O desejo do analista é o antídoto para nossa paixão pela ignorância

Na Psicanálise, não é o terapeuta quem possui o saber que precisa ser trazido à luz para que o paciente possa melhorar.

Na verdade, a tarefa do analista não é explicar o que está acontecendo com o sujeito, mas ajudá-lo a encontrar e articular o que o próprio paciente JÁ SABE.

À primeira vista, pode parecer que esse é um processo muito fácil. Afinal, que paciente não gostaria de descobrir o que está na origem de seu sofrimento?

Eu respondo: TODOS.

Sim, todos nós queremos melhorar, mas nenhum de nós deseja, a princípio, investigar o que de fato está por trás dos nossos problemas emocionais.

O psicanalista francês Jacques Lacan tinha uma expressão muito boa para caracterizar essa atitude básica: “paixão pela ignorância” — um belo eufemismo para MEDO DE SABER A VERDADE.

Reconhecer e articular esse saber que fornece a chave para a compreensão de nossas dores é, em si mesmo, um trabalho doloroso.

É por isso que a gente cria tantas explicações simplórias e de fácil digestão:

“É tudo culpa da minha mãe.”

“Não é nada de mais. Eu só preciso trabalhar um pouco menos.”

“Se eu terminar esse namoro, tudo se resolve.”

Para ajudar o paciente a vencer sua paixão pela ignorância o próprio analista precisa estar numa luta constante com a SUA PRÓPRIA paixão pela ignorância.

Por exemplo: pensemos num terapeuta que tem questões mal trabalhadas com sua mãe.

Pode ser muito confortável para esse profissional embarcar no discurso do paciente que diz “É tudo culpa da minha mãe” e simplesmente assentir dizendo: “É verdade”.

Agindo assim, ele não só poupa o analisando de lidar com outras questões que estão para-além da mãe, mas também SE POUPA de enfrentar AS SUAS PRÓPRIAS QUESTÕES.

Tá errado!

Em vez de deixar o paciente preso a uma explicação simplória, o terapeuta deveria aguçar a CURIOSIDADE do sujeito para continuar investigando as razões de seu sofrimento:

“Sua mãe tem tanto poder assim?”.

No entanto, ele só conseguirá fazer isso se o seu DESEJO DE ANALISTA for mais forte que sua paixão pela ignorância.

E esse desejo, por sua vez, só terá sido forjado e fortalecido se esse profissional tiver sido (ou estiver sendo) paciente de outro terapeuta — que consegue afirmar seu desejo de analista…


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[Vídeo] O que você ganha quando está perdendo?

Um dos grandes diferenciais da Psicanálise é a sua capacidade de mostrar ao analisante que, se ele não consegue evitar seus problemas emocionais, é justamente porque PRECISA deles, assim como os dirigentes dos clubes PRECISAM de árbitros ruins para justificarem suas derrotas.

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[Vídeo] O “protesto masculino” de Alfred Adler

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[Vídeo] Você afirma sua individualidade?

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O homem que tomava dois banhos seguidos e não conseguia se descrever

Há cerca de seis meses, Afonso vem sofrendo de um problema curioso: ele não consegue sair de casa de manhã sem cumprir um rígido ritual.

Seu cerimonial inclui tomar dois banhos com um intervalo de apenas 20 minutos entre eles. O primeiro precisa acontecer logo ao acordar e o segundo após o café da manhã.

Certa vez, Afonso tentou ir para o trabalho sem tomar o segundo banho.

Todavia, a ideia de que estava terrivelmente sujo e o mal-estar que a acompanhava foram tão fortes que o rapaz precisou voltar para casa no meio do expediente para finalizar o cerimonial.

Desesperado, o contador resolveu iniciar um tratamento com Ana, uma psicanalista que lhe foi recomendada por um colega.

Ao longo da terapia, Afonso pôde se dar conta das ligações entre seu ritual e certas experiências sexu4is infantis.

Ele se lembrou, por exemplo, que na primeira vez em que ej4culou, aos 10 anos, se sentiu tão culpado e sujo que, logo depois, tomou dois banhos com intervalo de cerca de, justamente, 20 minutos entre um e outro…

Além de analisar o cerimonial de Afonso e os elementos inconscientes relacionados a ele, a analista também se preocupou em avaliar a estrutura egoica desse paciente.

Ana observou que o jovem contador não possuía uma imagem suficientemente estável de si mesmo.

Com efeito, não conseguia se descrever com mais de duas ou três características, não sabia dizer do que gostava de fazer para se divertir, não tinha projetos pessoais etc.

A própria escolha profissional pela Contabilidade foi feita não por um desejo genuíno de atuar na área, mas simplesmente porque disseram a Afonso que esse era um setor com alta empregabilidade.

Identificando essa fragilidade egoica no paciente, a terapeuta ficou se perguntando:

“O que será que posso fazer, enquanto analista, para ajudar o paciente nesse aspecto? Será que posso sair da posição psicanalítica tradicional e auxiliar o paciente a desenvolver um senso consistente de identidade pessoal?”.

A resposta para essas perguntas de Ana estão na AULA ESPECIAL “4 estratégias para facilitar o desenvolvimento do ego”, que estará disponível ainda hoje (sexta) para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.


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A gente faz Psicanálise para redescobrir…


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Adoecemos emocionalmente para tentar comunicar o que não damos conta de dizer.

Do ponto de vista psicanalítico, podemos pensar o adoecimento emocional metaforicamente como uma fala que não pôde ser comunicada.

Num primeiro momento, é como se a pessoa quisesse falar uma Coisa muito importante e verdadeira para si mesma.

Todavia, não se sente segura o suficiente para fazer isso.

Tem medo de como ficará ao escutar o seu próprio discurso.

Resultado: a pessoa decide não falar.

O problema é que a Mensagem que deseja comunicar é mais forte do que ela, de modo que não é possível segurar por muito tempo a Coisa a ser dita.

É aí que surge o adoecimento emocional.

Ele aparece como uma TENTATIVA de colocar para fora a Mensagem que a pessoa não deu conta de efetivamente COMUNICAR para si.

Fernanda não consegue dizer que ainda não aceitou ter tido uma mãe pouco acolhedora na infância.

Assim, TENTA expressar essa mensagem INDIRETAMENTE, relacionando-se com homens igualmente pouco acolhedores.

Insisto: o sintoma representa apenas uma TENTATIVA de comunicação, ou seja, algo como um espasmo, um grito e não uma FALA propriamente dita.

Se ele se repete, é justamente porque a Mensagem não foi de fato comunicada.

Afinal, não foi recebida e compreendida por seu receptor, a saber: o próprio sujeito.

Isso só pode acontecer se a Coisa for FALADA.

Quando uma pessoa, cansada da insistência de seu sintoma, decide começar uma análise, ela o faz nutrida por uma esperança inconsciente.

A esperança de que o terapeuta consiga DEDUZIR dos gritos e espasmos do sintoma a Coisa que ela não dá conta de comunicar.

Ou seja, ela espera que o analista a SUBSTITUA no lugar de emissor e receptor a fim de completar o fluxo comunicacional e, assim, fazer o sintoma desaparecer.

O terapeuta, porém, se recusa a usurpar a posição do paciente.

Por isso, ao invés de falar, o analista pede que o paciente diga — tudo o que lhe vier à cabeça.

A demanda de associação livre é, na verdade, um convite para que o paciente retome, agora num contexto seguro e confiável, a FALA que ficou presa no sintoma.

Fala que precisa não só ser emitida, mas, fundamentalmente ESCUTADA e COMPREENDIDA pelo próprio sujeito.

É por isso que sempre digo que a gente faz Psicanálise para SE ESCUTAR.


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[Vídeo] Expectativas narcísicas que os pais depositam nos filhos

Esse corte foi extraído da nossa última aula AO VIVO de segunda-feira na CONFRARIA ANALÍTICA.

Hoje, EXCEPCIONALMENTE, a partir das 19h, teremos mais um encontro.

Estamos estudando linha a linha o texto de Freud “Sobre o narcisismo: uma introdução”.

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[Vídeo] Entenda (com exemplos) o que é falo em Psicanálise

Em bom humanês: FALO nada mais é do que o SIGNIFICADO que o p3nis tem na cabecinha de uma criança de 3 a 5 anos.


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[Vídeo] Elaborar é como digerir

Esta é uma pequena fatia da AULA ESPECIAL sobre o conceito de ELABORAÇÃO, já disponível para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.


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Débora e o excesso de timidez: do insight à elaboração

Aos 34 anos, depois de tentar (sem sucesso) todas as técnicas propostas por livros de autoajuda para vencer seu excesso de timidez, Débora finalmente resolveu procurar uma psicanalista.

Na primeira sessão, a moça contou alguns dos prejuízos que a fobia social lhe causava:

— Eu não aguento mais ser assim. Já perdi várias oportunidades de trabalho porque eu não conseguia sequer comparecer à entrevista.

Formada em Ciências Contábeis, a paciente se descreve como uma pessoa calma, organizada e bastante religiosa.

Em análise, Débora teve oportunidade de falar sobre algumas situações marcantes de sua infância sobre as quais não comentava com ninguém.

Certa vez, por exemplo, quando tinha por volta de 6 anos, ela foi pega pela mãe beijando um priminho da mesma idade e levou uma surra da genitora.

Débora diz que, depois desse dia, se afastou completamente do primo e só voltou a ter contato com ele na adolescência — justamente na época em que sua fobia social teve início…

Estimulada pelas provocações da analista, a paciente acabou confessando outro sintoma: o vício em m4sturbação.

Ela afirma que chega a passar uma manhã inteira só consumindo conteúdo p0rn0gráfico.

Ao longo do processo terapêutico, a moça foi se dando conta de que o excesso de timidez poderia ser uma defesa contra seus impulsos s3xuais.

Impulsos que, desde criança, ela aprendeu a encarar como perigosos. Por isso, só se permitia vivenciá-los em segredo.

Apesar de ter feito esse reconhecimento, Débora ainda não conseguiu vencer sua fobia social.

Ela consegue perceber claramente o vínculo entre o sintoma e sua relação problemática com a própria sexualidade, mas, mesmo assim, ainda não conseguiu deixar de ser tão tímida.

Sua analista lhe tranquilizou dizendo que o insight é só o primeiro passo do processo de mudança e que ela passaria agora por um processo de ELABORAÇÃO — que não acontece no dia para a noite.

Curiosa para entender melhor como se dá essa tal de elaboração, Débora decidiu se matricular na CONFRARIA ANALÍTICA.

E ainda hoje (sexta), ela e os demais alunos da nossa escola receberão uma AULA ESPECIAL em que eu explico, com analogias e exemplos, o que significa ELABORAR em Psicanálise.


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Quanto mais você tenta fugir do Inconsciente, mais tropeça nele…


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Magali e a mãe: o cuidado exagerado como defesa contra o ódio

Formação reativa é um mecanismo de defesa.

Ela consiste no desenvolvimento exagerado de uma atitude que é diametralmente oposta ao conteúdo psíquico ameaçador do qual a pessoa está se defendendo.

Vou te dar um exemplo:

Magali, uma jovem de 19 anos, recebeu uma educação extremamente rígida e moralista.

Isso a levou a encarar seus impulsos agressivos naturais como elementos perigosos e que, portanto, não poderiam ser expressos.

Na adolescência, a jovem atravessou um período de bastante turbulência na relação com a mãe.

A genitora era bastante controladora e frequentemente impedia a filha de sair com seus amigos alegando que não seriam boas companhias.

Essa postura da mãe deixava Magali bastante tensa.

Em várias ocasiões precisaram levar a jovem no Pronto-socorro devido a intensas crises de ansiedade.

Como fora incentivada desde muito cedo a não permitir a expressão de sua agressividade, Magali não conseguia sentir a raiva natural que a rigidez da mãe lhe provocava.

Em vez disso, se sentia ameaçada quando o ódio teimava em aparecer e, por essa razão, experimentava angústia ao invés de cólera.

Com o passar do tempo, as crises de ansiedade foram se tornando mais raras, mas Magali passou a ter outro problema: um medo absurdo de que a mãe pudesse morrer.

Por conta desse temor aparentemente inexplicável, a jovem começou a se preocupar exageradamente com a saúde da genitora, perguntando a todo o momento se ela estava em dia com seus exames.

Certa vez, quando a mãe precisou pegar a estrada para um compromisso profissional, Magali passou dias tentando convencê-la a não fazer a viagem por conta do risco de um eventual acidente.

Acho que você já entendeu, né?

A preocupação excessiva que a jovem passou a ter com a vida da mãe foi uma formação reativa que ela desenvolveu para se proteger dos impulsos agressivos que sentia em relação à genitora.

Em outras palavras, como não se permitia vivenciar o ódio pela mãe, Magali forjou inconscientemente uma atitude oposta: um cuidado exagerado com a saúde dela.

E você? Consegue perceber se faz ou já fez uso desse mecanismo de defesa?


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[Vídeo] O impulso sexual é implacável

Freud provou que o impulso sexual é tão forte que inconscientemente nós conseguimos satisfazê-lo APESAR de todas as regulações sociais.


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[Vídeo] Mulheres que amam à moda masculina

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