Lucas Nápoli é psicólogo, psicanalista e professor. Possui os títulos de Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autor do livro "A Doença como Manifestação da Vida".
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Uma das experiências mais desafiadoras para qualquer terapeuta, especialmente para os iniciantes, é atender pacientes muito silenciosos.
Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, nem todo o mundo inicia um processo terapêutico botando para fora todas as suas queixas e dificuldades.
Existem pacientes que até falam bastante na primeira sessão, estimulados por algum gatilho recente. Todavia, no encontro seguinte, já se mostram bastante taciturnos.
Há também aqueles que não ficam efetivamente calados, mas fazem uso de uma FALA SILENCIOSA, isto é, abordam as mais irrelevantes banalidades só para preencher o tempo da sessão.
A experiência clínica me autoriza a certificar que, nesses casos, há sempre (sempre!) determinados conteúdos que o paciente se esforça CONSCIENTEMENTE para esconder do terapeuta.
Como dizia o psicanalista húngaro Sándor Ferenczi, o paciente não fica em silêncio ou fala banalidades porque não tem nada a dizer, mas porque precisa CALAR certas coisas.
Se o terapeuta tiver a paciência e a astúcia dos bons investigadores, cedo ou tarde o sujeito acaba confessando a capivara que vinha ocultando e abandona a atitude de retraimento.
Mas essa situação clínica é muito instrutiva porque ela revela uma das origens possíveis da TIMIDEZ.
É claro que experiências de rejeição e humilhação na infância podem contribuir para fazer uma pessoa se tornar retraída e acanhada na vida adulta.
No entanto, em muitos casos, observamos que a inibição é o meio que o indivíduo encontrou para evitar correr o risco de expor certos aspectos de si que considera inadequados, mas que latejam constantemente em sua alma.
Um exemplo muito comum é o de homens que se tornam tímidos na adolescência como forma de evitar a exteriorização de inclinações homossexuais recém-percebidas.
Assim como o paciente silencioso se mostra inibido na terapia para evitar falar de determinadas coisas, a pessoa pode ficar acanhada NA VIDA para se esquivar da TENTAÇÃO de expor certas características suas.
Em outras palavras, nesses casos não estamos falando de tímidos que têm medo de passar vergonha, mas que usam o retraimento como uma estratégia para se protegerem… DE SI MESMOS.
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É a saída da posição de espectador e o reconhecimento do lugar de autor da própria história que percebo como um dos elementos cruciais que promovem a mudança na terapia psicanalítica.
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Esse corte foi extraído da nossa última aula AO VIVO de segunda-feira na CONFRARIA ANALÍTICA.
Hoje, a partir das 20h, teremos mais um encontro.
Estamos estudando linha a linha o texto de Freud “Sobre o narcisismo: uma introdução”.
Te vejo lá!
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Mesmo que uma pessoa passe décadas fazendo análise, ela nunca se tornará completamente “transparente” para si mesma. O Inconsciente, essa dimensão opaca e disruptiva da nossa alma, SEMPRE continuará existindo. O analista pode se dar por satisfeito se tiver conseguido ajudar o paciente a superar as inibições e sintomas que o impediam de agir no mundo e aproveitar a vida.
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Esta é uma pequena fatia da AULA ESPECIAL “Karen Horney: uma crítica à visão freudiana sobre o desenvolvimento das mulheres”, já disponível para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.
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Toda vez que eu vou falar sobre o complexo de castração em Freud algumas alunas questionam a validade das teses freudianas sobre o desenvolvimento s3xual feminino.
Eu explico que o pai da Psicanálise não tirou tais ideias de trás da orelha, mas simplesmente teorizou o que encontrava na clínica.
De todo modo, a imensa maioria das mulheres encara com um olhar de descrença a concepção freudiana de que o eixo fundamental da psicologia feminina é a INVEJA DO P3NIS.
Sim, é o que Freud diz: o ponto crucial do desenvolvimento de uma menina é o momento em que ela se dá conta de que só os garotos têm p3nis e fica profundamente magoada com isso.
É inegável que existem várias mulheres que vivem ressentidas e até adoecem neuroticamente por se considerarem inferiores aos homens — a clínica evidencia isso com muita clareza.
O problema de Freud foi supor que isso acontece com TODAS as mulheres.
Provavelmente, impressionado com o discurso lamentoso de suas pacientes histéricas, o médico vienense deduziu que, no fundo da alma de TODA mulher, haveria sempre uma eterna invejinha da condição masculina.
Freud dava tanto peso ao papel da inveja do p3nis na psicologia feminina que considerava esse o fator que explicaria o típico desejo das mulheres de serem mães.
Ele achava que as meninas começariam a almejar a maternidade como um meio de serem compensadas por sua SUPOSTA castração natural:
“Se o destino não me fez com p3nis, que eu tenha pelo menos direito a um bebezinho”.
Exagero?
Foi o que pensou a psicanalista alemã Karen Horney (1885-1952).
Baseada em sua própria vivência de mulher, na clínica e na observação de crianças do s3xo feminino, Horney teve a coragem de se contrapor a Freud.
Em 1933, a autora escreveu o artigo “A negação da v4gina: uma contribuição ao problema das ansiedades genitais específicas das mulheres”.
Nesse texto, ela formula uma nova concepção sobre o desenvolvimento s3xual feminino, centrada na experiência da menina com seu próprio corpo e não na comparação com o corpo masculino.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que eu comento esse artigo e apresento as pertinentes e inovadoras ideias de Karen Horney.
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Se alguém te perguntasse no ponto de ônibus qual é a definição de FALO em Psicanálise, você saberia responder?
Se sua resposta for NÃO, deixa eu te ajudar.
Em bom humanês: FALO nada mais é do que o SIGNIFICADO que o p3nis tem na cabecinha de uma criança de 3 a 5 anos.
— Uai, Lucas, você não disse que iria me ajudar? Pois essa definição me deixou foi ainda mais confuso. 🤔
Calma, caro leitor. Deixe-me desenvolver a ideia. Veja:
Para Freud, quando as crianças têm por volta de 3 a 5 anos, elas tomam consciência de que existe uma diferença muito marcante entre os corpos masculino e feminino:
Os meninos têm p3nis e as meninas… não têm.
Um adulto, evidentemente, sabe que essa diferença é tão-somente uma… diferença, já que a mulher não tem p3nis, mas, em contrapartida, tem clit0ris, v4gina, ou seja, uma genit4lia com características próprias.
Todavia, uma criancinha de 3 a 5 anos, não consegue ter essa compreensão.
Ainda facilmente iludida pelas aparências, ela vê a diferença entre os corpos e conclui que, no feminino, está FALTANDO uma parte.
Assim, o p3nis é interpretado por meninos e meninas nessa fase como O ELEMENTO QUE TORNARIA UMA PESSOA COMPLETA, INTEIRA, PLENA.
Ora, é justamente essa representação poderosa que a criança faz do p3nis o que nós chamamos de FALO.
— Mas, peraí, Lucas. Depois que a criança cresce, ela deixa de atribuir esse significado ao órgão masculino, certo?
Certo.
— Então, por que não tratar isso como um simples mal-entendido infantil sem maiores consequências?
A resposta é simples, caro leitor: porque essa ideia de SER uma pessoa INCOMPLETA (conclusão das meninas) ou de PODER SER uma pessoa INCOMPLETA (conclusão dos meninos) nunca sai da nossa cabeça.
A gente até deixa de pensar que é o p3nis o elemento que confere completude, mas transferimos o significado dado originalmente ao órgão sexual masculino para outras coisas, como:
Sucesso profissional, dinheiro, filhos, quantidade de seguidores, poder, fama, parceiros amorosos etc. etc. etc…
Crescemos. Sim, crescemos. Mas, no fundo, continuamos a ser aquela criancinha que, um belo dia, botou na cabeça que EXISTE UM ELEMENTO QUE CONFERE COMPLETUDE ÀS PESSOAS…
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Ao invés de investir sua energia psíquica na expansão, no crescimento e na criatividade, a pessoa emocionalmente doente gasta sua libido rebocando as paredes defensivas de seu mundo interno.
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Hoje, a partir das 20h, teremos mais um encontro.
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Será que a ênfase que Freud deu à influência do fator sexual na produção das neuroses não pode ser explicada pelo fato de que, na época dele, havia uma forte repressão da sexualidade na Europa? Nesse sentido, a teoria freudiana das neuroses não estaria ultrapassada? Confira a resposta no vídeo.
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Esta é uma pequena fatia da AULA ESPECIAL “Cinco dicas de Ferenczi para o manejo clínico em Psicanálise”, já disponível para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.
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Uma das principais dificuldades enfrentadas por quem está iniciando a prática da Psicanálise é lidar com os momentos em que o paciente fica em silêncio.
Isso pode acontecer de maneira pontual, durante alguns segundos ou minutos, mas há ocasiões em que o analisando passa muito tempo calado sob a justificativa de “não ter nada para dizer”.
Por que o silêncio é tão constrangedor para muita gente?
Minha hipótese é a de que a ausência de comunicação verbal entre duas pessoas que estão sozinhas num mesmo espaço (físico ou virtual) estabelece um clima de intimidade semelhante ao que existe numa relação amorosa…
Mas analistas iniciantes também podem se sentir incomodados com o silêncio por projetarem seu superego nos pacientes e imaginarem que estão sendo criticados por estarem calados.
O que fazer quando o paciente fica em silêncio?
Devemos simplesmente ficar quietos e aguardar a retomada da associação livre?
Na opinião do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi (1873-1933), não.
Na primeira seção do trabalho “A técnica psicanalítica”, de 1919, o médico recomenda aos analistas que, nesses momentos, perguntem diretamente ao paciente em que ele está pensando.
Em muitos casos, o analisando acaba confessando que tem algumas coisas em mente, mas não as disse por considerar que são irrelevantes.
Essa é uma ocasião bastante oportuna para que o analista relembre ao paciente que, na terapia psicanalítica, absolutamente QUALQUER COISA que passe por sua cabeça é IMPORTANTE.
Na verdade, menosprezar o valor de certas ideias é uma das formas mais comuns de expressão da RESISTÊNCIA. O terapeuta deve ajudar o analisando a perceber isso.
— Ah, Lucas, mas e se o paciente disser que realmente não está pensando em nada e continuar em silêncio? O que o Ferenczi recomenda que os analistas façam?
A resposta para essa e mais quatro outras perguntas sobre técnica psicanalítica você encontrará na aula especial “CINCO DICAS DE FERENCZI PARA O MANEJO CLÍNICO EM PSICANÁLISE”, que estará disponível ainda hoje (sexta) para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.
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