Ansiedade é como febre: apenas um sinal de que algo não vai bem

Se você se consultar com um médico e disser: “Doutor, o meu problema é febre.”, o que o profissional fará? Provavelmente, ao término da consulta, lhe receitará algum remédio para reduzir a febre, mas, antes, lhe fará uma série de perguntas e solicitará exames para identificar o que tem causado o aumento atípico da sua temperatura corporal.

Perceba: você chegou lá se queixando de febre, mas o olhar do médico estará muito mais voltado para aquilo que está na origem dessa queixa do que para o estado febril em si. O profissional age assim porque entende a febre apenas como o sinal, o indicativo do verdadeiro problema, o qual pode ser uma infecção ou outro processo fisiológico anormal.

A febre funciona como um alerta que o corpo dispara para nos informar que algo não vai bem. Frequentemente ela é a expressão de uma reação natural de defesa do organismo contra algo que perturba seu funcionamento.

A ansiedade exerce um papel semelhante em nossa vida psíquica. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, ela não é uma doença emocional. Em primeiro lugar, a ansiedade é uma experiência inevitável, adaptativa e saudável. Quando ficamos ansiosos antes de uma prova ou de uma apresentação em público, por exemplo, nos tornamos mais atentos e nos preparamos para aquele desafio.

O excesso de ansiedade é que é problemático. Todavia, não é a ansiedade exagerada ou frequente o verdadeiro problema. O fato de você estar momentaneamente muito ansioso ou o tempo todo ansioso é apenas um sinal, assim como a febre, de que algo em você não está OK. Nesse sentido, é preciso ir em busca das CAUSAS desse estado de ansiedade excessiva e frequente.

Ninguém fica ansioso por acaso. A ansiedade nos visita em situações nas quais nos sentimos ameaçados. E as ameaças em questão na maioria das vezes estão dentro de nós. Os acontecimentos externos apenas as evocam.

E assim como a febre só termina de fato quando o agente infeccioso é identificado e combatido, assim também a ansiedade excessiva só desaparece quando descobrimos nossas “ameaças” internas e as elaboramos, fazendo com que não mais os percebamos como conteúdos perigosos.


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