
Quando a gente está lidando com uma pessoa difícil, cujo modo de ser frequentemente nos perturba, é fundamental desenvolver a capacidade de aceitar que não iremos mudá-la e que, talvez, ela nunca mude.
Essa aceitação não significa “passar a mão na cabeça da pessoa” ou “passar pano” para o modo como ela se comporta.
Não significa dizer: “Tadinha, ela é assim por causa de X, Y, Z. A gente precisa tolerar. Ela não faz por mal.”
Também não significa bancar a Pollyana e apelar para o jogo do contente: “Vamos ver pelo lado bom. Pelo menos, ela tem tais e tais qualidades.”
Aceitar significa não tapar o sol com a peneira.
Significa ser capaz de dizer: “Essa pessoa é difícil mesmo, é complicado conviver com ela e provavelmente nunca vai mudar. Logo, se desejo continuar me relacionando com ela, precisarei me adaptar encontrando estratégias para tornar a convivência menos sofrida para mim mesmo.”
Por que é tão difícil viver esse pensamento?
Justamente por conta da segunda parte dele:
“Logo, se desejo continuar me relacionando com ela, precisarei me adaptar encontrando estratégias para tornar a convivência menos sofrida para mim mesmo.”
Ou seja, na hora em que eu decido aceitar que a pessoa é do jeito que é e não vai mudar, a “batata quente” da situação passa a estar nas minhas mãos.
Agora, sou eu que preciso decidir se quero ou não quero continuar me relacionando com ela e assumir as consequências.
Nesse sentido, a crença ilusória de que eu posso mudar a pessoa ou de que, em algum momento, ela vai espontaneamente mudar, me mantém na posição confortável de não precisar fazer nada.
“Eu não preciso me adaptar para sofrer menos porque um dia a pessoa vai mudar.”
“Eu não preciso romper relações com a pessoa porque uma hora ela vai mudar.”
Em outras palavras, a não aceitação da pessoa difícil é um álibi que a gente usa para não questionar o nosso próprio desejo de continuar vivendo com ela.
Na Psicanálise, quando estamos trabalhando com um paciente que se queixa de um pai, de uma mãe, de um cônjuge difícil, é muito importante ajudá-lo a perceber esse álibi e enfrentá-lo.
Nas entrelinhas, é como se a gente dissesse ao sujeito:
“Ok, seu pai, sua mãe ou seu cônjuge é assim. Você não tem controle sobre o jeito de ser dessa pessoa. Então, a batata quente está nas suas mãos: o que você deseja?”
Pare de estudar Psicanálise de forma solta. Na Confraria Analítica, você encontra aulas semanais, seminários teóricos, estudos de casos e um acervo completo para aprofundar sua formação. Seja meu aluno!
➤ Adquira o meu ebook “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira a versão física do livro “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”
➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”
➤ Adquira o pacote com os 3 e-books