[Vídeo] Um antídoto contra o nosso farisaísmo

Todos nós temos uma tendência natural a ocultarmos da consciência as verdadeiras motivações de nossas ações a fim de não macularmos o eu ideal que pretendemos encarnar.

A Psicanálise é o melhor antídoto já inventado contra esse farisaísmo nosso de cada dia.


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[Vídeo] Projeção: psicanalista explica como ela funciona

Neste vídeo: entenda de uma vez por todas como funciona a projeção, o mecanismo de defesa que está na base de fenômenos como a homofobia e o ciúme doentio.


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Quais são os remédios que você inventou para tentar curar suas feridas de infância?

Ontem, atendendo uma paciente, eu utilizei uma analogia que gostaria de compartilhar com vocês, pois acredito que poderá servir para muitos como estímulo para alguns insights.

Eu dizia para essa paciente que nós geralmente criamos “remédios psíquicos” para “tratar” certos problemas emocionais que nos acometeram na infância.

Esses “remédios” são traços de personalidade e padrões de comportamento, ou seja, são formas de ser e de agir que se manifestam em nós de forma quase automática.

Há pessoas, por exemplo, que, sem perceberem, estão sempre se sentindo atacadas e, por isso, se mostram o tempo todo desconfiadas e “na defensiva”.

Quando a gente analisa a história de vida de indivíduos assim frequentemente encontramos em sua infância a passagem por experiências de negligência, injustiça e falta de amor.

Nesse sentido, é possível compreender as atitudes de desconfiança e reatividade como “remédios” que tais pessoas inconscientemente foram criando para se protegerem de um ambiente hostil e pouco acolhedor.

E esses remédios de fato funcionam!

Sem eles, a pessoa seria absorvida pela angústia desesperadora que invade a alma de uma criança que não recebeu por parte do ambiente AQUILO QUE LHE ERA DEVIDO.

Sim, meus amigos: existe a falta estrutural, inevitável, a impossibilidade de satisfação plena, mas existem faltas que não deveriam existir, pois não são da ordem do desejo, mas da NECESSIDADE.

Então, quando o sujeito não tem suas necessidades básicas atendidas na infância, ele vai precisar inventar esses remédios para não cair no abismo da angústia desesperadora.

O problema, como eu dizia para minha paciente, é que todo remédio tem efeitos colaterais…

E é por isso que a gente faz Psicanálise:

Para encontrar remédios melhores.

Para tratar as feridas anímicas e não precisar mais de nenhum deles.

Ou, no mínimo, para acertar a dose…


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Negação: quando a gente sabe a verdade, mas não quer aceitá-la

Em 1925, Freud escreveu um artigo curtinho, despretensioso, mas que se tornaria um clássico na história da Psicanálise.

Refiro-me ao texto “A Negativa” (“Die Verneinung”).

Nele Freud faz uma reflexão teórica sobre um fenômeno que acontece com alguma frequência na experiência clínica de qualquer psicanalista.

Trata-se das ocasiões em que o paciente menciona uma determinada questão, mas apenas para NEGAR sua existência ou pertinência.

Ficou confuso, né? Deixa eu te explicar melhor com um exemplo:

Um paciente está lá deitando no divã, contando sobre uma briga recente que teve com sua mãe porque a genitora não aprova o namoro dele.

Aí, depois de falar sobre essa situação, o cara começa a contar outro episódio, que acontecera no dia anterior. Ele diz:

“… e aí, eu tava lá com a Paula [a namorada] no motel e simplesmente não consegui fazer nada. Acho que foi a primeira vez que broxei com ela. Mas antes que você comece a fazer suas interpretações, isso NÃO tem nada a ver com a briga com a briga com a minha mãe não, tá? O negócio é que eu tinha bebido muito e, às vezes, quando exagero na cachaça, acontece isso.”

Acho que agora deu para entender,  né?

Quem fez a ligação entre a broxada e a briga com a mãe foi o próprio paciente, antes que o analista dissesse qualquer coisa.

No entanto, o rapaz apresenta essa ligação apenas para enfatizar que ela NÃO existe na realidade.

A interpretação de Freud é muito simples:

O paciente inconscientemente sabe que a broxada está diretamente relacionada à briga com a mãe.

Todavia, precisa NEGAR essa verdade para se proteger das consequências insuportáveis dela (como, por exemplo, o reconhecimento de um complexo de Édipo mal resolvido).

Sacou? O cara NEGA a existência de uma determinada realidade porque ela é desagradável e fonte de sofrimento.

A partir de experiências como essa, Freud extraiu uma série de conclusões sobre a forma como lidamos com a realidade de forma geral.

Vamos continuar essa conversa lá na CONFRARIA ANALÍTICA?

Quem está na comunidade receberá ainda hoje uma aula especial sobre o conceito de negação.

Te espero lá!


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[Vídeo] Você ainda usa agasalhos emocionais?

Na infância, para nos protegermos de ameaças e hostilidades vindas do ambiente, criamos agasalhos emocionais. O problema é que nos acostumamos a utilizá-los e permanecemos com eles mesmo quando não são mais necessários. É o seu caso?


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Entenda o que são os mecanismos de defesa

A expressão “mecanismo de defesa” nasceu no campo psicanalítico.

Porém, acabou se popularizando tanto que muitas pessoas a utilizam hoje em dia sem fazerem a mínima ideia do que seja Psicanálise.

Todo o mundo acha que sabe meio intuitivamente o que ela significa, mas em Psicanálise o conceito guarda algumas especificidades que precisam ser assinaladas.

Para entender o que são os mecanismos de defesa do ponto de vista psicanalítico, primeiramente você precisa estar ciente de dois princípios fundamentais:

1 – A gente tem uma tendência natural a evitar situações de desprazer ou fugir delas. Freud chamou isso de “princípio do prazer”.

2 – Quase todos nós (exceto os psicóticos) temos uma imagem estável e coerente de nós mesmos que buscamos a todo custo manter intacta (é o que chamamos de “Eu”).

Agora suponha a seguinte situação:

A imagem estável e coerente que você tem de si mesmo (o seu Eu) possui, como uma de suas diversas características, a heterossexualidade.

Em outras palavras, você se vê, no espelho da alma, como uma pessoa heterossexual, QUER CONTINUAR SE ENXERGANDO ASSIM e acha que é assim mesmo que você deveria ser.

Imagine agora que brote dentro de você, de repente, um impulso de natureza homossexual.

Concorda comigo que tal desejo é incompatível com seu Eu?

Então… Como você (e todo o mundo) busca a todo custo manter intacta a imagem que tem de si, o surgimento desse impulso será vivenciado como algo AMEAÇADOR.

Afinal, ele coloca em risco a “integridade” do seu Eu.

Pronto: qual é o nome do sentimento que experimentamos quando nos sentimos ameaçados?

Isso mesmo: ANSIEDADE.

E a ansiedade é desprazerosa, não é?

Então… Lembra do primeiro princípio que eu citei acima?

Se a ansiedade é um afeto de desprazer, você tentará a todo custo fugir dele.

O problema é que a causa da ansiedade é um impulso, ou seja, algo que está DENTRO DE VOCÊ.

Como fugir de uma coisa interna?

É aí que entram os mecanismos de defesa!

Vamos continuar essa conversa lá na Confraria Analítica?

Quem está na comunidade receberá ainda hoje uma aula especial sobre os mecanismos de defesa.

Te encontro lá!


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A gente faz Psicanálise para deixar de gastar energia à toa.

Há um aspecto do adoecimento emocional que frequentemente passa desapercebido pelo fato de nos focarmos demasiadamente nos conteúdos que podem estar por trás dele.

Trata-se do DESPERDÍCIO de energia psíquica necessário para a manutenção de nossos sintomas.

Esse é um elemento fundamental da visão psicanalítica acerca das patologias psíquicas.

Em Psicanálise, entendemos que todo adoecimento emocional nasce de um processo de um dissociação.

Acreditamos que o sujeito cria sintomas, inibições e ansiedades porque não dá conta de lidar com certos elementos de seu mundo interno.

Ou seja, a doença funciona como uma PROTEÇÃO que a pessoa cria para si mesma a fim de se defender de ideias, fantasias, memórias e desejos que tiveram que ser dissociados.

Ora, considerando que esses elementos, embora exilados da consciência do sujeito, permanecem em seu mundo interno e, como é da natureza de tudo o que é dissociado, estão o tempo todo buscando reconhecimento, concluímos que a pessoa não pode descansar nunca.

Sim! Manter esses elementos fora da consciência é uma tarefa permanente e que exige um gasto gigantesco de energia psíquica.

É por isso que as pessoas que estão emocionalmente doentes e nos procuram no consultório não apresentam apenas problemas pontuais como preocupações, obsessões, medos, compulsões ou crises de ansiedade.

A vida do sujeito, de modo geral, vai se tornando cada vez mais empobrecida e sem graça.

Por quê?

Porque ele está DESPERDIÇANDO preciosas energias para manter suas defesas e, consequentemente, seus problemas emocionais.

Ao invés de investir sua energia psíquica na expansão, no crescimento e na criatividade, a pessoa emocionalmente doente gasta sua libido rebocando as paredes defensivas de seu mundo interno.

O que acontece quando tal indivíduo se engaja verdadeiramente em um tratamento psicanalítico?

Ajudado pela presença, apoio, confiabilidade e “cutucadas” 😉 de seu analista, ele vai adquirindo cada vez mais segurança, flexibilidade e liberdade para acolher sem medo aquilo que outrora precisou ser dissociado.

O resultado é que o paciente pode finalmente abandonar suas defesas e voltar a contar com a enorme quantidade de energia que estava sendo usada para mantê-las.


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Quais são os seus agasalhos emocionais?

No momento em que escrevo este texto, estamos em pleno inverno aqui no Brasil. Por isso, em muitas regiões do país, a temperatura tem se mantido relativamente baixa.

Contudo, é muito provável que daqui a aproximadamente um mês e meio nosso clima quente, tipicamente tropical, volte a dar as caras.

O que você falaria para o seu namorado, por exemplo, se lá por volta de outubro, novembro, no auge da primavera, ele continuasse utilizando grossos agasalhos mesmo sob um intenso calor?

Talvez você dissesse algo como: “Ei, o frio já passou. Hora de usar roupas mais leves. Não faz sentido continuar vestindo isso. Você não se sente incomodado?”

E seu eu te disser que muitos de nós se comportam exatamente como esse excêntrico rapaz, mas em relação à vida emocional?

Deixa eu te explicar:

A gente usa agasalho para se proteger do frio, certo? Então, podemos dizer que tal vestimenta é um instrumento de adaptação ao sofrimento gerado pelas baixas temperaturas, concorda?

É muito mais conveniente usar uma camiseta do que um agasalho, mas, para escapar do desconforto gerado pelo frio, não temos escolha, né?

Então…

A Psicanálise descobriu que, na infância, diante de experiências às vezes não só desconfortáveis como o frio, mas insuportáveis mesmo, a gente também lança mão de instrumentos de adaptação.

São, digamos, agasalhos emocionais.

Trata-se de mecanismos psíquicos patológicos como a repressão, a dissociação, o falso self, a identificação com o agressor e a autocondenação, por exemplo.

Como ainda somos crianças e não podemos fugir do ambiente hostil em que a vida nos colocou, não temos escolha: precisamos vestir esses agasalhos emocionais.

É a nossa sobrevivência psíquica que está em jogo.

O problema é que, tal como o singular rapaz mencionado acima, a gente continua usando esses agasalhos mesmo fora de época…

O contexto adverso da infância já passou, mas continuamos utilizando as mesmas estratégias de autoproteção como se ainda vivêssemos nele.

Você se enquadra nessa descrição? Continua utilizando agasalhos mesmo no calor?


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Pare de se enganar e admita esse gozo camuflado

A tese que pretendo demonstrar ao longo deste artigo é bastante simples: frequentemente ocultamos nossas verdadeiras (e não tão nobres) motivações por trás de argumentações pretensamente racionais. Em Psicanálise, esse tipo de procedimento mental é chamado de racionalização. Trata-se de um dos inúmeros mecanismos de defesa que podemos utilizar para protegermos nossa autoimagem do reconhecimento de determinados desejos que “não pegariam bem”, por assim dizer. Em outras palavras, estamos falando do bom e velho autoengano. Vou trazer alguns exemplos para que você entenda a que estou me referindo.

Nos últimos anos, alguns famosos “influencers” que fazem sucesso no Instagram têm postado fotos e vídeos em estandes de tiro e defendido a posse de armas. Qualquer pessoa razoavelmente observadora consegue perceber com muita facilidade que a exibição que tais influenciadores fazem de suas pistolas e revolveres é parte de um esforço para demonstrarem uma suposta virilidade que deveria ser expressa por todo homem. Dito de modo mais simples: a arma funciona para essas pessoas como um signo de masculinidade. A exibição do armamento lhes ajuda a se apresentarem para suas audiências como “homens de verdade”.

No entanto, você não os verá em nenhum momento confessando essa obviedade. Em vez disso, eles falarão o tempo todo que a arma é um instrumento absolutamente necessário para a garantia da própria segurança e a proteção da família. Ainda que a maioria deles more em condomínios e apartamentos com um nível de segurança que 99% da população não pode ter, tentarão convencer você que ter uma pistola em casa é uma necessidade absoluta na vida de todo “pai de família”.

Eles poderiam muito bem dizer para suas audiências que gostam de armas porque ter algumas delas em casa os faz se sentirem mais masculinos, mais viris, mas… isso não pegaria bem, né? Por isso, ocultam essa motivação que, cá para nós, é bastante infantil, por meio da desculpa de que estão preocupados com a segurança de suas famílias.

Leia o texto completo clicando aqui.


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O que são os mecanismos de defesa?

Freud descobriu que a mente trabalha de forma semelhante. Ela recebe as experiências que a gente tem na vida, processa essas experiências, assimila aqueles pensamentos que considera úteis e tenta descartar o excedente. Os mecanismos de defesa se fazem presentes justamente na etapa de processamento. Na hora de definir quais ideias serão absorvidas e quais serão rejeitadas, a mente adota os parâmetros que foram nela instalados pelas pessoas significativas com as quais o sujeito conviveu e que exerceram a função de autoridade na vida dele (por exemplo: pai, mãe, professores, avós etc.).

Com base nos critérios que essas pessoas “injetaram” na nossa mente, a gente seleciona com que pensamentos vamos ficar e que pensamentos vamos “excretar”. O problema é que, diferentemente do que acontece com o funcionamento do aparelho digestivo, nós não podemos “defecar” experiências, ideias, pensamentos. Por mais que queiramos expurgá-los da nossa alma, eles continuarão presentes lá, como visitantes indesejados. É aí que entram os mecanismos de defesa: eles existem justamente para que possamos continuar vivendo sem nos incomodarmos com essas “fezes psíquicas”.

Leia o texto completo em bit.ly/drdmecanismos


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E se eu te disser que uma pessoa tímida pode ter um desejo enorme de se mostrar?

Formação reativa é um mecanismo de defesa, ou seja, uma operação mental que nós empregamos para nos protegermos de certas coisas que estão dentro de nós.

Que coisas são essas? São desejos, impulsos, fantasias, memórias, pensamentos que entram em choque com a imagem que queremos ter de nós mesmos.

Por exemplo:

Uma moça desenvolveu na infância um prazer enorme em ser vista pelas outras pessoas. Naquela época, ela adorava ser o “centro das atenções” e se perceber como fonte de prazer para o olhar do outro.

Contudo, conforme ia crescendo, essa moça ouvia da parte dos pais e de outras pessoas importantes para ela que é errado gostar de se exibir, que isso é coisa de gente “sem vergonha” e que uma mulher deveria ser sempre contida e recatada.

O que aconteceu, então?

Ora, essa moça passou a olhar para sua tendência exibicionista com maus olhos, como um defeito. Afinal, quer fazer jus à imagem ideal de mulher que o Outro espera dela.

Mas como ela vai conseguir isso já que gosta tanto de se mostrar?

É aí que entram os mecanismos de defesa. Por meio deles, a gente consegue se autoenganar, fingindo para nós mesmos que nunca gostamos daquelas coisas que são incompatíveis com nosso eu ideal.

A formação reativa é um mecanismo de defesa que consiste em evitar o contato com as coisas incompatíveis por meio da apresentação exagerada de uma tendência oposta a elas.

Não entendeu? Deixa eu voltar para o nosso exemplo que vai ficar mais claro. Veja:

Se a moça exibicionista fizesse o uso da formação reativa ela poderia se tornar uma pessoa extremamente pudica, tímida e acanhada, ou seja, adotar uma postura completamente oposta ao seu desejo de se exibir. Dessa forma, tanto os outros quanto ela mesma jamais iriam desconfiar que, na verdade, ela tem um tesão enorme em se mostrar.

Você consegue perceber a presença da formação reativa na sua vida ou no comportamento de outras pessoas?


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O negacionismo nosso de cada dia

Por que é tão difícil para algumas pessoas admitirem que nós estamos numa situação realmente grave e catastrófica? Por que tantos indivíduos não conseguem reconhecer a realidade? Talvez você esteja se fazendo essa pergunta e imaginando que não pertence a esse grupo. Talvez você olhe para os negacionistas da pandemia e acredite que são pessoas ignorantes, tolas e que você jamais seria uma delas, afinal, você é um indivíduo esclarecido, que não se deixa levar por teorias conspiratórias e aceita a realidade tal como ela é.

Se você pensa assim, sinto lhe informar, mas nem eu e nem você estamos tão distantes assim dos negacionistas. Para dizer logo de cara: todos nós somos negacionistas em alguma medida. Você pode até não negar a realidade do vírus e da pandemia, mas certamente há pontos da sua própria história em relação aos quais você certamente é um negacionista. Foi o que eu tentei mostrar à paciente que me sugeriu esse artigo.

Leia o texto completo em bit.ly/drdnegacionismo


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[Vídeo] O que são os mecanismos de defesa?

Entenda a regra da abstinência de Freud (final)

Cena do filme "Um Método Perigoso"No post anterior, vimos que do ponto de vista freudiano a neurose é resultado de um conflito entre o recalcado (pensamentos, lembranças e desejos que jogamos para debaixo do tapete de nosso psiquismo) e o ego (a imagem que temos de nós mesmos e que, a princípio, seria maculada pelo recalcado). Vimos também que a neurose tem início quando sofremos uma frustração amorosa, a qual faz com que a nossa libido volte a investir os pensamentos que foram recalcados, levando o ego a se sentir ameaçado. A neurose seria, então, um acordo de “paz” selado entre o ego e o recalcado em que o primeiro permite que o último se manifeste desde que de forma disfarçada.

Pois bem. Se o recalcado só foi “reativado” porque a libido não pôde ser satisfeita com objetos da realidade externa (frustração), isso significa, portanto, que se um novo objeto se apresentar para a pessoa e essa passar a amá-lo, grande parte da sua libido tenderá a investir o novo objeto e abandonará os pensamentos recalcados. O que acontecerá então com eles? Serão novamente jogados para debaixo do tapete do psiquismo e permanecerão preparados para se manifestarem novamente caso uma nova frustração amorosa aconteça. Em outras palavras, o recalcado se comportará como um vírus que aguarda a ocasião em que o organismo estará debilitado ou com a imunidade baixa para poder agir.

Qual seria a saída para que o sujeito não ficasse tão vulnerável assim à ação do recalcado? Freud dirá: fazendo com que os pensamentos recalcados não sejam mais recalcados! Não entendeu? Eu explico: a única diferença entre os pensamentos que estão recalcados, ou seja, estão no inconsciente, e os que não estão é que os primeiros não podem, a princípio, ser objetos da consciência. Nesse sentido, fazer com que os pensamentos recalcados não sejam mais recalcados significa permitir que eles possam adentrar os salões da consciência – o que só será possível se o sujeito não se sentir ameaçado por eles. E como o sujeito poderá lidar com o recalcado sem se sentir ameaçado? Em primeiro lugar, aprendendo a ter uma imagem de si mesmo (ego) que não seja tão rígida e idealizada. Em segundo lugar, olhando para o recalcado de frente e se dando conta de que objetivamente eles não oferecem perigo algum. Esses dois processos sintetizam o que acontece durante um tratamento psicanalítico.

Neste ponto você pode estar pensando: “Ok. Até aí eu consegui entender. Mas você se propôs a explicar o princípio da abstinência defendido por Freud e até agora não falou muita coisa sobre isso.”. Não ouso discordar de você, caro leitor. De fato, era preciso estabelecer algumas bases antes de chegarmos ao ponto central desta explicação.

Disse no parágrafo anterior que a única forma de impedir que o recalcado se mantenha à espreita, como um vírus, seria fornecendo as condições para que ele pudesse se manifestar e entrar livremente no território da consciência. Ora, a neurose é justamente uma das condições que tornam isso possível! Afinal, os sintomas neuróticos nada mais são do que pensamentos recalcados se manifestando de forma disfarçada. Por outro lado, como frisamos, a neurose só aparece após uma frustração e pode muito bem desaparecer em função de uma nova ligação amorosa. Portanto, a condição sine qua non para que o recalcado possa ser reavaliado pelo indivíduo na análise é a abstinência de satisfações amorosas. Do contrário, isto é, se o indivíduo dirigisse sua demanda de ser amado ao analista e esse a aceitasse, a ligação amorosa entre o paciente e o terapeuta tomaria o lugar da neurose, impedindo a continuidade do tratamento. É por essa razão que, do ponto de vista freudiano, é preciso recusar a demanda de amor do paciente. É preciso manter o doente num estado de insatisfação suficientemente bom para que o recalcado permaneça se manifestando e possa se tornar objeto da consciência.

À guisa de conclusão, poderíamos dizer que a regra da abstinência é a diretriz técnica que torna possível tanto ao paciente quanto ao analista a descoberta e a análise do material recalcado. Como Freud costumava assinalar, é muito comum observarmos uma melhora súbita no quadro apresentado pelo paciente durante os primeiros meses de tratamento. Isso seria resultado da própria relação entre paciente e terapeuta, pois o primeiro investiria no segundo a libido que até então estava vinculada aos pensamentos recalcados. Essa melhora, contudo, não seria duradoura justamente porque o analista não forneceria ao paciente uma contrapartida a seu investimento libidinal. Assim, a libido do paciente não teria alternativa a não ser retornar para onde estava até então, a saber: no recalcado. Essa nova frustração amorosa sofrida pelo paciente produziria uma nova neurose que, dessa vez, estaria ligada à pessoa do analista.

Nesse sentido, ao manter o tratamento em abstinência, ou seja, recusando-se em atender a demanda de amor do paciente, o analista permite que a doença que teve origem fora do consultório possa ser atualizada no interior do setting analítico. Isso permite tanto ao paciente quanto ao analista trabalharem o recalcado e as formas que o ego tem de se defender contra ele não como resquícios de acontecimentos passados mas como fenômenos atuais.

A paz sem voz egóica

clipe-da-banda-o-rappa-minha-almaO grupo O Rappa  sempre foi pródigo em nos premiar com letras belíssimas, bem elaboradas e cujo conteúdo geralmente é associado a problemas sociais. É assim com “Hey Joe”, “Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro”, “O que Sobrou do Céu” e também com a música mais famosa da banda, “A Minha Alma”, que leva como título alternativo (e muito melhor) “A Paz que eu Não Quero”.

Após ter escutado algumas centenas de vezes a música, penso que, involuntariamente, Marcelo Yuca, ex-integrante da banda e autor de “Minha Alma”, acabou por expressar nessa música não só a hipocrisia da classe média perante a violência. O compositor nos deu uma fabulosa descrição de como se constitui aquilo que em Psicanálise chamamos de “ego”, isto é, aquela imagem que temos de nós mesmos e que ilusoriamente acreditamos resolver o problema da eterna pergunta “Quem sou eu?”.

Desde os tempos pré-históricos da Psicanálise em que a hipnose era o método de tratamento em voga, Freud já sacava que a origem do sofrimento neurótico de seus pacientes situava-se num conflito entre a imagem que o paciente tinha de si mesmo (idealizada, diga-se de passagem) e as fantasias sexuais perversas que nutria. Quer dizer, todo o conflito estava no fato de que o paciente, apegado a uma imagem idealizada de si, não aceita para si mesmo aquilo que ele verdadeiramente deseja.

A partir de então, o ego passa a ser visto como o maior obstáculo do tratamento visto que é o apego do paciente a ele que impede o reconhecimento do verdadeiro desejo. Tamanha força do ego reside na sua capacidade de fazer frente aos impulsos sexuais perversos por meio dos mecanismos de defesa, sendo o principal o recalque. Como vocês já devem saber, o ego exclui do campo da consciência quaisquer vestígios desses impulsos deixando-os marginalizados, tal como a sociedade capitalista faz com aqueles que perdem na guerra do consumo, obrigando-os a viver em favelas e cortiços.

Assim, ao mesmo tempo em que o ego nos protege de nos vermos como perversos ele nos prende a imagem que não nos permite termos acesso à verdade de nosso desejo. Uma verdade dolorosa, mas uma verdade. Ora, não é exatamente isso, o que Yuca demonstra ao escrever na segunda parte de “Minha Alma”?:

“As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão”

Essa dúvida de que Yuca fala, pode ser tomada tanto no nível da tradicional dúvida obsessiva, quanto no nível da angústia, sinal inconfundível da iminência do impulsos recalcados.

Excluindo do campo da consciência os impulsos sexuais perversos, o ego promove uma aparente paz na vida mental. Na medida em que os impulsos se tornam inconscientes, o sujeito passa a fazer de conta que eles não existem, permanecendo aferrado à imagem ideal de si. Porém, como diz a música, essa é uma “paz sem voz” que acaba revelando-se um medo disfarçado. Medo de reconhecermos para nós mesmos que somos capazes de ter tais e tais fantasias.

Mas não pensem vocês que esse medo não tem nada de vantajoso. Essa paz implicada no processo de defesa do ego acaba produzindo uma sensação também ilusória de felicidade. A pergunta, que o analista coloca para o analisando e que se personifica na letra de “A Minha Alma” é:

“Qual a paz que eu não quero conservar,
Pra tentar ser feliz?”

O trabalho de análise é justamente a resposta o que o autor demanda quando pede para que não o deixe “sentar na poltrona num dia de domingo, procurando novas drogas de aluguel”. É colocar voz na paz…

SERVIÇOS:

Veja o premiadíssimo clipe de “A Minha Alma”

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