Esta é uma pequena fatia da AULA ESPECIAL “LENDO FERENCZI 09 – Como e quando utilizar a técnica ativa” que já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – FERENCZI da CONFRARIA ANALÍTICA.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Freud costumava dizer que a análise deveria acontecer numa condição de “abstinência”.
Na prática, isso significa que o analista deveria manter o paciente num estado de permanente… desconforto.
Isso mesmo: desconforto.
Mas antes que venha alguém acusar o pai da Psicanálise de sadismo, deixe-me explicar o motivo pelo qual ele defendia isso.
Freud acreditava que se a análise fosse uma experiência muito tranquila, confortável e satisfatória, o paciente não se engajaria no processo terapêutico.
Ele ficaria ali falando, falando, falando, usufruindo da companhia agradável do terapeuta e não sairia do lugar.
Por isso, o médico vienense recomendava justamente que os analistas não fossem companhias muito agradáveis…
Um paciente insatisfeito, pensava Freud, “trabalha” mais na análise do que aquele para quem as sessões são momentos de puro deleite.
De fato, gente, nós não podemos deixar nossos pacientes numa “zona de conforto”.
Nossa presença precisa ser SUFICIENTEMENTE incômoda para provocá-los e incitá-los a fazer contato com os conteúdos de seu Inconsciente.
O problema é que, às vezes, a simples postura mais reservada e profissional do analista não é suficiente para mobilizar o sujeito e perturbar suas resistências.
Eventualmente, é preciso que o terapeuta convide o paciente a SE MEXER em algumas áreas de sua vida a fim de levá-lo a sair da zona de conforto.
Foi essa a conclusão a que o psicanalisa húngaro Sándor Ferenczi chegou quando propôs a chamada “técnica ativa”.
Trata-se de um procedimento que consiste em recomendar ao paciente que faça ou deixe de fazer certas coisas a fim de estimular a manifestação do Inconsciente.
Na AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, eu explico (com exemplos) em que momentos a técnica ativa pode ser utilizada e de que forma deve ser aplicada.
O título da aula é “LENDO FERENCZI 09 – Como e quando utilizar a técnica ativa” e já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – FERENCZI.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Muitas pessoas se habituaram a pensar que possuem uma “verdadeira essência” escondida por trás daquilo que efetivamente fazem.
A própria Psicanálise contribuiu para a formação dessa ideia com a descoberta de que nossos comportamentos são influenciados por pensamentos inconscientes.
Assim, muita gente procura um psicanalista na esperança de finalmente descobrir quem REALMENTE é, como se essa verdade estivesse oculta e precisasse ser desvelada.
Quem pensa dessa forma se esquece de outra descoberta crucial da Psicanálise: a de que o Inconsciente está SEMPRE falando — em alto e bom som.
— Como assim, Lucas?
Veja: os pensamentos que nós reprimimos e/ou mantemos reprimidos estão sempre retornando à nossa consciência de modo disfarçado.
Eles não ficam, como muita gente imagina, presos e guardados lá no Inconsciente.
A mocinha que tem inclinações homossequissuais reprimidas, por exemplo, está o tempo todo expressando-as de modo indireto, simbólico, metafórico.
Só é preciso ter olhos para ver.
A repugnância afetada diante de uma cena de beijo entre duas mulheres num filme pode muito bem ser a expressão pelo avesso do desejo não reconhecido.
Assim como a violência com que aquele rapaz se condena e se cobra pode revelar, nas entrelinhas, a ardente agressividade que ele insiste em tentar reprimir.
A repressão, senhoras e senhores, SEMPRE FRACASSA.
É como tentar se livrar do corpo de um pássaro morto guardando-o numa gaveta.
O cheiro do cadáver em decomposição inevitavelmente denunciará sua presença ali.
Por isso, se você quer descobrir a sua “verdadeira essência”, basta olhar para o que efetivamente diz, faz e pensa.
Ela não está enterrada num baú recôndito ao qual só se tem acesso depois de um longo processo de escavação.
A nossa verdade está aí, na nossa cara, gritando a plenos pulmões.
O problema é que a gente se nega a escutá-la.
E é por isso que a Psicanálise demora.
De fato, a gente precisa de um bom tempo para tomar coragem de olhar para a verdade e mais tempo ainda para se acostumar com o seu modo peculiar de falar.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
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Esta é uma pequena fatia da AULA ESPECIAL “A transferência e o sujeito suposto saber” que já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – LACAN da CONFRARIA ANALÍTICA.
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A expressão “sujeito suposto saber”, inventada por Lacan é frequentemente utilizada por quem trafega no território psicanalítico.
A minha impressão, porém, é a de que muitas pessoas a utilizam de forma equivocada, sem saber exatamente o que, de fato, significa.
Trata-se de um daqueles termos que parecem meio autoexplicativos e que, justamente por isso, acabam levando a mal-entendidos.
Tem gente, por exemplo, que acha que um professor está na posição de sujeito suposto saber só porque os alunos supõem que ele saiba o que está ensinando.
Nada a ver!
Quando Lacan apresentou a noção de sujeito suposto saber lá em 1964, no seminário 11, isso aconteceu em meio a seu esforço para FORMALIZAR o conceito psicanalítico de TRANSFERÊNCIA.
O psicanalista francês acabou chegando à conclusão de que a função do sujeito suposto saber é um elemento essencial na ESTRUTURA da transferência.
Se não levarmos esse contexto em consideração, acabaremos caindo na cilada de achar que sujeito suposto saber significa simplesmente uma pessoa que se apresenta como alguém que supostamente sabe.
— Beleza, Lucas, entendi. Mas se o sujeito suposto saber não é isso, o que ele é, então?
A resposta para essa pergunta está exposta de forma didática, simples e com exemplos na AULA ESPECIAL publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.
O título dela é “A transferência e o sujeito suposto saber” e está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – LACAN.
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Freud cunhou o termo PsicANÁLISE para designar o método psicoterapêutico que inventara por uma razão muito simples:
A essência do tratamento que estava propondo consistia em identificar e trazer à luz os ELEMENTOS reprimidos que estavam na base dos sintomas neuróticos.
De fato, analisar quer dizer literalmente isso: examinar detalhadamente determinado objeto a fim de distinguir seus componentes.
Distinguir, por sua vez, significa separar, discriminar, diferenciar.
Partindo dessas premissas, podemos concluir que o percurso que terapeuta e paciente fazem ao longo de uma análise tem sempre como horizonte… a CLAREZA.
Isso vale não só para o tratamento como um todo, mas também para cada uma das sessões.
A cada encontro, o paciente é convidado pelo analista a objetivar por meio da fala o que está se passando em seu psiquismo.
Quase sempre esse material é uma miscelânea verbal carregada de ambiguidades, hesitações e imprecisões.
Ora, uma das tarefas do terapeuta é justamente ajudar o paciente a esclarecer esse todo confuso e obscuro por meio da extração de seus componentes fundamentais.
É como se o sujeito trouxesse para a análise um imenso novelo todo embolado e fosse convocado pelo analista a desembaraçá-lo pacientemente.
O próprio fato de ter que entregar esse emaranhado psíquico ao terapeuta por meio da fala já compele o analisando a começar a deslindá-lo.
Por isso, podemos dizer que a própria estrutura do tratamento psicanalítico é, em si mesma, terapêutica.
Afinal, o ato de endereçar a fala a alguém que verdadeiramente se dispõe a escutar tudo com atenção exige do sujeito um mínimo de análise sobre o que diz.
Todo paciente já passou pela experiência de obter insights preciosíssimos simplesmente fazendo associação livre, sem que o analista dissesse uma só palavra.
Mas o terapeuta também fala.
E essa fala, para ser verdadeiramente analítica, deve estar comprometida com o horizonte da clareza.
Às vezes, nós, analistas, damos suporte, indicamos possíveis saídas, reconfortamos, mas nossa atribuição essencial permanece sendo a de ANALISAR.
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Esta é uma pequena fatia da AULA ESPECIAL “ESTUDOS DE CASOS 13 – Ana: da identificação com o pai à tricotilomania”, que já está disponível no módulo ESTUDOS DE CASOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
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O termo tricotilomania foi inventado pelo dermatologista francês François Henri Hallopeau em 1889 para nomear um curioso comportamento:
A compulsão que algumas mulheres têm de arrancar seus próprios fios de cabelo.
A expressão cunhada por Hallopeau foi baseada nas palavras gregas “tricho” (cabelo) e “tillo” (arrancar, puxar).
Ana, uma paciente atendida por uma de nossas alunas da CONFRARIA ANALÍTICA, sofre há muito tempo com esse problema.
Ela arranca seus fios com tamanha agressividade que chega a machucar o couro cabeludo.
Como ajudar essa moça a abandonar tal comportamento autodestrutivo?
Esse é o desafio que se impõe a sua analista.
A paciente já se submeteu por anos a terapias de adestramento (aquelas que se baseiam na identificação de “gatilhos” e no uso de técnicas de autocontrole).
Nenhuma delas funcionou.
O problema é que o tratamento atual também não está funcionando.
Embora a moça esteja há meses trabalhando com sua analista, a tricotilomania ainda permanece vivinha da silva.
O que a terapeuta não está enxergando?
O que representa simbolicamente na vida de Ana essa fissura incontrolável de arrancar os próprios fios de cabelo?
Como a talking cure psicanalítica pode levar esse sintoma a não ser mais necessário como meio de alívio da ansiedade?
Essas são algumas das perguntas que me propus a responder na aula especial “ESTUDOS DE CASOS #13 – Ana: da identificação com o pai à tricotilomania”, já disponível na CONFRARIA ANALÍTICA.
Trata-se de mais uma aula do módulo ESTUDOS DE CASOS em que comento casos clínicos reais enviados por alunos da nossa escola.
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Esta é uma pequena fatia da AULA ESPECIAL “Sono, sonho, insônia e ansiedade”, que já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Por que não passamos a noite inteira com a mente “desligada”, apenas descansando, em vez de alucinarmos situações às vezes tão heteróclitas?
(Sim, o sonho é uma espécie de alucinação. Por isso, às vezes acordamos e pensamos: “Nossa, parecia tão real…”.)
O sonho é a prova de que nosso aparelho psíquico não suspende sua atividade durante o sono.
Mas por que não? Por que ele não para?
A verdade é que não há consenso na literatura científica a respeito disso.
Há várias hipóteses biológicas para explicar a função dos sonhos: processamento de informações, regulação emocional, manutenção da saúde neural etc.
É provável todas elas estejam corretas em alguma medida, pois não são mutuamente excludentes.
Do ponto de vista psicanalítico, todo o mundo conhece a hipótese de Freud: os sonhos representam simbolicamente a realização de desejos.
Mas será mesmo que a concepção freudiana é suficientemente abrangente para ser aplicada a todos os sonhos?
Do meu ponto de vista, não.
Minha hipótese é a de que a realização disfarçada de desejos é APENAS UMA das formas que o aparelho psíquico encontra para cumprir a verdadeira função que realiza ao produzir os sonhos, a saber:
Neutralizar nossas ansiedades para permitir que a gente continue dormindo.
Quer saber mais sobre essa hipótese?
Então assista à AULA ESPECIAL “Sonho, sono, insônia e ansiedade” que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA.
A aula está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.
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Uma das primeiras e mais importantes descobertas que Freud fez sobre o ser humano foi a de que todos nós somos apaixonados por nosso eu ideal.
Isso pode ser visto como muita clareza, por exemplo, nos casos que o médico vienense examina lá nos “Estudos sobre Histeria”.
Um deles é o de uma jovem que desenvolveu dores nas pernas porque escondeu de si mesma o desejo de ficar com o marido da irmã mais velha que acabara de falecer.
Por que essa paciente reprimiu esse impulso “talarico”?
Ora, por conta da paixão pela imagem idealizada que queria ter de si, ou seja, pelo amor que tinha por seu eu ideal.
De fato, pensar em pleno leito de morte da irmã “Agora meu cunhado está livre. Posso me casar com ele” não combinava muito com o modelo de moça 100% decente e virtuosa que ela queria encarnar.
Assim, na tentativa de caber no apertadíssimo vestido de seu eu ideal, a jovem fingiu para si mesma que o desejo de pegar o cunhado nunca havia lhe passado pela cabeça.
Resultado: adoeceu.
Adoeceu porque não quis se enxergar.
E não quis se enxergar porque estava mais apaixonada pela imagem idealizada de si do que pelo marido da irmã.
Isso também acontece com você e comigo, tá?
Todos nós construímos um modelo perfeitinho e imaginário de nós mesmos com base naquilo que vivenciamos e ouvimos na infância.
E aí passamos a vida inteira correndo atrás desse modelo e fazendo todo e qualquer sacrifício para nos tornarmos conformes a ele.
Tem gente que sacrifica o reconhecimento de sua vulnerabilidade porque quer porque quer se enxergar no espelho da alma como 100% forte e imbatível.
Tem gente, como a paciente de Freud, que sacrifica a afirmação de seu desejo em nome de um ideal hipócrita e inalcançável de suposta pureza.
E tem também aqueles que, fascinados pela imagem ideal de bonzinhos, vivem jogando para debaixo do tapete da consciência seus inevitáveis impulsos agressivos.
Um dos propósitos da Psicanálise é nos ajudar a perder essa paixão farisaica e escravizante pelo eu ideal — substituir o apego à imagem pelo amor à verdade.
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