Lucas Nápoli é psicólogo, psicanalista e professor. Possui os títulos de Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autor do livro "A Doença como Manifestação da Vida".
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Esta é uma pequena fatia da aula “Pornografia, Psicanálise e Neurociência Afetiva” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Ele tentou de tudo, mas não conseguia parar. Seu recorde foram dois meses.
— Não dá. Eu não dou conta de ficar sem fazer isso…
Assim Marcos concluiu a longa descrição de seu vício em se tocar assistindo a conteúdo adulto na internet.
Fernanda, a psicanalista que o escutava naquela tarde, disse que havia entendido e pediu que ele falasse sobre sua vida de forma geral.
O rapaz tinha 25 anos, namorava Isabela há três e começou a consumir conteúdo adulto em meados da adolescência.
— Meus pais trabalhavam fora. Então, tinha dia que eu passava a tarde inteira vendo vídeos e me tocando.
Os dois meses em que Marcos conseguiu ficar sem fazer isso foram justamente os dois primeiros meses de namoro.
Ele estava tão apaixonado por Isabela que não sentia a menor vontade de se tocar.
Porém, pouco a pouco o vício foi sendo retomado e acabou se fortalecendo depois que o casal começou a se desentender.
— Já houve vezes em que eu preferi ir ao banheiro me tocar do que aceitar o convite dela para fazermos amor.
À medida que o paciente narrava sua história, Fernanda percebia que o consumo de conteúdo adulto tinha uma função defensiva para Marcos.
— Tem alguma técnica que você pode me passar para parar com isso de uma vez?, perguntou o rapaz ao final da sessão.
Após alguns segundos em silêncio, a analista respondeu:
— Nenhuma técnica vai funcionar enquanto você não entender do que está fugindo, Marcos. E enquanto não se tornar forte o bastante para parar de fugir.
O paciente ficou um pouco surpreso e abaixou a cabeça.
Fernanda entendeu que aquele era um momento oportuno para encerrar e o fez agendando a próxima sessão para a semana seguinte.
Sim, o consumo compulsivo de conteúdo adulto é fuga, é defesa, é recusa de uma realidade que PARECE ameaçadora.
Se você quer saber mais sobre isso — e ajudar seus pacientes —, assista à aula “P0rn0𝓰rafıa, Psicanálise e Neurociência Afetiva”, publicada hoje na Confraria Analítica.
A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil, com mais de 500 horas de conteúdo.
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Recentemente, Viviane Mosé disse, em entrevista ao programa “Sem Censura”, que, do ponto de vista dela, não existem doenças psíquicas, mas apenas “diferenças”.
Segundo ela, a categoria “doença” é utilizada ideologicamente para patologizar certas configurações subjetivas que não se encaixam “na ordem social”.
Este argumento me parece facilmente refutável.
Tomemos, por exemplo, o caso de pessoas que são viciadas em apostas.
Elas comprometem seu patrimônio, usam o jogo para fugirem de emoções negativas, sentem-se irritadas e inquietas quando tentam parar de apostar etc.
Ora, ninguém em sã consciência diria que essas pessoas não estão doentes.
Não obstante, o comportamento delas está perfeitamente encaixado na “ordem social”.
Com efeito, existem milhares de casas de apostas que obtêm lucros exorbitantes justamente graças a tais viciados. Sem eles, muitas delas entrariam em falência.
Ou seja, o vício em aposta é um comportamento que reconhecemos como doentio e que, apesar disso, está inteiramente em harmonia com a “ordem social” vigente.
É verdade que existem certas configurações subjetivas que talvez não deveriam ser chamadas de “doenças”, mas reconhecidas simplesmente como “diferenças”.
É bastante sustentável, por exemplo, a tese de que muitos casos de autismo podem ser considerados tão-somente como formas diferentes de lidar com o mundo.
O grande problema da fala de Viviane é que ela é GENERALIZADORA, colocando situações muito díspares no mesmo balaio:
Uma criança que é só um pouco mais desatenta do que a maioria e recebe o rótulo de TDAH e uma pessoa gravemente deprimida que pensa em tirar a própria vida.
Para Viviane, nos dois casos estamos falando apenas de “diferenças”.
Eu, por outro lado, defendo que só o primeiro caso deve ser classificado como uma mera diferença. Para o segundo, devemos, sim, preservar a categoria de doença.
Uma pessoa que pensa o dia todo em não mais existir deve, sim, ser reconhecida como doente, justamente para que seja incentivada a buscar tratamento.
Reconhecer o sofrimento como doença não é estigmatizar — é abrir caminho para o cuidado.
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Esta é uma pequena fatia da aula “LENDO WINNICOTT 11 – Diretrizes clínicas para o manejo de não neuróticos” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – WINNICOTT da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Todo bebê vem ao mundo com necessidades emocionais muito básicas, que precisam ser atendidas para que ele tenha o mínimo de estabilidade psíquica.
Todo criança precisa, por exemplo, de segurança, confiabilidade, previsibilidade, validação, limites, incentivo gradual à autonomia etc.
Nada de extraordinário.
Apenas o pacote básico que qualquer família minimamente funcional consegue oferecer.
Pessoas que tiveram essas necessidades atendidas desenvolvem um eu suficientemente forte para lidar com os desafios da vida.
Os pacientes que a Psicanálise nomeia como “neuróticos” fazem parte desse grupo.
Se recorrem a sintomas e inibições para fugirem da angústia, é porque têm estrutura para isso — porque contam com uma base psíquica mínima que os sustenta.
Mas nem todos tiveram essa sorte.
Existe uma grande (e crescente) quantidade de pacientes que não tiveram suas necessidades infantis básicas acolhidas.
O que se desenvolve, nesses casos, é um eu fragmentado, machucado, mutilado — que não consegue nem mesmo organizar uma neurose.
Em vez disso, tais pessoas se abrigam em um falso eu: rígido, defensivo, duro, como um casco de tartaruga.
É a única saída que eles encontram para protegerem o frágil, ferido e VERDADEIRO eu, que não foi minimamente bem acolhido na infância.
Esses pacientes precisam muito mais de cuidado, presença e apoio do que de interpretações, pontuações e cortes.
Por não poderem se dar ao “luxo” de fugir para a neurose, nós os chamamos de NÃO NEURÓTICOS.
Na aula publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, você vai entender como manejar casos assim, a partir da leitura de Donald Winnicott.
O título da aula é: “LENDO WINNICOTT #11 – Diretrizes clínicas para o manejo de não neuróticos” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – WINNICOTT.
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Existe uma sorrateira erva daninha que precisa ser arrancada do jardim psicanalítico.
Estou me referindo a uma espécie de moralismo velado que frequentemente se faz presente em nossa prática.
Ele se manifesta, por exemplo, no uso banalizado da controversa expressão “bancar o próprio desejo” ou de uma frase erroneamente atribuída a Freud:
“Qual a sua parte na desordem de que se queixa?”
Muitas vezes, tais formulações são utilizadas para fundamentar intervenções psicanalíticas que são piores do que as mais severas condenações superegoicas.
A pessoa vai fazer análise porque não está conseguindo sair sozinha de uma condição de sofrimento e, em vez de cuidado, o que recebe são imperativos:
“Responsabilize-se por sua parte nessa desordem!”
“Banque seu desejo!”
Eu sei que nenhum bom analista falaria isso, mas — na prática — infelizmente, essas incitações estão na base da conduta clínica de muitos profissionais.
Esta é uma das razões pelas quais muitas pessoas dizem que “não aguentam” fazer análise.
Pudera!
Se em vez de encontrar um terapeuta que vai te ajudar, você se depara com um “superego gourmet”, é natural que o processo acabe sendo insuportável mesmo.
Nós, analistas, não podemos nos esquecer que estamos lidando com pessoas fragilizadas, emocionalmente feridas, que precisam acima de tudo de CUIDADO.
Se o paciente não reconhece “sua responsabilidade na desordem da qual se queixa”, não é por má-fé que ele age assim.
É porque não dá conta, porque PRECISA se defender acusando o outro.
Se o paciente não “banca seu desejo”, não é por covardia. É porque ele ainda não tem força egoica, segurança, confiança suficientes para fazer isso.
Nesse sentido, nosso objetivo na análise não deve ser o de simplesmente instigar os pacientes a serem mais honestos, responsáveis e corajosos.
Na verdade, devemos ajudá-los, com sensibilidade, paciência e solidariedade a se tornarem mais FORTES para poderem, naturalmente, renunciar a suas defesas.
Você já foi atendido por um analista que agia como superego gourmet?
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Esta é uma pequena fatia da aula “Theodor Reik e o terceiro ouvido” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Tradicionalmente, nós, psicanalistas, aprendemos que nossa principal ferramenta de trabalho é a escuta.
Por isso, temos uma tendência a focar nossa atenção (flutuante, diga-se de passagem) àquilo que o paciente DIZ durante a sessão.
É com base nesse material verbal que normalmente formulamos nossas hipóteses e interpretações.
Assim, se alguém nos perguntasse: “Por que você fez tal intervenção?”, poderíamos responder: “Porque o paciente me falou tais e tais coisas”.
Tudo isso está correto. Porém, a experiência comunicativa que estabelecemos com nossos analisandos não se reduz a essa troca verbal.
Frequentemente, nos flagramos pensando ou sentindo certas coisas em relação ao paciente que não conseguimos remeter diretamente a algo que ele tenha dito.
Às vezes, é o MODO como o sujeito fala, seu tom de voz ou a postura específica que adota diante de nós o “gatilho” que nos induz a certas hipóteses ou sensações.
É aí que entra o que Theodor Reik chamou de “terceiro ouvido”: uma escuta mais sutil, quase intuitiva — que toca o inconsciente antes mesmo da fala.
Quer entender melhor esse conceito e ver exemplos práticos de como isso aparece nas sessões?
Então, assista à aula “Theodor Reik e o terceiro ouvido“, publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, minha escola de formação teórica em Psicanálise.
A aula já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS.
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Nos anos finais da década de 1910, o psicanalista húngaro Sándor Ferenczi estava insatisfeito com o processo terapêutico de alguns pacientes.
Para além das conhecidas e naturais resistências, parecia haver algum obstáculo adicional que os impedia de avançarem no trabalho de análise.
Ah, para quem não sabe:
Ferenczi foi um dos principais nomes da primeira geração de analistas, fez análise com Freud e produziu grandes contribuições para a teoria e a técnica da Psicanálise.
Voltando ao assunto: incomodado, o médico decidiu sair da posição passiva em que o psicanalista geralmente fica no tratamento a fim de testar uma hipótese.
Ferenczi suspeitava que certos comportamentos daqueles pacientes, dentro e fora do consultório, tinham a ver com a falta de evolução deles.
Por isso, começou a propor mudanças concretas no comportamento, sugerindo ações a serem feitas ou evitadas.
Ele poderia, por exemplo, pedir a uma paciente para se expor a uma situação que lhe causava medo ou se esforçar para evitar um ato compulsivo.
Ferenczi acreditava que tais comportamentos (evitação e compulsão) poderiam ser formas que a analisanda encontrava para fugir do confronto com suas fantasias.
Nesse sentido, se ela seguisse suas recomendações, isso interromperia o movimento de fuga e a terapia voltaria a progredir.
Afinal, não tendo mais “válvulas de escape”, a paciente não teria alternativa a não ser trabalhar suas fantasias em análise.
Essa chamada “técnica ativa” deu certo?
Sim, Ferenczi conseguiu destravar o processo terapêutico de muitos pacientes fazendo isso.
Algum tempo depois, o médico acabou abandonando o método por achar que ele fazia o paciente ficar muito submisso ao analista.
Todavia, o experimento ferencziano nos deixou uma lição importantíssima:
A de que, muitas vezes, nós não evoluímos na terapia porque, sem perceber, sabotamos o trabalho de elaboração que fazemos no setting analítico.
Talvez, se não tomarmos a decisão consciente de abandonar certos hábitos, mesmo sentindo angústia, corremos o risco de passar 30 anos no divã e avançar muito pouco.
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