de sua experiência consciente.

Você já havia se dado conta desse aspecto traumático da nossa relação com a sexualidade?


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HIPERTROFIA MENTAL: você sofre com esse problema?

O psicanalista inglês Donald Winnicott faz uma distinção importante entre PSIQUE e MENTE.

De acordo com ele, a psique seria a elaboração espontânea e inconsciente que fazemos da nossa experiência corporal. Em outras palavras, a psique seria o registro imaginativo das nossas vivências.

A mente, por sua vez, seria uma função específica da psique que nos possibilita compreender e interpretar nossas experiências.

Winnicott afirma que a psique se manifesta desde o período em que estamos no útero materno. Inclusive, esses registros psíquicos inconscientes da nossa experiência intrauterina podem estar associados a certos problemas emocionais.

A mente, por sua vez, demora mais para aparecer. Nos primeiros meses de vida, geralmente o bebê não precisa se dar ao trabalho de entender o que está acontecendo. Afinal, praticamente nada se passa com ele que esteja fora da sua esfera de expectativas. Tudo o que ele deseja (leite, aconchego, segurança etc.) lhe é oferecido OPORTUNAMENTE pela mãe.

A mente só vai entrar em funcionamento quando a figura materna começa a frustrar as expectativas da criança, deixando-a, por exemplo, esperar um pouco mais para ser alimentada. É a partir desses momentos que o bebê se põe a PENSAR a fim de compreender o que está se passando (“Por que estou sentindo esse desconforto? Por que o objeto que me sacia está demorando?”).

Quando o bebê não tem a sorte de contar com um ambiente suficientemente bom, ele acaba sendo exposto PRECOCEMENTE a essas frustrações. Ou seja, ele tem pouco (ou nenhum) tempo para vivenciar aquela ilusão de acreditar que tudo acontece exatamente na hora em que deseja.

O resultado, diz Winnicott, pode ser o desenvolvimento HIPERTROFIADO da mente. Desnorteada pela desilusão prematura, a criança se vê obrigada a tentar entender, a partir do desespero, o que está acontecendo. Isso leva o bebê a criar TEORIAS EXPLICATIVAS ao invés de compreender naturalmente sua vivência. A mente, ao invés de servir como um instrumento de adaptação à realidade, torna-se um ESCUDO contra a realidade.

Você já se percebeu TEORIZANDO sobre a realidade pela dificuldade de COMPREENDÊ-LA?


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Por que sentimos culpa?

A manifestação da culpa, portanto, depende de três condições: (1) a realização (ou intenção de realizar) de uma ação que, do nosso próprio ponto de vista, é avaliada como errada; (2) a vinculação dessa ação a um contexto relacional; e (3) a produção ou possibilidade de dano a outra pessoa.

Ao refletirmos sobre essa terceira condição, nos damos conta de que a culpa só pode se manifestar em pessoas que são capazes de se imaginar padecendo dos efeitos de suas próprias ações. Exemplificando: a moça que se sente culpada por trair seu namorado só consegue experimentar esse afeto porque possui a capacidade de se imaginar no lugar dele. De fato, ela sabe que se sentiria muito mal se descobrisse que o companheiro está a traindo.

A capacidade de se imaginar na pele da pessoa que sofre os efeitos de nossas ações pode se desenvolver de modo exacerbado em algumas pessoas. Eu já falei sobre isso em outro artigo. Trata-se de um fenômeno que denominei de “empatia patológica”. Nele o sujeito se coloca imaginariamente de forma tão intensa e frequente “no lugar do outro” que acaba se tornando alheio aos seus próprios interesses. À luz do raciocínio que desenvolvi neste texto, não é surpreendente constatar que indivíduos que sofrem de empatia patológica costumem experimentar a culpa numa frequência excessiva. Com efeito, a facilidade que possuem para se imaginar na pele do outro os leva a colocarem sempre em primeiro plano a preocupação com os possíveis danos de suas ações e a relativizarem a realização de seus desejos.

Leia o texto completo em http://bit.ly/drdculpa


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