
Muitas pessoas se queixam de que se importam demais com a opinião dos outros. Supostamente, por conta desse “se importar demais”, elas se privariam de certas experiências ou se condenariam exageradamente por determinadas falas ou comportamentos.
Será que essa é a forma mais adequada de descrever esse problema? Vejamos:
A atitude de se importar com a opinião alheia — no sentido de considerá-la como um fator relevante para a regulação de nossas ações — me parece perfeitamente desejável do ponto de vista da sociabilidade.
Por exemplo: você pode estar tendo um dia ruim e chegar mal-humorada à padaria. Se não se importasse com a opinião do funcionário do estabelecimento se e deixasse levar exclusivamente por sua vontade no momento, talvez você conversaria com ele de forma grosseira.
Outro exemplo: de repente, você considera a coordenadora do setor em que trabalha uma pessoa incompetente para ocupar aquela posição. Ora, você pode muito bem evitar compartilhar essa impressão com colegas pelo medo de que ela acabe chegando aos ouvidos da coordenadora e isso lhe traga prejuízos.
Em ambos os casos você está tomando cuidado para que o outro não forme uma imagem negativa sua. No primeiro, em razão da civilidade e, no segundo, para não se prejudicar. Portanto, não há nada de patológico em se importar com a opinião alheia.
O problema acontece quando o “se importar” se converte em… “tentar controlar”.
Por estar de mau humor, você pode tratar o atendente da padaria com gentileza, mas sem muita simpatia e isso pode levar o sujeito a te ver como uma pessoa fria. Ou seja, o funcionário pode formar uma imagem de você que não é lá muito positiva.
Muitas pessoas toleram essa possibilidade tranquilamente. Mas algumas a encaram como insuportável. Por razões ligadas à sua história de vida, elas inconscientemente acreditam que uma catástrofe inominável vai acontecer se alguém não tiver uma opinião positiva sobre elas.
Por isso, elas não só “se importam” com a opinião dos outros, mas buscam controlá-la. Para isso, investem muita energia psíquica na tentativa de deduzir o desejo do outro a fim de performarem a atitude exata que irá satisfazê-lo.
Se você funciona dessa forma, provavelmente não trataria o atendente da padaria apenas com uma educação protocolar. Você sufocaria seu mau humor do momento e vestiria a máscara de uma pessoa extremamente agradável e simpática. O pensamento inconsciente em jogo seria algo mais ou menos do tipo:
“Estou de mau humor. Não queria nem ter que dar ‘bom dia’. Mas se eu fizer isso, o funcionário vai ficar com uma imagem negativa de mim — e isso seria insuportável. Então, para não correr esse risco, vou tratá-lo com extrema simpatia, mostrar um largo sorriso, fazer uma brincadeira. Dessa forma, conseguirei garantir que ele terá uma boa opinião sobre mim.”
Você acha que isso acontece consigo?
Você suporta o risco de que o outro forme uma imagem negativa sua ou essa possibilidade é tão angustiante que vive desperdiçando energia para controlar a opinião que o outro tem sobre você?
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