Por que nós sonhamos?

Você já se fez esta pergunta?

Por que não passamos a noite inteira com a mente “desligada”, apenas descansando, em vez de alucinarmos situações às vezes tão heteróclitas?

(Sim, o sonho é uma espécie de alucinação. Por isso, às vezes acordamos e pensamos: “Nossa, parecia tão real…”.)

O sonho é a prova de que nosso aparelho psíquico não suspende sua atividade durante o sono.

Mas por que não? Por que ele não para?

A verdade é que não há consenso na literatura científica a respeito disso.

Há várias hipóteses biológicas para explicar a função dos sonhos: processamento de informações, regulação emocional, manutenção da saúde neural etc.

É provável todas elas estejam corretas em alguma medida, pois não são mutuamente excludentes.

Do ponto de vista psicanalítico, todo o mundo conhece a hipótese de Freud: os sonhos representam simbolicamente a realização de desejos.

Mas será mesmo que a concepção freudiana é suficientemente abrangente para ser aplicada a todos os sonhos?

Do meu ponto de vista, não.

Minha hipótese é a de que a realização disfarçada de desejos é APENAS UMA das formas que o aparelho psíquico encontra para cumprir a verdadeira função que realiza ao produzir os sonhos, a saber:

Neutralizar nossas ansiedades para permitir que a gente continue dormindo.

Quer saber mais sobre essa hipótese?

Então assista à AULA ESPECIAL “Sonho, sono, insônia e ansiedade” que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA.

A aula está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.


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A gente faz Psicanálise para trocar o amor à imagem pelo amor à verdade.

Uma das primeiras e mais importantes descobertas que Freud fez sobre o ser humano foi a de que todos nós somos apaixonados por nosso eu ideal.

Isso pode ser visto como muita clareza, por exemplo, nos casos que o médico vienense examina lá nos “Estudos sobre Histeria”.

Um deles é o de uma jovem que desenvolveu dores nas pernas porque escondeu de si mesma o desejo de ficar com o marido da irmã mais velha que acabara de falecer.

Por que essa paciente reprimiu esse impulso “talarico”?

Ora, por conta da paixão pela imagem idealizada que queria ter de si, ou seja, pelo amor que tinha por seu eu ideal.

De fato, pensar em pleno leito de morte da irmã “Agora meu cunhado está livre. Posso me casar com ele” não combinava muito com o modelo de moça 100% decente e virtuosa que ela queria encarnar.

Assim, na tentativa de caber no apertadíssimo vestido de seu eu ideal, a jovem fingiu para si mesma que o desejo de pegar o cunhado nunca havia lhe passado pela cabeça.

Resultado: adoeceu.

Adoeceu porque não quis se enxergar.

E não quis se enxergar porque estava mais apaixonada pela imagem idealizada de si do que pelo marido da irmã.

Isso também acontece com você e comigo, tá?

Todos nós construímos um modelo perfeitinho e imaginário de nós mesmos com base naquilo que vivenciamos e ouvimos na infância.

E aí passamos a vida inteira correndo atrás desse modelo e fazendo todo e qualquer sacrifício para nos tornarmos conformes a ele.

Tem gente que sacrifica o reconhecimento de sua vulnerabilidade porque quer porque quer se enxergar no espelho da alma como 100% forte e imbatível.

Tem gente, como a paciente de Freud, que sacrifica a afirmação de seu desejo em nome de um ideal hipócrita e inalcançável de suposta pureza.

E tem também aqueles que, fascinados pela imagem ideal de bonzinhos, vivem jogando para debaixo do tapete da consciência seus inevitáveis impulsos agressivos.

Um dos propósitos da Psicanálise é nos ajudar a perder essa paixão farisaica e escravizante pelo eu ideal — substituir o apego à imagem pelo amor à verdade.


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O fracasso da instauração do circuito pulsional no autismo

Ao pensarmos no conceito freudiano de pulsão, podemos ser levados a imaginar uma seta que sai do sujeito e vai na direção do objeto.

Tomemos, como exemplo, a pulsão oral:

Imaginamos um bebezinho recém-nascido ávido por saciar o comichão que sente nos lábios e que, para isso, busca o seio materno a fim de sugá-lo.

Esquematicamente, poderíamos representar essa cena assim:

Bebê -> seio

O problema é que essa representação tende a nos levar a uma falsa conclusão:

A de que o movimento pulsional se esgotaria no encontro do sujeito com o objeto.

Esse corolário é equivocado, em primeiro lugar, porque Freud diz com todas as letras que a pulsão é uma força constante, portanto, insaciável.

Nesse sentido, a melhor figura para representá-la não seria uma seta que vai do sujeito para o objeto, mas um CIRCUITO:

A pulsão parte do sujeito, passa pelo objeto, mas, por não encontrar satisfação plena, retorna ao próprio sujeito.

Todo o mundo sabe que o bebê frequentemente usa o próprio dedo como objeto — prova cabal de que o seio não é suficiente para acabar com o “comichão” labial.

Além disso, a pulsão não se manifesta só no movimento ativo de busca do sujeito pelo objeto.

Ela também se expressa pelo movimento de FAZER-SE OBJETO dos investimentos pulsionais do outro — o bebê também curte ser beijado pela mãe.

Essa constatação nos obriga a acrescentar ao esquema original (Bebê -> seio) outra seta de direção oposta (<-). Contudo, essa seta não parte do seio, ou seja, do objeto.

Como diz o próprio Freud no texto de 1915 sobre as pulsões, é preciso aparecer um “novo sujeito” nessa história.

Sim, pois eu não posso ser objeto de outro objeto. Só posso ser objeto de um sujeito. E esse sujeito é justamente o OUTRO.

Agora veja: se eu acrescento ao esquema original uma segunda seta que parte do outro e vai na direção do sujeito, eu acabo de criar um… circuito.

Um circuito que começa no sujeito, passa pelo objeto, retorna ao próprio sujeito e, num terceiro momento, encontra um outro sujeito.

Pois bem… É esse terceiro tempo que não está presente no autismo e é por isso que se diz que na estrutura autista há uma falha na instauração do circuito pulsional.

Quer saber mais sobre isso?

Então, confira a aula especial “O AUTISMO COMO QUARTA ESTRUTURA 02 – O fracasso na instauração do circuito pulsional”, publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.

A aula está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – LACAN e o linque para fazer parte da nossa escola está no meu perfil.


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Pare de se culpabilizar e assuma sua responsabilidade

Exceto algumas pessoas gravemente doentes, todo o mundo sente culpa após fazer algo que considera errado e que causou dano a outrem.

Trata-se de um fenômeno natural e involuntário que deriva da nossa capacidade de nos importarmos com o outro e do fato de possuirmos algum tipo de código moral.

Portanto, com exceção daqueles que popularmente chamamos de “psic0p4tas”, ninguém está livre de sentir culpa ao perceber que pisou na bola.

Todavia, creio ser necessário apontar a diferença entre culpa e CULPABILIZAÇÃO.

A culpabilização é uma forma patológica de lidar com a culpa. Ela consiste em alimentar um processo de autocondenação e remorso.

O sujeito que se culpabiliza fica se chicoteando mentalmente e querendo inutilmente voltar no tempo para evitar o erro cometido.

Mas veja bem: a culpabilização não é uma forma de g0z4r com a culpa.

Pelo contrário: a pessoa se culpabiliza justamente porque NÃO SUPORTA se sentir culpada.

Explico:

Para pessoas imaturas, o sentimento de culpa é tão aflitivo que elas querem se livrar dele o mais rápido possível.

O remorso e as autocondenações são como que “penitências” que o sujeito aplica sobre si na busca por “expiar” a culpa.

É como se o indivíduo conversasse consigo mesmo nos seguintes termos:

“Fiz bobagem, superego, eu sei. Mas olha como, na verdade, eu sou uma pessoa boa e estou disposto a pagar pelos erros que cometi. Pode me chicotear à vontade, só me livra dessa culpa maldita o mais rápido que puder.”

Entendeu? Paradoxalmente, a culpabilização é uma tentativa de FUGIR da culpa, ou seja, de não assumir a responsabilidade pelo erro.

É por isso que o sujeito culpabilizado fica querendo voltar no tempo. Ele não está disposto a assumir as consequências de sua pisada na bola.

A forma saudável de lidar com a culpa não é se culpabilizando; é se RESPONSABILIZANDO.

Não adianta nada ficar batendo no peito e se recriminando. Isso é só o puro suco do narcisismo e da imaturidade emocional.

Na saúde, a gente transforma o sentimento de culpa em DESEJO de reparação e de mudança.

A gente foca no que pode fazer e não no que já fez.

A gente olha pra frente.


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Uma mãe dominadora, um pai apagado e uma trágica vida amorosa

Ela poderia ter se casado com aquele jovem charmoso e refinado, de quem chegou a ficar noiva na época da faculdade.

Mas ele simbolizava seu pai apagado e distante e a figura paterna lhe havia sido interditada como objeto de desejo pela mãe controladora e misândrica.

Assim, ela preferiu se casar com um rapaz que via como inferior, que era emocionalmente instável e que a traiu duas vezes.

Se dependesse dela, teria permanecido naquela péssima relação. Mas o próprio cara decidiu pedir o divórcio.

Um dos amigos dele aproveitou a oportunidade e, com a desculpa de consolá-la pela separação, acabou indo para a cama com ela.

Esse sujeito era casado e, por isso, a moça não quis continuar com o affaire.

“Tudo bem. Uma mulher a mais ou a menos não faz diferença na minha vida”, ele disse.

Algum tempo depois, ficou seis meses com um cara que queria casar com ela. Mas a moça nunca se importou muito com ele…

O próximo relacionamento foi com um homem que a tratava como pr0stitut4 e dizia que eles nunca se casariam porque ela era protestante.

Depois dele, ficou cerca de quatro meses com um cara que terminou com ela porque sua esposa estava retornando grávida para a cidade em que estavam.

Na sequência, permaneceu durante três anos com um sujeito que lhe dizia:

“Se você quiser ter um caso comigo, tudo bem, mas nada acontecerá porque minha família se oporia ao casamento, e eu nunca vou contra a vontade deles”.

Depois de mais duas experiências amorosas frustradas, ela finalmente decidiu buscar ajuda e começou a fazer análise com o psicanalista norte-americano Smiley Blanton.

“Eu não consigo ter um relacionamento satisfatório e duradouro”: esta foi a queixa principal que a moça apresentou ao terapeuta.

Blanton descreve o caso dela num pequeno artigo chamado “Mulheres Fálicas”, que foi comentado por mim na AULA ESPECIAL publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.

No texto, vemos que a chave para a compreensão da trágica vida amorosa dessa paciente era sua fixação na figura materna.

O título da aula é “AULA ESPECIAL – Mulheres fálicas e mães dominadoras” e ela já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.


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A vingança só é colocada em prática por imaturos que se vitimizam.

Como você reage quando alguém lhe faz mal INJUSTAMENTE?

Sublinho a palavra “injustamente” porque, às vezes, o sofrimento que o outro nos causa pode ser apenas uma consequência inevitável do mal que lhe fizemos primeiro.

Mas aqui estou me referindo àqueles cenários em que é, de fato, o outro quem toma a iniciativa de nos atacar.

Por exemplo, quando você é vítima de uma atitude desonesta por parte de um colega de trabalho.

Ambos estavam concorrendo a uma promoção, mas aí o sujeito vai lá e fala mal de você para o chefe, de modo que você acaba perdendo a disputa.

Como você reage em situações como essa?

Qualquer indivíduo minimamente maduro do ponto de vista psíquico se sentirá indignado com a atitude do colega e se verá TENTADO a fazer um ato de vingança.

Pessoas emocionalmente maduras amam o próprio eu e, portanto, não conseguem tolerar de forma passiva que ele seja atacado gratuitamente.

Portanto, eu não ficaria surpreso se você me dissesse que, num primeiro momento, pensaria em alguma forma de “retribuir” a patifaria do colega.

Olho por olho, dente por dente.

No entanto, é provável que se você fosse, de fato, um sujeito emocionalmente maduro, o desejo de vingança acabaria sendo abandonado.

Em vez de nutri-lo, você confrontaria o colega, deixando-o ciente da sua indignação e tentaria reverter a perda da promoção conversando diretamente com o chefe.

Sabe por que eu sei que você agiria assim?

Porque pessoas emocionalmente maduras não se vitimizam.

Elas até podem SER vítimas de injustiças (isso é praticamente inevitável), mas não se sentem confortáveis no LUGAR DE VÍTIMAS.

Por isso, raramente colocam em prática o impulso natural da vingança.

Com efeito, para me vingar, eu preciso permanecer nutrindo a IMAGEM DE MIM MESMO COMO VÍTIMA, como um coitado nas mãos de meu agressor.

O sujeito que se vinga não percebe, mas está ESCOLHENDO manter-se estacionado na trilha em que encontrou seu algoz ao invés de retomar o seu caminho espontâneo.

Além disso, sob o manto hipócrita da ideia de “fazer justiça”, ele está apenas dissimuladamente satisfazendo os seus próprios impulsos agressivos.


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O dia em que uma psicanalista ficou de saco cheio

Naquele dia Frieda chegou ao consultório de sua analista e percebeu que o ambiente havia passado por uma redecoração. Entusiasmada, exclamou:

— Que maravilha, doutora! Finalmente a senhora seguiu meu conselho!

Sem que a paciente percebesse, a analista revirou os olhos e disse:

— Vamos começar?

Frieda deitou-se no divã, mas, ao invés de começar a falar de imediato, permaneceu cerca de um minuto em silêncio, olhando para o chão da sala.

— Doutora, eu acho que esse tapete novo não combinou com os seus móveis. Sei lá… Acho que ele é muito escuro.

A analista ficou em silêncio.

Antes da mudança, Frieda já havia feito diversos apontamentos em relação ao que julgava que a terapeuta deveria fazer em relação à decoração da sala.

Olhando para tal comportamento de um ponto de vista simbólico, a analista dizia à paciente:

— Frieda, você está tentando me controlar, invertendo nossas posições. Ao invés de ouvir o que tenho a lhe dizer, sou eu quem supostamente deveria ouvi-la.

Tal interpretação entrava por um ouvido e saía pelo outro. A paciente continuava fazendo recomendações com ar de superioridade.

A analista já estava ficando de saco cheio.

Por isso, seu silêncio diante da observação sobre o tapete era mais expressão de cansaço do que exatamente uma postura técnica.

Sobretudo porque, naquele dia em que a redecoração ficou pronta, vários pacientes já haviam dado seus respectivos pitacos sobre o que a terapeuta deveria ter feito.

Assim, no momento em que Frieda começou a fazer um segundo apontamento, desta vez sobre a nova localização de uma mesa, a analista não se conteve:

— Minha cara, realmente, não me importa o que você pensa disso.

A paciente ficou perplexa.

Depois de alguns segundos em silêncio, queixou-se com muita raiva da suposta grosseria da terapeuta, mas acabou pedindo desculpas.

Mais do que isso:

Frieda finalmente reconheceu sua tendência controladora e comentou que outras pessoas também deviam se incomodar com seus conselhos intrometidos.

A história que você acaba de ler é parcialmente fictícia.

Trata-se de uma singela dramatização do relato que Margaret Little fez de um episódio real ocorrido quando analisava essa paciente que ela chama de Frieda.

A psicanalista sul-africana utilizou essa situação e outras para ilustrar uma tese polêmica, que ela defende no artigo “R – A resposta total do analista às necessidades de seu paciente”:

A tese de que, em certos momentos de uma análise, principalmente com determinado tipo de paciente, o analista DEVE expor seus sentimentos PESSOAIS.

Quer saber mais sobre esse interessantíssimo ponto de vista?

Então, assista à AULA ESPECIAL “Margaret Little e a manifestação do analista como pessoa”, que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA.

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Você tem sequelas psíquicas?

Estamos habituados a pensar apenas em sequelas físicas, isto é, condições orgânicas que resultam de uma doença ou lesão e que permanecem em nós mesmo depois do tratamento.

Para muitas dessas sequelas não há tratamento. O máximo que o sujeito pode fazer é reorganizar sua vida de modo a se adaptar a elas.

Penso que um cenário semelhante também está presente no caso das sequelas PSÍQUICAS.

Essas, na maioria das vezes não são produzidas por uma doença, mas pelos ACIDENTES EMOCIONAIS que nos acometem ao longo da vida, especialmente na infância.

Certos eventos pelos quais passamos deixam marcas tão profundas em nosso psiquismo que transformam DEFINITIVAMENTE o nosso modo de ser.

Em outras palavras, assim como acontece com determinadas sequelas físicas, existem aspectos patológicos da nossa personalidade que, infelizmente, podem ser imutáveis.

Há pessoas que se tornaram desconfiadas na infância e carregarão para sempre uma tendência paranoide.

Há sujeitos que se sentiram ameaçados na infância e carregarão para sempre uma propensão à insegurança.

Há indivíduos que nutriram muita culpa na infância e carregarão para sempre uma inclinação a se sentirem endividados.

Penso que nós precisamos ter essa realidade em mente para moderarmos nossas expectativas em relação ao que uma psicoterapia pode fazer por uma pessoa emocionalmente doente.

Sem dúvida alguma, é possível curar (sim, curar!) muitos sintomas e inibições mediante um bom processo psicoterapêutico.

Mas é forçoso reconhecer que há certas sequelas psíquicas que se mostram inelutavelmente resistentes à mudança.

O máximo que podemos fazer é reconhecê-las e buscar agir na direção contrária do fluxo para qual tendem a nos levar, sem a falsa expectativa de que esse fluxo um dia vá desaparecer.

A pessoa desconfiada talvez precise lutar para sempre contra sua tendência paranoide.

O sujeito ameaçado talvez precise lutar para sempre contra sua propensão à insegurança.

E o indivíduo culpado talvez precise lutar para sempre contra sua inclinação a se sentir endividado.

Nessas batalhas, o terapeuta exerce o papel de um valoroso aliado que nos ajuda, principalmente, a enxergar os pontos fracos do adversário.


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Quando o ódio se transforma em culpa

Todo mês, na CONFRARIA ANALÍTICA, nós temos uma aula especial do módulo ESTUDOS DE CASOS.

Trata-se de um dos módulos preferidos da nossa comunidade, pois em suas aulas eu comento casos clínicos reais que estão sendo conduzidos por alguns alunos.

Para a aula deste mês, publicada nesta sexta, o caso escolhido foi o de Vera (pseudônimo), uma idosa que vem tendo dificuldades para superar o luto pela morte do marido.

A paciente sofre com humor deprimido, crises de ansiedade e insônia.

A infância de Vera foi marcada por severos e dolorosos golpes que a vida lhe deu.

No entanto, ao invés de ficar revoltada e ressentida, a idosa se sente extremamente… CULPADA.

Como isso é possível?

Por que essa paciente possui uma visão tão negativa de si mesma, que a leva a se punir e se culpar por coisas que objetivamente não fez?

Onde está o ódio legítimo que ela poderia sentir pelas pessoas que lhe fizeram mal, principalmente a mãe, com quem não pôde contar quando mais precisava?

E por que ela se sente compelida a “sufocar” a filha e a analista com uma atenção desmedida?

Estas e outras perguntas são respondidas na aula especial “ESTUDOS DE CASOS 12 – Vera: o ódio não elaborado se transforma em culpa”.

A aula já está disponível para todos os nossos alunos no módulo ESTUDOS DE CASOS.


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Você usa uma máscara ou vive mascarado?

Todos nós precisamos de uma máscara para viver.

A vida em sociedade seria inviável se nos apresentássemos uns aos outros de maneira 100% natural.

Por isso, desde muito cedo aprendemos a esconder dos outros certos aspectos do nosso ser espontâneo.

ESCONDER: esta é uma das principais funções da máscara.

Quando estamos com ela, evitamos que as pessoas vejam aquilo que não queremos (ou não podemos) mostrar.

Mas a máscara também serve como meio de PROTEÇÃO — para nós mesmos e para os outros.

De fato, muito precocemente percebemos que existem em nós determinadas inclinações que precisam ser contidas porque podem nos colocar em risco.

Quando temos a sorte de crescer em um ambiente estável, pacífico, confiável e seguro, a máscara que construímos para viver é meramente instrumental.

Ela é vivenciada como uma simples ferramenta de ocultação necessária e proteção cautelosa.

Por outro lado, quando temos o azar de passar a infância num ambiente conturbado, violento, negligente ou inseguro, passamos a nos confundir com a máscara.

Afinal, ela acaba se tornando um meio de sobrevivência e não apenas um recurso necessário para a relação com os outros.

Uma criança que vive num lar marcado por violência, por exemplo, se vê obrigada a TROCAR o seu modo espontâneo de ser pela máscara a fim de se proteger.

Ou seja, ela recorre à máscara não pela necessidade natural imposta pela interação com outras pessoas, mas por… MEDO.

Medo dos adultos à sua volta, mas também medo de si mesma.

Afinal, quando o ambiente não é seguro e confiável, passamos a olhar para nossos impulsos naturais como essencialmente perigosos.

Infelizmente, esse medo que leva uma pessoa a usar a máscara para sobreviver não desaparece com facilidade.

Por isso, mesmo saindo do contexto hostil em que foi criado, o sujeito pode não conseguir abandonar a máscara como refúgio e usá-la apenas como ferramenta.

O medo infantil dos ataques do ambiente leva a pessoa a viver o tempo todo no “modo máscara” renunciando totalmente a seus desejos e inclinações espontâneas.

Esse é o seu caso?

Que lugar a máscara ocupa na sua vida: mera ferramenta de adaptação ou recurso indispensável de sobrevivência?


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Compulsão à repetição? Por que repetimos o que nos faz mal?

— Tá acontecendo tudo de novo, Lílian.

Foi assim que Isadora começou aquela sessão de análise.

— Tá acontecendo mais uma vez a mesma coisa que já aconteceu em todos os meus namoros: depois de um tempo, o cara começa achar que pode mandar em mim.

— Hum… — pontuou a analista.

— Ontem o João veio dizer que não queria que eu ficasse de muita conversa com meu primo no WhatsApp porque sentia ciúme.

Após dizer isso, Isadora abaixou a cabeça e continuou:

— O pior é que eu disse a ele que passaria a conversar menos. Mas não é o que eu quero! Eu e o Breno fomos criados juntos. Ele é praticamente um irmão pra mim.

— Então por que você acatou o pedido do João? — indagou a analista.

Após alguns segundos de silêncio, a paciente respondeu:

— Por que eu tenho muito medo de perdê-lo, Lílian. Esse é o problema. É sempre assim. Eu me apego demais à pessoa.

— E a pessoa acaba se aproveitando desse poder que você concede a ela…

— Pois é… Foi a mesma coisa com o Davi. Eu sofri tanto quando ele terminou comigo… Não quero passar pela mesma coisa agora com o João.

A analista aproveitou essa fala para propor uma reflexão:

— Por que será que você lida com o término de um relacionamento como uma coisa tão desastrosa?

Depois de pensar durante alguns segundos, Isadora disse:

— Enquanto você tava falando, veio à minha cabeça a separação dos meus pais. Mas isso é muito clichê, Lílian!

— Sim — disse a analista — muitas vezes a nossa vida é isso mesmo: um baita clichê!

Como você pôde ver, Isadora está presa num padrão que se repete em todos os seus relacionamentos.

Por que repetições dessa natureza acontecem nas nossas vidas?

Por que repetimos comportamentos que nos causam dor, mal-estar e sofrimento?

Segundo Freud, isso aconteceria porque todos nós teríamos uma “compulsão à repetição”. Mas seria essa uma boa explicação?

Eu exploro essa questão e apresento outras razões para explicar nossas repetições autodestrutivas numa AULA ESPECIAL publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA.

O título da aula é “AULA ESPECIAL – Compulsão à repetição? Por que repetimos o que nos faz sofrer?” e já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.


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Por que tantas pessoas têm traumas de infância?

Trauma é uma experiência (ou uma série de experiências similares) que ultrapassa a capacidade de processamento psíquico do sujeito.

Para facilitar sua compreensão, pense na seguinte analogia:

Vamos supor que você tenha um computador que possui 8 gigabytes de memória RAM e resolva instalar nele um jogo que precisa de 16 gigas para rodar bem.

O que acontecerá nesse caso?

Provavelmente você não conseguirá jogar o game. Ele demorará muito para iniciar, ficará travando ou, talvez, sequer abra.

O trauma é justamente isso: uma experiência muito pesada que o seu aparelho psíquico não dá conta de “rodar” e, por essa razão, trava.

Ora, quanto mais jovens nós somos, menor a nossa capacidade de processamento das experiências vividas.

Essa é a primeira razão pela qual somos tão vulneráveis a passarmos por traumas na infância.

Situações que seriam vividas com muita tranquilidade por um adulto podem ser excessivamente aflitivas para uma criança.

Pense, por exemplo, na experiência de assistir a um conflito agressivo entre duas pessoas que você ama muito.

Como adulto, é provável que você consiga processar essa experiência com muita tranquilidade, até com bom humor.

Agora imagine o pavor que uma criança pode experimentar ao ver seus pais, as duas pessoas que mais ama na vida, gritando um com outro violentamente.

Algumas crianças podem não dar conta de “digerir” essa situação. Ela pode ser pesada demais para seu frágil e precário aparelho psíquico.

Além disso — e aqui entra a segunda razão pela qual os traumas são tão frequentes na infância — a criança é muito dependente; ela praticamente não tem autonomia.

Por conta disso, não pode recorrer à fuga como estratégia de enfrentamento diante de uma situação estressante.

Se o seu namorado se mostra agressivo e desrespeitoso, você, como adulta, pode simplesmente terminar com o cara e nunca mais vê-lo.

Mas o que pode fazer uma criança que convive com uma mãe agressiva e violenta?

Nada. Ela é obrigada a ficar ali, sendo alvo dos ataques maternos, pois depende da genitora para sobreviver.

Baixa capacidade de processamento e dependência: essas são as duas razões pelas quais tantos de nós carregamos traumas de infância.


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O autismo como quarta estrutura

O autismo começou a ser reconhecido como entidade nosológica a partir do fim da década de 1930 com os clássicos estudos do psiquiatra austríaco Leo Kanner.

Inicialmente considerado como um tipo de psicose infantil, pouco a pouco o autismo passou a ser pensado como um distúrbio do desenvolvimento.

Em 1980, a 3ª. edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-III) classificava o autismo como um “transtorno global do desenvolvimento”.

No DSM-V, duas mudanças cruciais e altamente deletérias acontecem:

Em primeiro lugar, desaparece a categoria de “transtornos globais do desenvolvimento” e emerge a noção de “transtornos do neurodesenvolvimento”.

A segunda mudança é a substituição do termo “transtorno autista” por “transtorno do espectro autista (TEA)”.

Ambas as alterações produziram impactos muito prejudiciais no modo como o autismo é visto tanto dentro quanto fora do mundo psi.

Por um lado, a classificação “transtorno do neurodesenvolvimento” tem levado muitas pessoas a acreditarem na FALSA ideia de que o autismo se desenvolve puramente por conta de fatores neurobiológicos.

Já a noção de “espectro autista” DESTRUIU a especificidade do diagnóstico, levando inúmeras pessoas que não são, de fato, autistas a serem classificadas como tal.

Como a Psicanálise tem se posicionado diante desse cenário catastrófico?

Uma iniciativa que tem emergido nas últimas décadas, notadamente no campo lacaniano, é a formulação da hipótese de que o autismo seria uma ESTRUTURA SUBJETIVA específica, ao lado da neurose, da psicose e da perversão.

Essa hipótese permite pensar o autismo como um modo particular de existir no mundo e não como deficiência, como sugere a caracterização do DSM.

Na AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, eu explico qual é o elemento estrutural fundamental que, para alguns autores lacanianos, nos permite considerar o autismo como quarta estrutura clínica.

O título da aula é “AUTISMO COMO QUARTA ESTRUTURA 01 – A recusa da alienação” e ela já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – LACAN.


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Qual é o seu clichê?

Num texto de 1912 chamado “A Dinâmica da Transferência”, Freud compara aquilo que se apresenta no fenômeno transferencial a um “clichê”.

Mas, ao contrário do que muita gente pensa, o pai da Psicanálise não estava se referindo a clichê no sentido figurado, isto é, a uma expressão muito repetida.

Freud estava falando do clichê em seu sentido original, que é proveniente do campo da artes gráficas.

Originalmente, o termo clichê designava uma placa de metal que servia de modelo para a impressão de textos e imagens.

Ou seja, estamos falando de um artefato cujo mecanismo de funcionamento é semelhante ao de um carimbo.

Ora, um processo análogo de reprodução de um modelo acontece na transferência. É por isso que Freud faz a comparação.

De fato, o que observamos em análise é que o paciente reproduz, na relação com o terapeuta, certo modo estereotipado de se relacionar com os outros de forma geral.

Um paciente que costuma ser submisso em suas relações interpessoais, por exemplo, tenderá a ser submisso na relação com o analista.

Esse padrão relacional básico se constitui na infância e o sujeito o repete compulsivamente, como um clichê sendo impresso em páginas e mais páginas.

A grande maioria das pessoas não percebe que possui esse padrão porque, no dia a dia, consegue justificar seu funcionamento em função do contexto:

“Eu sou tão submisso no meu trabalho porque tenho medo de ser demitido.”

O que esse sujeito não sabe é que continuaria agindo de forma submissa mesmo se estivesse num cargo público, com pouquíssimas chances de ser demitido.

O padrão se impõe independentemente das circunstâncias, assim como o clichê pode ser impresso em qualquer tipo de folha, mesmo as que não estão em branco.

Ao fazer análise, a pessoa tem mais facilidade para identificar o padrão relacional porque o analista se apresenta de forma mais ou menos “neutra”.

Assim, o paciente não consegue encontrar muitas razões objetivas para explicar seu modo de agir.

Ele acaba sendo compelido a reconhecer que se encontra preso a um padrão que vem de si mesmo e que se reproduz continuamente à revelia de sua vontade.


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Você se considera uma pessoa grata?

Podemos definir gratidão como uma espécie de satisfação que advém do reconhecimento de que algo de bom que possuímos nos foi dado por outrem.

Há sujeitos que experimentam a gratidão com muita facilidade porque não têm problemas em reconhecer que foram beneficiados por outras pessoas.

Todavia, existem indivíduos que resistem ao sentimento de gratidão justamente porque não suportam se perceberem como objetos do favor alheio.

Afinal, para nos sentirmos gratos, precisamos ser capazes de admitir que, em alguma medida, somos sempre dependentes de coisas externas.

De fato, nós já NASCEMOS imersos numa relação de dependência absoluta.

Por isso, não é surpreendente que Melanie Klein tenha localizado a origem do sentimento de gratidão nos primeiros meses de vida.

Para a psicanalista austríaca, o recém-nascido vivencia uma relação ambivalente com o seio materno, seu primeiro objeto de amor, do qual depende radicalmente.

Por um lado, a criança sente inveja do seio (“Ele tem leite e eu não tenho. Isso é injusto!”) e, por conta disso, deseja destruí-lo, estragá-lo.

Por outro lado, o bebê se sente grato (“Que bom que o seio tem leite e o compartilha comigo!”) e, por isso, quer preservar e proteger seu objeto de amor.

Quando a inveja e outros impulsos hostis predominam, o sujeito pode até conseguir se sentir grato, mas em função de um sentimento de CULPA latente.

Já quando a gratidão primária é mais forte do que a inveja, a pessoa não só se sente naturalmente grata como também se torna GENEROSA.

Quer saber mais sobre isso?

Então assista à AULA ESPECIAL “LENDO KLEIN 07 – Gratidão, generosidade e culpa”, publicada hoje no módulo AULAS ESPECIAIS – KLEIN da CONFRARIA ANALÍTICA.

Nessa aula eu comento alguns trechos do clássico trabalho “Inveja e Gratidão”.


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