[Vídeo] A paixão pela ignorância e o desejo do analista

Todos nós queremos melhorar, mas nenhum de nós deseja, a princípio, investigar o que de fato está por trás dos nossos problemas emocionais. O psicanalista francês Jacques Lacan tinha uma expressão muito boa para caracterizar essa atitude básica: “paixão pela ignorância” — um belo eufemismo para MEDO DE SABER A VERDADE.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O desejo do analista é o antídoto para nossa paixão pela ignorância

Na Psicanálise, não é o terapeuta quem possui o saber que precisa ser trazido à luz para que o paciente possa melhorar.

Na verdade, a tarefa do analista não é explicar o que está acontecendo com o sujeito, mas ajudá-lo a encontrar e articular o que o próprio paciente JÁ SABE.

À primeira vista, pode parecer que esse é um processo muito fácil. Afinal, que paciente não gostaria de descobrir o que está na origem de seu sofrimento?

Eu respondo: TODOS.

Sim, todos nós queremos melhorar, mas nenhum de nós deseja, a princípio, investigar o que de fato está por trás dos nossos problemas emocionais.

O psicanalista francês Jacques Lacan tinha uma expressão muito boa para caracterizar essa atitude básica: “paixão pela ignorância” — um belo eufemismo para MEDO DE SABER A VERDADE.

Reconhecer e articular esse saber que fornece a chave para a compreensão de nossas dores é, em si mesmo, um trabalho doloroso.

É por isso que a gente cria tantas explicações simplórias e de fácil digestão:

“É tudo culpa da minha mãe.”

“Não é nada de mais. Eu só preciso trabalhar um pouco menos.”

“Se eu terminar esse namoro, tudo se resolve.”

Para ajudar o paciente a vencer sua paixão pela ignorância o próprio analista precisa estar numa luta constante com a SUA PRÓPRIA paixão pela ignorância.

Por exemplo: pensemos num terapeuta que tem questões mal trabalhadas com sua mãe.

Pode ser muito confortável para esse profissional embarcar no discurso do paciente que diz “É tudo culpa da minha mãe” e simplesmente assentir dizendo: “É verdade”.

Agindo assim, ele não só poupa o analisando de lidar com outras questões que estão para-além da mãe, mas também SE POUPA de enfrentar AS SUAS PRÓPRIAS QUESTÕES.

Tá errado!

Em vez de deixar o paciente preso a uma explicação simplória, o terapeuta deveria aguçar a CURIOSIDADE do sujeito para continuar investigando as razões de seu sofrimento:

“Sua mãe tem tanto poder assim?”.

No entanto, ele só conseguirá fazer isso se o seu DESEJO DE ANALISTA for mais forte que sua paixão pela ignorância.

E esse desejo, por sua vez, só terá sido forjado e fortalecido se esse profissional tiver sido (ou estiver sendo) paciente de outro terapeuta — que consegue afirmar seu desejo de analista…


➤ Aproveite o desconto da Black Friday (ATÉ 25/11/2022) e assine a Confraria Analítica pagando apenas 29,90 no primeiro mês: https://www.confrariaanalitica.com/ .

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática” – http://bit.ly/ebookhumanes (BLACK FRIDAY – DE 67,00 POR 44,90 ATÉ O DIA 25/11/2022)

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?” – http://bit.ly/ebooklucasnapoli (BLACK FRIDAY – DE 37,00 POR 24,90 ATÉ O DIA 25/11/2022)

[Vídeo] A RESISTÊNCIA É SEMPRE DO ANALISTA – Entenda o que significa isso

Neste vídeo: entenda definitivamente a famosa tese de que a resistência é sempre do analista, proposta por Jacques Lacan.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Por que Lacan dizia que “a resistência é sempre do analista”?

Num trabalho de 1958 chamado “A direção do tratamento e os princípios de seu poder”, Jacques Lacan afirma que “não há outra resistência à análise senão a do próprio analista”. Tá lá na página 601 dos “Escritos”.

Quem me ajudou a entender essa famosa formulação foi o Bruce Fink no recomendadíssimo “Introdução clínica à psicanálise lacaniana” (Zahar, 2018). A propósito, Fink é um daqueles raros autores lacanianos que escreve em humanês e não em lacanês.

O que Lacan está querendo dizer com essa ideia de que a resistência é sempre do analista?

A dificuldade para compreender essa tese vem do fato de que, com base na leitura de Freud, a gente chega à conclusão de que o paciente é quem está sempre “resistindo”. Afinal, o sintoma neurótico só aparece na vida do sujeito porque ele RESISTE a reconhecer o próprio desejo, certo?

Pois é! Lacan não está contradizendo essa descoberta freudiana. Pelo contrário! Ao fazer a provocação de que a resistência é sempre do analista, o que o francês está querendo mostrar é que a resistência do paciente é óbvia, de modo que é tão irrelevante dizer que o paciente está resistindo quanto dizer que a água é molhada.

É claro que o paciente resiste! Quem não pode resistir é o analista!

Portanto, quando dizemos coisas como “essa análise não está andando por causa da resistência do paciente”, o correto seria reconhecermos que a inércia do processo está sendo provocada pela resistência DO ANALISTA. Afinal, a resistência do paciente sempre está presente. Ela não é um fator acidental que ora se manifesta e ora desaparece.

Essa resistência nunca cede naturalmente. Do contrário, o sujeito poderia se curar sozinho sem fazer análise. O fator que se opõe à resistência e faz a análise funcionar é o desejo… mas o desejo DO ANALISTA.

É o analista quem, por meio de seus silêncios, pontuações, cortes e interpretações, encoraja o paciente a renunciar ao gozo inútil, mórbido e pouco criativo do sintoma, encarando a angústia inerente à condição humana e buscando formas mais autorais e criativas de expressar seu desejo no mundo.

A resistência é sempre do analista porque, no tratamento, só o analista tem a “opção” de não resistir e fazer valer seu desejo de analisar.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”