Nosso superego não reflete como foram nossos pais, mas como era o superego deles.

No texto “A Dissecção da Personalidade Psíquica”, de 1933, Freud faz uma afirmação muito esclarecedora a respeito do superego. Veja:

“Assim, o superego de uma criança é, com efeito, construído segundo o modelo não de seus pais, mas do superego de seus pais; os conteúdos que ele encerra são os mesmos, e torna-se veículo da tradição e de todos os duradouros julgamentos de valores que dessa forma se transmitiram de geração em geração”.

Essa formulação nos ajuda a responder uma dúvida que frequentemente aparece quando falamos sobre a origem parental do superego:

— Lucas, se o superego se forma por meio da introjeção dos pais no ego da criança, por que há pessoas que sofrem com um superego extremamente severo mesmo tendo sido criadas por pais liberais, flexíveis e tolerantes?

A resposta pode estar justamente no trecho citado acima.

Com efeito, o superego não é um mero espelho das práticas educativas dos pais.

Se assim fosse, não haveria tradição. Valores, princípios e normas de conduta facilmente se perderiam, já que frequentemente não nos comportamos de acordo com tais parâmetros.

Nesse sentido, se a criança tomasse o COMPORTAMENTO dos pais como modelo, em três ou quatro gerações não haveria mais qualquer tradição moral.

Pais e mães que adotam uma postura muito complacente e compreensiva em relação aos filhos podem, por exemplo, transmitir, nas entrelinhas de seu DISCURSO cotidiano, que se sentem culpados por não conseguirem ser mais rígidos e exigentes.

A criança, dotada de toda a perspicácia que a natureza lhe deu, percebe intuitivamente o que está em jogo e acaba internalizando os ideais dos pais — inclusive para tentar aliviar o sentimento de culpa deles…

O que conta na formação do superego é muito mais o que os pais DIZEM — explicitamente e nas entrelinhas — do que aquilo que fazem.

Assim, podemos concluir que, para a formação de superegos mais brandos, mais flexíveis e menos “canceladores”, precisaremos necessariamente construir UMA NOVA TRADIÇÃO MORAL — mais branda, mais flexível e menos canceladora.

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