Esta é uma pequena fatia da aula especial “A dupla empatia do analista e o silêncio-em-si”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
O uso excessivo e descuidado do termo “empatia” acabou desgastando-o e provocando até certa ojeriza em muitas pessoas quando ouvem falar acerca dele.
Todavia, isso não é justificativa suficiente para que o abandonemos, sobretudo quando estamos tratando de questões psicoterapêuticas.
De fato, a empatia, considerada em seu sentido mais forte e preciso, é uma atitude absolutamente indispensável para o exercício da função de terapeuta.
Quando exploramos a origem etimológica do termo, ganhamos acesso a um campo semântico mais amplo do que a velha e batida ideia de “se colocar no lugar do outro”.
Empatia vem da palavra grega “empátheia” que, por sua vez, é formada pela junção dos termos “en”, que significa “dentro” e “pathos” que quer dizer “sentimento, emoção, paixão”.
Portanto, a acepção “raiz” de empatia remete à ideia de um sentimento em relação àquilo que está dentro.
Dentro do outro, no caso.
Nesse sentido, ser empático significa originalmente conseguir sentir aquilo que está no interior do outro, ou seja, emular em si aquilo que se passa afetivamente na outra pessoa.
Paulo de Tarso, na Epístola aos Romanos, parece ter conseguido captar a essência da empatia ao exortar seus leitores a “alegrarem-se com os que se alegram e chorarem com os que choram”.
Todo terapeuta precisa dar conta de conectar-se afetivamente dessa forma com o mundo interior de seus pacientes a fim de compreender de que modo o sujeito conscientemente se percebe.
O psicanalista, no entanto, precisa ir além desse tipo primário e básico de empatia.
Quem pratica o método freudiano deve ser capaz de se conectar não só com as emoções que o paciente SABE que experimenta, mas também com aquelas que ele não consegue reconhecer.
Afinal, um pressuposto básico da Psicanálise é o de que as verdadeiras causas do sofrimento de quem nos procura estão enraizadas no Inconsciente.
Nesse sentido, o analista precisa ser capaz de captar afetivamente também aquilo que está para-além das tristezas, culpas, dores e insatisfações que o paciente lhe apresenta às claras.
É por isso que o psicanalista argentino Juan-David Nasio propôs a tese de que, na Psicanálise, o terapeuta deve exercer uma DUPLA EMPATIA.
Tarefa nada fácil, mas que se torna possível se o analista consegue fazer aquilo que o autor chama de “SILÊNCIO-EM-SI” (que, já adianto, não tem nada a ver com ficar calado).
Mas, na prática, como se exerce essa dupla empatia?
Na AULA ESPECIAL desta sexta, na CONFRARIA ANALÍTICA, eu respondo essa pergunta mostrando exemplos na prática de Freud, em minha própria clínica e num episódio da série “Sessão de Terapia”.
Além disso, explico direitinho o que o Nasio chama de “silêncio-em-si” e apresento exemplos de problemas que acontecem quando não conseguimos alcançar esse estado.
O título da aula é “AULA ESPECIAL – A dupla empatia do analista e o silêncio-em-si” e já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS lá na CONFRARIA.
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“Superego” foi o termo escolhido pela tradução inglesa das obras de Freud para designar a função psíquica que o pai da Psicanálise chamou de “Über-Ich” (literalmente: “acima-do-eu”).
Trata-se de um elemento fundamental da nossa personalidade que se forma por meio da internalização da dimensão coercitiva do cuidado parental.
— Lucas, explica em Humanês! 😅
Tá bom! Olha só:
Numa infância mais ou menos “normal”, os pais alimentam, protegem, apoiam, dão carinho, mas também… ameaçam, punem e cobram seus filhos.
Com o passar do tempo, por amor aos seus genitores e por quererem se tornar como eles, as crianças vão trazendo para dentro de si essas ameaças, cobranças e expectativas de punição.
Isso é bom! Ao internalizar a dimensão coercitiva do cuidado dos pais, a criança se torna capaz de colocar limites à expressão de seus impulsos — uma condição básica para a vida em sociedade.
Portanto, o superego é essa função psíquica que, emulando o que faziam nossos pais, se coloca acima (Über) do nosso eu (Ich) para ameaçá-lo, puni-lo e cobrá-lo.
O problema é que, diferentemente dos nossos genitores, o superego não fica do lado de fora, observando apenas aquilo que a gente FAZ.
Como está dentro de nós, o bicho não monitora só nossas ações, mas tem acesso também aos nossos DESEJOS, incluindo aqueles que jamais colocaremos em prática.
Assim, o superego pode nos ameaçar, nos punir e nos cobrar em relação a coisas que nós simplesmente PENSAMOS, muitas vezes até inconscientemente.
Além disso, parte do impulso agressivo natural que, ao longo da infância, fomos incentivados a conter, é “canalizado”, digamos assim, para o superego.
Dessa forma, o movimento superegoico de ameaça, punição e cobrança paradoxalmente nos proporciona SATISFAÇÃO — a mesma que um masoquista sente quando leva umas boas chicotadas.
Há pessoas que tiveram sorte em seu desenvolvimento e possuem um superego mais “de boa”. Elas se limitam, eventualmente se condenam, mas tudo “na medida”.
Outras, porém, estão o tempo todo se sentindo culpadas, gozando masoquisticamente com um excesso de crueldade superegoica.
Qual delas é você?
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Neste vídeo, o Dr. Nápoli apresenta e comenta 5 dos vários atributos que caracterizam uma pessoa emocionalmente madura.
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “LENDO KLEIN 05 – A inveja primária e seus impactos no tratamento psicanalítico”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – KLEIN” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Isadora deu uma rápida olhada na tela do celular antes de entrar no elevador e viu que já eram 19h15.
Ela sabia que, pela terceira vez, estava chegando bastante atrasada para a sessão com Bianca, mas, por alguma razão, não se sentia incomodada por deixar a terapeuta esperando.
Pelo contrário. Caminhando a passos lentos, como se estivesse adiantada, ela entrou tranquilamente na sala de espera e mandou uma mensagem para a analista: “Cheguei”.
Como já era o terceiro atraso seguido, Bianca achou que seria importante estimular a paciente a pensar a respeito:
— Nas últimas sessões você tem sempre chegado atrasada, Isadora. Por que será que uma parte sua não está querendo vir à análise?
A paciente não esperava essa pergunta e ficou bastante ruborizada, como se tivesse sido pega em flagrante fazendo algo errado.
— É que eu precisei lavar a louça antes de vir e acabei demorando muito… Mas deixa eu te contar o sonho que eu tive essa noite! — disse Bianca, ansiosa para mudar de assunto.
— Hum…
— Sonhei que eu estava viajando com uma menina de carro. Mas ela é quem estava dirigindo. Aí o carro parou no meio da estrada e, quando a gente foi ver, os quatro pneus estavam furados.
— Uma criança dirigindo? — perguntou Bianca a fim de encorajar a paciente a explorar esse detalhe do sonho.
— Sim! Estranho, né? E eu nem me importei! Estava super tranquila no banco do carona, só curtindo a viagem.
— Eu me lembro de ter dito a você, na primeira sessão, que o nosso trabalho seria como uma longa viagem de carro na qual você estaria no volante e EU no banco do carona…
Após esse comentário, Isadora começou a trazer alguns associações que, articuladas a apontamentos feitos pela analista, revelaram os pensamentos latentes do sonho.
O que estava sendo expresso de maneira simbólica e disfarçada era a INVEJA que a paciente sentia em relação a Bianca.
No sonho, Isadora transformou sua EXPERIENTE analista em uma criança e inverteu as posições da relação terapêutica: colocou Bianca para dirigir e ocupou o lugar da terapeuta (o banco do carona).
Verificou-se também que os quatro pneus furados remetiam aos quatro meses de análise.
Nesse sentido, Isadora estava expressando no sonho seu desejo inconsciente de ESTRAGAR a terapia (simbolizada pela viagem de carro).
E por que ela queria estragar a análise? Por inveja da analista!
Bianca verificou que a paciente havia transferido para a relação com ela a forte inveja que sentira da mãe, uma renomada professora, sobretudo no início da adolescência.
Isso explicaria tanto os atrasos frequentes quanto a inércia que Isadora apresentava no tratamento.
Com efeito, mesmo após quatro meses de terapia, a paciente não havia apresentado nenhum insight e nem a mais ínfima melhora.
A inveja inconsciente transferida para a relação com o terapeuta é um dos principiais obstáculos que podem surgir no tratamento psicanalítico.
A primeira autora a falar mais abertamente sobre essa questão foi Melanie Klein no ensaio “Inveja e Gratidão”.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá hoje uma aula especial em que comento trechos dessa monografia, nos quais a autora explica como a inveja funciona e se manifesta na análise.
O título da aula é “LENDO KLEIN #05 – A inveja primária e seus impactos no tratamento psicanalítico” e já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – KLEIN.
Participe, por apenas R$49,99 por mês ou 497,00 por ano, da CONFRARIA ANALÍTICA, uma comunidade exclusiva, com aulas semanais ao vivo comigo, para quem deseja estudar Psicanálise de forma séria, rigorosa e profunda.
O que acontece com um bebê quando não tem alguém interessado em cuidar dele?
O coitado morre, não é verdade?
Pois é… Este é um dos aspectos da condição humana: no início da vida somos absolutamente dependentes do outro. Nossa sobrevivência DEPENDE do amor alheio.
Por essa razão, podemos deduzir que, ao longo dos milhares de anos de evolução da nossa espécie, a natureza instalou em nós, desde o nascimento, uma ânsia visceral de sermos amados.
Por estarmos inseridos num mundo simbólico, esse anelo de amor não se satisfaz apenas com cuidados físicos, mas exige também gestos e palavras que REPRESENTEM o desejo do outro por nós.
Algumas pessoas recebem esses símbolos de amor em quantidade suficientemente boa na infância e isso confere a elas um estado de segurança básica, de pacificação.
Veja bem: tais indivíduos continuam desejando o amor do outro (essa ânsia é meio insaciável), mas dão conta de suportar a experiência de não serem amados.
Eles não se desesperam com a recusa de amor do outro porque, na infância, receberam uma “injeção” de amor que é suficiente para “consolá-los” na vida adulta.
Por outro lado, há pessoas que não tiveram a mesma sorte.
Elas até foram fisicamente bem cuidadas e, por isso, sobreviveram. Contudo, não foram objeto de muito reconhecimento e atenção quando crianças. Não se sentiam suficientemente desejadas.
Esses sujeitos crescem com um buraco afetivo na alma e se comportam na idade adulta como crianças ávidas por receberem os símbolos de amor do papai e da mamãe.
Estão o tempo todo buscando agradar na busca compulsiva de seduzirem o outro.
Tais pessoas se angustiam absurdamente quando são desprezadas, odiadas ou não reconhecidas.
Como não foram suficientemente “abastecidas” de amor na infância, não suportam perder o pouquinho de amor que julgam ter conquistado a duras penas.
Nos relacionamentos, podem se submeter a toda sorte de humilhações e até de violências.
Afinal, interpretam a simples manutenção do vínculo com outro (ainda que seja um vínculo horroroso) como um símbolo de amor pelo qual tanto anseiam.
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Esta é uma pequena fatia da aula especial “CONCEITOS BÁSICOS 21 – Insight”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – CONCEITOS BÁSICOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.
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Fernanda iniciou a sessão como sempre costumava fazer: relatando algum episódio significativo ocorrido desde o último atendimento:
— Na quinta-feira, eu e o Cláudio tivemos mais uma briga feia.
Bruna, a psicanalista, limitou-se a fazer “Hum” de maneira enfática para incentivar a paciente a prosseguir em sua narrativa.
— Ele veio de novo me atacando, dizendo que eu sou ciumenta e que não está mais me suportando.
Gesticulando bastante com as mãos, Fernanda continuou:
— Aí, como sempre, eu mandei ele tomar naquele lugar e fiquei lá na sala assistindo TV. Fiquei com tanta raiva que até arquivei as fotos que eu tenho com ele no Instagram.
— Mas como a briga começou? — perguntou a terapeuta.
— Foi coisa besta, Bruna. Ele estava conversando com uma pessoa no celular, aí eu perguntei quem era e ele falou que era uma cliente nova, que estava se divorciando do marido.
Enquanto a analista acompanhava o relato silenciosamente, Fernanda prosseguia:
— Eu questionei o fato de ele estar conversando com a mulher fora do horário de trabalho e pedi para ver a foto dela. Aí ele se recusou, falando que era um absurdo eu pedir aquilo.
— E como você reagiu? — perguntou Bruna.
— Eu tomei o celular da mão dele e fui ver a foto. Você tinha que ver a cara de piriguete da menina! Aí ele ficou transtornado e começou a me acusar de ciumenta, de possessiva e blábláblá…
— O Cláudio é a primeira pessoa que te chama de “ciumenta” ou mais alguém já te falou isso? — indagou a terapeuta já suspeitando da resposta.
— Meu irmão! Ele sempre falou que eu tinha muito ciúme da nossa mãe.
— E isso é verdade?
— De jeito nenhum! Ele falava isso porque eu nunca gostei dos namorados que ela arrumou depois que separou do meu pai. Mas é que nenhum deles prestava mesmo, Bruna. Você tinha que ver!
— Engraçado… — disse a analista — Você usou a mesma expressão quando estava falando da nova cliente do seu marido: “você tinha que ver”…
Surpresa com a pontuação, Fernanda ficou em silêncio, olhando para baixo, como se estivesse refletindo sobre o que acabara de ouvir.
Após alguns segundos, a paciente levanta o rosto e olha diretamente nos olhos da analista, que resolve lhe perguntar:
— O que está passando pela sua cabeça?
— Que eu impliquei com a cliente do Cláudio do mesmo jeito que eu implicava com os namorados da minha mãe. Nossa… É igualzinho, Bruna. Senti até uma coisa ruim agora…
Essa constatação súbita que provocou na paciente uma reação de perplexidade e mal-estar é o que chamamos na Psicanálise de INSIGHT.
Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA poderá conferir hoje (sexta-feira) uma AULA ESPECIAL em que explico detalhadamente as características do insight e sua importância na prática clínica.
O título da aula é “CONCEITOS BÁSICOS 21 – Insight” e ela já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – CONCEITOS BÁSICOS.
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Há pessoas que se sentem muito bem e simplesmente agradecem com tranquilidade a quem as elogiou, sem falsa modéstia.
Via de regra, tais indivíduos vieram de uma infância em que receberam validação e investimento afetivo em quantidades suficientemente boas.
Para eles, o elogio não é visto como algo surpreendente ou injustificado, pois, quando crianças, aprenderam a amar o próprio ego e, portanto, se consideram DIGNAS de serem elogiadas.
Pessoas que não tiveram uma história infantil tão afortunada costumam ficar CONSTRANGIDAS quando recebem elogios.
Uma parte delas anseia desesperadamente por validação, justamente porque não receberam uma quantidade suficiente de investimento afetivo quando crianças.
Essa parte solta fogos de artifício quando o sujeito é elogiado, mas ela é imediatamente calada por uma outra parte do indivíduo que encara qualquer elogio como INDEVIDO.
Essa outra parte nasceu em resposta à falta de validação de que o sujeito foi vítima na infância.
Por não ter sido suficientemente reconhecida e paparicada (como toda criança precisa ser no início da vida), a pessoa se viu obrigada a forjar uma imagem de si mesma como NÃO MERECEDORA.
É por isso que tal sujeito se sente constrangido ao receber um elogio. É como se inconscientemente ele pensasse mais ou menos assim:
“Ai, meu Deus! Essa pessoa acha que eu sou isso, mas não é verdade. Estou passando uma falsa impressão. E quando ela descobrir que é tudo uma farsa? Que vergonha!”.
Como eu disse, NO FUNDO esse indivíduo se sente feliz por ter sido elogiado. Afinal, está recebendo aquilo que não teve na infância.
Todavia, ele não se permite USUFRUIR dessa felicidade; ela fica REPRIMIDA.
É como se a pessoa tivesse interpretado a FALTA de validação na infância como uma PROIBIÇÃO de se sentir validado.
Assim, ela não se sente AUTORIZADA a ficar bem quando recebe elogios.
O resultado é um intenso conflito psíquico:
Uma parte da pessoa está o tempo todo BUSCANDO elogios — para saciar a necessidade de reconhecimento não satisfeita na infância.
Mas a outra não se considera digna, autorizada, merecedora de ser elogiada.
Esse é o seu caso?
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