O meu objeto transicional

— Moça, você pode falar para aquele senhor lá da frente para pegar a pedrinha que está embaixo do assento dele?

Deve ter sido mais ou menos esse o pedido de minha mãe para uma das pessoas que estavam próximas de nós naquele trem rumo a Vitória, capital do Espírito Santo.

O vagão estava lotado e eu não parava de chorar desde que a referida pedrinha havia caído da minha mão e rolado até o último assento, lá atrás, há vários metros de distância.

Eu tinha por volta de 3 aninhos e minha mãe sabia muito bem que o choro não acabaria enquanto a pedrinha não voltasse para as minhas mãos.

Eu não me tranquilizaria com a promessa de que, quando chegássemos ao destino, ela me daria outra pedra. Tinha que ser AQUELA. Eu só queria AQUELA.

O que ela tinha de tão especial?

Objetivamente, nada. Era uma pedrinha como outra qualquer.

Mas, PARA MIM, ela tinha um SIGNIFICADO todo especial que eu só fui entender muitos anos depois, após conhecer o conceito de OBJETO TRANSICIONAL, proposto pelo pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott.

Aprendi que aquele forte apego que eu tinha pela pedra também é vivenciado pela maioria das crianças em relação a outras coisas, como fraldas, pedaços de pano, bichinhos de pelúcia etc.

Winnicott observou que, nos primeiros anos, meninos meninas tendem a se apegar de maneira especial a um determinado objeto a ponto de não suportarem ficar muito tempo longe dele.

Qualquer tentativa dos pais de trocá-lo ou até lavá-lo é fortemente rechaçada pela criança, como se estivessem querendo arrancar uma parte dela.

Por que isso acontece?

Por que eu me tornara tão tenazmente ligado àquela pedra assim como muitas crianças ficam profundamente apegadas a seus travesseirinhos e chupetas, por exemplo?

O que há de tão especial nesses objetos?

E por que Winnicott os chamou de objetos TRANSICIONAIS?

Todas estas perguntas estão respondidas na AULA ESPECIAL “Objeto transicional e espaço potencial” que já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – WINNICOTT da CONFRARIA ANALÍTICA.

Para ter acesso, você precisa estar na CONFRARIA.


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Pensamentos “laranjas”

Volta e meia a gente vê no noticiário que determinada pessoa seria o “laranja” de certo político ou empresário.

No Brasil, o termo “laranja” é usado para designar um sujeito que, de forma voluntária ou involuntária, empresta seu nome para figurar no lugar de alguém que deseja ocultar a própria identidade.

Um vereador, por exemplo, que adquiriu uma casa na praia com dinheiro de corrupção, pode colocar o imóvel no nome de um parente semianalfabeto.

Assim, quem figurará formalmente como dono da casa será o familiar, isto é, o laranja, e não o político, que poderá usufruir tranquilamente do imóvel sem ser questionado pela Justiça.

Mas você acredita que um processo bem parecido de ocultação e substituição de identidade também acontece em nossa própria mente?

Pois é! Quem nos apresentou cientificamente essa descoberta foi o nosso querido Sigmund Freud.

Ele observou que seus pacientes que sofriam de neurose obsessiva — doença que hoje em dia é chamada de “TOC” (transtorno obsessivo-compulsivo) — tinham o que a gente poderia chamar de PENSAMENTOS LARANJAS.

No nosso exemplo, o parente do vereador é colocado na escritura da casa de praia como dono do imóvel para ocultar o nome do verdadeiro proprietário, certo?

Então… Da mesma forma, um pensamento obsessivo fica perturbando a consciência do neurótico para esconder OUTRO PENSAMENTO — muito mais perturbador.

Por exemplo: João ficou extremamente preocupado com o fato de ter cometido um erro ortográfico num e-mail que enviou para seu diretor.

A obsessão com esse pequeno deslize foi tão grande que ele não conseguiu dormir e, no meio da madrugada, pegou o celular para enviar um novo e-mail com a “errata”.

Fazendo Psicanálise, o moço acabou descobrindo que, na verdade, essa preocupação exagerada com a correção ortográfica era só um DISFARCE para ocultar OUTRO MEDO:

O medo de que o chefe soubesse do seu ressentimento em relação a ele.

De fato, apesar de interagir com o diretor com toda a gentileza e educação, o rapaz passou a odiá-lo depois de receber um feedback negativo em relação a seu desempenho no último semestre.

O problema é que João nunca APRENDEU a odiar. Seu pai era tão truculento e autoritário que o rapaz sempre teve medo de expressar agressividade e acabar apanhando.

Por isso, embora realmente sinta raiva do chefe, ele não consegue lidar com essa emoção de maneira natural e tem um medo enorme de que o diretor perceba como se sente.

Assim, todo e qualquer ato que, na cabeça de João, possa ser visto como indicativo de sua hostilidade, passa a ser temido pelo rapaz.

Esse foi o caso do o erro ortográfico no e-mail.

O pensamento “Meu chefe vai achar inadmissível eu ter cometido esse erro” serviu como “laranja” para o pensamento:

“O diretor vai pensar que eu estou lhe enviando e-mails de forma descuidada e, assim, vai acabar descobrindo que estou com raiva dele.”

E você: consegue identificar a presença desses pensamentos laranjas na sua própria vida?


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[Vídeo] Todo paciente é resistente


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[Vídeo] O que é contratransferência em Psicanálise?


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[Vídeo] A psicopatia é uma patologia do superego

Esta é uma pequena fatia da aula especial “Psicopatia e personalidade antissocial: uma introdução”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.


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Eles não sentem pena, culpa ou remorso. Por quê?

A atenção da maioria de nós é facilmente capturada por aquilo que é inusitado, extraordinário, atípico.

Às vezes você está fazendo uma viagem de carro e percebe que o trânsito ficou mais lento.

Aí, quando vai ver, isso está acontecendo porque muitos motoristas à sua frente estão passando mais devagar para poderem observar o resultado catastrófico de um acidente no acostamento.

Nossa atração natural por fenômenos que se distanciam da normalidade é um dos fatores que explicam a enorme curiosidade que temos em relação aos chamados “psicop4tas”.

Muitos de vocês provavelmente já se perguntaram ao assistir entrevistas de s3rial kill3rs:

“O que será que levou esse cara a não sentir um pingo de compaixão por suas vítimas? Eu tenho pena até de gente que me faz mal. 😅 Como ele é capaz de ser tão frio e cruel?”

Pois é… Para a imensa maioria de nós, sentir culpa, pena, remorso é tão natural que a gente não consegue entender como alguém pode existir sem esses sentimentos.

Indivíduos que nos habituamos a chamar de “psicop4tas” sempre existiram.

Porém, foi só em meados do século XIX que eles passaram a ser vistos como seres verdadeiramente DOENTES e não como pessoas simplesmente más.

Se os caracterizássemos como DEFICIENTES não estaríamos sendo injustos.

Afinal, estamos falando de sujeitos nos quais FALTAM disposições PRÓ-SOCIAIS extremamente básicas, que estão presentes em quase todas as pessoas.

Para enfatizar que se trata de uma deficiência no campo das relações sociais, a Associação Psiquiátrica Norte-americana decidiu chamar a psicop4tia de “transtorno de personalidade antissocial”.

Mas o que será que causa essa deficiência?

O que precisa acontecer com uma pessoa para que ela se torne capaz de mentir, roubar, enganar e até m4t4r tranquilamente, sem qualquer tipo de inibição moral?

Há uma tendência genética para essa doença? Será que tem gente que já nasce assim?

Tem tratamento?

E o que a Psicanálise tem a dizer sobre tais pessoas?

Todas estas perguntas estão respondidas na AULA ESPECIAL “Psicop4tia e personalidade antissocial: uma introdução”, que já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS da CONFRARIA ANALÍTICA.


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[Vídeo] Por que Psicanálise demora mais?


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Ninguém é de ferro

Ontem foi um dia complicado para Vanessa.

A jovem psicóloga trabalha em um hospital público e teve muita dificuldade para lidar com a crise de ansiedade de uma mulher grávida que se recusava terminantemente a fazer a cesariana.

A equipe médica convocou a presença de Vanessa esperando que a profissional conseguisse acalmar a paciente.

Mas isso não aconteceu.

Foi preciso administrar uma medicação ansiolítica para que a gestante se tranquilizasse.

Vanessa chegou em casa sentindo-se fracassada, incompetente e, ao mesmo tempo, revoltada com a falta de preparo da equipe médica para lidar com aquela situação.

Para compensar o agudo mal-estar que tomou conta de sua alma, ela passou no supermercado e comprou um delicioso bolo de chocolate, sua sobremesa preferida.

Embora esteja fazendo dieta e sendo acompanhada por nutricionista, a jovem não conseguiu resistir e comeu quase metade do bolo assistindo um reality show culinário.

Hoje de manhã, sentindo-se melhor, mas arrependida pelo descontrole alimentar da noite anterior, Vanessa decidiu levar o restante do bolo para seus colegas de trabalho e retomar a dieta.

O que aconteceu com essa psicóloga?

Metaforicamente, abriu-se um buraco dentro dela em função da experiência malsucedida do trabalho.

Contudo, por se tratar de um buraquinho superficial, ela deu conta de tamponá-lo com o bolo de chocolate e seguir em frente.

Pequenos buracos como esse fazem parte da vida de todo o mundo.

Tem dia que as coisas dão errado mesmo e a gente acaba precisando recorrer a algum meio de compensação. E que bom que eles existem!

O bolo de chocolate foi útil para ajudar Vanessa a suportar seu mal-estar. Ela comeu, se sentiu bem, percebeu que exagerou, se arrependeu e voltou para a dieta.

É assim mesmo. Faz parte. Ninguém é de ferro.

Porém… É importante deixar claro que essa moça só conseguiu se reequilibrar porque, como eu disse, o “buraco” que se abriu em sua alma era pequenininho e superficial.

Um buraco maior e mais profundo jamais seria preenchido com um simples bolo de chocolate.

Cuidado para não confundir um com o outro…


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[Vídeo] Gostos, hábitos e manias: Freud explica

Na maioria das vezes, nós não conseguimos identificar imediatamente a cadeia de associações de ideias que estão na base de nossas ações.


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[Vídeo] Como identificar uma pessoa narcisista?


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Neurose obsessiva: um dos efeitos de um ambiente rígido e controlador

O que acontece com uma pessoa que é criada por pais controladores e autoritários?

Existem, basicamente, duas possibilidades:

O sujeito desenvolve um caráter rebelde, reativo, revoltado ou se torna reprimido, tolhido, sufocado.

Esse segundo destino foi o de Cíntia, pseudônimo da paciente cujo caso clínico comentei na AULA ESPECIAL que foi publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.

Na infância, essa moça conviveu com um pai distante e uma mãe que controlava sua rotina de forma extremamente rígida e minuciosa.

Um ambiente marcado pelo excesso de controle leva a criança a olhar para seus impulsos e tendências espontâneas como se fossem elementos perigosos.

Ao ser obrigado a se submeter a tantas exigências e imposições do outro, o sujeito acaba chegando à conclusão de que não pode confiar em si mesmo.

E foi justamente isso o que aconteceu com Cíntia. Ela se tornou uma pessoa insegura, sem autonomia e com medo do próprio desejo.

A repressão exercida pelo controle materno foi tão forte que a moça não conseguiu integrar sua s3xualid4de.

Resultado: falta de vontade de tr4ns4r, vagynysmo e… pensamentos obsessivos.

Sim. Como não é possível virar as costas para a próprio desejo sem algum tipo de “compensação”, Cíntia acabou desenvolvendo sintomas neuróticos.

Sua analista tem sentido dificuldade para ajudá-la. A paciente resiste a falar sobre suas obsessões e o tempo todo demanda conselhos e orientações.

Como manejar esse caso?

De que forma os pensamentos obsessivos de Cíntia estão articulados com a postura controladora da mãe?

Por que a paciente espera que sua terapeuta seja uma conselheira?

Estas e outras perguntas são respondidas na aula especial “ESTUDOS DE CASOS 06 – Da mãe controladora aos pensamentos obsessivos – o caso de Cíntia”, que já está disponível na Confraria.

Trata-se de uma mais uma aula do módulo ESTUDOS DE CASOS, em que comento casos clínicos reais enviados por alunos da nossa escola.


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Parem de romantizar o trabalho: a tristeza de domingo é normal

Situação clássica: é domingo, por volta de 19h.

Você está na cama, deitada, rolando o feed do Instagram, vendo alguns stories.

De vez em quando, vai para outra rede social enquanto à sua frente a TV exibe alguma bobagem dominical.

O dia foi ótimo. Após uma intensa semana de trabalho, você finalmente pôde acordar mais tarde, tomou um delicioso café da manhã e, como de costume, foi almoçar na casa dos seus pais.

Mas agora, no início da noite, você começa a experimentar um conhecido mal-estar — uma mistura de tristeza e ansiedade que te leva a pensar:

“Deve ser assim que pessoas deprimidas se sentem o tempo todo…”.

Você sabe muito bem de onde vem esse estado afetivo: ele anuncia a chegada de uma nova semana de trabalho no dia seguinte.

Há dois dias você estava eufórica, postando “Sextou!” no grupo das amigas e perguntando qual era a boa do fim de semana.

Pode parecer estranho que seu estado de humor tenha se alterado de forma tão drástica em tão pouco tempo.

Mas não é.

POR MAIS GRATIFICANTE E SIGNIFICATIVO que seja o seu trabalho, a verdade é que ele inevitavelmente envolverá boas doses de esforço, renúncia e comprometimento.

Ou seja, todo trabalho envolve necessariamente RESTRIÇÃO DE LIBERDADE.

Ainda que você goste muito do que faz, há dias em que gostaria de simplesmente passar o dia todo na praia. É ou não é?

Mas, evidentemente, 99% das pessoas não podem fazer isso.

Por quê? Por conta dos compromissos profissionais que assumiram.

Isso é normal, gente! É assim que a vida adulta funciona.

E é por essa razão que festejamos a sexta-feira!

Não é porque necessariamente não gostamos de nossos trabalhos, mas porque, para a maioria das pessoas (que não trabalham nos fins de semana), ela funciona como uma CARTA DE ALFORRIA:

Finalmente estamos livres para fazer o que QUISERMOS e não só o que TEMOS que fazer.

Nesse sentido, o mal-estar que nos acomete no fim do domingo é perfeitamente NORMAL e compreensível.

Se comemoramos nossa “libertação” na sexta-feira, é natural que lamentemos o retorno à “prisão” na segunda.


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[Vídeo] Você está preso a uma identidade?

Na busca por resolvermos de modo definitivo nossa CARÊNCIA IDENTITÁRIA, podemos acabar nos alienando a certas identidades fixas e rígidas.


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[Vídeo] 4 formas de expressão do Inconsciente


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O psicanalista pode tomar notas durante as sessões?

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