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Há pessoas que, na infância, por n razões, não sentiam que seu desejo era suficientemente validado e autorizado.
Uso aqui a palavra “desejo” num sentido amplo: aquelas inclinações, vontades e movimentos espontâneos que brotam da própria pessoa.
Uma menina, por exemplo, pode se inclinar naturalmente, desde muito pequena, para brincadeiras que, tradicionalmente, na nossa cultura, são categorizadas como “brincadeiras de menino”.
Por n razões, os pais dessa menina podem considerar que esse desejo deve ser coibido, passando a estimular ou mesmo forçar a filha a se envolver com “brincadeiras de menina”.
Ao fazerem isso, esses pais podem não só levar a garota a reprimir sua inclinação por brincadeiras de menino.
Eles podem estar contribuindo para algo mais profundo e adoecedor: essa menina pode desenvolver a ideia de que suas inclinações espontâneas de forma geral (e não só a vontade específica de brincar com “coisas de menino”) são inválidas ou ruins.
Isso porque o desejo por brincadeiras de menino não é um elemento isolado da personalidade da garota. Ele está associado a vários outros aspectos e inclinações que podem ser igualmente desaprovados pelos pais.
Resultado: essa menina pode crescer acreditando inconscientemente que não tem autorização para realizar seus desejos espontâneos.
— Tá, mas onde entra a procrastinação nessa história, Lucas?
Veja: o que é procrastinar?
Procrastinar é adiar uma tarefa importante sem que esse adiamento seja realmente estratégico.
Ou seja, você deixa para depois não porque será melhor fazer a tarefa em outro momento, mas simplesmente porque sente uma espécie de bloqueio interno que te impede de botar a mão na massa naquela hora.
Ora, esse bloqueio interno pode ser justamente o medo inconsciente de se engajar em seu próprio desejo.
É como se, na hora em que você está lá, diante do computador, pronta para trabalhar em um projeto, viesse uma voz interna que te dissesse:
“Lembra que você aprendeu que tudo aquilo que vem de você é ruim, errado, inválido? Então… Nem vale a pena investir tempo e energia nesse projeto. Não vai dar certo.”
O problema é que essa “voz” age de modo inconsciente. Conscientemente, o que você experimenta é simplesmente uma vontade estranha de deixar para depois, mesmo sabendo que tem tempo suficiente para trabalhar no projeto naquele momento.
Que fique bem claro: o que eu acabo de dizer não vale para todos os casos de procrastinação.
É apenas uma hipótese.
Mas ela pode se aplicar ao seu caso.
Que tal pensar a respeito?
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Dia desses alguém me perguntou na caixinha do Instagram se preguiça em excesso era sintoma. Eu respondi que era preciso diferenciar preguiça de abulia.
Quero, aqui, me aprofundar um pouco nessa distinção.
O que é a preguiça?
Preguiça é um tipo de prazer.
Sim! É o prazer que eu ESCOLHO deliberadamente obter ao adiar ou evitar a realização de uma tarefa que posso e sei que devo fazer.
Todo o mundo se entrega à preguiça de vez em quando. Afinal, quem é que aguenta viver o tempo todo de forma diligente e produtiva?
É importante salientar que a preguiça é uma forma de PRAZER para diferenciá-la de um fenômeno aparentemente muito parecido: a procrastinação.
Quem verdadeiramente procrastina a realização de uma tarefa não o faz porque quer usufruir do prazer de não trabalhar.
Na VERDADEIRA procrastinação, o sujeito enrola para botar a mão na massa movido pelo afeto do MEDO.
Medo da tarefa ou de elementos associados a ela e que pode estar fundamentado em pensamentos conscientes e/ou inconscientes.
Na preguiça não há medo. Há simplesmente o desejo — humano, demasiado humano — de desfrutar do ócio ou da diversão e evitar o desprazer do trabalho.
Uma pessoa deprimida pode parecer preguiçosa aos olhos de um ignorante em matéria de saúde mental.
Afinal, ela pode ausentar-se do trabalho, passar o dia todo deitada na cama vendo TV e não querer fazer tarefas básicas como tomar banho e escovar os dentes.
A diferença é que o deprimido não faz isso pelo prazer do ócio, mas por uma falta patológica de disposição que nós chamamos tecnicamente de ABULIA.
A pessoa deprimida não ESCOLHE ficar à toa e não se sente bem fazendo isso como acontece conosco quando nos entregamos à preguiça.
Na verdade, o deprimido está apenas sofrendo os efeitos involuntários de um desarranjo psíquico que pode ser motivado por inúmeros fatores.
Portanto, concluindo, preguiça é escolha voluntária pelo prazer da folga.
Abulia depressiva, por sua vez, é o padecimento não deliberado de uma falta de vontade não só de trabalhar, mas de viver…
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Neste vídeo, o Dr. Nápoli analisa 4 razões típicas pelas quais as pessoas procrastinam e aponta estratégias para enfrentar cada uma delas.
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Conheça a história de Beatriz e entenda por que círculos viciosos e autodestrutivos só podem ser quebrados por AÇÕES motivadas pela CONSCIÊNCIA e não por ESTADOS EMOCIONAIS.
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Há pessoas que se autoenganam pensando que sofrem de procrastinação, quando, na verdade, são preguiçosas mesmo.
Por outro lado, existem de fato procrastinadores e eles também costumam se autoenganar imaginando que precisam de muito mais preparo do que o necessário para colocarem a mão na massa.
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Descartes dizia que o bom senso é a coisa mais bem distribuída no mundo porque toda pessoa acha que o possui em larga medida.
Em contrapartida, eu diria que o autoengano é a coisa mais escassa do mundo, pois contam-se nos dedos aqueles que admitem estar providos dele.
O procrastinador é uma das categorias de pessoas que mais resistem a reconhecer o quanto estão afundadas no autoengano.
Primeiramente porque a própria percepção de si mesmo como um sujeito procrastinador já pode ser, ela própria, fruto do autoengano.
Com efeito, muitos daqueles que se dizem procrastinadores são, na verdade, preguiçosos mesmo. Não agem porque vivem sob o lema do simpático carteiro Jaiminho: “É que eu prefiro evitar a fadiga”.
Por outro lado, existem os procrastinadores de fato: aqueles que acreditam verdadeiramente que querem agir, mas possuem resistências inconscientes que os impedem de colocar a mão na massa.
Tais resistências podem ser as mais mais variadas: o sujeito pode, por exemplo, inconscientemente não desejar executar aquela tarefa que lhe parece tão necessária no momento aos olhos da consciência.
E é aí que o diabinho do autoengano se manifesta!
Para não ter que reconhecer o seu desejo inconsciente de não fazer o que acha que precisa ser feito, o procrastinador começa a inventar desculpas para si mesmo.
Uma das mais clássicas é a que pode ser formulada nos seguintes termos: “Não vou fazer isso agora porque preciso me preparar; ainda não estou pronto para agir”.
O cidadão já leu trocentos artigos e livros, mas acha que ainda não é o bastante. Antes de começar a escrever a monografia, ele precisa estudar um pouco mais.
A moça já assistiu centenas de vídeos sobre marketing digital e acompanha há anos perfis dedicados ao tema, mas ainda diz para si mesma que precisa se preparar um pouco mais antes de fazer o seu primeiro lançamento.
E, assim, a pessoa vai adiando, adiando, adiando, perdendo oportunidades e jogando para debaixo do tapete uma análise séria sobre as próprias motivações.
Como a gente diz aqui em Minas: ou caga ou sai da moita! Ou você começa esse negócio logo e para de enrolar ou vá investigar as razões inconscientes de sua procrastinação.
Só pare de se autoenganar.
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Procrastinar significa adiar a realização de uma tarefa sem que isso configure uma decisão estratégica.
É importante observar essa definição para não confundirmos procrastinação com planejamento. Muitas vezes precisamos adiar uma atividade em função de um imprevisto ou tendo em vista uma ocasião mais favorável para executá-la. Nesses casos, não estamos procrastinando, mas simplesmente planejando o momento adequado para a realização da tarefa.
Procrastinar é enrolar. É sentar na frente do computador, ter tempo e recursos suficientes para fazer o que precisa ser feito e… não conseguir fazer.
Trata-se de um fenômeno que se diferencia também da preguiça. O preguiçoso não adia suas tarefas porque sente um bloqueio na hora de realizá-las, mas, sim, porque decide voluntariamente ficar ocioso ao invés de trabalhar. A preguiça é o apego excessivo ao descanso e ao lazer.
O procrastinador, por sua vez, até deseja produzir, mas uma resistência interna o impede de se engajar numa tarefa específica. Por isso, podemos dizer que o verdadeiro problema na procrastinação não é exatamente o “deixar para depois”. O adiamento é, na verdade, a saída que o procrastinador encontra para se ver temporariamente livre da tarefa, já que ela o deixa ansioso.
Nesse sentido, o que está na raiz do problema da procrastinação é a ANSIEDADE provocada pelo afazer. Essa ansiedade sinaliza a existência de um conflito interno relacionado à atividade que está sendo procrastinada. Pode ser, por exemplo, que o sujeito conscientemente deseje executá-la, mas inconscientemente não o queira, seja por medo do sucesso, raiva de quem a solicitou ou qualquer outra razão afetiva como essas.
Técnicas práticas para driblar a procrastinação funcionam? Sim. Eu mesmo sou um entusiasta de algumas delas. Todavia, para-além de tentarmos vencer a procrastinação a qualquer custo, deveríamos tomá-la como um indício muito instrutivo de como anda a nossa relação com o nosso trabalho. Eventualmente, por exemplo, procrastinar pode ser a forma que o seu Inconsciente encontrou para dizer que esse emprego ou esse curso universitário não é a sua praia.
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