Não existe ninguém desmotivado

Por ser psicólogo além de psicanalista, de vez em quando me convidam para proferir as famigeradas “palestras motivacionais”.

Como se sabe, o objetivo buscado por quem propõe esse tipo de palestra é “motivar” os trabalhadores de uma empresa ou instituição a atuarem com mais vigor e entusiasmo.

É óbvio que isso não funciona e que a ideia de que uma mera apresentação de 1 hora produzirá o efeito desejado é um ótimo exemplo de pensamento mágico.

Por essa razão, ao invés de ministrar uma “palestra motivacional”, eu geralmente faço uma conferência SOBRE motivação, expondo uma síntese do que as diferentes correntes teóricas em Psicologia falam sobre o tema.

E eu sempre começo a palestra com a frase que dá título a este texto:

NÃO EXISTE NINGUÉM DESMOTIVADO.

A palavra “motivação” deriva, evidentemente, do termo “motivo” que, por sua vez, está enraizado na palavra latina “motus” (movimento).

Nesse sentido, motivo pode ser definido como aquilo que leva uma coisa a se movimentar, ou seja, a causa do comportamento dessa coisa.

Ora, o ser humano nunca deixa de se comportar.

Estamos sempre fazendo alguma coisa, mesmo que seja dormir ou ficar parado pensando na morte da bezerra…

Nesse sentido, quando uma pessoa diz que está desmotivada, ela, na verdade, está contando apenas metade da história.

De fato, ela está desmotivada, MAS… somente PARA CERTAS COISAS. Para outras, ela continua bem engajada.

Isso vale, inclusive, para indivíduos em depressão.

Tais pessoas muitas vezes perdem a motivação para trabalhar ou saírem com os amigos, mas, por outro lado, podem se tornar extremamente motivadas a nutrir pensamentos negativos e comer em excesso, por exemplo.

Entendeu?

A motivação nunca está ausente.

Existe tão-somente uma MUDANÇA nos OBJETOS e FONTES de motivação.

Um sujeito pode não estar motivado para fazer as atividades do seu trabalho, mas estar supermotivado para assistir aos stories da sua blogueira preferida.

Moral da história:

Ao invés da pergunta “Por que estou desmotivado?”, deveríamos fazer as seguintes indagações:

(1) “Por que será que não me sinto mais motivado PARA esse trabalho/relacionamento/atividade/etc.?

(2) Para qual direção minha motivação está indo agora?”


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