Você se preocupa demais com a imagem que está projetando para os outros?

O indivíduo que se preocupa muito em agradar geralmente não tem uma preocupação consciente com a imagem que as pessoas terão dele; o seu problema é não conseguir expressar seus interesses quando esses vão de encontro ao desejo do outro. Já a pessoa que se preocupa excessivamente com a própria reputação sofre porque se imagina o tempo todo num palco tendo que executar uma performance que possa ser sempre digna de aplausos. Para tal indivíduo, só é possível estar em paz quando sabe que está sendo visto positivamente por todas as pessoas que o conhecem.

Por que sujeitos que apresentam esse perfil estão sequestrados? Porque, ao elegerem a apreciação do outro como parâmetro essencial para suas condutas, passam a não poder mais agir de acordo com aquilo que eles mesmos consideram ser mais importante. O raciocínio é simples: quando vai fazer uma prova de uma disciplina da faculdade, você não pode escrever o que deseja (a menos que não queira tirar uma boa nota). Você precisa colocar na prova apenas aquelas coisas que estão de acordo com o que o professor ensinou. Em outras palavras, ao se submeter a uma avaliação, você passa a estar sob o jugo de critérios e parâmetros externos. Ora, a pessoa excessivamente preocupada com a imagem que os outros terão dela vive como se estivesse o tempo todo fazendo uma prova. E pior: trata-se de uma avaliação na qual ela não pode sequer se dar ao luxo de tirar uma nota mais ou menos; só vale nota 10.

O que você acaba de ler é um trecho do capítulo “Imagem e reputação”, do meu novo e-book “ENTENDA-SE: 50 LIÇÕES DE UM PSICANALISTA SOBRE SAÚDE MENTAL”, que será lançado no dia 18 de janeiro às 20h numa SUPER AULA AO VIVO, transmitida tanto no Instagram quanto no meu canal do YouTube.

Em breve, mais informações.


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A ascensão dos gurus de internet é um sintoma da falta de sentido no mundo contemporâneo.

Na época de Freud (estamos falando do final do século XIX e início do século XX), o que a cultura europeia dizia para os indivíduos?

“Você precisa ser uma pessoa decente, virtuosa, moralmente irrepreensível e capaz de dominar completamente suas emoções e impulsos.”

Essa era basicamente a mensagem que uma pessoa na Europa daqueles tempos ouvia reiteradamente desde criança.

É por essa razão que o tipo de adoecimento psíquico que chegava com mais frequência à clínica de Freud era a neurose.

Afinal, um sujeito se torna obsessivo, histérico ou fóbico justamente por fracassar na vã tentativa de se adequar a um imperativo moral totalmente idealizado.

Nós ainda vemos neuróticos na clínica, mas eles estão se tornando cada vez mais raros.

Num mundo em que decência, virtude e moral saíram de moda, pouca gente hoje em dia adoece por não conseguir se conformar a um ideal de pessoa “de bem”.

Mas os consultórios dos psicanalistas continuam cheios e isso revela a existência de uma nova atmosfera cultural, igualmente adoecedora.

Cada vez mais recebemos pessoas deprimidas, ansiosas, inseguras, com baixa autoestima.

E elas não sofrem da incapacidade de serem “moralmente irrepreensíveis”.

Pelo contrário!

Algumas delas sequer possuem um sistema de referências normativas suficientemente sólido que lhes diga: “É assim que você deve ser.”.

No fundo, muitos desses pacientes estão… perdidos, “desbussolados”, como diz o psicanalista Jorge Forbes.

Se os pacientes de Freud sofriam com o EXCESSO de sentido vindo da cultura, nossos pacientes padecem justamente da… FALTA de sentido.

Sem referências simbólicas estáveis, não conseguem fazer projetos, se angustiam diante das várias possibilidades de escolha e se tornam as vítimas perfeitas para os gurus da alta performance.

O poder imperativo de que gozavam a Religião e a Tradição na época de Freud foi triturado.

E hoje seus grãos se encontram espalhados nas mãos de “influenciadores” que se posicionam como arautos da verdade e prometem a seus seguidores uma vida “épica” e “destravada”.

Em terra de cego, quem tem um olho é rei.

E para quem está se afogando, jacaré é tronco.


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[Vídeo] Quando o mundo quer te forçar a ser outra pessoa


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