A mulher que tinha fobia de mariposas

No meio da sessão, enquanto narrava um sonho, Adriana soltou um forte grito e se levantou do divã.

— O que aconteceu? — perguntou Eduardo, seu analista.

A paciente apontou para a parede na direção de uma pequena mariposa que lá repousava, dizendo “Mata! Mata!” bem baixinho, quase sussurrando.

Eduardo, então, levantou-se da poltrona e esmagou o inseto com um de seus sapatos, deixando uma pequena mancha acinzentada na parede.

— Pronto. Está mais calma?

— Sim… — respondeu a moça visivelmente aliviada.

— A gente precisa falar sobre isso. Desde quando você tem esse medo?

— Desde criança. Minha mãe fala que no começo eu tinha medo só daquelas grandonas, sabe? Aquelas escuras que o povo chama de bruxas.

— Bruxas! — exclamou o analista intuindo que tal significante poderia ser uma pista para interpretar aquela fobia.

— Mas, depois — continuou a paciente — diz minha mãe que eu passei a ter medo de qualquer mariposa, até dessas pequenininhas.

— E o que exatamente você teme?

— Não sei direito… Passa um monte de coisas na minha cabeça. Mas acho que o maior medo é de que elas me passem alguma doença, sei lá…

— Imagino que você já deve saber que esse tipo de inseto não transmite doenças, né?

— Sim. Eu sei que é um medo irracional, mas não tem jeito, doutor. Quando é bruxa, eu até desmaio!

— Então o feitiço da bruxa é mesmo muito poderoso! — interveio Eduardo apostando numa comunicação direta com a dimensão infantil da paciente.

A paciente não compreendeu imediatamente a fala do analista, mas lhe veio à mente a imagem da mãe. Sentindo-se um pouco envergonhada, Adriana preferiu não verbalizar o que pensou.

Todavia, o próprio silêncio da moça indicou a Eduardo que a intervenção produzira um efeito sobre ela. Por isso, o terapeuta considerou que era o momento apropriado para encerrar a sessão:

— Vamos continuar na semana que vem? Agora, a bruxa tá solta!

O que você acaba de ler é uma vinheta clínica fictícia que exemplifica a maneira como abordamos uma fobia pela via da Psicanálise.

Se quiser se aprofundar e entender em detalhes como funciona o tratamento psicanalítico das fobias, assista à AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.

O título da aula é “AULA ESPECIAL – 4 princípios básicos para o tratamento das fobias na Psicanálise” e já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS”.


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Sim, você é seus pensamentos!

Recentemente eu estava ouvindo um podcast e, em determinado momento, o apresentador começou a defender a seguinte ideia:

“Você não é seus pensamentos.”

Na verdade, ele estava apenas repetindo uma fórmula que vem sendo propagada por vários profissionais de saúde mental nos últimos anos.

Outro dia uma famosa psiquiatra brasileira disse o seguinte numa entrevista:

“Muitas vezes, medo, ansiedade geram pensamentos negativos, mas isso corresponde não a você, mas a uma parte do seu cérebro que lida com o medo e a ansiedade produzindo pensamentos negativos para te proteger da vida.”

Vocês conseguem perceber a INSANIDADE que está presente em tal formulação?

Em primeiro lugar, essa profissional está postulando uma oposição completamente arbitrária (para não dizer delirante) entre a pessoa e seu cérebro.

Em segundo lugar, ela está simplesmente estimulando as pessoas a considerarem que seus pensamentos negativos devem ser desprezados como coisas insignificantes.

Para a psiquiatra, se, por exemplo, vem à sua cabeça a ideia de que você faz sempre tudo errado, isso seria tão pouco relevante quanto uma dor de barriga.

Sim, é isso o que ela está dizendo!

Pouco antes do trecho que citei, a profissional diz que “o cérebro é um órgão como outro qualquer”.

Ou seja, na prática, o que ela está insinuando é que o cérebro produz pensamentos assim como o intestino produz gases.

Aí eu lhe pergunto: você acha mesmo que um pensamento do tipo “Eu não valho nada” deve ser desprezado e descartado como se fosse um pum do cérebro?

É por isso que eu insisto na ideia de que a Psicanálise é MUITO MAIS científica e honesta do que todas essas outras abordagens que se apresentam como o suprassumo da cientificidade.

Do ponto de vista psicanalítico, SIM, VOCÊ É OS SEUS PENSAMENTOS!

Por mais tolas e exageradas que suas ideias possam parecer, elas devem ser levadas a sério, pois estão conectadas a uma rede imensa de outros pensamentos.

Então, enquanto alguns terapeutas “científicos” vão dizer para você “não acreditar” nos seus pensamentos negativos porque eles são apenas flatulências cerebrais, o psicanalista, que respeita a sua inteligência e a complexidade do psiquismo humano, os levará a sério e lhe pedirá que fale mais sobre eles.


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Fernanda era neurótica. Mas e se fosse borderline?

Naquela tarde, Fernanda chegou ao consultório de sua analista e teve a impressão de que ele estava mais sério do que de costume.

Enquanto se deitava no divã, a paciente teve os seguintes pensamentos:

“Será que ele está bravo comigo? Eu ainda não paguei as sessões deste mês, mas ele sabe que só faço o Pix depois do dia 05. Será que não está gostando disso?”

Dois dias antes, Fernanda havia mandado uma mensagem para o analista narrando um sonho, com a expectativa de receber alguma interpretação.

O terapeuta, contudo, limitou-se a responder: “Traga este sonho na próxima sessão.”

Portanto, se havia alguém “bravo” naquela relação, essa pessoa era justamente Fernanda. Era ela quem ficara revoltada por não ter recebido o feedback que esperava.

Contudo, como tem muita resistência a aceitar sua agressividade, Fernanda projetou sua raiva no analista, em vez de vivenciá-la plenamente em si mesma.

Esse é um processo defensivo tipicamente neurótico que deriva da tendência que os neuróticos têm de REPRIMIREM certos aspectos da sua personalidade.

Aspectos que entram em choque com a imagem idealizada que o sujeito tem de si mesmo.

Fernanda, por exemplo, foi levada desde criança a querer ser uma pessoa 100% gentil, pacífica, incapaz de fazer mal a uma mosca.

Por outro lado, se ela não fosse neurótica, mas sim borderline, provavelmente não usaria a projeção neurótica para lidar com seu ódio em relação ao analista.

Não! Fernanda certamente mostraria sua hostilidade, mas de uma forma completamente exagerada e violenta.

Não seria surpreendente se ela reagisse à resposta do analista ao relato do sonho com um áudio extremamente agressivo:

— Tá vendo? Você nunca dá atenção para as coisas que eu te conto! Não sei por que estou fazendo terapia! Você não me ajuda em nada! É um péssimo terapeuta!

Portanto, se fosse borderline, a paciente NÃO reprimiria sua agressividade, mas a expressaria de um modo desproporcional e unilateral.

Isso aconteceria porque sujeitos borderline fazem uso da CISÃO como defesa principal.

Na AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, eu explico de forma simples e didática as diferenças entre REPRESSÃO e CISÃO.


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O presente cumpre apenas uma função de gatilho

Na primeira das “Cinco Lições” que ministrou na Universidade Clark (EUA), em 1909, Freud proferiu sua famosa fórmula: “os histéricos sofrem de reminiscências”.

Naquele contexto, ele estava explicando como a Psicanálise foi criada tendo como base a clínica da histeria. Por isso, fez menção apenas aos histéricos.

De fato, essa tese freudiana se aplica também a diversas outras formas de adoecimento psíquico.

Não são apenas os histéricos que padecem das marcas deixadas em seu psiquismo pelos acontecimentos de sua história.

A clínica psicanalítica revela que as raízes de nossos sintomas, inibições e angústias são sempre (sempre!) ideias vinculadas a situações infantis.

Em quase 15 anos de atuação como terapeuta, eu nunca me deparei com um único paciente sequer cujo sofrimento estivesse vinculado exclusivamente a questões atuais.

O “estresse da faculdade” que parecia ser a fonte das crises de ansiedade daquela moça acabaria revelando-se apenas a pontinha de um iceberg psíquico imenso.

Seu discurso mostraria que a “pressão” acadêmica só teria exercido tamanho efeito patogênico por evocar em sua alma outras “pressões” muito mais antigas.

Não tem jeito:

Se você quiser de fato saber de onde vem sua depressão, seu excesso de ansiedade, seus padrões doentios de relacionamento, será preciso escavar a própria história.

A boa notícia é que, diferentemente dos tesouros arqueológicos, as nossas “reminiscências” não estão totalmente enterradas.

Bem que a gente gostaria, mas… não. Elas são vivas e, por isso, estão se presentificando em nossas vidas o tempo todo, se metendo onde SÃO chamadas.

É por isso que na Psicanálise nós não desprezamos o valor das situações do presente quando estamos ajudando um paciente a discernir as causas de seu sofrimento.

Afinal, se o sujeito adoece logo após o término de seu casamento, isso significa que há algo nesse rompimento que o vincula a certos elementos de sua história.

Se as questões mal resolvidas do passado não nos deixam em paz é porque o presente as invoca — como um encantador de serpentes.


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A histeria não existe mais?

Se você procurar, não encontrará uma única menção sequer à palavra “histeria” no DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais).

Essa categoria diagnóstica, que é mantida no campo psicanalítico, foi convertida pelos autores do referido documento numa pletora de outros rótulos nosológicos.

Em vez de ajudar o clínico a discernir as articulações internas entre as diversas manifestações de uma patologia, o DSM se apresenta como um mero catálogo mais ou menos arbitrário de sintomas.

Um exemplo:

Se vivesse nos nossos dias, Anna O., a famosa paciente de Josef Breuer, receberia trocentos diagnósticos ao invés do simples e elegante “Histeria”.

No mínimo, sete:

– Transtorno bipolar;

– Fobia específica;

– Transtorno de estresse pós-traumático;

– Transtorno dissociativo de identidade;

– Amnésia dissociativa;

– Transtorno conversivo;

– Transtorno da personalidade histriônica.

Diferentemente do que acreditam muitas pessoas, pacientes que padecem de sintomas tão incomuns como os de Anna O. continuam existindo nos nossos dias.

A diferença é que eles não são mais diagnosticados com Histeria. Em vez disso, recebem uma série de novas etiquetas como as que listei acima.

Na AULA ESPECIAL desta semana na CONFRARIA ANALÍTICA eu comento justamente o caso de uma paciente que se enquadra nessa situação.

Trata-se de uma moça que apresentava sintomas histéricos clássicos, como episódios frequentes de dissociação e paralisias.

Na aula, explico como tais fenômenos estão intimamente articulados, de modo que não faz o menor sentido considerá-los como indicativos de transtornos diferentes, como faz o DSM.

O título da aula é “ESTUDOS DE CASOS 09 – Um caso clássico de histeria no século XXI” e está no módulo ESTUDOS DE CASOS.

Neste módulo, eu comento casos clínicos reais enviados por nossos alunos, propondo hipóteses de compreensão e caminhos de intervenção.


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A verdade não é evidente.

Vocês certamente já viram sendo publicados por aí os resultados de pesquisas sobre a frequência sequissual das pessoas.

Um estudo feito por uma empresa europeia de preservativos em 2007 “evidenciou” que o Brasil seria o segundo país do mundo onde mais se faz séquisso.

De acordo com o levantamento, em média o brasileiro tem 145 relações sequissuais por ano, o que corresponde a cerca de 2 a 3 tr4nsas por semana.

Só perderíamos para os gregos, cuja frequência média anual seria de 164 vezes.

Ficou com inveja?

Não precisa.

Deixa o tio Lucas te explicar como funcionam esses estudos que supostamente possuem rigor científico.

Eles são conduzidos de uma forma extremamente ingênua:

O pesquisador vai até o entrevistado e simplesmente pergunta a ele: “Quantas vezes o senhor faz séquisso por semana?”, supondo que a pessoa falará a verdade.

É aí que está o problema!

Você (você mesmo!) diria a verdade?

Se estivesse há mais de um ano sem ir para a cama com alguém, você responderia, com toda a sinceridade: “Nenhuma vez” ao questionamento do investigador?

O fato é que há uma probabilidade muito grande das pessoas não serem francas ao participarem desse tipo de estudo por uma razão muito simples:

Em “condições normais de temperatura e pressão”, não queremos projetar uma imagem de nós mesmos que não corresponda ao que supomos ser o desejo do Outro.

Como vivemos numa cultura que valoriza a alta frequência sequissual, é natural que desejemos ser ou, pelo menos, parecer “transud0s”.

O desejo do homem é o desejo do Outro.

Nesse sentido, precisamos ser céticos em relação ao que uma pessoa diz acerca de si mesma, principalmente quando se sente julgada (ainda que não esteja DE FATO sendo avaliada).

A verdade sobre quem somos e o que fazemos não aparece de forma explícita em nossos discursos pensados e elaborados.

Todo investigador policial sabe muito bem disso quando está interrogando um suspeito.

O que também os psicanalistas sabem quando estão escutando seus pacientes.

A verdade não se entrega de bandeja.

Como um quebra-cabeças, ela precisa ser pacientemente montada a partir dos seus fragmentos — espalhados em lugares nada óbvios.


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Além de escutar, o que mais um psicanalista faz?

Popularmente, os psicanalistas são vistos como seres muito silenciosos.

De fato, alguns de nós exageram e são capazes de ficar uma sessão inteira sem falarem um “a” com seus pacientes. Trata-se de um erro técnico, evidentemente.

Mas se passamos a maior parte do tempo calados é porque entendemos que o elemento mais importante de um processo terapêutico é o material trazido pelo paciente.

Por outro lado, apenas a apresentação pura e simples desse material não é suficiente para que uma análise aconteça.

O analista precisa intervir e participar ativamente do processo. Ele não pode ficar em silêncio o tempo todo.

Mas de que forma o analista intervém?

Dizendo ao paciente coisas como “no fundo, você quer pegar a sua mãe”?

Essa é outra imagem estereotipada do psicanalista que circula no imaginário popular: o analista-intérprete, que tem sempre uma explicação freudiana na ponta da língua.

Nada mais falso.

Basta ler meia dúzia dos textos clínicos de Freud para saber que nunca trabalhamos dessa forma.

Mas repito a pergunta: de que forma o analista intervém?

O que falamos para nossos pacientes? Como se dá a nossa participação no tratamento?

Muitos analistas responderiam a essas indagações com formulações abstratas, obscuras, que mais confundem do que esclarecem.

Eu não.

Na tentativa de explicar de maneira clara e objetiva o que fazemos na clínica para-além da escuta, elaborei um modelinho bem simples que distingue 3 categorias de intervenções que desenvolvemos com nossos pacientes.

Trata-se de uma espécie de MAPA que ajudará muitos analistas, especialmente os iniciantes, a se situarem em relação ao que estão fazendo na clínica.

Este singelo modelo foi apresentado na AULA ESPECIAL “Clarificar, confrontar e interpretar: um mapa para a clínica”, que acaba de ser publicada na CONFRARIA ANALÍTICA.

A aula está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.


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Você queria muito agir de outra forma, mas não consegue?

Não é uma tarefa fácil distinguir os aspectos que caracterizam uma pessoa como emocionalmente doente.

Sempre corremos o risco de contaminar nossa visão a esse respeito com determinadas convicções culturais, ideológicas e políticas.

Por outro lado, me parece que há certos traços que são indiscutivelmente psicopatológicos sob qualquer ponto de vista.

Um deles é a RIGIDEZ.

Pessoas que estão emocionalmente doentes possuem uma limitação significativa na capacidade de modificarem sua conduta em determinadas circunstâncias.

Márcio, por exemplo, um neurótico obsessivo, não consegue deixar de se sentir intimidado quando está diante de pessoas às quais atribui autoridade.

Ele não queria se comportar de forma tão submissa e amedrontada nesse contexto, mas o cara simplesmente não consegue agir de outra forma. É mais forte do que ele.

Vanessa, por sua vez, não aguenta mais perder bons relacionamentos devido ao seu excesso de ciúme e à sua atitude extremamente controladora.

A jovem sabe racionalmente que exagera nas cobranças que faz aos namorados, mas simplesmente não consegue agir de outra forma. Ela não dá conta de se conter.

Em ambos os casos, temos pessoas que se sentem PRESAS a certo modo de agir e desejam ardentemente a LIBERDADE de poderem se comportar de outra forma.

Do ponto de vista da Psicanálise, essa falta de flexibilidade funciona para tais sujeitos muito mais como um REFÚGIO do que como uma prisão. Explico:

Ao contrário do que parece à primeira vista, Márcio e Vanessa não estão se comportando de forma autodestrutiva, mas, sim, de modo “AUTOPROTETIVO”.

Sentir-se intimidado com figuras de autoridade protege Márcio de fazer contato com seus impulsos agressivos, os quais são evocados quando está diante dessas figuras.

Já Vanessa se protege do medo imaginário de ser abandonada subitamente por seu objeto de amor, vigiando e controlando neuroticamente cada passo que ele dá.

Perceba, portanto, que a rigidez é estabelecida como uma defesa que permite à pessoa evitar o confronto com elementos não integrados da sua vida psíquica.

O sujeito abre mão da liberdade em troca da segurança.

De uma falsa segurança, diga-se de passagem.


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Luana: a menina que não queria comer

Verônica estava visivelmente aflita ao falar da filha:

— Ela simplesmente parou de comer, Patrícia. A Luana já tinha o costume de não tomar café da manhã, mas agora não quer almoçar e jantar também.

Patrícia é a psicóloga que Verônica procurou por indicação do médico que atende sua filha desde que esta era bebê.

Luana é uma adolescente de 16 anos que há aproximadamente 6 meses passou a ter muito medo de engordar e a se preocupar excessivamente com sua imagem corporal.

— Na semana passada — continuou Verônica — eu tentei obrigá-la a comer no almoço, mas ela deixou praticamente tudo no prato. Eu estou desesperada, doutora!

Patrícia não pôde conter a ansiedade gerada por esse relato. Por também ser mãe, ela conseguia imaginar a agonia de Verônica diante do comportamento da filha.

Após conversarem por mais alguns minutos, a psicóloga pediu que Verônica se retirasse para que pudesse atender Luana.

Se o relato da genitora já havia sido difícil de escutar, a imagem da jovem que acabava de entrar em sua sala fora ainda mais perturbadora para Patrícia.

Luana estava, de fato, extremamente magra. Além do corpo esquelético, o rosto pálido denunciava a falta de alimentação.

Bastante retraída, a jovem falou muito pouco na primeira sessão, limitando-se basicamente a responder as perguntas que Patrícia lhe fazia.

A psicóloga constatou que Luana não via problema em comer pouco e que pretendia continuar fazendo isso, pois entendia que ainda precisava perder peso.

— Se eu engordar, vou perder o meu lugar no time. Lá não tem lugar para gorda.

O “time” ao qual a moça se referia era a equipe de vôlei da escola, da qual participava há 1 ano.

A obsessão de Luana por emagrecer havia começado depois que ela acidentalmente ouviu um colega de sala comentar com outros meninos mais ou menos o seguinte:

— Das meninas do vôlei a mais gostosa é a Luana, né, galera?

Desde esse dia, a adolescente começou a se esforçar obstinadamente para emagrecer com medo de ser substituída no time de vôlei por uma aluna mais magra.

Patrícia encerrou a sessão sentindo-se tão aflita quanto a mãe da paciente.

“O que eu faço diante do desejo dessa menina de continuar comendo pouco?”

“Será que eu devo tentar desfazer essa crença que ela tem de que ainda precisa emagrecer?”

“Por que a fala do colega teve tamanho impacto sobre ela?”

Essas foram algumas das perguntas que ficaram martelando na cabeça da profissional após o atendimento.

A AULA ESPECIAL de hoje na CONFRARIA ANALÍTICA certamente ajudaria Patrícia a encontrar respostas para tais questões e a lidar com esse desafio clínico.

O título da aula é “Anorexia nervosa: uma leitura psicanalítica (parte 02)” e ela já está disponível para todos os alunos da nossa escola no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.


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Fazendo terapia, você pode até não mudar, mas certamente passará a se enxergar melhor.

É claro que a gente procura terapia com o objetivo de mudar, né?

De fato, se buscamos a ajuda de um profissional de saúde mental, é porque queremos perder ou abandonar certos sintomas, inibições etc.

Por outro lado, todo bom processo terapêutico costuma proporcionar outras vantagens para-além das mudanças que desejamos alcançar.

Quase toda terapia, por exemplo, leva o paciente, em maior ou menor medida, a desenvolver aquilo que os americanos chamam de AWARENESS.

Esse é um termo que costuma ser traduzido para o português por “consciência”, mas que não quer dizer simplesmente “perceber conscientemente alguma coisa”.

Awareness significa um tipo específico de percepção que, ao ser conquistada, necessariamente produz transformações no sujeito.

Veja o que aconteceu com a Fernanda, por exemplo:

Ela descobriu na terapia que o modo como se comporta no namoro é muito parecido com a forma com que ela se relacionava com sua mãe na adolescência.

Desde que se deu conta disso, a moça passou a ficar muito mais atenta às reações que costuma ter diante de certos comportamentos do parceiro.

Mais do que isso:

Ela passou até a evitar certas atitudes ao pensar: “Nossa, eu tô querendo fazer com ele exatamente o que fazia com minha mãe”.

A paciente ainda não entendeu por que repete no namoro o padrão de relacionamento com a mãe.

No entanto, o simples fato de ter percebido essa repetição já foi suficiente para que ela repensasse o modo como interage com o namorado.

Isso é awareness!

A experiência de falar sobre si durante quase 1 hora toda semana (ou, às vezes, mais de uma vez por semana) leva o sujeito quase inevitavelmente a se enxergar melhor.

É por isso que, mesmo em processos terapêuticos não muito bem-sucedidos em termos de eliminação de sintomas e inibições, o paciente pode se sentir satisfeito.

Satisfeito com a quantidade de coisas que aprendeu sobre si mesmo ao longo do processo, com a luz que pôde lançar sobre dimensões outrora obscuras de seu ser.

Volto a dizer: a gente vai para a terapia porque quer mudar.

Porém, frequentemente, o simples fato de entenderem como “funcionam” pode ser visto por muitas pessoas como uma conquista EXTRAORDINÁRIA.


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Anorexia nervosa: uma leitura psicanalítica

Todo adoecimento emocional é resultado de uma ESTRATÉGIA.

Este é um pressuposto fundamental que deve nortear o trabalho de todo psicanalista na clínica.

Eu sei que tal afirmação pode parecer estranha para certos espíritos mais sensíveis, mas acredito que essa perplexidade se dissipará com a explicação a seguir.

Do ponto de vista psicanalítico, os problemas psicológicos que o paciente apresenta não são processos que o acometem, mas fenômenos que ele PRODUZ.

Produz inconscientemente, claro, pois ninguém decidiria adoecer de maneira consciente.

De todo modo, trata-se, sim, de uma PRODUÇÃO cujo objetivo é solucionar determinadas questões que, para o sujeito, são mais dolorosas do que o próprio adoecimento.

É por isso que eu falei em ESTRATÉGIA.

O sujeito não sabe conscientemente, mas ele arquitetou de maneira assaz meticulosa cada um de seus sintomas e inibições.

Aliás, boa parte da terapia psicanalítica consiste exatamente em fazer a “engenharia reversa” que permite ao sujeito entender como foi que produziu sua própria doença.

Nesta sexta-feira, quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá uma AULA ESPECIAL sobre um tipo grave de adoecimento psíquico chamado ANOREXIA NERVOSA.

E para compreender a abordagem psicanalítica desse transtorno, é fundamental considerar o pressuposto que expliquei.

De fato, para quem está de fora, o comportamento de uma jovem anoréxica parece completamente irracional e autodestrutivo.

Mas, do ponto de vista do mundo interno dessa moça, faz TODO O SENTIDO evitar se alimentar e tentar a todo custo emagrecer cada vez mais.

Ela não faz isso por acaso ou porque sua mente simplesmente teve um “bug” e agora enxerga a comida e seu corpo de forma “distorcida”.

Não!

Uma anoréxica PRECISA olhar para a comida como um objeto perigoso e para o seu corpo como algo que deve ser compulsivamente esvaziado.

Há uma ESTRATÉGIA em jogo.

— Mas por que ela precisa pensar dessa forma, Lucas?

É isso o que começaremos a ver na AULA ESPECIAL a que me referi acima.

O título dela é “AULA ESPECIAL – Anorexia nervosa: uma leitura psicanalítica” e já está está disponível na CONFRARIA, no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.


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Você se cobra muito, mas é extremamente tolerante com os outros?

Excesso de autocobrança: atualmente essa é uma das queixas que aparecem com mais frequência nos consultórios de psicoterapia.

Diversos pacientes sofrem por sentirem culpados com muita facilidade e exigirem de si mesmos padrões desnecessariamente elevados de conduta.

Ao contrário do que se pensa, nem sempre tais pessoas são provenientes de ambientes familiares que as pressionavam e cobravam um desempenho de excelência.

Às vezes é o oposto: tem paciente que se tornou bastante exigente consigo mesmo em meio a pais cuja tolerância e flexibilidade flertavam com a negligência.

Em casos como esse, o sujeito desenvolve o excesso de autocobrança como uma defesa contra os sentimentos de desamparo e desorientação gerados pela postura exageradamente complacente dos pais.

Há outros pacientes cuja autocobrança patológica é resultante de uma história infantil marcada pela ocorrência frequente de situações de ameaça e intimidação.

Assim, o sujeito passa a ser extremamente exigente consigo mesmo com o objetivo inconsciente de evitar as punições que fora levado a imaginar quando criança.

Seja qual for a origem do excesso de autocobrança, é possível observar em muitos pacientes que sofrem com esse problema um aspecto muito interessante, a saber:

Um anseio não declarado de serem tratados com a compaixão e compreensão que não conseguem ter em relação a si mesmos.

Faz sentido! Para sustentarem a autocobrança patológica como defesa, essas pessoas precisam RECALCAR suas tendências autocompassivas.

É por isso que elas tendem a ser extremamente tolerantes e complacentes COM OS OUTROS.

Com efeito, agem com as outras pessoas como gostariam de agir consigo mesmas, mas NÃO SE PERMITEM.

E por que não se permitem?

Porque, como eu disse anteriormente, o excesso de autocobrança é uma DEFESA.

Inconscientemente o sujeito acredita que, se parar de se cobrar e começar a pegar leve consigo mesmo, estará em perigo: ficará perdido, desorientado, será punido etc.

Assim, com medo de abrir mão dessa defesa, a pessoa se projeta no outro e oferece a ele justamente a tolerância que não consegue oferecer a si mesma.


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A Psicanálise ajuda o paciente a encontrar sua própria verdade e não a se adequar à suposta verdade do terapeuta.

Apesar de existirem vários métodos psicoterapêuticos, um olhar atento é capaz de identificar basicamente três tipos de psicoterapia:

(1) Métodos que buscam alterar a maneira como o paciente se relaciona com a vida empregando técnicas de aprendizagem e modificação do pensamento.

(2) Métodos que buscam levar o paciente a se comportar de uma forma supostamente saudável explorando a confiança cega que o sujeito tem no terapeuta.

(3) A Psicanálise, que busca ajudar o paciente a se compreender e encontrar, por sua própria conta, formas mais criativas e menos sofridas de lidar com a própria verdade.

No texto “Fé, incredulidade e convicção sob o ângulo da psicologia médica”, Sándor Ferenczi defende a tese de que os dois primeiros métodos estão fadados ao fracasso.

O motivo é simples:

Em ambos, o paciente é levado a se adequar à verdade proposta pelo terapeuta e não a encontrar sua própria verdade, como ocorre na Psicanálise.

Se um paciente diz, por exemplo, que é um “b0sta”, terapeutas que trabalham com esses métodos se esforçarão para levar o paciente a perceber que ele não é isso.

Para tanto, utilizarão todo tipo de técnica de manipulação da consciência: registro de pensamentos, questionamento socrático, sugestão etc.

Um psicanalista, por sua vez, não ficará tentando forçar o paciente a enxergar a SUPOSTA verdade de que ele não é um “b0sta”.

Afinal, quem é o terapeuta para dizer que ele não é isso?

Caso estivesse em análise, esse sujeito seria encorajado a buscar o grão de verdade, da SUA verdade, que está por trás daquela afirmação.

Com efeito, se o paciente diz que é um “b0sta”, ele deve ter bons motivos para fazer isso, certo?

Por que não respeitá-los e ajudar a pessoa a compreendê-los ao invés de forçá-la a se ver de outra forma?

Quer saber mais sobre as diferenças entre a Psicanálise e esses outros métodos psicoterapêuticos?

Então, assista à AULA ESPECIAL desta sexta na CONFRARIA ANALÍTICA.

Nela eu comento alguns trechos do artigo mencionado acima em que Ferenczi fala sobre esse assunto.

O título da aula é “LENDO FERENCZI 07 – A Psicanálise e outros tipos de psicoterapia” e ela já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – FERENCZI.


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O psicanalista é aquele que te encoraja a continuar viajando quando tudo o que você quer é… estacionar.

De vez em quando alguém me pergunta se é possível fazer análise sozinho, sem a ajuda de um psicanalista.

A resposta é sempre um enfático NÃO.

Embora Freud, em seus primeiros escritos e cartas, faça referência à uma suposta autoanálise, hoje sabemos que suas elaborações não foram feitas solitariamente.

O colega Wilhelm Fliess bem como seus primeiros leitores exerceram para o médico vienense um papel SEMELHANTE ao que um analista desempenha numa análise “normal”.

Com efeito, Freud não guardava para si os resultados dessa suposta autoanálise, mas corajosamente os compartilhava nas cartas a Fliess e em seus primeiros livros.

Portanto, havia DESTINATÁRIOS para os quais o médico ENDEREÇAVA suas associações.

Enfatizo esse ponto porque o endereçamento a um outro é um dos elementos essenciais da experiência psicanalítica.

É por isso que a autoanálise compreendida como um processo associativo e elaborativo solitário é absolutamente inviável.

Para que a análise funcione, é preciso que o paciente associe e elabore PARA alguém.

E esse “alguém” não pode ser qualquer pessoa.

É preciso que ela tenha alcançado suficientemente bem a capacidade de não permitir que o paciente “estacione” seu carro quando deveria continuar “viajando”.

Explico a metáfora:

Para se proteger da angústia suscitada por certas lembranças e ideias, todo paciente tende a interromper o seu fluxo associativo (“estacionar”).

Uma das funções do analista é não permitir que isso aconteça, incitando e encorajando o sujeito a vencer suas resistências e prosseguir na “viagem” para dentro de si.

E o analista só dará conta de fazer isso se tiver vencido boa parte das suas próprias resistências — o que só é possível se ele fizer ANOS de análise pessoal.

É por isso que não dá para ser psicanalista só “fazendo curso” ou lendo livros e artigos de Psicanálise.

É sendo paciente de um analista durante um bom tempo que o sujeito adquire as condições subjetivas necessárias para não permitir que seu paciente “estacione”.


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Quando você passa a se odiar para não odiar a quem amava

Existem vários tipos de depressão.

Em algumas delas, o sujeito se sente basicamente apático, sem energia e sem interesse pelas coisas de que antes gostava.

Em outras, a questão fundamental que leva o paciente a sofrer é a sensação de que nada em sua vida faz sentido, de que está “vivendo por viver”.

Essas duas formas de depressão têm aparecido com muita frequência em nossos consultórios. Porém, não é sobre elas que desejo falar neste texto.

Quero tratar da depressão melancólica, um tipo clínico marcado essencialmente por fenômenos de caráter superegoico: excesso de culpa, autocobranças e autodesprezo.

Em 1917, Freud propôs a tese de que o mecanismo básico que dá origem a essa modalidade depressiva é a identificação da pessoa com um objeto que ela perdeu.

O processo em questão pode ser descrito de modo relativamente simples:

Antes de adoecer, o paciente tinha uma relação MUITO ambivalente com seu objeto de amor: ao mesmo tempo em que o amava muito, também o odiava bastante.

Ao perder o objeto (por conta de seu falecimento ou devido a uma separação), a pessoa se identifica com ele — a fim de compensar a perda.

Em Psicanálise, identificar-se com uma pessoa significa trazer a representação dela para dentro do próprio Eu, ou seja, introjetá-la.

Ora, se eu trago um objeto muito amado, mas também muito odiado, para dentro do meu Eu, o resultado é que eu passarei a ME ODIAR também, certo?

— Uai, Lucas, mas se o objeto era alvo de muito amor, eu também vou ME AMAR muito, não?

Não. Para proteger a representação boa do objeto dentro de si (lembre-se que ele foi perdido), o sujeito só se identifica com a “parte má” dessa representação.

É como se ele inconscientemente pensasse:

“Vou direcionar o ódio que eu tinha pelo objeto todo para mim. Dessa forma, não corro o risco de destruir a representação que tenho dele aqui dentro de mim.”

É por isso que o deprimido melancólico só se condena, só se critica, só se culpa, enxergando-se como a pior pessoa do mundo.

O ódio que tem por si hoje é o mesmo ódio que tinha pelo objeto ontem.

Na AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, você verá um caso clínico real de depressão melancólica comentado por mim.

O título da aula é “ESTUDOS DE CASOS 08 – Solange: um caso típico de depressão melancólica” e já está disponível no módulo “ESTUDOS DE CASOS”.


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