O pessimismo como defesa

Como você encara o futuro?

Na minha experiência clínica, frequentemente me deparo com pessimistas convictos, ou seja, pessoas que olham para o futuro e só conseguem enxergar fracassos e frustrações.

O pessimismo parece ser uma atitude injustificável do ponto de vista racional.

Afinal, ao pensar que tudo vai dar errado, o sujeito é levado a sofrer por antecipação e a própria expectativa pessimista o desestimula a tentar evitar o desfecho negativo que imagina.

Considerando essa falta de razoabilidade, certos psicólogos buscam convencer o paciente pessimista de que o seu modo de pensar é ilógico e precisa ser alterado.

“Quais são as evidências de que as coisas vão dar errado no futuro?”, pergunta o terapeuta convencido de que uma simples reflexão racional será suficiente para levar o paciente à mudança.

Não será.

E não será pela simples razão de que o pessimismo não é apenas um raciocínio equivocado, mas fundamentalmente uma maneira DEFENSIVA de pensar.

Sim! Quando olhamos para o futuro e imaginamos que nada vai dar certo, estamos tentando nos proteger.

Quem me ensinou isso foi justamente… uma paciente pessimista.

A história de vida dela foi marcada por um episódio traumático ocorrido quando era criança: sua mãe decidiu ir trabalhar no exterior e deixou para avisá-la poucos dias antes da viagem.

Atônita com a notícia de que, dentro de pouco tempo, não veria mais a mãe, essa moça nunca mais conseguiu relaxar e passou a enxergar o futuro de modo catastrófico.

Pudera! Ao passar a imaginar que as coisas não dariam certo, ela estava, sem perceber, buscando evitar ser pega novamente DE SURPRESA, como aconteceu ao receber a notícia da partida da mãe.

É como se ela pensasse assim: “Preciso imaginar que todos os problemas que eu temo vão acontecer porque, caso eles efetivamente aconteçam, eu já estarei preparada para enfrentá-los.”.

Nesse sentido, o tratamento da expectativa pessimista não passa por um convencimento racional, pois depende da elaboração do trauma que o paciente vivenciou na infância.

Trauma que continua assombrando-o como um fantasma prestes a a reaparecer a qualquer momento.


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Prazer, culpa e decepção: um caso Dora dos nossos dias

Há cerca de 3 meses, inauguramos na CONFRARIA ANALÍTICA uma nova série de aulas especiais. Trata-se do módulo ESTUDOS DE CASOS.

Nessas aulas eu comento e analiso relatos de casos clínicos reais apresentados por alunos da nossa escola, sugerindo hipóteses interpretativas e possíveis estratégias de intervenção e manejo.

Hoje (sexta) teremos mais um estudo de caso.

Desta vez, conheceremos a história de uma jovem adulta que foi seduzida na infância por um importante membro de sua família.

Veremos como uma situação de abus0 dessa natureza explora a s3xualid4de infantil e pode contribuir para o desenvolvimento de inibições em relação ao pr4zer s3xual.

Esse caso também nos permitirá acompanhar o desenvolvimento de uma típica neurose histérica com todos os elementos característicos desse quadro clínico, tais como:

Fixação ao trauma, sintomas conversivos, estado de insatisfação crônica, crises, hipersensibilidade a contrariedades e instabilidade emocional.

Algumas características da história da moça se assemelham à de Dora, a conhecida paciente de Freud.

Com efeito, ambas tiveram que bloquear a admissão do próprio desejo por terem sido convocadas a engajá-lo num contexto de abus0 e sedução.

Além disso, assim como Dora, a jovem cujo caso comentaremos não pôde contar com um ambiente confiável que reconhecesse sua condição de vítima da exploração do outro.

Em terapia, a moça se apresenta “na defensiva”, como diz a analista que a atende, e se incomoda com as perguntas feitas pela terapeuta em relação aos episódios traumáticos de sua infância.

Por que será que isso acontece? Por que essa paciente tem tanta dificuldade para se abrir?

Por que será que, nas ocasiões em que consegue falar dos abus0s, ela “passa a mão no rosto, fica vermelha, chora” e chega até a dar socos em si mesma?

Esses e vários outros enigmas do caso foram examinados nessa aula especial, cujo título é “ESTUDOS DE CASO 03 – Prazer, culpa e decepção: um caso Dora dos nossos dias”.

A aula já está disponível para todos os alunos da CONFRARIA ANALÍTICA.


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Pare de querer ser outra pessoa

Esta reflexão foi inspirada pela palestra “Alegrias ativas e alegrias passivas: vivemos e pensamos pelos afetos”, que foi proferida recentemente pelo meu mestre e amigo @andremartinsfilosofia .

A íntegra da conferência está disponível no c4n4l do Café Filosófico no Yootubi.

Uma das principais razões que levam as pessoas a procurarem ajuda psicoterapêutica é a insatisfação com o seu jeito de ser.

Essa insatisfação, no entanto, frequentemente decorre de uma comparação que o sujeito faz entre a maneira como ele naturalmente se comporta e o modo como supõe que DEVERIA funcionar.

Eu vou te dar um exemplo para tornar essa ideia mais compreensível:

Beatriz sempre foi uma mulher bastante assertiva, enérgica e nunca gostou de se colocar numa posição passiva na relação com seus parceiros amorosos.

Dois deles, inclusive o mais recente, tiveram dificuldade para lidar com essa postura mais ativa da moça e, por isso, acabaram terminando o namoro com ela.

Triste e frustrada pelo rompimento, Beatriz conheceu uma influenciadora no Instagram que se propõe a ajudar mulheres a terem relacionamentos “incríveis e duradouros”.

Segundo a tal blogueira, para isso acontecer, a mulher DEVE se posicionar na “polaridade feminina” — na prática, se colocar de modo passivo, delicado e dócil na relação com os homens.

Depois que começou a seguir essa influencer, Beatriz vem tentando seguir as orientações dela e… fracassando miseravelmente.

Agora, além de sofrer com a tristeza pelo término do namoro, a moça também se martiriza com a frustração de não conseguir ser a mulher que supostamente ela DEVERIA ser.

Como o prof. André Martins explica, nós temos a capacidade de IMAGINAR cenários supostamente ideais e passamos a acreditar que a vida REAL não só pode como DEVE se adequar a essas idealizações.

Essa conclusão neurótica decorre do seguinte raciocínio moralista: se a minha vida não é o tempo todo satisfatória, isso significa que estou vivendo de modo ERRADO.

Foi nessa armadilha que Beatriz caiu:

Ao invés de AFIRMAR o seu jeito espontâneo de ser, ela passou a querer se tornar OUTRA PESSOA — na vã esperança de alcançar um estado de plenitude que só existe na nossa IMAGINAÇÃO.


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A histérica e seu caso de amor com a insatisfação

Fabíola, uma professora de 37 anos, está em análise com Vanessa desde 2021.

Inicialmente, a principal queixa apresentada pela docente era o excesso de ansiedade que experimentava quando lecionava nas turmas do Ensino Médio.

Logo nos primeiros meses de terapia, essa tensão exagerada diminuiu conforme Fabíola foi elaborando as lembranças de certos eventos ocorridos quando ela própria estava na adolescência.

Entusiasmada com a significativa melhora e tendo desenvolvido um forte vínculo de confiança com Vanessa, a paciente decidiu continuar a análise e passou a falar de outras questões.

O principal problema agora era a vida s3xual com o marido.

A professora se queixa de que ele age de forma fria e distante na maior parte do tempo e só se torna carinhoso quando deseja ter relações com ela.

— … e aí eu corto as asinhas dele! — disse ela numa sessão recente — Tá pensando que eu sou o quê? Um depósito? Não… Ele que vá dormir na vontade!

— Mas… E você? — disse a terapeuta em tom bem-humorado — Acaba dormindo na vontade também, né?

— Nem sempre… Na maioria das vezes eu não estou muito a fim, mas tem dia que eu quero mesmo.

— E você cede à procura dele nesses dias em que está com vontade?

— Depende de como ele se comportou durante o dia. Se tiver me tratado com aquele jeitão gelado dele, eu posso estar subindo pelas paredes que não faço nada!

— Mas agindo assim você está deliberadamente se privando de experimentar prazer, não? — provocou a analista.

— Sim, Vanessa, mas isso eu aguento… O que eu não suporto é ser tratada que nem uma boneca inflável!

— E como seu marido reage quando você se nega a tr4nsar?

— Ele fica aflito, coitado! — diz Fabíola com uma leve risada — Pede desculpa, fala que vai ser diferente, chega a implorar! Porém, eu não cedo… Ele tem que aprender!

— Mas, cá pra nós, a sua prova é bem difícil, né professora? — provoca Vanessa encerrando a sessão.

Como você pôde perceber, essa paciente parece ter um verdadeiro caso de amor com a INSATISFAÇÃO — tanto a sua quanto a do marido.

Essa é uma das características mais marcantes da HISTERIA.

E é sobre ela que falaremos em HUMANÊS na AULA ESPECIAL de hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.

O título da aula é “AULA ESPECIAL – A histérica e seu desejo insatisfeito” e ela já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS”.


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Por que muitas pessoas fogem de situações de conflito?

Muitas pessoas fogem de situações de conflito assim como o diabo foge da cruz.

Às vezes, não é sequer necessário que o embate em questão as envolva diretamente.

O que elas tanto temem? Por que se sentem tão ameaçadas em situações de contenda?

Na minha experiência clínica, esse tipo de ansiedade patológica sempre aparece vinculada a um vigoroso processo de repressão da agressividade iniciado na infância.

Não raro, pessoas que temem o conflito foram crianças incentivadas direta ou indiretamente a SUFOCAREM seus impulsos agressivos e a encará-los como PERIGOSOS.

Utilizo aqui a expressão “impulsos agressivos” para designar, por exemplo, a vontade da criança de ofender sua professora quando recebe algum tipo de reprimenda ou punição.

Numa situação como essa, por mais que considere justa a advertência, qualquer criança saudável sentirá ódio pela docente e conceberá naturalmente inocentes fantasias de vingança contra ela.

Pois bem: é esse movimento espontâneo de agressividade que a pessoa que teme conflitos foi levada, na infância, a bloquear e a avaliar como perigoso.

De acordo com minha experiência clínica, isso geralmente é o resultado de um dessas duas situações típicas:

Situação 01: Um dos pais (ou ambos) censurava ou, no mínimo, desencorajava (de forma direta ou indireta) qualquer expressão de agressividade, levando o sujeito a internalizar essa “proibição”.

Situação 02: Um dos pais (ou ambos) expressava sua própria agressividade de forma muito violenta, levando o sujeito a desenvolver um medo dos impulsos agressivos.

Ora, se uma pessoa cresce bloqueando sua agressividade e considerando-a como uma coisa má, é natural que ela fuja de contextos em que a hostilidade é colocada em cena.

E é exatamente isso o que acontece em situações de conflito!

Na terapia psicanalítica, ajudamos o sujeito a vencer sua resistência em relação aos impulsos agressivos oferecendo a ele um ambiente seguro e receptivo para se expressar.

Dessa forma, a pessoa deixa de olhar para a agressividade como um perigo interno e passa a enxergá-la como um recurso saudável para lidar com as INEVITÁVEIS situações de conflito.


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Ivan, o homem que tinha fobia de mar

— Adriana, eu vim aqui porque tenho talassofobia — foi a primeira coisa que Ivan disse logo depois de se assentar na poltrona indicada pela analista.

— Como assim? — perguntou a terapeuta com curiosidade.

— É fobia de mar. Eu não consigo nem me aproximar do oceano. Só de ver uma cena com mar num filme ou série, meu coração já dispara, começo a suar frio.

— Há quanto tempo isso acontece?

— Acho que começou no início da adolescência. Na infância eu brincava no mar com meus irmãos e meus primos sem problema nenhum.

Nas sessões seguintes, Ivan acabou trazendo outra questão que aparentemente não tinha nada a ver com a fobia: uma relação muito ambivalente com o genitor.

— Eu o admiro muito como pai e profissional, mas até hoje não consegui engolir todo o sofrimento que ele fez a minha mãe passar quando eu era criança.

Explorando o que teria acontecido no início da adolescência para justificar o surgimento da fobia, Ivan acabou se lembrando de uma das viagens que costumava fazer com a família para o litoral:

— Essa viagem para Búzios ficou na minha memória porque me convenceram a comer VIEIRA e eu detestei. Minha mãe falava que era uma delícia, que tinha “gosto de mar”.

Ivan acredita que pode ter sido depois dessa viagem que sua fobia começou.

Coincidentemente, “Vieira” é o sobrenome PATERNO do rapaz e o apelido pelo qual o PAI é chamado tanto dentro quanto fora da família (“Dr. Vieira”).

Assim, ao longo do tratamento, Ivan foi se dando conta de que sua fobia de mar era uma expressão simbólica do conflito interno que ele vivenciava por conta da mágoa guardada contra o pai.

Inconscientemente, ele DESLOCOU o medo do que sentia pelo Dr. VIEIRA para o oceano.

E isso só foi possível porque uma ASSOCIAÇÃO entre esses dois elementos se formou em sua mente quando provou VIEIRA, um fruto do MAR e… DETESTOU.

Esse tipo de pensamento que faz uma associação maluca entre uma comida e uma pessoa pelo simples fato de possuírem o mesmo nome se chama PROCESSO PRIMÁRIO.

Na AULA ESPECIAL desta sexta na CONFRARIA ANALÍTICA, os alunos vão aprender as características dessa forma de raciocínio e também do processo secundário, a nossa forma lógica e habitual de pensar.

O título da aula é “CONCEITOS BÁSICOS 20 – Processo primário e processo secundário” e ela já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – CONCEITOS BÁSICOS”.


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Preconceito, soberba e autoritarismo: entenda o que está por trás da alegação de que a Psicanálise é pseudociência

Recentemente uma bióloga e seu marido (que entendem tanto de Psicanálise quanto eu conheço de morfologia dos invertebrados) resolveram comprar uma briga absolutamente desnecessária.

Em seu novo livro, cujo título pode ser tomado como um notável lapso, os autores fazem um ato de soberba patética ao incluir a Psicanálise no rol de práticas que rotulam como “pseudocientíficas”.

Sim, SOBERBA: o vício típico daqueles que arrogam para si um status de superioridade que não possuem.

Afinal, quem são Natália Pasternak e Carlos Orsi para se sentirem autorizados a baterem o martelo e julgar a Psicanálise como um saber que não tem fundamentos na realidade?

Será que eles estudaram profundamente o campo psicanalítico e chegaram a tal veredito após uma exaustiva investigação e diálogo com os psicanalistas?

Não. É evidente que não.

Do contrário, não sairiam por aí propagando fake news do tipo “A psicanálise já foi completamente desbancada em países como Estados Unidos”.

Só para vocês terem uma ideia, a Universidade de Columbia, por exemplo, uma das mais prestigiadas nos EUA, possui um CENTER FOR PSYCHOANALYTIC TRAINING AND RESEARCH.

Onde estão, portanto, casal 20, as “evidências” de que a Psicanálise foi COMPLETAMENTE DESBANCADA nos Estados Unidos?

O que eu fico me perguntando é o que motiva tais pessoas a divulgarem essas mentiras e a escreverem tantas… BOBAGENS (com o perdão da ironia) sobre a Psicanálise.

Será uma invejinha ressentida do CHARME que o método freudiano sempre teve e que desde sua criação atraiu o interesse de tantos grandes artistas e intelectuais?

Porque, cá para nós, as terapias comportamentais nunca gozaram de muito prestígio no âmbito cultural, né? Vide filmes como Laranja Mecânica, por exemplo…

Para terminar, é importante dizer que a avaliação da Psicanálise como pseudociência é não só PRECONCEITUOSA, mas fundamentalmente AUTORITÁRIA.

No fundo, o que os autores pretendem é fornecer SUPOSTOS argumentos para que, em algum momento, a Psicanálise não possa mais ser praticada ou recomendada como tratamento.

Não se enganem. Tem método.


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A mulher que transferiu para o filho o desejo edipiano pelo pai

Em 1933, a psicanalista alemã radicada nos EUA Karen Horney escreveu um artigo intitulado “Maternal Conflicts” (“Conflitos Maternos”).

Nele, Horney apresenta o caso clínico de uma professora casada, de 40 anos, que a havia procurado inicialmente para tratar-se de uma depressão moderada.

Com a análise, a paciente conseguiu sair do quadro depressivo, mas acabou retornando ao consultório da analista cinco anos depois, desta vez por outro motivo.

A professora disse que vinha se sentindo culpada porque alguns de seus alunos estavam ficando apaixonados por ela e a docente achava que poderia estar provocando essa reação.

Não só isso: ela havia se apaixonado por um daqueles alunos, um rapaz que tinha praticamente a metade da sua idade.

O detalhe é que tanto esse jovem quanto os outros alunos pelos quais ela reconheceu que havia se interessado antes dele portavam algumas características comuns:

Todos eles tinham traços físicos e comportamentais parecidos com o pai da paciente e, em alguns dos sonhos dela, os alunos e o genitor frequentemente apareciam como sendo uma mesma pessoa.

Assim, Horney concluiu que a paixão pelo rapaz tinha um forte componente transferencial: a paciente estava deslocando para o garoto os desejos infantis reprimidos pelo pai.

Mas o caráter inusitado dessa história não para por aí:

A analista observou que o aluno por quem a professora se apaixonara estava na mesma faixa etária do filho dela, com o qual tinha uma relação de apego extremamente sufocante e exagerada.

Com base nessa constatação e em outros elementos do caso, Horney fez uma descoberta surpreendente:

Na verdade, antes de transferir para o rapaz o desejo infantil que ela ainda conservava pelo pai, a paciente vinha satisfazendo esse anseio incestuoso na relação com o próprio filho!

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que comento detalhadamente esse artigo de Karen Horney.

Veremos como a presença de um processo transferencial como esse, de uma mãe para o filho, pode perturbar a relação entre eles, trazendo consequências bastante indesejáveis.

A aula já está disponível na nossa plataforma! O título dela é “AULA ESPECIAL – A transferência na relação entre pais e filhos” e está publicada no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS“.


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Há sintomas que a gente precisa aprender a amar

Quando procuramos terapia, temos a tendência de avaliar todos os comportamentos que nos fazem sofrer como necessariamente patológicos.

No entanto, algumas condutas podem ser fonte de sofrimento não porque sejam de fato doentias, mas por conta da maneira como nos relacionamos com elas.

Uma moça muito religiosa, por exemplo, pode procurar análise por se sentir aflita e culpada em função dos impulsos eróticos que sente por outras mulheres.

Por conta de sua história de vida, é natural que essa paciente deseje se livrar desses desejos.

No entanto, em terapia, ela verá que tais inclinações não são em si mesmas patológicas e que seu sofrimento decorre, na verdade, da autocondenação por experimentá-las.

Perceba: nesses casos, o terapeuta não ajuda a paciente a parar de se comportar da forma como se comporta, mas a mudar seu olhar sobre a própria experiência.

Outro exemplo: João procura terapia porque alguns familiares lhe disseram que ele gosta sempre de estar no controle e que essa é uma atitude que o rapaz deveria mudar.

Todavia, foi graças ao desejo de querer estar sempre no controle que esse paciente conseguiu uma rápida escalada em sua carreira no mundo corporativo.

Desde que era estagiário, João sempre assumiu naturalmente uma posição de liderança entre os seus colegas justamente por não se sentir à vontade estando sob o controle de outras pessoas.

Em terapia, o rapaz constatou que a tendência controladora não era uma característica que ele deveria necessariamente perder, mas tão-somente “domesticar” para não manifestá-la em excesso.

Diferentemente de outros métodos terapêuticos, na Psicanálise nós não queremos encaixar o paciente em um suposto molde universal de saúde mental.

Por isso, quando alguém nos procura, não impomos a ele uma listinha de comportamentos patológicos a serem extirpados e comportamentos saudáveis a serem desenvolvidos.

No decorrer de uma análise, há sintomas que a gente perde (porque não nos servem para nada mesmo), mas há outros com os quais a gente aprende não só a conviver, mas também a amar.


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Idealização e insegurança: motores de relações doentias

— Eu não queria falar de novo do Diego, Clara, mas não tem jeito… Toda semana acontece alguma coisa.

Foi assim que Larissa, uma jovem estudante de Direito, começou sua décima sessão de terapia com a psicanalista Clara.

— No sábado de manhã, a Maria, uma amiga que eu não encontrava há anos, me mandou uma mensagem dizendo que estava na cidade e queria me encontrar.

— Hum… — pontou a analista, demonstrando interesse pela narrativa.

— Como é uma amiga de quem eu gosto muito, já fui logo marcando com ela de nos encontrarmos à tarde nesse shopping que tem aqui perto.

— O Palace, né?

— Isso. Aí cheguei para o Diego toda feliz e falei com ele que iria encontrar a Maria mais tarde.

— Hum…

— Ele disse que eu não iria de jeito nenhum, que a Maria é uma piriguete que dá para todo o mundo e que não queria a mulher dele envolvida com gente desse tipo.

— Mas você foi mesmo assim?

— Não — respondeu Larissa com a voz já embargada — Dei uma desculpa para a Maria… Falei que eu tinha dado uma crise alérgica e tal…

Depois de dizer isso, a paciente começou a chorar e direcionou à terapeuta um olhar suplicante.

— Eu não aguento mais, Clara. Não quero mais viver presa desse jeito, mas eu não consigo sair dessa relação.

— E por que você acha que não consegue? Fale a primeira coisa que vier à sua cabeça.

— O primeiro pensamento que me veio foi “porto seguro”. O Diego é o meu porto seguro. Eu acho que sem ele eu ficaria completamente perdida. Ele mesmo já me disse isso…

Sem perceber, Larissa IDEALIZA a figura do marido.

Ao invés de enxergá-lo como um parceiro amoroso, a jovem o percebe como um ente absolutamente necessário para lhe dar sustentação na vida.

Na AULA ESPECIAL de hoje da CONFRARIA ANALÍTICA, falaremos justamente sobre o papel da IDEALIZAÇÃO na manutenção de vínculos doentios como esse.

Com base num trecho de um artigo de Melanie Klein, veremos por que certas pessoas se submetem voluntariamente a parceiros que encarnam para elas o papel de deuses superpoderosos.

A aula já está disponível na nossa plataforma! O título dela é “LENDO KLEIN #04 – Idealização, insegurança e relações abusivas​​” e está publicada no módulo “AULAS ESPECIAIS – KLEIN”.


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Uma vida bloqueada pela mágoa não digerida

Carmem procura terapia queixando-se de estar se sentindo muito ansiosa e de ter perdido o interesse pelas coisas de que sempre gostou.

Do ponto de vista psicanalítico, o excesso de ansiedade é uma manifestação clínica bastante eloquente.

Com efeito, ela revela que o sujeito está se sentindo ameaçado por algum conteúdo interno que ele percebe como perigoso.

E essa, de fato, é a condição em que se encontra essa moça: ela sente medo do intenso ódio e dos impulsos vingativos que nutre em relação à mãe.

Carmem até expressa um pouquinho dessa hostilidade, tratando a genitora com impaciência. Porém, acaba se sentindo culpada e, para compensar, busca satisfazer todas as necessidades dela.

O profundo ódio que habita a alma dessa jovem é bastante justificável: sua mãe a chamou de mentirosa quando Carmem contou a ela que foi molestada quando era criança.

Em função da infância difícil que teve, marcada pelo abandono paterno e pela falta de recursos materiais básicos, essa paciente não pôde desenvolver um psiquismo suficientemente maduro.

Por isso, não consegue dar conta de digerir emocionalmente toda a hostilidade que sente tanto pela genitora quanto por aquele que dela molestou.

Na terapia, Carmem apresenta alguns momentos de regressão, nos quais mostra a sua analista aquela criança traumatizada que ela ainda é…

Que estratégias de manejo são possíveis neste caso?

Como a terapeuta pode agir para ajudar essa moça a elaborar as diversas feridas que a vida lhe fez?

Por que será que Carmem perdeu o interesse pelas coisas de que antes gostava? Para onde foi sua libido?

Estas e outras questões são discutidas por mim na AULA ESPECIAL “Uma vida tolhida pela mágoa não elaborada”, já disponível para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.

Esta é a segunda aula do nosso novo módulo de aulas especiais “Estudos de Casos”, em que comento casos clínicos reais relatados por alunos da nossa escola.


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Você tem predisposição a ser manipulada?

Muitas pessoas que se envolvem em relações abusivas têm a impressão de que elas são colocadas numa posição de submissão unicamente por conta do comportamento despótico do outro.

Cíntia, por exemplo, acredita que só se sentia inferior, indigna e dependente na relação com Fábio por conta da maneira controladora e violenta com que era tratada por ele.

Essa forma de pensar não é completamente equivocada.

De fato, depois que Cíntia terminou o namoro de 5 anos com o rapaz, ela passou a se sentir um pouco mais confiante e sua autoestima teve alguma melhora.

Isso mostra que, realmente, o comportamento abusivo de Fábio era um dos fatores que levavam a moça a ter uma visão tão depreciativa de si mesma.

Por outro lado, considerar que a fonte do sofrimento que essa jovem vivenciava no relacionamento era somente o namorado, nos faz perder de vista outro fator muito importante:

A PREDISPOSIÇÃO de Cíntia. Sim! Veja:

Se essa moça não tivesse uma predisposição a ACEITAR o comportamento abusivo de Fábio, ela não teria conseguido permanecer durante tanto tempo com ele.

Tão logo acontecessem as primeiras manifestações de violência verbal, ela já teria terminado.

— Ah, Lucas, mas sujeitos abusivos costumam ser altamente manipuladores e fazem uma verdadeira lavagem cerebral nas pessoas com quem se relacionam.

Sim, é verdade. Mas não são todas as pessoas que caem nesse processo de “gaslighting”, como dizem os americanos.

Manipuladores só conseguem manipular aqueles que têm predisposição para serem manipulados.

Quando você olha para a história de Cíntia, percebe que as sementes da autoestima baixa, da insegurança e do sentimento de inferioridade foram plantadas quando ela ainda era criança.

A moça só deu conta de ficar 5 anos com Fábio porque o modo como ele a fazia se sentir já lhe era bastante familiar. Ela nunca teve mesmo uma autoimagem muito positiva.

É por isso que a “cura” para pessoas que estão em vínculos abusivos não é simplesmente o término da relação, mas o tratamento dessa PREDISPOSIÇÃO que as levou a aceitarem os abusos.


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“Por quê?”: a perguntinha que te salva de ser um pet dos seus pais

Você já reparou que a gente faz com nossos animais de estimação determinadas ações muito semelhantes às que fazemos com nossos bebês?

Por exemplo:

A gente dá nomes para os pets, escolhe que tipo de alimento vão comer, damos banho, ensinamos a eles onde devem fazer cocô e xixi…

Enfim… nós exercemos sob os nossos animais de estimação o mesmo processo de ALIENAÇÃO que impomos sobre nossas crianças.

— Puxa, Lucas, “alienação”?

Sim, caro leitor! Não precisa ficar assustado. Esse processo é absolutamente normal e NECESSÁRIO.

A gente precisa mesmo ALIENAR ao nosso desejo esses pequenos seres que dependem de nós — pelo bem deles.

Um doguinho ou gatinho vivendo na rua ou no mato (ou seja, livres de nossas imposições), podem até sobreviver, mas um bebê, não.

Um filhotinho humano precisa de, pelo menos, um Homo sapiens adulto que imponha sobre elecertas coisas a fim de torná-lo, de fato, mais um SÓCIO da sociedade humana.

E o nome que o psicanalista francês Jacques Lacan escolheu para designar esse processo de submissão da criança ao desejo do adulto foi justamente… ALIENAÇÃO.

Mas por que eu comecei este texto falando que isso também ocorre com os animais de estimação?

Foi para lhe mostrar que, apesar dessa semelhança, existe entre nós e eles uma diferença crucial.

Diferentemente dos doguinhos e gatos, as crianças são capazes de QUESTIONAREM a alienação que os pais fazem sobre elas.

Sim! A partir de certa idade, nossos filhos começam a fazer determinadas perguntas que os outros animais não possuem estrutura biológica para formular.

Por exemplo:

“Por que será que me deram o nome de Lucas e não outro?”

“Por que mamãe tem que ir trabalhar ao invés de ficar o tempo todo comigo?”

“Por que eu tenho que ir para a escola?”

Ao fazer indagações dessa natureza, a criança vai pouco a pouco percebendo que todas essas situações foram impostas a ela simplesmente porque… os pais QUISERAM.

Essa constatação de que o grande Outro encarnado pelos pais possui um DESEJO e, portanto, é FALTOSO, é o que permite à criança sair da posição passiva de alienação.

Isso os nossos pets não podem fazer, tadinhos. Eles são obrigados a permanecerem assujeitados ao nosso desejo. Seu gatinho nunca terá a chance de odiar o nome que você colocou nele.

SEPARAÇÃO: este foi o termo que Lacan escolheu para nomear essa operação que nos permite sair da posição de alienados e nos tornarmos sujeitos desejantes.

Na AULA ESPECIAL de hoje da CONFRARIA ANALÍTICA eu explico detalhadamente esse processo com base num comentário EM HUMANÊS do texto em que Lacan fala sobre ele.

O título da aula é “LENDO LACAN #10 – O papel da separação na constituição do sujeito” e já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – LACAN”.


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Até quando você vai continuar evitando caminhar?

Durante toda a infância e a adolescência, eu tive a sorte de receber profundas lições de vida na forma de ditos populares proferidos por minha mãe.

Um deles, não tão conhecido, é “Enquanto tiver cavalo, São Jorge não anda a pé”.

A lição básica contida nesse provérbio tem a ver com aquilo que poderíamos chamar de “inércia psíquica”, isto é:

A tendência que todos nós temos de nos mantermos numa determinada posição na existência até que uma “força” muito poderosa nos faça sair dela.

São Jorge dificilmente desejaria fazer seus percursos a pé tendo um cavalo à disposição.

Somos, por natureza, avessos a mudanças frequentes. A novidade nos atrai, mas, ao mesmo tempo, nos provoca ansiedade.

Essa propensão à conformidade se manifesta na facilidade que temos para nos adaptarmos mesmo a situações extremamente desconfortáveis.

Quantas pessoas você não conhece (talvez até seja uma delas) que estão há anos em relacionamentos insatisfatórios e que, se questionadas, respondem:

— Ah, quando eu penso em todo o trabalho que dá para construir um relacionamento novo, do zero, eu logo desisto da ideia de me separar.

Como o célebre personagem Jaiminho, de Roberto Bolaños, elas preferem “evitar a fadiga”.

A relação precisaria se tornar insuportável para que tais pessoas se sentissem realmente encorajadas a sair dessa zona de (des)conforto e encarar os desafios de um novo vínculo.

Mas, veja: não se trata apenas de adaptação, mas também de APEGO às vantagens conscientes e inconscientes proporcionadas pela situação atual.

Estou falando de minguados benefícios que, em função da tendência à conformidade, somos levados a tratar como se fossem preciosidades valiosíssimas.

Aquela pobre jovem que está num relacionamento tóxico pode se apegar desesperadamente à sensaçãozinha de “ser importante” que o namorado lhe proporciona em suas crises de ciúme.

Como não tem certeza se conseguirá se sentir assim em uma nova relação, ela prefere se manter nessa — mesmo sofrendo.

Um bom processo psicoterapêutico precisa ir na contramão dessa tendência, ajudando o paciente a se sentir forte o suficiente para conseguir caminhar, mesmo tendo cavalos à disposição.


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Os sonhos são cartas cifradas que enviamos para nós mesmos.

No final do século XIX, Freud formulou uma teoria bastante consistente sobre os mecanismos de formação dos sonhos.

De acordo com essa teoria, os sonhos seriam conjuntos mais ou menos articulados de IMAGENS que expressam simbolicamente PENSAMENTOS que estão LATENTES na mente do sujeito.

Por exemplo:

Vamos supor que, na infância, você teve uma mãe muito dominadora e impositiva que a levou a sufocar seus impulsos agressivos.

Por conta dessa história infantil, você sempre tenta evitar conflitos, pois inconscientemente continua sendo aquela criança intimidada que tinha medo de enfrentar a mãe.

Agora vamos supor que, num determinado dia, você não conseguiu evitar uma briga com uma colega de trabalho e acabou tendo uma discussão bastante acalorada com ela.

Você sai dessa discussão tensa, nervosa, com raiva da colega, mas chega em casa sentindo uma angústia estranha e uma inexplicável vontade de chorar.

Sem que você tivesse se dado conta, na hora do conflito formou-se na sua mente (de modo inconsciente) o seguinte pensamento:

“E se a minha colega for como a minha mãe e quiser se vingar de mim por causa dessa briga?”.

É desse pensamento latente que vem a angústia e a vontade de chorar.

Aí vamos supor que nesse dia da discussão com a colega você vai dormir e sonha que está dirigindo um carro e fugindo de um tornado violentíssimo que está prestes a alcançá-la.

Ora, aplicando a teoria freudiana, podemos interpretar que essa cena expressa de forma simbólica justamente aquele medo da vingança da colega — e, por extensão, da mãe.

A imagem do tornado pode ter sido escolhida pelo Inconsciente em função de alguma associação com o nome da colega e também por ser tratar de um fenômeno da “MÃE” natureza, por exemplo.

É por isso que eu costumo dizer que os sonhos são como cartas que a gente envia para si.

Por meio dele, comunicamos para nós mesmos, de modo cifrado, certas mensagens internas que ainda não conseguimos formular de maneira explícita na consciência.

Na AULA ESPECIAL de hoje da CONFRARIA ANALÍTICA, os alunos vão aprender como o psicanalista ajuda seus pacientes a discernirem essas mensagens ocultas a partir dos relatos de seus sonhos.

A aula estará disponível AINDA HOJE no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS”.


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