Como é que a sua banda toca?

Há alguns anos eu precisei fazer um procedimento odontológico e, por indicação, contratei os serviços de um dentista experiente e, segundo me disseram, muito competente.

Todavia, o modo como ele gerenciava o fluxo de consultas era caótico:

Agendava vários pacientes para a mesma faixa de horários e ia chamando-os numa ordem que me parecia completamente aleatória.

Eu sempre chegava pontualmente no horário marcado pela secretária, mas na sala de espera já havia, no mínimo, umas cinco pessoas aguardando.

Eu me recordo que sempre ficava bastante irritado com a demora, mas as demais pessoas que estavam na sala de espera comigo pareciam encarar a situação com muita naturalidade.

Elas assistiam ao jornal que estava passando na TV, comentavam entre si as notícias, davam risada. Às vezes, um ou outro reclamava da demora, emendando, porém, uma condescendente ressalva:

— Ah, mas ele é muito bom, né?

Aquelas pessoas haviam entendido que mofar na sala de espera era uma condição necessária para que pudessem ser atendidas pelo profissional em quem confiavam.

Assim, quando era dia de irem ao consultório, já reservavam duas ou três horas, pois tinham certeza de que não sairiam de lá tão cedo.

Ou seja, elas SABIAM como aquela realidade funcionava, DECIDIAM que valia a pena passar por ela e SE PREPARAVAM para isso.

Por que estou contando essa história?

Porque entendo que nós devemos empregar essa mesma lógica em relação A NÓS MESMOS.

Penso que esse foi um dos maiores aprendizados que pude obter em minha análise:

➡️ Entender como EU funciono, arcar com as consequências desse modo de funcionamento e não esperar de mim mesmo atitudes e posicionamentos que são próprios… DE OUTRAS PESSOAS.

Ora, há inúmeros dentistas que atendem sempre pontualmente, mas os meus companheiros de sala de espera PREFEREM aquele que atrasa e estão plenamente cientes de que, com ele, É ASSIM QUE A BANDA TOCA.

Eu me esforço para ajudar os meus pacientes a discernirem como é que toca a banda de cada um deles a fim de que possam parar de buscar neuroticamente se tornar outras pessoas.

Espero que esse texto possa ter, no mínimo, estimulado você a querer saber como é que a SUA banda toca.


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