
A projeção é um dos mecanismos de defesa que nós mais utilizamos no cotidiano.
Ela acontece quando você atribui a outra pessoa intenções, sentimentos, atitudes que, na verdade, estão presentes em você mesmo.
Por que isso ocorre?
Porque você tem medo de reconhecer que possui as mesmas intenções, sentimentos e atitudes que está projetando no outro.
E por que você tem medo?
Porque aquelas intenções, sentimentos, atitudes entram em choque com a imagem que você quer ter de si mesmo.
Exemplo típico de projeção:
Recentemente, Débora e Adriana, duas amigas, participaram de um concurso público. Porém, somente Débora foi aprovada.
Por conta disso, se formou no psiquismo de Adriana um sentimento de inveja em relação à amiga.
“Deveria ter acontecido o inverso: eu aprovada e Débora a ver navios. Eu estudei muito mais do que ela”, pensou Adriana — inconscientemente.
— Por que “inconscientemente”, Lucas?
Porque o superego de Adriana não permitiu que tal pensamento chegasse a sua consciência. Tampouco, o sentimento de inveja.
Ela sentiu apenas uma ansiedade, uma irritação, um mal-estar.
É compreensível: quando criança, a moça ouvia a mãe dizer que “inveja é o sentimento mais nojento do mundo, coisa de gente baixa, mesquinha”.
Assim, Adriana cresceu achando que, para ser uma pessoa boa, adequada, ajustada, ela não poderia jamais sentir inveja.
Ao impedir o acesso do pensamento e do sentimento de inveja à consciência, o superego da jovem a ajuda a se manter nesse autoengano.
O problema é que a inveja não fica lá quietinha, no inconsciente. Ela quer se manifestar, ainda que de maneira distorcida e indireta.
É aí que entra a projeção.
Depois que o resultado do concurso saiu, Adriana começou a achar que Débora estava se afastando dela.
Qualquer recusa a um convite era interpretada por Adriana como evidência de que Débora não queria mais sua amizade.
“Só pode ser por inveja!”: foi o pensamento que veio à mente de Adriana.
“A Débora deve estar morrendo de inveja pelo fato de eu estar noiva e ela não ter sequer um ficante. É por isso que ela quer ficar longe de mim!”
Na realidade, Débora não havia mudado em absolutamente nada seu comportamento em relação à amiga.
Mas Adriana precisou distorcer sua percepção da realidade para poder atribuir a Débora a inveja que ela própria não podia reconhecer em si.
É assim que acontece quando usamos a projeção:
Só conseguimos enxergar a capivara que negamos em nós se ela aparecer do lado de fora, em outra pessoa.
Participe da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
➤ Adquira o meu ebook “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira a versão física do livro “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”
➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”
➤ Adquira o pacote com os 3 e-books