Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
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No meio da sessão, enquanto narrava um sonho, Adriana soltou um forte grito e se levantou do divã.
— O que aconteceu? — perguntou Eduardo, seu analista.
A paciente apontou para a parede na direção de uma pequena mariposa que lá repousava, dizendo “Mata! Mata!” bem baixinho, quase sussurrando.
Eduardo, então, levantou-se da poltrona e esmagou o inseto com um de seus sapatos, deixando uma pequena mancha acinzentada na parede.
— Pronto. Está mais calma?
— Sim… — respondeu a moça visivelmente aliviada.
— A gente precisa falar sobre isso. Desde quando você tem esse medo?
— Desde criança. Minha mãe fala que no começo eu tinha medo só daquelas grandonas, sabe? Aquelas escuras que o povo chama de bruxas.
— Bruxas! — exclamou o analista intuindo que tal significante poderia ser uma pista para interpretar aquela fobia.
— Mas, depois — continuou a paciente — diz minha mãe que eu passei a ter medo de qualquer mariposa, até dessas pequenininhas.
— E o que exatamente você teme?
— Não sei direito… Passa um monte de coisas na minha cabeça. Mas acho que o maior medo é de que elas me passem alguma doença, sei lá…
— Imagino que você já deve saber que esse tipo de inseto não transmite doenças, né?
— Sim. Eu sei que é um medo irracional, mas não tem jeito, doutor. Quando é bruxa, eu até desmaio!
— Então o feitiço da bruxa é mesmo muito poderoso! — interveio Eduardo apostando numa comunicação direta com a dimensão infantil da paciente.
A paciente não compreendeu imediatamente a fala do analista, mas lhe veio à mente a imagem da mãe. Sentindo-se um pouco envergonhada, Adriana preferiu não verbalizar o que pensou.
Todavia, o próprio silêncio da moça indicou a Eduardo que a intervenção produzira um efeito sobre ela. Por isso, o terapeuta considerou que era o momento apropriado para encerrar a sessão:
— Vamos continuar na semana que vem? Agora, a bruxa tá solta!
O que você acaba de ler é uma vinheta clínica fictícia que exemplifica a maneira como abordamos uma fobia pela via da Psicanálise.
Se quiser se aprofundar e entender em detalhes como funciona o tratamento psicanalítico das fobias, assista à AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.
O título da aula é “AULA ESPECIAL – 4 princípios básicos para o tratamento das fobias na Psicanálise” e já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS”.
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Como será que algumas pessoas acabam desenvolvendo um medo exagerado… de outras pessoas?
Embora experiências de humilhação e feedback negativo possam contribuir para a formação da fobia social, a origem desse quadro geralmente está vinculada a elementos mais profundos.
A Psicanálise descobriu que, nas fobias, as situações EXTERNAS que provocam uma reação exagerada de medo funcionam meramente como um “gatilho” para conteúdos INTERNOS.
Sim. Elas EVOCAM inconscientemente no sujeito fóbico determinados conflitos psíquicos ou memórias traumáticas e é por conta dessa evocação que o medo vem à tona.
O menino Hans, por exemplo, cujo caso foi supervisionado por Freud, ficava aflito ao ver cavalos porque essa situação servia como gatilho para o conflito edipiano que ele vivenciava na época.
De fato, o que esse garoto temia não eram os cavalos em si, mas os conteúdos internos que estavam ASSOCIADOS no Inconsciente dele à imagem desses animais.
Nesse sentido, para compreendermos porque um indivíduo se sente tão ansioso ao interagir com outras pessoas, devemos nos perguntar:
O que a interação interpessoal REPRESENTA para esse sujeito? Que conflitos ou traumas tal situação evoca no Inconsciente dele?
Foi esse o exercício que eu fiz ao analisar o caso de Ana Clara, uma jovem de 19 anos, atendida por uma queríssima aluna da CONFRARIA ANALÍTICA.
A paciente, que sofre de fobia social, foi levada à análise pela mãe, preocupada com a condição de isolamento em que a filha estava se colocando.
Na terapia, como era de se esperar, a moça lança mão de várias estratégias defensivas para se proteger da interação com a analista: fala pouco, recusa interpretações, não associa…
Mas quando analisamos o que aconteceu com essa jovem em seus primeiros anos de vida, compreendemos com alguma clareza porque ela tem tanto medo de se relacionar com as pessoas.
Os detalhes dessa análise bem como minhas recomendações de manejo para a analista estão na AULA ESPECIAL “Ana Clara: da ausência dos pais à fobia”, já disponível na CONFRARIA ANALÍTICA.
Esta é a quinta aula do módulo ESTUDOS DE CASOS, em que comento casos clínicos reais relatados por alunos da nossa escola.
Para ter acesso a esse conteúdo você precisa estar na CONFRARIA.
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— Adriana, eu vim aqui porque tenho talassofobia — foi a primeira coisa que Ivan disse logo depois de se assentar na poltrona indicada pela analista.
— Como assim? — perguntou a terapeuta com curiosidade.
— É fobia de mar. Eu não consigo nem me aproximar do oceano. Só de ver uma cena com mar num filme ou série, meu coração já dispara, começo a suar frio.
— Há quanto tempo isso acontece?
— Acho que começou no início da adolescência. Na infância eu brincava no mar com meus irmãos e meus primos sem problema nenhum.
Nas sessões seguintes, Ivan acabou trazendo outra questão que aparentemente não tinha nada a ver com a fobia: uma relação muito ambivalente com o genitor.
— Eu o admiro muito como pai e profissional, mas até hoje não consegui engolir todo o sofrimento que ele fez a minha mãe passar quando eu era criança.
Explorando o que teria acontecido no início da adolescência para justificar o surgimento da fobia, Ivan acabou se lembrando de uma das viagens que costumava fazer com a família para o litoral:
— Essa viagem para Búzios ficou na minha memória porque me convenceram a comer VIEIRA e eu detestei. Minha mãe falava que era uma delícia, que tinha “gosto de mar”.
Ivan acredita que pode ter sido depois dessa viagem que sua fobia começou.
Coincidentemente, “Vieira” é o sobrenome PATERNO do rapaz e o apelido pelo qual o PAI é chamado tanto dentro quanto fora da família (“Dr. Vieira”).
Assim, ao longo do tratamento, Ivan foi se dando conta de que sua fobia de mar era uma expressão simbólica do conflito interno que ele vivenciava por conta da mágoa guardada contra o pai.
Inconscientemente, ele DESLOCOU o medo do que sentia pelo Dr. VIEIRA para o oceano.
E isso só foi possível porque uma ASSOCIAÇÃO entre esses dois elementos se formou em sua mente quando provou VIEIRA, um fruto do MAR e… DETESTOU.
Esse tipo de pensamento que faz uma associação maluca entre uma comida e uma pessoa pelo simples fato de possuírem o mesmo nome se chama PROCESSO PRIMÁRIO.
Na AULA ESPECIAL desta sexta na CONFRARIA ANALÍTICA, os alunos vão aprender as características dessa forma de raciocínio e também do processo secundário, a nossa forma lógica e habitual de pensar.
O título da aula é “CONCEITOS BÁSICOS 20 – Processo primário e processo secundário” e ela já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – CONCEITOS BÁSICOS”.
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Em 1915, no artigo “Observações sobre o amor transferencial”, Freud escreveu que “o tratamento [psicanalítico] deve ser levado a cabo na abstinência”. O público leigo poderia pensar que Freud estava apenas alertando os analistas para que jamais cedessem à tentação de terem algum envolvimento amoroso e/ou sexual com seus pacientes. O buraco, contudo, é mais embaixo. Para Freud, não se tratava de uma questão meramente ética, mas, sobretudo técnica. A abstinência em questão deveria ser mantida principalmente do lado do paciente.
Neste momento você pode estar se perguntando: “Como assim?”. Para entendermos porque Freud defendeu que o tratamento psicanalítico deve acontecer num estado de abstinência, é preciso levar em conta a forma como Freud entendia o surgimento de uma neurose, ou seja, do tipo de adoecimento psíquico que mais aparecia em sua clínica.
Para Freud, uma neurose, seja ela uma obsessão, uma histeria ou uma fobia, é sempre o resultado de um grave conflito psíquico. Conflito entre aquilo que o sujeito acredita que é (o que Freud chamou de ego) e determinados pensamentos, lembranças e fantasias que num primeiro momento lhe proporcionam muito prazer, mas que ele acaba mandando para o inconsciente porque não estão de acordo com a imagem que tem de si mesmo. Um exemplo bobo: uma moça criada em um contexto religioso muito severo acredita que não deve jamais fazer sexo oral com seu marido, pois isso a desqualificaria como mulher. Quando adolescente, no entanto, essa moça já teve fantasias de que fazia sexo oral em um professor. Como tais pensamentos eram incompatíveis com seu ego, a moça, embora sentisse muito prazer, recalcou-os no inconsciente.
Pois bem, a neurose, de acordo com Freud, poderá emergir justamente quando esses pensamentos que foram recalcados tiverem oportunidade de ser “reativados”. Se isso acontecer, o sujeito precisará se defender a fim de impedir que eles novamente se manifestem. Do contrário, terá de ver manchada a bela imagem que tem de si mesmo. Estabelece-se, então, uma guerra entre o ego e os pensamentos recalcados. Quem costuma vencer? Freud dirá: ambos! Ego e recalcado fazem uma espécie de “acordo”. O ego permite que o recalcado se manifeste desde que seja de forma disfarçada. A neurose é precisamente um desses disfarces! Na histeria, o recalcado se disfarça como sintomas corporais: dores, parestesias, formigamentos, vômitos etc. Na neurose obsessiva, o disfarce é constituído de pensamentos irrelevantes que não saem da cabeça do sujeito. E na fobia, o medo de um objeto, animal ou situação é a máscara adotada pelo recalcado.
E o que a abstinência tem a ver com tudo isso é o que você deve estar se perguntando. Ora, a questão que ficou em aberto acima é a seguinte: como é que os pensamentos, fantasias e lembranças recalcados entram novamente em ação? Freud responde: quando a libido, a energia sexual, retorna para eles. E como a libido retorna para eles? Quando ela não tem mais para onde ir. Não entendeu, né? Eu explico: quando estamos nos relacionando com alguém e nos sentimos satisfeitos com esse relacionamento, grande parte da nossa libido está investida na pessoa com quem estamos nos relacionando. Portanto, o recalcado não tem combustível para “subir” até as portas da consciência. Contudo, se por alguma razão, o relacionamento atual for rompido (seja pela morte da pessoa amada ou por uma separação mesmo) aquela libido que estava investindo o objeto de amor, acaba ficando livre, leve e solta. Como forma de compensar a frustração sofrida, ela vai reinvestir aqueles pensamentos que um dia nos provocaram satisfação. Que pensamentos são esses? Sim, os recalcados, que agora terão munição de sobra para entrarem em combate com ego novamente.
Em outras palavras, a neurose como “acordo” entre o recalcado e o ego só foi possível porque a realidade deixou o indivíduo num estado de… abstinência!