Freud entende de mulher?

Toda vez que eu vou falar sobre o complexo de castração em Freud algumas alunas questionam a validade das teses freudianas sobre o desenvolvimento s3xual feminino.

Eu explico que o pai da Psicanálise não tirou tais ideias de trás da orelha, mas simplesmente teorizou o que encontrava na clínica.

De todo modo, a imensa maioria das mulheres encara com um olhar de descrença a concepção freudiana de que o eixo fundamental da psicologia feminina é a INVEJA DO P3NIS.

Sim, é o que Freud diz: o ponto crucial do desenvolvimento de uma menina é o momento em que ela se dá conta de que só os garotos têm p3nis e fica profundamente magoada com isso.

É inegável que existem várias mulheres que vivem ressentidas e até adoecem neuroticamente por se considerarem inferiores aos homens — a clínica evidencia isso com muita clareza.

O problema de Freud foi supor que isso acontece com TODAS as mulheres.

Provavelmente, impressionado com o discurso lamentoso de suas pacientes histéricas, o médico vienense deduziu que, no fundo da alma de TODA mulher, haveria sempre uma eterna invejinha da condição masculina.

Freud dava tanto peso ao papel da inveja do p3nis na psicologia feminina que considerava esse o fator que explicaria o típico desejo das mulheres de serem mães.

Ele achava que as meninas começariam a almejar a maternidade como um meio de serem compensadas por sua SUPOSTA castração natural:

“Se o destino não me fez com p3nis, que eu tenha pelo menos direito a um bebezinho”.

Exagero?

Foi o que pensou a psicanalista alemã Karen Horney (1885-1952).

Baseada em sua própria vivência de mulher, na clínica e na observação de crianças do s3xo feminino, Horney teve a coragem de se contrapor a Freud.

Em 1933, a autora escreveu o artigo “A negação da v4gina: uma contribuição ao problema das ansiedades genitais específicas das mulheres”.

Nesse texto, ela formula uma nova concepção sobre o desenvolvimento s3xual feminino, centrada na experiência da menina com seu próprio corpo e não na comparação com o corpo masculino.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje uma AULA ESPECIAL em que eu comento esse artigo e apresento as pertinentes e inovadoras ideias de Karen Horney.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O Reino do Inconsciente pertence aos pequeninos


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Entenda, de uma vez por todas, o conceito de FALO em Psicanálise

Se alguém te perguntasse no ponto de ônibus qual é a definição de FALO em Psicanálise, você saberia responder?

Se sua resposta for NÃO, deixa eu te ajudar.

Em bom humanês: FALO nada mais é do que o SIGNIFICADO que o p3nis tem na cabecinha de uma criança de 3 a 5 anos.

— Uai, Lucas, você não disse que iria me ajudar? Pois essa definição me deixou foi ainda mais confuso. 🤔

Calma, caro leitor. Deixe-me desenvolver a ideia. Veja:

Para Freud, quando as crianças têm por volta de 3 a 5 anos, elas tomam consciência de que existe uma diferença muito marcante entre os corpos masculino e feminino:

Os meninos têm p3nis e as meninas… não têm.

Um adulto, evidentemente, sabe que essa diferença é tão-somente uma… diferença, já que a mulher não tem p3nis, mas, em contrapartida, tem clit0ris, v4gina, ou seja, uma genit4lia com características próprias.

Todavia, uma criancinha de 3 a 5 anos, não consegue ter essa compreensão.

Ainda facilmente iludida pelas aparências, ela vê a diferença entre os corpos e conclui que, no feminino, está FALTANDO uma parte.

Assim, o p3nis é interpretado por meninos e meninas nessa fase como O ELEMENTO QUE TORNARIA UMA PESSOA COMPLETA, INTEIRA, PLENA.

Ora, é justamente essa representação poderosa que a criança faz do p3nis o que nós chamamos de FALO.

— Mas, peraí, Lucas. Depois que a criança cresce, ela deixa de atribuir esse significado ao órgão masculino, certo?

Certo.

— Então, por que não tratar isso como um simples mal-entendido infantil sem maiores consequências?

A resposta é simples, caro leitor: porque essa ideia de SER uma pessoa INCOMPLETA (conclusão das meninas) ou de PODER SER uma pessoa INCOMPLETA (conclusão dos meninos) nunca sai da nossa cabeça.

A gente até deixa de pensar que é o p3nis o elemento que confere completude, mas transferimos o significado dado originalmente ao órgão sexual masculino para outras coisas, como:

Sucesso profissional, dinheiro, filhos, quantidade de seguidores, poder, fama, parceiros amorosos etc. etc. etc…

Crescemos. Sim, crescemos. Mas, no fundo, continuamos a ser aquela criancinha que, um belo dia, botou na cabeça que EXISTE UM ELEMENTO QUE CONFERE COMPLETUDE ÀS PESSOAS…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O que fazer quando o paciente fica em silêncio?

Uma das principais dificuldades enfrentadas por quem está iniciando a prática da Psicanálise é lidar com os momentos em que o paciente fica em silêncio.

Isso pode acontecer de maneira pontual, durante alguns segundos ou minutos, mas há ocasiões em que o analisando passa muito tempo calado sob a justificativa de “não ter nada para dizer”.

Por que o silêncio é tão constrangedor para muita gente?

Minha hipótese é a de que a ausência de comunicação verbal entre duas pessoas que estão sozinhas num mesmo espaço (físico ou virtual) estabelece um clima de intimidade semelhante ao que existe numa relação amorosa…

Mas analistas iniciantes também podem se sentir incomodados com o silêncio por projetarem seu superego nos pacientes e imaginarem que estão sendo criticados por estarem calados.

O que fazer quando o paciente fica em silêncio?

Devemos simplesmente ficar quietos e aguardar a retomada da associação livre?

Na opinião do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi (1873-1933), não.

Na primeira seção do trabalho “A técnica psicanalítica”, de 1919, o médico recomenda aos analistas que, nesses momentos, perguntem diretamente ao paciente em que ele está pensando.

Em muitos casos, o analisando acaba confessando que tem algumas coisas em mente, mas não as disse por considerar que são irrelevantes.

Essa é uma ocasião bastante oportuna para que o analista relembre ao paciente que, na terapia psicanalítica, absolutamente QUALQUER COISA que passe por sua cabeça é IMPORTANTE.

Na verdade, menosprezar o valor de certas ideias é uma das formas mais comuns de expressão da RESISTÊNCIA. O terapeuta deve ajudar o analisando a perceber isso.

— Ah, Lucas, mas e se o paciente disser que realmente não está pensando em nada e continuar em silêncio? O que o Ferenczi recomenda que os analistas façam?

A resposta para essa e mais quatro outras perguntas sobre técnica psicanalítica você encontrará na aula especial “CINCO DICAS DE FERENCZI PARA O MANEJO CLÍNICO EM PSICANÁLISE”, que estará disponível ainda hoje (sexta) para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.

Te vejo lá!


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Em saúde mental, força é sinônimo de flexibilidade.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Quais são os custos do seu desejo?

Imagine a seguinte situação:

João chega ao consultório da terapeuta Marcia com a seguinte queixa:

— Sabe, doutora, o meu problema é ter que pagar combustível, seguro, IPVA, taxa de licenciamento… Eu quero me livrar dessas despesas.

Atônita pelo caráter inusitado de tal demanda, Marcia acaba indo pelo caminho mais óbvio:

— E por que você não vende o seu carro? Assim você não teria mais esses gastos.

Com um olhar de surpresa e certa indignação, o paciente responde:

— Que isso, doutora? Tá maluca? Eu amo esse carro! Ralei muito para comprá-lo e não quero me desfazer dele tão cedo. Eu vim aqui para que você me diga como eu posso me livrar das DES-PE-SAS, não do carro.

Provavelmente, neste momento você deve estar fazendo esta cara: 🤨 e pensando no quão irracionais são as queixas e alegações de João, não é mesmo?

Como assim o cara quer ter um automóvel, mas não quer arcar com os custos necessários para mantê-lo? 🤦‍♀️

Embora esse diálogo seja obviamente fictício, a atitude do paciente expressa metaforicamente a relação que todos nós temos com nossos problemas emocionais.

Com efeito, a Psicanálise descobriu que, no fundo, a gente AMA os nossos sintomas e não queremos nos livrar deles.

Na verdade, tal como João, a gente só quer eliminar as “despesas” que eles geram.

Pense num rapaz cujo principal sintoma é o relacionamento conturbado com a namorada.

Ora, ele não quer terminar com a moça. Todavia, reclama toda semana com seu terapeuta dos “custos” que precisa pagar para permanecer no namoro.

Da mesma forma, aquela pobre paciente que há meses não consegue dormir direito no fundo tem um caso de amor com a própria insônia e não quer se ver livre do problema.

Ela quer dormir, mas não quer perder os GANHOS que a dificuldade de pegar no sono lhe proporciona…

Contraditório? Irracional?

Sim, meus caros. Mas é assim que nós somos.

Inconscientes dos nossos mais profundos desejos, criamos sintomas para satisfazê-los e depois reclamamos das “despesas” necessárias para mantê-los.

Um dos objetivos da Psicanálise é ajudar o paciente a reconhecer esses desejos a fim de que ele possa ter a liberdade de procurar (se quiser) outras formas (menos custosas) de satisfazê-los…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

O que a Psicanálise tem a dizer sobre o TDAH?

Em 1798, o médico escocês Sir Alexander Crichton publicou uma obra chamada “Uma investigação sobre a natureza e origem do desarranjo mental: compreendendo um sistema conciso da fisiologia e patologia da mente humana e uma história das paixões e seus efeitos”.

No segundo volume desse trabalho, Crichton faz referência a um distúrbio em que a pessoa seria incapaz de “prestar atenção com algum grau necessário de constância a qualquer objeto”.

O médico diz que tal patologia pode ser congênita ou causada por algum acidente. Nas palavras dele:

“Ao nascer com uma pessoa, [o distúrbio] torna-se evidente em um período muito precoce da vida e tem um efeito muito ruim, na medida em que a torna incapaz de prestar atenção com constância a qualquer objeto de educação”.

Crichton observou que tal problema parecia estar relacionado a uma sensibilidade exagerada do doente a estímulos externos:

“[…] toda impressão parece agitar a pessoa e lhe dá um grau antinatural de inquietação mental. Pessoas andando para cima e para baixo na sala, um leve ruído na mesma, o movimento de uma mesa, o fechamento de uma porta repentinamente, um leve excesso de calor ou de frio, muita luz ou pouca luz, tudo isso destrói a atenção constante em tais pacientes, na medida em que são facilmente excitados por cada impressão”.

Essa exposição do médico escocês provavelmente foi a primeira descrição científica de uma condição psicopatológica que atualmente recebe o nome de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

É razoável supor que esse problema sempre existiu, mas que esteja recebendo mais destaque atualmente porque, no mundo contemporâneo, a atenção tornou-se uma das capacidades humanas mais valiosas.

Será que a Psicanálise pode nos ajudar a discernir o que está em jogo no TDAH?

Como podemos compreender, à luz dos conceitos psicanalíticos, a incapacidade de focar e se conter experimentada por pessoas que padecem dessa condição?

Qual deve ser a estratégia clínica do psicanalista ao receber tais pacientes?

As respostas para essas perguntas estão na AULA ESPECIAL “TDAH: uma leitura psicanalítica” que estará disponível ainda hoje para quem está na CONFRARIA ANALÍTICA.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A gente faz Psicanálise para descobrir e inventar.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Beatriz e o ex: como sair de círculos viciosos

Há seis meses, Beatriz, uma jovem de 25 anos, lutava consigo mesma para esquecer Alfredo, um rapaz com quem teve um namoro recente.

Volta e meia Beatriz puxava papo com o ex pelas redes sociais na esperança de que voltassem a ficar juntos.

Todavia, esse comportamento da jovem estava em contradição com aquilo que ela dizia praticamente toda semana para a sua terapeuta:

— Eu sei que nós não deveríamos voltar. Foi praticamente um milagre a gente ter ficado junto por tanto tempo e acho que isso só aconteceu porque eu me anulava no relacionamento.

De fato, passado o entusiasmo típico dos primeiros meses de namoro, Beatriz passou a se sentir muito incomodada com a postura um tanto fria e distante que percebia em Alfredo.

A moça, no entanto, ao invés de terminar logo, começou a tentar se adaptar ao jeito do namorado.

Afinal, adequar-se a um contexto desfavorável foi algo que Beatriz aprendeu a fazer muito bem quando morava com os pais…

Após quase dois anos de namoro, o próprio Alfredo decidiu terminar alegando não estar num momento propício para relacionamentos.

Beatriz ficou desnorteada com o rompimento, mas, lá no fundo, sentiu um alívio: finalmente não precisaria mais sofrer com a apatia do rapaz.

Por outro lado, a moça não conseguia abandonar completamente o vínculo com ele.

Apesar de SABER que o melhor era não ficarem juntos, ela continuava mantendo contato.

Em terapia, Beatriz se queixava de que não conseguia deixar de falar com o ex, pois se sentia muito aflita quando não conversava com ele.

Em contrapartida, a terapeuta lhe ajudou a perceber que essa aflição jamais desapareceria enquanto a jovem tentasse se livrar dela fazendo contato com Alfredo.

Beatriz foi se dando conta de que a única forma que teria de verdadeiramente CONSEGUIR esquecer o rapaz seria bloqueando-o das redes sociais MESMO SE SENTIDO AFLITA AO FAZER ISSO.

Depois de um bom tempo de terapia, a moça finalmente conseguiu aprender essa importante lição de saúde mental:

Círculos viciosos e autodestrutivos só podem ser quebrados por AÇÕES motivadas pela CONSCIÊNCIA (“Eu sei que nós não deveríamos voltar”) e não por ESTADOS EMOCIONAIS (“Sinto-me aflita ao não conversar com ele”).


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Pedro, o analista apressadinho

Cansada de não conseguir ser feliz no amor, Jussara, uma engenheira de 35 anos, decide procurar o psicanalista Pedro a fim de compreender o que acontece consigo.

Na primeira sessão, a moça fala sobre seus últimos relacionamentos e como eles terminaram:

“O Paco foi o último. No começo (como sempre) eu achei que finalmente tinha encontrado o homem da minha vida: atencioso, carinhoso, sensível…”.

“Mas, com dois meses, já vi que tinha entrado de novo numa furada. Você acredita que ele queria que eu parasse de trabalhar por que, segundo ele, ‘em obra só tem macho’?”.

— E o que você falou quando ele te disse isso?, pergunta o analista.

“Ah, eu virei uma onça! Falei com ele que eu tinha saído cedo de casa justamente porque meu pai queria controlar cada passo que eu dava. Foi aí que a gente começou a brigar”.

— Hum… Então quer dizer que o Paco se parece com seu pai?

“Ele e os outros, né? Todo homem que eu arrumo tem isso de querer me controlar. Às vezes eu acho que é karma, só pode”.

Entusiasmado por ter extraído da paciente a confissão desse padrão, Pedro decide formular uma interpretação explicativa:

— Toda menina se apaixona pelo pai quando criança. Talvez você ainda esteja inconscientemente apaixonada pelo seu.

Jussara faz um semblante de estranhamento misturado com uma leve irritação.

O analista continua:

— Por isso só escolhe homens parecidos com ele e relacionamentos que não dão certo. Dessa forma, você satisfaz a saudade do colo do papai e, ao mesmo tempo, não deixa ninguém ocupar definitivamente o lugar dele no seu coração.

A fim de estimular a paciente a ficar pensando sobre sua interpretação, Pedro decide encerrar a sessão logo depois dessa fala.

Apesar de dizer que voltaria na semana seguinte, a paciente sai do consultório pensando: “Esse cara é um completo maluco. Vê se pode? Eu, apaixonada pelo papai? Nunca mais volto aqui”.

Se Pedro tivesse assistido à AULA ESPECIAL que será publicada ainda hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, ele provavelmente não teria perdido essa paciente.

Nessa aula eu comento algumas orientações de Freud acerca de como o analista deve trabalhar no início do tratamento.

Pedro saberia que não se deve fazer interpretações logo na primeira sessão.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A gente faz Psicanálise para CONSEGUIR deixar pra lá…


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Não seja seu próprio carrasco (mas não pegue leve consigo mesmo)

Já ouviu falar em autocompaixão?

Esse termo designa basicamente uma atitude oposta ao excesso de autocobrança — queixa frequentemente encontrada nos consultórios de terapeutas atualmente.

Uma pessoa autocompassiva olha para si mesma de modo compreensivo e amoroso, ciente de que não é capaz de dar conta de tudo e de que pode cometer erros.

Em outras palavras, um indivíduo que desenvolveu a competência da autocompaixão NÃO PEGA PESADO CONSIGO MESMO.

Por outro lado, sujeitos que não são autocompassivos comportam-se como verdadeiros carrascos de si mesmos, fazendo-se cobranças exageradas e não admitindo nenhum tipo de falha.

Ajudar o paciente a desenvolver autocompaixão deveria ser um dos propósitos de qualquer tratamento psicoterapêutico, seja ele psicanalítico ou não.

Todavia, não devemos confundir autocompaixão com AUTOCOMPLACÊNCIA.

Não se cobrar de forma exagerada é diferente de pegar leve consigo mesmo.

Assim como o excesso de autocobranças, a autocomplacência também é um fator que contribui para a deterioração da saúde mental.

Há muitas pessoas, por exemplo, que permanecem presas a condições de adoecimento emocional porque não se dispõem a fazer o mínimo necessário para sair delas.

Volta e meia atendo jovens universitários que se queixam de uma suposta INCAPACIDADE de se concentrarem nos estudos em casa.

Quando eu pergunto se eles LUTAM contra a distração, a resposta é geralmente negativa.

Diante da DIFICULDADE de concentração, a pessoa simplesmente desiste de estudar. Ela não se ESFORÇA para retomar a atenção depois de momentos de distração.

O nome disso é AUTOCOMPLACÊNCIA, ou seja, uma propensão a exigir de si MENOS do que se é capaz de dar conta.

A concentração, por exemplo, assim como diversos outros aspectos do funcionamento psicológico, precisa de EXERCÍCIO para ser desenvolvida — e não exercício leve.

Você não se tornará fisicamente forte levantando pesos que não te causam nenhum desconforto.

Da mesma forma, não é possível conquistar uma saúde mental fortalecida pegando leve consigo mesmo e desistindo diante de qualquer mínimo obstáculo.

Seja autocompassivo, mas não seja autocomplacente.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A castração é libertadora

No início dos anos 1920, Freud fez uma descoberta muito interessante:

A de que muitos homens desenvolvem na infância a fantasia de que podem ser castrados por seus pais.

Essa crença ilusória seria reforçada por ameaças dos adultos feitas geralmente em tom de brincadeira: “Pare de mexer no seu piupiu senão eu vou cortá-lo, hein?”.

Além disso, Freud deduziu que, diante do desconhecimento de como funciona a genitália feminina, crianças de ambos os sexos tenderiam a explicar a ausência do pênis nas meninas como sendo resultado de uma castração.

O medo imaginário de serem castrados levaria os meninos a renunciarem à prática da masturbação infantil e ao desejo incestuoso pela mãe.

As meninas, por sua vez, acreditando ilusoriamente que são castradas, seriam levadas a esperar uma compensação por tal infortúnio — geralmente, um bebê a ser gerado pelo pai.

Em ambos os casos, a fantasia de castração leva a criança fazer uma TROCA: ela abandona determinas coisas para poder desejar outras que acabam funcionando como SÍMBOLOS da primeira.

No caso do menino, ele abandona a satisfação autoerótica e o desejo pela mãe em troca da identificação com o pai e da possibilidade de desejar OUTRAS pessoas.

No caso da menina, ela renuncia ao anseio de ter um pênis em troca da identificação com a mãe e do desejo de receber OUTROS objetos.

Portanto, a fantasia de castração pode ser vista como um fator de promoção do amadurecimento na medida em que leva a criança a sofisticar e ampliar suas possibilidades de desejo no mundo.

A psicanalista francesa Françoise Dolto foi quem melhor desenvolveu essa ideia por meio da criação do termo CASTRAÇÃO SIMBOLIGÊNICA.

Para a autora, ao longo do desenvolvimento, a criança passa por diversos momentos que podem ser metaforicamente descritos como “castrações”.

Em todos eles, precisa acontecer um processo de TROCA de um objeto ou meio de satisfação por outros muito mais amplos, humanos e amadurecidos.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje (sexta) uma AULA ESPECIAL em que explico as quatro castrações propostas por Dolto e as condições para que elas sejam, de fato, SIMBOLIGÊNICAS.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

Uma simples queixa de ansiedade nunca é uma simples queixa de ansiedade


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”

A Psicanálise foi feita para o homem e não o homem para a Psicanálise.

Em 1904, o psiquiatra Leopold Löwenfeld publicou um livro dedicado aos fenômenos obsessivos e compulsivos típicos da neurose obsessiva.

Freud foi convidado pelo autor a produzir um breve artigo, a ser incluído no livro, explicando como funcionava a terapia psicanalítica — pouco conhecida àquela época.

O resultado foi o elegante texto “O método psicanalítico de Freud”, em que o autor, escrevendo na terceira pessoa, expõe resumidamente a história de desenvolvimento da Psicanálise e suas características principais.

Esse trabalho está no volume 7 da Edição Standard e no volume 6 da edição da Cia. das Letras.

Nas páginas finais do artigo, Freud aborda os objetivos da Psicanálise.

Àquela altura, ainda influenciado pelo recém-abandonado método catártico de Breuer, ele entendia que a “a tarefa do tratamento é remover as amnésias”, ou seja, desfazer “todas as repressões”.

O próprio Freud, no entanto, reconhece essa meta é irrealizável, já que, mesmo numa pessoa saudável, ou seja, que não é neurótica, “esse estado ideal” não existe.

Portanto, mesmo que uma pessoa passe décadas fazendo análise, ela nunca se tornará completamente “transparente” para si mesma.

O Inconsciente, essa dimensão opaca e disruptiva da nossa alma, SEMPRE continuará existindo.

— Bom, Lucas, mas e aí? Se a Psicanálise, em tese, teria como objetivo final alcançar uma meta que, segundo seu próprio criador, é impossível de ser atingida, qual seria a utilidade desse método?

A resposta que Freud fornece a essa pergunta é muito boa:

Ele diz que, no fim das contas, se não dá para tornar o Inconsciente completamente acessível à Consciência, os analistas deveriam se contentar em alcançar um objetivo muito mais modesto:

“[…] a recuperação prática do paciente, o restabelecimento de sua capacidade de realização e de fruição”.

Em outras palavras, o terapeuta pode se dar por satisfeito se tiver conseguido ajudar o paciente a superar as inibições e sintomas que o impediam de agir no mundo e aproveitar a vida.

Relembrar essa formulação freudiana pode ajudar os analistas a moderarem suas pretensões muitas vezes messiânicas de transformação completa da vida de seus pacientes.


Participe, por apenas R$39,99 por mês, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.

➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”

➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”