As 3 condições básicas da vida psíquica para Winnicott

Donald Woods Winnicott (1896-1971) foi um pediatra e psicanalista inglês que fez inúmeras contribuições teóricas indispensáveis para o campo psicanalítico.

Com base em sua experiência clínica com bebês, crianças, adolescentes e adultos, fez descobertas sobre o desenvolvimento emocional que, para alguns autores, serve de complemento para a teoria freudiana e, para outros, se distancia desta, operando com base em outro paradigma.

Mas isso é assunto para quem é nerd de Psicanálise. Voltemos ao tema da postagem.

Em 1945, Winnicott publica aquele que viria a ser reconhecido como um de seus principais artigos no campo psicanalítico, na medida em que o texto apresenta a concepção geral de desenvolvimento com a qual o autor trabalhou até o fim da vida. Trata-se do paper “Desenvolvimento Emocional Primitivo”, disponível na coletânea “Da Pediatria à Psicanálise”.

É nesse artigo que Winnicott expõe sua descoberta de que existem três processos que estão nos alicerces da nossa vida psíquica “normal” e que necessitam de um ambiente facilitador para se estabelecerem. Tais processos precisam acontecer logo nos primeiros meses de vida, pois são eles os responsáveis por levar o indivíduo a se perceber como uma pessoa inteira, dotada de um corpo e instalada na realidade.

O autor percebeu que essa experiência básica que nos parece tão fundamental a ponto da gente sequer pensa nela pode não se estabelecer adequadamente. Vemos isso com muita clareza nos quadros psicóticos, nos quais a pessoa eventualmente se percebe como fragmentada, dissociada do próprio corpo ou imersa numa realidade paralela que só ela conhece.

Você já tinha ouvido falar sobre essas três condições básicas da vida psíquica?


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

[Vídeo] A importância do HOLDING no desenvolvimento emocional

Neste vídeo: entenda o conceito de holding proposto pelo psicanalista inglês Donald Winnicott e conheça uma possível consequência da falta de holding na infância.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O falso amadurecimento da criança mal acolhida

Holding é a palavrinha em inglês que o psicanalista inglês Donald Woods Winnicott utilizava para se referir à função principal que os pais precisam exercer na vida de seus filhos durante a infância.

Essa palavra pode receber diversas traduções em português como sustentação, suporte, contenção ou o ato de segurar. Por essa razão, na Psicanálise costumamos utilizá-la em inglês mesmo.

Do que se trata?

Holding se refere ao conjunto de cuidados básicos que os pais oferecem à criança. Esses cuidados fornecem a ela uma base física e emocional para que possa se desenvolver e, ao mesmo tempo, protegem a criança de fatores externos que podem desvirtuar seu crescimento espontâneo.

O holding está presente, por exemplo, quando uma mãe percebe que seu bebê está com fome e o coloca em seus braços para amamentá-lo. Nessa singela experiência, a genitora está sustentando o bebê fisicamente (ao segurá-lo e dar a ele o leite) e também emocionalmente ao proporcionar à criança aconchego e satisfação. Ao mesmo tempo, a mãe está evitando que o bebê passe precocemente pela experiência da frustração, que ele ainda não pode tolerar.

Também podemos enxergar o holding na sábia atitude dos pais quando decidem poupar seus filhos pequenos de informações sobre seus problemas pessoais e conjugais. Dessa forma, ao “blindarem” as crianças, esses pais estão permitindo que elas possam continuar se desenvolvendo tranquilamente, sem a necessidade de trocarem o fluxo espontâneo da infância pela preocupação com “problemas de adultos”.

Quando a criança frequentemente não vivencia um ambiente marcado pelo holding, ela acaba tendo que “amadurecer” precocemente já que não pode contar com o suporte e a sustentação de seus cuidadores e acaba sendo confrontada indevidamente com situações que ainda não está pronta para enfrentar.

Coloquei a palavra amadurecer entre aspas porque não se trata de um amadurecimento genuíno. O sujeito amadurece por fora, ou seja, torna-se uma espécie de “mini-adulto”, mas, por dentro, permanece sendo a criança insegura e apavorada que foi precocemente chamada a voar quando ainda mal sabia caminhar…

Você acha que isso pode ter acontecido com você ou com alguém que você conhece?


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”