Lucas Nápoli é psicólogo, psicanalista e professor. Possui os títulos de Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autor do livro "A Doença como Manifestação da Vida".
Esta é uma pequena fatia da aula ao vivo 148 da CONFRARIA ANALÍTICA, ministrada na última quinta-feira (04/01) e cuja gravação está disponível na íntegra na nossa plataforma.
Trata-se da primeira aula sobre o texto de Freud “ALGUNS TIPOS DE CARÁTER ENCONTRADOS NO TRABALHO PSICANALÍTICO”.
A próxima aula ao vivo dessa série será segunda-feira (08/01), às 20h, na Confraria.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
O indivíduo que se preocupa muito em agradar geralmente não tem uma preocupação consciente com a imagem que as pessoas terão dele; o seu problema é não conseguir expressar seus interesses quando esses vão de encontro ao desejo do outro. Já a pessoa que se preocupa excessivamente com a própria reputação sofre porque se imagina o tempo todo num palco tendo que executar uma performance que possa ser sempre digna de aplausos. Para tal indivíduo, só é possível estar em paz quando sabe que está sendo visto positivamente por todas as pessoas que o conhecem.
Por que sujeitos que apresentam esse perfil estão sequestrados? Porque, ao elegerem a apreciação do outro como parâmetro essencial para suas condutas, passam a não poder mais agir de acordo com aquilo que eles mesmos consideram ser mais importante. O raciocínio é simples: quando vai fazer uma prova de uma disciplina da faculdade, você não pode escrever o que deseja (a menos que não queira tirar uma boa nota). Você precisa colocar na prova apenas aquelas coisas que estão de acordo com o que o professor ensinou. Em outras palavras, ao se submeter a uma avaliação, você passa a estar sob o jugo de critérios e parâmetros externos. Ora, a pessoa excessivamente preocupada com a imagem que os outros terão dela vive como se estivesse o tempo todo fazendo uma prova. E pior: trata-se de uma avaliação na qual ela não pode sequer se dar ao luxo de tirar uma nota mais ou menos; só vale nota 10.
O que você acaba de ler é um trecho do capítulo “Imagem e reputação”, do meu novo e-book “ENTENDA-SE: 50 LIÇÕES DE UM PSICANALISTA SOBRE SAÚDE MENTAL”, que será lançado no dia 18 de janeiro às 20h numa SUPER AULA AO VIVO, transmitida tanto no Instagram quanto no meu canal do YouTube.
Em breve, mais informações.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Na época de Freud (estamos falando do final do século XIX e início do século XX), o que a cultura europeia dizia para os indivíduos?
“Você precisa ser uma pessoa decente, virtuosa, moralmente irrepreensível e capaz de dominar completamente suas emoções e impulsos.”
Essa era basicamente a mensagem que uma pessoa na Europa daqueles tempos ouvia reiteradamente desde criança.
É por essa razão que o tipo de adoecimento psíquico que chegava com mais frequência à clínica de Freud era a neurose.
Afinal, um sujeito se torna obsessivo, histérico ou fóbico justamente por fracassar na vã tentativa de se adequar a um imperativo moral totalmente idealizado.
Nós ainda vemos neuróticos na clínica, mas eles estão se tornando cada vez mais raros.
Num mundo em que decência, virtude e moral saíram de moda, pouca gente hoje em dia adoece por não conseguir se conformar a um ideal de pessoa “de bem”.
Mas os consultórios dos psicanalistas continuam cheios e isso revela a existência de uma nova atmosfera cultural, igualmente adoecedora.
Cada vez mais recebemos pessoas deprimidas, ansiosas, inseguras, com baixa autoestima.
E elas não sofrem da incapacidade de serem “moralmente irrepreensíveis”.
Pelo contrário!
Algumas delas sequer possuem um sistema de referências normativas suficientemente sólido que lhes diga: “É assim que você deve ser.”.
No fundo, muitos desses pacientes estão… perdidos, “desbussolados”, como diz o psicanalista Jorge Forbes.
Se os pacientes de Freud sofriam com o EXCESSO de sentido vindo da cultura, nossos pacientes padecem justamente da… FALTA de sentido.
Sem referências simbólicas estáveis, não conseguem fazer projetos, se angustiam diante das várias possibilidades de escolha e se tornam as vítimas perfeitas para os gurus da alta performance.
O poder imperativo de que gozavam a Religião e a Tradição na época de Freud foi triturado.
E hoje seus grãos se encontram espalhados nas mãos de “influenciadores” que se posicionam como arautos da verdade e prometem a seus seguidores uma vida “épica” e “destravada”.
Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
E para quem está se afogando, jacaré é tronco.
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “Abuso e dependência de drogas: considerações psicanalíticas”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Quando falamos sobre dependência química, um aspecto que geralmente passa despercebido é a sensação de controle que a dr0ga proporciona.
Essa afirmação pode parecer estranha para muitos de vocês.
Afinal, um viciado se caracteriza justamente por NÃO SER CAPAZ de controlar o desejo de consumir determinadas substâncias.
Isso é verdade. Mas não é TODA a verdade.
Com efeito, o anseio incontrolável de “dar um teco” serve ao cocainômano paradoxalmente como uma DEFESA em relação a certas experiências psíquicas IGUALMENTE INCONTROLÁVEIS.
Se o sujeito se vê compelido por si mesmo a fazer uso da dr0ga é porque SABE que, ao consumi-la, experimentará determinadas sensações agradáveis.
Ou seja, o ent0rpecente fornece ao sujeito PREVISIBILIDADE e CONTROLE sobre sua experiência emocional.
Isso é rigorosamente a mesma coisa que acontece quando você está com dor de cabeça e toma um analgésico. Na prática, você está gerenciando sua vivência subjetiva por meio de uma dr0ga.
Agora, imagine que você tenha uma “dor de cabeça” que só desaparece durante algumas horas após a ingestão do remédio. Assim que o efeito do medicamento acaba, ela retorna…
Essa é a experiência psíquica de muitas pessoas que se viciam em dr0gas.
A diferença é que, no caso delas, não se trata de dor de cabeça, mas de dores DA ALMA: baixa autoestima, sentimento de inferioridade, traumas infantis, depressão etc.
Estamos falando de questões emocionais graves, mas que desaparecem ou são compensadas DURANTE UM BREVE PERÍODO por meio de algumas tragadas, uma cheirada ou uma picada…
Percebe? O dependente consegue, ainda que temporariamente, controlar o que se passa em seu psiquismo por meio do ent0rpecente.
Mas além desse controle emocional, as dr0gas também exercem outras funções que nos ajudam a entender porque algumas pessoas se viciam.
E é sobre essas funções que eu falo na AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.
O título dela é “Abus0 e dependência de dr0gas: considerações psicanalíticas” e já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS”.
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Muitas vezes só conseguimos encontrar saídas para certos problemas quando alguém nos ajuda a pensar sobre eles.
Considerando minha experiência clínica, especialmente nos últimos anos, tenho chegado à conclusão de que a terapia psicanalítica consiste exatamente nisso:
Uma experiência dialógica em que uma pessoa (o analista) ajuda outra (o paciente) a pensar melhor SOBRE SI MESMA.
É claro que isso não ocorre sempre.
Por mais surpreendente que isso possa parecer, há pacientes que NÃO estão interessados em pensar melhor sobre si mesmos.
Certas pessoas procuram análise apenas para terem alguém que as escute. Sim, elas não desejam refletir e sequer ouvir o que o analista tem a dizer. Só querem falar.
Há também aqueles que buscam simplesmente a experiência de conversar com alguém que não irá julgá-los ou condená-los. Não querem pensar sobre nada. Na verdade, não suportam…
Mas a maioria dos pacientes vem à terapia porque quer mudar o seu jeito de ser e acredita que precisa da ajuda de outra pessoa para conquistar esse objetivo.
Nesses casos, o que o analista faz?
Basicamente coloca sua mente a serviço do paciente.
Renuncia a seus preconceitos, abandona suas preocupações pessoais e, durante 40 a 50 minutos de sessão, empresta seu psiquismo para que o analisando utilize-o para pensar sobre si mesmo.
É óbvio que esta forma de descrever o processo é uma figura de linguagem.
Na prática, o que acontece é que o paciente conta suas histórias e pensamentos e o analista expande o universo reflexivo do sujeito com seus comentários, perguntas e interpretações.
Nesse momento, você pode me perguntar:
— Uai, Lucas, mas se a Psicanálise é isso, qual a diferença entre ela e uma boa conversa com um amigo?
A diferença está na posição ocupada pelo interlocutor: o amigo fala do seu próprio ponto de vista, impregnado de preconceitos e vieses pessoais.
O analista, por sua vez, esforça-se para abandonar o seu ponto de vista pessoal e mergulha no psiquismo do paciente.
É claro que essa tarefa nunca é cumprida com perfeição e o analista, por vezes, deixa escapar seus preconceitos e vieses.
Mas, pelo menos, ele SE ESFORÇA MUITO para abandoná-los. E isso faz toda a diferença…
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “ESTUDOS DE CASOS 07 – Rose: do abandono materno à baixa autoestima”, que já está disponível no módulo “ESTUDOS DE CASOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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A internet está abarrotada de gente leiga dando pitaco sobre problemas psicológicos sérios.
Se você fizer, por exemplo, uma pesquisa sobre “como melhorar sua autoestima” em qualquer rede social ou mecanismo de busca, verá uma série de conteúdos com “dicas” de como fazer isso.
Gente, isso é tão absurdo quanto alguém escrever um post com o título “5 passos para curar o seu câncer”.
Autoestima baixa é um problema emocional grave que não se resolve com simples atos baseados na força de vontade.
E por que não se resolve dessa forma?
Porque os processos que levam uma pessoa a ter um olhar essencialmente negativo sobre si mesma NÃO ESTÃO SOB O CONTROLE DELA.
A dimensão nuclear da nossa autoestima é constituída com base na maneira como fomos vistos e tratados nos primeiros anos de vida, ou seja, numa época em que não tínhamos muita capacidade de escolha.
Como sempre digo, uma criança não pode “terminar” com pais agressivos ou negligentes. Ela é obrigada a suportar e se adaptar aos comportamentos hostis protagonizados por eles.
E uma forma de adaptação pode ser justamente a autoestima baixa:
“Se meu pai não me assumiu, minha mãe me abandonou e, quando sou agredida, não há ninguém para me defender, isso significa que eu não valho nada.”
Este foi o raciocínio que, durante um bom tempo, governou a vida de Rose, uma paciente atendida por uma de nossas alunas da CONFRARIA ANALÍTICA.
O caso dela foi comentado por mim na AULA ESPECIAL de hoje (sexta), publicada no módulo “ESTUDOS DE CASOS” da nossa escola.
Essa história clínica é particularmente interessante porque mostra que a autoestima só pode ser verdadeiramente modificada COM O TRATAMENTO APROPRIADO.
A paciente em questão fez avanços muito significativos em função da EXPERIÊNCIA EMOCIONAL CORRETIVA que ela pôde vivenciar em seu processo terapêutico.
Então, entre na Confraria, assista à aula e veja como se formou a baixa autoestima de Rose e o que sua analista fez para ajudá-la a resolver este problema.
O título da aula é “ESTUDOS DE CASOS 07 – Rose: do abandono materno à baixa autoestima” e já está disponível no módulo ESTUDOS DE CASOS.
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Nós, psicanalistas, utilizamos frequentemente a expressão “o Inconsciente”.
E fazemos isso para designar uma dimensão do funcionamento psíquico cuja existência PRECISAMOS supor para conseguir explicar certos comportamentos humanos.
Por exemplo:
Uma jovem chega ao consultório de seu terapeuta dizendo que gostaria muito de terminar com seu namorado, mas, infelizmente, não consegue.
Ora, eu só posso compreender a permanência dessa mulher no relacionamento SUPONDO que, para-além de seu desejo consciente de terminar, existe OUTRO DESEJO, inconsciente, que a leva a continuar com o cara.
Concorda?
Para entender por que a moça deseja sair do namoro é simples.
Como o seu desejo de terminar é consciente, basta perguntar que ela responderá:
“Ah, a gente briga muito.”, “Ele não me trata de uma forma carinhosa.”, “Já me traiu.”, “Meus pais não gostam dele.” etc.
Já o desejo inconsciente de continuar na relação não é tão facilmente explicável.
De fato, não seria surpreendente se, indagada, a paciente dissesse a seu terapeuta:
— Eu não sei. Esse é o problema! Eu não sei porque continuo nesse namoro apesar de querer terminar.
Isso mostra que as razões que motivam o desejo inconsciente precisam ser INVESTIGADAS, DEDUZIDAS, DESCOBERTAS.
O médico austríaco que criou a Psicanálise, o Dr. Sigmund Freud, inventou um método muito eficiente para fazer esse trabalho de investigação.
Trata-se da ASSOCIAÇÃO LIVRE, uma técnica que consiste, basicamente, em pedir ao paciente que verbalize o que está pensando.
É por isso que um psicanalista não perguntaria para a jovem do nosso exemplo:
— Por que você não termina?
Ora, ele sabe que, se a pessoa se comporta de uma forma que contraria sua vontade consciente, é justamente porque desconhece os verdadeiros motivos dessa conduta.
Ao invés de fazer essa indagação, um analista simplesmente pediria à paciente que falasse abertamente sobre o namoro.
Dessa forma, pouco a pouco apareceriam no discurso da moça as razões que justificam sua resistência a terminar.
Mas apareceriam não de maneira clara e distinta, mas como indícios sutis — que todo bom investigador sabe encontrar na cena de um crime.
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