Parem de romantizar o trabalho: a tristeza de domingo é normal

Situação clássica: é domingo, por volta de 19h.

Você está na cama, deitada, rolando o feed do Instagram, vendo alguns stories.

De vez em quando, vai para outra rede social enquanto à sua frente a TV exibe alguma bobagem dominical.

O dia foi ótimo. Após uma intensa semana de trabalho, você finalmente pôde acordar mais tarde, tomou um delicioso café da manhã e, como de costume, foi almoçar na casa dos seus pais.

Mas agora, no início da noite, você começa a experimentar um conhecido mal-estar — uma mistura de tristeza e ansiedade que te leva a pensar:

“Deve ser assim que pessoas deprimidas se sentem o tempo todo…”.

Você sabe muito bem de onde vem esse estado afetivo: ele anuncia a chegada de uma nova semana de trabalho no dia seguinte.

Há dois dias você estava eufórica, postando “Sextou!” no grupo das amigas e perguntando qual era a boa do fim de semana.

Pode parecer estranho que seu estado de humor tenha se alterado de forma tão drástica em tão pouco tempo.

Mas não é.

POR MAIS GRATIFICANTE E SIGNIFICATIVO que seja o seu trabalho, a verdade é que ele inevitavelmente envolverá boas doses de esforço, renúncia e comprometimento.

Ou seja, todo trabalho envolve necessariamente RESTRIÇÃO DE LIBERDADE.

Ainda que você goste muito do que faz, há dias em que gostaria de simplesmente passar o dia todo na praia. É ou não é?

Mas, evidentemente, 99% das pessoas não podem fazer isso.

Por quê? Por conta dos compromissos profissionais que assumiram.

Isso é normal, gente! É assim que a vida adulta funciona.

E é por essa razão que festejamos a sexta-feira!

Não é porque necessariamente não gostamos de nossos trabalhos, mas porque, para a maioria das pessoas (que não trabalham nos fins de semana), ela funciona como uma CARTA DE ALFORRIA:

Finalmente estamos livres para fazer o que QUISERMOS e não só o que TEMOS que fazer.

Nesse sentido, o mal-estar que nos acomete no fim do domingo é perfeitamente NORMAL e compreensível.

Se comemoramos nossa “libertação” na sexta-feira, é natural que lamentemos o retorno à “prisão” na segunda.


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[Vídeo] Você está preso a uma identidade?

Na busca por resolvermos de modo definitivo nossa CARÊNCIA IDENTITÁRIA, podemos acabar nos alienando a certas identidades fixas e rígidas.


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[Vídeo] 4 formas de expressão do Inconsciente


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O psicanalista pode tomar notas durante as sessões?

Esta é uma pequena fatia da aula especial “O analista pode fazer anotações durante a sessão?”, que já está disponível no módulo “AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS” da CONFRARIA ANALÍTICA.


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O psicanalista pode ficar anotando durante as sessões?

Freud tinha uma visão utópica acerca do trabalho do psicanalista.

Ele acreditava que o terapeuta deveria ser capaz de escutar tudo o que o paciente diz com o mesmo nível de atenção e de forma absolutamente imparcial e objetiva.

Dessa forma, pensava Freud, o analista conseguiria fazer interpretações sem distorcê-las com suas expectativas ou inclinações pessoais.

Ora, qualquer profissional de Psicanálise (que seja franco e honesto) reconhecerá que essa visão é totalmente IDEALIZADA.

Na prática, por mais “analisado” que seja, nenhum psicanalista é capaz de apagar completamente sua pessoa e converter-se tão-somente num espelho 100% puro e cristalino.

Mas por que estou falando isso?

Porque foi nessa concepção utópica que Freud baseou sua clássica recomendação de que os analistas não deveriam ficar fazendo anotações durante as sessões com seus pacientes.

O médico vienense acreditava que tomar notas era algo que atrapalharia a atenção flutuante, isto é, a prática de prestar o mesmo grau de atenção a tudo o que o paciente fala.

E por que atrapalharia?

Porque, ao anotar a frase X, por exemplo, e não a frase Y, o terapeuta estaria fazendo uma SELEÇÃO do material, dando mais atenção à frase X do que à frase Y.

Ora, é óbvio que essa “seleção” é um processo praticamente inevitável, que acontece na cabeça de todo analista, ainda que ele não faça nenhuma anotação.

Porém, por conta de sua visão idealizada do psicanalista, Freud realmente achava que era possível manter a atenção flutuante o tempo todo…

Em 2007, Howard B. Levine escreveu um pequeno artigo em que apresenta um contraponto a essa recomendação freudiana de não fazer anotações.

Partindo de sua experiência clínica, o psicanalista norte-americano demonstra que, em certos casos, tomar notas durante a sessão pode FAVORECER a atenção flutuante ao invés de atrapalhá-la.

Ficou curioso para conhecer a visão de Levine?

Então, você precisa assistir à AULA ESPECIAL de hoje (sexta) na CONFRARIA ANALÍTICA.

Nela eu comento o artigo do autor e mostro que fazer anotações pode ser uma ótima ferramenta para certas situações muito comuns na clínica contemporânea.

O título da aula é “AULA ESPECIAL – O analista pode fazer anotações durante a sessão?” e já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – TEMAS VARIADOS.


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Resistência: por que todo paciente atrapalha o seu próprio processo terapêutico?

Desde o início de sua carreira como psicoterapeuta, Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, se deparou com um fenômeno curioso, que ele chamou de RESISTÊNCIA.

O médico austríaco observou que seus pacientes pareciam EVITAR deliberadamente certos pensamentos que apontavam para a origem de seus sintomas neuróticos.

Eu digo que esse fenômeno é curioso porque ele aparentemente não faz muito sentido. Afinal, por que uma pessoa doente intencionalmente atrapalharia o trabalho do médico que deseja curá-la?

Estranho, né? Mas foi exatamente isso o que Freud constatou: seus pacientes queriam melhorar, mas, ao mesmo tempo, NÃO QUERIAM passar pelo processo necessário para a cura.

Como explicar essa aparente contradição com a qual todo psicanalista se depara em sua clínica?

A resposta está no entendimento de como se formam as nossas doenças emocionais.

Freud descobriu que a gente desenvolve problemas psicológicos na esperança de que, por meio deles, possamos resolver certos CONFLITOS PSÍQUICOS.

Conflitos entre certos desejos e nossas convicções morais.

Conflitos entre a percepção de uma realidade e a expectativa que tínhamos sobre ela.

Conflitos entre o amor e o ódio que sentimos por uma mesma pessoa.

Enfim, na tentativa de solucionar dilemas como esses, nós adoecemos. É como se os sintomas e inibições nos fizessem “esquecer” dessas questões.

Nesse sentido, o tratamento exigirá necessariamente levar o paciente a repensar seus conflitos a fim de ajudá-lo a encontrar outras formas de resolução que não passem pela via da doença.

É daí que vem a resistência!

Com efeito, se o sujeito adoeceu na esperança de resolver os conflitos, isso aconteceu justamente porque tais batalhas mentais provocam uma angústia quase insuportável.

Assim, é natural que ele RESISTA a retomar o contato com essas questões. A pessoa tem MEDO de voltar a experimentar aquela angústia.

Por isso, uma parte significativa do tratamento psicanalítico consiste em oferecer ao paciente o apoio necessário para que ele perca esse medo.


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[Vídeo] Qual é a sua hybris?


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[Vídeo] Psicanalista explica como interpretar sonhos


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[Vídeo] Quando ocorre o surto psicótico?


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Entenda como funciona a foraclusão e seus efeitos na psicose

Imagine que você está de boa na sua casa, mexendo no celular e aí, de repente, invadem seu domicílio e o sequestram.

Ao chegar ao suposto “cativeiro”, você descobre que, na verdade, será obrigado a participar de um JOGO.

Sim, um jogo.

Após retirarem a venda que haviam colocado sobre seus olhos, você percebe que está numa imensa sala com várias outras pessoas, igualmente sequestradas.

Os sequestradores simplesmente empurram você na direção de dois outros sujeitos que estão isolados num canto e dizem:

— Vocês três vão jogar juntos.

Aparentemente, aquelas duas pessoas parecem saber como funciona o game. Então, você resolve perguntar a elas como deve agir.

— Apenas faça o que a gente mandar e tente imitar o nosso comportamento. — diz uma delas.

Com medo de sofrer alguma punição, você resolve acatar essa orientação e começa a obedecer e a imitar aquelas pessoas mesmo sem entender nada do que está acontecendo.

Depois de algumas horas, uma delas (a mesma que lhe deu a orientação) aponta para o segundo sujeito e diz a você:

— Siga-o. Ele vai te mostrar onde está o manual do jogo. Depois de ler o documento, você poderá fazer jogadas por conta própria. Mas ainda não saia de perto de nós.

Essa historinha é uma alegoria que retrata metaforicamente o que acontece com a maioria de nós no início da vida.

O sequestro é o nascimento.

A sala que serve de cativeiro é o mundo.

O jogo é o que Lacan chamava de “ordem simbólica”.

As duas pessoas com quem você foi obrigado a jogar são seus pais.

E o manual do jogo é o que Lacan chamou de “Nome-do-Pai” ou “significante primordial”.

Eu disse que a alegoria representa o que acontece com a MAIORIA de nós porque o finalzinho da história é um pouco diferente para algumas pessoas.

Com efeito, os PSICÓTICOS não recebem aquela última instrução acerca do manual. Ou seja, eles não têm acesso ao significante do Nome-do-Pai.

Na AULA ESPECIAL desta sexta na CONFRARIA ANALÍTICA, eu exploro didaticamente essa alegoria para explicar como funciona esse processo atípico que Lacan chamou de “foraclusão”.

Além disso, com o auxílio de fragmentos do documentário “Estamira”, descrevo algumas das consequências da ausência do Nome-do-Pai na psicose.

O título da aula é “AULA ESPECIAL – Introdução à teoria lacaniana das psicoses (parte 02)” e já está disponível no módulo AULAS ESPECIAIS – LACAN.


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Seus gostos e manias dizem muito sobre você

Todos santo dia, ao chegar no trabalho, Leandro confere se os objetos em sua mesa estão dispostos exatamente na posição em que os deixou no dia anterior.

Jéssica sempre se atrasa para suas sessões de terapia. Embora se esforce para ser pontual, nunca consegue chegar ao consultório da analista no horário marcado.

Rafaela detesta cenoura. Ainda que não tenha notado o legume ou sentido seu gosto, o simples fato de saber que ele está presente já é suficiente para que a moça rejeite a comida.

A maioria das pessoas pensa que esses três comportamentos não significam nada. Seriam apenas idiossincrasias ou “manias” aleatórias.

Mas isso não é verdade.

A Psicanálise descobriu que NADA no nosso comportamento acontece por puro acaso.

Temos a ilusão de que certas ações são completamente sem sentido porque frequentemente o agente não tem consciência dos verdadeiros motivos que o levaram a se comportar daquela forma.

Leandro, por exemplo, se perguntado, dirá que simplesmente gosta de saber que seus objetos estão devidamente organizados sobre a mesa.

Jéssica, por sua vez, pode dar algumas desculpas ou dizer que realmente não consegue entender por que sempre se atrasa.

E Rafaela argumentará que só não curte o sabor e/ou o cheiro da cenoura, que sente nojo do legume etc.

Ou seja, essas três pessoas até podem tentar explicar seus comportamentos, mas, no fim das contas, acabarão dando a impressão de que se trata de manifestações mais ou menos arbitrárias.

Isso acontece porque, na maioria das vezes, nós não conseguimos identificar imediatamente a cadeia de associações de ideias que estão na base de nossas ações.

A organização da mesa de Leandro pode estar associada à DESORGANIZAÇÃO de seus desejos sexuais.

O atraso de Jéssica pode estar associado ao ódio reprimido que ela tem por sua terapeuta.

A rejeição de Rafaela à cenoura pode estar associada à memória de um episódio traumático na infância.

Todas esses vínculos associativos se mantêm afastados da consciência para que a pessoa não sofra com eles.

É fazendo Psicanálise, ou seja, conversando com alguém especializado em ajudar pessoas a se enxergarem, que adquirimos a força necessária para reconhecermos tais associações.


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[Vídeo] Seu parceiro é a imagem do seu avesso?


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[Vídeo] 3 lições da Psicanálise para lidar melhor com o outro


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[Vídeo] O psicótico carece de bússola

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“Não fica louco quem quer” (Jacques Lacan)

“Antes de eu nascer, eu já sabia disso tudo! Antes de eu estar com carne e sangue… E, é claro, se eu sou a beira do mundo!”

Esta é uma das inúmeras expressões delirantes proferidas por ESTAMIRA, no extraordinário documentário homônimo de 2004, dirigido por Marcos Prado.

Acompanhando as falas da “protagonista” ao longo do filme, somos tomados por um estranho FASCÍNIO.

Com efeito, não entendemos quase nada do que ela diz, mas, ao mesmo tempo, sentimos um intenso desejo de continuar a escutá-la por horas e horas a fio.

Esta-mira (assim mesmo, de forma escandida, como ela mesma se denomina em vários momentos) é, do ponto de vista psicanalítico, uma PSICÓTICA.

Apesar de achar que a Psicanálise não era capaz de tratar a psicose, Freud sempre se manteve interessado em compreender esse tipo de subjetividade.

Em 1924, no artigo “Neurose e Psicose”, ele propõe a tese de que o psicótico é alguém que rompeu sua relação com a realidade em função de um conflito insustentável com ela.

Em outras palavras, o que Freud está dizendo é que o nosso mundo se mostra tão INSUPORTÁVEL para certas pessoas que elas acabam sendo obrigadas a criar um OUTRO mundo só para elas.

A história de Estamira ilustra essa tese perfeitamente: perdeu o pai aos 2 anos, ficou aos cuidados de uma mãe “perturbada” (palavras dela), sofreu os mais variados abus0s desde criança…

Enfim, motivos não faltaram para que essa mulher voltasse as costas para a realidade compartilhada e forjasse para si um mundo PARTICULAR, no qual tinha “controle superior” (sic).

Mas por que será que ela não conseguiu encontrar outra saída para lidar com a crueldade da vida?

De fato, a existência pode ser extremamente dura e impiedosa com muitas pessoas, mas não são todas que se tornam psicóticas.

Que condição precisa necessariamente estar presente na história de certos indivíduos para que eles só tenham como saída o rompimento com a realidade compartilhada?

Para responder essa pergunta, o psicanalista francês Jacques Lacan formulou uma consistente e rigorosa teoria sobre as psicoses.

E na AULA ESPECIAL desta sexta-feira na CONFRARIA ANALÍTICA eu começo a explicar essa teoria para os alunos — em linguagem simples, didática e acessível.

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