[Vídeo] Cuidado com as crianças “que não dão trabalho”

Neste vídeo eu explico, à luz das contribuições do psicanalista Donald Winnicott, por que as crianças super boazinhas e obedientes podem estar gravemente doentes do ponto de vista emocional.


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Miniadultos: crianças que tiveram que lidar precocemente com problemas de gente grande

No texto “Desenvolvimento Emocional Primitivo”, que acabamos de estudar lá na Confraria, o psicanalista inglês Donald Winnicott diz o seguinte:

“É especialmente no início que as mães são vitalmente importantes, e de fato é tarefa da mãe proteger o seu bebê de complicações que ele ainda não pode entender, dando-lhe continuamente aquele pedacinho simplificado do mundo que ele, através dela, passa a conhecer”.

Neste parágrafo, Winnicott está se referindo especificamente ao bebê, mas o princípio que está presente em sua formulação vale para a criança de qualquer idade.

O que o autor está dizendo é que os pais precisam ir introduzindo seus filhos na realidade AOS POUCOS, respeitando o grau de amadurecimento deles.

Como consta explicitamente no texto, os pequenos precisam ser protegidos de situações que ainda não dão conta de entender.

É por isso que os pais devem evitar a todo custo, por exemplo, ter discussões de relacionamento na frente de seus filhos ou, pior ainda, ficar comentando com as crianças sobre os problemas conjugais que vivenciam.

Os pequenos ainda não estão preparados para lidar com PROBLEMAS DE ADULTOS.

É preciso blindá-los.

Afinal, eles terão muuuuuito tempo no futuro para enfrentarem os desafios da vida adulta.

Quando a criança é forçado pelo ambiente a lidar com problemas de gente grande, ela é obrigada a criar uma falsa personalidade artificialmente amadurecida.

Com efeito, para dar conta de situações que ainda não tem maturidade suficiente para entender, ela precisa abandonar o curso natural do desenvolvimento infantil, tornando-se um “miniadulto”.

Crianças que tiveram o azar de passar por isso tornam-se extremamente compreensivas, passivas e obedientes.
São as famosas crianças “que não dão trabalho”.

É claro! Elas precisaram trocar a espontaneidade disruptiva da infância para se adaptarem precocemente às complicações do mundo adulto.

Na terapia isso fica evidente: o paciente que passou por esse processo quando criança está sempre procurando “não dar trabalho” para o analista.

É como se estivesse o tempo todo dizendo para o terapeuta: “Não precisa cuidar de mim. Eu já sei tudo o que está acontecendo e o que preciso mudar. Deixa comigo!”.


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[Vídeo] A chama da sua espontaneidade se mantém acesa?

Você vive respondendo às demandas e exigências do ambiente ou consegue existir de modo relativamente espontâneo apesar dos condicionamentos e parâmetros externos?


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O que foi feito da sua espontaneidade infantil?

Todo bebê nasce plenamente espontâneo.

Isso significa que no início da vida não existe distância ou oposição entre o que queremos e o que fazemos. Se estamos com fome, choramos; não engolimos o choro. Se mamar está gostoso, a gente continua mamando; não controlamos o nosso prazer.

Todavia, à medida que crescemos e vamos nos dando conta de que existem outras pessoas no mundo, nossa espontaneidade começa a ser limitada. Isso acontece por basicamente duas razões:

A primeira é a de que o mundo para de estar o tempo todo à nossa disposição. Agora não basta chorar na hora da fome; é preciso chamar a mãe, ou seja, eu preciso abrir mão do meu choro espontâneo para me submeter ao código de comunicação do Outro. Para os nerds de Psicanálise: quem fala muito sobre isso é o Sr. Jacques Lacan.

A segunda razão é a percepção de que a nossa espontaneidade pode causar dano ao outro. Mamar no seio materno de fato é muito gostoso e a gente gostaria de continuar fazendo isso para sempre. No entanto, renunciamos a esse impulso espontâneo porque nos damos conta de que nossas mães também são pessoas com uma vida própria e não somente um par de seios que nos amamenta. Para os nerds de Psicanálise: quem fala muito sobre isso é a Sra. Melanie Klein.

Quem teve sorte no seu processo de desenvolvimento, ou seja, quem pôde contar com um ambiente suficientemente bom na infância, consegue se adaptar satisfatoriamente à realidade da vida social. Tais indivíduos abrem mão de parte da sua espontaneidade infantil, mas conservam outra parcela dela, expressando-a naturalmente de modo adaptado às circunstâncias e limitações da vida adulta. Essas pessoas se sentem vivas e reais porque sabem que não são apenas mais uma peça na engrenagem social ou, como diria Roger Waters, “another brick in the wall”.

Por outro lado, há aqueles que não tiveram tal sorte e foram obrigados desde muito precocemente a viver de modo submisso, sem espaço suficientemente para a conservação e expressão de parte da espontaneidade infantil. São pessoas que estão o tempo todo pedindo licença ao Outro para existirem. Para os nerds de Psicanálise: quem fala muito sobre essas duas condições é o Sr. Donald Winnicott.


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O falso amadurecimento da criança mal acolhida

Holding é a palavrinha em inglês que o psicanalista inglês Donald Woods Winnicott utilizava para se referir à função principal que os pais precisam exercer na vida de seus filhos durante a infância.

Essa palavra pode receber diversas traduções em português como sustentação, suporte, contenção ou o ato de segurar. Por essa razão, na Psicanálise costumamos utilizá-la em inglês mesmo.

Do que se trata?

Holding se refere ao conjunto de cuidados básicos que os pais oferecem à criança. Esses cuidados fornecem a ela uma base física e emocional para que possa se desenvolver e, ao mesmo tempo, protegem a criança de fatores externos que podem desvirtuar seu crescimento espontâneo.

O holding está presente, por exemplo, quando uma mãe percebe que seu bebê está com fome e o coloca em seus braços para amamentá-lo. Nessa singela experiência, a genitora está sustentando o bebê fisicamente (ao segurá-lo e dar a ele o leite) e também emocionalmente ao proporcionar à criança aconchego e satisfação. Ao mesmo tempo, a mãe está evitando que o bebê passe precocemente pela experiência da frustração, que ele ainda não pode tolerar.

Também podemos enxergar o holding na sábia atitude dos pais quando decidem poupar seus filhos pequenos de informações sobre seus problemas pessoais e conjugais. Dessa forma, ao “blindarem” as crianças, esses pais estão permitindo que elas possam continuar se desenvolvendo tranquilamente, sem a necessidade de trocarem o fluxo espontâneo da infância pela preocupação com “problemas de adultos”.

Quando a criança frequentemente não vivencia um ambiente marcado pelo holding, ela acaba tendo que “amadurecer” precocemente já que não pode contar com o suporte e a sustentação de seus cuidadores e acaba sendo confrontada indevidamente com situações que ainda não está pronta para enfrentar.

Coloquei a palavra amadurecer entre aspas porque não se trata de um amadurecimento genuíno. O sujeito amadurece por fora, ou seja, torna-se uma espécie de “mini-adulto”, mas, por dentro, permanece sendo a criança insegura e apavorada que foi precocemente chamada a voar quando ainda mal sabia caminhar…

Você acha que isso pode ter acontecido com você ou com alguém que você conhece?


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[Vídeo] Não seja uma pessoa adulterada

[Vídeo] Somos todos falsos

Não é incomum ouvirmos pessoas dizendo que romperam vínculos de amizade por conta da suposta falsidade do amigo. Mas será que é possível ser sincero, espontâneo e o verdadeiro o tempo todo?

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