Esta é uma pequena fatia da aula “LENDO WINNICOTT 13 – A importância do brincar na clínica de adultos” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – WINNICOTT da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Você se lembra de como se sentia na infância quando estava brincando?
Nem via o tempo passar, não é mesmo?
Essa falta de percepção da passagem do tempo só acontece quando estamos imersos numa situação, nos sentindo à vontade e agindo com espontaneidade.
Por outro lado, quando fazemos algo por obrigação, simplesmente respondendo a pressões ou demandas externas, parece que o tempo não passa, né?
Na ânsia de que aquilo acabe logo, a gente acaba prestando muita atenção no relógio e aí vem a sensação de que as horas passam mais devagar.
Às vezes, fazendo análise, a gente pode experimentar isso, sobretudo nos dias em que nos sentimos meio bloqueados, “sem nada para falar”.
Mas, na maioria das vezes, a gente não vê a hora passar. De repente, o analista diz que a sessão acabou e temos a sensação de que mal havia começado.
Isso mostra que a experiência de fazer análise frequentemente é parecida com nossas brincadeiras de infância.
Ainda que falemos de sofrimentos, na relação com o terapeuta nos sentimos tão à vontade e espontâneos quanto nos sentíamos quando estávamos brincando.
Foi por isso que o psicanalista inglês Donald Winnicott dizia que a psicoterapia “tem a ver com duas pessoas brincando juntas”.
Esta frase está no capítulo 3 do livro “O Brincar e a Realidade” e eu comento vários trechos desse capítulo na aula publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.
O título da aula é “LENDO WINNICOTT 13 – A importância do brincar na clínica de adultos” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – WINNICOTT.
Nesta aula, você verá que a experiência de estar brincando é um requisito básico para o êxito de qualquer processo psicoterapêutico.
Verá também quais são os sinais de que o paciente não está tendo essa vivência e como o analista pode ajudá-lo a resgatar sua capacidade de brincar.
🎓 Se você quer aprofundar sua escuta e compreender, de forma viva, como o brincar se manifesta na clínica de adultos, assine a Confraria Analítica.
A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil, com mais de 500 horas de conteúdo e milhares de alunos.
A ideia de Winnicott de que “a psicoterapia tem a ver com duas pessoas brincando juntas” revela algo essencial sobre a Psicanálise:
Ela não é só uma técnica, mas uma experiência viva entre duas pessoas.
Quando paciente e analista se encontram num espaço de confiança, algo do brincar acontece: a possibilidade de ser espontâneo e se transformar de verdade.
Mas pra isso, o analista precisa ter passado por um processo de formação sério, que envolve estudo, análise pessoal e prática clínica.
E é sobre isso que vou falar na masterclass gratuita “Psicanálise: o Básico do Básico”, no dia 23/10, às 20h.
Você vai entender como se forma de verdade um psicanalista e o que diferencia a Psicanálise das abordagens que se popularizam nas redes.
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— Não. No Brasil, qualquer pessoa pode se nomear psicanalista, pois a Psicanálise (felizmente) não é uma profissão regulamentada em nosso país. Porém, para de fato atuar como analista, a pessoa precisa passar por uma formação.
— Um curso, né? — indagou minha interlocutora.
— Não. Não existe curso para ser psicanalista. Todos os “cursos de Psicanálise” que você vê por aí estão fazendo falsas promessas.
— Por quê?
— Porque o pressuposto básico de um curso profissionalizante é que você estará habilitado para desenvolver uma determinada atividade depois de passar por ele. E isso não vale para a formação em Psicanálise.
— Uai, para ser médico, engenheiro, assistente social não é suficiente fazer um curso? Por que com a Psicanálise seria diferente? — perguntou ela com o semblante de quem realmente não estava entendendo nada.
— É que, para ser psicanalista, não basta aprender a teoria. Sabe por quê? Porque o nosso principal instrumento de trabalho não é nosso saber, mas o nosso ser.
Vou interromper a conversa para compartilhar com vocês a explicação que dei à minha colega.
Qual é o principal objetivo que um psicanalista busca atingir com seus pacientes?
A resposta é simples: ajudá-los a enxergar o avesso da imagem consciente que possuem de si mesmos. É vencendo esse desafio que eles conseguem abandonar seus sintomas e inibições.
Ora, para que eu consiga ajudar uma pessoa a enxergar seu avesso, não basta que eu tenha na cabeça as teorias construídas pelos autores da Psicanálise.
Se eu mesmo não tiver passado pela experiência de enxergar o MEU avesso, não conseguirei ajudar o paciente a enxergar o dele.
Sabe por quê?
Porque eu terei medo do meu próprio avesso e, consequentemente, ficarei com medo de levar o paciente a encontrar-se com o dele.
Por isso, o requisito mais importante para que uma pessoa possa praticar a Psicanálise é ter passado muito tempo no divã de outro analista.
Porque é só sendo paciente durante ANOS (anos!) que essa pessoa conseguirá perder o medo do seu avesso e, assim, se tornará SUBJETIVAMENTE apta a ajudar outros sujeitos a se encontrarem com seus respectivos avessos.
Concorda comigo que é IMPOSSÍVEL oferecer essa experiência por meio de um curso?
— Ah, Lucas, mas eu vi na internet um curso que oferece sim a análise pessoal, além da teoria.
Como? Curso é um programa de duração pré-estabelecida (3 anos, 4 anos, 5 anos etc.).
Já a análise PESSOAL, não. Cada paciente caminha num ritmo singular, pois é um processo que se desenvolve individualmente com um analista.
E mais: esse analista precisa ser alguém que VOCÊ escolhe — e não uma pessoa designada por uma suposta entidade formadora.
Portanto, não existe “curso de psicanálise”.
A formação psicanalítica é um PROCESSO.
Um processo que passa, sim, pela assimilação de muita teoria, mas que exige fundamentalmente a preparação subjetiva do candidato a analista.
E essa preparação só pode acontecer no divã, e não numa sala de aula.
***
✨ Na quinta-feira, 23 de outubro, às 20h, vou ministrar a Masterclass gratuita “Psicanálise: o Básico do Básico”.
Vou explicar como realmente se forma um psicanalista, o que é preciso para começar esse percurso e por que a teoria, sozinha, nunca é suficiente.
🎓 Se você sente o chamado da Psicanálise, esse é o primeiro passo. Inscreva-se gratuitamente aqui.
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Esta é uma pequena fatia da aula “Vício em apostas: um olhar psicanalítico” que já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Bruno costumava acordar por volta das oito da manhã, mas, naqueles últimos dias, antes das seis ele já estava de olhos abertos, com o celular nas mãos.
Há tempos o rapaz não se sentia tão vivo!
Excitação, ansiedade, alegria, tensão, motivação: tudo isso se alternava dentro dele freneticamente desde que conhecera o “Jogo do Leão”, um tipo de cassino online.
De férias do trabalho, passava o dia todo apostando. Às vezes, até esquecia de tomar banho.
Conhecera o Jogo do Leão pela propaganda feita no Instagram por Juninho Mayer, um humorista do qual o rapaz era fã.
Nos stories em que fazia tal divulgação, Juninho dizia que o jogo era muito divertido e poderia ser uma fonte de renda extra.
— Olha aqui, gente — dizia o influenciador mostrando o próprio celular — eu coloquei 50 reais e olha o quanto já ganhei só nessa rodada: 200! 200!
Bruno não sentia necessidade de uma renda extra, pois estava satisfeito com o ótimo salário que ganhava como gerente de vendas na empresa onde trabalhava.
O que lhe chamou a atenção na propaganda foi a empolgação do humorista, que gritava e dava pulinhos enquanto mostrava o número 200 na tela do celular.
Desde o término do namoro de três anos com Taís, Bruno vinha se sentindo abatido, apático, sem vontade de fazer absolutamente nada.
O rompimento havia reaberto uma ferida emocional muito antiga: o falecimento da mãe, vítima de câncer, quando ele tinha apenas quatro anos.
O rapaz sentia que passara a vida inteira à beira da depressão. E agora, com o término, estava finalmente caindo…
Porém, desde o dia em que começou a apostar no Jogo do Leão, seu estado de ânimo havia se transformado radicalmente.
Ele passou a ter uma sensação de vitalidade, muito parecida com a que viveu no início do relacionamento com Taís.
A experiência excitante de ver seu dinheiro ora se multiplicando ora diminuindo parecia ter tirado Bruno da depressão na qual estava começando a mergulhar.
O que você acabou de ler é apenas um resumo da primeira parte do relato feito por esse rapaz em sua primeira sessão de análise.
Após perder todo o dinheiro que havia guardado como reserva financeira (cerca de 80 mil reais), Bruno decidiu procurar ajuda, reconhecendo-se como um viciado em apostas online.
— Eu simplesmente não consigo parar. É mais forte do que eu… — disse ele aos prantos, no fim da sessão.
Sensibilizado, o analista olhou fixamente para o rapaz e encerrou aquele primeiro encontro dizendo:
— É possível sair dessa repetição. Mas, para isso, nós vamos precisar olhar para um outro “leão”: o leão feroz e assustador da depressão, do qual você vem fugindo…
No caso de Bruno, o vício em apostas funcionou como uma defesa maníaca, uma forma patológica de driblar o confronto com a dor de suas perdas.
Na aula publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, eu falo sobre esta e outras dinâmicas psíquicas que podem levar uma pessoa a se tornar apostadora compulsiva.
O título da aula é: “Vício em apostas: um olhar psicanalítico” e já está disponível no módulo AULAS TEMÁTICAS – TEMAS VARIADOS.
A Confraria é a maior e mais acessível escola de teoria psicanalítica do Brasil, com +500 horas de conteúdo e milhares de alunos.
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O único tipo de vínculo que rivaliza em grau de intimidade com aquele que temos com nossos pais é a relação que estabelecemos com nossos parceiros amorosos.
Existem certas dimensões da nossa personalidade que só nossos pais conhecem e que só nos sentimos à vontade para revelar a quem amamos.
Por isso, não é surpreendente perceber que usamos nossas relações afetivas como palcos para a encenação de questões mal resolvidas com nossos pais.
Nossos companheiros são os atores perfeitos para representar os papéis parentais no drama infantil que reproduzimos de modo inconsciente.
E isso não ocorre só porque temos com eles uma proximidade comparável à que tínhamos com nossos pais.
Acontece também porque escolhemos nossos parceiros justamente por reunirem traços que os tornam aptos a personificar as imagens de nossas figuras parentais — tanto as de quem elas foram quanto as de quem gostaríamos que tivessem sido.
Felipe frequentemente se sentia perdido e desamparado na infância. Achava que os pais não lhe davam apoio nem cuidado suficientes.
Resultado: casou-se com Fátima, uma mulher que só falta dar comida na sua boca, mas que, em contrapartida, não admite que ele vá sequer à padaria sozinho.
Beatriz, por sua vez, foi abandonada pelo pai aos cinco anos. O genitor mantinha um caso extraconjugal e decidiu ir morar com a amante em outro estado.
Sem se dar conta, a jovem acaba sempre se envolvendo com homens que, assim como o pai, jamais estão totalmente disponíveis: é o sujeito que desde o início avisa que não quer nada sério; é o rapaz comprometido…
Enquanto Felipe fez sua escolha pela via da compensação, Beatriz seguiu pela trilha da repetição. Mas ambos tentam, no campo amoroso, resolver o que ficou pendente nas relações com seus respectivos pais.
— A simples tomada de consciência seria suficiente para que interrompessem esse processo e buscassem vínculos não contaminados por suas questões infantis?
Não.
Primeiro, porque quem toma consciência é a parte adulta do sujeito, e não a dimensão infantil — que é justamente a responsável pelas escolhas amorosas.
Essa dimensão infantil não se transforma pela simples constatação racional da realidade. Ela precisa ser convencida de que o passado é imutável.
E, para que isso aconteça, podem ser necessários anos de elaboração psíquica, ou seja, de conversas entre a parte infantil e a parte adulta.
Em segundo lugar, porque é impossível eliminar de nossas escolhas afetivas as influências de nossas questões infantis mal resolvidas.
Como eu disse, é a dimensão infantil que decide. Logo, as escolhas sempre carregarão o viés das marcas indeléveis de nossa infância.
Depois de alguns bons anos de análise, talvez possamos fazer escolhas que nos causem menos sofrimento ou aprender a surfar nas ondas das que já fizemos.
Beatriz pode, enfim, conseguir se relacionar com um homem disponível e sublimar o anseio pelo pai ausente lendo romances ou assistindo doramas.
Felipe, por outro lado, pode começar a sair da posição de filho na relação conjugal e, assim, conquistar mais liberdade e autonomia.
Para isso, ambos precisarão renunciar ao gozo infantil, ou seja, à satisfação inconsciente que sentimos ao reencontrar, na face de quem amamos, aquele velho olhar do papai ou da mamãe.
Às vezes, o que chamamos de “amor” é só o eco de antigas carências.
Na Confraria Analítica, você encontra diversas aulas que ajudam a entender como nossas vivências infantis continuam influenciando o modo como amamos hoje.
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Esta é uma pequena fatia da aula “ESTUDOS DE CASOS 22 – O embotamento afetivo como resposta à indiferença dos pais” que já está disponível no módulo ESTUDOS DE CASOS da CONFRARIA ANALÍTICA.
Assista à aula completa tornando-se membro da Confraria.
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Imagine uma pessoa extremamente contida, controlada, que mal expressa suas emoções, está o tempo todo ocupada e não se permite relaxar.
Imaginou?
Beleza. Agora, me responda com toda a sinceridade: que tipo de criação você acredita que esse sujeito teve?
É muito provável que você tenha pensado num ambiente autoritário, repressivo, com excesso de disciplina e pais controladores.
Mas e se eu te disser que nada disso esteve presente na infância dessa pessoa?
E se eu te disser que os pais dela foram justamente o oposto de pais controladores Que ao invés de vigiarem minuciosamente seu comportamento, eles o IGNORAVAM?
Pois é… Esse sujeito chegou a se castigar certa vez porque os pais não estavam nem aí para o que ele fazia.
Aí você pode me perguntar:
— Mas como isso é possível, Lucas?
— Como uma pessoa que foi criada com toda essa liberdade se tornou tão embotada, reprimida, controlada?
Eu explico isso na aula “ESTUDOS DE CASOS 22 – O embotamento afetivo como resposta à indiferença dos pais”, que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA, a minha escola de formação teórica em Psicanálise.
Essa aula faz parte do módulo ESTUDOS DE CASOS, no qual comento casos clínicos reais relatados por alunos da Confraria.
Como será que a indiferença dos pais em relação ao comportamento do filho pode levá-lo a criar um superego extremamente rígido?
E o que a analista desse sujeito pode fazer para ajudá-lo a se libertar do embotamento afetivo e do excesso de autocontrole?
Quer entender tudo isso? Então, faça parte da nossa escola e assista à aula.
Ao entrar, você terá acesso imediato a mais de 500 horas de conteúdo que vão mudar sua forma de compreender a clínica psicanalítica.
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Certa vez, um jovem muito rico se aproximou de um sábio judeu e lhe perguntou:
— Mestre, o que preciso fazer para ser uma pessoa boa?
O sábio intuiu que o rapaz só queria uma oportunidade para se exibir diante do grupo que ali estava. Mas, mesmo assim, resolveu dar corda:
— Ah, você já sabe, meu caro: seja leal, não minta, respeite seus pais, não faça mal às pessoas, essas coisas…
Essa era a deixa que o rapaz precisava.
Ele olhou para todos à sua volta, estufou o peito, e com a empáfia típica daqueles que sofrem de autoengano, disse ao sábio:
— Que bom saber disso, mestre! Eu sempre agi assim, desde que era criança. Então, não me falta nada para ser uma pessoa boa!
Olhando fixo para o horizonte, o sábio respondeu:
— Bem… Acho que falta só uma coisa, meu amigo, só uma coisa. Você é um homem muito próspero, né? Mas, para ser uma pessoa boa de verdade, não pode ter apego a todo o dinheiro que ganhou. Por isso, vou lhe propor um desafio.
— De… desafio? Como assim? — disse o rapaz desconcertado.
— Sim, um desafio: venda todos os seus bens e doe o dinheiro. Se fizer isso, não lhe faltará mais nada para ser uma pessoa realmente boa.
O sábio já sabia que o vaidoso mancebo não seria capaz de cumprir o desafio. Por isso, não se surpreendeu ao vê-lo afastar-se dali cabisbaixo e entristecido.
— Estão vendo? — disse o mestre para o grupo que o acompanhava — É impossível ser uma pessoa boa. Sempre falta alguma coisa que a gente não dá conta de fazer…
A postura do jovem rico ilustra muito bem a dinâmica psíquica da neurose: seduzido pelas cobranças e exortações do superego e querendo narcisicamente ser amado por ele, o neurótico acredita que é possível atingir seus ideais.
Por isso, acaba se obrigando a recalcar certos desejos que não se encaixam nesses ideais. E, ao fazer isso, ele está se enganando, pois recalcar nada mais é que fingir que certas coisas, em nós mesmos, não existem.
Para sustentar sua imagem ilusória de boa pessoa, aquele rapaz precisou recalcar o imenso amor que tinha por suas posses. Esses obsessivos…
O sábio, porém, adotando uma postura muito semelhante à de um psicanalista, ajudou o mancebo a se confrontar com essa dimensão de si mesmo que ele não queria enxergar.
O resultado foi uma espécie de luto, você percebeu?
O jovem saiu da conversa abatido, desolado, pesaroso. Com efeito, a imagem idealizada de si mesmo como boa pessoa havia sido delicadamente destruída.
Por outro lado, após aquele diálogo, ele provavelmente se tornou um sujeito mais livre, pois a confrontação com seus limites internos tirou-lhe dos ombros o anseio de se conformar ao ideal superegoico.
Ao perceber que não conseguiria ser uma pessoa boa, o rapaz talvez tenha ganhado a chance de ser suficientemente bom.
É esse duplo efeito — luto e libertação — que a Psicanálise produz no tratamento da neurose.
Enquanto assiste consternado ao falecimento do eu ideal com o qual se identificava, o paciente passa a se enxergar com mais honestidade e, assim, se torna livre para ser, simplesmente, o que dá conta de ser.
⚖️ Entre o ideal de perfeição e a possibilidade de ser “suficientemente bom”, está o trabalho analítico.
👉 Na Confraria Analítica, você encontra aulas semanais que aprofundam esse tipo de reflexão, unindo teoria e clínica.
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