Quais são as suas compensações?

Embora não seja propriamente um conceito, a palavra “compensação” nos ajuda a entender com muita clareza uma das principais descobertas da Psicanálise.

Foram processos de compensação que Breuer, colega de Freud, vislumbrou nos sintomas de Anna O. ao criar o método catártico, embrião da terapia psicanalítica.

Se a paciente melhorava ao falar sobre sentimentos reprimidos, isso acontecia justamente porque seus sintomas eram uma forma de compensar a repressão.

Anna desenvolveu aversão a líquidos, por exemplo, por ter reprimido um sentimento de raiva ao ver o cãozinho de sua dama de companhia tomando água em um copo.

“Retorno do recalcado”: esse foi o termo técnico que Freud inventou para se referir à dinâmica psíquica que leva um sintoma a substituir uma reação reprimida.

De fato, os conteúdos que nós recalcamos (por culpa, vergonha etc.), não desaparecem nem ficam quietinhos e isolados num canto da alma.

Não! Eles retornam. Ou, pelo menos, tentam fazer isso…

Como diz o poeta, “sentimento ilhado, morto, amordaçado… volta a incomodar”.

A pressão do conteúdo reprimido para retornar à consciência nos obriga a criar algum sintoma ou inibição para compensar a repressão.

Há pessoas, por exemplo, que compensam a repressão de sua agressividade tornando-se exageradamente boazinhas e simpáticas.

Outros compensam a repressão do luto e da culpa por meio de uma alegria artificial e de um excesso de atividades e energia.

E não podemos nos esquecer daqueles que se tornam demasiadamente moralistas e rigorosos para compensar os fortes impulsos “proibidos” que reprimem.

O problema é que o recalcado pressiona tanto que os meios de compensação frequentemente se mostram insuficientes para proteger o sujeito da angústia.

Das duas uma: ou a compensação torna-se muito custosa ou começa a não funcionar, como uma faca que perdeu o fio.

Embora seja sofrida, essa experiência de fracasso pode ser muito produtiva, pois estimula a pessoa a questionar se vale a pena continuar fugindo de si mesma.

E tal indagação, por sua vez, pode acabar levando o sujeito à sábia decisão de fazer análise.


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Entenda como é feito o diagnóstico de transtorno bipolar

Há muito tempo, o termo “bipolar” ultrapassou as fronteiras do mundo psi e caiu nas graças do senso comum.

Assim, frequentemente ouvimos pessoas dizerem que fulano de tal é “bipolar” porque muda de atitude ou de humor de forma abrupta.

De fato, esse uso popular do termo tem um pouco de relação com seu sentido técnico.

Contudo, é preciso deixar claro que um indivíduo não é diagnosticado com transtorno bipolar apenas por mudar de opinião com facilidade.

A expressão “transtorno bipolar” foi inventada na década de 1980 para substituir o termo “psicose maníaco-depressiva”, que vinha sendo utilizado desde o século XIX.

Assim, as duas polaridades em questão são a mania e a depressão.

Um sujeito em estado maníaco fica (aparentemente “do nada”) patologicamente “energizado”, tornando-se excessivamente eufórico ou irritável.

Essa mesma pessoa pode, alguns dias depois, ou em outro momento da vida, entrar em depressão e ficar exageradamente triste, vazia e sem vontade de viver.

A psiquiatria contemporânea especifica dois tipos de transtorno bipolar: o tipo I, mais raro, diagnosticado pela presença de apenas um episódio maníaco ao longo da vida; e o tipo II, mais prevalente, caracterizado por pelo menos um episódio hipomaníaco (uma forma mais atenuada de mania) e um episódio depressivo.

Eu decidi apresentar aos alunos da CONFRARIA ANALÍTICA, minha escola de formação teórica em Psicanálise, uma visão psicanalítica sobre essa patologia.

Antes disso, julguei necessário ministrar uma aula explorando DETALHADAMENTE os critérios utilizados pela psiquiatria para diagnosticá-la.

O título dessa aula é “Transtorno bipolar: critérios para o diagnóstico” e ela acaba de ser publicada no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS da Confraria.

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O poder terapêutico da relação entre paciente e analista

Classicamente, nós pensamos na Psicanálise como um procedimento terapêutico que permite ao sujeito fazer uma espécie de mergulho em si mesmo.

A postura mais passiva e silenciosa do analista facilitaria esse movimento introspectivo que permitiria ao paciente se redescobrir.

Tudo isso é verdade. Mas não é TODA a verdade.

De fato, a gente faz análise para SE escutar e SE enxergar.

Mas a gente também faz análise para se RELACIONAR.

Sim: embora a terapia psicanalítica não seja uma conversa comum, ela se constitui inegavelmente como uma relação entre duas pessoas.

Isso pode parecer óbvio, mas não é.

O que quero destacar é o fato de que as transformações que ocorrem com o paciente não são resultantes apenas do mergulho que ele faz em si mesmo.

Na verdade, boa parte delas pode ser atribuída às vicissitudes da relação concreta com o analista — mediadas OU NÃO por elementos transferenciais.

Diferentemente do que se acredita no senso comum, um analista jamais é completamente neutro.

Quando um paciente confessa ter uma fantasia sequissual da qual sente vergonha, ao escutá-lo em silêncio, o terapeuta não está sendo neutro.

Afinal, ao agir assim, o analista comunica ao paciente que ali, no contexto terapêutico, ele tem a liberdade de falar abertamente sobre seus desejos.

E essa mensagem implícita, por si só, já é terapêutica.

De repente, esse paciente sente vergonha de sua fantasia por ter sido criado em um contexto excessivamente moralista e repressor.

Ora, ao escutar o sujeito sem condená-lo, o analista está oferecendo a ele um NOVO contexto que, diferentemente do primeiro, não o incita à vergonha.

Portanto, se a Psicanálise é terapêutica, não é só por conta dos insights e elaborações que o paciente faz, mas também pelo próprio VÍNCULO com o analista.

Esse vínculo pode ser transformador em si mesmo, pois contrasta com os vínculos adoecedores presentes na história do paciente.

Em outras palavras, o paciente se liberta dos efeitos patológicos de relações marcadas por moralismo, opressão ou abandono ao vivenciar uma relação nova, com o analista, pautada por liberdade, confiabilidade e acolhimento.


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“A imaturidade é uma parte preciosa da experiência adolescente” (Donald Winnicott)

Em 1968, Donald Winnicott foi convidado para apresentar um trabalho na 21ª reunião anual da Associação Britânica de Saúde do Estudante.

O analista inglês decidiu falar sobre a imaturidade do adolescente e defendeu a tese de que essa falta de maturidade precisa ser não só respeitada, mas, sobretudo, valorizada.

Por ainda não ser suficientemente maduro para ter visão de longo prazo, por exemplo, o adolescente tem mais liberdade que o adulto para desafiar o status quo.

Para Winnicott, a sociedade precisa ser “sacudida pelas aspirações daqueles que não são responsáveis”.

De fato, o idealismo adolescente pode despertar os adultos do torpor conformista ao qual tendem a se entregar pelos inúmeros desafios do cotidiano.

No entanto, para que os adolescentes possam sonhar, idealizar e transgredir, é preciso justamente que os adultos não abdiquem das rédeas da responsabilidade.

E é justamente essa relação dialética entre liberdade adolescente e responsabilidade adulta que está no centro do artigo de Winnicott.

Na AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, eu comento alguns trechos do artigo e extraio deles algumas orientações valiosíssimas para pais e analistas de adolescentes.

O título da aula é “LENDO WINNICOTT 09 – O adolescente e sua necessária imaturidade” e ela já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – WINNICOTT.

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A crueldade do superego primitivo

Atendendo crianças emocionalmente doentes, Melanie Klein descobriu que o superego se forma muito mais precocemente do que pensava Freud.

O pai da Psicanálise acreditava que a instância superegoica só surgiria a partir do momento em que a criança começasse a se desligar afetivamente dos pais.

E, para Freud, tal processo só aconteceria por volta dos cinco anos.

Frustrada por perceber que a mãe e o pai possuem outros interesses para além dela, a criança internalizaria as figuras parentais na forma de superego como uma espécie de consolo.

“Já que não posso ficar com mamãe e papai o tempo todo, levá-los-ei dentro de mim para o resto da vida. 😌”, pensaria o ingênuo filhotinho de Homo sapiens.

Todavia, para Melanie Klein, esse processo de introjeção das figuras parentais ocorreria muito mais cedo do que Freud sugeriu.

A clínica infantil revelou à psicanalista austríaca que, desde os primeiros dias de vida, o bebê já estabelece um intercâmbio entre ele e a mãe no nível da fantasia.

Ainda no colo materno, a criança projeta coisas na mãe e introjeta elementos que ela imagina que estão na mãe (justamente os que ela mesma projetou 🤡).

—  Que coisas a criança projeta na mãe, Lucas? 🤔

As únicas coisas psíquicas que ela traz “de fábrica” ao nascer: seus impulsos de amor 😍 e de agressividade 😡.

Ao projetar na figura materna esses impulsos, o bebê acaba criando em sua cabeça uma versão 100% amorosa e outra 100% maligna da mãe.

O problema, como eu disse acima, é que a criança traz para dentro de si essas duas versões maternas que ela mesma forjou.

Resultado: ela se identifica com a mãe 100% boa 😇 e trata a mãe 100% má como uma espécie de autoridade inquestionável que a persegue e tortura internamente 👿.

Ora, para Melanie Klein, essa mãe 100% má introjetada é justamente a versão primitiva do superego. Um superego extremamente cruel, severo e implacável.

Quer entender melhor como esse superego cruel se forma? Na aula especial publicada hoje na Confraria Analítica, explico tudo detalhadamente.

O título da aula é “LENDO KLEIN 09 – O sadismo implacável do superego primitivo” e ela já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – KLEIN.


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Você enxerga sua vida como um filme de terror e sonha em viver um conto de fadas?

A psicanalista austríaca Melanie Klein acreditava que, nos primeiros três ou quatro meses de vida, nossa visão da realidade é completamente delirante.

Não por acaso, a autora chamou essa fase de POSIÇÃO ESQUIZOPARANOIDE.

Com efeito, de acordo com Klein, nesse estágio, o bebezinho enxerga o mundo de maneira bipolar:

Ora se sente num paraíso, protegido por uma mãe bondosa e superpoderosa, ora acredita estar num inferno, perseguido por uma mãe demoníaca e implacável.

Por que esse cenário tão maluco se apresenta na cabecinha da criança?

Para a autora, isso acontece porque o bebê nasce com intensos impulsos amorosos e destrutivos, mas ainda não possui uma mente forte o suficiente para suportá-los.

Assim, o pequeno filhote de Homo sapiens é levado a projetar parte dos seus impulsos para o mundo externo, colorindo-o com sua própria realidade psíquica.

Em outras palavras, a criança vê o mundo ora como um lugar 100% amável, ora como um ambiente 100% odiável porque ela mesma está cheia de amor e de ódio.

— E por que ela não enxerga a realidade como amável e odiável ao mesmo tempo, Lucas?

Porque ainda não dá conta.

Para fazer isso, o bebê precisará adquirir força psíquica suficiente para suportar o fato de que é possível odiar quem amamos, pois ninguém é deus nem demônio.

Klein acredita que a criança atinge esse grau de maturidade por volta dos seis meses, numa fase que ela chamou de POSIÇÃO DEPRESSIVA.

Trata-se do momento em que o bebê finalmente consegue enxergar a realidade para além de suas projeções — o que o leva a se sentir culpado e decepcionado:

Culpado por ter achado, em alguns momentos, que a mãe que ele tanto ama era uma bruxa malvada.

E decepcionado por perceber, ao mesmo tempo, que ela também não é um ser angelical superpoderoso.

Esse movimento de reconhecer a realidade por trás das projeções é um processo que se repete em toda análise.

Frequentemente nossos pacientes nos apresentam uma descrição de suas vidas que é completamente enviesada pelas lentes de seu mundo interno.

Cabe ao analista ajudar o sujeito a se sentir seguro o bastante para enxergar a própria existência sem imaginá-la como um conto de fadas ou um filme de terror.


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Sim, existem mecanismos de defesa saudáveis!

Freud descobriu que nossa mente é governada por uma lei fundamental: o princípio do prazer.

Obedientes a essa lei, estamos sempre tentando evitar a experiência do desprazer ou, no mínimo, amenizá-la.

Quando a fonte do sofrimento é uma situação externa, podemos simplesmente nos afastar — caso isso seja possível.

Porém, se a dor é provocada por conteúdos psíquicos, ou seja, por coisas que estão “dentro” de nós, fugir não é uma opção.

Nesses casos, precisamos lançar mão de certas OPERAÇÕES MENTAIS para evitar o desprazer ou, pelo menos, reduzi-lo a uma intensidade suportável.

Na Psicanálise, nós chamamos essas operações de MECANISMOS DE DEFESA, pois, como você já entendeu, elas servem para nos proteger do sofrimento.

Uma pessoa psicologicamente frágil não aguenta muita dor. Por isso, tende a utilizar mecanismos de defesas mais severos, que negam e distorcem a realidade.

Por outro lado, indivíduos emocionalmente maduros conseguem suportar uma boa dose de desprazer sem se desesperarem.

Isso lhes permite empregar defesas mais brandas e até construtivas.

Na AULA ESPECIAL publicada hoje na CONFRARIA ANALÍTICA, eu explico e dou exemplos de cinco desses mecanismos de defesa saudáveis.

A aula já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS e este é o link para fazer parte da Confraria: https://confrariaanalitica.com/ .


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A moça do avião não teve empatia?

Recentemente repercutiu nas redes sociais um vídeo que mostra uma mulher num avião se recusando a trocar de lugar com um garoto que pedia aos prantos para se assentar ao lado da janela.

A responsável pela gravação foi uma passageira que se sentiu indignada com a postura da moça e tomou as dores da mãe da criança.

Muitas análises e comentários já foram feitos acerca da situação.

De minha parte, não quero ficar chovendo no molhado e dizendo que criança precisa aprender a lidar com frustração e blábláblá.

Eu quero chamar sua atenção para um dos argumentos centrais utilizados pela “solidária” passageira que fez o vídeo.

Em determinado momento da gravação, ela diz para a moça que se recusou a trocar de lugar:

“Estou gravando a sua cara porque você não tem empatia pelas pessoas.”

Primeiramente, vale dizer que a palavra empatia foi tão banalizada que, hoje em dia, deveríamos até pedir desculpas a nossos interlocutores ao utilizá-lo, assim como fazemos quando somos forçados a empregar uma palavra chula.

Tecnicamente, empatia significa a capacidade de imaginar como outra pessoa pode estar vivenciando uma determinada situação.

Nesse sentido, segundo a passageira “solidária”, a mulher que não queria ceder seu assento não conseguia imaginar o sofrimento vivenciado pelo garoto por não estar ao lado da janela.

Ora, o mesmo juízo não poderia ser feito em relação à própria passageira “solidária”?

Afinal, ao considerar que a moça deveria trocar de lugar, ela também não estava conseguindo imaginar o desejo da jovem de permanecer em seu assento.

Em outras palavras, se a moça não estava sendo empática, a passageira solidária também não.

Isso mostra que, muitas vezes, reivindicações que apelam para a suposta falta de empatia do outro não passam de artimanhas retóricas usadas para justificar atitudes autoritárias.

Assim, não raro, a expressão “Você não está tendo empatia comigo” pode ser lida como: “Você não está se curvando aos meus caprichos”.

Na verdade, a passageira que gravou o vídeo estava simplesmente expressando um impulso despótico e mascarando-o com o verniz da empatia e da solidariedade.


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A gente faz Psicanálise para deixar de tomar rasteira de si mesmo.

“Onde estava o id, ali estará o ego.”

É com esta frase que Freud sintetiza o resultado produzido pela Psicanálise no psiquismo de uma pessoa que a ela se submete.

No modelo teórico proposto pelo autor em 1923, o id designa a dimensão da nossa mente onde se encontram nossos impulsos e disposições naturais.

A experiência clínica de atendimento a pessoas neuróticas revelou a Freud que nós podemos adoecer emocionalmente quando, por medo, viramos as costas para o id.

É claro que não podemos nos entregar passivamente a nossos impulsos e disposições naturais. A vida em sociedade e o nosso próprio senso de autopreservação nos impedem de agir assim.

Desde a infância, a gente vai aprendendo a se conter, se controlar e a se adaptar aos limites impostos tanto por nossos valores quanto pela própria realidade.

Porém, nesse processo, podemos ser levados a olhar para nossas inclinações naturais como tendências perigosas que precisam ser reprimidas.

O resultado disso é catastrófico: ao reprimir um impulso, perdemos o controle sobre ele, pois reprimir significa justamente fingir que ele não existe.

Fora de controle, o impulso reprimido do id fica livre para “nadar de braçada” em sua vida.

E pior: como você não quer enxergá-lo, ele acaba se manifestando à força, justamente por meio do adoecimento emocional.

Quando um paciente neurótico procura terapia, é nesse estado que ele se encontra: dominado pelos impulsos do id para os quais tem medo de olhar.

Na Psicanálise, a gente ajuda o sujeito a perder esse medo.

Dessa forma, ele passa a dar conta de encarar o id e consequentemente se APROPRIAR dos impulsos que outrora reprimiu.

É por isso que Freud diz que “onde estava o id, ali estará o ego”:

Com efeito, ao perder o medo, o ego (o eu) consegue TOMAR POSSE daquelas “regiões” do id que, por terem sido reprimidas, estavam fora do seu controle.

O id só para de nos escravizar com sintomas quando tomamos a coragem de reconhecê-lo, afirmá-lo, valorizá-lo e, acima de tudo, conversar com ele.


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[Vídeo] Autocobranças: seu superego pode estar certo.


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Complexos de Édipo e de castração: impactos na vida adulta

Na CONFRARIA ANALÍTICA, a minha escola de formação teórica em Psicanálise, nós temos um módulo chamado ESTUDOS DE CASOS.

Nas aulas desse módulo, eu comento e analiso casos clínicos reais enviados por nossos alunos, sugerindo hipóteses e estratégias de manejo.

Elas têm ajudado muito nossos alunos a aprimorar sua atuação na clínica e a aprofundar sua compreensão da teoria psicanalítica.

Hoje (sexta-feira), publicamos a 17ª aula desse módulo. Ela aborda o caso de uma moça que sofre de compulsão por compras, procrastinação e falta de desejo sεxu4l.

Nessa história clínica, vemos com muita clareza os resultados de uma má resolução daquilo que Freud chamou de “complexo de Édipo” e “complexo de castração”.

Esse caso é exemplar para mostrar que as ideias do pai da Psicanálise, por vezes incompreendidas, continuam relevantes na clínica.

De fato, por trás dos sintomas apresentados pela paciente, encontramos justamente uma dificuldade de renunciar a desejos edipianos e à fantasia infantil de castração.

Quer saber mais?

Então, assista à aula. O título dela é “ESTUDOS DE CASOS 17 – Maura: quando os complexos de Édipo e de castração não são superados”.

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“Os sintomas são a atividade sexual dos doentes.” (Sigmund Freud)

Por mais que as ideias psicanalíticas tenham se infiltrado na cultura popular, essa afirmação do pai da Psicanálise ainda causa certo estranhamento.

De fato, ainda é muito difícil para a maioria das pessoas pensar a sexualidade como algo que extrapola o âmbito das relações sεxu4is propriamente ditas.

É dessa dificuldade que emergiu, por exemplo, o termo “assεxu4l” nos últimos anos para etiquetar a condição daquelas pessoas que normalmente não sentem vontade de fazer sεx0.

Ora, esse termo é equivocado justamente porque ele faz parecer que tais pessoas não possuem sexualidade, quando, na verdade, elas apenas não se sentem inclinadas a percorrer UMA DAS DIVERSAS VIAS possíveis de satisfação sεxu4l.

Ao dizer que “os sintomas são a atividade sεxu4l dos doentes”, Freud está nos ensinando que a sεxualidade humana é tão plástica que podemos SUBSTITUIR atos explicitamente sεxu4is por diversos outros comportamentos, incluindo aqueles que são de ordem patológica.

A paciente de uma das minhas alunas, por exemplo, passou anos satisfazendo sua libid0 por meio da compulsão por compras.

Como bem notou sua analista, todo o processo de “garimpagem” que ela levava até finalmente escolher a roupa que iria adquirir era simbolicamente muito semelhante a um ato masturb4tóri0.

Enquanto g0zava por meio do comprar compulsivo, essa mulher não sentia o menor interesse em ter relações sεxu4is com seu marido.

— Ah, Lucas, isso significa, então, que, essa paciente só vai se curar quando voltar a trans4r com o companheiro?

Não necessariamente.

Essa hipótese está baseada na falsa premissa de que o único modo “saudável” de buscar satisfação sεxu4l é por meio do coit0.

Na verdade, o aspecto patológico do comportamento da paciente não é o ato de comprar em si, mas o fato de fazer isso COMPULSIVAMENTE, ou seja, de forma descontrolada.

E toda compulsão expressa um movimento interno de fuga: concentrar-se numa direção para evitar outras que parecem ameaçadoras.

Nesse sentido, o que ela precisa é ENTENDER por que o comprar se tornou a sua principal “atividade sεxu4l”, ou seja, por que está fugindo de outras…


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Como tratar o pânico pela via da Psicanálise?

Hoje quero conversar diretamente com você que é psicanalista ou terapeuta que trabalha com base na perspectiva da Psicanálise.

Se um paciente se apresenta em seu consultório dizendo que sofre com recorrentes ataques de pânico, você sabe o que fazer para ajudá-lo?

Talvez a sua resposta seja algo como:

“Claro, Lucas! Eu simplesmente faria com esse paciente o que faço com qualquer outro, ou seja, pediria para ele falar em associação livre, escutaria seu discurso com atenção flutuante, faria interpretações etc.”

OK… Mas será que o fato de o paciente padecer de transtorno de pânico não exigiria certas adaptações no manejo clínico?

Os psiquiatras e psicanalistas norte-americanos Fredric N. Busch e Barbara L. Milrod, da Universidade de Columbia, acreditam que sim.

Por isso, juntamente com outros pesquisadores, eles desenvolveram um tipo focal de terapia psicanalítica voltada especificamente para o tratamento do pânico.

Trata-se de um modelo terapêutico composto por três fases: (1) tratamento do pânico agudo; (2) tratamento da vulnerabilidade ao pânico e (3) término.

Na AULA ESPECIAL publicada hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA, explico didaticamente esse modelo e o que o analista deve fazer em cada uma de suas fases.

O título da aula é “Transtorno de pânico: tratamento psicanalítico”, e ela já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.

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O falso TDAH

Um dia desses, na caixinha de perguntas do Instagram, um seguidor me pediu para falar sobre como a Psicanálise trata o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Eu respondi que, se fosse um caso de TDAH VERDADEIRO, ou seja, de uma DEFICIÊNCIA real na capacidade de concentração e controle inibitório, nós desenvolvemos uma versão adaptada da terapia psicanalítica para casos de não neurose.

Antes que perguntem nos comentários: “não neurose” não significa necessariamente perversão ou psicose.

Trata-se de uma categoria psicopatológica ampla proposta por André Green. Na Confraria Analítica, eu falo sobre ela em diversas aulas. Quem é meu aluno já está por dentro.

Mas voltemos ao assunto.

Na resposta que dei à pergunta da caixinha, eu disse que nos FALSOS casos de TDAH, nós, psicanalistas, simplesmente aplicávamos o tratamento padrão para casos de neurose.

E aí teve gente que ficou em dúvida: “Lucas, mas o que são esses falsos casos de TDAH?”

Ora, são casos em que a pessoa apresenta sintomas como desatenção e hiperatividade, mas tais dificuldades não são a expressão de uma deficiência na função de autorregulação.

Elas são, na verdade, sintomas neuróticos, ou seja, comportamentos simbólicos que expressam, disfarçadamente, um conflito psíquico.

O psicanalista lacaniano Bruce Fink em seu excelente e recém-lançado “Introdução clínica a Freud” nos dá um ótimo exemplo desse tipo falso de TDAH.

Cito na íntegra o que ele escreve na página 42 do livro:

“Um de meus analisandos sentia uma angústia terrível toda vez que tinha de escrever um ensaio para determinada disciplina; ocorre que achava a matéria ridícula e o professor, um idiota, e se sentia tentado a dizer isso sempre que começava a escrever. O trabalho exigia dele enorme concentração e esforço, justamente porque ele se empenhava muito em não dizer o que queria dizer e vivia com a apreensão constante de, na verdade, haver deixado escapar em seu texto algum de seus verdadeiros sentimentos sobre a matéria e o professor. Quanto mais queria criticar o professor e sua disciplina, mais inquieto ficava.”


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