[Vídeo] Não seja o policial de si mesmo

Condenar-se por experimentar certos sentimentos é um desperdício de uma energia psíquica que poderia ser muito melhor empregada na investigação das causas dos seus estados emocionais.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O gozo masoquista do sentimento de inferioridade

Em minha experiência clínica com estudantes universitários frequentemente me deparo com jovens que sofrem com o sentimento de inferioridade.

Tal sentimento costuma aparecer em função da COMPARAÇÃO feita pelo sujeito entre o seu desempenho acadêmico e a performance mais alta de certos colegas.

Em outras palavras, é como se o aluno ficasse o tempo todo dizendo para si: “Olha como eles são melhores do que eu. Sou um burro mesmo!”

Pode não parecer, mas há uma satisfação mórbida nesse tipo de pensamento…

Com efeito, quando me insulto e me menosprezo, estou fazendo uso do mesmo impulso agressivo que utilizo para insultar e agredir verbalmente outras pessoas.

Assim, a autodepreciação sempre vem carregada de um gozo masoquista que costuma ser o resultado da transformação de um impulso que originalmente era sádico.

Explico:

A tendência primária que temos ao NOS COMPARARMOS com pessoas que são melhores do que nós é a de ODIÁ-LAS.

Sim, odiá-las por terem competências que não temos, mas gostaríamos de ter. Qualquer pessoa honesta consigo mesma é capaz de admitir isso.

No fundo, gostaríamos que o colega melhor não existisse ou, pelo menos, não fosse tão bom.

Se isso acontecesse, não nos sentiríamos inferiores.

Como tal desejo não pode se realizar, os impulsos agressivos que dirigimos à pessoa invejada permanecem insatisfeitos no interior da alma.

E é aí que entra o gozo masoquista: incapazes de tirar do caminho aqueles que são melhores do que nós, passamos a depreciar A NÓS MESMOS para descarregar o ódio que, na origem, era dirigido a eles.

Em outras palavras, é como se a gente pensasse: “Já que não posso destruir esse outro que me provoca inveja, destruirei o meu próprio eu”.

É dessa transformação do sadismo em masoquismo que brotam pensamentos autodestrutivos do tipo:

“Eu não presto para nada”.

“Eu sou um m3rda”.

“Eu serei um péssimo profissional”.

Por outro lado, é preciso salientar que toda essa dinâmica emocional só aparece em função da COMPARAÇÃO.

Quando nos colocamos voluntariamente numa relação de rivalidade imaginária com o outro, o resultado é sempre esse: sadismo ou masoquismo.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] Por que é tão difícil reconhecer que erramos?

Fala pra mim: você é daqueles que assume com facilidade os erros que comete ou é como a maioria, que se vitimiza, dá desculpas e coloca a responsabilidade nos outros?

Culpa e vergonha são afetos que dificultam o reconhecimento dos erros, mas há um fator mais profundo que faz com que a gente resista a assumir quando pisa na bola.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O bonzinho pode ser apenas um endividado

Eu já falei em diversos textos e vídeos sobre o caráter narcísico do padrão de comportamento que comumente chamamos de “bonzinho”.

De fato, muitas pessoas que se encaixam nessa categoria estão inconscientemente buscando seduzir o outro para serem amadas.

A suposta bondade do bonzinho, portanto, não seria genuína. Tratar-se-ia apenas de uma estratégia para “ficar bem na fita” ou, se você quiser, “ganhar likes”.

No entanto, a experiência clínica mostra que há um grupo de pessoas que também desenvolve o  modo “bonzinho” de ser,  mas por outra razão.

Refiro-me a indivíduos que se colocam neuroticamente a serviço do outro não com o objetivo de seduzi-lo, mas de “pagar” uma dívida infantil.

Explico:

Tais pessoas foram levadas a acreditar, na infância, que todo o cuidado que recebiam da parte de seus pais não era gratuito.

Observando certas atitudes e falas parentais, esses indivíduos foram chegando à conclusão de que precisariam “ressarcir” os pais de alguma forma.

A clínica mostra que, sob o domínio dessa ideia absurda, tais pessoas já na infância se comportavam de modo excessivamente submisso, obediente e solícito.

Com efeito, desde crianças já renunciavam aos próprios desejos para submeterem-se às vontades do outro. Dessa forma, estariam “pagando” sua suposta dívida.

Como a gente inevitavelmente transfere nossos padrões de relação com os pais para outras pessoas, esse padrão de submissão acaba se mantendo na vida adulta.

Assim, o sujeito continua preso à fantasia de que precisa pagar aos pais pelo cuidado recebido, só que agora quem recebe o “pagamento” são namorados, esposas, amigos…

Temos, então, um indivíduo adulto que está sempre “pedindo licença” para existir, que não consegue dizer não e se submete passivamente ao desejo do outro.

Ele quer seduzir as pessoas para ser amado? Não. O que inconscientemente ele busca é “ressarcir” simbolicamente seus pais através da submissão ao outro.

Que tal mandar esse texto para todos os bonzinhos que você conhece? Você é um deles?


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] De onde vêm os pensamentos obsessivos?

Neste vídeo: entenda de forma rápida, simples e didática o mecanismo psíquico que está na origem das ideias obsessivas.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Hiperidentificação: a raiz da empatia patológica

Para nos relacionarmos uns com os outros, precisamos fazer uso a capacidade de nos imaginarmos na situação de nosso interlocutor. Em Psicologia, damos o nome a essa capacidade de EMPATIA.

Pessoas cujas experiências ambientais precoces não favoreceram a atualização da capacidade empática podem ter muita dificuldade de se colocar no lugar do outro, o que lhes permitiria praticarem atos de crueldade com uma frieza notável. Popularmente, tais pessoas são conhecidas como psicopatas.

Por outro lado, existem indivíduos que se apresentam no extremo oposto da psicopatia. Neles, a empatia se manifesta com tamanha intensidade que se tornam incapazes de não se imaginarem sempre no lugar do outro. Em outros lugares, chamei esse fenômeno de “empatia patológica”. Tais sujeitos estão presos a uma condição subjetiva que ouso nomear de “HIPERIDENTIFICAÇÃO COM O OUTRO”.

O mais notório dentre os efeitos dessa condição é a quase impossibilidade que essas pessoas sentem de discordar do outro. Ainda que possuam uma opinião ou posicionamento radicalmente opostos aos do interlocutor ou conquanto saibam que o ponto de vista do outro é moral ou eticamente deplorável, tais indivíduos simplesmente não conseguem manifestar sua discordância. Imaginam-se na pele do outro e experimentam imaginariamente todos os afetos desprazerosos que ele poderia sentir diante de alguém que apresente uma opinião contrária. Assim, na tentativa de “preservar” o outro do desprazer, tais indivíduos se calam e “concordam” com o posicionamento alheio.

Desse primeiro sintoma decorrem outros como o medo de dizer “não”. Afinal, se o indivíduo não consegue dizer ao outro o que pensa, não conseguirá, do mesmo medo, resistir às suas demandas, sendo incapaz de recusá-las.

Em alguns momentos, contudo, o antagonismo entre as opiniões do indivíduo e as do outro será tão forte, que o sujeito eventualmente acabará por expressar seu posicionamento, ainda que de modo contido ou indireto. O sujeito, todavia, está tão hiperidentificado ao outro que imediatamente já se imagina no lugar dele escutando uma opinião contrária, o que lhe faz sentir-se imensamente culpado.

Marque abaixo alguém que precisa ler este texto.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Por que nos preocupamos com o outro? Winnicott explica.

Por que a gente se importa com outras pessoas?

Você já havia se feito essa pergunta?

Por que será que você se preocupa com seus amigos, familiares e parceiros amorosos?

O psicanalista inglês Donald Winnicott se interessou por investigar essa questão. Diferentemente de Freud que se dedicava majoritariamente ao estudo dos aspectos “negativos” do comportamento humano como a culpa, o mal-estar e a divisão subjetiva, Winnicott gostava de explorar também os elementos “positivos” da subjetividade, aqueles que fazem parte da dimensão saudável da experiência humana.

O sentimento de se importar com os outros é um desses elementos. A palavra em inglês que expressa essa preocupação com o próximo é CONCERN. Nas obras de Winnicott, ela comumente é traduzida em português por PREOCUPAÇÃO ou CAPACIDADE DE SE PREOCUPAR.

No artigo “O desenvolvimento da capacidade de se preocupar”, de 1963, o analista inglês afirma que “A palavra ‘preocupação’ [concern] é empregada para expressar de modo positivo um fenômeno que em seu aspecto negativo é expresso pela palavra ‘culpa'”.

De fato, nos sentimos culpados quando percebemos que causamos dano a um objeto que estimamos, o qual pode ser uma pessoa, um animal, um grupo ou mesmo uma instituição. O concern, por outro lado, diz respeito a uma atitude que justamente evita a experiência da culpa. Se me preocupo com o outro, se me importo com ele, buscarei ativamente não agir de modo a prejudicá-lo.

Para Winnicott, o concern se desenvolve já nos primeiros meses de vida, quando o bebê percebe, por intermédio de fantasias, que a expressão crua de seus impulsos pode causar dano à pessoa que ele mais ama: a mãe. Esse “insight” leva o bebê a imaginar que pode “consertar” o “prejuízo” causado à figura materna por meio de um gesto de reparação. Se o infante percebe que a mãe aceita esse seu “pedido de desculpas”, o resultado é a consolidação do sentimento de preocupação com outro, que a criança levará para todos os seus demais vínculos de amor.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje um vídeo especial em que descrevo em mais detalhes como se desenvolve o concern e por que esse sentimento pode florescer de modo distorcido em algumas pessoas.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] O enlace doentio do masoquista inconsciente com seu carrasco

Não é por acaso que pessoas que carregam um sentimento crônico de culpa se envolvam amorosamente com indivíduos acusadores e vitimistas.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Pensamentos obsessivos: entenda por que eles acontecem

Desde 1894 conhecemos o mecanismo psíquico que está por trás dos pensamentos obsessivos.

Naquele ano, Sigmund Freud publicou o artigo “As neuropsicoses de defesa” no qual, dentre outras coisas, demonstra a descoberta de que os pensamentos obsessivos são inconscientemente criados pelo indivíduo para substituírem outros pensamentos que são fonte de um sofrimento mais acentuado.

Não entendeu? Então vem cá que eu te explico.

Para quem não sabe, pensamentos obsessivos são ideias que não saem da cabeça da pessoa e que ocasionam sentimentos ruins como culpa, medo e irritação. Alguns exemplos típicos: medo desproporcional de que uma catástrofe aconteça, temor excessivo de contaminação, remorso exagerado por pequenos erros cometidos etc.

No artigo de 1894 (que se encontra disponível no volume III das obras completas de Freud), o autor demonstra que os pensamentos obsessivos surgem para substituir outras ideias. Esses outros pensamentos estão ligados a coisas que o sujeito fez ou desejou fazer tanto na idade adulta quanto, sobretudo, na infância, e que são, para ele, fonte de uma culpa avassaladora.

Freud mostra que, para fugir da intensa dor psíquica provocada pelo que fez (ou desejou fazer), o sujeito inconscientemente cria as ideias obsessivas e passa a sofrer com elas ao invés de continuar sofrendo com a culpa “original”.

Por exemplo: um jovem pode se ver constantemente assaltado pelo medo absurdo de estar magoando a namorada pelo simples fato de não respondê-la imediatamente no WhatsApp. Esse temor disparatado pode estar substituindo a culpa pelo desejo de traí-la que constantemente atravessa a alma do pobre rapaz.

O que a pessoa ganha ao fazer essa substituição?

Ora, por mais incômodos e perturbadores que sejam os pensamentos obsessivos, eles pelo menos são suportáveis ao passo que a culpa original impõe sobre o sujeito um estado de desespero intolerável. Em suma: as ideias obsessivas são formas que encontramos de nos proteger das nossas próprias autocondenações.

Você já sofreu com pensamentos obsessivos? Conhece alguém que passa por isso?


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Por que sentimos culpa?

A manifestação da culpa, portanto, depende de três condições: (1) a realização (ou intenção de realizar) de uma ação que, do nosso próprio ponto de vista, é avaliada como errada; (2) a vinculação dessa ação a um contexto relacional; e (3) a produção ou possibilidade de dano a outra pessoa.

Ao refletirmos sobre essa terceira condição, nos damos conta de que a culpa só pode se manifestar em pessoas que são capazes de se imaginar padecendo dos efeitos de suas próprias ações. Exemplificando: a moça que se sente culpada por trair seu namorado só consegue experimentar esse afeto porque possui a capacidade de se imaginar no lugar dele. De fato, ela sabe que se sentiria muito mal se descobrisse que o companheiro está a traindo.

A capacidade de se imaginar na pele da pessoa que sofre os efeitos de nossas ações pode se desenvolver de modo exacerbado em algumas pessoas. Eu já falei sobre isso em outro artigo. Trata-se de um fenômeno que denominei de “empatia patológica”. Nele o sujeito se coloca imaginariamente de forma tão intensa e frequente “no lugar do outro” que acaba se tornando alheio aos seus próprios interesses. À luz do raciocínio que desenvolvi neste texto, não é surpreendente constatar que indivíduos que sofrem de empatia patológica costumem experimentar a culpa numa frequência excessiva. Com efeito, a facilidade que possuem para se imaginar na pele do outro os leva a colocarem sempre em primeiro plano a preocupação com os possíveis danos de suas ações e a relativizarem a realização de seus desejos.

Leia o texto completo em http://bit.ly/drdculpa


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Quem vive culpado está sempre procurando um carrasco para chamar de seu

Quando estamos com medo de um cachorro e nos aproximamos dele, há uma grande chance de que ele comece a latir.

Isso acontece porque o cão é “programado” biologicamente para emitir uma reação de defesa (o latido) quando identifica uma possível ameaça no ambiente. De fato, uma pessoa com medo pode reagir agressivamente para se defender e os doguinhos instintivamente sabem disso. Assim, latem para tentar afugentar o possível agressor.

Mas como é que os cachorros sabem quando uma pessoa está com medo? Simples: pelos sinais corporais involuntários que emitimos quando estamos sentindo essa emoção, como, por exemplo, tensão muscular, postura, expressão facial etc. O animal é biologicamente preparado para detectar e interpretar esses sinais como indicativos de medo e, portanto, de uma chance de ser atacado.

Processos semelhantes a esses acontecem nas relações humanas. Com efeito, também somos capazes de “farejar” a configuração psicológica das pessoas e reagir “instintivamente” com base nesse “faro”.

Por razões de espaço, não posso dar inúmeros exemplos (embora eles existam), mas vou me focar em um: a relação entre o indivíduo que carrega consigo um sentimento de culpa crônico e aquele que gosta de botar a culpa nos outros. Quando eles se encontram, é batata: dá match!

É impressionante constatar a facilidade que pessoas culpadas têm para encontrarem parceiros amorosos vitimistas, que estão sempre culpabilizando o mundo por seus infortúnios. Quem não conhece aquela pobre mulher acanhada, passiva, que está sempre pedindo desculpas e licença por onde passa e que está namorando ou casada com um homem duro, controlador, que sempre coloca a culpa nela por todos os problemas que acontecem na vida deles?

Inconscientemente, o sujeito culpado vive preso à fantasia masoquista de que precisa estar sempre sendo punido e humilhado. Ora, para que essa fantasia possa ser encenada, é preciso encontrar um carrasco. E é exatamente isso o que o culpado faz: assim como um cão que “fareja” medo, ele “instintivamente” escolhe para estar ao seu lado EXATAMENTE aquela pessoa que lhe dá todos os sinais de que saberá puni-lo diuturnamente…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

As raízes do sentimento de culpa

Quero iniciar este texto propondo uma definição de culpa. Não pretendo ser exaustivo e contemplar todos os aspectos dessa emoção, mas apenas destacar o que me parece ser o seu traço mais essencial.

Defino culpa como o sentimento que a maioria de nós experimenta quando percebe que causou dano a um objeto que valorizamos. Esse objeto pode ser uma pessoa, um animal, uma instituição ou até… o nosso próprio ego. Quando nos sentimos culpados, por exemplo, por fazer algo incompatível com nossos parâmetros morais, mas que não causou prejuízo a nenhuma pessoa, quem sofre o dano nesse caso é a imagem que desejamos ter de nós mesmos, o nosso ego ideal.

O fato de nos sentirmos culpados mesmo quando ninguém está sendo efetivamente prejudicado evidencia que a culpa não é um afeto que brota espontaneamente da percepção do sofrimento do outro em função do dano causado a ele. Com efeito, uma mulher pode se sentir culpada por trair seu marido mesmo que o companheiro jamais saiba do chifre. Ou seja, a culpa que ela experimenta ocorre independentemente da dor que acometeria o marido caso ele fosse informado do adultério.

Esse exemplo nos permite discernir um aspecto crucial da culpa: na verdade, o verdadeiro motor desse sentimento é a consciência moral e não propriamente a realidade. É por isso que muitas pessoas se sentem culpadas meramente por desejarem certas coisas ou fantasiarem situações. Embora nada tenha acontecido na prática, mesmo assim elas se sentem culpadas.

A culpa, portanto, pode ser vista como a PUNIÇÃO que nossa consciência moral nos aplica por desobedecermos, concreta ou imaginariamente, suas leis. Em outras palavras, quando nos sentimos culpados, é como se estivéssemos sendo colocados “de castigo” por nossa consciência moral. Essa analogia nos permite compreender por que a culpa é tão dolorosa. De fato, é como se estivéssemos recebendo uma surra da consciência por nossas “malcriações”.

Foi justamente pensando nessa analogia que anteriormente fiz uma live no Instagram defendendo a tese de que CULPA É COISA DE CRIANÇA, ideia à qual pretendo voltar em outra postagem.


Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Pare de se culpar pelo que você sente

Nós não controlamos nossos estados emocionais.

Podemos até evitar comportamentos que são estimulados por emoções, mas definitivamente não somos capazes de impedir que raiva, tristeza, tesão, alegria, ansiedade e outros sentimentos se instalem em nós.

Por que estou chamando sua atenção para isso que talvez pareça uma obviedade?

É que muitas pessoas se sentem culpadas por experimentarem certas reações emocionais diante de determinadas situações. E culpa é um sentimento que só é produzido diante de comportamentos que acreditamos poder controlar.

Quanta gente sofre por aí por sentir tesão por quem acha que não deveria sentir. Quanta gente se martiriza por não conseguir ter afeição pelo pai que sempre foi frio e distante. Quanta gente se chicoteia mentalmente por ter ansiedade na hora de uma avaliação.

Entenda isso: não se pode controlar sentimentos. Os afetos podem ser compreendidos, mas jamais dominados. Você não é uma máquina.

Ao invés de se condenar por estar se sentindo assim ou assado, experimente utilizar sua capacidade racional para investigar as causas do seu estado emocional.

Em vez de ser o policial de si mesmo, torne-se um pesquisador da própria alma. Como dizia Nietzsche, o conhecimento é o mais potente dos afetos.

[Vídeo] Você se cobra demais? Então assista a este vídeo!

Muitas pessoas sentem que estão o tempo todo em dívida em relação a si mesmos e, por isso, vivem ansiosos. Se esse é o seu caso, você PRECISA assistir a este vídeo. Nele explico o que é a autocompaixão, o antídoto contra o excesso de autocobranças.

Aprofunde-se:

Compre o livro na Amazon clicando neste link: https://amzn.to/2SvpYgK

[Vídeo] O superego não é um anjinho