Esta é uma pequena fatia da aula especial “POR QUE ALGUMAS PESSOAS TÊM UM SUPEREGO TÃO FEROZ?”, já disponível para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.
Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
Às quinze horas em ponto, a psicóloga Letícia iniciou a chamada de vídeo com Aírton, seu novo paciente.
Assim que o atendimento começou, o rapaz já foi logo pedindo desculpas antecipadas à terapeuta por eventuais falhas na comunicação entre eles por conta de sua conexão de internet.
Num tom apaziguador, a psicóloga disse que problemas desse tipo são comuns e que ele não precisava se sentir culpado por eles. Em seguida, perguntou o motivo que o levou a procurar ajuda.
— Eu tenho até vergonha de falar, doutora, mas vamos lá: o meu problema é a pornografia. Eu te procurei porque eu preciso parar com esse negócio e não tô conseguindo.
— Hum… Continue — pediu a terapeuta.
— Eu nem acho que sou viciado. Se eu entro três ou quatro vezes num mês é muito. O problema é que eu me sinto um bosta quando faço isso.
— Bosta? Como assim?
— É… Me acho um fracassado. Depois que eu termino de me masturbar, fico com tanto nojo de mim mesmo que sinto uma necessidade incontrolável de tomar banho.
— Então, o problema não é exatamente a pornografia, mas o que você sente depois que consome esse tipo de conteúdo, né?
— É… Pode ser… Mas o pior é que eu tenho namorada, doutora. Quando eu penso nela, minha consciência pesa mais ainda.
— Como é a relação entre vocês?
— Agora tá muito boa, mas no ano passado a gente quase terminou. Eu descobri que ela me traiu. Porém, como ela insistiu e eu gosto muito dela, decidi que valia a pena perdoar.
— E como é que você ficou quando descobriu a traição?
— Ah, eu me senti um bosta, né? Um fracassado.
— Hum… “bosta”, “fracassado”… o mesmo que você sente quando consome pornografia, né?
Ao longo da sessão, foi ficando evidente para Letícia que Aírton nutria um forte desejo de vingança latente contra a namorada.
Todavia, o paciente ainda não era capaz de sequer vislumbrar esse desejo.
Afinal, aprendeu desde criança a reprimir sua agressividade e a descarregá-la… sobre si mesmo por meio da autopunição.
Ainda hoje, quem está na CONFRARIA ANALÍTICA, receberá uma AULA ESPECIAL em que eu comento alguns trechos da obra de Freud que explicam como se dá esse processo que vai dá repressão da agressividade ao excesso de culpa e autocondenação.
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Por conta da nostalgia do narcisismo primário, cada um de nós cria uma imagem idealizada de si mesmo — é o que Freud chama de “eu ideal”. Reconhecendo que não podemos viver sem nos submetermos às regras do jogo impostas pelo Outro (papai, mamãe, a sociedade de forma geral), imaginamos uma versão de nós mesmos que se sai PERFEITAMENTE BEM nesse jogo.
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Não, o superego não é um anjinho que fica tentando te convencer a não ceder às tentações do diabinho do id.
Na verdade, uma associação muito mais apropriada seria justamente entre o superego e… o diabo.
Afinal, no campo teológico judaico-cristão, Satanás exerce fundamentalmente um papel de ACUSADOR.
Isso mesmo. Veja, por exemplo, o que o diabo diz a Deus a propósito de Jó, o arquétipo do homem virtuoso:
— Será que ele teme ao Senhor sem interesse? Estende a tua mão e toca em tudo o que ele tem, para ver se ele não blasfema contra ti na tua face.
Se o demônio aparece como tentador no mito do Éden e em várias outras passagens da Bíblia, não é porque ele quer ajudar o ser humano a satisfazer seus desejos.
Pelo contrário! Como o texto deixa claro, o objetivo do tinhoso com a tentação é levar os homens a desobedecerem a Deus para, assim, ter motivos para invejosamente ACUSÁ-LOS diante do Criador.
É por isso que faz muito mais sentido comparar o superego a um diabinho e não a um anjinho.
Com efeito, o papel que o superego exerce em nossa alma nunca é o de um paciente e bondoso conselheiro que nos alerta para os riscos da realização de certos desejos.
Em vez disso, ele já nos CONDENA simplesmente por TERMOS determinados anseios.
É claro que socialmente essa ação acusatória do superego tem lá o seu valor na medida em que inibe a expressão direta de muitos impulsos.
No entanto, isso pode se dar às custas de muita culpa, de muita ansiedade, de muito sofrimento…
Pessoas, por exemplo, cuja vida é dominada por um superego excessivamente feroz estão o tempo todo se sentindo inadequadas e insuficientes.
Quase nunca conseguem usufruir de suas conquistas ou elogios porque a voz acusatória do superego não permite a elas escutar o que a REALIDADE lhes diz.
A Psicanálise consegue ajudar essas pessoas na medida em que as ajuda a fortalecerem o próprio Eu.
Dessa forma, o sujeito passa a não depender mais do MEDO DAS ACUSAÇÕES DO SUPEREGO para lidar com seus impulsos.
O superego continua existindo, mas agora… exorcizado.
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Neste vídeo: entenda como os ataques do superego e a repressão da agressividade estão na gênese da dificuldade que algumas pessoas possuem de se perdoarem.
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Após vivenciar a terceira crise de ansiedade em menos de uma semana, a jovem finalmente reconhece que está precisando de ajuda e decide procurar terapia.
Uma coisa que salta aos olhos do terapeuta logo no primeiro encontro com Marisa é a tendência que a paciente tem de ficar compulsivamente revisando suas escolhas.
Por exemplo:
Após finalizar uma conversa com um cliente, a mente da jovem jurista é imediatamente invadida por questionamentos do tipo:
“Será que eu dei a orientação correta para ele?”, “Será que não deveria ter falado de outra forma?”, “E se a explicação que eu dei não for pertinente para o caso dessa pessoa?”.
A mesma “chuva de indagações” acontece depois que ela acaba de protocolar uma peça processual no Fórum de sua cidade.
Esse processo contínuo de revisão dos próprios atos faz com que Marisa se sinta o tempo todo tensa, ansiosa, com medo de ter feito alguma coisa errada.
No processo terapêutico foi possível constatar que, na infância, a advogada sempre se sentiu ameaçada pela mãe, que parecia ter uma verdadeira intolerância a erros cometidos por outras pessoas.
Assim, se Marisa eventualmente deixasse cair uma pequena gota de sorvete em sua blusa, isso já era motivo suficiente para que a genitora declamasse um sermão de 10 minutos sobre o suposto desleixo da filha e a necessidade ser mais cuidadosa.
Em função do anseio natural de se sentir amada, aprovada e validada, a paciente foi paulatinamente internalizando a severidade da genitora.
Dessa forma, com o passar do tempo, Marisa passou a SE COBRAR da mesma forma inflexível com que era cobrada pela mãe.
Nesse sentido, a tendência compulsiva de ficar revisando decisões era a expressão da sua ânsia infantil de se tornar a filha 100% correta e irrepreensível que ela imaginava que sua mãe queria.
Em outras palavras, por estar inconscientemente presa ao desejo de encarnar a suposta filha ideal, a jovem advogada não poderia correr o risco de deixar passar um errinho sequer.
Você também sofre dessa tendência a ficar revisando o tempo todo suas decisões pelo medo excessivo de errar?
Identificou-se com a história de Marisa?
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Experimentamos o sentimento de culpa quando fazemos (ou desejamos fazer) um coisa que nós mesmos consideramos inadequada e que acreditamos poder eventualmente causar dano a pessoas que amamos.
Muitas vezes, a culpa ocorre pontualmente e acaba desaparecendo naturalmente, sobretudo em função de um ato de perdão:
Num belo dia você trata o seu namorado de uma forma rude; alguns minutos depois, sente-se mal, pede desculpas, o mancebo te perdoa e a culpa vai aos poucos se esvaindo.
Por outro lado, há algumas pessoas que padecem de uma culpa crônica, que simplesmente não passa — mesmo com o perdão do outro.
Tais indivíduos costumam dizer que são eles mesmos que não conseguem SE PERDOAR.
E é essa afirmação que pode nos servir de ponto de partida para compreender o que está em jogo nesses casos.
Quando o sujeito diz que não consegue se perdoar, ele está revelando a existência de uma divisão em sua personalidade: de um lado, a parte que cometeu o ato inadequado e, do outro, a parte que olha para a primeira e diz: “Isso é imperdoável”.
Freud chamou essa segunda parte de “superego”. Com efeito, ela olha para o eu (ego), a primeira parte, de cima (super, em latim), julgando-a como um pai severo e intolerante.
Nosso superego está sempre monitorando e avaliando nossos atos e pensamentos, exercendo um papel parecido com o que nossos pais desempenhavam conosco na infância.
Todavia, nem todo o mundo tem um superego tão cruel e inflexível quanto o das pessoas que se sentem o tempo todo culpadas.
Para que isso aconteça, é preciso que o sujeito tenha sido levado a reprimir seus impulsos agressivos.
Não por acaso, pessoas que padecem de culpa crônica costumam ser exageradamente pacíficas — e passivas — , indivíduos que são incapazes “de fazer mal a uma mosca”.
Com efeito, essa agressividade patologicamente tolhida não desaparece. Ela permanece guardada, como uma bomba, no interior do psiquismo e, para ser saciada, acaba tomando o próprio Eu do sujeito como objeto.
Os ataques contínuos e ferozes do superego, que resultam na culpa crônica, servem justamente a esse propósito: satisfazer os impulsos agressivos dos quais o sujeito não foi autorizado a se apropriar.
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Creio que a Psicanálise é o melhor tratamento para a dificuldade de esquecer eventos dolorosos pelos quais passamos.
No entanto, também acredito que é possível atenuar a tendência a ficar relembrando memórias ruins simplesmente deixando de alimentar esse movimento espontâneo da alma.
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Neste vídeo: entenda quais são as condições que ocasionam o surgimento do sentimento de culpa e por que algumas pessoas se sentem culpadas com tanta facilidade.
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É claro que você já experimentou o sentimento de culpa em várias ocasiões.
Talvez esteja vivenciando esse afeto amargo neste exato momento.
Ou talvez você seja daquelas pessoas que estão o tempo todo se sentindo culpadas.
Mas e se eu te disser que a gente pode sentir culpa sem saber que está sentindo.
Sim! Freud descobriu que nós podemos ter um sentimento de culpa INCONSCIENTE.
Uai, Lucas, mas como é que ele chegou a essa constatação?
Como é possível saber que um sentimento existe em uma pessoa se ele não é consciente para o próprio sujeito?
Elementar, meu caro leitor.
A gente deduz o que está no Inconsciente por meio de pistas e indícios, como um detetive que é capaz de dizer como um crime aconteceu mediante uma coleta minuciosa de vestígios e testemunhos.
No caso do sentimento inconsciente de culpa, a pista fundamental que possibilitou sua descoberta foi um fenômeno curioso com o qual Freud se deparou na clínica:
A “reação terapêutica negativa”.
Trata-se do fato de alguns pacientes PIORAREM depois de receberem do terapeuta indicações de que estão MELHORANDO e de que o tratamento está sendo bem-sucedido.
Freud olhou para isso e ficou se perguntando: “Uai, como assim? Esses pacientes não querem melhorar?”.
Na busca por respostas para essa questão, o médico vienense acabou se deparando com o sentimento inconsciente de culpa.
Vamos continuar essa conversa lá na Confraria Analítica?
Quem está na comunidade receberá ainda hoje uma aula especial sobre esse assunto.
Te vejo lá!
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Uma pessoa lhe pede um favor. Você a ajuda, mas, ao mesmo tempo, diz para si mesmo que não deveria estar fazendo isso, seja porque a pessoa não merece, porque você está sacrificando seu tempo livre ou por qualquer outro motivo.
Já passou por isso?
Essa é uma circunstância que revela o fato de sermos seres divididos: podemos escolher fazer uma coisa e simultaneamente não desejar fazê-la.
Por outro lado, há um efeito colateral bastante pernicioso no ato de realizarmos uma ação que nós mesmos achamos que não deveria ser levada a cabo.
Quando isso acontece, a gente experimenta a FALSA sensação de não estarmos escolhendo, de não sermos livres para decidir.
Por que se trata de uma sensação falsa?
Porque estamos sempre escolhendo, ainda que nós mesmos não concordemos com determinadas decisões.
Quando uma jovem se queixa de que “precisa” ajudar sua mãe, apesar de toda a mágoa que sente por ela, está escondendo de si mesma a consciência de que socorrer a genitora é uma escolha e que, se quisesse, poderia decidir não ajudar.
Mas por que essa jovem simplesmente não reconhece que amparar a genitora é uma decisão sua e não algo que supostamente ela “precisa” fazer?
Porque TODOS NÓS temos uma dificuldade enorme de assumir a responsabilidade por nossas escolhas.
É muito mais fácil, por exemplo, para um homem imaginar que ele TEVE que fazer um curso superior não porque de fato ESCOLHEU se graduar, mas porque isso seria uma exigência social.
Pode ser que ele realmente tenha decidido entrar na universidade por achar que a sociedade lhe demanda tal atitude, mas, de todo modo, estava fazendo uma escolha: a escolha de querer se adequar aos supostos imperativos sociais.
Todavia, admitir isso seria difícil para esse homem. Afinal, implicaria em reconhecer que, para ele, a aprovação social é um valor prioritário.
E isso não “pegaria bem” aos seus próprios olhos…
Assim, vale mais a pena, do ponto de vista narcísico, se autoenganar e pensar que só está fazendo faculdade porque a sociedade exige.
Assumir a autoria de nossas decisões nem sempre é confortável, mas pode ser muito LIBERTADOR.
Outro dia falo mais sobre isso…
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