“Os sintomas são a atividade sexual dos doentes.” (Sigmund Freud)

Por mais que as ideias psicanalíticas tenham se infiltrado na cultura popular, essa afirmação do pai da Psicanálise ainda causa certo estranhamento.

De fato, ainda é muito difícil para a maioria das pessoas pensar a sexualidade como algo que extrapola o âmbito das relações sεxu4is propriamente ditas.

É dessa dificuldade que emergiu, por exemplo, o termo “assεxu4l” nos últimos anos para etiquetar a condição daquelas pessoas que normalmente não sentem vontade de fazer sεx0.

Ora, esse termo é equivocado justamente porque ele faz parecer que tais pessoas não possuem sexualidade, quando, na verdade, elas apenas não se sentem inclinadas a percorrer UMA DAS DIVERSAS VIAS possíveis de satisfação sεxu4l.

Ao dizer que “os sintomas são a atividade sεxu4l dos doentes”, Freud está nos ensinando que a sεxualidade humana é tão plástica que podemos SUBSTITUIR atos explicitamente sεxu4is por diversos outros comportamentos, incluindo aqueles que são de ordem patológica.

A paciente de uma das minhas alunas, por exemplo, passou anos satisfazendo sua libid0 por meio da compulsão por compras.

Como bem notou sua analista, todo o processo de “garimpagem” que ela levava até finalmente escolher a roupa que iria adquirir era simbolicamente muito semelhante a um ato masturb4tóri0.

Enquanto g0zava por meio do comprar compulsivo, essa mulher não sentia o menor interesse em ter relações sεxu4is com seu marido.

— Ah, Lucas, isso significa, então, que, essa paciente só vai se curar quando voltar a trans4r com o companheiro?

Não necessariamente.

Essa hipótese está baseada na falsa premissa de que o único modo “saudável” de buscar satisfação sεxu4l é por meio do coit0.

Na verdade, o aspecto patológico do comportamento da paciente não é o ato de comprar em si, mas o fato de fazer isso COMPULSIVAMENTE, ou seja, de forma descontrolada.

E toda compulsão expressa um movimento interno de fuga: concentrar-se numa direção para evitar outras que parecem ameaçadoras.

Nesse sentido, o que ela precisa é ENTENDER por que o comprar se tornou a sua principal “atividade sεxu4l”, ou seja, por que está fugindo de outras…


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Tricotilomania: um estudo de caso

O termo tricotilomania foi inventado pelo dermatologista francês François Henri Hallopeau em 1889 para nomear um curioso comportamento:

A compulsão que algumas mulheres têm de arrancar seus próprios fios de cabelo.

A expressão cunhada por Hallopeau foi baseada nas palavras gregas “tricho” (cabelo) e “tillo” (arrancar, puxar).

Ana, uma paciente atendida por uma de nossas alunas da CONFRARIA ANALÍTICA, sofre há muito tempo com esse problema.

Ela arranca seus fios com tamanha agressividade que chega a machucar o couro cabeludo.

Como ajudar essa moça a abandonar tal comportamento autodestrutivo?

Esse é o desafio que se impõe a sua analista.

A paciente já se submeteu por anos a terapias de adestramento (aquelas que se baseiam na identificação de “gatilhos” e no uso de técnicas de autocontrole).

Nenhuma delas funcionou.

O problema é que o tratamento atual também não está funcionando.

Embora a moça esteja há meses trabalhando com sua analista, a tricotilomania ainda permanece vivinha da silva.

O que a terapeuta não está enxergando?

O que representa simbolicamente na vida de Ana essa fissura incontrolável de arrancar os próprios fios de cabelo?

Como a talking cure psicanalítica pode levar esse sintoma a não ser mais necessário como meio de alívio da ansiedade?

Essas são algumas das perguntas que me propus a responder na aula especial “ESTUDOS DE CASOS #13 – Ana: da identificação com o pai à tricotilomania”, já disponível na CONFRARIA ANALÍTICA.

Trata-se de mais uma aula do módulo ESTUDOS DE CASOS em que comento casos clínicos reais enviados por alunos da nossa escola.


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Ninguém é de ferro

Ontem foi um dia complicado para Vanessa.

A jovem psicóloga trabalha em um hospital público e teve muita dificuldade para lidar com a crise de ansiedade de uma mulher grávida que se recusava terminantemente a fazer a cesariana.

A equipe médica convocou a presença de Vanessa esperando que a profissional conseguisse acalmar a paciente.

Mas isso não aconteceu.

Foi preciso administrar uma medicação ansiolítica para que a gestante se tranquilizasse.

Vanessa chegou em casa sentindo-se fracassada, incompetente e, ao mesmo tempo, revoltada com a falta de preparo da equipe médica para lidar com aquela situação.

Para compensar o agudo mal-estar que tomou conta de sua alma, ela passou no supermercado e comprou um delicioso bolo de chocolate, sua sobremesa preferida.

Embora esteja fazendo dieta e sendo acompanhada por nutricionista, a jovem não conseguiu resistir e comeu quase metade do bolo assistindo um reality show culinário.

Hoje de manhã, sentindo-se melhor, mas arrependida pelo descontrole alimentar da noite anterior, Vanessa decidiu levar o restante do bolo para seus colegas de trabalho e retomar a dieta.

O que aconteceu com essa psicóloga?

Metaforicamente, abriu-se um buraco dentro dela em função da experiência malsucedida do trabalho.

Contudo, por se tratar de um buraquinho superficial, ela deu conta de tamponá-lo com o bolo de chocolate e seguir em frente.

Pequenos buracos como esse fazem parte da vida de todo o mundo.

Tem dia que as coisas dão errado mesmo e a gente acaba precisando recorrer a algum meio de compensação. E que bom que eles existem!

O bolo de chocolate foi útil para ajudar Vanessa a suportar seu mal-estar. Ela comeu, se sentiu bem, percebeu que exagerou, se arrependeu e voltou para a dieta.

É assim mesmo. Faz parte. Ninguém é de ferro.

Porém… É importante deixar claro que essa moça só conseguiu se reequilibrar porque, como eu disse, o “buraco” que se abriu em sua alma era pequenininho e superficial.

Um buraco maior e mais profundo jamais seria preenchido com um simples bolo de chocolate.

Cuidado para não confundir um com o outro…


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Autoindulgência: o combustível dos vícios e maus hábitos

Dizemos que estamos em dissonância cognitiva quando sustentamos dois ou mais pensamentos mutuamente incompatíveis ou quando nos comportamos de modo incoerente com nossas próprias crenças, valores e visão de mundo. Toda pessoa viciada experimenta constantemente momentos de dissonância cognitiva. Afinal, ela se entrega ao vício sabendo que, do seu próprio ponto de vista, aquilo não deveria ser feito. Assim, o viciado precisa diuturnamente lançar mão de justificativas autoindulgentes. Incomodado e tenso com sua própria incoerência, o indivíduo vê brotar em sua mente um conjunto de pensamentos com alto grau de persuasão que o convencem da legitimidade do vício.

Esses pensamentos aparecem com mais frequência e força quando a pessoa tenta se abster de praticar o vício. O jovem, por exemplo, que decide parar de se masturbar logo se verá pensando coisas como: “Uma vez só não faz mal.”, “Masturbação faz bem para a saúde”, “Não tem nada de mais, é só uma maneira de descarregar o estresse.”. Tais argumentos funcionam como apaziguadores da consciência do sujeito. De fato, ele SABE que não deveria voltar a se entregar a tal prática, pois conhece os efeitos deletérios que ela trouxe para sua vida. Contudo, a voz de sua consciência que lhe faz tais alertas vai ficando cada vez menos audível à medida que os pensamentos autoindulgentes começam a “pipocar” em sua mente.

Leia o texto completo em bit.ly/drdautoindulgencia


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